Vivendo na Superfície

Caminhando sobre as aguas

Há um paradoxo no mundo atual. Vejo as pessoas realmente preocupadas em aprofundar as discussões sobre o comportamento humano, vejo-as tentando buscar o autoconhecimento, sinto que há de fato uma necessidade de entender o mundo e as pessoas que nele habitam como nunca se viu antes. Parece tudo certo até aí.

Mas… (o velho e bom “mas”) na vida prática as pessoas estão cada vez mais superficiais. Não dá pra entender mais nada. Buscam profundidade na teoria e superficialidade nas atitudes? Será que estou ficando louco ao constatar uma coisa dessas? Bom, pode até ser, normal eu nunca fui, mas não estou sozinho nesse barco.

Leio alguns Blogs, converso com amigos, graças a Deus seres pensantes e percebo que eles têm essa mesma sensação, a de que estamos cada vez mais andando na superfície. Qual será a explicação?

Talvez possamos encontrar alguma resposta nessa busca profunda pelo autoconhecimento. Uma vez eu escrevi que numa das minhas manhãs terapêuticas – sou adepto da terapia do espelho como sabem – eu olhei para minha imagem refletida e disparei em voz alta:

- Quanto mais eu te conheço, mais tenho medo de você!

Acho que é meio por aí, quando a gente se conhece muito bem, mas muito mesmo, descobrimos que nem sempre somos o que gostaríamos de ser e mais, descobrimos que estamos bem longe daquela imagem que fazem de nós.

Não estou dizendo aqui que todo mundo anda com uma máscara no rosto, mas é bem perto disso, e não há nada de errado não, é questão de sobrevivência social. Se formos, falarmos e agirmos apenas comandados pela nossa essência, provavelmente estaríamos todos isolados uns dos outros. Poderia até afirmar que em “solitárias”, mas aí seria pegar pesado demais.

Então decretei que temos que usar uma máscara de vez em quando. O problema está nos que usam essa máscara o tempo todo. Aí criamos uma confusão: Se usarmos essa máscara, quem é que vai nos conhecer profundamente? E quem é que nós vamos conhecer profundamente?

A partir disso, criamos um mundo superficial. Ninguém conhece ninguém como se deve e as relações humanas ficam mascaradas. E para piorar o cenário, cobramos de quem conhecemos que a pessoa “se entregue, se mostre”. Oras bolas, o que é que estamos fazendo, hein?

Há de fato uma banalização de tudo. Sem falar do que aceitamos “numa boa” em relação ao que as autoridades nos impõem – já que somos uma geração de bundões. Poderia falar aqui das inversões de valores a que somos submetidos e aceitamos, mas esse Blog não é político.

Falava da banalização das relações humanas. É o que anda acontecendo. O beijo, por exemplo, virou algo tão desvalorizado que dá pena dessa geração que vem pela frente. Sexo se tornou casual, não mais o ápice de uma relação que se inicia. As amizades existem cada vez mais quando há interesses em jogo, não mais uma preocupação efetiva e solidária. As famílias se despedaçaram porque hoje em dia fica cada um no seu canto dentro dos lares.

Será mesmo que temos o direito de achar isso ruim? Será? Quem está construindo esse modelo de sociedade, afinal?

Não sou pessimista como muitos acreditam, pelo contrário, sou um homem de fé e para ter fé é preciso, antes de qualquer coisa, ser otimista. Sou é bem realista e muitas vezes sou confundido com um pessimista. O problema é que enxergo muito bem e estou vendo nesse momento que não haverá uma mudança profunda tão cedo.

Perto de fazer 49 anos, já vivi muita coisa e meu tempo por aqui está terminando, mas dá muita pena de quem tem 17, 20 ou 25 anos. Estes estão encontrando um mundo completamente oco, completamente superficial e sabem o que é mais triste? Não terão como modificar isso porque não terão a experiência necessária, não terão discernimento para julgar a realidade em que vivem.

Não vão mudar porque não terão dúvidas se é bom viver assim. Eles não vão mudar porque não conhecem outro modelo, não vão mudar porque não sabem a diferença.

MM

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Destino

Destino

Seguindo a sugestão e o pedido do querido amigo e leitor Danilo Vieira, hoje vou falar sobre uma coisa que nem sei se existe, mas que muitos Egos perdidos nesse mundo acreditam cegamente: Destino.

Afinal, existe? Dá pra saber o que de fato é Destino? Eu não tenho certeza, ou melhor, eu não consigo acreditar. Apesar de ser um homem de fé – outra dessas coisas que não se tem explicação lógica – em Destino eu não acredito. Eu explico.

Acho meio que covardia, conformismo demais creditar ao Destino algumas, ou até mesmo todas, as coisas que nos acontecem como se nós não tivéssemos qualquer ingerência no que nos diz respeito. Dizer que temos nossas vidas traçadas pelo Destino, em minha opinião, chega a ser até infantil. Até porque, com mais de seis bilhões de seres humanos nesse planeta, fora os que já passaram por aqui, quem é que escreveria a história de toda essa gente? Deus? Claro que não, Ele deve ter mais o que fazer.

Eu prefiro pensar no acaso. Isso em se tratando de coisas que acontecem que não temos como prever, aquelas que não estão sob o comando do nosso livre arbítrio, coisas que não prevemos ou que não escolhemos. Esse papo de escolhas é longo… Já devo ter escrito uns 3 ou 4 textos sobre isso e ainda falta coisa…

O acaso é o que os mais crentes chamam de Destino. Mulheres então, amam a frase “nada acontece por acaso” para justificar aquelas coincidências que… bem, eu também não creio nelas. Acho que me perdi completamente… Do que falava mesmo?

Ah, lembrei, eu dizia que acredito no acaso. O que poderia ser chamado de coincidência. Acho que algumas coisas acontecem sim por mero acaso. Tudo bem, eu me rendo, já que estou confuso ao escrever sobre esse tema, aceito que talvez acredite nas coincidências, mas em Destino não acredito não.

Crer em Destino deve ser bem esquisito porque eu penso que nós todos meio que escrevemos nossos Destinos. Por conta das escolhas, em minha cabeça o Destino é a conseqüência delas. Não sei como é que se explica isso, mas vou tentar…

Digamos que eu faça determinada escolha, naturalmente ela vai me levar a um ponto final na questão. Esse ponto é o que poderia chamar de Destino, não? É o que penso. O Destino nada mais é do que a conseqüência de uma escolha. Claro que podem surgir variáveis, mas ainda assim, acho que essas variáveis não são nada além do que pedras no caminho, em suma, é o que chamaria de “aparar as arestas” da escolha feita.

O famoso “nada acontece por acaso” é um fortalecedor da crença no Destino, isso parece bem claro. Mas digamos que você vá a algum lugar e conheça alguém que pode mudar sua vida, isso não é destino e nem acaso, é resultado da sua atitude de ter ido ao tal lugar. Todos os dias, em todos os momentos e lugares podemos conhecer alguém que pode mudar nossas vidas. Para que isso aconteça é necessário uma série de coisas como estar no lugar – que é resultado de uma escolha – estar aberto a conhecer pessoas – o que implica em estar disponível ou coisa parecida – enfim, isso é acaso? Destino? Não creio que seja.

Como disse lá no começo, colocar tudo ou parte do que nos acontece na conta do Destino é quase aceitar que a vida é dirigida por alguém, por alguma força maior do que nós mesmos. E pelo que me consta, fomos dotados do livre arbítrio. Aí é inevitável perguntar pra que? Se tudo fosse obra do Destino, ter direito – e até o dever – de fazer nossas escolhas seria completamente desnecessário.

A verdade é que não é fácil assumir que somos nós que escolhemos nosso Destino. É muito mais fácil jogar a culpa em outra força qualquer. Mesmo que sobrenatural ou inventada por nossas mentes inquietas.

Assumir que somos o que somos porque quisemos que nosso Destino fosse esse, por vezes vai provocar alguma dor. Ou prazer…

Mas percebam uma coisa: Não em todas, mas na grande maioria das vezes, jogamos na lista do “destino” algo que nos acontece de ruim. Quando a coisa é boa, aí dizemos em alto e bom tom que fomos responsáveis pelo acontecido…

Nossas mentes são cheias de defesas, eternas fabricantes de justificativas para que aceitemos o que fazemos e onde estamos. É quase que uma manipulação do Ego, não parece?

MM

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O Peso da Experiência

Peso da Experiencia

Pois é… eu aqui pensando em algo pra escrever e a única coisa que tenho em mente é falar sobre o peso das experiências. Experiências em todos os sentidos que essa palavra possa ter. Claro que já escrevi sobre as experiências culminantes, falei também das pessoas que têm experiência de vida, profissional, etc.

Acumular experiência deveria ser uma coisa saudável. Mas não é bem assim que funciona e saibam, o que vou falar hoje passa batido, quase ninguém dá bola para essa questão. Como a palavra experiência – apesar de existirem as ruins – em grande parte do tempo está associada a coisas boas, pensar ou achar que essas “coisas boas” possam nos fazer mal é quase uma insanidade. Mas fazem.

Vou tentar explicar: Ter experiência é o mesmo que afirmar que se está mais preparado para qualquer eventualidade do que quem não a tem. Até tá fácil e continua na “coluna” coisas boas. Mas agora sou obrigado a falar sobre o complicador da questão, sendo curto e grosso como de costume, vou direto ao ponto:

Mais ou menos assim, quanto mais experiências acumulamos, mais a vida fica chata ou tediosa. À primeira vista deveria ser diferente, não? Mas não é.

Chega um momento da vida, e afirmo que todo mundo vai passar por isso, que desencanamos de certas coisas porque já sabemos como será o fim. Como se fosse um filme visto pela segunda vez, antecipamos o final da história e isso faz com que generalizemos quase todas as questões da vida, tudo se torna óbvio, chato, tedioso e previsível.

