Comparações

Semana passada, atendendo a uma cliente, falamos sobre comparações. O problema dela não vem ao caso, até porque era assunto de trabalho, ou seja, nada a ver só com Egos, apesar de eles estarem sempre presentes de alguma forma.

Mas o tema é interessante. Tudo que nos acontece serve de referência. Muitas vezes serve apenas e tão somente para isso, o que não é pouco se olharmos atentamente. É a referência que nos protege em grande parte do tempo.

Mas ela tem que ser bem usada. Por exemplo, no caso da minha cliente eu disse a ela a seguinte frase: Você deve comparar começo com começo e não começo com o fim.

E isso vale para quase tudo, não só para o problema que ela estava vivenciando. Para ilustrar, pensemos nas relações humanas quando “trocamos” de parceiros: Todo início de relação é maravilhoso. Nos envolvemos, nos descobrimos, sentimos a força da paixão e… comparamos.

Pois é, sei que muita gente diz e vai continuar dizendo exatamente o contrário, mas é mentira. Todo mundo compara pessoas como se todas elas fossem iguais. Bem, a ciência está aí para provar que o tal DNA é único. Egos também são. Por si só já seria injusto fazer qualquer comparação. Mas fazemos, afinal, tem coisa mais injusta nesse mundo do que um ser humano? Papo para outro texto, prometo…

Essa injustiça mencionada acima funciona assim: Você conhece o “Pedrinho” e o acha a coisa mais “fofa” desse mundo. Ele é atencioso, gentil, bonito, calmo… Bem diferente do “Pedrinho” anterior, aquele monstro mal humorado e briguento.

O que está sendo comparado aí? O Pedrinho do começo da nova relação com o Pedrinho do fim da relação anterior. Ora, não preciso nem ser matemático para dizer que é óbvio que o começo de toda relação (normal) é um mar de rosas (Nunca entendi essa expressão, afinal, rosas têm espinhos, não só pétalas, mas enfim…) e o fim quase sempre é uma tempestade.

Alguns, bem poucos alguns, depois de se tornarem calejados no quesito “Relação Amorosa” conseguem comparar começo com começo: O ex-Pedrinho do começo da relação passada com o atual Pedrinho. Quem consegue fazer isso, notará que, via de regra, os dois Pedrinhos são o que as mais românticas costumam dizer… “O Homem da Minha Vida”.

Só não entendo pra que fazemos esse tipo de coisa. Sim, disse fazemos, afinal, eu também já caí nessa de comparar Joaninhas do começo com Joaninhas do fim. É inevitável cometermos esse erro. Volto a perguntar: Pra que comparar? O que é que se ganha com isso? Referência? Não, claro que não.

Comparar dois Pedrinhos ou duas Joaninhas é a mesma coisa que comparar banana com manteiga. Sei que se trata de seres humanos e banana é fruta e manteiga é… é… ah, sei lá o que é manteiga. Mas Egos são tão distintos que o Pedrinho Banana não tem nada a ver com o Pedrinho Manteiga. (Nossa! Sem querer defini um Pedrinho como bunda-mole e outro como um chorão inconsolável)

Da mesma forma que não podemos comparar Maradona com Pelé ou Neymar com Messi, não podemos comparar o Pedrinho um com o dois. Há sim que se comparar – depois de um tempo – o Pedrinho do início da relação com o Pedrinho do meio ou do fim da relação.  

Quando fazemos as comparações da forma errada, o julgamento fica comprometido. E como normalmente fazemos isso, volto a perguntar: Pra que?

Não dá apenas para viver apenas e tão somente as diferenças? Será que não é isso o que chamamos de diversidade? Ou essa palavra vale apenas para o meio-ambiente? Não acredito que ela se aplique apenas à fauna e flora. Acho sim que podemos usá-la para pessoas.

Será que não seria muito melhor apenas experimentar novas situações, pessoas, paisagens, sabores? Será que precisamos mesmo comparar tudo? O que queremos com isso, afinal?

MM

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Garantias

Aí o ano começa como todos os outros. Confuso, meio atrapalhado e eu no meio disso tudo me pego triste e muito, mas muito preocupado mesmo com certas coisas que acontecem e que nem sempre conseguimos controlar ou temos força para isso.

E ando pensando muito sobre algo que me atormenta desde sempre: A nossa busca. Claro, no caso, minha busca em primeiro lugar, mas os pensamentos são livres e eles voam… Já amplio logo para a humanidade, afinal, que eu me lembre, faço parte dela.

O que buscamos efetivamente nessa nossa passagem aqui na Terra? Uns dirão que buscamos a paz, eu até escrevi sobre isso no último texto. Outros vão dizer que buscamos a felicidade ou a realização em todas as áreas da vida… Enfim, buscamos algo muito abstrato e que sabemos não existir plenamente na prática.

Indo por esse lado, decidi – sim, sou um metido à besta – que nossa busca tem um nome, um conceito, ou seja lá o que for: Garantia.

Sim, buscamos garantias. Em todos os sentidos da vida é isso o que buscamos como meta, como objetivo final. Queremos garantias de tudo e, sinceramente, não podemos ter nenhuma. Na verdade, a única coisa garantida nessa vida é a morte, mas quem é que quer pensar ou buscar esse tipo de garantia? Talvez se pudéssemos ter uma “garantia estendida”…

Buscamos garantias no trabalho, temos a tendência a acreditar que “estabilidade no emprego” existe e pior, que é algo bom… Pois eu afirmo, fazer sempre a mesma coisa na vida nunca foi nem será bom para nenhum Ego saudável.

E essa tal busca por garantias é uma eterna corrida onde poucas vezes ganhamos. É estranho pensar até em quantas vezes somos enganados por conta disso. Mais ou menos como levarmos em conta os impostos que pagamos. O Governo nos toma dinheiro e não temos absolutamente garantia alguma que essa grana irá voltar em forma de serviços, por mais básicos que sejam, por mais que seja obrigação de qualquer governo realizar esses serviços.

Somos enganados até mesmo quando pagamos os planos de doença – me recuso a falar plano de saúde porque está errado. Pagamos as mensalidades na esperança de que sejamos atendidos de acordo com contratos que nos garantem isso. Como todos sabem as garantias nem sempre são cumpridas.

Queremos garantias que nossos tratamentos psicológicos nos curem da depressão ou das síndromes… Como se um profissional pelo qual pagamos pudesse garantir essa cura, sendo que ela está dentro de nós. Parece chavão, mas é uma verdade absoluta. O máximo que os profissionais da área conseguem é nos ajudar, o que já está de bom tamanho. Mas isso não nos basta, queremos ir além.

O mais engraçado nessa vida é quando queremos garantias nas relações amorosas. Não tem jeito, todo mundo quer. Como se fosse possível alguém garantir o… “Juntos até que a morte os separe”. Na boa, nem Deus garante isso.

O fato é que queremos de nossos parceiros todas as garantias do mundo: Que ele não nos traia, que ele não nos abandone, que ele não nos magoe, etc, etc, etc.

Impossivel alcançar algumas dessas coisas. A vida da gente é cheia, mas cheia mesmo de variáveis. Se eu fosse um pouquinho mais pedante, afirmaria com todas as letras que a vida é só uma variável constante. É, devo estar louco por escrever algo tão contraditório… mas é o que penso.

E dentro dessa equação esdrúxula que acabo de inventar, quem é que pode ter alguma garantia de qualquer coisa? Acho que nosso Ego-sistema é tão louco que não conseguiríamos nem se tudo dependesse apenas e tão somente de nós mesmos.

Depois de reler esse texto meio sem sentido, a conclusão que chego é que a única garantia que temos é que passaremos a vida toda procurando algo que jamais teremos. Somos mesmo seres inteligentes, não?

MM

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Paz

Mais um ano que vai embora. Ruim? Bom? Bem, já desencanei de pensar nisso porque não há ano sempre ruim ou sempre bom. Este, particularmente foi um ano morno. Falo por mim e tão somente por mim. Já para algumas pessoas queridas e bem próximas, sei que o ano foi uma grande porcaria.

Há coisas que não controlamos. Há desejos que não se realizam porque não dependem só da nossa vontade. Há mudanças de rumo ao longo do ano que fazem a gente até se esquecer do que havia pedido naquelas famosas listas de final de ano…

Faz tempo que alguém não me pergunta o que eu quero. Muito tempo. Há alguns anos atrás, conversava com uma querida amiga que estudou psicologia comigo exatamente sobre isso, sobre nossos desejos, nossos maiores desejos. A resposta que demos um ao outro foi a mesma: Paz.

Eram tempos turbulentos para mim. Estava em uma fase não muito boa de cabeça e paz parecia algo inatingível. Impressão de que só a teria se morresse. Lembrando disso agora, às vésperas de mais um ano que vai se iniciar vejo que pouca coisa mudou. Minha cabeça estragada já não está tão ruim, mas meu anseio por paz continua o mesmo.

Paz é o que afinal? Um conceito abstrato? Um estado de espírito? Uma eterna busca? Pois é, para cada um de nós ela tem um significado, ou talvez todos estes ao mesmo tempo. A verdade é que não se vê por aí alguém que tenha paz em sua plenitude.

Na igreja católica há um momento durante a missa em que desejamos ao próximo a Paz de Cristo. Sim, sou católico praticante, vou à missa todos os domingos por vários motivos, mas um deles é a busca pela paz, nem que seja durante uma hora por semana. Desejar a Paz de Cristo seria o que? Uma espécie de proteção de alguém que foi tão sábio e tão bom para humanidade? Talvez.

Mas Cristo não teve paz. A não ser no momento em que desistiu de viver, afinal ninguém sobrevivia à cruz e entregou sua vida por nós. Ok, é um conceito que acredita quem quiser. Mas nem Ele teve a tão sonhada paz durante a vida. Se a Paz de Cristo é um conceito, eu a quero. Se for para tê-la como Ele a teve durante sua vida, eu não quero. Independente de querer ou não, é a “Paz” que temos: Cada um sabe a cruz que carrega, não é esse o ditado?

Todos carregamos nossas cruzes e muitas vezes nem sabemos o real motivo daquilo. Se um dia teremos ou não alguma explicação divina eu não sei, mas o fato é que a vida também é isso, um eterno caminhar com cruzes nas costas.

Em certos momentos elas são pesadas, em outros nós é que a supervalorizamos. Os mais fortes lidam melhor com isso, os mais fracos, a deixam cair pelo caminho. Outro conceito abstrato: Ser forte ou ser fraco…

Queria nesse último texto deixar aqui meus sinceros desejos que todos vocês que me lêem tenham a tão sonhada paz em 2012. Não é apenas um desejo solto no ar de alguém que está tomado pelo espírito do Natal. Para ser bem sincero, não ligo a mínima para essa festa comercial que perdeu o sentido ao longo dos séculos.

Eu desejo algo além de simplesmente a Paz que todos pregam. Desejo que vocês a busquem com toda força, que não desistam de buscá-la. Alcançar não é fácil, pelo contrário, é quase impossivel, mas talvez se nos esforçamos para buscá-la, a gente se sinta melhor num mundo tão conturbado.

Não estou falando aqui de paz mundial, pelo amor de Deus não me vejam assim. Não estou nem aí para o mundo. Tenho minhas sérias restrições à vida em sociedade. Falo aqui de indivíduos, da sua paz, da minha paz interior. Por isso é tão difícil alcançarmos, já que a maioria de nós tem a mente inquieta.

Eu criei meus métodos para ficar algumas horas em paz, além de ir à missa. Sempre indico isso para meus clientes e sei que funciona porque eles me passam os resultados. Mas isso requer disciplina e aí… a historia é outra.

Se eu puder dar uma pequena dica: Procure contemplar mais e melhor seus momentos bons. Acho que pode ser um excelente começo, pelo menos vai valer para reconhecer que existe sim coisas que valem à pena.

Enfim… desejo a todos Boas Festas, saúde no ano novo e se possível, Paz…

MM

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Desperdício

É inacreditável como as pessoas desperdiçam as coisas. A gente compra mais do que pode usar e isso vale para tudo: roupas, sapatos, comida… E olha que normalmente as pessoas reclamam que ganham pouco…

Mas não desperdiçamos apenas dinheiro. Tem gente que desperdiça até inteligência. Mas isso vai ficar para outro texto.

Ando vendo umas coisas que me chamam atenção e, como sou um intrometido incontrolável, preocupam: As pessoas têm desperdiçado a vida, da forma mais diversa e profunda.

Alguns dão mais atenção aos outros do que a si mesmos. Tudo bem, em teoria isso é muito bonitinho, desde que você seja a Madre Tereza, mas quem é que disse que a velhinha era feliz?

Gosto de dar atenção aos outros, entretanto, gosto de dar atenção a mim também e aprendi ao longo desses anos que o melhor jeito de tocar a vida é quando dou atenção a mim em primeiro lugar. Repito para os que não sabem interpretar textos e já pensaram na palavra egoísmo: Eu disse em primeiro lugar e não em “único” lugar.

Isso tem tudo a ver com desperdício. Ao dar atenção a nós mesmos em primeiro lugar estamos gastando a energia de forma certa, estamos canalizando os sentimentos a quem mais importa, nós mesmos. Sei que podemos e devemos ajudar quem precisa, mas nunca antes de olharmos para as nossas necessidades.

Há desperdício de tempo. Sim, usamos muitas vezes e erradamente nosso precioso e escasso tempo em coisas que não mereceriam mais do que cinco minutos por dia. Olhe aí para dentro da sua vida e veja quanto tempo você gasta apenas se metendo onde não é chamado…

Ou simplesmente fazendo coisas que não vão te levar a lugar algum, muito menos ao lugar onde você gostaria de chegar. Se é que sabe o que quer. Se não sabe, pior ainda, pois perder seu tempo com coisas que não te dizem respeito é o fim da picada. Deveria simplesmente usá-lo para descobrir qual caminho quer seguir, não acha?

Alguns me dizem que “falar é fácil, fazer é mais difícil”… Tudo bla, bla, bla, desculpinhas esfarrapadas que eu não aceito e muito menos entendo. Fácil é perder tempo. Fácil é desperdiçá-lo. Contudo, é fácil também mudar a visão, mais fácil ainda perceber que a moeda tem dois lados e dar atenção ao outro lado da moeda é muito mais importe, compensador. Sem falar que além de fácil, é melhor e nossa busca tem que ser pelo melhor e não apenas pelo mais fácil.

Mas talvez o pior dos desperdícios seja o de sentimento…

Temos uma tendência ridícula de sentir qualquer coisa por quem não merece. Eu já senti pena de uma pessoa que nem isso merecia. Desperdício puro.

E aquelas pessoas que sentem afeto, carinho, amor, paixão por quem não é digno de receber isso? É um horror, mas todos nós passamos por algo parecido. Quando nos damos conta o que bate é o arrependimento…

Tudo bem, pelo menos quando o arrependimento toma conta, percebemos que a hemorragia foi estancada. Pesado falar assim né? Mas é o que penso. É preciso fechar a torneira.

Aprendi isso da pior maneira possível, quando uma pessoa – depois de uma conturbada relação – disse olhando bem no fundo dos meus lindos olhos azuis: “Nunca desperdicei tanto amor com alguém que não merecia”.

Doeu na alma, mas foi bom. De fato foi bom sim. E ela estava certa. Independente da pouca idade que tínhamos, eu não fui digno de receber o amor que recebi. A partir daquele instante eu entendi que não deveria jamais desperdiçar sentimentos por quem não o merece.

Se eu errei na avaliação depois disso? Ah, claro, muitas vezes, mas bem menos do que se não estivesse prestando atenção a isso.

Sentimento mesmo, aquele sentimento puro e verdadeiro, é algo tão raro que deve ser guardado a sete chaves e ser demonstrado apenas a quem realmente merece. E são tão poucas as pessoas que fazem por merecer…

MM

51

Não sei se era melhor ou pior. Não cabe esse tipo de comparação, mas dá para perceber as diferenças entre o hoje e o ontem. Claro, como vivi o ontem e ainda vivo o hoje, posso dizer sem medo se prefiro as coisas como eram… ou como são. Afinal, não é um decreto de certo ou errado, melhor ou pior, são apenas opiniões e como digo sempre, não existe opinião errada ou certa, apenas diferente…

Completar 51 anos é esquisito, ainda mais se você se sente mais novo do que os números representam. Mas é fato que estou velho. Tipo, hoje acordei com uma coisa na cabeça. Óbvio, inevitável estar meio nostálgico do tipo…

Sou do tempo em que…

… o beijo era conquistado, não banalizado. E como era difícil…

… o Homem era o Homem das relações. Hoje isso está perdendo a força…

… ser passivo era vergonhoso. Absurdo, mas dá a impressão que passividade está na moda…

… estar deprimido era apenas curtir uma fossa. Depressão agora é a epidemia do mundo moderno…

… transar era o mesmo que ficar. Pois é… e para transar era só com garotas fáceis ou depois de anos de namoro…

… amigos eram amigos e não conhecidos. Depois das redes sociais, as pessoas têm centenas de “amigos”, mas estão cada vez mais sozinhas…

… as pessoas não brigavam tanto. Talvez porque não houvesse tantos meios de comunicação…

… fazer terapia era coisa de loucos. Hoje em dia é um “bem necessário” a todos…

… tudo era proibido pelos pais. Era o não pelo não. Agora é diferente, todo mundo pode tudo porque os pais sentem culpa por trabalhar demais…

… fumar era bem visto pela sociedade. Já fui bem visto e continuo sendo mal visto…

… protetor solar era encher a cara de Hipoglós. Hoje quem faz isso é Aborígene…

… não havia tantos meios de comunicação, mas todo mundo se entendia. Provável que justamente por isso…

… as relações duravam mais. Ou seja, as pessoas eram mais conformadas com o fracasso…

… as pessoas não se preocupavam tanto com a felicidade. Hoje se preocupam tanto que esquecem de buscá-la…

… tínhamos menos escolhas. Agora temos muitas e, talvez por isso, ninguém sabe o que quer…

… Homem não podia chorar. Nunca dei bola pra isso…

… comemorar aniversários era divertido. Agora é só a constatação que o tempo passou rápido demais…

MM

PS: A Mercedes da foto, infelizmente, não é minha, apesar de ter minhas iniciais completas…

 

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Esperança

Algumas coisas dessa vida são inexplicáveis. Claro, estou falando do mundo dos sentimentos humanos. São tantos… fora aqueles que sequer foram “catalogados”. Mas nem quero me ater nesses, prefiro os conhecidos e famosos: Medo, esperança, desprezo, amor…

Dia desses recebi um e-mail de uma pessoa que tenho pouco contato, mas que considero uma amiga. É uma mulher que está passando por uma fase complicada, diria que perto daquela linha tênue que separa a vida da morte. Sim, a gente pode deixar de viver mesmo ainda estando vivo. Como sei que escrevo para pessoas inteligentes e sensíveis, tenho certeza de que muitos já passaram por momentos parecidos com esse, onde nos perdemos em pensamentos contaminados pela realidade que, muitas vezes, nada tem a ver com nossos sonhos.

Falar de amor todo mundo fala, não é? E quando ouvimos alguém falar de amor, logo pensamos numa companhia para as chamadas “todas as horas”. Mas será que amor é só isso? E o amor da família? Pois é, todo mundo sabe o que penso sobre isso. Em minha opinião, família é sim o “berço de tudo”. Dos problemas, principalmente. Aliás, não consigo ver outra coisa nas famílias do que o berço dos maiores problemas da humanidade. Não entendo os que pregam que família é tudo – de bom. Vejo que o amor aos filhos se perde no caminho da vida.

Talvez nem seja o amor o que se perde, mas a demonstração do afeto. Claro, exageros à parte, não é todo mundo que deixa de demonstrar afeto, amor, etc. Mas a maioria com toda certeza. É o caso dessa minha amiga: Ela é puro sentimento e a família não demonstra nada de volta. Óbvio que sentem algo por ela, pois é uma pessoa tão doce que é impossivel alguém normal não amá-la. Além de eles não demonstrarem nada, ela se sente desprotegida e desprezada.

Pode parecer que seja exagero dela. Sua visão turva – momentânea – pode impedi-la de ver a realidade. Mas a verdade é que quando estamos no meio de uma tormenta, temos a tendência a enxergar apenas catástrofes. Além dessa solidão familiar, ela sente outros tipos de desamparo. Por conta de sua doença grave – acentuada depressão – ela foi abandonada por amigos, primos, tios, namorados, etc. Oras bolas, onde está o amor? Ele não é maior do que tudo? Ou será que só amamos quem está “de bem com a vida”?

Não é uma verdade absoluta, amamos a todo mundo que amamos, mas o fato é que damos mais atenção a quem está de bem com a vida. Uma coisa estúpida, afinal, quem está de bem com a vida não precisa de atenção. Quem está mal fica em segundo plano.

O que tudo isso quer dizer é que no final das contas, as pessoas que se sentem só acabam se abraçando em dois sentimentos antagônicos: Medo e esperança.

Medo é bom, em determinados momentos. É ele que limita certas ações e isso é muito importante. Só que o medo também nos imobiliza e isso é péssimo em qualquer circunstância. Quem se sente “num mundo sem ninguém” sofre demais por causa do medo que essa situação se perpetue.

A esperança é um sentimento melhor, dizem por aí. Não sei se acredito nisso cegamente, mas talvez esse seja um assunto para outro dia, outro texto, outra reflexão.

Num caso grave como o dessa amiga, é o sentimento de esperança que deve ser perpetuado, e por que não dizer, protegido. O que não é nada fácil. Sei bem o que estou falando, pois já passei por momentos onde o que havia sobrado era apenas e tão somente a esperança… Mas eu fiz mais do que isso quando constatei – e aceitei – que a esperança era o que havia restado.

Eu a fortaleci dando valor – diria que um valor absurdo, completamente superdimensionado – aos pequenos passos, às pequenas conquistas. Um dia de cada vez. De cada pequena vitória, eu fazia uma grande conquista. Sem ajuda terapêutica, sem remédios, sem Deus, sem nada me ajudando. Era o meu momento, a minha doença. Eu tinha que me livrar daquilo sem ajuda alguma externa, pois entendia que só eu sabia o que estava passando, só eu sabia a dor que sentia.

Se eu pudesse dizer algo a essa amiga, diria a ela para lutar e valorizar cada pequena vitória, como sair de casa, por exemplo. Sei como ficam esses doentes, mas sei também o quanto é importante abrir os olhos e enxergar o mundo como ele realmente é, cheio de altos e baixos, cheio de momentos cor-de-rosa e também de momentos cinza. Hoje ela só enxerga o cinza, mas isso não justo com as outras cores…

Diria ainda para ela se agarrar a si mesma, porque entendo que ela é muito mais forte que o medo e, sobretudo, muito mais forte que a esperança.

MM

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Passado Presente

Por que será que as pessoas não conseguem se libertar do passado? Ainda mais grave do que isso, não conseguem deixar de reviver situações que não foram boas. Talvez nem seja por quê a indagação, mas pra que…

Pra que provocar o que morreu ou já passou, coisas que sabemos o resultado? Não quero dizer novamente que somos seres burros porque isso deu pano para manga num texto anterior. Entretanto, é difícil encontrar outra explicação que não esta.

Se alguma coisa em nosso passado provocou um estrago – muitas vezes irreversível, mesmo que apenas lá no fundo de nossas mentes – para que repeti-lo? Pois é, como disse, não entendo e jamais vou entender porque não vejo um raciocínio lógico que explique esse tipo de atitude.

Mas é assim que somos e agimos, temos uma dificuldade absurda de finalizar as coisas. Sempre que podemos, damos um jeitinho de “voltar à cena do crime”. Sim, disse crime de forma proposital, afinal, estou falando sobre coisas ruins, relações ruins, experiências ruins que insistimos em perpetuar. Vale até para lembranças…

Mexer com o passado não é tarefa fácil. Creio que em processos terapêuticos não devem ser raras as vezes em que esse assunto leve os clientes/pacientes às lágrimas. Mas lá na terapia, tudo bem. Lá podemos mexer à vontade nessas lembranças. Lá estamos sendo assistidos e cuidados por um profissional que – pelo menos em teoria – saberá como conduzir as coisas.

Mas por que é que fora do ambiente terapêutico – infelizmente não é todo mundo que pede ajuda – insistimos em mexer, reviver, lembrar, como disse acima, provocar o passado? Aonde esse tipo de coisa vai nos levar a não ser a mais sofrimento?

Falta do que fazer não deve ser, pois todo mundo tem a obrigação de cuidar do presente e preparar o futuro. Deve ser mais uma daquelas perguntas sem respostas.

Observo muito a atitude das pessoas, claro, as minhas também. Obviamente não tenho nada a ver com a vida dos outros e por essa razão só falo sobre isso quando perguntado. Já com meus clientes, posso me meter. Não é difícil notar os momentos em que eles correm atrás do próprio rabo remoendo o passado. Nunca vi ninguém – nem cachorros – chegarem a algum lugar, alcançar um objetivo sequer correndo em círculos. Pior, quando pegam o rabo, mordem e se machucam. Isso vale para seres humanos também, somos sim seres completamente auto-destrutivos, por essa mesma razão é que tenho cada vez mais certeza de que essa tal inteligência não passa de uma invenção descabida.

O mundo está cheio de pessoas assim. Acho que escrevi sobre isso no meu segundo livro, se não me falha a memória, tem um texto lá sobre as pessoas terem medo da vitória, um absurdo eu sei, mas conheço muita gente que morre de medo de “dar certo”. Em vez disso, preferem repetir as fórmulas que as levaram ao buraco em que se encontram. E cá entre nós, que ninguém nos ouça, muitas, nem fazem questão de tentar sair…

Muito triste constatar esse absurdo. Por outro lado, existe uma tendência da sociedade de proteger os coitadinhos. Ninguém assume que é legal, que é digno ser alvo do sentimento de pena, mas na prática… a teoria é outra: Conheço uma porção de gente que AMA que tenham pena delas.

