
Há um paradoxo no mundo atual. Vejo as pessoas realmente preocupadas em aprofundar as discussões sobre o comportamento humano, vejo-as tentando buscar o autoconhecimento, sinto que há de fato uma necessidade de entender o mundo e as pessoas que nele habitam como nunca se viu antes. Parece tudo certo até aí.
Mas… (o velho e bom “mas”) na vida prática as pessoas estão cada vez mais superficiais. Não dá pra entender mais nada. Buscam profundidade na teoria e superficialidade nas atitudes? Será que estou ficando louco ao constatar uma coisa dessas? Bom, pode até ser, normal eu nunca fui, mas não estou sozinho nesse barco.
Leio alguns Blogs, converso com amigos, graças a Deus seres pensantes e percebo que eles têm essa mesma sensação, a de que estamos cada vez mais andando na superfície. Qual será a explicação?
Talvez possamos encontrar alguma resposta nessa busca profunda pelo autoconhecimento. Uma vez eu escrevi que numa das minhas manhãs terapêuticas – sou adepto da terapia do espelho como sabem – eu olhei para minha imagem refletida e disparei em voz alta:
- Quanto mais eu te conheço, mais tenho medo de você!
Acho que é meio por aí, quando a gente se conhece muito bem, mas muito mesmo, descobrimos que nem sempre somos o que gostaríamos de ser e mais, descobrimos que estamos bem longe daquela imagem que fazem de nós.
Não estou dizendo aqui que todo mundo anda com uma máscara no rosto, mas é bem perto disso, e não há nada de errado não, é questão de sobrevivência social. Se formos, falarmos e agirmos apenas comandados pela nossa essência, provavelmente estaríamos todos isolados uns dos outros. Poderia até afirmar que em “solitárias”, mas aí seria pegar pesado demais.
Então decretei que temos que usar uma máscara de vez em quando. O problema está nos que usam essa máscara o tempo todo. Aí criamos uma confusão: Se usarmos essa máscara, quem é que vai nos conhecer profundamente? E quem é que nós vamos conhecer profundamente?
A partir disso, criamos um mundo superficial. Ninguém conhece ninguém como se deve e as relações humanas ficam mascaradas. E para piorar o cenário, cobramos de quem conhecemos que a pessoa “se entregue, se mostre”. Oras bolas, o que é que estamos fazendo, hein?
Há de fato uma banalização de tudo. Sem falar do que aceitamos “numa boa” em relação ao que as autoridades nos impõem – já que somos uma geração de bundões. Poderia falar aqui das inversões de valores a que somos submetidos e aceitamos, mas esse Blog não é político.
Falava da banalização das relações humanas. É o que anda acontecendo. O beijo, por exemplo, virou algo tão desvalorizado que dá pena dessa geração que vem pela frente. Sexo se tornou casual, não mais o ápice de uma relação que se inicia. As amizades existem cada vez mais quando há interesses em jogo, não mais uma preocupação efetiva e solidária. As famílias se despedaçaram porque hoje em dia fica cada um no seu canto dentro dos lares.
Será mesmo que temos o direito de achar isso ruim? Será? Quem está construindo esse modelo de sociedade, afinal?
Não sou pessimista como muitos acreditam, pelo contrário, sou um homem de fé e para ter fé é preciso, antes de qualquer coisa, ser otimista. Sou é bem realista e muitas vezes sou confundido com um pessimista. O problema é que enxergo muito bem e estou vendo nesse momento que não haverá uma mudança profunda tão cedo.
Perto de fazer 49 anos, já vivi muita coisa e meu tempo por aqui está terminando, mas dá muita pena de quem tem 17, 20 ou 25 anos. Estes estão encontrando um mundo completamente oco, completamente superficial e sabem o que é mais triste? Não terão como modificar isso porque não terão a experiência necessária, não terão discernimento para julgar a realidade em que vivem.
Não vão mudar porque não terão dúvidas se é bom viver assim. Eles não vão mudar porque não conhecem outro modelo, não vão mudar porque não sabem a diferença.
MM
















