É completamente absurdo agir assim, mas é o que nossas mentes nos diz: Vai fazer isso de novo por que se já sabe onde isso vai dar?

Pois é, mas eu disse quase todas as questões. Em uma delas pelo menos não ficamos entediados por repeti-la: O amor.

Por mais que tenhamos tido experiências ruins, por mais que saibamos que todas as relações um dia vão terminar, estamos sempre prontos para um novo amor. Cabe aqui um parêntese e por isso vou escrever entre parênteses… (Toda relação acaba sim, seja por incompatibilidade, seja por traição, seja pela morte de um dos dois)

Retomando, mesmo que as pessoas que sofreram por amor – e quem nunca sofreu – afirmem que queiram “dar um tempo sozinhas”, que não “querem saber de se relacionar”, fazendo uso aí da experiência negativa da “ultima relação”, é mentira. Eu afirmo novamente com todas as letras: É mentira!

Estamos sempre prontos para uma experiência nova. Nesse quesito, sejam lá quantas tenham sido as experiências ruins, as decepções, estamos “sempre prontos pra outra”. Acreditamos no senso comum que afirma sabiamente que apenas um novo amor cura uma dor de cotovelo. E é verdade. Nunca estamos entediados quando apaixonados. Repito, isso no quesito amor. Não serve para outras áreas da vida.

Podemos até os envolver com um projeto novo, até mesmo nos apaixonar por ele, mas se você já teve alguma outra experiência similar ou mesmo igual, vai se desencantar em pouco tempo porque sua voz interior vai te falar novamente: Pra que fazer isso de novo se você já sabe o resultado?

Bom, lá vou eu de novo contar para vocês uma coisa a meu respeito. Eu tinha um sonho, desde muito cedo, de escrever um livro. Mesmo apaixonado pela idéia, demorei a fazê-lo. Durante o processo do meu primeiro livro, estava encantado com a experiência nova. Batalhei editora, consegui quem acreditasse no projeto e pronto, o livro foi lançado. Aí vieram o segundo e o terceiro, quase que ao mesmo tempo, um foi lançado em setembro e o outro em novembro de 2005. A sensação, ainda que boa, foi bem mais morna. Eu já sabia como era. Eu já conhecia todos os mecanismos, eu já tinha experiência e conhecia até os atalhos. Me perguntava todos os dias, qual a graça de fazer algo que você já fez?

Aquela velha e boa pergunta que eu adoro da propaganda da empresa aérea Emirates: Qual foi a última vez que você fez algo pela primeira vez?

Isso serve pra tudo, ou melhor, pra quase tudo. Para o amor, como disse, não serve. Por mais que seu amor atual seja “igual” ao passado, por mais que você saiba que um dia, sem mais nem menos tudo vai terminar, repetimos.

Por que? Bem, porque seres humanos não vivem sem paixão, sem amar, sem ser amado. Mesmo sabendo qual será o fim, tentamos novamente torcendo para que ”dessa vez seja diferente”.

Se pudéssemos levar essa mesma crença para as outras áreas da vida, talvez não chegássemos aos 30, 40 ou 50 anos acredtiando que já fizemos de tudo e com as malditas minhocas na cabeça nos perguntando… Por que fazer de novo?

MM

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Parem as Máquinas!

Deriva

Eu falo muito por aqui que temos que ter controle da própria vida, que temos que andar com velocidade em direção aos objetivos, que não devemos ficar parados ou engessados em cima de problemas, enfim, uma infinidade de coisas desse tipo. Mas há um momento em que devemos parar tudo. Se fossemos comandante de um navio – espero que não o Titanic – seria como se déssemos a ordem: Parem as máquinas!

Já escrevi sobre escolhas, nem me lembro onde, mas a verdade é que esse assunto é inesgotável. Não há um só momento em nossas vidas que escolhas não devam ser feitas. E como algumas delas são difíceis…

Há o momento de acelerar e o momento de brecar, de parar tudo e reavaliar o que se está fazendo para fazer os famosos ajustes de rota. Normalmente paramos as máquinas e fazemos essas avaliações no final do ano ou perto do aniversário, mas a verdade é que quase todo mundo avalia, corrige no “papel” e não coloca em prática. Por que?

Bom, no meu caso é excesso de preocupações que vão se acumulando e chega uma hora em que me permito, erradamente, ficar à deriva. Muitos se vêem com o piloto automático ligado, fazendo as coisas e cumprindo a rotina sem se dar conta do que fazem.

Cada um age de um modo, ou melhor, cada um vive a seu modo o que não quer dizer que se está agindo. Não sei ao certo se poderia afirmar algo como… ficar parado é um tipo de ação, mas deixemos as discussões filosóficas de lado por um instante.

Eu parei, recentemente resolvi dar um tempo, tentar desligar as máquinas e avaliar tudo o que estava e estou fazendo. Como sou hiperativo – desde criança – sempre fui do tipo que faz várias coisas ao mesmo tempo, mas sem a pretensão de afirmar que faço bem a todas elas. Não posso ser hipócrita comigo mesmo e nem com meus leitores, é fato que algumas dessas coisas saem completamente “tortas”.

Mas nessas horas de parada de máquinas, meu objetivo maior é colocar tudo em ordem, principalmente os pensamentos e idéias. Se eu não fizer um plano de ação, entro na rotina de me envolver com dezenas de coisas e volto a dizer, algumas delas sairão uma porcaria.

Isso é necessário para nós, seres dotados de certa inteligência, parar, reavaliar, pensar e só depois agir. O único problema é tempo para desligar tudo. Não só tempo, como uma boa dose de capacidade de executar essa missão. Por conta do dia a dia e das preocupações com a sobrevivência, nossas mentes bombardeiam coisas o tempo todo em nosso caminho. É assim que me sinto de vez em quando, sendo bombardeado por pensamentos irregulares, por aflições cabidas ou descabidas, enfim, é como se estivesse à mercê da correnteza no meio de uma batalha naval. Ora, todo mundo sabe que um alvo parado é bem mais fácil de ser atingido.

Assim sendo, o que tento fazer é me esconder em um “porto seguro” longe do ataque inimigo, lembrando que o maior inimigo que temos somos nós mesmos e é justamente por isso é que não é nada fácil, pois ninguém consegue se esconder de si mesmo, não é?

No momento eu estou tentando avaliar o que é necessário, o que quero realmente fazer e como vou achar a melhor maneira de executar essa manobra. Se continuasse como estava nas últimas semanas, chegaria a lugar algum e, assim como você, quero chegar a algum lugar. A primeira meta é achar o “onde”, a segunda é descobrir “como”. Uma vez que isso fique claro, ligo os motores novamente e saio dessa turbulência que no mar, chama-se tempestade.

No meu caso especifico, é uma tempestade de idéias, de pensamentos nebulosos, de ações desorientadas… No fundo acho que é assim para todo mundo.

Dar uma parada está sendo muito bom. Mas desligar tudo não pode durar muito porque a “vida lá fora” não espera. Disse uma vez que se ficarmos inertes a vida nos atropela. E isso é uma daquelas verdades absolutas.

MM

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Coletividade

Coletividade

Nós humanos somos mesmo bem esquisitos. A maioria tem problemas, normalmente relacionados a dinheiro ou falta dele, tempo ou falta dele, mas em grande parte mesmo os problemas são com outras pessoas, ou seja, problemas de convívio em sociedade. Claro que olhando apenas por esse prisma, a culpa é sempre “deles”, jamais nossa.

Mas a verdade é que temos consciência que viver em sociedade é um problema enorme. É um tal de brigar com vizinhos, família, no trânsito, enfim, ninguém se dá bem com ninguém, é uma intolerância danada. No entanto, a esquisitice que mencionei surge porque estamos o tempo todo correndo atrás de “comunidades”.

A busca pelo convívio em sociedade é incessante. Vivemos em prédios, temos casa em condomínios “fechados”, somos sócios de clubes, nos inscrevemos em academias e por aí vai.

De uns anos pra cá, surgiram ainda os Orkuts e Facebooks da vida, as chamadas comunidades virtuais. Essas são as melhores, dá a impressão até de certa evolução, afinal de contas, adicionamos gente sem precisar conviver com elas. O problema é que alguns usam como medidor oficial de amigos. Veja o exemplo do Twitter, quanto mais seguidores se tem, mais envaidecida ou inflada a pessoa fica. Detalhe, seguidores em sua esmagadora maioria absolutamente desconhecidos. Mas é assim mesmo, quanto mais melhor…

Essa necessidade de conviver com os outros que é realmente absurda. Como se nossos Egos funcionassem melhor quando somos queridos por muita gente, independente de as conhecermos ou não. Isso já deu o que falar nesse tal de Twitter, até competição entre os famosos… Entendo essa gente, eles vivem disso, não é? Mas e nós os mortais comuns? Precisamos de seguidores para inflar nossos egos por quê?

Esquecendo o Twitter e voltando às comunidades ou à vida em sociedade, por que será que temos essa necessidade de estar perto de gente que não conhecemos. Eu penso assim, se quero ter casa na praia, reúno uns amigos que também querem e construímos nós mesmos nosso próprio condomínio.

Seria bem mais fácil, ou menos difícil, mas na prática é impossível, ou melhor, quase impossível. Não fazemos isso e sim, procuramos conviver com gente que nada tem a ver conosco a não ser pelo gosto e possibilidade financeira de morar ou passar férias no mesmo local.

Tudo bem, a vida é assim mesmo e ninguém é uma ilha, infelizmente. Temos que nos relacionar, conhecer gente até para poder ter o julgamento não comprometido pelas aparências.

Mas viver no meio de tanta gente desconhecida não causa esse conhecimento não, causa na verdade problemas. Seu vizinho de garagem para o carro dele atravessado na vaga, o que te atrapalha na hora da manobra. Você reclama uma vez, duas, três e na quarta, o barraco está formado. Poderia ficar dias aqui relatando esses acontecimentos, mas eu tenho mais o que fazer e você que está lendo também.