E a sociedade cai como um patinho, tentam proteger e nem de longe, nem em um Universo paralelo, proteção tem a ver com ajuda. Invariavelmente essas pessoas tem o passado presente em suas vidas. E são tão injustas porque o passado não é composto apenas de coisas ruins, claro que não. Todo mundo tem passado e nele estão grandes feitos, grandes conquistas, mas quem é que dá bola para o bom? Pouca gente… O que vale mesmo é remoer e perpetuar o que faz mal.

Ao contrário do que se pensa – que viemos ao mundo presos a um cordão umbilical – tenho certeza de que seres humanos só se libertam daquele primeiro cordão porque um médico o corta. Os outros cordões que vamos nos prendendo durante a vida não são cortados como deveriam.

A resposta é simples, a tesoura está em nossas mãos e quem é que tem a coragem de se libertar? Poucos, muito poucos… e mesmo assim, esses poucos não se libertam de todos, muito menos do que os prende ao passado que faz mal.

MM

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Ajuda ou Atrapalha?

Ando meio preocupado. Na verdade, ando muito preocupado e não consigo parar de pensar nisso por um minuto desde sexta-feira passada. Sou um cara que questiona tudo buscando descobrir apenas uma resposta, normalmente quero ser convencido das coisas, mais ou menos tentando entender se “aquilo” faz ou não sentido para mim. Como lido com pessoas, vou além, tento saber se algo faz ou não sentido para todos.

Prepotência ou arrogância à parte, isso me tira o sono. Calma lá, não sou um cara altruísta nesse nível, apenas gostaria que o mundo fosse melhor. É, ficou meio gay… Tudo bem, o que eu gostaria mesmo é que as pessoas sofressem menos. Não estou falando de acabar com as guerras, estou falando sobre lidar melhor com a vida.

O que tem me preocupado é o crescimento desse universo que as editoras, palestrantes, gurus resolveram chamar de auto-ajuda. Já brinquei com isso diversas vezes, já disse em um dos meu livros que esse mercado só ajuda mesmo os autores, enfim, já descambei a falar mal disso tantas vezes que cansei. Agora a preocupação é séria. Gostaria de saber se isso ajuda ou atrapalha. Por que será que esse mercado não para de crescer? Por que será que qualquer historinha de vida serve como exemplo para que os que não vivenciaram nada parecido possam se sentir melhores com suas próprias vidas? Por que isso, por que aquilo… perguntas pipocam nesta mente inquieta a cada visita que faço às livrarias. Sábado passado não foi diferente. Angustiado, lá fui eu constatar o óbvio, esse mercado não para de crescer.

Perdão aos leitores, mas não quero ser hipócrita e me amarrar à ética. Sei que ética é sempre necessário, mas como este espaço é meu, aqui posso tudo. O que se encontra por aí são bobagens e mais bobagens. Nada que vá resolver a vida de ninguém, talvez e quando muito, acalmar as almas “depenadas” pela vida, pelos problemas, pelas relações humanas…

Há um autor que escreve tanta asneira que parece ter a pachorra de pegar seu primeiro livro e a cada ano o chacoalha, muda as letras de lugar e o republica com outro nome. Uma criatividade para títulos estúpidos que dá até medo… Sempre com uma solução mirabolante. Sempre com uma fórmula mágica, sempre não servindo para nada. Fico à vontade para escrever isso porque já falei pessoalmente a ele num encontro, pouco antes de entrarmos no ar numa entrevista para uma grande rádio de São Paulo. Óbvio que ele não foi com a minha cara. Empatamos. Ajudar, em minha mente perturbada, tem um significado apenas: Ajudar! E ajudar não é enganar.

A conta bate. A equação fecha: O mercado de auto-ajuda cresce porque as pessoas estão cada vez mais perdidas, estão procurando desesperadamente se segurar em alguma coisa. Um amigo disse que pode ser porque se afastaram da religião. Sou obrigado a concordar, creio que há uma fatia desse mercado que fez isso sim. Do mesmo modo que há quem esteja eternamente preocupado em procurar ajuda e nada faz para efetivamente se ajudar. Querem remédios, querem uma pílula milagrosa, querem um botão… querem querer sem saber exatamente o que buscam. Aliás, creio ser este o problema da maioria das pessoas: Buscam o… “sei lá o que”.

Estou angustiado. Incomodado com uma questão: Meu trabalho como Coach, sendo eu quem sou, pensando eu o que penso, tentando ajudar efetivamente as pessoas a buscar a raiz do que as afeta, buscando ajudá-las a encontrar o melhor caminho, de verdade ajudo ou atrapalho?

Pois é… claro que em meu trabalho eu não pego tão pesado como faço aqui no Blog, tenho bom senso suficiente para entender e me envolver com os problemas, com as causas de meus clientes. Mas é inegável que meu senso prático incomoda alguns deles. Já vi de tudo, há os que seguiram em frente e melhoraram, há os que abandonaram o barco no meio da jornada porque o que viram no espelho não os agradou… Opa… esse é um ponto: O que as pessoas enxergam quando se olham no espelho. Uma vez que, durante o processo que desenvolvi, uma das minhas funções é não só colocar o espelho na frente dos clientes como arrancar a máscara que eles usam. Pesado, não é? Sim, bem pesado. Mas é uma verdade absoluta, todos nós usamos máscaras. Quando elas caem, a imagem nem sempre é bonita.

Até em terapia, onde as questões são tratadas mais como constatações do que um problema a ser resolvido, dói muito descobrir quem somos. Fazer terapia deveria ser lei. Todo mundo tem que fazer… é bom saber, descobrir quem somos e de onde viemos.

Meu trabalho é diferente, eu trabalho com o aqui/agora-futuro. Esta é, talvez, a maior questão de todas: O que queremos afinal?

Será que sabemos realmente o que estamos buscando? Será que sabemos para onde queremos ir? Digamos que sim, vem outra pergunta, provável que a mais complicada de ser respondida, claro, quando mergulhamos de fato em nossas mentes: Queremos mexer nisso, fazer o que tem que ser feito como se deve?

MM

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Inteligência Burra

Desde que me conheço por gente gosto de observar seres humanos. Talvez seja por isso que optei por trabalhar com eles, afinal, é uma fonte inesgotável de pesquisa e problemas. Dentre milhares de observações que fiz, uma delas me intriga muito. Falo com amigos sobre isso todos os dias: Quem é que disse que somos inteligentes?

Pois é. Creio – e podem ter certeza de que falo sério – que alguém lá atrás, provável que o cara que conseguiu ver e reconhecer sua imagem num lago na idade da pedra simplesmente analisou o fato como… “Nossa, esse sou eu”. Em seguida, pegou seu bastão – aquele que usava para bater na esposa – subiu em uma colina e lançou o boato: “Somos animais racionais e inteligentes”. O boato pegou. A declaração virou uma verdade absoluta e cremos nela até hoje.

Mas eu me pergunto todo santo dia: Somos inteligentes por que, afinal? Talvez um sinal de inteligência fosse a evolução humana… Bem, aí entra o mote deste pequeno devaneio de quem vos escreve: Evolução? Já escrevi antes sobre isso. Não creio que tenha havido alguma evolução a não ser a tecnológica.

Paramos de bater em nossas esposas com um pedaço de madeira? Hum… nem todos pararam. Temos consciência de que matar é errado, ninguém tem direito de tirar a vida de outra pessoa. Acho que concordamos com isso, mas a questão é: Paramos de matar? Não e talvez jamais paremos. Somos tão estúpidos que criamos coisas que a curto, médio ou longo prazo vão nos matar, certo? Certo!

Inventamos o Big Mac para nos “alimentar” mais rapidamente porque o tempo é algo que faz falta a todos que o administram mal. E qual o efeito Big Mac em nossos corpos? Obesidade, doenças, morte! Chega de dar exemplos, acho que entenderam meu ponto.

Tecnologicamente avançamos, é um fato. Mas há um motivo por trás dessa evolução: A preguiça. Sim, disse sabiamente certa vez o filósofo contemporâneo, Leopoldo Nakata: “Tudo o que foi e ainda é inventado, criado ou desenvolvido é em nome da preguiça”.

Os exemplos pipocaram em minha mente quando o ouvi: Controle remoto, carros automáticos, máquinas de lavar, de secar, etc, etc, etc. Inegável que isso tudo é uma evolução e inquestionável de que ela foi desenvolvida em nome da preguiça. Lembremos, preguiça esta que nos engorda e mata.

Voltemos à involução. Vou direto ao ponto, ou seja, na raiz da “coisa”: Se somos de verdade seres inteligentes, por que é que precisamos das leis? Tipo… por que é que alguém teve que criar normas para o convívio em sociedade se viemos ao mundo munidos de inteligência e por conta disso podemos fazer uso do bom senso?

Oras, se todos tivessem bom senso não precisaríamos de lei alguma, não é? Afinal, diz o bom senso, diz a inteligência que ninguém pode roubar, ou seja, tirar algo que não é seu, de outra pessoa. Ninguém deve matar. E tantas outras coisas que não precisariam de milhares de leis pelo mundo afora.

Volto a perguntar: Onde está a inteligência humana? Por que é que precisamos de cordinhas formando uma fila para que um não passe na frente do outro? Deus do céu, não é óbvio que uma fila poderia – e deveria – ser formada apenas pelas pessoas que nela precisam estar?

Tenho uma teoria que prova tudo o que estou dizendo: A teoria do Armamento. Sei que alguns ficarão chocados pelo meu suposto radicalismo, mas é só uma questão de mergulhar no assunto e não ler superficialmente o que vou escrever.

Digamos que todos os seres humanos da Terra, sim, todos as 7 bilhões de pessoas, recebessem do governo uma arma municiada. Digamos ainda que as leis, todas elas fossem suspensas por apenas 30 dias. Tipo, todo mundo pode tudo sem qualquer punição. Pergunto, o que aconteceria?

Sei a resposta da maioria, converso com todos que conheço sobre essa teoria, invariavelmente a palavra caos vem à tona. Óbvio.

Mas será que se pensarmos profundamente é, ou melhor, deveria ser tão óbvio assim? Ué, se somos mesmo inteligentes, por que é que todos com uma arma nas mãos transformariam o mundo num caos? Vale pensar nisso…

A verdade é que somos macacos, mas que aprendemos a falar e cozinhar, assim podemos diversificar os pratos além das bananas. Que tal um Big Mac agora?

MM

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Maturidade é um Porre

É quase que “senso comum” entre as mulheres afirmar que os homens não crescem. Entendo o raciocínio, entretanto, não sei se é uma verdade absoluta. Acho que em parte sim. Aliás, acho que todo mundo tem dificuldade para crescer. Dá muito trabalho.

O que me causa estranheza é que essas mesmas mulheres não percebem que – agora sim falo todas – nunca saem da adolescência. Isso, você leu corretamente: Estou afirmando categoricamente e com todas as letras que, independente da idade, a mulher nunca deixa de ser adolescente.

De um modo geral as pessoas relutam em amadurecer. É uma dificuldade do ser humano e talvez seja difícil mesmo por um motivo apenas: O que é amadurecer? Ter a capacidade para resolver problemas ou conflitos de maneira equilibrada? Isso é bom senso, inteligência, sabedoria. 

Já fiz terapia, já estudei dois anos de psicologia, já fiz curso de Coaching, trabalho com pessoas, minha empresa presta consultoria na área de Recursos Humanos, em suma, eu lido com gente desde sempre. Nunca consegui entender o que vem a ser maturidade. Claro, seres rigorosos em seus julgamentos, não falo superficialmente e muito menos estou misturando estações do tipo Responsabilidade com Maturidade. Estou questionando apenas e tão somente o que vem a ser maturidade. (Desculpem explicar, mas é que tenho leitores muito “cricas”)

O engraçado é que nessas minhas andanças pela vida e pelo mundo dos estudos dos seres humanos e seus comportamentos, jamais consegui obter uma resposta satisfatória. Tudo bem, levemos em conta que sou um “mala sem alça” e que é bem complicado alguém me convencer de alguma coisa, mas… a verdade é que ninguém sabe explicar.

Depois de muito ler a respeito, observar atitudes e comportamentos, cheguei à conclusão que os seres que se consideram maduros são verdadeiros chatos de galochas. São aqueles que envelhecem antes da hora, que tem medo do que os outros pensam a seu respeito, em suma, são os que têm medo de aproveitar a própria vida e essência. É isso, maturidade é um porre.

Crescer é isso? É abrir mão das coisas gostosas que a melhor idade – melhor idade para mim é a adolescência e não a terceira idade como tentam nos enfiar goela abaixo – nos propicia? Amadurecer é o que, afinal, levar as coisas a sério? Isso é responsabilidade e não maturidade. Quem se leva muito a sério é – ou será – um eterno problemático.

Por que as mulheres afirmam que os homens não crescem? Por que eles não as levam a sério? Não se entregam aos relacionamentos? Por que dão importância a futebol, carros, relógios? Por que gostam de videogame ou falar bobagens com os amigos nos finais de semana? Por que curtem comprar TVs de 200 polegadas em vez de máquinas de lavar? Parece pouco, não? Acho justificativas bem chulas.

Como disse o sábio amigo e também escritor Kris Arruda: Homem gosta de brinquedos. Sim, caros leitores, ganhar uma camisa de presente é morno. Ganhar um videogame, um Ipod, Ipad ou outros “Is” da vida é muito, mas muito mais gostoso. Se pudesse comparar, diria que a sensação de ganhar uma camisa é a mesma que a mulher sente ao ganhar uma batedeira.

Voltando à minha afirmação do inicio desse texto, o que há de errado no fato das mulheres serem eternas adolescentes? Talvez o comportamento mimado ou revoltadinho, mas será que isso não faz parte do charme feminino? Me diz aí, você homem que “me” lê nesse momento, o que você prefere, uma mulher que se comporta deliciosamente como uma eterna adolescente ou uma velha chata que esquenta a barriga no fogão e a esfria no tanque?

Ao contrário do que quase chegou a afirmar Freud, digo que NENHUM homem gostaria de se casar com a mãe. As mães são vistas por nós homens como seres maduros. E repito, ninguém nesse mundo gosta de pessoas maduras. Ninguém. As pessoas apenas têm medo de dizer, sei lá, parece errado ser contra a maturidade. Gente besta, né?

Tirando um ou outro comportamento adolescente exagerado que as mulheres têm, tipo… excesso de mimos, choradeira descabida e absurdo gosto pela competitividade, acho que nós, ainda assim, preferimos essas a uma mulher chata que se leva muito a sério.

Até porque, segundo o conceituado observador da humanidade Marcelo Mello – sim, eu mesmo – as mulheres se comportam de maneira adolescente mais entre elas mesmas. Fofocam e falam mal umas das outras, mesmo em se tratando de “melhores amigas”, competem entre si, mas se vestem todas iguais ligando umas para as outras perguntando se vão sair de saia ou calça, vão juntas ao banheiro… ou seja, elas jamais saem da quinta série.

E isso pouco nos afeta, afinal, estamos muito mais preocupados e entretidos com nossos jogos de videogame em TVs de 200 polegadas…

MM

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Rejeição

Continuando… não é novidade para ninguém que rejeição não tem cura. Alguns até conseguem lidar melhor com ela, mas para mim não passa de balela, tenho certeza de que isoladamente o rejeitado chora em seu travesseiro absolutamente inconsolável. Isso vale para tudo, é aquela história de não saber perder… quem é que sabe? Ninguém!

Indo em direção às relações amorosas, a coisa se complica ainda mais, afinal de contas, os seres humanos são tão incapazes de uma série de coisas que não vivem sem ter alguém pendurado no pescoço. É claro que é bom ter alguém, mas será que é necessário? Falo isso no sentido de se buscar a felicidade.

Depositar a própria felicidade numa relação amorosa é o fim do mundo. É colocar na relação e nas costas do outro um peso que não faz sentido. Ninguém pode ser responsável pela felicidade do outro. No máximo um bom coadjuvante.

Como todo mundo comete esse erro, quando aparece a rejeição a coisa se complica. E ela aparece sempre, afinal, nenhuma relação dura para sempre e não sou nenhum gênio por falar isso, só não enxerga quem não quer.

Hoje em dia, por conta da covardia que as pessoas têm em viver a própria vida, ficam eternamente dependentes umas das outras, em todos os sentidos. Aí… quando um não quer mais… ao contrário do ditado, sai uma briga danada.

Como se fossemos obrigados a fazer e viver o que o outro quer. Parece uma coisa estúpida, não? Sim, parece, afinal, estamos falando de pessoas e elas não são as ditas: Inteligentes?

Não somos inteligentes e muito menos racionais quando se trata de um bom e sonoro: “Não te quero mais”. Para ser bem sincero, cansei de ver situações em que uma das partes sequer consegue escutar essa frase.

Por que será que é tão difícil? Por que é que achamos erradamente que o outro tem que nos querer da mesma forma que o queremos? E ainda tem gente que diz: “Egoísta, eu? Jamais…”

Pior, já vi casos em que o que não quis mais foi taxado de egoísta pelo outro. Pois é, a gente se depara com cada espécie de Egos…

Como depositamos no outro a nossa felicidade, é claro que fica impossível lidar com a rejeição. É como aquela coisa da morte, todo mundo sabe que vai morrer, mas “morrem” de medo disso. Nem sabem lidar com o assunto, evitam falar, negam a única certeza que temos nessa vida.

Seres humanos são estranhos mesmo. Tem gente que mata por ter sido rejeitado. E não ouse pensar que isso acontece aos menos favorecidos como vemos na TV todos os dias. Nada disso, acontece em todas as classes sociais e culturais.

Aí vem uma pergunta que sempre faço quando vejo uma aberração dessas: O que é o amor? Sim, o que é o amor? Pois entendo que amar é, sobretudo, querer o bem do amado, ou será que estou louco?

Se eu estiver certo em meu raciocínio, creio que amar é ver o outro feliz. Assim sendo, se, por exemplo, eu não faço mais a outra pessoa feliz, teria que – em teoria – querer vê-la feliz seja lá com quem for, certo? Bem… certo é, mas… (sempre o tal “mas”).

Vou contar um segredo: Já me separei porque não estava feliz. Sim, esse foi o meu argumento quando pedi a separação. Sabe o que aconteceu? Não fui compreendido. Nem por ela e muito menos pela sociedade. Ah a sociedade, sempre ditando regras estúpidas…

Não tive problemas com o fato de tê-la, de certa forma, rejeitado, mas tive problemas em ter meu argumento – que no meu entender é o mais forte que existe – aceito assim logo de cara.

E ainda me chamaram de egoísta. Então tá, onde é que eu assino?

MM

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Sociedade Pró-Passiva

Acho que não é novidade para ninguém, entenda-se por ninguém pessoas inteligentes e que fazem uso do bom senso, que o mundo está se tornando muito chato por causa das idiotices politicamente corretas impostas pela sociedade cada vez mais passiva. Pois então, hoje vou escrever um pouco sobre isso: Passividade.

Num mundinho que valoriza e busca pelos seres “pró-ativos” (mais um terminho estúpido) o que encontramos de fato é gente procurando seus pares, ou seja, pessoas pró-passivas. E pouca gente está se dando conta disso, o que agrava e muito a situação dos Egos que cada vez mais estão infelizes.

Hoje em dia predomina a celebração. Sim, somos quase que obrigados a celebrar tudo o que vemos por aí. É uma busca desenfreada e sem sentido para termos aquele bem estar que tanto nos faz falta. Mas é só mais uma maquiagem. Só mais uma hipocrisia. Vou tentar explicar meu ponto de vista.

Vejamos os idosos. A tal celebrada terceira idade que está mudando de nome para causar maior impacto na sociedade. Agora chamam de “melhor idade”. Oras bolas, alguém em sã consciência pode me explicar por que ficar velho é a melhor fase da vida?

Planos de saúde mais caros, aposentadorias ridiculamente baixas, falta de sexo, incapacidade física em ascensão, doenças por todos os lados, morte dos amigos mais próximos o que causa pânico porque é sinal de que sua hora está chegando… enfim, onde é que isso é “melhor”???

Mas a sociedade acha que sim e tentam vender aos pobres velhinhos que eles ainda têm muito pela frente… é de doer, viu? E ninguém tem coragem de contestar. Vendem a nós uma mentira deslavada e todo mundo aceita passivamente. Deveríamos sim cobrar do governo melhor atendimento em todos os sentidos para essa gente que já fez sua parte e não simplesmente celebrar a velhice como “melhor idade”. Melhor? Melhor que adolescência? Melhor que a “adultescência”? Seria cômico se não fosse trágico.

Hoje em dia não podemos mais falar não. Muito menos dizer: não gosto. Sim, estão tentando transformar as pessoas em bonequinhos sem vida, sem opinião e, muito mais grave, sem personalidade. Não nos querem indivíduos, nos querem apenas membros passivos de uma sociedade estúpida e descabida. Nossa individualidade, nossos gostos, nossas peculiaridades estão desaparecendo em nome de um suposto bom convívio em sociedade. Não podemos sequer não gostar de um filme, por exemplo. Se for filme brasileiro então… como se nossa industria cinematográfica produzisse milhares de filme bons. Alguns são, mas só poucos alguns.

Antes que alguém ouse me bater, lembro que tudo isso deve ser feito com bom senso, portanto, tenha o bom senso de ler com atenção ao que escrevo antes de me chamar de radical. Se ainda assim quiser me rotular, por favor, mande-me uma carta que eu assino como radical, ok?

Dia desses fui tomar um café e a “barista” me serviu uma água suja quente. Dei um gole e pedi a ela que trocasse:

- Por favor?

- Sim?

- Não gostei desse café. Quero outro, mais forte…

Pronto. Foi o bastante para que ela me odiasse até o fim da vida. Ouço sempre uma frase que carrego como um dos meus lemas: “Sou responsável pelo que eu falo e não pelo que você escuta”.

Pois bem. Eu falei isso e ela deve ter ouvido: “Sua mãe é prostituta do cais do porto de Santos”.

Não gente, não estou brincando. O fato de eu não gostar do que ela fez foi uma ofensa, como se eu – consumidor – não pudesse simplesmente dizer: Não gostei do que você fez. Claro que posso e não conheço modo melhor de falar que não gostei de algo sem pronunciar essas próprias palavras. Mas isso hoje em dia ofende.

Expor o que se pensa ou gosta machuca os fraquinhos de cabeça. É o mesmo que eu afirmar que sou contra a adoção quando se trata de um casal de gays. Não posso colocar essa opinião numa roda de amigos que milhares de hipócritas – que muito provavelmente também seriam contra – vão me execrar publicamente. Que se danem, não vou mudar minha opinião para agradar a uma sociedade que tanto tem me desagradado.

É preciso coragem para ser livre. Livre no sentido mais profundo da palavra, livre no sentido de liberto mesmo. Livre para poder escrever ou falar o que se pensa. Nunca, jamais tentarei convencer alguém que minha opinião é a certa. Até porque não existe opinião certa ou errada, existe opinião diferente.

Enfim, entre outras coisas danosas, a sociedade agora tenta limitar nossas atitudes individuais, nossos pensamentos e muito mais grave do que isso, nossa percepção de mundo. Triste é ver que estão conseguindo. Estamos – digo isso na primeira pessoa do plural por pura cortesia porque de fato Eu, Marcelo Mello não caio nessa – nos tornando seres completamente passivos sendo obrigados a viver em concordância com essa gente estúpida que se acha formadora de opinião.

Bem… a minha opinião ninguém forma. Aliás, pago caro por ter opinião sobre tudo. Mas ainda assim, acho muito mais barato ser ativo do que passivo.

Vou escrever mais sobre isso, mas entrando num outro assunto: Relacionamentos. Algo como… as pessoas não aceitarem o seu: “Não te quero mais”.

No fundo, tudo se resume a um grave problema: Hoje em dia as pessoas não sabem ouvir não e… além disso, não sabem mais dizer não!

MM

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Socorro, não me ajude!

As pessoas ainda me perguntam se um dia vou lançar o livro Ego-Sistema. Acabei de conhecer um cara que me questionou a respeito, ele conhece meu trabalho, blog, site, livros e queria saber quando seria o lançamento… Bem, a resposta é a de sempre: Nunca! Ok, não se deve dizer nunca, então eu mudo: Provavelmente nunca. Agora sim.

Não tenho interesse algum em entrar para o mundinho da auto-ajuda, e a cada dia que passa essa certeza se torna mais… mais… mais certa. (Não achei uma palavra melhor)

Por que? Olha… estou decepcionado com as pessoas. Isso nem chega a ser uma novidade, afinal, quem me conhece ou me acompanha por aqui já deve estar, como eu, careca de saber.

Essa decepção, especificamente nesse caso, se dá através de provas concretas, ainda que meu universo de pesquisa não seja tão grande a ponto de obter uma amostragem significativa. Mas digamos que no meu Ego-Sistema, posso sim afirmar categoricamente: As pessoas não querem ser ajudadas!

Entendo perfeitamente as editoras lançarem um livro de auto-ajuda atrás do outro. Eles só têm olhos para o dinheiro que isso representa. Nada de errado, negócios são negócios. Entendo perfeitamente as pessoas que consomem esse produto, afinal, todo mundo tem problemas. O que não entendo perfeitamente é: Por que é que essas pessoas preferem ler um livro que terá o efeito de espuma de cerveja em vez de procurar uma solução para suas angústias?

Um dos meus trabalhos – sim, tenho mais que um – é atender pessoas e fazer o que chamam por aí de “Aplicação de Coaching”. Eu não aplico nada, mas enfim… As pessoas chegam até mim procurando ajuda no sentido de ajustarem o foco na direção certa. Só que, para que eu possa efetivamente ajudar, tenho que descobrir para onde é que as pessoas querem de fato ir.