Eu prefiro as comunidades virtuais. Lá ninguém tem carro e nem casa na praia. “Moramos” todos dentro do condomínio chamado Facebook e ninguém atrapalha a vida de ninguém. 

O bom da vida é que ela está caminhando pra isso. Em breve só nos relacionaremos com os outros virtualmente. Não será mais preciso ter esse contato físico que atrapalha muito mais do que ajuda. O conceito do “olho no olho” está caindo por terra e estamos criando uma espécie de “olho no monitor”, o que já está bom demais.

A proximidade das relações é o que causa as tempestades, nossos Egos falam mais alto e não somos capazes de viver bem em comunidades. Parece amargo, parece duro, mas é a verdade e não querer enxergar isso é forçar a barra para a cegueira coletiva.

Quando vejo as pessoas falarem sobre as suas empresas ou sobre as empresas em que trabalham e rotularem assim: “Isso aqui é uma família…” eu me assusto. Não há nesse mundo uma só família que não tenha problemas de relacionamento. Mas as pessoas insistem em achar bonitinho afirmar que por se tratar de uma “família”, tudo é lindo e maravilhoso.

Sabem por que as coisas (não) funcionam desse jeito? Porque nossos Egos vêm de fábrica sem um componente básico para conviver com outros Egos: Respeito. Alguns até tentam, mas quando percebem que respeitam sem ser respeitados, abrem mão dessa qualidade e procuram apenas os seus próprios interesses.

Só para constar nos autos, não estou revoltado hoje não, viu? Só meio bravo e indignado com o que ando vendo, lendo e percebendo nessa obra prima da tecnologia divina chamada Ser Humano.

Quanto mais “coletiva”, pior é a coletividade…

MM

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Prioridades

prioridades

Estava lendo essa semana, de antemão, uma matéria que vai sair na edição de estréia na revista Mulher Executiva. Trata-se de um bate papo com 5 mulheres que trabalham e tentam conciliar a vida pessoal com a vida corporativa. Não é nada fácil.

Essa matéria a partir da segunda edição será feita por mim, só que com 3 mulheres e não mais com 5. Além disso, o papo não será mais com um psicólogo como foi nessa primeira edição e sim comigo, digamos que darei uma Consultoria Pessoal às meninas em troca de suas opiniões e histórias. Diferente do que foi feito agora, no meu caso farei com um tema pré-definido: Tempo.

Já escolhido, o tema parece cair como uma luva para as mulheres, pois, por coincidência ou não, o que mais elas falam nessa primeira matéria é a questão da falta de tempo para organizar suas vidas pessoais e profissionais. Nada foi discutido profundamente, mas o fator Tempo esteve presente em seus depoimentos.

Como disse, não é nada fácil, pois as mulheres são mães, filhas, profissionais, esposas, donas de casa, enfim, elas têm muito o que fazer e parece que do Tempo é o principal inimigo. Algumas razões devem ser ressaltadas, porém eu não vou discutir isso por aqui, caso contrário a matéria que farei perderá todo o sentido.

Como esse Blog trata de assuntos referentes aos nossos Egos, vamos nos ater as questões mais pessoais, mas sem deixar de comentar algumas questões profissionais. A primeira delas que gostaria de me referir é prioridade. Mulheres têm uma dificuldade imensa em elaborar a tal lista de prioridades. Querem fazer tudo ao mesmo tempo e aí se atropelam. Sem falar que não priorizando vão, com certeza, se esquecer de coisas importantes ao longo do caminho.

Sempre tento buscar os problemas, bem como tratá-los, lá da raiz. Sou completamente a favor da expressão: O mal se corta pela raiz. E qual é a raiz do que estou falando? Listar prioridades? Equacionar as tarefas? Organizar o tempo? Não, nada disso. A raiz está no que nasceu primeiro, a pessoa ou a carreira?

A partir dessa resposta, que é óbvia, a lista de prioridades se forma sozinha. Tudo o que fazemos na vida tem que ter como ponto de partida o indivíduo. Simples, não? Pois é, mas como sempre digo, na prática a teoria é outra.

Poucos conseguem se colocar em primeiro plano. Normalmente por causa dos compromissos que acumulamos, temos a tendência de priorizar as responsabilidades, os envolvimentos, o trabalho, a família e só lá no finzinho da vida é que pensamos em nós mesmos. Aí é que nos damos conta que, depois que formos embora daqui, a vida de toda essa gente continua, independente da sua existência no meio deles.

Pensemos nisso uns instantes…

Pronto, vamos em frente. Não estou falando aqui que você deva mandar todas as suas responsabilidades para o alto, não é nada disso. Só estou querendo dizer que a falta de tempo para “cuidar” de si é o que mais incomoda as pessoas que trabalham, principalmente as mulheres.

E sinto que essas mulheres priorizam o mundo em detrimento de si mesmas. Ora, por que é que fazem isso? Querem o que, o rótulo de mártires?

Pessoalmente eu não valorizo gente assim. Ok, minha opinião pode não importar a você que está lendo isso, mas é o que penso. Acho que temos que dar um jeito de resolver essa questão de forma definitiva.

Não dá mais para agüentar enxergar, ou não enxergar, que toda a tecnologia que dispomos hoje em dia não possa ser usada em favor de diminuir o tempo gasto com as responsabilidades. Não podemos nem devemos nos livrar delas, mas não dá pra permitir que responsabilidades vençam. Não dá mesmo pra aceitar sem luta alguma que você abra mão da sua vida por causa da falta de tempo.

E não venham me falar que conseguem fazer as unhas e arrumar o cabelo. Isso é básico demais, a coisa tem que ser mais ampla, estamos falando aqui de viver melhor e não apenas sobreviver acordando, trabalhando, comendo e dormindo.

Num dos meus livros, escrevi algo sobre minha indignação sobre tempo, ou a falta dele. Era algo mais ou menos assim, talvez valha a reflexão:

“Por que corremos feito loucos para cumprir obrigações e não temos nenhuma pressa para nos divertir?”

Pense bem, porque é o que a maioria faz, acordamos e corremos para cumprir as obrigações numa segunda-feira e não temos pressa alguma em acordar num domingo e sair para nos divertir. Algo parece meio errado, não?

MM

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Beber pra Esquecer

Alcoolismo

Outro dia na revista Veja saiu uma matéria bacana sobre os perigos do alcoolismo, o aumento das mulheres que bebem, jovens, enfim, uma matéria bem pertinente nesses tempos em que os fumantes estão pagando o pato na sociedade. O legal é que nunca vi um fumante causar um acidente no trânsito nessas madrugadas da vida. Mas deixa isso pra lá, não vou defender fumantes ou atacar bêbados. Estou é preocupado com isso, afinal, tenho um filho de 20 anos que adora tomar umas e outras, segundo ele, controladamente. Sei, sei.

Algumas pessoas afirmam que bebem para se divertir, moderadamente o fazem apenas para “se soltar”, é o que dizem. Será? Será mesmo que é só pra isso? Claro que algumas pessoas fazem exatamente isso, por serem tímidas, bebem um pouquinho para relaxar e assim entendem que vão se divertir mais. Mais pode até ser na opinião deles, não necessariamente melhor.

Lembro da minha época de adolescente, a maioria dos amigos bebia muito. Como eu nunca bebi, ficava observando o comportamento deles… Era um tal de pegarem mulheres feias e chatas que vou contar, viu…

Mas eu não tenho preconceitos em relação a isso, não é porque não bebo que condeno os que bebem , como fazem os não fumantes que condenam meu cigarrinho. Eu nunca bebi por um simples fator: Eu gosto de estar consciente em todos os lugares que vou, consciente no sentido de estar lúcido, em estado de alerta mesmo. Claro que não suporto algumas bebidas, mas outras até que gosto, só não tenho o habito de beber. Mais ou menos como uma caipirinha por ano já tá bom…

Mas então… esse povo que anda abusando bebe cada vez mais e em intervalo de tempo menor, o que só pode querer dizer uma coisa ou outra: Ou estão querendo se divertir com mulheres e caras feios e problemáticos ou estão usando a bebida como recurso rápido para se esquecerem da realidade em que vivem. Eu fico com a segunda opção, porque francamente, gente querendo gente problemática não entra na minha cabeça, apesar de saber que mesmo os que não bebem podem entrar nessa roubada…

Além disso, como tive e tenho muitos amigos e amigas que adoram beber um pouco além da conta, percebo algo em comum nessas pessoas: São todas bem problemáticas. Claro que todo mundo nesse mundo tem problemas, mas estou falando aqui do que chamo de “Plus a Mais”. (Antes que algum leitor engraçadinho diga que essa frase é estúpida, saibam que eu sei disso e se trata apenas de uma brincadeira, ok?) Desculpem “explicar” a piada, mas o que tem de gente chata por aí é uma grandeza.

Os que bebem para não enxergar a realidade compõem a maioria. Poderia dizer melhor essa frase, poderia trocar a palavra enxergar pela palavra enfrentar. Sim, ficou melhor.

Enfrentar a vida é para os fortes. Mesmo que você se sinta incapaz – e como isso é comum – há que tentar buscar forças sabe-se lá de onde para enfrentar os problemas. Beber ajuda? Claro que ajuda, por algumas horas você fica como um idiota perdido no meio da vida achando que tudo é cor de rosa. Diga-se de passagem, tudo em dose dupla fica cor de rosa, afinal, quem está com a cara cheia enxerga tudo em dobro.

Brincadeira à parte, covardia é abominável. Mas existe até um ditado que fala mais ou menos assim: Um covarde vive para combater novamente. Ok, é um fato, mas vive de que maneira, hein? Sua consciência não o atormenta não?