Mais ou menos assim, elas estão no ponto A e querem chegar ao B. Apenas não sabem como. Meu trabalho então é ajudá-las a descobrir qual o melhor caminho. Eu disse melhor. Repito, eu disse o melhor caminho e não o mais fácil. Aí a coisa desanda, afinal de contas, além de todo mundo sempre procurar o que é mais fácil, descobrir o melhor caminho nem sempre agrada, pois temos que lidar com coisas “incomodativas” como: Verdade e capacidade. Verdade ninguém gosta, isso já sei e… capacidade, todo mundo acha que tem para fazer qualquer coisa e isso simplesmente não existe. Mas procurar sua verdadeira capacidade… aí envolve verdade, auto-conhecimento, resumidamente, envolve reconhecimento, além, é claro, de coragem.  

Explico: O melhor caminho para você aí do outro lado pode não ser o melhor caminho para quem o cerca. Confuso? Tento de novo: Não se pode fazer omelete sem quebrar os ovos. O que quero dizer é que, ao procurar o melhor para meu cliente, isso pode gerar conflitos entre ele e as pessoas de seu convívio. Aí… bem, aí o bicho pega.

Seria como afirmar que: As pessoas desistem de si mesmas para agradar aos outros. Acha que não? Então proponho um exercício de reflexão: Quando foi a última vez que você fez algo por você, apenas por você e mais ninguém?

A proposta é que você pense em algo que possa ter desagradado outras pessoas. Claro, pelo amor de Deus, usando o bom senso, afinal de contas, tenho certeza de que não perco meu tempo aqui escrevendo para amebas. Sejamos menos superficiais, vamos mergulhar na questão como se deve.

Eu já tive clientes que simplesmente desistiram de seus objetivos sem sequer chegar perto da certeza que procuravam. Não desistiram de procurar ajuda. Não desistiram da minha ajuda, desistiram delas mesmas, o que é muito triste e muito pior.

Como não sou um cara light, sempre pergunto: Por que é que você procurou ajuda se não vai efetivamente meter o dedo na ferida?

Sabe qual a resposta que mais escuto? Que “não é tão simples assim mexer nisso…”

Oras bolas, se vida fosse simples, que graça teria? Já escrevi um texto sobre auto-abandono, mas é muito mais triste descobrir que as pessoas na verdade estão é com preguiça. Claro, alguns são covardes mesmo. Sobretudo, a grande maioria encara vida com uma passividade que me assusta… Tipo: O mundo, o acaso ou o destino que decidam por mim.

Então tá, fazer o que, só posso desejar muito boa sorte. Esses aí realmente vão precisar…

MM

PS: Peço novamente desculpas aos meus fieis leitores: Tenho escrito pouco por aqui porque estou dedicando meu tempo livre ao meu novo livro, uma trilogia chamada… Ah, um dia eu conto…

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Casar é destruir

Estava eu pensando com meus botões sobre mais uma teoria daquelas esquisitas que de tempos em tempos surge em minha mente. Desta vez, pensei sobre relacionamentos, mas daquele tipo União Estável, que já foi um dia chamada de Casamento.

Pensei longamente e decidi que Casamento é o meio mais rápido e eficaz de se destruir sonhos.

Ok, antes de entortar o nariz, que tal ler mais um tiquinho? Vamos lá porque a coisa é um pouco mais profunda do que parece. Os seres humanos nunca, em tempo algum, conseguem viver isoladamente, certo? Certo! Diria que nem tentam, pois estão sempre buscando a socialização e não a individualização. Mas há aí um paradoxo.

Vejamos: Nós nascemos, crescemos e nos tornamos adultos. Nesse ponto, entre a adolescência e a “adultescência” surgem os primeiros sonhos, os primeiros objetivos, ainda que meio turvos, ainda que mais sonháveis do que realizáveis. Mas é ali que eles aparecem pela primeira vez.

As pessoas então saem atrás de realizar aquilo que planejaram ou planejam, afinal, os sonhos são mutáveis e não há nada de errado com isso como pensam alguns mais conservadores. Só que junto a tudo isso – entenda-se por “isso” os sonhos que são individuais, lembram? – surge aquela vontade de se socializar e essa socialização normalmente é viver um grande amor.

Elas – agora duas pessoas com seus sonhos individuais (não custa lembrar) – se juntam para formar uma terceira coisa: o casamento. Com o casamento, aparece aquele desejo de formar outro sonho, um sonho a dois, o que é impossivel. Explico: Não dá para duas pessoas terem um sonho em comum. Sequer os de consumo, pois se o sonho for a “casa própria”, um sonhará com uma casa e o outro com um apartamento. Ok, pode-se chegar a um acordo? Claro que sim, o bom senso tá aí pra quem quiser usar. O problema é que um dos dois terá que abrir mão da essência de seu sonho e aí, lá na frente, a frustração cobra a conta.

Isso acontece em todos os casamentos, sem exceção. Um sonho comum a duas pessoas terá suas diferencias individuais, portanto, não existe. A prova está aí para quem quiser ver, o número de uniões é do mesmo tamanho do das separações.

Todo mundo sabe que casar é ceder. Perfeito, na teoria é lindo, temos sim que abrir mão de algumas coisas em nome da união que se inicia. Mas… (maldito mas, sempre ele) abrir mão de algumas coisas significa abrir mão da sua individualidade. Ok, disse lá no começo que as pessoas nunca buscam isso, entretanto, só não buscam quando estão sozinhas.

Louco? Sim, Egos são completamente loucos. O que estou querendo dizer é que enquanto sós, as pessoas abrem mão de si. E quando se juntam, só pensam em si. Falo assim desse jeito curto e grosso porque não estou nem um pouco a fim de fundamentar como se deve mais essa louca teoria, que se junta à minha teoria da Família (Filhos) e do Armamento. Em breve vou pincelá-las por aqui…

Como já disse, alguns poderão dizer que o bom senso deva prevalecer, assim como a busca pelo ponto de equilíbrio. Concordo, acho mesmo que é o que deveria acontecer, mas afirmo categoricamente que é impossível.

O casamento é a soma de duas pessoas com sonhos individuais sendo eternamente (enquanto a relação durar) atrapalhadas uma pela outra. Ora, mas e o suposto amor que deveria agir como uma força maior e convergir os dois sonhos em um? Pois é, o amor é fraco. Por maior que seja, não tem força suficiente para conseguir isso. Repito, por um tempo é possível, mas só até um dos lados da união perceber que abriu mão de seu sonho em nome do outro.

Na hora em que isso acontece, a luta passa a ser individual e, para eliminar a frustração que, inevitavelmente se instala, a pessoas abrem mão da união.

Assim que se separam com o intuito de lutar pelos seus sonhos, elas abrem mão disso novamente porque entendem que ninguém pode ser feliz sozinho. Claro que pode.

Mas não somos obrigados a isso. Sei que é muito bom ter alguém para compartilhar a vida, mas os sonhos de cada um não podem fazer parte dessa relação, o que também, fatalmente vai atrapalhar o próprio casamento, uma vez que o sonho de um pode não se encaixar na cartilha do que venha a ser uma união estável.

A solução que eu encontro pra essa equação é que ninguém mais deveria se casar ou se juntar, apenas namorar eternamente. Talvez aí, a gente valorizasse: a importância do sonho; a individualização do ser não seria prejudicada; e um apoiaria a conquista do outro porque essa conquista normalmente não atrapalharia o namoro.

Sim, vocês que sabem ler as entrelinhas do que “não” escrevo entenderam meu ponto central: Casar é juntar duas pessoas para atrapalhar a individualidade de cada uma, impedindo o outro de realizar seus sonhos.

Somos de fato seres inteligentes, não?

MM

PS: Apenas a título de satisfação aos meus fieis leitores, tenho escrito pouco por aqui porque estou finalizando o primeiro volume de uma trilogia, um romance/polcial.

Porão

O que se guarda em um porão? Caixas apinhadas de papeis, objetos que não usamos, entulho, coisas quebradas, ferramentas enferrujadas…

Pois bem, é disso que quero falar hoje: Porão. Todo mundo tem um porão, que não seja físico, mas mental. Às vezes até temos vontade de fazer uma limpeza, mas falta coragem. Outras vezes temos coragem de mexer nessa bagunça, mas vem aquela sensação de que… um dia podemos precisar. Sim, por mais idiota que possa parecer, até as lembranças ruins podem ajudar em momentos críticos.

E não se trata de algo parecido com as lixeiras e as gavetas que temos que limpar de vez em quando, temas já debatidos por aqui, porão é diferente porque tem um significado mais pesado. Algo deixado no porão pode ter um efeito de “escondido”. Acho que a diferença é essa. Um porão mental é algo que só nós podemos acessar, algo que apenas nós temos a chave…

O que guardamos nos porões de nossas mentes são opiniões que não demos, são verdades sobre o que fizemos e que não queremos que ninguém mais saiba, são pensamentos e julgamentos que temos das pessoas de nosso convívio, mas que “é melhor não dizer”. Algumas atitudes que tivemos e que nos envergonhamos, ou ainda, atitudes que gostaríamos de ter, mas que moralmente não seriam aceitas por nós mesmos, pela sociedade ou pelas pessoas que nos cercam. Acho que até mesmo uma atitude nobre como o perdão, mas que nos arrependemos. Guarda-se mesmo de tudo num porão.

Diria que muitas vezes tem efeito de um sonho onde a moral não prevalece. Entretanto, pior que um sonho onde as manifestações do ID são livres e sem nosso controle, essas que comentei acima são conscientes. São desejos, atitudes, pensamentos, julgamentos e tantas outras coisas que é melhor mesmo mantermos lá no porão, trancadas a sete chaves. Além disso, são jogados ali certos segredos. E claro, o maior de todos: O segredo de quem realmente somos.

Há os que se intitulam transparentes, sinceros, verdadeiros, etc. Mas… mesmo estes têm seus segredos inconfessáveis. Todo mundo tem máscara. Uns usam menos, outros mais, mas todos têm.

Há umas duas ou três semanas, ainda que timidamente, resolvi começar a mexer no meu porão. E limpá-lo também. Peguei uma vassoura imaginária, uns dois paninhos de limpeza e comecei a fuçar para descobrir o que estava ali jogado. Na verdade, queria, além de eliminar certas coisas, entender os motivos daquela sujeira ter ido parar ali.

Lembranças, medos, incertezas, pecados, fantasmas, vergonha… restos mortais…

Pois é, o que começou com uma vassoura hoje precisa ser removido com guindaste. Nada mais natural que com 50 anos de vida haja muita coisa escondida num porão mental. Devia ter entrado ali antes. Para falar a verdade, me surpreendi com alguns detalhes que andei vendo nesse processo profundo e dolorido de autoconhecimento.

Mexer com a vida nem sempre é bom. Por outro lado, saber que existe entulho guardado que não faz mais nenhum sentido – e poder eliminá-lo – é libertador. Como todo bom porão que se preza, o meu também tem correntes…

Às vezes essas correntes estão ali te prendendo ou simplesmente fazendo peso extra. Te prendem ao que não mais importa se você realmente mergulhar na questão. Fazem peso daquela forma estúpida chamada culpa.

De qualquer forma, ainda existe muita coisa que não pode e nem deve ser mexida. Muito menos entendida. Afinal de contas, que graça teria a vida se a gente não tivesse nenhum segredo ou angústia pra guardar num porão só nosso.

Já imaginou que perigo se todo mundo soubesse aquilo que você já fez, quer fazer, pensa, gosta, odeia…

Me conforto – ou me engano – quando penso em deixar intocadas as lembranças, culpas, angústias que ainda não sei lidar. Penso que é só uma questão de tempo… Se estou me enganando ou não, o próprio tempo vai dizer. Mas por enquanto é melhor deixar essas questões não resolvidas no porão. Frio, sombrio, sujo ou mal cuidado, é, pelo menos por enquanto, o lugar certo pra se guardar muita coisa.

MM

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Decisão: A hora “H”

Recebo perguntas em meu site, meus clientes se desesperam diante disso, eu mesmo já meti os pés pelas mãos algumas vezes, amigos não sabem o que fazer, em suma, que processo é esse tão complicado chamado Decisão?

Pois é, deveria ser mais simples, afinal de contas, tomamos milhares delas durante a vida, sejam fáceis ou difíceis, as decisões são tomadas aos montes todos os dias. Todas, sem exceção, em maior ou menor grau, afetam nosso presente e futuro. Falando assim fica nítido que as decisões são importantes, inevitáveis e, talvez por isso, tão complexas.

Ando pensando muito sobre o tema, tentando descobrir porque é que nós sofremos diante da chamada “hora H”. Sofremos por antecipação, uma coisa meio louca, afinal, antecipamos a conseqüência ruim e não a boa. É, tomar decisões nunca é fácil.

Deixando de lado a mencionada hora da decisão, que tal pensarmos lá na frente para depois, um dia quem sabe, voltarmos ao ponto central. Estou dizendo isso porque, depois de uma conversa telefônica onde uma pessoa está prestes a tomar uma decisão, fiquei intrigado com a seguinte fórmula, ou seja, mais uma teoria desta louca mente perturbada que vos escreve:

Decidimos com a razão, mas agimos com a emoção.

Faz sentido? Bem, para esse caso específico que mencionei é o que está prestes a acontecer. Não seria leviano em afirmar que todas as decisões são racionais, muito menos diria que todas as ações são emocionais. Mas pensando bem, acho que na maioria das vezes sofremos justamente porque fazemos exatamente isso.

Em tese, nossa razão às vezes fala uma coisa e nossa emoção nos leva em outra direção. Não conheço uma só pessoa que seja 100% racional nem 100% emocional. Apesar desse aparente equilíbrio, normalmente vejo um desnível aí. Percebo uma falta de comunicação dentro de nosso Ego-Sistema.

Uma vez escrevi que o sentimento é a maior causa do sofrimento. Fui xingado por isso. Mas a mim parece tão óbvio quanto afirmar que só morre quem está vivo. Estou contando isso porque agir apenas com a emoção pode nos levar diretamente ao sofrimento. Da mesma forma, a razão pode não evitar que soframos, mas tenho certeza de que quanto mais racional for uma atitude – completamente de acordo com a decisão – menos problemas ela vai gerar lá na frente.

Ainda sobre o telefonema, a pessoa em questão precisa se decidir o quanto antes. Se for racional, pode até sofrer, mas em menor “volume”. Se for emocional, vai sofrer sem sombra de dúvidas em larga escala.

O caso dela é aceitar – e perdoar – um erro gravíssimo do homem que ama. Complicado, eu sei, além do mais, há outros componentes que não vou comentar.

Racionalizando a questão, o que eu penso é o seguinte: Não escolhemos por quem nos apaixonamos ou a quem amamos, mas escolhemos com quem convivemos.

Amar à distância dói bem menos do que sofrer de perto. Além disso, quanto mais nos mantivermos distantes do objeto amado, mais rapidamente vamos esquecer. Ao contrário do que a maioria fala, que apenas a paixão acaba, isso não passa de jargão popular, pois sabemos na prática que tanto o amor como a paixão acabam, mais cedo ou mais tarde, de uma maneira ou de outra.

Não sei se estou falando bobagens, mas após pensar muito nessa questão, me senti compelido a escrever sobre isso. Não que o assunto esteja encerrado, mas minha conclusão é definitiva. Lembrando aos chatos de plantão que é apenas e tão somente minha opinião, minha conclusão pessoal e não uma verdade absoluta.

De qualquer forma, vale a reflexão para todas as áreas da vida. Exemplifiquei com um caso amoroso porque foi isso que despertou minha atenção sobre o tema.

Enfim, talvez pensar nas últimas decisões racionais que tomamos e nas conseqüências ruins que se sucederam após termos agido emocionalmente. Fazendo uma pequena busca no meu Google mental, já encontrei um monte…

MM

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Evolução é isso?

Darwin deve ter sido o primeiro a usar a palavra quando teorizou sobre a evolução da espécie. Bem, claro que a palavra já existia, mas ele a popularizou. De lá pra cá a evolução tem sido uma busca constante em todos os sentidos, desde coisas até gente. Mas eu me faço sempre duas perguntas:

1 – Será?

2 – Pra que? 

Começando pela segunda pergunta, sou conhecido por alguns amigos como “Mister Pra Que?”. Sim, em todos os momentos que vejo algo que me chama atenção eu pergunto pra que. É aquela minha mania de tentar achar sentido em tudo. Algumas vezes eu acho, já em outras…

Dentro do tema Evolução, viajo na maionese me perguntando os “Pra Ques” para tudo. Tipo, pra que termos carros que andam cada vez mais rápido se os limites de velocidade permitidos são cada vez menores? Por que diabos criaram as garrafas PET se elas levam 100 anos pra se decompor. Ninguém pensou nisso antes? Outro exemplo, pra que tantas comunidades virtuais se cada vez mais os seres humanos se comunicam pior? Pra que tantos condomínios se ninguém suporta viver em sociedade? Exagero meu? Ok, faça um teste e vá a uma reunião no seu prédio.

Esses são apenas alguns exemplos bestas, mas se você aí quiser fazer um exercício mais profundo, comece a se perguntar o que faz sentido e depois jogue isso na salada chamada Evolução.

Aí vem a primeira pergunta: Será? Será mesmo que isso é evoluir? Pois é. Seres humanos são “máquinas perfeitas” cheias de defeitos. Como sempre falo, uma experiência que não deu certo. Por vezes já escrevi ou imaginei que Deus deve colocar a mão na testa toda vez que vê algo que os humanos são capazes de fazer, e dizer em voz alta: O que eu criei, meu Deus? (Claro que Deus não fala meu Deus, afinal, Ele é Deus, mas vocês me entenderam)

A Evolução é mesmo algo esquisito. Eu preciso – por conta da minha idade e doença – fazer exercícios físicos. Não gosto, mas preciso. Não faço, mas deveria. Enfim, eu sempre amei praticar esportes, jogava tênis, futebol, handebol, basquete, até bolinha de gude. Conforme minha doença foi se agravando, fui perdendo a capacidade para praticá-los. Não é desculpa, tive uma seqüela grave provocada por algo chamado “Cetoacidose Diabética”. Entrei em coma e essa coisa com nome estranho é bem grave. Felizmente a única conseqüência foi que perdi a sensibilidade em meus dois pés. Isso tem nome, mas não estou me lembrando agora.

Em suma: Se eu tiver que dar uma arrancada para devolver uma bolinha de tênis, por exemplo, corro o risco de torcer – e até quebrar – o pé. Sim, ele fica meio bobo e só para vocês terem uma ideia, tenho que pensar para andar, me esforçar para colocar o pé no lugar certo. É um porre, mas já me acostumei.

Mas digamos que eu fosse normal e pudesse continuar a prática esportiva. Ou melhor, você aí do outro lado que é normal, acompanhe meu raciocínio: Conforme o tempo passa deveríamos melhorar nossa performance, certo? Errado. Nosso corpo + idade + cansaço mental não é capaz de acompanhar nosso desejo de manter a forma ou a vida saudável. Temos que nos adequar aos limites físicos que a idade nos impõe. E nem pensem que “manter a forma” é verdade, não é, a forma vai se perdendo com o tempo. Uma espécie de Evolução Negativa.

Vamos parar com essa bobagem de exercícios e pensar num outro tema: Experiência. Reza a lenda que os idosos – meu caso, apesar de que com 50 ainda tenho que pegar filas – têm a seu favor a experiência adquirida com os anos de vida. É um fato incontestável, mas… nem sempre podemos fazer uso dela.

De que adianta um cara com 50 anos saber tudo sobre conquistas amorosas se uma menina linda e durinha de 20 anos não vai sequer olhar pra ele, afinal, “ele é mais velho que o papai!!!” Pessoalmente e, por razões óbvias, nem posso reclamar. E… isso não é sorte não, viu gente, é competência!!! (Meu Ego-sistema é incrivelmente redondinho, vive reforçando minha alta auto-estima)

Em outra questão, pra que serve tanta experiência de vida se dão empregos para estagiários amebinhas que mal sabem escrever ou ler um e-mail? Você aí do outro lado conhece algum ser da face da terra que esteja estagiando numa grande empresa aos 50 anos? Provavelmente não.

Radicalismos e brincadeiras à parte, isso é Evolução, o caminho natural das coisas. Ficou velho tem que sair de cena e dar lugar aos mais novos e assim por diante. Normal, já nos acostumamos com isso, não é? Sim, já. Mas eu sempre insisto em me perguntar se não seria melhor usar a teoria do velho e bom Chico Anísio em vez da teoria do Darwin. Chico diz o seguinte: “Deveríamos nascer velhos e ficar jovens conforme o tempo passa”. Um gênio!!!

Será que como Coach posso dar um conselho a Deus? Claro, sou experiente, “evoluído”, posso tudo: Deus, pense nisso da próxima vez.

MM

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Fim de ano

Ano que vem farei o que alguns leitores sugeriram, vou escrever sobre cada item daquela lista que fiz há 5 posts atrás onde relacionei algumas coisas importantes sobre o que aprendi ao longo desses 50 anos de vida.

Mas agora, nesse último texto do ano, devo falar sobre o que? Não sei se resta outro assunto senão comentar sobre 2010 e também prospectar 2011.

Analisando friamente, ou melhor, sem aquela intensidade comum aos meus comentários, diria que 2010 foi um ano morno. Mais um ano morno, diga-se de passagem. Impressão que isso está se tornando uma rotina, o que muito me incomoda.

Nada de grandes projetos, grandes sonhos, enfim, nada que possa ser comemorado. A correnteza seguiu seu fluxo natural e eu, como se fosse o condutor de um barco, apenas remei direcionando-o para que não acabasse batendo nas pedras. Aquela sensação de… “fiz o que devia ser feito”. Péssimo isso, nada é mais broxante do que uma pessoa intensa que busca isso o tempo todo constatar que teve um ano comum.

Não foi um ano ruim, muito pelo contrário, foi bom até demais diante das circunstâncias. Mas, foi bom apenas em um sentido, o profissional. Trabalhei muito, conquistei novos clientes para minha empresa, contornei dificuldades, ou seja, um ano igual a tantos outros quando o foco é apenas o lado profissional. Em meu trabalho como Coach também de nada posso reclamar, aparentemente os clientes estão satisfeitos e é esse o objetivo, que eles fiquem melhor do que já são.

Mas e meu lado pessoal? Pois é, novamente deixei o barco correr. Está tudo em relativa paz, mas quando falo em “lado pessoal”, costumo levar em conta apenas e tão somente as coisas que faço para mim, por mim e só. É aquilo que chamo de “cuidar do meu ambiente”, desligar a mente me dedicando apenas – no meu caso – a escrever. Bem, confesso que isso eu não fiz. Até tentei, mas me envolvi com tantas outras coisas que deixei de lado o que mais gosto.

Agora, nesse momento de fazer o balanço, ou seja, de prestar contas a mim mesmo é que sinto falta. É como deixar de fazer o que realmente importa. O resto é só nada mais que obrigação.

Dizem que em casa de ferreiro o espeto é de pau. Infelizmente sou obrigado a assumir que neste ano, o ferreiro aqui fez com a própria vida exatamente o oposto que “aconselha” seus clientes. Há um motivo ou será que posso inventar apenas desculpinhas esfarrapadas?

Houve um motivo sim. E também várias desculpinhas.

Um ano passa rápido e não podemos deixar de lado aquilo que mais gostamos de fazer em nome sabe-se lá de que. A ideia de ter algo só seu é libertadora e ninguém mais do que eu prega a liberdade como filosofia de vida.

O que disse a cada um dos meus clientes neste final de ano como mensagem de Feliz Ano Novo foi algo bem simples: Liberte-se no ano que vem.

Liberte-se de das crenças, das amarras que empacam sua mobilidade; livre-se das pessoas que te atrapalham, junte-se aos que realmente te fazem bem. Tenha opinião sobre tudo, coloque para fora seus desejos, lute pelos seus sonhos mais profundos, em suma, execute o que quiser sem inventar as tais desculpinhas.

Pegue o que deu certo e repita. Lembre-se do que deu errado e elimine. Reconheça a sua parcela de responsabilidade sem se culpar e mais, reconheça a sua capacidade de realização e sonhe com o que estiver apto a alcançar.

As pessoas fazem tantos planos, cuidam com tanto afinco do planejamento das ideais e dos sonhos e se esquecem do básico: Planejar a execução.

Desejo a todos um ótimo Natal e um 2011 iluminado, repleto de histórias boas para contar.

MM

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Energia esgotável

Ah fim de ano… sempre a mesma coisa, sempre terminando no dia 31 de dezembro. Mas sabe que eu curto ciclos? Pois é, eu gosto mesmo. Acho legal essa ideia de renovar as esperanças quando um ano novo se inicia. Se pensarmos bem, nada de verdade acontece numa simples mudança de calendário, porém, é um símbolo. Ok, réu confesso, eu adoro simbolizar as coisas, procuro até “ensinar” meus clientes a fazerem o mesmo, como marcar as etapas da vida com aquela caneta verde limão, sabe?

O problema é que isso só pode ser feito com o que já ocorreu, nunca com o que vai ocorrer, afinal de contas, pelo que me consta ninguém consegue ler ou prever o futuro. Infelizmente ou felizmente, sei lá. Só que tem como a gente caminhar de acordo com nossas intenções.

Tudo bem, nem tudo sairá como queremos, mas podemos sim tentar seguir nosso foco – palavrinha tão na moda. O problema pode surgir e não ser resolvido quando nem foco tivermos. Ou se tivermos muitos, onde certamente alcançar todos os objetivos será impossivel no período de um ano.

Como sempre falo por aqui, entendo que os seres humanos quase sempre gastam energias querendo o que não podem ter. Enfim, não sei se já me fiz entender mesmo falando essas coisas o tempo todo.

Agora o papo tem que seguir em outra direção, é chegada a hora de fazer aquelas famosas listas de fim de ano, desejos, sonhos, objetivos, metas… tanta coisa que a impressão é que 2011 será curto. E de fato será. Mas… sempre se pode dar um jeito se usarmos um pequeno truque que vale pra vida toda: Não gaste sua energia com o que não vale à pena.       