O que me chama atenção nessa questão é que mais e mais pessoas usam bebida como atalho para resolver problemas. Isso é o que elas pensam, porque na verdade estão é entrando num círculo perigoso e sem volta. Quanto mais bebem, menos resolvem as coisas e pior, mais problemas arrumam por causa do próprio porre. Uma coisa é fato: Mais cedo ou mais tarde paga-se o preço pelas atitudes porque todo porre tem data de validade.

Quem não bebe também tem problemas, mas pelo menos está de cara limpa para detectá-los e enfrentá-los. Assunto complicado esse.

Entendo que uma coisa é de vez em quando você dar uma extrapolada, outra bem diferente é você fazer isso toda vez que sai de casa. E podem apostar, todos, absolutamente todos que têm problemas com a bebida, ou melhor, os que têm uma relação íntima com ela, afirmam categoricamente que “conseguem se controlar perfeitamente”. Então tá…

Muitos estão bebendo “para esquecer” a vida, mas ao se esquecerem dela estão de verdade se esquecendo de si. E mais, não percebem que a vida é que pode acabar esquecendo que eles existem.

MM

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Mentes Obscuras

escuridao

Quem nesse mundo consegue entender a mente humana? Vou além, quem nesse mundo consegue entender a própria mente? Ninguém.

Não deve haver uma só pessoa que não tenha, em parte de sua mente, diria até que nas profundezas, um lado escuro. Aqueles sentimentos que produzimos e armazenamos com o passar do tempo, com as experiências vividas e observadas. Aqueles pensamentos devastadores que temos nos momentos de infelicidade, ou melhor, de tristeza profunda.

Brinco muito com o nosso “lado negro da força”, fazendo alusão ao cinema, mas a verdade é que temos esse lado e ele não é apenas usado como… “fazer mal aos outros”, esse lado muitas vezes faz mal a nós mesmos.

Enfim, a idéia aqui é tentar descobrir porque é que temos pensamentos obscuros, aqueles que não dividimos nem com padres em confessionário nem com terapeutas. Provável que guardemos isso apenas para nós mesmos porque temos medo do julgamento dos outros ou talvez até por vergonha de pensar.

Ao contrário do que o senso comum absorve como uma verdade absoluta, um suicida, por exemplo, não é aquele que se mata sem anunciar. O senso comum “diz” que quem quer tirar a própria vida não anuncia, simplesmente faz. Isso é mentira e já foi provado cientificamente.

O suicida anuncia, o problema é que por causa do senso comum, ninguém dá bola. Quando acontece o crime, sim, tirar a própria vida é crime, as pessoas simplificam e falam: Ele(a) era louco(a). Já vi isso bem de perto. As pessoas não querem entender nem pensar nisso, preferem simplificar. É assim mesmo, ninguém mais quer pensar profundamente nas coisas da vida ou da morte, preferem rotular e ponto final.

Falando especificamente sobre esse assunto, o que se pode fazer com a mente de alguém que insiste em tirar a própria vida?  Ok, confesso que tenho certa curiosidade e vontade de estudar o tema, por isso adoro o filme A Ponte. Nesse filme que é um documentário sobre pessoas que pularam da famosa Golden Gate, há um pai que fala sobre o filho suicida (que por sinal é o único que pula e não morre) ter uma espécie de câncer mental que o perturba de tal maneira que parece ser incurável, como todo “bom” câncer deve ser. É lindo o depoimento desse pai. Lindo e profundo. Ele observa com perfeita e incomum clareza sua impotência diante de um filho que tem um “câncer” mental e optou por se jogar das alturas, como se aceitasse a opção do próprio filho em “curar” dessa maneira a suposta doença. Vale a pena ver, como estudo da mente humana. Eu já vi diversas vezes.

Esses pensamentos obscuros que aparecem em nossas mentes sem convite são mesmo bem esquisitos. Mas é assim que a vida é. Eu já falei tantas vezes sobre os compartimentos que tenho dentro da cabeça, mas hoje vou explicar novamente. Transformei a mente em uma escrivaninha do século retrasado. Daquelas que têm dezenas de gavetinhas devidamente categorizadas. Lá deixo separados os pensamentos ruins, bons, as idéias, os projetos, enfim, cada coisa em seu devido lugar, até lixo tem, como observaram os que leram meu texto Revirando o Lixo, texto este que está aqui nesse mesmo Blog.

A idéia de ter transformado a minha mente nessa escrivaninha chique e antiga teve um motivo especial: Toda escrivaninha como essa tem uma porta corrediça que fecha tudo. Isso é importante pra mim, vez ou outra fecho todos os compartimentos. Fazendo isso creio cegamente que estou trancando tudo e passo assim a não pensar em nada. E o que seria “pensar em nada”? E o que seria o nada? Filosofia de botequim à parte, é claro que não pensar é impossível, mas eu amo me enganar ou pelo menos tentar.

Agora estou às voltas com uma questão que está me atormentando noite e dia. Me sinto impotente diante de uma situação limite. Não há nada que possa fazer, apenas sentir. E esse problema nem é comigo e sim com uma pessoa que amo muito. Na verdade, trata-se de um problema que pode ser enquadrado no tema deste texto, algo perturbador de uma mente obscura.

Pensando nisso tudo chego à conclusão que a mente humana é terrível mesmo. Não sei o que aciona esse mecanismo autodestrutivo, talvez um conjunto de coisas e não um fato isolado. A dificuldade é acompanhar isso de perto quando se está longe.

Para quem está com pensamentos obscuros e busca essa saída, nada mais faz sentido, nada tem significado e nem querem ajuda alguma. Algumas pessoas, aquelas que estão vendo a situação “do lado de fora” sentem pena, dó. Não tenho pena de quem busca isso, acho que é um desperdício apenas. Mas a verdade é que a opinião dos outros não faz a menor diferença. Nem a de quem os condena, nem a de quem quer ajudar de alguma forma. Nada importa.

Tudo o que uma mente dessas quer é abreviar o tempo, é interromper o processo natural da vida. Nesse caso específico a que me refiro, o que a mente obscura em questão mais queria é sequer ter existido.

MM

PS: Tô aqui, torcendo pela sua recuperação. Amo você, Carolina.

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Escutar é uma Arte

Escutar é uma arte

Já reparou como fazemos certas coisas ao contrário? Nem pretendo enumerar, mas quero falar de uma coisa em especial hoje, quero falar sobre ouvir, calar, falar…

Pare de ler esse texto agora e vá até seu espelho. Não, nada de fazer terapia, apenas olhe para você e me responda o que vê: Quantas bocas e quantos ouvidos? Pode ir, eu espero…

Pronto? Então vamos em frente. Se tudo estiver correto, e se você não for o Niki Lauda, deve ter dois ouvidos e uma boca apenas, certo? E isso quer dizer o que, hein? Eu respondo: Que deveria escutar mais e falar menos.

Mas, como somos seres humanos, agimos de forma contrária, falamos mais e escutamos menos. Ok, temos que ter opinião, é claro e nem todo mundo tem. Há os chamados “seguidores dos outros” e pouco se importam em questionar o que lhes é dito. Mas para questionar, aceitar, seguir ou seja lá o que for, é preciso antes de tudo, escutar. Isso é uma arte. E para poucos.

Eu mesmo, o Marcelo Mello pessoa física, sempre fui de falar muito, mas… – sempre tem um mas – sou mais de falar para os outros sobre os problemas deles do que de mim mesmo. Por que? Simples, não conheci ao longo da vida muitas pessoas capazes de me ouvir. E olha que eu nem sou de exigir uma resposta, muitas vezes me contentaria apenas com alguém capaz de silenciar, ou até… capaz de escutar meu silêncio. Sim, isso mesmo que você leu, às vezes nem queremos que escutem nossas falas, queremos que escutem e entendam nosso silêncio.

Em vários momentos quando vamos falar de algo que nos incomoda, somos logo interrompidos. Tipo… você fala que está com dor de cabeça, a pessoa te interrompe e fala que a dor dela é maior. Parece até competição. Em suma, sempre tive dificuldade de encontrar eco quando falo dos meus problemas, quando tento descarregar o meu peso extra…

Em meu trabalho tenho, teoricamente por obrigação, que ouvir mais do que falar. Mas é claro que isso só em teoria, por um simples motivo: Quem me procura não está fazendo isso sem motivo. Elas querem ajuda de fato, querem se livrar de problemas e buscar um melhor bem estar mental. Sabendo disso, sinto muito se desagradarei outros profissionais da área, eu me sinto à vontade para falar com meus clientes. Não impor, e sim falar, discutir os problemas de forma profunda, fazendo uso da empatia e do bom senso. E certas vezes, descubro que meu silêncio ajuda muito também.

Quem está de fora do problema pode ter uma percepção melhor ou pior, mas, sobretudo será uma percepção diferente. E quem procura ajuda tem esse foco, quer na verdade justamente isso: Buscar algo que as faça enxergar a questão que incomoda por outro prisma, ou seja, diferente do que elas pensam.

Ouvir problemas não é fácil. A tarefa é árdua, porém gratificante pelo simples fato de que eu entendo que é justamente isso que está faltando nas relações, sejam elas de qualquer natureza: Ouvir o outro.

Para quem procura ajuda deve ser delicioso perceber que está sendo ouvido. Por mais simples que um problema possa parecer aos olhos de quem escuta, para quem fala um probleminha pode ser um monstro. E colocá-lo pra fora é, em certos momentos, um desafio grandioso. As pessoas não querem escutar, querem falar. A coisa se complica porque para quem está com o problema, a necessidade é de falar e não de ouvir. E como já disse, todo mundo fala mais que a boca.

Há problemas que são difíceis de resolver. Mas para quem os tem, só o fato de colocar pra fora já é um alívio. E se alguém escuta, já está ajudando e muito. Entenda-se por escutar, absorver, entender, ouvir de fato.