Parece chavão, afinal de contas, todo mundo é inteligente o suficiente pra saber que a energia dos seres humanos é… esgotável. Não somos recarregáveis. O Maximo que conseguimos é sair de férias e esquecer dos problemas por um período muito curto. Assim sendo, pergunto: Será mesmo que sabemos disso? Ou é só mais uma daquelas coisas que todo mundo sabe, mas ninguém faz?

Bom, preciso deixar uma coisa bem clara: Não quero ter a pretensão de dar conselhos a ninguém, espero que se lembrem que escrevo para mim mesmo. Cada texto é apenas uma reflexão ou desabafo. A finalidade dos blogs, quando foram “inventados”, era pra ser apenas um diário que todo mundo pode ler. Eu levo isso ao pé da letra, escrevo o que penso e como muita gente lê, há os que gostam e os que odeiam. Estou falando isso porque tem gente que comenta comigo que “meus toques” são sempre importantes. Podem até ser toques, mas não é minha intenção não. Isso posto, vamos em frente.

Todo mundo sabe do meu trabalho como Coach. Amigos, parentes e agregados, me “usam” – no bom sentido – para saber o que penso sobre quase tudo. E eu adoro isso. Pensando sobre esse ano que agora chega ao fim, lembrando de tudo que ouvi de toda essa gente, analisando obviamente a mim mesmo no meio disso tudo, chego à triste conclusão de que nós gastamos tempo e muita, mas muita energia mesmo com o que não importa.

Pessoas se martirizando por causa de rompimentos que, se chegaram a esse ponto, é porque “foi melhor assim” e ponto final. Como eu costumo dizer aos amigos e clientes, cordão umbilical se corta com tesoura e não com faquinha de plástico. E são tantas outras reclamações, problemas que poderiam ser evitados que eu precisaria de uns 300 textos para descrevê-los. E tudo isso, em grande parte, nada tem a ver com a própria pessoa. É energia gasta com problemas dos outros.

Ainda ontem brinquei com uma cliente, disse a ela que eu é que tenho que me preocupar com problemas dos outros porque sou bem pago pra isso. Mas não adianta, as pessoas parecem ser feitas de velcro, tudo que jogam pra cima delas fica grudado. É puro desperdício de energia.

Além de assumir o que não lhes pertence, muitos ainda esticam, aumentam, ampliam problemas que não merecem mais atenção alguma. Lembro de que uma vez, eu andava amuado, cheio de tristeza por causa de um problema que… bem, que nem era mais problema. Já havia sido solucionado e eu ali, insistindo em sofrer por algo inexistente. Burro, não? Desperdiçar minha energia em algo que não só não existia mais como não valeria mais à pena caso existisse.

A conclusão é tão simples, tão “debaixo do nariz” que dá raiva só de me lembrar quanto tempo perdi: Queimar energia à toa está diretamente ligado à tristeza. Agora tento agir de modo distinto, quando me pego cabisbaixo, tento analisar se realmente faz sentido. Se perceber que não faz, viro a página e trato de traçar novos planos onde gastar minha energia valerá à pena.

E nesse momento em que mais um ano se aproxima é a hora certa de fazer essa analise. É hora de nos programar para não jogar no lixo algo que se esgota.

MM

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O Sonho não acabou

Ok, o título desse post não tem muito a ver com seu conteúdo, mas quis, de propósito, fazer uma alusão aos Beatles. O que tem a ver realmente é um post do – agora “ator” global – Flavio Gikovate no Twitter. Sim, eu o sigo e sou fã de carteirinha do renomado psiquiatra.

Dia desses ele postou algo sobre sonhos, dizendo basicamente que sonhar é se iludir e, por conseqüência, se machucar. Disse também que é possível viver sem sonhos. Possível é, mas será que é bom?

Eu o entendo, mas fiquei com isso na cabeça. Sempre achei que a realidade é o que importa, afinal, a realidade é… real. Penso muito parecido com tudo o que ele escreve, por isso o admiro tanto. Sim, meu Ego é mega inflado. Mas… (sempre tem um “mas”) dessa vez queria propor outra ideia sobre esse tema tão complicado.

Sonhar é uma bobagem, afinal, todo sonho gera expectativa e como na maioria das vezes ele não se realiza, sofremos. Entretanto, sonhar faz bem à alma, ao nosso sempre problemático Ego-sistema. Uma contradição aí não é? Pois bem, vou explicar meu ponto de vista:

Pode até ser que poucos são os sonhos realizados, mas eu sempre ressalto processo das coisas e não somente seus resultados. Vamos combinar que o processo do “sonhar” é fantástico. Provoca aquele sorriso nos lábios, nos enche de esperança, nos faz sentir vivos.

Já senti na pele três sensações absolutamente marcantes em relação a sonhos. Numa delas, realizei o maior deles, o processo foi maravilhoso e o resultado idem. A segunda, em outros tempos, me senti vazio porque não era mais capaz de sonhar, é como se tivesse morrido mesmo estando vivo. E a terceira experiência interessante foi que já me chamaram de sonho. Sim, nada de amor da vida, nada dessa bobagem romântica, a pessoa simplesmente virou e disse: “MM, você é meu sonho”.

Foi uma sensação inesquecível, mesmo sabendo que era “o” sonho e que jamais seria ou deveria ser “a” realidade. Coisas da vida, circunstâncias, momentos diferentes, enfim, nada que me dê saudade alguma, mas sem dúvida um momento marcante e que prova todas as coisas ao mesmo tempo: Sonhar deve ter sido bom, ter sido o sonho foi ótimo, mas a realidade venceu o jogo.

Analisando essas experiências pessoais, não tem como eu chegar aqui e concordar plenamente com um dos meus ídolos e achar que sonhos fazem mal à felicidade. Sonhar me faz bem. Realizar me fez bem. Ser um sonho me fez muito bem. Não sonhar quase acabou com minha vida. Oras bolas, será que não dá pra achar um meio termo? Bem… eu encontrei algo que faz todo sentido para mim.

Sonho com o que é possível. Parece óbvio, mas não é tããããão óbvio assim quando observamos o que as pessoas fazem. Aí acho que pode entrar o que o Flávio quis dizer e, nesse ponto, ele tem toda razão: A gente normalmente sonha com o impossível, com o que nem sequer temos capacidade de realizar. É quando criamos a tal expectativa que vai resultar na decepção. Ele chama o sonho de ilusão e que vai criar a desilusão. Nem sempre, mas quase sempre.

Não sei muito bem onde é que fica a inteligência dos humanos ao agirem de maneira que, sem capacidade, sonham com algo que acham atingível, mas o fato é que a maioria de nós pode até ser inteligente, porém usamos muito pouco esse beneficio que Deus nos deu.

O que eu sei é que ando pensando muito nisso, talvez porque tenha completado 50 anos recentemente ou porque o fim do ano se aproxima – época clássica de sonhar – mas não importa o motivo, o que creio é que temos sim necessidade de sonhar e que isso faz bem à mente. Desde que esse sonho seja realizável, é claro.

Aí entra a pergunta: Como saber se um sonho é ou não realizável? Afinal de contas, temos tantos exemplos na própria humanidade de gente que sonhou com o impossível e realizou… Então, vamos entender que além de não ser impossivel, essa gente aí tinha a tal capacidade que mencionei. Mesmo considerando que algumas invenções tenham “acontecido sem querer”, a pessoa tinha alguma capacidade sim. Sem deixar de comentar que toda realização, todo grande feito, teve o sonho como premissa.

Sendo assim, concordo discordando do Mestre. Brincadeiras à parte, o que falo a meus clientes nas aplicações de Coaching é que eles jamais devem perder a capacidade de sonhar, pois foi do sonho de alguém que tudo o que temos por aqui veio.

Antes que me esqueça: Falo também que sonhar com pessoas é bobagem, a menos que você seja parte do sonho dela. Sonhar por sonhar, aí sim é dar um tiro no pé. Até porque, jogar pra cima do outro a sua felicidade ou seu sonho, é uma tremenda falta de inteligência… Sonhe com você, pra você e por você, simples assim. E claro, lute com todas as forças para realizar.

Só para constar “nos autos”, sonho um dia em poder fazer terapia com o Gikovate. Quem sabe…

MM

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Pushing the Limits

Pois é… confesso que ando preocupado com um problema sério. Acho que não só preocupado, mas profundamente triste. Ledo engano acreditar que os mais próximos estão imunes aos problemas que chamo de existenciais. Claro que não é um nome técnico, mas é assim que defino todo e qualquer problema que temos na vida, para mim, tudo vem lá da raiz, a existência.

Não vem ao caso comentar por aqui do que se trata, mas claro que esse problema que estou vendo tão de perto me fez refletir sobre diversos assuntos. Um deles, talvez o maior problema existencial que exista, é lidar com a pressão.

Sim, somos desde sempre pressionados o tempo todo. Quando crianças, nossos pais “acham” erradamente que temos que aprender tudo rapidamente. Nos colocam em aulas de música, escolas de idiomas, academias, enfim, se esquecem – sabe-se lá por que – que uma criança precisa basicamente de duas coisas: Carinho e viver. Entenda-se por viver todas aquelas atividades que só as crianças sabem executar: Brincar.

Culpa dos pais? Não só, pois a sociedade se encarrega de contaminar a mente dessa gente, uma vez que nas rodas de amigos, os pais sempre querem se orgulhar dos filhos dizendo tudo aquilo que eles fazem. Uma bobagem sem tamanho. Um pai contamina o outro e assim a “coisa” se torna incontrolável, tipo: “O filho do fulano faz isso, o meu tem que fazer também”.

A criança, coitada, vive sob uma pressão completamente descabida. Não faz nenhum sentido transformá-las em adultos antes da hora. Essa armadilha, que eu chamo de “antecipação da vida adulta”, que os pais atiram seus filhos vai custar caro lá na frente. O intuito nesse caso é: Quero que meu filho seja melhor que o do outro. Deveria ser, quero que meu filho seja feliz. Simples assim.

Não são poucos os adolescentes problemáticos. Os recém adultos também trazem consigo problemas que poderiam – deveriam, na verdade – ser evitados. Adultos com problemas então é o que não falta. Tudo por causa do excesso de pressão que a sociedade nos impõe.

Estudar, trabalhar, namorar, casar, procriar, enfim, é pressão em cima de pressão. Nós, idiotas que somos, aceitamos sem reclamar. Pior, incorporamos esse estado insalubre de tal forma que criamos e alimentamos nosso mais perigoso inimigo: Nós mesmos.

É verdade, nós nos estragamos com o passar do tempo. Nos pressionamos a ser bem sucedidos sendo que não paramos sequer um minuto para pensar no que seria realmente sucesso. Sem entender e sem pensar, agimos contra nós mesmos cobrando coisas que talvez nem sejamos capaz de fazer ou ainda, nem queremos ter ou ser.

Essa “auto-pressão” é o primeiro degrau para alcançarmos doenças como depressão, síndrome do pânico, transtornos de ansiedade e tantos outros problemas psíquicos que vemos hoje em dia, doenças modernas como diriam os mais “antigos”.

Estes, os mais velhos, também sofreram, mas passaram por cima sem pensar. Não sei se é melhor ou pior agir dessa maneira, mas o fato é que a sociedade moderna se preocupa com essas doenças talvez porque temos mais liberdade para sofrer.

Antigamente as pessoas apenas levavam a vida taxando todo e qualquer problema psíquico como frescura ou loucura. Nossa geração é diferente porque no fundo no fundo sentimos falta e damos importância ao… “Viver”.

Os antigos sobreviviam e achavam que a vida era nascer, crescer, trabalhar, reproduzir e morrer. Nós não, nós sentimos falta do bem estar mental. Nos preocupamos, mas ainda assim, agimos de forma errada. Aceitamos ser colocados ou nos colocamos entre a cruz e a espada.

O tempo todo nos impomos maiores limites, queremos ter e ser melhores do que nossa capacidade permite, enfim, somos nós os responsáveis. Conheço poucas pessoas que deram seu grito de liberdade. Eu fui um deles em relação a pressão da sociedade, família, etc.. Mesmo assim, passei a vida toda – e ainda sou assim – fazendo maldades comigo mesmo, coisas que chamo de “Pushing the Limits”.

Uma estupidez, eu sei, mas é assim que levei a vida por minha conta e risco, empurrando meus próprios limites.

E olha que sou um homem que aproveitou muito bem a vida, mas tenho que confessar que sempre dei um jeitinho de elevar minha “nota de corte”. Em alguns momentos até me ajudou a superar desafios, mas em grande parte do tempo só restou-me fazer uma pergunta: Pra que?

MM

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Papo com a vida

Como hoje completo 50 anos de existência, resolvi bater um papo com a Vida…

- Parabéns, MM!!!

- Obrigado. Devo tudo a você.

- E o que significa fazer 50 anos, uma data tão simbólica?

- Quando olho pra trás vejo que fiz muita coisa.

- Se orgulha do que fez até agora? Acha que os outros se orgulham de você?

- Acho que fiz tudo o que queria. Eu me orgulho, não dou bola para legados.

- Você e seu jeito light de ser…

- Verdade, sempre penso em mim em primeiro lugar.

- Me conta, como tem vivido até agora?

- Pensei que tivesse acesso aos meus arquivos.

- Tenho a senha, mas gosto de perguntar “pessoalmente”.

- Não posso reclamar. Você tem sido boa comigo.

- Muita gente reclama de mim. Quer dizer que tenho sido legal?

- Olha, sinceramente, como posso reclamar se as escolhas foram minhas?

- Verdade.

- Altos e baixos, mas é essa a graça, não?

- Altos e baixos? Tá me chamando de Bipolar?

- A bipolaridade é o que faz tudo valer à pena.

- Bom que pensa assim.

- Mas para ser justo, tenho tido mais altos do que baixos.

- Hum, isso foi um elogio?

- Foi sim. Não tenho nada muito sério do que reclamar.

- E qual parte foi ruim nesses 50 anos?

- Umas e outras…

- Ah, me conta, quero saber.

- Algumas fases, mas nada muito grave. O que quer saber?

- Tipo… seu pior dia?

- 12 de janeiro de 2005.

- Nossa, respondeu na lata. Posso saber por que?

- Você tem os arquivos, pesquise!

- Ok, ok. E o melhor dia? Não vale o do nascimento do Rodrigo.

- São tantos… seria injusto escolher um só.

- Então o saldo é positivo mesmo.

- Sem dúvida que é. Tá carente? Querendo confete?

- Engraçadinho… Me conta uma coisa…

- Diga.

- Você pensa muito, certo? Já entendeu o meu sentido?

- Sentido da vida?

- É.

- Oras bolas, se soubesse, ficaria rico vendendo a resposta.

- Sou tão difícil assim de entender?

- Muito.

- No texto anterior você disse que aprendeu tantas coisas…

- E? O que isso tem a ver?

- Pensei que soubesse qual o sentido da vida.

- Olha, o que eu sei é que às vezes você não faz o menor sentido.

- Me conta, preciso saber para me aprimorar.

- Estou brincando… sua lei é a única que faz sentido.

- Que plantamos o que colhemos?

- Isso.

- É uma lei justa, não acha?

- Acho sim.

- Deixo nas mãos de vocês o poder das escolhas.

- Também me parece justo, mas…

- Mas…?

- Quanto mais opções, mais chance de errar.

- Aí já é com Deus, ele que aprovou essa emenda.

- Emenda?

- Sim, emenda à minha lei: O livre arbítrio.

- Eu sei. E esse é o maior problema.

- Fez muitas escolhas erradas?

- Impossível não errar.

- Arrepende-se de algo? Mudaria alguma delas?

- Mudaria sim.

- Quer conversar a respeito?

- Não.

- Taxativo. Ô gênio do cão…

- …

- E as escolhas certas, repetiria alguma?

- Todas!

- Fez mais escolhas certas ou erradas?

- Ainda estou colhendo. E também plantando…

- E de hoje em diante? Muita coisa por fazer?

- Algumas.

- Tipo?

- Vai realizar todos os desejos?

- De repente, se estiver ao meu alcance…

- Pra começar: Posso viver tudo de novo em 5 anos?

- É, acho meio difícil…

MM

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Coisas que aprendi…

Como estou prestes a completar 50 anos, vou fazer dois posts “comemorativos”. Este aqui é o primeiro, 50 coisas importantes que aprendi. No próximo, farei uma crônica – só pra matar a saudade, crônicas são minha paixão.

 Então vamos lá… Nestes 50 anos, a vida me ensinou que…

1 – …Deus existe.

2 – …se permitirmos, a família acaba com nossa vida.

3 – …ser humano é uma experiência que não deu certo.

4 – …”contemplar” é o mais perto que se chega da paz.

5 – …dependência emocional é um câncer.

6 – …desculpinhas e justificativas não levam a lugar algum.

7 – …viver pode ser bem gostoso.

8 – …os humanos não amam incondicionalmente.

9 – …tomar chuva faz bem à alma.

10 – …a tolerância deve ser um exercício constante.

11 – …a maioria das pessoas precisa de um guia. Poucos têm opinião própria.

12 – …nenhuma mulher vive bem sem um amor.

13 – …o homem é mais leal que a mulher.

14 – …numa relação amorosa, a intensidade é mais importante que o tempo.

15 – …ter uma segunda atividade, um hobby, é fundamental para o bem estar mental.

16 – …morar uns tempos sozinho é a melhor maneira de crescer.

17 – …impossível mentir para um espelho.

18 – …não precisamos de outra pessoa para ser feliz.

19 – …em família, afinidade é o que deve nortear as relações, não o sobrenome.

20 – …a dor, seja ela qual for, passa logo. O prazer também.

21 – …conhecemos muita gente durante a vida, apenas algumas valem à pena.

22 – …paixão é muito melhor que o amor.

23 – …cicatrizes internas não desaparecem com o tempo.

24 – …fazer algo criativo é o que eleva a autoestima.

25 – …nada é mais gostoso que um banho de mar num final de tarde.

26 – …equilíbrio é bom, mas deixa a vida morna.

27 – …algumas vezes esquecemos os momentos inesquecíveis.

28 – …o que os outros pensam sobre você é problema deles.

29 – …temos mais coisas boas na vida. A gente às vezes é que não enxerga.

30 – …levar a vida pensando apenas em “ser aceito” é o primeiro passo para ser rejeitado.

31 – … de uma forma ou de outra, TUDO um dia acaba. Até a vida.

32 – …ajudar em silêncio dá mais prazer do que “contar pra todo mundo”.

33 – …o amor é a maior causa do sofrimento.

34 – …seres humanos não são confiáveis.

35 – …um sorriso atrai outro sorriso.

36 – …politicamente corretos cansam a beleza de qualquer um.

37 – …as pessoas lidam melhor com a mentira do que com a verdade.

38 – …jogar limpo, é a melhor maneira de sair sujo.

39 – …poucas são as pessoas que bancam suas escolhas.

40 – …dinheiro pode não trazer a felicidade, mas tê-lo dá um alívio…

41 – …só quem trabalha com arte, faz realmente o que gosta.

42 – …a verdade é uma só: todos mentem.

43 – …”observar” é a melhor escola.

44 – …as pessoas trabalham muito e se divertem pouco.

45 – …criar expectativas é burrice.

46 – …são nossos pais, quando nos proíbem de tudo, que nos ensinam a mentir.

47 – …crescer dá muito trabalho, mas é necessário.

48 – …”amor da vida” não existe.

49 – …empatia é a coisa mais importante nas relações humanas.

50 – …a felicidade está na busca e não na conquista.

MM

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Alicerce Gelatinoso

Muito se fala sobre a construção psíquica dos seres humanos. Pouco de fato se aproveita. Além disso, há certa tendência em enfatizar a necessidade primária da socialização do ser que, na minha singela e humilde opinião, vai completamente na contramão do que deveria ser. Tentam nos preparar para viver em sociedade sem que tenhamos uma estrutura individual necessária para tal. Indivíduo vem antes da sociedade. É a ordem natural da existência humana, mas isso fica para um próximo texto…

Retomando, vou explicar o que penso: A estrutura do ser humano está alicerçada em cima de uma gelatina.

Sim, uma gelatina chamada Família. É como construir um edifício que tem que ficar em pé por 70 anos, em média, sobre uma fina camada daquele doce que vem em caixinha. Não vai funcionar.

As famílias são egoístas, criam seus dependentes para que sejam eternamente… dependentes. Mas vão além disso, querem que suas crias acreditem no que eles crêem. Em outras palavras, a liberdade é zero. É como se eles pegassem o que Deus nos deu, o livre arbítrio, e jogassem no lixo.

Peguei pesado? Não, não peguei não, basta olhar as coisas com olhos bem abertos. Até entendo que durante um certo período de nossa existência, a única referência que temos é a família. Mas… depois de uma determinada idade, os pais, que deveriam nos incentivar a ser livres, insistem em manter o controle. No mínimo, insistem em continuar exercendo uma boa dose de influência em nossas escolhas e decisões.

Por que é que fazem isso? Bem, uma resposta clara não existe, afinal de contas, uma das coisas que os humanos mais apreciam é não colocar as cartas na mesa. Todo mundo morre de medo – ou vergonha – de assumir uma postura, seja ela qual for. As pessoas cada vez mais têm medo de expor seus pensamentos, como se existisse uma auto-censura.

Já perguntei a muita gente por que é que insistem em exercer influência na vida dos filhos e a resposta que obtive foi sempre a mesma: “Eu? Influencia? Jamais, crio meu filho para o mundo e não para mim…”

Mentira deslavada. As pessoas criam seus filhos para elas, jamais para o mundo. Como disse, as respostas não são claras porque são mentirosas. Mas no fundo, há de fato uma série de motivos, o mais comum, o medo de serem superados. É, parece esquisito, mas a verdade é que os pais morrem de medo do sucesso dos filhos. Já escrevi sobre isso tantas vezes que estou até cheio do assunto.

Família, dizem por aí, é o berço de tudo. Bom, eu creio nisso como creio em Deus. É sim o berço de tudo, inclusive dos problemas psíquicos que todo ser humano carrega ao longo da vida, no caso dos mais fortes, por boa parte da vida. Aos mais fracos – nem sei se é esse o termo adequado – digo que é preciso de dar um grito de liberdade.

Vejo que há no mundo muita gente – entenda-se: seres adultos – que ainda permitem que as famílias exerçam demasiada influência em suas vidas. Atrapalham carreiras, escolha de profissões, empregos, relacionamentos então, nem se fale…

O que temos que entender é que a estrutura familiar é fraca. Nem sei se é o caso de entender porque sei que se fizermos uma forcinha entendemos, talvez seja o caso de aceitar sem medo de parecer errados.

Como em todas as relações da vida, há que se ter afinidade. Não é porque temos o mesmo sobrenome que somos obrigados a aceitar a proximidade das pessoas. Em todas as outras relações que temos, nós é que escolhemos quem é que vai poder ou não ter influência em nossas vidas, não é? Pois então, qual a dificuldade em incluir a família nesse pacote?

Algumas pessoas tendem a culpar Deus e o mundo por uma série de coisas que acontecem. Raramente se olham no espelho e apontam o dedo para si e, pior, normalmente isentam a família. Bem, é tudo uma questão de abrir os olhos.

Mesmo que as famílias tenham boa parcela de responsabilidade do que acontece, há que se ter a exata noção de que ninguém nos faz mal se não permitirmos.

MM

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Sentimento Bipolar

Incrível como os Egos de alguns se esforçam para ser aceitos pelos outros sem levar em conta sua própria essência, sem fazer uso daquela expressão que tanto gosto: O que os outros pensam sobre você é problema deles.

Eu não sou muito bem visto em certos ambientes. Essa coisa de falar o que penso tem seu preço e não sai barato não. Isso porque – infelizmente – não posso falar tudo o que penso, caso pudesse, seria banido do mundo. Mas eu tento. Desde muito cedo arrumei diversas encrencas por agir dessa forma e, de novo, desde muito cedo percebi algo interessante na postura das pessoas em relação a mim: Sou odiado e amado pelos mesmos motivos.

Em contrapartida, amo e odeio as pessoas do meu convívio exatamente da mesma forma, ou seja, pelos mesmos motivos. Certas pessoas gostam de gente transparente, mesmo que isso provoque certa dor de vez em quando. Ainda assim, falando apenas de mim, eu prefiro ter essa bipolaridade sentimental em relação aos outros. Gosto das pessoas como elas são e odeio às vezes as mesmas pessoas por serem e agirem como agem.

Sentimentos são mesmo bipolares. Não há quem apenas ame ou quem apenas odeie. Sinto isso dos outros para comigo da mesma forma que sinto pelos outros. A prova de que sentimentos são completamente bipolares aparece no instante em que uma relação acabe. Seja ela de qual esfera for. Amamos num dia e odiamos no outro, isso para ser bonzinho porque normalmente amamos e odiamos no mesmo dia.

É aí que fico intrigado. Se todas as pessoas despertam sentimentos bipolares, por que é que temos que nos esforçar para ser aceitos, o que vale dizer… nos esforçarmos para ser o que não somos? Oras bolas, se vão nos amar e nos odiar pelos mesmos motivos, por que insistimos em despertar apenas o amor?

Parece-me queima desnecessária de energia. Até porque, sempre vamos encontrar quem nos ame do jeito que somos. Assim sendo, seria mais lógico a gente apenas viver nossa essência.

Pois é, na prática a teoria é outra. Nos dedicamos a conquistar as pessoas o tempo todo. É a única preocupação – talvez não a única, mas a maior delas – que temos. Queremos que todos nos olhem e digam: Nossa, como o MM é legal, bacana, simpático, verdadeiro, transparente, leal, sincero, bla, bla, bla. Nem nos damos conta de que essas mesmas pessoas vão nos odiar no exato instante em que não correspondermos às suas expectativas.

Ai, ai, ai, e o que é que temos a ver com a expectativa que o outro cria em relação a nós? Eu digo com todas as letras: Nada! Nada mesmo. Se eu desperto algo em alguém e a pessoa gera por sua conta e risco alguma expectativa do meu ser ou do “próximo movimento”, é problema dela e não meu. Quem mandou antecipar?

Por essas e outras é que quem te ama hoje pode te odiar amanhã. Afinal de contas, ela criou um modelo de você que não será eterno e quando você não corresponder ao modelo criado pela mente dela, a decepção – absolutamente sem sentido – aparece.

Seria bem mais simples se nós pudéssemos olhar e ser vistos sem qualquer expectativa. Vendo apenas e tão somente as coisas como elas de fato se apresentam. O que estou querendo dizer é que não precisamos vender uma coisa que não é real. As pessoas que entendam que todo mundo tem suas alterações de humor, conduta, etc… E que, justamente por essas normais alternâncias é que elas devem balizar seus sentimentos em relação aos outros.

Em suma, temos que saber que hoje amamos o outro por ele ser como é, da mesma forma que amanhã vamos odiá-lo pelo mesmo motivo. Às vezes nem se trata de criar um modelo na cabeça, mas sim de esperar do outro algo que ele não vai te dar naquele momento.

A vida não é feita de momentos? Pois então, pra que inventar moda achando que um momento “x” tem que ser perpetuado dando assim um rótulo à pessoa. Podemos sim amar quem odiamos da mesma forma que odiar quem amamos.

Amor é ódio andam lado a lado. Apesar de serem completamente opostos, estão presentes em todas as relações humanas. Aceitar isso é condição básica para o surgimento do respeito. Respeitar o outro como ele é. E fazer isso apenas de acordo com sua conveniência ou expectativa, sinto muito, mas não tem nada a ver com respeito…

MM

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Sonhadores Insanos

Todo mundo sonha com uma vida melhor. A maioria, quando sonha, se esquece do que é real, do que pode ou não ser viável dentro da sua… bem, da sua realidade. Sonhar por sonhar, sem levar em conta o mundo real não faz sentido. É machucar-se na certa. As peças não vão se encaixar.

A sensação que um sonho realizado provoca é incrível. Já a sensação que a realidade mostra nem sempre. Já vivi algo esquisito há pouco mais de 5 anos. Num certo momento diria que minha realidade foi transformada em sonho. É claro que transformar a realidade num sonho foi muito mais surpreendente do que um sonho que se transforma em realidade. Ok, pode parecer que esteja abusando desse negócio de brincar com as palavras, mas é a verdade.

Você está ali, sonha com algo e as coisas se realizam. Poxa, bacana, é a busca de todo mundo e nem todos conseguem. Quando a realidade se transforma em sonho é completamente inesperado. Você continua vivendo e de repente… algo acontece e sua realidade muda de tal forma que você se sente completamente inserido num contexto, até então impensável, um verdadeiro sonho.

Passa então a alimentá-lo e as sensações vão sendo incorporadas no seu dia a dia e quando se dá conta, não sabe mais o que é real e o que é sonho.

Somos seres completamente insanos. Para que tentar descobrir ou fazer essa divisão? Não podemos simplesmente viver o sonho? Pois é, não podemos. Temos essa tendência estúpida de separar o sonho da realidade. Ou a realidade te alerta que é um sonho ou o sonho fica tão real que perde a força que todo sonho tem.

Enfim… viemos ao mundo para realizar nossos sonhos. Já disse isso mil vezes. Mas como é que se consegue? Para sonhar temos que saber o que queremos. E para saber o que queremos temos que ter experimentado algo parecido, pois há que se ter um ponto de partida, imaginar algo para sonhar. E normalmente quando imaginamos esse “algo”, tem que haver uma referência para nortear os pensamentos. Essa referência tem que ser possível, alcançável, realizável. Em outras palavras: Temos que sonhar com a realidade. Com a nossa realidade. Estou falando de coerência, alinhamento de ideias. Que termo mais chulo!

Então ficou claro – mesmo que confuso – que para sonhar (acordado) temos que ter algum ponto de partida, normalmente com algo conhecido, portanto, possível. É simples assim? Não, claro que não.

O Ego-Sistema das pessoas não é nada simples, pelo contrário. Andamos de um lado para outro desesperadamente atrás de sonhos irrealizáveis. Feios sonham com bonitos; pessoas nada interessantes querem para si pessoas super interessantes; pobres sonham em ficar ricos de uma hora para outra sem sequer se esforçar pra isso; velhos querem ser jovens, ou seja, uma confusão danada. Lembrando que a confusão é causada pela própria pessoa, afinal de contas já é mais do que sabido que poucos estão DE VERDADE satisfeitos com o que são e com o que tem. Chegam a buscar o oposto da sua essência. Falei DE VERDADE em “voz” alta porque nesse mundinho ameba tá cheio de gente que diz estar feliz e realizada, bla, bla, bla da boca para fora. O espelho mostraria a realidade, mas… essas pessoas só usam o espelho para verificar se a roupa está ok.

Fica cada vez mais evidente que poucos param para pensar e, menos gente ainda, tem a coragem de se fazer uma perguntinha básica: Esse sonho é mesmo possível?

Pois é. Normalmente – não sei o percentual, mas diria que perto de 83,67% (apenas para chutar algo e para dar credibilidade ao “chute” o número deve ser quebrado) a resposta para tal questão será: Não! Se puder ser um tiquinho maldoso, diria ainda: Não, nem em sonho!

Brincadeira à parte, fico indignado com a falta de bom senso de certas pessoas. Oras bolas, não seria muito mais simples alterar nossos sonhos para algo palpável? Algo que possamos de verdade realizar e depois sentir aquela sensação incrível já mencionada aqui?

Claro que podemos. A dica que eu costumo dar a meus clientes ansiosos e ávidos por se tornarem “astronautas” é: Quebre os sonhos grandes em pequenos pedaços. E esqueçam essa coisa de astronauta, é claro… (Astronauta foi só uma brincadeira, hein? – Digo isso para os leitores chatos. Se você não for chato, passe para o próximo parágrafo)

Que fique claro, gosto de pessoas que sonham alto, desde que seja palpável. Mas o truque é transformar um grande sonho em pequenas etapas. Sabe que isso funciona? Pois é, eu mesmo já testei.

Aliás, cada exercício, dica ou proposta que faço já foram exaustivamente testadas em mim mesmo. As experiências que não dão certo, nem comento… Outro truque, este serve para manter a autoestima elevada.

MM

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No lugar certo

Você aí do outro lado, já se sentiu no lugar errado, na hora errada? Ou na hora certa no lugar certo? Claro que há também o lugar certo na hora errada… Pois é, para variar um pouquinho estou escrevendo o que me vem à mente sem censuras. Ou melhor, sem filtro. Natural que as bobagens apareçam…

Acho que nossos Egos vivem fora do lugar. Tudo bem, não posso e nem quero generalizar, mas tenho percebido isso ao longo do tempo. As pessoas se sentem cada vez mais onde não queriam estar e pior, fora do tempo. Como se vivessem uma realidade e sonhassem com outra.

Bom, isso é assunto para outro texto que estou escrevendo, aliás, estou bem perdido em relação a isso porque essa coisa de Sonhos/Realidade dá pano para manga…

Retomando o que dizia, já me senti assim algumas vezes, tipo, fora do “lugar” no tempo e no espaço. Difícil lidar com isso. Bom, sejamos justos, difícil lidar com quase todas as questões da vida, não é?

Sinceramente não me lembro da última vez em que ouvi alguém me dizer que estava no lugar certo, no lugar em que deveria estar naquele exato momento. Claro que tenho muitas leitoras românticas e que vivem me contando seus casos… estas sempre fazem a relação tempo e espaço de modo que suas histórias pareçam contos de fada com final feliz e cor de rosa.

Mas esse é um exercício interessante, já até passei para alguns clientes: Olhe à sua volta e me diga, sente-se no lugar em que deveria estar?

Não é nada fácil responder. Claro que os superficiais vão achar simples, mas os seres pensantes vão questionar como se deve. E não é um exercício apenas para que se constate alguma coisa parecida com insatisfação profunda. Não é por aí.

A ideia é que se faça uma reflexão mesmo, sem culpas, sem arrependimentos, afinal, todo mundo está onde, de alguma forma, escolheu, mereceu ou no mínimo permitiu estar. Caso você tenha chegado até aqui por força da correnteza, acho que já passou da hora de entender que é você quem dirige seu barco.

Tenho vivido tempos de paz turbulenta, não, não é um jogo de palavras porque até bem pouco tempo eu vivia numa situação de turbulência turbulenta. Falo paz turbulenta porque não sou do tipo que consegue ficar apenas em tão somente em paz. Não me tenham como exemplo, meu Ego-Sistema é assim, fica desconfiado quando a plenitude da paz se estabelece…

As coisas entram nos eixos, mais cedo ou mais tarde tudo encontra seu devido lugar. Até as coisas ruins acabam por ser eliminadas ou até mesmo esquecidas em algum compartimento da mente. Felizmente as coisas boas também surgem e nesse momento é que sentimos aquela sensação de alívio onde nosso pensamento chega a se manifestar em voz alta: Está tudo em seu devido lugar.

Atingir esse ponto leva tempo, não são poucas as vezes em que nos sentimos perdidos e completamente fora do eixo do aceitável. Por outro lado, é fato que quando chegamos no ponto onde gostaríamos de estar dificilmente reconhecemos isso. É aquela velha e conhecida tendência que temos em manter nossa visão nublada. Uns chamam de boicote, outros de auto-flagelo, o nome nem importa, o que vale ressaltar é a sensação esquisita de que a mente está jogando contra nós mesmos.

É preciso fica em estado de atenção constante. Um tipo de monitoramento que mantém nossas mentes ocupadas com a preocupação necessária para que possamos estar sempre no espaço e no tempo em que queremos estar. O tal… lugar certo.

Hoje, por exemplo, sinto que estou em alguns lugares certos, outros nem tanto, mas definitivamente no tempo em que deveria estar. E você?

MM

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União Instável

Olho daqui, dou uma espiadinha ali e só o que vejo pela frente são pessoas atrás de relacionamentos. Gente querendo encontrar o amor da vida. Uns mais desesperados querendo a tal “união estável”.

Pergunto humildemente, mesmo odiando a humildade: E o que é uma Relação Estável? Bom, tive que pesquisar na internet:

Legal e resumidamente é isso: “Relação de convivência entre homem e mulher que é duradoura e estabelecida com o objetivo de constituição familiar. O novo Código Civil não estabelece prazo mínimo de duração da convivência. Não é necessário que morem juntos, podem ter domicílios diferentes, mas será considerada estável desde que o provem, por ex., a existência de filhos. Uma simples relação de namoro não pode ser considerada estável porque somente se verifica União Estável quando houver constituição de unidade familiar propriamente dita, não bastando o simples objetivo em fazê-lo”. E a coisa segue adiante com aquelas babaquices de comunhão parcial, etc, etc, etc.

Pois bem. Como eu estou numa semana Light Diet Suave Confort darei aqui minha singela opinião: Mesmo que amparada pela constituição, códigos civis, leis, etc, não existe relação estável, são todas instáveis. Sim, toda relação amorosa é uma casquinha de ovo e é bom continuarem assim.

As leis são feitas com completo desconhecimento de causa. Bom senso zero. Inteligência emocional diria que chega a ser até negativa. Pior, jamais levam em conta a realidade.

Nada desestabiliza mais uma relação do que família. Seja de um lado, seja de outro. Filhos então nem se fale. Falar o contrário é besteira de gente que tem preguiça de pensar ou até mesmo preguiça de observar a realidade.

Eu entendo que há que se ter um parâmetro para fazer leis, entendo perfeitamente. Nesse caso só estou fazendo uma espécie de brincadeira com a verdade. Sei que eles associam estabilidade com tempo de duração.

As pessoas se iludem, procuram criar expectativas nas relações amorosas e é isso que sempre estraga tudo. Usam qualquer relação melhorzinha como a salvação de todos os problemas. Não deixam rolar, não deixam o envolvimento acontecer naturalmente, saem logo de cara rotulando e antecipando as coisas. Pulam etapas pelo desespero de ficar sozinhos.

Eu digo sempre uma coisa e poucos entendem ou prestam atenção. Não falo como dono da verdade não, falo por experiência própria: Se você não gosta de ficar com você, por que é que alguém vai gostar?

Eu acho isso mesmo. Quanto mais você gostar de ficar só, curtir a sua companhia, mais vai atrair pessoas interessantes. Vale mesmo essa reflexão.

Além do mais, voltando ao tema principal, falo que as relações mais instáveis são as mais intensas. Pode parecer loucura, mas a instabilidade atrai feito um imã.

Conheço pessoas que buscam a estabilidade, buscam uma relação toda certinha, sem altos e baixos, etc. Essas pessoas são as que mais estão longe da felicidade a dois. São as pessoas que menos conseguem a tal união estável. Podem até ter a estabilidade por um tempo, porém, são essas as pessoas que mais cedo ou mais tarde vão reclamar da rotina.

O que segura uma relação é o sentimento e não a convivência. Loucura da minha cabeça? Não creio, mas pode até ser. O que sei é que sem sentimento não haverá rótulo que segure, não há estabilidade que fique estável. Brinco com as palavras, mas estou falando bem sério.

Filhos, família, rótulos, sociedade, enfim, nada disso segura uma relação, nada disso a fará ser estável ou duradora. O que prende uma pessoa em outra é sentimento, não só de amor ou paixão, mas de medo. O medo de perder a pessoa que você quer estar fará com que você seja uma pessoa cada vez melhor.

A ideia aqui – fazendo a mesma associação da lei – é dizer que quanto mais instável for a relação, mais estável será a união…

 MM

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Pingos nos “is”

Às vezes sinto que as coisas estão completamente fora do lugar. Tudo bem, sei que sou um cara chato que observa tudo, mas algumas coisas são tão óbvias que fico ainda mais indignado quando elas passam batido pela sociedade como um todo. Bom, aqui no meu Blog eu costumo falar de Egos e é claro que não vou fugir demasiadamente do tema, só um pouquinho…

Nesse final de semana saiu uma pequena reportagem falando bem de uma grande rede de supermercados. Era algo sobre eles estarem vendendo uma sacola de compras feita com material reciclado, daquelas que você tem que levar todas as vezes que vai às compras. Bacana, politicamente correto, super mega ecologicamente correto, dirão os cidadãos comuns.

Bem, faz tempo que não sou um cara comum. Assim sendo, vi a reportagem como uma afronta à minha parca inteligência. Vou explicar: Como é que uma revista de grande circulação faz uma reportagem enaltecendo a atitude ecologicamente correta de uma rede de supermercados, sendo que eles mesmos são responsáveis pela distribuição de sacolas plásticas durante anos e anos? Oras bolas, não são essas sacolinhas de plástico grandes responsáveis pela poluição do meio ambiente? Pior, ainda cobram pelas sacolas certinhas?

Em suma, na minha mente poluída entendo o seguinte: Os safados cobram por algo que estão lançando que evitaria o estrago do meio ambiente, porém, estrago que eles mesmos têm feito por anos a fio… Na boa, é o mesmo que pagar pela destruição que eles vêm fazendo há anos…

No meu entender eles tinham que dar de graça a tal sacola corretinha e ainda por cima pedir desculpas ao povo por terem poluído o meio ambiente por tanto tempo. Estou exagerando? Pode ser que sim se analisarmos superficialmente a questão, que é o que todo mundo faz em TODAS as questões da vida. Mas se dermos uma mergulhadinha no assunto, perceberemos que não há exagero algum. E isso vale pra tudo…

Entrando no mundo dos Egos, vejam essa questão que a sociedade impôs como “falta de educação”:

Alguém se mete onde não é chamado. Você então diz: “Ei, isso não é da sua conta”!

Gente, é só a verdade, não é? Pois bem, então alguém me explica por que é que o xereta que se mete onde não é chamado fica tão ofendido quando dizemos apenas e tão somente a verdade?

Num cenário ainda mais absurdo, um dia desses conversava com amigos e quando me perguntaram algo que absolutamente não me dizia respeito, respondi naturalmente: “Não tenho nada a ver com isso”. O mesmo que ter dito: Ei, isso não é da MINHA conta.

Deu no mesmo, as pessoas se sentiram ofendidas pela minha… minha… sinceridade em não querer me meter onde não deveria. Ou seja, todo mundo quer que a gente cuide e se meta na vida dos outros. Se eu falo para alguém cuidar da própria vida se ofendem. Se falo que eu quero cuidar apenas da minha vida, se ofendem da mesma forma. Vai entender essa gente.

Olha, na minha cabeça isso é ridículo.

Tenho uma teoria: Se cada um de nós parasse de se meter na vida dos outros, parasse de se preocupar com o que NÃO nos diz respeito, tenho certeza de que eliminaríamos mais de 70% dos nossos supostos problemas…

Não entendo como é que as pessoas querem tanto ser felizes se passam a vida toda se preocupando e se envolvendo com problemas que não são seus. E mais, permitindo que gente de fora se meta em sua vida. Às vezes até pedem isso. 

É difícil entender mesmo. A parte boa é que me pagam para que eu ensine como é que se enxerga o óbvio…

MM

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Inquietudes

Não lembro o número exato de vezes que eu desisti de escrever o livro Ego-Sistema, mas se não me perdi nas contas, acho que foi algo perto de 246.877 vezes. Desde que lancei meu último livro, há mais ou menos 300 vidas atrás, eu enfiei na cabeça que deveria escrever um livro meio que definitivo sobre comportamento humano, ou seja, falar sobre Egos. Pura bobagem.

É melhor manter esse assunto por aqui, num Blog ou em revistas, sites, mas não em um livro. Definitivamente não suporto esse universo da auto-ajuda, assim sendo, não quero fazer parte disso colocando nas livrarias mais um livro sobre o tema. Já trabalho com isso, lido diariamente com “auto-ajudar” pessoas a se reerguer ou até mesmo se erguer. Minha ex-terapeuta sabiamente disse-me uma vez:

“Há uma infantilização em nossa sociedade, poucos querem enfrentar o desafio de crescer”. Palavras mais do que verdadeiras, se é que isso existe.

Em meu trabalho faço isso, ajudo as pessoas a se tornarem adultas, a se tornarem mais fortes para lidar com o “mundo lá fora”. Busco ainda transformá-las em pessoas o mais independente possível, já que independência plena absolutamente não existe. Sei que muitos confundem a independência financeira com independência plena, mas isso é maquiar a realidade. Meu trabalho foi desenvolvido e criado por mim justamente na contramão do que a sociedade mais quer, eu mostro o espelho, a realidade, pois boa parte prefere viver escondida de todos e, mais grave ainda, escondidas de si mesmas.

Até achava que eu tinha uma espécie de obrigação de publicar um livro sobre tudo o que envolve nossos Egos, mas essa obrigação não era para com a sociedade, não sou tão pretensioso assim, era uma obrigação para comigo mesmo. Ou seja, satisfazer meu próprio e inflado Ego. Pra que? Pra nada, pura bobagem dessa mente inquieta. O que tem que valer é minha essência e não uma suposta satisfação do Ego. E minha essência não gosta mesmo desses livros de auto-ajuda. Nem estou questionando a eficácia deles, estou apenas expondo minha opinião.

Enfim, andar de acordo com minha essência também é uma forma, provavelmente a melhor delas, de satisfazer meu Ego, não é? Pois então… é o que estou fazendo.

Essas coisas são mesmo engraçadas, já tentei escrever e desisti desse livro tantas vezes e sempre fica uma pontinha de dúvida se estou ou não fazendo o melhor. A dúvida insiste em me atormentar. Dessa vez pensei de forma distinta das outras.

Lá na frente do meu fiel companheiro, meu espelho, conversei comigo numa manhã dessa semana dizendo:

“Sou um escritor compulsivo, sou capaz de escrever sem parar e também capaz de finalizar um livro em poucos meses. Se até hoje não o finalizei, algo deve estar errado. Mas onde está o erro?”

A resposta é tão simples que fiquei irritado pela minha insistência em manter vivo o suposto desejo de finalizar tal obra: O erro está em achar que preciso fazer o que não quero.

Pode parecer estranho, mas é assim que penso em relação a esse livro. Eu não quero e se não quero, porque insisto em achar que preciso? Mais e mais confusões dessa mente inquieta. Sei lá, mas creio que todo mundo um dia passa por isso quando tem que tomar uma decisão.

É só um desabafo. Gosto de desabafar escrevendo e às vezes uso meu Blog pra isso.

Em suma, ao abandonar esse livro, por hora me sinto livre. Parece que tirei um peso da mente e, como tudo na vida, pode ser que essa decisão não seja definitiva, mas o é neste momento.

Agora estou trabalhando em outro projeto, retomando algo que já está bem adiantado, uma trilogia. Minha primeira investida em outro universo, uma narrativa, um romance/policial, uma novel se preferirem.

Trata-se da história de um cara que se vê obrigado a fugir do que persegue…

MM

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Humildade faz mal

Hoje de manhã postei a seguinte frase no Twitter: Quanto mais humilde você for, mais baixa será sua autoestima.

Assunto delicado esse, mas vou explicar por que afirmo isso. Deixo claro aos religiosos de plantão que sou católico praticante, portanto, um admirador de Jesus. Não sou temente a Deus porque isso é bobagem, temo apenas quem me faz mal e até hoje, Deus tem sido legal comigo, não há porque temê-lo e sim agradecê-lo.

Falei de Jesus porque alguém inventou que – pelo fato dele andar de túnica e sandálias – ele era humilde. Bom, eu discordo. Jesus era um grande exibido. Ninguém anda sobre as águas, multiplica pães e peixes, cura doentes se não for para se exibir. Lembre-se que ele fez todas essas coisas na frente de multidões… e eu o admiro justamente por isso.

Então, onde é que tá a humildade de Jesus? Nas roupas? Ora, façam-me o favor. Ele não podia ser simplesmente um Hippie fora de época?

Além disso, discordo veementemente dessa pregação de humildade que há na sociedade. Penso que quem prega essa besteira é quem está no poder, no comando da situação, em suma, quem está por cima prega que os que estão por baixo sejam humildades. Fácil, não é?

Eu não caio nessa, e provo por A + B que isso é uma grande besteira, uma grande hipocrisia:

Digamos que você seja aquele tipo humilde, que anda pra lá e pra cá dizendo que todo mundo tem que ser assim, etc e tal. Aí você precisa procurar emprego. Vai a uma entrevista e se mostra o humilde em pessoa. Não diz seus valores, suas capacidades, seus anseios e ambições. Em outras palavras, você é médio aqui, sem sal ali, meio capaz disso, e por aí vai.

Pergunto, por que é que você merece a vaga? Quem nesse mundo contrata um ser mediano? Bom, muita gente contrata, mas na teoria ninguém quer seres médios trabalhando em suas empresas, certo?

E qual o problema de chegar nessa entrevista e bater no peito dizendo-se o melhor para a vaga? Oras bolas, não foi isso que você colocou no seu currículo? Que era o “fodão”? Se mentiu no que escreveu, problema seu, deveria se conhecer e também às suas capacidades reais e verdadeiras e não mentir. Entretanto, se você é bom em algo, alardeie pelos quatro cantos do mundo.

A humildade, em minha modesta opinião, tem muito mais a ver com reconhecer seus valores do que qualquer outra coisa. Na boa, se os seus valores são bons, se sua capacidade é acima da média, esconder isso vai te ajudar em que, me diz?

Tudo é uma grande bobagem, hipocrisia mesmo. Os mesmos que acham que a humildade é necessária – falo humildade como a maioria da sociedade pensa – são os mesmos que têm a autoestima lá embaixo. Os que já chamei por aqui de “coitadinhos”. Olha, isso me irrita muito porque em sã consciência, quem quer na sua empresa um coitadinho? Quem quer se relacionar com uma pessoa medíocre? Ninguém!

Gente, as pessoas montam em cima dos humildes. Aí no outro sentido da palavra, humilham mesmo. E não me venha dizer que nem todo ser humano é ruim porque é mentira. Ruindade ou bondade só depende da posição em que a pessoa está. Simples assim. Quem está por cima toma conta da situação, dá as cartas, normalmente para apenas e tão somente satisfazer o seu próprio Ego. Se você estiver sempre por baixo, é quase óbvio que sua autoestima estará baixa.

Se gostar de ser assim desse jeito, vai lá, siga em frente abaixando a cabeça para que os outros sempre dominem a situação, seja ela qual for.

Bater no peito e dizer que você é bom não é arrogância, é reconhecimento. Se você for bom, é claro. Se ainda não for bom em alguma coisa, prepare-se bem e assuma o seu papel de comando. A gente sente uma coisa boa quando temos consciência do que estamos fazendo.

Alguns ainda confundem simplicidade com humildade. Eu digo que as duas coisas são bem parecidas, mas com uma sutil diferença, ser simples não quer dizer simplório.

Enfim, o que quero passar aqui é um recado bem fácil de entender: Sabe aquela gente que afirma “ser difícil falar de si mesmo”? Pois é, se a própria pessoa não consegue falar de si, provavelmente é porque ela não tem nada de interessante para oferecer.

Aprendi muito cedo a bater no peito e isso sempre ajudou minha autoestima. Bato no peito quando sou bom e bato no peito quando sou ruim. Sei as minhas qualidades e meus defeitos. Não uso meus defeitos para me fazer de humildezinho ou coitadinho.

Uso meus defeitos como sinal de alerta de que preciso melhorar naquele ponto específico. Uso minhas qualidades para reforçar minha autoestima e mantê-la elevada, porque se eu não fizer isso por mim, pouca gente vai fazer.

MM

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Qual sua real idade?

Outro dia postei no Twitter uma frase de Confúcio, uma pergunta na verdade: Qual seria sua idade se você não soubesse quantos anos tem?