O que isso quer dizer? Bem… se você pensar nisso um pouco, poderá entender melhor que às vezes um amigo te procura porque precisa do seus ouvidos emprestado, para te contar algo e sem nenhuma necessidade de ouvir sua pregação, ele quer apenas desabafar.

Temos que ter consciência de que nem sempre o que falamos ajuda e como toda e qualquer relação é e tem que ser de mão dupla, um dia você ouve, noutro você fala.

Essa questão pode ser resumida assim: Tudo o que tem que existir entre amigos, família, casais e colegas de trabalho é apenas um ponto: Troca. E é bem possível, por que não dizer necessário ou viável, trocar palavras por silêncio.

MM

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Infelicidade Feminina

seio

A revista Época desta semana traz uma reportagem muito interessante sobre a infelicidade da mulher atual. Sim, elas são mais infelizes do que nós homens, segundo diversos estudos e pesquisas realizadas pelo mundo. Não vou reproduzir os pontos mais importantes tampouco discutir quem está certo ou errado, uma vez que as discussões sobre isso não são conclusivas.

Quero pegar apenas um ponto: A estética.

Nos últimos anos criou-se um padrão de beleza artificial. A preocupação com isso lota as clínicas de cirurgia plástica, spas, etc. A indústria que mais cresce no mundo é justamente a que produz os tais produtos de beleza. Ok, sabemos que todo mundo tem medo de ficar velho, isso é inegável, mas por que tanta preocupação em ficar belo?

Será mesmo que um seio de borracha é mais bonito do que um seio natural? Bonito pode ser, mas sinceramente, eu prefiro tocar um seio natural do que em um de borracha.

Sou realista e como tal, prefiro sempre o que é verdadeiro, cultuo a essência, a verdade, jamais o artificial. Vejam meu próprio exemplo: Comecei a perder os cabelos com 18 anos. Com 26 mais ou menos eu já era do jeito que sou hoje. Jamais, mesmo com incentivos da minha família para fazer tratamentos até fora do país, eu me preocupei com isso. Não sou hipócrita em afirmar que prefiro ser careca a ter longos cabelos loiros – sim, eu os deixaria crescer se os tivesse – mas não ter cabelos jamais foi uma questão que considerei como fator preponderante para a minha felicidade ou infelicidade.

A questão física e estética para mim não foi e jamais será levada em consideração. E isso jamais me atrapalhou nas conquistas amorosas. Há quem goste e quem não goste e eu sempre respeitei a opinião dos outros, mas cá entre nós, quem se importa com a beleza em primeiro lugar, sinceramente, não me interessa como pessoa. Até porque eu sei que posso oferecer mais do que cabelos longos.  Acho que os homens são desse jeito, a gente até se cuida, claro, mas sem essa neura feminina.

Já as pobres coitadas das mulheres não pensam assim. Elas querem por que querem se tornar Giseles. Ou Julianas Paes. Mesmo com aquelas olheiras horrorosas, mesmo com a bunda cheia de celulite que depois de um trato no photoshop, ficam perfeitas. Não importa a que preço, não importa se fazem ou não mil plásticas, o que as mulheres querem é ser perfeitas fisicamente.

Isso custa caro e não falo aqui do preço que esses tratamentos têm. Esqueçam o dinheiro, falo do custo psicológico da coisa. Esse preço é caro demais para as mulheres. O mercado conspira em favor dessa irrealidade toda. As capas de revistas só vendem se tiverem ali mulheres perfeitas. Perfeitamente “photoshopadas”. O que vende é a mentira, não a verdade. O mundo é assim, irreal. E as mulheres comuns caem nessa armadilha.

Como a esmagadora maioria é composta de mulheres que têm os famosos três quilinhos a mais, é óbvio que o resultado disso não fará bem à autoestima feminina.

Será que as próprias mulheres não percebem o quanto buscar a perfeição física faz mal a elas mesmas? Será que não passou da hora do mercado assumir, perceber e entender que o universo feminino é muito maior do que só a estética? Até quando esse povo vai pisar na cabeça das mulheres, sendo que elas mesmas é que são as que consomem as revistas com beldades na capa? Eu acho isso um tiro no pé, sabia?

Até porque sabemos que as fotografias de hoje em dia são enganosas. Eu, caso fosse debandar para o mundo da fotografia, podem ter certeza, jamais usaria qualquer artifício que fugisse da naturalidade para produzir minhas fotos. Iria preferir encontrar um bom ângulo da pessoa, é claro. Uma melhor luz, por que não, mas photoshop jamais. É a mesma coisa que jogar na cara da pessoa que ela é feia e que eu a transformei numa mulher perfeita. Eu nunca faria isso com uma cliente.

Não somos perfeitos, nem por dentro, muito menos por fora. Aceitar essa imperfeição não tem, nem de longe, o mesmo efeito negativo para a autoestima do que buscar a perfeição artificialmente.

Engraçado constatar que a culpa desse mercado crescer tanto é das próprias mulheres que são as mesmas que vão sofrer com a infelicidade. Pois eu acho que as mulheres são muito mais do que um corpo bonito, um rosto sem rugas e “peitinhos” empinados à custa de muita borracha.

Elas é que têm que pensar sobre o assunto e mudar o mercado. Elas é que estão aceitando a própria infelicidade, portanto, são elas que têm que fazer algo por si. Vejo muitas mulheres reclamando dos “padrões atuais de beleza”. E quem é que aceitou isso como padrão, hein?

MM

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Bem Resolvidos

Cubo

Engraçado a imagem que passamos para os outros. Às vezes é igual a que temos de nós mesmos, outras vezes é completamente diferente.

Em meu trabalho eu lido com pessoas e lidar com gente é algo bem complicado. Mas eu gosto, acho que é minha vocação natural lidar com seres humanos. Apesar de que não sou um admirador da raça, no fundo eu gosto e até posso afirmar que me dou bem fazendo o que faço.

Por conta disso, muita gente acha que eu não tenho problemas, afinal, a maioria de nós pensa que profissionais que trabalham com pessoas são seres bem resolvidos. Ledo engano, basta você aí do outro lado pesquisar um pouco que vai perceber que todos temos basicamente os mesmos problemas, basicamente as mesmas crises.

Nunca liguei de expor o que penso, como penso e o que sinto. Sei que muitos profissionais têm esse medo e preferem vestir a máscara dos bem resolvidos, mas eu afirmo, é tudo mentira, como disse, é uma máscara. Eles devem ter seus motivos para fazer isso, e para ser bem sincero, eu não tenho nada a ver com isso, cada um que faça o que bem entender.

Mas como dizia, alguns clientes que tenho ou tive, alguns amigos também acham que por fazer o que faço eu sou o cara mais bem resolvido que existe. Pois então, o que será que quer dizer “ser bem resolvido”?

Duvido que alguém tenha essa resposta, pois, além disso, duvido que exista ou mesmo que alguém saiba explicar isso direitinho.

Por diversas vezes tentei responder. Indo além, tentei ser um cara bem resolvido. Mais um pouco além, tentei fazer de meus clientes seres bem resolvidos. Ingenuidade de minha parte. Não é possível que alguém nesse mundo consiga ser bem resolvido em todas as áreas da vida, mesmo aqueles seres super felizes que fingem existir por aí. Até porque, se fosse mesmo verdade, seriam uns chatos.

Sempre falta uma coisinha aqui outra ali, coisa que é bem natural, eu diria. A vida deve ser isso mesmo, temos que nos conscientizar e aceitar. E isso, saibam, nada tem a ver com conformismo. O que estou querendo dizer é que um ser humano é composto de muitas coisas e uma mais complexa do que outra. Ajeitar tudo é muito mais do que uma tarefa difícil, é uma tarefa impossível. Pessimismo? Não, trata-se do mais puro realismo.

O que não quer dizer que devamos ficar sentados sobre nossos defeitos e problemas e acreditar que o mundo que se vire par a lidar conosco. É tentador, eu sei, mas não é o melhor a fazer. Muito menos aceitar o mundo como ele é e fazer o que os outros fazem. Nada disso resolve.

O ideal é que saibamos dos nossos defeitos, dos nossos problemas e também das nossas qualidades. Sim, qualidades. É tão mal resolvido quem não sabe lidar com defeitos como quem não sabe lidar com as qualidades. Ser, ou melhor, tentar ser bem resolvido nada mais é do que tentar aprender a lidar com as coisas da vida e encontrar nosso espaço nesse mundo.

Achar a melhor maneira de encarar a vida e suas mazelas, bem como aceitar, entender e aprender com as coisas boas que temos. Meio que tentar levar para o nosso lado negro da força o nosso lado bom. Todos nós temos um lado bom, por pior que pareça. Que frase estranha… Deve ser efeito do sono…

Deixa eu tentar explicar. Mais ou menos assim: Perceba que você sabe lidar com determinadas coisas melhor do que outras. Isso é óbvio. A idéia é tentar levar esse sentimento ou essa percepção e atitude para as coisas com que lidamos mal.

Simples? Claro que não, mas a busca é eterna. Tem que ser eterna. Caso contrário, além de não sermos bem resolvidos nos tornaremos seres bem mal resolvidos. E aí o convívio fica complicado, não é?

E não pensem que estou falando do convívio apenas com os outros não. Quem me conhece sabe que me preocupo – e tento fazer com que meus clientes façam o mesmo – com o convívio com o próprio Ego. Caso você me acompanhe “desde sempre”, deve saber o que penso sobre o Espelho, é disso que estou falando.

Ninguém nesse mundo deve se olhar no Espelho e enxergar somente um lado ruim, tampouco apenas um lado bom. O objetivo inicial da Terapia do Espelho, a qual sou adepto e defensor é antes de tudo, conseguir olhar nos próprios olhos.