Essa coisa de idade sempre me incomoda. Já escrevi sobre isso. Estar perto de completar 50 anos não me incomoda não. O que me intriga é por que não consigo ser velho? Muita calma nessa hora: Não tenho Síndrome de Peter Pan, não é isso. Mas eu acho, já até quis isso, que deveria ser mais “velho” do que realmente sou. Não em idade, mas em comportamento.

A verdade é que sempre achei que a idade ideal de uma pessoa é 35 anos. Eu me sinto com 35 desde que eu tinha 20. Ora, não é justo que agora com quase 50 eu me sinta diferente… Se quando novo me sentia velho, é justo que velho me sinta novo…

Tudo bem que às vezes eu passo dos limites e volto a ter 17, mas só quando vou para a praia fazer meus experimentos com bombas. Devo ter uma veia terrorista. No bom sentido… Meu companheiro de experimentos é meu querido primo, atualmente com 53. Sim, já conversamos seriamente sobre esse nosso comportamento esquisito. Ele também se sente bem mais novo do que a realidade, mas chegamos à conclusão de que somos responsáveis na hora certa e moleques quando temos essa possibilidade.

Muita gente falou comigo sobre esse assunto. A maioria com mais de 30 queria voltar a ter os 30. Alguns com mais de 40 vivem como se tivessem 18 e aí a coisa fica completamente descabida.

O que eu sei é que aquela coisa que muita gente acha clichê é verdade: A idade está na mente.

Respondendo a pergunta especificamente, eu falei que gostaria de estar com 35 anos. Mas isso não é uma resposta, é um desejo… Pois bem, se eu não soubesse quantos anos eu tenho, diria que… que… ah, não sei. Meu comportamento é de alguém mais novo, entretanto fisicamente não sou mais um garoto. Em todos os sentidos. Não posso mais “jogar bola” como um cara de 20 e muito menos posso sonhar em ter mais de uma artista da Globo na cama a não ser que seja para dormir ou assistir ao último capítulo da novela, nada além disso, se é que me entendem…

É ridículo ver uma mulher vestida como uma menina? Ora, quem somos nós para julgá-la? Quando olhamos um casal com diferença grande de idade ficamos abismados, não é? Pois bem, isso é pura inveja.

As pessoas às vezes me olham torto porque na minha idade eu prefiro tênis e caça jeans a sapatos de cromo alemão e terno… Me olham feio porque uso brinco… Me dão bronca porque faço molecagens na praia… ora, façam um favor a si mesmos: Vão cuidar dos seus problemas!

O engraçado dessa coisa de idade real, mental, física ou qualquer coisa que o valha, é que ficamos presos nesses padrões da sociedade depois que crescemos. As crianças podem viver em paz, livremente, fazer o que bem entenderem. Já quando no tornamos adultos, vivemos nos censurado e policiando. Isso pode, aquilo não e assim por diante. Sem falar que os outros também nos vigiam, julgam e, na maioria das vezes, condenam.

Na boa… pro inferno com a sociedade. Há muito tempo eu percebi que as pessoas têm problemas graves, distúrbios severos mesmo. Parece brincadeira quando a gente vê alguém que mal se aceita ou que passa o tempo todo pensando e cuidando da vida dos outros, mas isso são problemas bem mais graves do que essa gente imagina.

Pior, é contagioso. Com o tempo nossos Egos incorporam esses padrões que ninguém sabe quem é que definiu como certo, errado, aceitável, etc. e acabamos embarcando nessa onda. Não dá para deixar os outros definirem como é que temos que nos comportar, não tem cabimento.

Olha, a única coisa que eu penso e passo para clientes, filho, amigos é o seguinte: Use o bom senso. Sempre, em qualquer lugar… com qualquer idade. O resto é bobagem. 

MM

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Caixão com gaveta

Domingo passado na missa, encerrando sua fala e em tom de puxão de orelha, disse o Padre aos fieis que mais pareciam estar num desfile de modas: – Caixão não tem gaveta!

Ele até pediu desculpas pela dureza da expressão, mas é fato que a frase faz muito sentido, além de servir de alerta para quem se preocupa apenas com o consumo. Me incluo nesse meio, pois dou um significado ao dinheiro e às coisas materiais muito maior do que deveria.

Não vou e nem quero discutir a profundidade dessa frase, mas ela me deu uma boa ideia e por isso mencionei. Quero raciocinar de forma contrária a do Padre.

Digamos que os caixões tivessem gavetas, o que você colocaria dentro delas? Pois é, fiquei um bom tempo pensando nisso. O que será que eu levaria comigo quando fosse embora daqui? Além dessas coisas, digamos que a gaveta tivesse um espaço para levar realizações ou lembranças. Claro, ninguém aqui está pensando em morrer tão cedo, portanto vale também brincar com a imaginação e tentar pensar no que ainda falta realizar e, portanto, algo que valha à pena ser levado para o além.

Pois é, acho que vale fazer esse exercício de pensamentos, memória e imaginação. O que será que eu levaria… afinal de contas, uma gaveta de caixão não deve caber muita coisa.

Aí é que o bicho pega. Levar poucas e significativas coisas. Toda escolha envolve uma renúncia, então dói muito escolher um ou outro momento, uma ou outra coisa. Eu adoro dificultar a vida, não no sentido de arrumar problemas onde não existem, mas dificultar no sentido de aprofundar pensamentos. Acho que esse texto é um exemplo clássico disso.

Assim sendo, vamos limitar e dificultar tudo isso. Vale levar 3 coisas materiais, 3 lembranças e 3 realizações… sendo justo, por que não colocar na gaveta mais 3 sonhos, ou seja, algo que ainda não foi feito e que precisa ser realizado antes da hora que ninguém quer que chegue, chegar. Obviamente não vale pensar em 3 pessoas, seria uma sacanagem sem tamanho, né?

Deixem-me pensar num ponto importante. Acredito que exista algo do outro lado, ou melhor, espero que haja. Mesmo assim, não consigo imaginar como deve ser e… bem, não sabendo nada sobre isso creio que não deveria fazer minhas escolhas baseadas no conceito: O que será que é importante lá no além.

Toda essa limitação me remete então a pensar no que foi importante aqui. Não só no que foi como no que é e no que ainda vai ser. Essa brincadeira está ficando complicada. Pensar nisso no meio dessa madrugada fria onde eu deveria estar deitado e dormindo pode causar sérios danos. Nem que sejam danos ao meu necessário sono. Mas vamos em frente, já enrolei muito.

Três coisas… Como é difícil. Sou super possessivo, consumista e adoro tudo o que tenho, mesmo sendo um cara que volta e meia limpa os armários e separa muita coisa para doação. Ai, ai, ai. O que colocar nessa gaveta? Um par de tênis? Um relógio? O Iphone? Cigarros? Um dos meus isqueiros Zippo? Ah claro, não posso deixar de levar minha TV. Se bem que no céu não deve ter NET então não valeria à pena… pronto, olha eu quebrando minha própria regra e pensando no que seria útil… além de pretensioso, nem sei se vou para o céu, mas esperança é a última que morre. Será que depois da própria morte esse ditado ainda vale?

Ok, coisas que gosto e ponto final: Tênis, relógio e… e… meu Iphone. Mesmo que não vá fazer nenhuma ligação, posso pelo menos Twittar. Agora três lembranças. Nossa, complicou de vez. Deixa eu pensar direitinho. Teve aquela vez que… não essa não. Mas foi tão marcante… Bom, marcante foi, entretanto não a ponto de levar para a eternidade. Ou será que sim? Deixa pra lá, lembrar disso me deixou triste.

Claro, essa aqui vale: A viagem para a Disney com o meu filho. Sim, essa vale, foi incrível. Se bem que o nascimento dele também foi uma experiência inesquecível. Pai coruja é assim mesmo, dêem um desconto, mas fico com a viagem. O nascimento foi mais importante, emocionante, mas a viagem foi mais divertida.

Ainda faltam duas. Dificultei tanto que agora sinto que serei injusto com minhas próprias escolhas. Ah esse nosso Ego-Sistema, é só um exercício, uma brincadeira e já estou me sentido culpado sei lá por que se nem escolhi ainda. Vale pular essa parte? Vale sim, o Blog é meu.

Agora as três realizações. Não fiz nada de significativo para o mundo, mas fiz muitas coisas que marcaram profundamente minha vida. Escolher três é que são elas. Meu primeiro livro, sim evidente, foi uma coisa que eu desejei muito. Outra coisa, sem citar nomes, ter colaborado na recuperação de certa pessoa que estava, literalmente, abandonando a si mesma. É, sem dúvida alguma essa não pode ficar de fora. Vou deixar em branco esse último espaço… todas as coisas que pensei são bem parecidas em termos de “pontuação”, melhor não escolher para depois me arrepender.

Continuando, três sonhos… isso é desumano, fazer esse exercício e levá-lo a sério é maldade. Tenho muito mais do que três coisas que quero fazer. Porém, só poderia levar três comigo… Então, uma deles é lançar um livro que estou escrevendo e que é um grande desafio para mim, Ego-Sistêmico Master Plus: Escrever na terceira pessoa e não na primeira como faço. Não levaria comigo o livro e sim o conceito da superação, conceito de “vencer um desafio”.

Os outros dois não sei ainda, mas provavelmente a lembrança de uma viagem que ainda não foi feita e também, por que não… ah, esquece. Não quero mais falar disso.

MM

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Vazio

Fazia tempo que não escrevia por aqui. Aliás, fazia tempo que não escrevia em lugar algum. Acho que é esse o motivo desse título: Vazio. Se bem que há outros motivos. Vamos lá tentar explicar tudo isso direitinho.

 Ontem conversava com uma amiga que está sentindo essa sensação de vazio por um motivo que não vem ao caso comentar, mas é algo que a está abalando muito. E olha que ela sente isso por antecipação, pois o evento em si, a perda, ainda não se deu.

 É bem por aí. Antecipamos o sofrimento. Coisas do nosso Ego-Sistema, somos mestres em sofrer por coisas que podem nem acontecer.

 Toda perda é uma espécie de luto. Uma amizade, o afastamento de um filho, a própria morte nem preciso comentar, um relacionamento, enfim, tudo isso é o que os psicólogos chamam de luto. Segundo eles, há que se “elaborar o luto”, uma espécie de processo que vai arrumar a casa depois de uma perda, um processo que vai ajudar a preencher espaços vazios. Não é nada fácil. Todos nós já passamos por algo assim na vida e basta dar uma olhadinha para trás para ver o quanto doeu.

 Isso em relação a pessoas. Mas e no caso de “coisas”? Será que as sensações não são meio que parecidas? Pois é, ando pensando nisso. Tenho medo da perda, acho que todo mundo tem, mas eu tenho muito medo de perder coisas, além de pessoas, claro.

 Hoje meu medo, sem contar as coisas de um passado recente que andei perdendo, é de perder a inspiração para escrever. É a coisa que mais amo fazer e felizmente por um lado e com certeza infelizmente por outro, tenho escrito bem menos do que gostaria. O trabalho está tomando a maior parte do meu tempo e isso é ótimo por diversas razões: A mente fica ocupada e não pensa besteiras, não lembra de coisas que afetam ou afetaram nossa história etc., etc.

 O lado ruim é que fico sem tempo para escrever e, por que não assumir, sentir saudades de outros momentos da vida. Saudades estas que também fazem certo mal, pois remetem a tal sensação de vazio ocasionada pelas perdas…

 Não sei muito bem como explicar tecnicamente certas coisas, mas é fato que todos nós temos algum luto, alguma perda em nossas vidas que insistimos em manter vivas dentro de nossa memória. Já escrevi tantas vezes que o passado deve ficar no passado, coisas ruins devem ser deixadas para trás, mas há uma tendência nossa a não se livrar de alguns desses momentos.

 Por que será? Me pergunto isso tantas vezes quando estou na frente do espelho e não consigo arrumar nenhuma resposta que me convença a não ser uma: Porque independente da dor da perda, o prazer da recompensa pelos momentos marcantes é sempre maior.

 É isso que penso. Inevitável sentir a dor de alguma perda, aquela dor vazia, aquele buraco no estomago, ou melhor, na alma. Por outro lado, passado o instante da dor pelo momento da perda, sempre surge a sensação deliciosa do prazer, da recompensa por ter vivido tanta coisa boa.

 Ontem eu estava desse jeito. Ocupado até não poder mais, porém, com uma sensação de que estava faltando algo. Escrever é uma necessidade para mim, quase que vital. E como ando muito relapso, isso provocou um buraco sem fim.

 Depois de passar boa parte da madrugada escrevendo para meu site, escrevendo este texto e também em meu Blog/Diário fechado ao público, a sensação continuou… vai saber por que…

 Ou melhor, saber eu sei: Deve estar faltando uma melhor elaboração de certos lutos… colocar o vazio num lugar mais cheio…

 MM

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Intolerância Zero

Ando meio assustado com a intolerância que reina por aqui. Não sei se por aí onde você está lendo isso também acontece, mas aqui em São Paulo a coisa está feia.

Nem o tal Espírito Natalino muda certas pessoas. Claro que estou brincando, a maioria nem faz idéia do que se trata o Natal, querem apenas consumir e ponto final. Mas a verdade é, agora sem brincadeira, que as pessoas estão completamente desgovernadas, descontroladas e isso me faz pensar que somos talvez a pior espécie de animais que habitam o planeta.

Por uma simples razão, somos dotados de inteligência. Quer dizer, isso é o que dizem alguns cientistas, eu discordo veementemente. Acho que somos dotados de consciência e nem todos de inteligência. Ora, se em teoria somos conscientes, por que é que muitas vezes agimos como perfeitos idiotas sem um pingo dessa consciência?

Eu não tenho essa resposta. Infelizmente. Mas é fato que somos meio hipócritas e nessa época do ano tentamos – em teoria – nos abastecer do tal Espírito Natalino para que tenhamos todos um melhor convívio em sociedade. Em teoria, não na prática.

O mesmo cara que fecha o cruzamento numa esquina – consciente do que está fazendo – é o cara que reclama na esquina seguinte que fecharam o cruzamento por onde ele quer passar. Como pode uma coisa dessas? Qual regra é a que vale para um cidadão (Cidadão é pura força de expressão nesse caso) desse naipe? O que rege um cara desses? A regra do Vale Tudo? Vale tudo para ele e não para os outros, diga-se de passagem.  

Sábado fui ao supermercado mais caro de São Paulo, queria comprar um produto que só vende lá e obviamente aquilo estava lotado como sempre. Em teoria estava num ambiente onde as pessoas tiveram acesso à educação, certo? Com toda certeza desse mundo, pessoas abastadas financeiramente tiveram boa educação, boa formação e uma ótima noção de civilidade.

Bobagem, isso é só mais uma teoria infundada. Em determinado momento, um senhor na casa dos setenta anos atravessa com seu carrinho os corredores com pressa. Sem nenhuma cerimônia ele batia com seu carrinho nos outros tentando na base da força seguir seu caminho. Ele deixou todo mundo estressado. Claro que eu e um rapaz atrás de mim tentamos chamar a atenção dele, mas inutilmente, ele seguiu seu percurso como se estivesse sozinho no mundo.

Cadê a educação do tal sujeito? Cadê a tolerância? Sim, ele tem a obrigação de ser tolerante, afinal de contas, ele é – ou deveria ser – consciente de que sair para fazer compras em qualquer lugar nessa época do ano, vai ter que trombar com um monte de gente fazendo a mesma coisa. No caso dele, trombar literalmente.

Ser tolerante não tem nada a ver com ser bobo, babaca. Tem a ver com educação e respeito. Não falo em tolerar o cara que fecha o cruzamento, falo em tolerar o trânsito, em ter consciência de que tirar o carro da garagem significa conviver com outros motoristas que estão fazendo a mesma coisa que você.

O que todo mundo quer, afinal? Sair de casa sozinho? Um shopping ou supermercado só pra si?

Ok, eu também quero. Também sou muito intolerante com outras pessoas, mas tento me policiar, tento não causar transtorno, mas é óbvio que viro um ser intolerante quando vejo certas coisas. Sabe aquela coisa de círculo vicioso? Uma coisa puxa a outra e assim por diante. Quando nos damos conta, estamos no meio do inferno, em outras palavras, no meio do caos.

Mas notem, caos gerado por nós mesmos. Se pudéssemos simplificar as coisas, diria aos que saem de casa para se estressarem e estressar o próximo, que ficassem em casa. Simples assim, não quer tumulto, fica em casa, oras bolas.

Acho que tá na hora de alguém começar a quebrar essa corrente, esse círculo. Ter consciência de que isso faz mal à saúde, nossa própria, dos outros e da sociedade como um todo. Como fazer isso é a questão a ser resolvida.

Alguém tem que começar e aí, quem sabe um dia, todo mundo se respeite. Uma das minhas metas para 2010 será justamente essa, ser mais tolerante porque eu ando impossível. Talvez tenha entrado nesse círculo e me contaminado.

Porque consciência eu tenho, você tem, todo mundo tem, basta apenas ter como meta a Intolerância Zero. Será que ando sonhando demais?

MM

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A Força do Improvável

Essa coisa de improvável parece um tipo de sonho. Normalmente os sonhos são improváveis, tanto os que sonhamos dormindo quanto os que sonhamos acordados. A verdade é que a maioria deles não tem nenhuma chance de acontecer, pelo menos não exatamente da maneira que foi sonhado.

Mas de um modo geral, acho que o improvável é o que faz a diferença. É o que marca nossas vidas. Todo mundo é muito parecido em relação a isso. O improvável é diferente da surpresa, é diferente do previsto, improvável é algo que não tem chance de acontecer. Ou melhor, o que não teria a menor chance de acontecer, em teoria.

O que estou dizendo tem a ver com a nossa intrínseca racionalidade. Por mais sonhador que seja um ser humano, ele sabe que, racionalmente, algumas coisas são improváveis. A tal da razão sempre, ou quase sempre, aparece para nos dizer: Ei, acorde, você está fora da realidade.

Pois é, quando isso acontece, obedecemos a ordem da mente e acordamos. Mas em alguns momentos o tal do improvável dá as caras e… bem, se torna possível.

Levamos um susto, não é? Afinal de contas, até o minuto anterior da “coisa” acontecer, independente do que seja, era improvável. Sim, isso assusta, nos tira o ar dos pulmões, nos tira o chão.

Mas uma vez que algo assim aconteça realmente, o que fazer? Como lidar com isso?

Não é nada fácil. Lidar com o improvável requer calma, paciência, sabedoria, entendimento, enfim, requer algo completamente oposto do que somos em essência. Nossa natureza é imediatista, é ansiosa e quando o improvável acontece essa mistura é explosiva, ou no mínimo, bem perigosa.

Sendo ansiosos, imediatistas ou seja lá o que for, podemos destruir o improvável quando este é bom. Por outro lado, se for algo ruim, sendo desse jeito é uma verdade absoluta que não vamos conseguir nos livrar do “improvável do mal”.

Deixemos o improvável ruim fora disso. Vamos nos ater no improvável bom. Com certeza, por não ser impossível, apenas improvável, a coisa já foi sonhada um dia. Apenas não vimos durante o sonho a probabilidade de acontecer.

Ora, quem é que disse que a vida é uma fórmula matemática onde as coisas podem ser definidas como prováveis ou improváveis? Melhor dizendo, quando sonhamos com alguma coisa não devemos e nem podemos tentar calcular dessa maneira. Não dá para colocar os sonhos numa tabela, numa lista de prováveis e improváveis.

Os sonhos são possíveis ou impossíveis. E não venham me falar que todos os sonhos são possíveis porque sabemos que não são. Os gurus da auto-ajuda vivem tentando nos enfiar na cabeça o contrário, mas eles mentem. Temos é que sonhar de acordo com a realidade… Nossa, que frase mais doida…

Mas é isso mesmo. Temos que sonhar de acordo com nossa capacidade. Por exemplo, eu não posso sonhar em me tornar um piloto de Fórmula 1 aos 49 anos. Não dá! Meu peso está fora dos padrões e minha idade absurdamente acima. Em suma, cada sonho tem sua hora para ser sonhado. Se eu realmente quisesse uma coisa dessas, devia ter pensado nisso antes.

E isso vale para tudo. Ou quase tudo. Para as coisas do coração, por exemplo, não vale. Você pode sonhar com uma pessoa a vida toda, mas aquela pessoa impossível de se ter mesmo… e um belo dia vem o tal do improvável e joga a tal pessoa em seu colo.

Para o amor não existe o sonho impossível. Apenas para o amor. Muito menos o improvável.  Todos nós temos em nossas vidas dezenas de exemplos, essas coisas acontecem o tempo todo. E se ainda não aconteceu, podem ter certeza, vai acontecer.

É mais ou menos o que disse para uma amiga um dia desses, ela está vivendo algo que até um determinado momento era considerado fora de propósito:

- Se está acontecendo é porque não era improvável. Só não estrague tudo achando que é impossível.

MM

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Epidemia de Angústia

Semana passada a revista Veja trouxe uma reportagem muito legal em sua capa, pena que era mais voltada para o que eles chamam de Auto-ajuda Espiritual do que para o comportamento, mas mesmo assim, achei interessante.

Num determinado momento, a revista chama atenção para um sentimento que parece contaminar grande parte das pessoas, a angústia. Ok, não é tão difícil assim constatar que nós humanos vivemos angustiados, mas o que me tira o sono é tentar descobrir os porquês, tentar descobrir se há cura ou apenas trocamos de angústia.

Mais ou menos assim: Você está angustiado com alguma coisa em sua vida, busca ajuda em terapias, processos de coaching, livros, religião, enfim, qualquer tipo de ajuda e resolve o problema. Um minuto depois, outra coisa passa a te angustiar e tudo volta à estaca zero.

Angústia é uma palavra bem forte, parece até que anda meio banalizada tamanha freqüência com que aparece na boca das pessoas. Mas não devia ser assim. Deveríamos tratar essa dor como algo muito sério e não banal.

Por mais que a vida cause certas angústias, há que se tentar tratar isso e não generalizar para todas as dores. Nem toda dor é angústia. Devemos pensar para falar certas palavras. Dizer-se angustiado a cada problema que surge é exagero e só faz piorar o que sentimos de fato.

A reportagem trata bem essa questão, sem banalizar o sentimento. Alguns exemplos descritos no texto são angustiantes mesmo, mas no mundo real, vejo que há sim uma desvalorização da palavra e desse sentimento que causa uma dor terrível no peito. Por outro lado, percebo que também é verdade que há um aumento de pessoas que se sentem verdadeiramente angustiadas.

Esse sentimento aparece quando nos sentimos impotentes diante de uma situação e não quando se pode resolver uma questão com uma ou algumas atitudes relativamente simples. Falo relativamente por causa dos pesos, dos significados que cada um dá a seus problemas. Mas em linha geral, a falta de atitude é o que impera, a falta de coragem para dar o próximo passo que poderia tirar a pessoa daquela situação em que se encontra e que erradamente chama de angustiante.

Angústia é aquele aperto no peito que sentimos diante do que não temos controle. Não sei se consigo me fazer entender, mas pelo menos comigo, sinto-me angustiado quando a solução de uma questão não depende só de mim. É a espera, é a ansiedade, é algo que não está sob meu inteiro comando o que me angustia. Diante disso, não sei mesmo o que fazer para aliviar a tensão que a angústia causa. Já confundi sentimentos como todo mundo, mas também já consigo isolar cada um deles, dando os nomes e significados certos a cada um.

Não é fácil, é um processo lento, mas tem que ser feito. Detectar cada dorzinha isoladamente faz com que talvez achemos a solução de forma mais fácil no futuro. Já falei aqui que uso uma espécie de compartimentos mentais, onde procuro colocar cada coisa em seu devido lugar.

Há, nesse “armário mental”, uma gaveta só para as angústias. Não são poucas. Cada vez que abro para colocar uma angústia nova, vejo as velhas que ainda apertam o peito. Umas sem qualquer possibilidade de obtenção de respostas nessa vida, outras ainda esperando a boa vontade das “outras partes” envolvidas, algumas esperando ajuda Divina, outras esperando que eu re-signifique para colocar em outra gaveta, enfim, coisas que provocam angústia não faltam nesse mundo.

Mas há que se fazer algo, pelo menos para aliviar toda essa tensão. Há que se tentar buscar as respostas, os caminhos. Nem que seja aos poucos, um passo de cada vez, mas com um objetivo claro. Tudo bem que a ansiedade nos leva a querer resolver tudo de uma vez, mas estamos falando aqui de angústias, certo? Que são aquelas coisas que não dependem só da nossa vontade… Infelizmente.

Olhando mais a fundo essa questão toda, será mesmo que há uma epidemia de angústia ou nós é que temos a tendência de supervalorizar os problemas? Olhando bem de perto, cada coisinha, será que não dá mesmo para resolver um monte delas? Será que às vezes não somos covardes diante das dificuldades? E só mais uma perguntinha: Será que as soluções, as respostas estão mesmo fora do alcance das nossas mãos?

Vou pensar sobre isso e quem sabe encontro as respostas…

MM

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Enganando a Mente

Pois é… aqui estou eu, pensando em coisas. Incrível a capacidade da mente humana. Dizem os cientistas que nem dá para medir isso. Realmente é uma loucura pensar em tudo o que essa coisa que nem conseguimos “pegar” ou sequer entender é capaz de fazer.

Como temos consciência que podemos enganar – ou tentar – nossa mente se é justamente ela a responsável pela parte consciente de nós mesmos? Vixi! Viajei na maionese…

Desculpem, mas acho que ando bebendo muita Coca Zero. Deve ter afetado alguma coisa.

Mas é isso o que acontece, passamos boa parte do nosso precioso tempo aqui nesse Planeta tentando enganar nossas mentes. Se estamos com um problema – desde que não financeiro – uma passadinha no shopping resolve. Nada como bolsas, sapatos, tênis e relógios para nos fazer acreditar que o nosso mundinho particular é cor de rosa. No caso dos meninos, azul. No caso dos gays, um arco-íris.

Um novo casinho sem importância cura uma ferida aberta deixada pelo ex-amor. Uns goles a mais eliminam qualquer angústia sentida. E assim por diante…

Nós temos uma capacidade tão grande de nos enganar que nem levamos em conta que essas supostas soluções são absolutamente temporárias. Conheço gente que para fugir de problemas familiares resolve dar um tempo em outro país, esquecendo-se evidentemente que uma hora ou outra vai ter que voltar e encarar o problema de frente.

O que somos, afinal, seres fracos? Bem, a coisa não pode e nem deve ser definida assim como se fosse um laudo simplista. Fraqueza todo mundo tem, mas daí a afirmar que somos fracos é exagero. Ter fraquezas não torna uma pessoa fraca indefinidamente. Ainda bem.

O Ego tem lá seus mecanismos de defesa. Se quiser saber mais a respeito, basta procurar no Google que você encontrará explicações e mais explicações sobre isso. A grande sacada nem é ficar preso às teorias e sim detectar isso e lutar contra.

Quando estudei psicologia, falávamos muito sobre esses mecanismos. Prepotente que sou, cheguei a propor em classe que o nome Mecanismos de Defesa deveria ser substituído por Mecanismos de Ataque.

É o que penso. O que teoricamente deveria nos defender, a longo prazo acaba por nos atacar.

Não conheço uma só pessoa que não faça uso desses mecanismos, seja lá em qual situação for, pois existem vários desses dispositivos. Sim, agora me lembro bem, usei a palavra dispositivo como se fosse uma espécie de detonador, daqueles de filmes com explosões.

É isso o que causa usar indiscriminadamente, explosões. Quem usa excessivamente os mecanismos de defesa do Ego acaba por explodir, ou implodir.

Quando explodimos, extrapolamos e saímos destruindo tudo o que está em nossa volta. As relações, o trabalho, a família, enfim, tudo. Quando implodimos, aí é pior porque nos destruímos. Pensamento egoísta, não? Falar que implodir é pior do que explodir… Mas é assim que todo mundo pensa, alguns como eu têm a coragem de assumir, nada além disso.

A vida cobra a conta, com o passar dos anos descobrimos que nos “defendemos” da realidade, para não dizer, substituímos. Mal se corta pela raiz. Depois que a “arvore” cresce é bem mais complicado derrubar.

Eu vivo me enganado, ou melhor, tentando tapar o sol com a peneira. Tento não fazer isso, mas é mais forte que eu. Por enquanto. Já fui pior, é claro. E, se já fui pior, significa dizer que hoje sou melhor. Pelo menos já sei detectar quando e como estou tentando enganar minha mente.

E você, sabe? Faz algo pra evitar essa implosão que mais cedo ou mais tarde vai te assolar?

O que eu sei é que um belo dia acordei e lá na frente do meu espelho perguntei:

- O que você está tentando fazer com você mesmo? Não percebe que ficar se enganando o tempo todo é o mesmo que tentar se matar usando uma bala de festim?

MM

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Sintonia

Eis que surge a possibilidade de fazer uma palestra numa convenção de uma grande empresa que terá como tema, objetivo e metas para o ano que vem o conceito: Sintonia.

E o que vem a ser Sintonia? Segundo o dicionário, tirando-se o significado relacionado a sintonizar uma rádio, por exemplo, a idéia de sintonia é essa: Reciprocidade, harmonia entre seres, entre coisas ou entre seres e coisas.

E como é que se consegue isso? Tem pra vender na esquina? Depende. Se for algo como sintonizar um ambiente, sim, tem pra vender na esquina. Se for para sintonizar pessoas com coisas, sim também, basta você comprar o que realmente gosta, precisa e que faça você se sentir bem com o objeto.

Sintonizar pessoas com empresas não fácil, mas também não é impossível. Até podemos trabalhar em empresas que nos despertem alguma identificação, mas a verdade é que trabalhamos nas empresas que nos dão emprego. Mais ou menos como dizer que… somos escolhidos e não que escolhemos. Mas pode-se dar sorte, não?

Já a sintonia entre pessoas é bem mais complicado, isso não se cria, não se compra, apenas se detecta. Ninguém, quando conhece outra pessoa, sai correndo para o açougue comprar dois quilos de sintonia moída e sem osso.

Sintonizar pessoas é um processo de descobertas. Descobre-se gostos, afinidades, atitudes, percepções e por aí vai. Tudo isso vai criando uma identificação natural. Não é algo que possa ser imposto.

Se é impossível exigir que duas pessoas tenham a mesma sintonia, como fazer com uma empresa com centenas ou milhares de funcionários? (Me recuso a escrever “colaboradores” porque no meu entender, quem colabora trabalha de graça)

Não venham dizer que se deve criar um ambiente familiar porque aí eu passo mal. Nada é mais “fora de sintonia” do que uma família. Quando vejo alguém dizer que… “nossa empresa é uma grande família”, fico até tremendo, imaginando que se numa pequena família a coisa já desanda, como seriam as coisas numa grande.

Mas tem que haver solução, para tudo nessa vida há uma. O lance é descobrir o tal do “como”. O que fazer já se sabe, o problema está em como fazer. Não dá para simplesmente demitir todo mundo e contratar funcionários com a mesma sintonia. O desafio está justamente nesse ponto, criar um mecanismo para que haja – da melhor maneira possível – essa integração de mentes.

Quando se tem um desafio desse naipe, eu sugiro que se comece de baixo para cima, respeitando obviamente a meta imposta pelo comando da corporação. Recebe-se o objetivo que deve ter sido exaustivamente discutido por este comando e pula-se do topo da pirâmide para a base, começando lá de baixo a detectar a melhor maneira de se conseguir alcançar a meta estabelecida.

Sei que os exemplos devem vir de cima, mas num caso desses não. Até porque ninguém está atrás de exemplos e sim de soluções. Cabe à Diretoria estabelecer as metas e aos funcionários executá-las. Por isso chamo de funcionários mesmo, porque eles devem fazer a engrenagem “funcionar”. E isso é o que eu respeito. Mudar palavrinhas é pura perda de tempo e nesse caso, de foco.

Eu caminharia pelo envolvimento e pelo comprometimento. Mesmo sabendo que sintonizar várias mentes é intangível, acho que poderíamos chegar bem perto disso se houver uma conscientização de que todo mundo terá que deixar seus egos de lado para que a empresa atinja o nível de excelência que busca.

Deixar egos de lado é um dos processos que mais exige dos seres humanos. Todo mundo, o tempo todo, busca seus interesses em primeiro lugar. Ultrapassar essa barreira não é nada simples, mas bem possível e, uma vez que se consiga isso, ao menos dentro da empresa, tenho certeza de que o todo sairá beneficiado.

MM

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Thanksgiving Day

Hoje é Dia de Ação de Graças, feriado comemorado e celebrado nos Estados unidos e no Canadá, mas nada impede que outros países o façam. Lá em casa minha mãe comemorava esse dia sempre convidando pessoas diferentes para o famoso e delicioso peru. Ela queria que a idéia se espalhasse. Era bem intencionada essa minha mãe.

Basicamente é um dia de agradecimento, normalmente a Deus, pelas coisas boas que aconteceram durante o ano. Sempre é comemorado na última quinta-feira do mês de novembro.

Depois de mais um ano turbulento, recheado de altos e baixos – mais baixos do que altos – logo de manhã fui para frente do espelho e perguntei a mim mesmo: Agradecer o que, exatamente?

Pois é… sempre há o que se agradecer. Alguns agradecem por mais um ano vivido, outros pela saúde, alguns raros no meio dessa crise toda pelo sucesso financeiro, enfim, sempre há alguma coisa que devemos ou podemos ser gratos.

No meu caso eu posso agradecer algumas poucas coisas. Outras ainda não, mas quem sabe…

Normalmente agradecemos pouco e pedimos muito. Uma vez escrevi sobre isso, não sei onde exatamente está esse texto, mas lembro bem que disse que entramos na igreja para pedir e muito pouco para agradecer. Normal, eu que sou daqueles que vai à missa todos os domingos, me percebo pedindo bastante.

Naquele mesmo texto a que me referi, lembro de ter dito que sentia certa vergonha disso. Apesar de constar nas escrituras que devemos pedir sempre, eu me sinto meio constrangido. Coisas da minha cabeça doida.

Mas hoje é dia de agradecer, não de pedir. Então voltemos aos agradecimentos… Você aí do outro lado, tem algo a agradecer? Já pensou nisso hoje? Então pense…

Mesmo que não seja religioso, deve fazer esse balanço no dia de hoje. Sei de gente que jamais agradeceria certas coisas, como estar vivo nesse momento, por exemplo. Parece duro pensar assim, mas quem disse que a vida de algumas pessoas é moleza?

Para essas eu digo que devem agradecer mesmo contra a vontade. Passar por momentos difíceis na vida é inerente a tal “jornada aqui na Terra”. Alguns gurus dizem que são nos momentos ruins que a gente cresce. Concordo parcialmente com isso.

Sou adepto da auto-valorização do ser a qualquer custo. Sou integrante daqueles que pensam que devemos aprender com os acertos também. Mas é fato que nos momentos ruins e difíceis das nossas vidas é que exercitamos algo que todos têm, o que chamo de: Poder da improvisação.

Viver é isso, é improvisar o tempo todo, ou quase todo tempo. Sair de “sinucas de bico”, ultrapassar barreiras, desviar das pedras do caminho… uma porção dessas coisas todas.

Já encerrei um texto com um ditado que li certa vez e que eu simplesmente amo. Como estou no meu Blog e aqui posso tudo, encerro novamente com essa frase que é na verdade um pensamento a ser bem digerido. Não só digerido, mas também dirigido a essas pessoas que estão nesse momento passando por “apertos e angústias no coração”.

“Mares tranqüilos não fazem bons marinheiros”.

Assim sendo, aproveito para agradecer as tempestades desse ano. De alguma forma – que talvez ainda nem saiba qual – eu devo ter crescido um pouco mais por causa disso…

MM

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Culpas

Claro que nem podia ser diferente, o texto anterior, Virando a Página deu o que falar, recebi alguns comentários, alguns e-mails e troquei figurinhas sobre o tema com amigos pelo MSN. E o engraçado é que no meio de algumas conversas, apareceu a palavra Culpa. Ou melhor, o sentimento de culpa. Não sei por que, mas é o que aconteceu.

Se bem que pensando um pouco melhor, talvez essa coisa de Virar a Página tenha de fato alguma relação, por menor que seja, mas pode ter sim. Deve ser por que quando temos que tomar a atitude de virar uma página aparece aquela questão já comentada por aqui, o tal do… Mas e se… Ou seja, a dúvida do que estamos fazendo. Mas isso já foi amplamente discutido por aqui. Hoje tenho que falar sobre Culpa.

E eu odeio esse sentimento. Já houve um tempo em que me culpava por tudo e mais, carregava algumas culpas que nem minha eram. Sabe aquela coisa de Mártir? Pois é, algo parecido. Tudo o que acontecia na minha vida eu dava um jeitinho de colocar uma dose extra de culpa no meio. Quando falo tudo, entenda-se TUDO! Coisas das minhas relações com namoradas, amigos, família, situações adversas no trabalho, enfim, qualquer coisa mesmo. Como se o Sol girasse em torno do meu próprio umbigo.

Eu devia é sentir culpa dessa bobagem, mas não, sentia culpa mesmo por qualquer coisa. Um perfeito idiota fraco de cabeça. Sim, é o que penso sobre quem tem essa tendência de ir pegando culpas pelo caminho.

As pessoas são ruins. Ser humano é chamado assim, mas de humano não tem nada. Claro, falo aqui da maioria e não de todos. Alguns ainda têm salvação. Digo que eles são ruins porque quando podem, jogam pra cima de outro ser humano todas as culpas que puderem. As que são deles e mais algumas outras que é pra deixar o fraco – aquele que aceita isso – bem mal mesmo. Não sei por que é que fazem isso, mas fazem.

Bem, tem uma explicação. Apontar os dedos é bem mais fácil do que reconhecer a verdade. E esse reconhecimento deveria funcionar não só quando alguém é culpado e joga essa culpa em cima do outro, como também reconhecer se há de fato algum culpado. Mas não é assim que somos não, adoramos sair apontando dedos e culpando Deus e todo mundo. Só um parêntese: Culpamos Deus também. O tempo todo.

Há coisas que somos culpados, feitas deliberadamente ou sem querer, a verdade é que fazemos coisas erradas. Sobre essas coisas, normal sentirmos culpa. Mas como explicar aquela culpa que sentimos quando não temos nada a ver com a “coisa” em si?

Às vezes, como disse, jogam em cima da gente e a coisa gruda. Lembrando que gruda porque somos fracos e permitimos isso. Outras vezes nem precisam jogar, a gente sai por aí catando culpas e pior, absorvemos isso com uma “clareza” que é impressionante. Clareza cega, eu diria se estivesse a fim de brincar com as palavras. Como não estou, digo clareza porque parece tão nítido que a culpa é nossa de verdade que vou te falar, viu.

Como disse, eu já fui desse jeito. Mas um belo dia, essa visão foi clareando e eu percebi que de burro não tinha nada, ao contrário, sem falsa ou verdadeira modéstia, me sinto um ser dotado de inteligência. Ora, se sou inteligente, porque é que não via as coisas com imparcialidade? Por que não julgava e analisava tudo com imparcialidade? Resposta simples, porque minha suposta inteligência era burra.

A solução para isso é essa, analisar de fora para dentro. Pegue a situação ou a questão que esteja lhe fazendo sentir culpa, saia da sua mente – ou seja, tente ver com clareza toda a situação sem qualquer tipo de sentimento – e decida se você tem ou não alguma responsabilidade. Adoro trocar a palavra culpa por responsabilidade. Enfim, analise com a imparcialidade de um juiz, mas um juiz sério e não corrupto.

Somente fazendo isso você poderá ter todo o controle e equilíbrio necessários para ter uma resposta honesta, seja para com os outros, seja para você mesmo.

Permitir que outros seres “humanos” joguem nas suas costas as culpas que não lhe pertencem é sinal de fraqueza. E podem ter toda certeza do que vou dizer agora: O mundo precisa de gente forte, pois já há fracos demais espalhados por aí.

Se puder dar um conselho e eu posso, jogue fora o que não é seu, me entende? As culpas que não lhe pertencem, esse peso extra que carrega. Tenho certeza que se fizer uma avaliação nesse momento, verá que não é culpado de muita coisa.

MM

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Virando a Página

Por que será que temos tanta dificuldade em virar a página? Que força é essa que nos prende em coisas ou pessoas que não merecem mais nossa atenção? Ou pior, que nos fazem mal? Pois é, essa força deve ter um nome, mas eu não sei qual é, apenas sei que ela existe.

Pode ser até mesmo algo bem louco e que só existe em nossas mentes, aquele sentimento besta que temos… ruim com ele, pior sem ele. Isso vale para tudo e não só para relações entre pessoas.

Eu leio muito, vejo filmes, analiso personagens, até novela ando vendo para ver como os autores constroem seus heróis e seus bandidos. Leio alguns Blogs, às vezes uns bem pessoais mesmo, como eram pra ser os Blogs que nasceram para ser diários de quem os escreve. Leio cada coisa, cada sentimento profundo, cada medo…

Não sei se tem algo a ver com culpa ou até mesmo com aquela tendenciazinha que temos de ser masoquistas, já tão falada nesse Blog aqui. O fato é que todo mundo está sempre preso a um sentimento ruim do passado, da página anterior. Quando pensamos em virá-la, sei lá o que acontece que surge uma força que nos imobiliza a mão impedindo que passemos a escrever a página seguinte. O tal do próximo passo.

Claro que em algum momento a gente rompe essa barreira, afinal de contas, se não fosse assim, todos nós estaríamos presos às nossas primeiras páginas. Sim, a vida é um grande diário e mesmo para aqueles que não colocam suas experiências num caderno qualquer, temos uma espécie de diário mental e lá ficam escritas todas as coisas que fazemos, tudo o que sentimos, toda a nossa percepção do mundo, das pessoas e de nós mesmos.

Pior é que quando temos que “virar uma página”, seja lá a questão que for, jamais nos lembramos como fizemos na última vez em que fomos obrigados a fazer o mesmo. Não usamos nossa experiência e nem a memória para tomar uma atitude parecida. Dá medo, volto a repetir, medo do… ruim com ele, pior sem ele. E isso é uma afirmação quando deveria ser uma pergunta.

Se fosse uma pergunta, todos teríamos a resposta na ponta da língua. Como afirmação ficamos imobilizados nessa crença estúpida.

Cordão umbilical se corta com tesoura bem afiada e não com faquinha de plástico de rocambole Pullman. Acho até que se pudéssemos escolher quando recém nascidos, jamais cortaríamos os nossos cordões umbilicais que nos prende em nossas mães, afinal de contas, é uma situação confortável, não?

Pois é, na vida, mesmo que a situação não seja tão confortável, sempre damos um jeitinho de enganar nossos próprios sentimentos para transformar algo ruim em algo confortável. Tudo bem, temos de verdade que tirar algo de bom de tudo o que nos acontece, mas inventar coisas boas já é um pouco demais.  

Aprendi muito cedo a cortar as coisas, eliminar da vida o que não me faz bem. Desde a minha adolescência eu entendi que tinha que virar a página sem medo. Seguir os instintos. O problema é que a adolescência passa e quando nos tornamos adultos temos mais bagagem para levar em conta e mais medo também.

Atitudes que tomava instintivamente passaram a ser ponderadas e mesmo quando havia a certeza de que virar a página era o caminho certo, aquela pontinha de medo surgia. Felizmente nunca me senti bloqueado, apenas temporariamente imobilizado.

Acho que isso acontece com todo mundo, mais cedo ou mais tarde quebramos o gesso e seguimos em frente. O problema é o tempo que ficamos engessados e no pior cenário, conscientes de que temos que romper certas barreiras e não fazemos nada.

Eu preciso fazer isso urgentemente numa área da vida. Felizmente não é nada relacionado a pessoas, essa parte da vida eu já arrumei. Já rompi com quem deveria, já virei páginas e mais páginas, deixando cada coisa no seu devido lugar, lá no passado de preferência.

É a parte mais difícil de equacionar. Ninguém vive sem se relacionar e quando há que se deixar no passado as experiências e as pessoas com quem tivemos algum tipo de convívio é bem complicado, mas absolutamente necessário.

Ando lendo muita coisa. Ando percebendo muita tristeza nas pessoas e na maioria das vezes essas questões estão ligadas às relações. É preciso tomar uma atitude definitiva, é preciso cortar os cordões, é preciso virar a página e começar a escrever novas histórias, tendo em mente que nada nessa vida vai durar para sempre. Infelizmente, eu sei.

Como todo mundo, já tive e ainda tenho passagens que gostaria de perpetuar, mas por outro lado, também já tive muitas que quis e consegui interromper.

De qualquer forma, sejam boas ou ruins, tudo o que já foi escrito, ficou para trás. A dica que eu dou é o que faço: Não se deve ficar relendo essas coisas todos os dias, aliás, nem de vez em quando que é para não ter nenhum tipo de recaída que não vai levar a nada, a não ser a mais sofrimento.

MM

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Uma Certa Realidade

Nossos problemas pouco interessam aos outros. O problema dos outros também não nos interessa. Isso a grosso modo, pois eu trabalho exatamente com gente, minha função é sempre estar interessado nos problemas dos clientes.

O engraçado é que para mim nem é obrigação, é prazer. Tudo bem, alguém aí do outro lado deve estar fazendo aquela cara de interrogação, tipo… como pode alguém sentir prazer em ouvir problemas dos outros… Mas é verdade, eu tenho mesmo.

Desde sempre. Como fiz aniversário ontem, acabei fazendo aquele balanço que todo mundo faz quando há uma data importante e forcei a memória para me lembrar quando é que comecei a me interessar pela vida dos outros. Não na base da fofoca não, falo de interesse mesmo, uma coisa verdadeiramente preocupada em melhorar o estado de espírito das pessoas.

Deve ser vocação ou sei lá o que, mas é verdade que desde muito novo ouvia as pessoas. Apesar de falar pelos cotovelos e também pela boca, tenho que assumir que sou bom ouvinte. E isso ajuda muito a quem está com uma angústia entalada na garganta.

Compreender as pessoas não é nada fácil. Nem sempre consigo ou consegui ajudar, nem sempre tenho algo a dizer que possa aliviar o problema de alguém, mas acho que só pela tentativa já é um certo tipo de ajuda.

As pessoas têm problemas, muitos mesmo. Uns negam, outros fingem ser felizes, outros não enxergam a realidade e… Bem, escrevi tanto até agora e não disse absolutamente nada, não é? Pois então, vou dizer agora sobre o que quero falar: Realidade.

A realidade é o que afinal? O que todo mundo vê ou algo individual, uma coisa que só a própria pessoa vê? Quantas vezes a gente não fala para os amigos: Você não está enxergando a realidade…

E o que é que isso quer dizer? Que nós, os todo poderosos Deuses do Universo somos capazes de enxergar melhor do que quem está dentro do problema? Parece-me uma prepotência ou uma pretensão danada.

Mas somos assim mesmo, acreditamos que somos capazes de ver o problema do outro melhor do que quem está com o problema. Somos mesmo seres bem estranhos. Mal levamos em conta o que as pessoas pensam, crêem, sentem e já as rotulamos de cegas. Cegueira não seria exatamente isso, não ver como é que o outro percebe sua própria existência?

Pois é, não é nada fácil lidar com gente. É preciso fazer bom uso da empatia e, uma vez no lugar do outro, tentar entender porque a pessoa enxerga as coisas dessa maneira. Todo mundo tem um motivo para fazer o que faz, para sentir o que sente, para ver o que quiser e mais, para viver da maneira que lhe cabe dentro do que conhece de si mesmo. Complicado isso, não?

Reparem, nós temos sempre a solução para o problema do outro. Sempre! Solução nossa, que fique claro, e… solução para o outro. Falo isso porque dentro de cenário, nem sempre vamos usar a solução que damos aos outros se estivermos com um problema parecido.

Isso tudo também quer dizer uma coisa: O problema do outro é sempre menor do que o nosso. Mas isso é uma mentira deslavada e descarada. O que parece ser simples em nossa visão nem sempre o é e, afirmo novamente, é simples quando é problema do outro porque se fosse nosso, seria um Deus nos acuda.

A dica que eu dou é simples, na próxima vez que quiser ajudar um amigo com problemas, tente entender o que aquele problema significa para ele e não para você, afinal, quem está com problemas é ele.

Ao fazer isso, você estará enxergando a realidade, mas a realidade do amigo necessitado e não a sua… Até porque, se o problema fosse seu, será que você veria tudo com tanta lucidez?

MM

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Ciclos da Vida

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Será mesmo que a vida é feita de ciclos? Parece. Dizem por aí que há diversos ciclos, mas eu só acredito em um, o que muda a cada ano. Já me falaram certa vez que há um ciclo importante, que muda a cada sete anos. Será?

Hoje é meu aniversário, em minha cabeça, mais um ciclo termina dando lugar a outro, é o que chamo de meu ano novo, meu réveillon particular.

Claro que estou falando do ciclo de um ano, mas, além disso, estou fazendo força para acreditar que exista também o ciclo de sete anos. Andei tentando lembrar como é que foram os ciclos de sete anos anteriores. Estou fazendo umas contas e percebo que já vivi sete ciclos de sete anos. É muito número sete para minha cabeça, mas vamos em frente.

Vamos levar em conta que esse ciclo exista mesmo. Já andei fazendo umas pesquisas na Internet, naqueles sites que dizem coisas como os horóscopos, sabe o tipo, aqueles que vêm com fórmulas prontas… Dos 7 aos 14 é um período de tal coisa… Dos 21 aos 28, bla, bla, bla. Pois é, cético que sou em relação a essas coisas, desliguei o computador e pensei nos meus próprios ciclos, o que aconteceu em cada um deles sem levar em conta as forminhas prontas desses malucos que estudam as coisas do além.

Como já vivi alguns desses ciclos, uns foram mais legais do que outros, acho que nem poderia ter sido diferente. Em todos eles ocorreram mudanças profundas e, agora que mais um desses se inicia, espero que não seja diferente, há mudanças que precisam ser feitas e espero que aconteçam. Aconteçam numas, não dá pra esperar que caiam do céu, toda e qualquer mudança só ocorre quando damos um empurrãozinho…

Não sei por que, mas o que me vem à cabeça é fazer uma analise desse último ciclo que vivi e que hoje termina. Nem deve ser problema de memória, como este foi o mais recente ainda está fresco na mente, acho que não é por isso. Talvez seja porque ele deve ter sido o mais turbulento de todos. Altos e baixos, mais baixos do que altos, ou melhor, os altos nem foram levados tão em conta por causa dos baixos.

Fiz muita coisa nesses últimos sete anos. Realizei sonhos antigos, passei momentos bons fazendo coisas “erradas” aos olhos da sociedade, tive decepções devastadoras, criei situações que foram de tirar o chapéu, mudei radicalmente algumas coisas de trabalho, outras não mexi uma só vírgula, enfim, como toda a minha vida tem sido, foram anos intensos.

Agora seria o momento de fazer uma lista de resoluções, aquelas que a maioria faz no ano novo. Eu costumava fazer no meu aniversário. Já não faço há algum tempo, mas talvez devesse fazer. Não sei se consigo.

Talvez devesse porque há coisas que devem ser ajustadas, outras alteradas de forma mais profunda. Não sei se consigo porque nas últimas vezes que fiz essa lista, pouca coisa foi cumprida. Como disse no texto anterior, gera uma expectativa e uma ansiedade absolutamente desnecessária.