Já é um grande começo. Depois do “começo”… bem, aí eu teria que cobrar uma consulta para falar mais sobre o tema…

MM

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Antes de Partir

Luz

O amigo Kris Arruda escreveu muito bem sobre o tema em seu Blog e mais uma vez decidimos falar sobre o mesmo assunto ao mesmo tempo, como já fizemos tantas vezes. Assim sendo, lá vou eu…

Antes de partir é um filme incrível. Apesar de bem triste, faz a gente refletir sobre esse tema que temos tanto medo sequer de pensar. A morte é a única certeza que temos na vida e mesmo assim, apesar de sermos inteligentes, lidamos mal com isso. Claro, a maioria de nós adora viver e sem saber o que há de fato do outro lado, nos apegamos à vida com todas as forças.

Mas imaginemos a situação, um médico lhe dá um ano de vida. O que fazer? Alguns vão se desesperar, sentar, chorar e esperar a hora chegar. Outros, ainda que desesperados, vão tentar correr atrás das coisas que deixaram de fazer. Mas o fato é que a maioria não pensa numa coisa, tão bem relatada no texto do amigo Kris: Por que é que temos que esperar esse aviso do médico para fazer o que sonhamos?

Sendo bem realista, não podemos deixar de lado os fatores impeditivos, como dinheiro, por exemplo. Mas sempre se pode dar um jeito de visitar aqueles lugares que sonhamos a vida toda em ver de perto. Uma idéia é fazer algo radical como vender tudo e sair pelo mundo com uma mochila nas costas. Bem, quando não sabemos que temos apenas um ano de vida, fazer isso é quase que uma irresponsabilidade, afinal de contas, quando voltar da sua viagem não terá nada além das lembranças das suas loucuras.

Podemos fazer aqui duas perguntas: Para que servem coisas materiais quando sabemos que daqui a um ano tudo isso não será necessário? Ou ainda, como toda moeda tem dois lados, para que servem as lembranças de uma viagem se vamos partir?

Friamente falando, eu prefiro partir com as lembranças. De nada serão úteis depois, mas deve dar um certo conforto você saber que cumpriu sua missão, que atendeu seus desejos mais profundos.

Mas há ainda outros aspectos que eu gostaria de abordar para diferenciar meu texto do que meu amigo escreveu, até porque pensamos parecido sobre essas questões. O que você faria de verdade? Se despediria das pessoas, deixaria elas saberem que você tem apenas um ano de vida? Contaria para todo mundo ou guardaria seu segredo mais dolorido só para você?

Faria as pazes com quem brigou ao longo da sua vida? Mandaria aquele e-mail pedindo desculpas por tudo? Faria aquela ligação para o ex amor da sua vida contando tudo o que sentiu esse tempo todo? Perdoaria a quem te fez mal?

Pois é, a gente não pensa nessas coisas porque até onde sabemos, não sabemos nada em relação à nossa própria partida, com perdão pelo trocadilho.

Alguns dirão ao médico: Um ano? Apenas um ano? É muito pouco tempo… É verdade, um ano parece pouco para quem não viveu a vida de forma plena. Para outros, um ano é muito tempo, pois há nesse mundo muita gente realmente cansada de viver. Triste sim, mas é verdade.

Ninguém fica indiferente em relação a esse tema. Ter a certeza de que esse dia chegará em apenas um ano é, ou melhor, deve ser assustador. Mas em vez de pensar nisso por esse lado, viremos nossa moedinha e olhemos o outro lado. Me diga uma coisa: O que você fez desde o dia 13 de outubro de 2008 até agora, exatamente até hoje? Viveu plenamente? Realizou algo importante para você? Perdoou, pediu perdão, riu, chorou, mandou aquele e-mail, fez a tal ligação?

Pergunto isso porque você pode morrer hoje. Espero que não, mas pode acontecer. Os menos sensíveis dirão: Que diferença faz se vou morrer mesmo?

É um ponto de vista, sem dúvida alguma, mas eu diria que um tanto quando egoísta, pois de repente, fazer essas coisas poderia te aliviar, mesmo que não fizesse diferença alguma estar ou não aliviado na hora da morte, mas pense novamente pelo outro lado:

Será que não faria uma grande diferença na vida de quem ainda vai ficar por aqui algum tempo?

Eu já pensei muito nisso. Já quis viver, já desejei morrer e até já cheguei bem perto da morte por problemas de saúde. Essa experiência mudou algumas coisas da minha vida, mas confesso que não todas. Será que terei que ouvir do médico a sentença para fazer algo ou posso começar agora sem saber que dia tudo isso aqui vai acabar para mim?

Coloque-se em meu lugar e eu farei o mesmo: Acho que temos que começar a fazer algo, não? Que tal começar comprando uma mochila? Ou simplesmente, caso tenha esse desejo, pegar seu telefone e discar aquele número que você tem na memória, na sua memória…

MM

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Esperando um milagre

Esperando homem perfeito

Há mais ou menos 30 anos, sim, você leu corretamente, 30 anos atrás, numa conversa com minha “turma” – o que se chama de galera atualmente – discutíamos o futuro. Quem ia se casar com quem, quando e como. Aquelas conversas que temos quando estamos de bobeira.

Aí uma amiga, acho que a mais bonita de todas, disse em alto e bom tom: Quem escolhe muito, acaba sendo escolhido ou simplesmente ficará sozinho.

Ela falou isso quando nós os meninos brincávamos de idealizar a loira perfeita. Éramos um bando de galinhas, natural para a idade e, portanto, a brincadeira era justamente essa, achar a mulher perfeita em tom de ironia. As meninas, ao contrário, sonhavam com o príncipe encantado, independente de ele ser loiro, alto e de olhos azuis, valia de tudo, morenos, negros, asiáticos, altos, baixos, pouco ou muito acima do peso. O que interessava a elas era que ele fosse O Cara, o perfeitinho.

Deveria ser educado, inteligente, sensível, gostar do Roberto Carlos, assistir sessão da tarde com pipoca numa das mãos e lenço na outra, enfim, elas queriam um chato de um homem metido a gay.

Passado o tempo, a tal amiga que deu o tiro no próprio pé está até hoje solteira. Sim, isso mesmo, ela bateu nas pedras, encalhou. Justo ela que proferiu a frase célebre, justo ela que foi a quem mais procurou o “cara perfeito”.

Mulheres são mais seletivas do que os homens, em teoria. Na prática quando elas estão perto do que chamo de Síndrome de Encalhe, acabam se casando com qualquer “coisa” porque a sociedade e a família cobram isso delas. As de maior personalidade não sucumbem a essa expectativa imbecil das famílias e seguem sonhando com o príncipe do cavalo branco.

Mas afinal, existe esse ser perfeitinho? Se existir, podem apostar, será o cara mais chato desse mundo e mais, ele será pego por ela e não ela por ele. E mulher gosta de ser pega.

O que acontecerá depois é que ela provavelmente se casará com esse mala e em pouco tempo arrumará um amante de pegada mais firme. E esse amante será o mais longe possível do tal cara perfeito.

É engraçado analisar isso porque as mulheres são tão indecisas e tão confusas com suas própria idéias que elas esperam o perfeitinho, mas amam o erradinho. Se casam com os chatos, mas se entregam mesmo à paixão que sentem pelos erradinhos.

Elas exigem tudo do bom e do melhor e sonham com isso. O outro lado não é bem assim, afinal, o que uma mulher que sonha com a perfeição tem a oferecer a nós homens? Pouca coisa, eu diria. Elas estão tão longe da perfeição como qualquer outro ser, afinal, o que é ser perfeito? Existe isso? É óbvio que não.

Os homens se adaptam melhor a elas, é um fato. Elas querem mudar os imperfeitos e também os quase perfeitos caso os encontre. Mulher é mesmo um bicho esquisito como bem cantou a Rita Lee.

Se o cara for erradinho demais elas querem transformá-lo num bolha. Se forem bolhas elas querem que ele desenvolva a veia do pegador, aquele que coloca na parede e as trata como fêmeas. Sim, todas elas querem um bicho e que as trate como tal na hora do sexo.

No fundo todas elas estão erradas, as que querem mudar o homem e as que querem ficar sentadas esperando pelo ser mais perfeito da Terra.

Eu acho que uma relação tem que ter como base a adaptação. Ou ainda, as relações têm que ser consumadas com seres da mesma espécie. Se ela for do tipo papai mamãe deve encontrar um cara também assim. Se ela for do tipo mais selvagem, deve ir atrás do cara mais Uga Uga.

O problema amigos é que todos nós nos relacionamos com seres opostos, por coincidência ou mesmo por uma força inconsciente que nos move nessa direção. Vai ver acreditamos que os opostos se atraem…

Podem até se atrair num primeiro momento, nem que seja pelo desafio mudar o outro, mas com o passar dos anos, vão fatalmente se repelir

Qual a saída? Aos inconformados digo que devem ir atrás de seres semelhantes, quanto mais melhor. Aos conformados, falo para sentarem num banco de uma praça qualquer e esperar, esperar e esperar. Quem sabe um dia alguém apareça para cortar as teias de aranha e te libertar dessa eterna espera…

MM

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Revirando Lixo

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Lembro que uma vez eu escrevi um texto diferenciando Saudade de Lembrança. Eu falei na época que Saudade era querer algo de volta e Lembrança era apenas lembrar sem querer de volta. Não mudei de idéia, ainda acredito nisso.

Não sei por que, ou melhor, até sei, mas os motivos são um tanto quanto esquisitos e por isso não vou escrever sobre, ando meio saudosista. Para falar a verdade, acho que quanto mais o tempo passa, mais saudosistas as pessoas ficam. Aí jogo no mesmo saco todo mundo que conheço.

Um amigo quer comprar de volta seu primeiro carro, seu primeiro violão. Não vai conseguir achar, obviamente, mas ele diz que está empenhado nessa busca. Outro amigo, esse um pouco mais velho do que eu só escuta músicas dos tempos em que tinha 20 anos.