Gosto do conceito do improviso. Para falar a verdade, analisando tudo o que fiz na vida, as melhores coisas saíram quando não foram programadas. Os momentos mais marcantes, as relações mais intensas, as realizações mais vibrantes foram todas construídas tendo como base a improvisação. Mudar por quê?

É, não farei nenhuma lista não. Melhor deixar as coisas acontecerem, seguirem seu curso natural. Até porque eu gosto de mudanças e não quero ficar preso a uma lista pré-concebida. Ela deverá ser alterada no decorrer do próximo ano, ou no próximo ciclo de sete anos.

Se fosse fazer uma lista, ela nem seria lista, teria apenas um item:

1)    Não programar nada!

MM

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Pré-ansiedade

ansiedade 2

Queria ter um dia de folga, mas não um dia apenas, falo em uma mudança geral no calendário do mundo, um dia de folga por mês para todos. Mais ou menos assim, toda segunda quinta feira do mês é dia de folga. Um decreto mundial.

Mas há que se ter regras para esse dia, a principal delas é não ter nenhuma preocupação, quando falo nenhuma, falo de verdade, preocupação de nenhuma espécie. Nada mesmo. Um tipo de Folga Mental. Já imaginaram? Seria bom, não é?

Acredito que sim, penso que todos deveriam ter essa experiência de folga mental de vez em quando. Um dia sem preocupações, sem compromissos, sem contas para pagar, sem culpas, sem expectativas e até mesmo sem sonhar.

Como se nossa mente fosse retirada de nós e enviada para o conserto ou para a revisão. Mas ainda assim, nós teríamos a consciência disso. Estaríamos aqui, nos lembraríamos de tudo o que acontecesse nesse dia, mas sem qualquer influência do passado e do futuro. Sim, o futuro nos influencia muito por causa das preocupações e expectativas.

Quase que poderia afirmar sem medo de errar que o amanhã afeta tanto que pode modificar tudo o que acontece hoje. Assim como o passado afeta o presente por coisas que aconteceram, o amanhã afeta por preocupações com o que pode ou não acontecer. Esse ponto é importante.

Há uma valorização da preocupação com o que pode não acontecer. Prevemos o pior e isso é o que gera a maldita ansiedade presente em todas as mentes. Uns mais outros menos, o fato é que não há nesse mundo um ser que viva sem ela. E aprendi que ansiedade é sempre ruim. Eu teimo em contestar essa afirmação, mas ainda não consegui comprovar minha própria teoria.

Reler o que escrevi até agora me fez pensar em uma coisa. O que estraga tudo, o que nos deixa doidos então é a ansiedade provocada pela expectativa. Ok, acho que isso está bem claro até mesmo para minha mente confusa. Aí eu pergunto:

Por que é que teimamos em provocar a ansiedade? É verdade mesmo, nós a provocamos o tempo todo, como se a cutucássemos com vara curta. Vejam um exemplo besta, mas que cabe muito bem nessa época do ano.

A maioria de nós faz a tal lista de resoluções de ano novo. Mesmo que não façamos bonitinha, escrita num papel, na mente a gente faz sim. Desejamos que o ano que virá seja sempre melhor do que ano em que estamos, fazemos planos, sonhamos exageradamente com o improvável, enfim, as listas são intermináveis.

Aí, o tempo passa, durante o ano que estamos vivendo constatamos que muito pouca coisa do que desejamos e projetamos de fato ocorre. Por diversos motivos, mas independente disso, passamos o ano todo na expectativa de que tudo seja, ou fosse, alcançado e realizado ao pé da letra.

Ora, fazer essa lista vem a ser o que senão uma provocação da própria ansiedade? Passamos o ano todo ansiosos e quando chega o final de mais um ano, lá vamos nós fazer a famosa lista novamente. Ficar com esse pedaço de papel cheio de itens relacionados e gerar expectativas vai ser útil pra que?

Pois é, nem todos são masoquistas, mas de certa forma a gente bem que gosta de um sofrimento, viu? Por outro lado, como evoluir, crescer sem fazer planos? Sem ter metas? Sem buscar os objetivos que entendemos fazer parte da construção da nossa felicidade? Difícil equacionar tudo isso…

Eu bem que gostaria de ter essa resposta, mas infelizmente ainda estou procurando. Mas se pudéssemos ter esse dia de folga, talvez… Ah, nada disso, apaguem tudo o que escrevi lá em cima, isso de nada nos serviria. Quando esse dia terminasse, lá estaríamos nós fazendo planos, nos preocupando com as metas não atingidas, tentando nos culpar, nos esforçando para descobrir os porquês de nossas atitudes.

É, nossas mentes funcionam assim mesmo, são grandes geradoras de conflitos. Fazer o que, mais um final de ano se aproxima e lá vamos nós fazer mais e mais listas que vão gerar mais e mais expectativas e assim, a pré-ansiedade.

MM

Vivendo na Superfície

Caminhando sobre as aguas

Há um paradoxo no mundo atual. Vejo as pessoas realmente preocupadas em aprofundar as discussões sobre o comportamento humano, vejo-as tentando buscar o autoconhecimento, sinto que há de fato uma necessidade de entender o mundo e as pessoas que nele habitam como nunca se viu antes. Parece tudo certo até aí.

Mas… (o velho e bom “mas”) na vida prática as pessoas estão cada vez mais superficiais. Não dá pra entender mais nada. Buscam profundidade na teoria e superficialidade nas atitudes? Será que estou ficando louco ao constatar uma coisa dessas? Bom, pode até ser, normal eu nunca fui, mas não estou sozinho nesse barco.

Leio alguns Blogs, converso com amigos, graças a Deus seres pensantes e percebo que eles têm essa mesma sensação, a de que estamos cada vez mais andando na superfície. Qual será a explicação?

Talvez possamos encontrar alguma resposta nessa busca profunda pelo autoconhecimento. Uma vez eu escrevi que numa das minhas manhãs terapêuticas – sou adepto da terapia do espelho como sabem – eu olhei para minha imagem refletida e disparei em voz alta:

- Quanto mais eu te conheço, mais tenho medo de você!

Acho que é meio por aí, quando a gente se conhece muito bem, mas muito mesmo, descobrimos que nem sempre somos o que gostaríamos de ser e mais, descobrimos que estamos bem longe daquela imagem que fazem de nós.

Não estou dizendo aqui que todo mundo anda com uma máscara no rosto, mas é bem perto disso, e não há nada de errado não, é questão de sobrevivência social. Se formos, falarmos e agirmos apenas comandados pela nossa essência, provavelmente estaríamos todos isolados uns dos outros. Poderia até afirmar que em “solitárias”, mas aí seria pegar pesado demais.

Então decretei que temos que usar uma máscara de vez em quando. O problema está nos que usam essa máscara o tempo todo. Aí criamos uma confusão: Se usarmos essa máscara, quem é que vai nos conhecer profundamente? E quem é que nós vamos conhecer profundamente?

A partir disso, criamos um mundo superficial. Ninguém conhece ninguém como se deve e as relações humanas ficam mascaradas. E para piorar o cenário, cobramos de quem conhecemos que a pessoa “se entregue, se mostre”. Oras bolas, o que é que estamos fazendo, hein?

Há de fato uma banalização de tudo. Sem falar do que aceitamos “numa boa” em relação ao que as autoridades nos impõem – já que somos uma geração de bundões. Poderia falar aqui das inversões de valores a que somos submetidos e aceitamos, mas esse Blog não é político.

Falava da banalização das relações humanas. É o que anda acontecendo. O beijo, por exemplo, virou algo tão desvalorizado que dá pena dessa geração que vem pela frente. Sexo se tornou casual, não mais o ápice de uma relação que se inicia. As amizades existem cada vez mais quando há interesses em jogo, não mais uma preocupação efetiva e solidária. As famílias se despedaçaram porque hoje em dia fica cada um no seu canto dentro dos lares.

Será mesmo que temos o direito de achar isso ruim? Será? Quem está construindo esse modelo de sociedade, afinal?

Não sou pessimista como muitos acreditam, pelo contrário, sou um homem de fé e para ter fé é preciso, antes de qualquer coisa, ser otimista. Sou é bem realista e muitas vezes sou confundido com um pessimista. O problema é que enxergo muito bem e estou vendo nesse momento que não haverá uma mudança profunda tão cedo.

Perto de fazer 49 anos, já vivi muita coisa e meu tempo por aqui está terminando, mas dá muita pena de quem tem 17, 20 ou 25 anos. Estes estão encontrando um mundo completamente oco, completamente superficial e sabem o que é mais triste? Não terão como modificar isso porque não terão a experiência necessária, não terão discernimento para julgar a realidade em que vivem.

Não vão mudar porque não terão dúvidas se é bom viver assim. Eles não vão mudar porque não conhecem outro modelo, não vão mudar porque não sabem a diferença.

MM

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Destino

Destino

Seguindo a sugestão e o pedido do querido amigo e leitor Danilo Vieira, hoje vou falar sobre uma coisa que nem sei se existe, mas que muitos Egos perdidos nesse mundo acreditam cegamente: Destino.

Afinal, existe? Dá pra saber o que de fato é Destino? Eu não tenho certeza, ou melhor, eu não consigo acreditar. Apesar de ser um homem de fé – outra dessas coisas que não se tem explicação lógica – em Destino eu não acredito. Eu explico.

Acho meio que covardia, conformismo demais creditar ao Destino algumas, ou até mesmo todas, as coisas que nos acontecem como se nós não tivéssemos qualquer ingerência no que nos diz respeito. Dizer que temos nossas vidas traçadas pelo Destino, em minha opinião, chega a ser até infantil. Até porque, com mais de seis bilhões de seres humanos nesse planeta, fora os que já passaram por aqui, quem é que escreveria a história de toda essa gente? Deus? Claro que não, Ele deve ter mais o que fazer.

Eu prefiro pensar no acaso. Isso em se tratando de coisas que acontecem que não temos como prever, aquelas que não estão sob o comando do nosso livre arbítrio, coisas que não prevemos ou que não escolhemos. Esse papo de escolhas é longo… Já devo ter escrito uns 3 ou 4 textos sobre isso e ainda falta coisa…

O acaso é o que os mais crentes chamam de Destino. Mulheres então, amam a frase “nada acontece por acaso” para justificar aquelas coincidências que… bem, eu também não creio nelas. Acho que me perdi completamente… Do que falava mesmo?

Ah, lembrei, eu dizia que acredito no acaso. O que poderia ser chamado de coincidência. Acho que algumas coisas acontecem sim por mero acaso. Tudo bem, eu me rendo, já que estou confuso ao escrever sobre esse tema, aceito que talvez acredite nas coincidências, mas em Destino não acredito não.

Crer em Destino deve ser bem esquisito porque eu penso que nós todos meio que escrevemos nossos Destinos. Por conta das escolhas, em minha cabeça o Destino é a conseqüência delas. Não sei como é que se explica isso, mas vou tentar…

Digamos que eu faça determinada escolha, naturalmente ela vai me levar a um ponto final na questão. Esse ponto é o que poderia chamar de Destino, não? É o que penso. O Destino nada mais é do que a conseqüência de uma escolha. Claro que podem surgir variáveis, mas ainda assim, acho que essas variáveis não são nada além do que pedras no caminho, em suma, é o que chamaria de “aparar as arestas” da escolha feita.

O famoso “nada acontece por acaso” é um fortalecedor da crença no Destino, isso parece bem claro. Mas digamos que você vá a algum lugar e conheça alguém que pode mudar sua vida, isso não é destino e nem acaso, é resultado da sua atitude de ter ido ao tal lugar. Todos os dias, em todos os momentos e lugares podemos conhecer alguém que pode mudar nossas vidas. Para que isso aconteça é necessário uma série de coisas como estar no lugar – que é resultado de uma escolha – estar aberto a conhecer pessoas – o que implica em estar disponível ou coisa parecida – enfim, isso é acaso? Destino? Não creio que seja.

Como disse lá no começo, colocar tudo ou parte do que nos acontece na conta do Destino é quase aceitar que a vida é dirigida por alguém, por alguma força maior do que nós mesmos. E pelo que me consta, fomos dotados do livre arbítrio. Aí é inevitável perguntar pra que? Se tudo fosse obra do Destino, ter direito – e até o dever – de fazer nossas escolhas seria completamente desnecessário.

A verdade é que não é fácil assumir que somos nós que escolhemos nosso Destino. É muito mais fácil jogar a culpa em outra força qualquer. Mesmo que sobrenatural ou inventada por nossas mentes inquietas.

Assumir que somos o que somos porque quisemos que nosso Destino fosse esse, por vezes vai provocar alguma dor. Ou prazer…

Mas percebam uma coisa: Não em todas, mas na grande maioria das vezes, jogamos na lista do “destino” algo que nos acontece de ruim. Quando a coisa é boa, aí dizemos em alto e bom tom que fomos responsáveis pelo acontecido…

Nossas mentes são cheias de defesas, eternas fabricantes de justificativas para que aceitemos o que fazemos e onde estamos. É quase que uma manipulação do Ego, não parece?

MM

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O Peso da Experiência

Peso da Experiencia

Pois é… eu aqui pensando em algo pra escrever e a única coisa que tenho em mente é falar sobre o peso das experiências. Experiências em todos os sentidos que essa palavra possa ter. Claro que já escrevi sobre as experiências culminantes, falei também das pessoas que têm experiência de vida, profissional, etc.

Acumular experiência deveria ser uma coisa saudável. Mas não é bem assim que funciona e saibam, o que vou falar hoje passa batido, quase ninguém dá bola para essa questão. Como a palavra experiência – apesar de existirem as ruins – em grande parte do tempo está associada a coisas boas, pensar ou achar que essas “coisas boas” possam nos fazer mal é quase uma insanidade. Mas fazem.

Vou tentar explicar: Ter experiência é o mesmo que afirmar que se está mais preparado para qualquer eventualidade do que quem não a tem. Até tá fácil e continua na “coluna” coisas boas. Mas agora sou obrigado a falar sobre o complicador da questão, sendo curto e grosso como de costume, vou direto ao ponto:

Mais ou menos assim, quanto mais experiências acumulamos, mais a vida fica chata ou tediosa. À primeira vista deveria ser diferente, não? Mas não é.

Chega um momento da vida, e afirmo que todo mundo vai passar por isso, que desencanamos de certas coisas porque já sabemos como será o fim. Como se fosse um filme visto pela segunda vez, antecipamos o final da história e isso faz com que generalizemos quase todas as questões da vida, tudo se torna óbvio, chato, tedioso e previsível.

É completamente absurdo agir assim, mas é o que nossas mentes nos diz: Vai fazer isso de novo por que se já sabe onde isso vai dar?

Pois é, mas eu disse quase todas as questões. Em uma delas pelo menos não ficamos entediados por repeti-la: O amor.

Por mais que tenhamos tido experiências ruins, por mais que saibamos que todas as relações um dia vão terminar, estamos sempre prontos para um novo amor. Cabe aqui um parêntese e por isso vou escrever entre parênteses… (Toda relação acaba sim, seja por incompatibilidade, seja por traição, seja pela morte de um dos dois)

Retomando, mesmo que as pessoas que sofreram por amor – e quem nunca sofreu – afirmem que queiram “dar um tempo sozinhas”, que não “querem saber de se relacionar”, fazendo uso aí da experiência negativa da “ultima relação”, é mentira. Eu afirmo novamente com todas as letras: É mentira!

Estamos sempre prontos para uma experiência nova. Nesse quesito, sejam lá quantas tenham sido as experiências ruins, as decepções, estamos “sempre prontos pra outra”. Acreditamos no senso comum que afirma sabiamente que apenas um novo amor cura uma dor de cotovelo. E é verdade. Nunca estamos entediados quando apaixonados. Repito, isso no quesito amor. Não serve para outras áreas da vida.

Podemos até os envolver com um projeto novo, até mesmo nos apaixonar por ele, mas se você já teve alguma outra experiência similar ou mesmo igual, vai se desencantar em pouco tempo porque sua voz interior vai te falar novamente: Pra que fazer isso de novo se você já sabe o resultado?

Bom, lá vou eu de novo contar para vocês uma coisa a meu respeito. Eu tinha um sonho, desde muito cedo, de escrever um livro. Mesmo apaixonado pela idéia, demorei a fazê-lo. Durante o processo do meu primeiro livro, estava encantado com a experiência nova. Batalhei editora, consegui quem acreditasse no projeto e pronto, o livro foi lançado. Aí vieram o segundo e o terceiro, quase que ao mesmo tempo, um foi lançado em setembro e o outro em novembro de 2005. A sensação, ainda que boa, foi bem mais morna. Eu já sabia como era. Eu já conhecia todos os mecanismos, eu já tinha experiência e conhecia até os atalhos. Me perguntava todos os dias, qual a graça de fazer algo que você já fez?

Aquela velha e boa pergunta que eu adoro da propaganda da empresa aérea Emirates: Qual foi a última vez que você fez algo pela primeira vez?

Isso serve pra tudo, ou melhor, pra quase tudo. Para o amor, como disse, não serve. Por mais que seu amor atual seja “igual” ao passado, por mais que você saiba que um dia, sem mais nem menos tudo vai terminar, repetimos.

Por que? Bem, porque seres humanos não vivem sem paixão, sem amar, sem ser amado. Mesmo sabendo qual será o fim, tentamos novamente torcendo para que ”dessa vez seja diferente”.

Se pudéssemos levar essa mesma crença para as outras áreas da vida, talvez não chegássemos aos 30, 40 ou 50 anos acredtiando que já fizemos de tudo e com as malditas minhocas na cabeça nos perguntando… Por que fazer de novo?

MM

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Parem as Máquinas!

Deriva

Eu falo muito por aqui que temos que ter controle da própria vida, que temos que andar com velocidade em direção aos objetivos, que não devemos ficar parados ou engessados em cima de problemas, enfim, uma infinidade de coisas desse tipo. Mas há um momento em que devemos parar tudo. Se fossemos comandante de um navio – espero que não o Titanic – seria como se déssemos a ordem: Parem as máquinas!

Já escrevi sobre escolhas, nem me lembro onde, mas a verdade é que esse assunto é inesgotável. Não há um só momento em nossas vidas que escolhas não devam ser feitas. E como algumas delas são difíceis…

Há o momento de acelerar e o momento de brecar, de parar tudo e reavaliar o que se está fazendo para fazer os famosos ajustes de rota. Normalmente paramos as máquinas e fazemos essas avaliações no final do ano ou perto do aniversário, mas a verdade é que quase todo mundo avalia, corrige no “papel” e não coloca em prática. Por que?

Bom, no meu caso é excesso de preocupações que vão se acumulando e chega uma hora em que me permito, erradamente, ficar à deriva. Muitos se vêem com o piloto automático ligado, fazendo as coisas e cumprindo a rotina sem se dar conta do que fazem.

Cada um age de um modo, ou melhor, cada um vive a seu modo o que não quer dizer que se está agindo. Não sei ao certo se poderia afirmar algo como… ficar parado é um tipo de ação, mas deixemos as discussões filosóficas de lado por um instante.

Eu parei, recentemente resolvi dar um tempo, tentar desligar as máquinas e avaliar tudo o que estava e estou fazendo. Como sou hiperativo – desde criança – sempre fui do tipo que faz várias coisas ao mesmo tempo, mas sem a pretensão de afirmar que faço bem a todas elas. Não posso ser hipócrita comigo mesmo e nem com meus leitores, é fato que algumas dessas coisas saem completamente “tortas”.

Mas nessas horas de parada de máquinas, meu objetivo maior é colocar tudo em ordem, principalmente os pensamentos e idéias. Se eu não fizer um plano de ação, entro na rotina de me envolver com dezenas de coisas e volto a dizer, algumas delas sairão uma porcaria.

Isso é necessário para nós, seres dotados de certa inteligência, parar, reavaliar, pensar e só depois agir. O único problema é tempo para desligar tudo. Não só tempo, como uma boa dose de capacidade de executar essa missão. Por conta do dia a dia e das preocupações com a sobrevivência, nossas mentes bombardeiam coisas o tempo todo em nosso caminho. É assim que me sinto de vez em quando, sendo bombardeado por pensamentos irregulares, por aflições cabidas ou descabidas, enfim, é como se estivesse à mercê da correnteza no meio de uma batalha naval. Ora, todo mundo sabe que um alvo parado é bem mais fácil de ser atingido.

Assim sendo, o que tento fazer é me esconder em um “porto seguro” longe do ataque inimigo, lembrando que o maior inimigo que temos somos nós mesmos e é justamente por isso é que não é nada fácil, pois ninguém consegue se esconder de si mesmo, não é?

No momento eu estou tentando avaliar o que é necessário, o que quero realmente fazer e como vou achar a melhor maneira de executar essa manobra. Se continuasse como estava nas últimas semanas, chegaria a lugar algum e, assim como você, quero chegar a algum lugar. A primeira meta é achar o “onde”, a segunda é descobrir “como”. Uma vez que isso fique claro, ligo os motores novamente e saio dessa turbulência que no mar, chama-se tempestade.

No meu caso especifico, é uma tempestade de idéias, de pensamentos nebulosos, de ações desorientadas… No fundo acho que é assim para todo mundo.

Dar uma parada está sendo muito bom. Mas desligar tudo não pode durar muito porque a “vida lá fora” não espera. Disse uma vez que se ficarmos inertes a vida nos atropela. E isso é uma daquelas verdades absolutas.

MM

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Coletividade

Coletividade

Nós humanos somos mesmo bem esquisitos. A maioria tem problemas, normalmente relacionados a dinheiro ou falta dele, tempo ou falta dele, mas em grande parte mesmo os problemas são com outras pessoas, ou seja, problemas de convívio em sociedade. Claro que olhando apenas por esse prisma, a culpa é sempre “deles”, jamais nossa.

Mas a verdade é que temos consciência que viver em sociedade é um problema enorme. É um tal de brigar com vizinhos, família, no trânsito, enfim, ninguém se dá bem com ninguém, é uma intolerância danada. No entanto, a esquisitice que mencionei surge porque estamos o tempo todo correndo atrás de “comunidades”.

A busca pelo convívio em sociedade é incessante. Vivemos em prédios, temos casa em condomínios “fechados”, somos sócios de clubes, nos inscrevemos em academias e por aí vai.

De uns anos pra cá, surgiram ainda os Orkuts e Facebooks da vida, as chamadas comunidades virtuais. Essas são as melhores, dá a impressão até de certa evolução, afinal de contas, adicionamos gente sem precisar conviver com elas. O problema é que alguns usam como medidor oficial de amigos. Veja o exemplo do Twitter, quanto mais seguidores se tem, mais envaidecida ou inflada a pessoa fica. Detalhe, seguidores em sua esmagadora maioria absolutamente desconhecidos. Mas é assim mesmo, quanto mais melhor…

Essa necessidade de conviver com os outros que é realmente absurda. Como se nossos Egos funcionassem melhor quando somos queridos por muita gente, independente de as conhecermos ou não. Isso já deu o que falar nesse tal de Twitter, até competição entre os famosos… Entendo essa gente, eles vivem disso, não é? Mas e nós os mortais comuns? Precisamos de seguidores para inflar nossos egos por quê?

Esquecendo o Twitter e voltando às comunidades ou à vida em sociedade, por que será que temos essa necessidade de estar perto de gente que não conhecemos. Eu penso assim, se quero ter casa na praia, reúno uns amigos que também querem e construímos nós mesmos nosso próprio condomínio.

Seria bem mais fácil, ou menos difícil, mas na prática é impossível, ou melhor, quase impossível. Não fazemos isso e sim, procuramos conviver com gente que nada tem a ver conosco a não ser pelo gosto e possibilidade financeira de morar ou passar férias no mesmo local.

Tudo bem, a vida é assim mesmo e ninguém é uma ilha, infelizmente. Temos que nos relacionar, conhecer gente até para poder ter o julgamento não comprometido pelas aparências.

Mas viver no meio de tanta gente desconhecida não causa esse conhecimento não, causa na verdade problemas. Seu vizinho de garagem para o carro dele atravessado na vaga, o que te atrapalha na hora da manobra. Você reclama uma vez, duas, três e na quarta, o barraco está formado. Poderia ficar dias aqui relatando esses acontecimentos, mas eu tenho mais o que fazer e você que está lendo também.

Eu prefiro as comunidades virtuais. Lá ninguém tem carro e nem casa na praia. “Moramos” todos dentro do condomínio chamado Facebook e ninguém atrapalha a vida de ninguém. 

O bom da vida é que ela está caminhando pra isso. Em breve só nos relacionaremos com os outros virtualmente. Não será mais preciso ter esse contato físico que atrapalha muito mais do que ajuda. O conceito do “olho no olho” está caindo por terra e estamos criando uma espécie de “olho no monitor”, o que já está bom demais.

A proximidade das relações é o que causa as tempestades, nossos Egos falam mais alto e não somos capazes de viver bem em comunidades. Parece amargo, parece duro, mas é a verdade e não querer enxergar isso é forçar a barra para a cegueira coletiva.

Quando vejo as pessoas falarem sobre as suas empresas ou sobre as empresas em que trabalham e rotularem assim: “Isso aqui é uma família…” eu me assusto. Não há nesse mundo uma só família que não tenha problemas de relacionamento. Mas as pessoas insistem em achar bonitinho afirmar que por se tratar de uma “família”, tudo é lindo e maravilhoso.

Sabem por que as coisas (não) funcionam desse jeito? Porque nossos Egos vêm de fábrica sem um componente básico para conviver com outros Egos: Respeito. Alguns até tentam, mas quando percebem que respeitam sem ser respeitados, abrem mão dessa qualidade e procuram apenas os seus próprios interesses.

Só para constar nos autos, não estou revoltado hoje não, viu? Só meio bravo e indignado com o que ando vendo, lendo e percebendo nessa obra prima da tecnologia divina chamada Ser Humano.

Quanto mais “coletiva”, pior é a coletividade…

MM

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