Ultimamente eu ando pensando muito em certas coisas que vivi, talvez as tais experiências culminantes que já escrevi a respeito. Mas uma coisa é engraçada. Diferentemente dessas e de tantas outras pessoas que converso, minha saudade é de momentos, não de épocas.

As pessoas me contam sobre épocas gloriosas de suas vidas e muitas vezes eu faço parte desse passado delas, mas eu não consigo sentir saudade de épocas, apenas de momentos.

Minha adolescência foi fantástica, mas também um tanto quanto complicada. Sendo assim, eu isolo os momentos ruins num compartimento de minha mente que chamo de: Lixeira.

Para esse compartimento eu mando tudo o que de ruim aconteceu, mesmo que tenha sido em uma época boa, mesmo que as partes ruins façam parte de coisas boas como um todo.

No fundo eu acho errado fazer isso. Pelo simples fato de que uma história tem que ter começo meio e fim. Fazendo isso eu picoto a história para me lembrar apenas dos momentos bons. Sim, é claro que isso está errado, deve ser apenas um joguinho da minha mente. Só que, como toda mente que se preza, vez ou outra me vejo revirando o lixo. Vez ou outra é força de expressão, eu faço isso muitas vezes. E conforme o tempo passa… faço mais e mais.

Isolando apenas a saudade, é óbvio que quanto mais o tempo passa mais saudades sentimos, afinal de contas, conforme a idade avança, mais lembranças temos do passado, menos coisas acontecem no presente e temos menos ainda expectativas do futuro. É verdadeira a frase que diz que começamos a morrer no dia em que nascemos. Indo por essa linha de pensamento é fácil afirmar que a minha geração está mais perto do fim do que do começo. Momentos “deprês” à parte, voltemos à lixeira.

Eu dizia que ando – bem, não só eu – revirando lixo. Sim, vamos colocar tudo no mesmo saco novamente, as pessoas se tornam vira-latas com a idade. Claro, entenda-se por “todo mundo” as pessoas que têm essa mania de separar o lixo. Não sei se é a preocupação com o meio ambiente, mas eu, por exemplo, faço isso para preservar o MEU ambiente.

Só que como todo bom vira-lata, volta e meia derrubo uma lixeira para ver o que tem dentro. Como se fosse uma bola de cristal ao contrário, em vez de prever o futuro, tento analisar e entender o passado.

A pergunta que me fiz hoje de manhã na frente do espelho foi: Pra que?

Sem resposta, entrei no banho emburrado. Mas eu até entendo alguns motivos, um deles é que quando se joga muita coisa fora, algo de bom sempre escapa e vai parar no lixo. A pergunta pra que ainda está valendo.

Respostas? Bem, talvez seja porque queira sentir saudades, talvez queira relembrar coisas há tempos isoladas e que foram jogadas fora depois de serem exaustivamente lembradas. Pode ser simplesmente qualquer coisa dessas, até mesmo ver como tudo aconteceu e tentar fazer de novo… ou não repetir nunca mais…

A questão é: Se algo te move na direção de revirar a lixeira é porque alguma coisinha, por menor que seja, ainda te faz bem, ainda te faz sentir falta. Mas também é fato que nossa mente pega pesado, nos prega peças sabe-se lá por quais motivos e nos engana dizendo que alguma coisa boa foi jogada fora e que deve ser reciclada.

Como é que se faz para descobrir a verdade? Revira-se o lixo ou o trata como lixo tóxico enterrando-o perto da camada do pré-sal?

MM

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Migalhas

migalhas

Ontem conversava com uma amiga/leitora e falávamos sobre Migalhas. Eu disse a ela que já havia escrito alguma coisa sobre o tema, não lembro quando e muito menos se em algum dos meus Blogs ou mesmo no meu site.

Claro que, com minha conhecida “organização”, não encontrei o texto, afinal de contas, devo ter mais de mil textos espalhados por três computadores. Sei que esse texto está em alguma pasta, mas…

Isso não importa, o que interessa é que esse assunto é interessante e eu me lembro de ter dito que há pessoas por aí fazendo sanduíches com migalhas, e pior, se contentando com isso. Em todos os seguimentos da vida, o que deixa a “coisa” mais complicada ainda.

Preciso pensar mais sobre isso, tenho que entender porque é que as pessoas se contentam com pouco quando podem ter muito. Seguindo essa linha de raciocínio, percebo ainda que os livros de auto-ajuda, aqueles que todo mundo alega que não lê, mas que vendem muito, de fato não estão ajudando. Eles pregam que temos que pensar grande, entre outras coisas, mas as pessoas fazem o que? Pensam grande e só? Não fazem nada em relação a ter grande?

Pois é, pensar grande é mesmo o caminho. Já li uma frase ótima sobre isso: Pense grande, ou você já ouviu falar de Alexandre, o médio…

Digamos que todo mundo pensa grande. Isso posto, como explicar então o… se contentar com pouco? Não faz o menor sentido. Bem, e quem é que disse que seres humanos fazem sentido, não é verdade? Não fazemos sentido, não somos coerentes nem com nossos pensamentos e muito menos com nossos sonhos.

Agindo dessa maneira, é natural que o único caminho que sobra é nos darmos por satisfeitos com as sobras, com as migalhas. Sabe aquele papinho… melhor isso do que nada? Então, é exatamente isso que nossa “razão” nos diz quando, por exemplo, temos uma relação com alguém que esteja comprometido, ou ainda, quando cobramos por um serviço um valor pequeno para “não perder o cliente”.

Isso é mendigar. Isso é um cruzado de direita no queixo da sua autoestima. Será que essas pessoas não percebem o que acontece quando aceitam migalhas? É como dizer a si mesmo que você não capacidade de ter o que deseja. Pergunto, por que? Medo? Quantas vezes vou ter que repetir que o medo é o pior conselheiro que existe?

Parece que no próximo domingo uma reportagem na Tv vai revelar o resultado de uma pesquisa que mostra que as mulheres solteiras preferem se relacionar com homens casados. Como é? Sim, isso mesmo que vocês estão lendo. Preferem uma relação com alguém comprometido.

Mais cedo ou mais tarde a pressão vai tomar conta dessas relações, isso é uma verdade absoluta. A menos que seja por pura diversão ou sexo casual, a pressão vai aparecer. A pessoa que não é comprometida vai exigir da outra uma decisão. Mesmo que não verbalize isso nunca, no seu íntimo é o que ela espera, que o comprometido largue tudo para viver esse novo amor.

Como raramente acontece, a não comprometida vive de migalhas. E com medo de pressionar e perder o objeto amado, aceita isso porque afinal de contas, ter pouco é melhor que não ter nada.

Como disse, tem a ver com a nossa estúpida depreciação. Sim, estúpida é a palavra. Em vez de buscarmos algo que nos valorize, buscamos exatamente o contrário. E nossa mente não perdoa.

Basta você cobrar pouco por um serviço que imediatamente a sua mente te joga na cara que você deveria ter cobrado mais, te joga na cara que você não vale nada.

Palavras duras? Desculpem, mas quem foi que disse que nosso Ego-Sistema é moleza?

MM

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Obstáculos

pedra-no-caminho

Recebi um dia desses um e-mail de uma cliente e ela ilustrou-o com essa imagem aí de cima. Não vem ao caso o conteúdo, óbvio, mas a imagem é ótima e resolvi aproveitá-la.

Um ditado Chinês diz algo assim: “Nós tropeçamos nas pedras pequenas porque as grandes enxergamos e desviamos”.

Parece interessante como todo bom ditado Chinês, mas… Tudo bem que ninguém tropeça numa pedra grande, mas pode ser até pior, batemos com a cara nela. E aí, o que fazer? Remover ou desviar?

Desviar é o que a maioria faz quando se depara com um obstáculo pela frente, não falo apenas de obstáculos físicos, falo também dos psicológicos. Sim, quando pensamos em algo que bloqueia a seqüência dos pensamentos, tendemos a nos desviar da idéia original para tentar chegar ao objetivo final.

Só que aí a “coisa” fica, ou pode ficar, completamente diferente do que queríamos, pois mudar o curso pode até nos levar ao mesmo lugar almejado, mas de forma diferente. O que estou querendo dizer é que podemos alcançar o objetivo, mas com um custo diferente. O que isso significa? Bem, de alguma forma o resultado pode até ser o mesmo, mas aquele obstáculo que havia no meio do caminho também continuará ali, só que fazendo o papel de um fantasma.

Em minha opinião, obstáculos, grandes ou pequenos, têm que ser eliminados. Uma vez feito isso, eles jamais vão aparecer. Imaginem a tal estrada da foto. Se essa pedra ficar ali, um desvio deverá ser feito e isso não quer dizer que esse desvio será bom para os carros que por ali vão passar. Pode ser longo, tortuoso, causar danos ao carro e por aí vai…

Na vida também é assim. Desviamos por aparentemente ser mais rápido, mais fácil ou até mesmo por medo e, as conseqüências nem sempre são boas. Sem falar que o problema (obstáculo) fica ali, pronto para interromper novamente a qualquer momento seja lá o que for.

Não é fácil eliminar obstáculos de qualquer espécie, exige algo que está em falta no mercado hoje em dia: Coragem.

Coragem para meter a mão na massa e ver os danos que essa pedra no caminho causou à estrada. Pode envolver um gasto de energia que não estava programado, mas não remover a pedra é permitir que ela sempre esteja ali, atrapalhando os próximos movimentos.

Eu “cuido” de pessoas e esse meu trabalho de consultoria pessoal não é nada fácil. Na maioria das vezes, as pessoas aparecem contando os desvios que fazem para viver bem. Mas quando eu noto que esses desvios fazem mais mal do que bem, ficam sem saber o que fazer. Esse é o meu trabalho, mostrar a realidade estando de fora, sem emoção envolvida.

Mostrar a realidade não é jogar a pessoa pra baixo para valorizar meu trabalho quando eu der o caminho das pedras, nada disso. Mostrar a realidade, no meu caso, é apenas colocar na frente da pessoa um belo e lindo espelho, o mesmo que ela vem usando para ver se a calça combina com a blusa…

Mas é absolutamente necessário fazer isso. É indispensável, até. No caso dos obstáculos, quando pergunto por que é que o cliente desviou em vez de enfrentar, normalmente escuto desculpinhas e justificativas que não servem para nada, muito menos para o bem estar mental da pessoa.

É fato – aqui vai uma dica de graça – que quando temos um problema, um obstáculo, se fizermos o tratamento adequado – o que exige comprometimento do cliente – antes de começar a melhorar, a coisa piora muito. É esse o tal esforço extra que mencionei nesse texto, é essa a coragem que temos que ter para mexer na ferida.

Só removendo as pedras é que a estrada ficará completamente limpa e livre. Desviar pode parece sensato, fácil, mais simples, mas na volta – e na vida vamos e voltamos sempre – a pedra continuará ali. E a cada vez que passarmos por ela vamos “ouvir” nossa voz interior dizer algo que vai derrubar nossos Egos, algo como: Viu? Eu falei que devia ter eliminado essa pedra…

Em suma, nossa mente sempre nos lembra que somos covardes. E esses obstáculos que surgem na vida são de toda ordem: Família, amigos, amores, trabalho… e até nós mesmos que por vezes colocamos pedras em nossa própria estrada…

MM

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Sim x Não

sim-ou-nao

Ah esse conflito… Vou começar logo abrindo o jogo, adoro falar não, simplesmente adoro. Tudo bem, já falei sim muitas vezes, até na frente de um Juiz quando me casei pela primeira vez. Mas falar não tem um sabor especial. Calma, muita calma nessa paciência porque vou explicar tudo direitinho para não ser chamado de louco pelas psicólogas que me acompanham aqui no Blog.

Houve um tempo em que eu falava sim pra todo mundo, era só pedir que falava sim. Às vezes nem precisavam pedir, ia logo falando sim e pronto. O que ganhava sendo assim? Olha, para ser bem franco, ganhava muito pouco. Falar sim exige cuidado. Bem, falar não também, mas uma coisa é engraçada… Quando a gente fala não, somos mais respeitados. Pode ser mais uma doideira da minha cabeça eu sei, mas é o que penso a respeito.

As pessoas odeiam ouvir não, mas te respeitam. Não sei por que, mas parece que um não bem fundamentado tem mais credibilidade do que um sim. Mais ou menos como se falar sim fosse comum. Por outro lado, quando falamos não dá a impressão que a “coisa” foi pensada. A pessoa que ouve o seu não fica de cara feia num primeiro momento, mas depois que ela pensa um pouco e acaba dando mais valor a você, mesmo que não admita isso nunca. Talvez porque muitas vezes temos que dizer aquele não senão ficamos muito “facinhos”. Se levarmos para o mundo do sexo, as mulheres vão me entender porque quando elas dizem não para um “ou dá ou desce” logo de cara, são mais respeitadas. Mas não vou falar de sexo.

Ouvi tantos nãos na infância e adolescência que até perdi a conta. Respeitei sempre meus pais, mas como ouvi muito mais não do que sim – na maioria das vezes era não pelo não, sem explicações – os tratava como pais e não como amigos. Tudo bem, estou falando aqui de respeito, apenas (Daqui a pouco inverto tudo, é só eu virar adulto, um instante só). O mais engraçado é que eu não falava não para eles, mesmo que não cumprisse com as obrigações, apenas concordava e fazia as coisas escondido, mas isso não vem ao caso.

O que importa ressaltar é o dia em que falei o primeiro não para eles. Sinceramente, foi libertador. Eles passaram a respeitar meu ponto de vista em relação a tudo e pasmem, começaram a falar mais sim do que não e quando me diziam não, explicavam por que. Esquisito? Sim, se é esquisito para vocês, imaginem pra mim que vivi isso na pele.

Tomei gosto pela coisa e só falava não, adorava ver a cara das pessoas (tudo bem, podem me internar). Depois de adulto, tive uma recaída e comecei a falar sim para todo mundo. Acho que tem muito a ver com aquela coisa de ser aceito na sociedade ou nos grupos em que vivemos. Mas durou pouco, viu, assim que percebi que as pessoas abusam dos que falam sim pra tudo, dei meia volta e me apaixonei novamente pelo não. Mas não como filosofia de vida, apenas aprendi que falar um NÃO na hora certa tem um efeito bom para meu próprio Ego. Parece que dá uma força tremenda.

Hoje em dia, depois de velho – sim ter 48 anos é ser velho – eu noto que isso me fez bem. Eu trabalho com pessoas e, além das que atendo, me relaciono com muita gente e percebo que muitas delas têm uma imensa dificuldade em dizer não. Passaram a vida toda sem usar essa arma poderosa e agora… bem, agora acham que é tarde demais. Eu digo com todas as letras: Nunca é tarde demais para qualquer coisa. Muito menos para reparar erros, muito menos para bloquear os abusos.

O que acho mais estranho é que essas pessoas falam sim para todo mundo e não para elas mesmas. Pensem nisso. Eu mesmo já fiz isso tantas vezes que me irrito só de lembrar. Ao dizer um sim para alguém, claro, se você não quer dizer sim, é o mesmo que dizer não a si mesmo.

Ficou confuso? Dêem um desconto, estou escrevendo este texto de madrugada ouvindo Bach e no meio de uma insônia brava. Estou prestando mais atenção na música do que no texto.

Tentemos de novo, agora é um papo só entre nós dois: Digamos que alguém te peça algo que você não quer fazer. Se você disser sim para a pessoa estará dizendo não a você. Estará negando sua vontade. Pergunto eu na minha parca inteligência, por que, hein? Faz isso com você achando o que? Que vão te respeitar mais, que vão te aceitar? Ora, se pessoas abusam de você me explica então por que é que tem essa necessidade de “ser aceito” por essa gente? Helloooo… eles abusam!!!

Vale explicar que não estou generalizando, ok? Você é suficientemente inteligente para saber e entender o que estou querendo dizer. Isso, estou falando desse caso especifico aí que você se lembrou. Teria sido melhor ter dito não, não é mesmo?

Só mais uma coisa, eu amei aquele filme “Yes man” (Sim Senhor) com o Jim Carrey. Que contradição a minha. Bem, mais ou menos, assistam que vão entender… Nem tanto ao céu, mas muito menos ao inferno.

MM

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Cicatrizes

Coração

Hoje vou falar de um assunto que nunca falei: Cicatrizes. Parece pesado, parece meio deprê, mas não é por aí… ou talvez seja… ah, sei lá.

O fato é que ao longo da vida vamos colecionando cicatrizes, algumas internas que só a gente sabe, outras externas que não temos como escondê-las. A verdade é que esse processo, sim, é um processo, vem lá de longe, desde os tempos de criança quando caímos e batemos a cabeça no canto da mesa…

Brincadeiras à parte, algumas cicatrizes vem de lá mesmo. Mas não quero aqui falar de crianças e traumas de infância, sei que eles existem, Freud cansou de falar sobre isso e acho que ele já disse tudo. Algumas bobagens monstruosas, mas também falou coisas interessantes.

Passemos para a adolescência. Em minha opinião, algumas das piores marcas que trazemos surgem nessa fase, onde nos entendemos por gente. Para certas pessoas a adolescência é um verdadeiro inferno, rebeldia sem causa, transgressões sem fundamento, enfim, é um período meio doido. Acho que vou pular essa parte, afinal, sei que meus leitores já passaram dessa etapa conturbada da vida. Vamos para a fase adulta.

Na opinião de vocês, qual é a maior fonte produtora de cicatrizes, o amor, família, amigos…?

Eu misturaria tudo. Tenho marcas aqui dentro provenientes de todas essas “fontes” aí de cima. Mas nada que me faça lamentar não, acho que de tudo o que vi e recebi aprendi um pouco, aprendi a me conhecer e a tentar evitar que essas marcas fossem repetidas. Notem que eu disse tentar, o que não quer dizer… conseguir.

Mas eu tento sim com todas as minhas forças e tenho um grande aliado nesse processo, um grande problema que, apesar de problema, me ajuda muito: A cicatrização. Não só literalmente por causa da diabete, mas eu sempre tive esse problema, uma ferida demora para cicatrizar. Manter a ferida aberta ajuda a não permitir que uma nova ferida do mesmo tipo apareça.

Sendo bem sincero, algumas nunca cicatrizam e eu pretendo manter as coisas desse jeito. Se alguém quiser levar isso para o lado do rancor, fique à vontade. Além de rancoroso master plus sou também vingativo. Dou a desculpa que é por causa do meu signo, escorpião, mas isso não cola muito não. Sem problema, eu assumo numa boa esse lado negro da força. Opa, desculpem, vou reformular a frase: Assumo esse lado Afro-descendente da força. (Não quero parecer racista nem politicamente incorreto)

Feio admitir isso em público, mas é a verdade, quando menos se espera, eu me vingo. Antes de me julgar, pense aí, você não se vinga das coisas que te fazem? De nenhuma forma? Como pode alguém deixar passar em branco as coisas ruins que sofrem? Eu não entendo, mas respeito, cada um age de um jeito, mas uma coisa eu falo, o mundo já tá cheio de impunidade.

Existe também o outro lado da moeda, coisas que fazemos, cicatrizes que provocamos nos outros e que fazem um mal danado a eles. Então… a vida é assim mesmo, no universo das relações humanas há sempre alguém machucando alguém. É assim que a roda gira. Não há nesse mundo alguém que passe batido pela vida sem machucar e se machucar. Faz parte do esquema, faz parte do jeito… humano de ser.

Tentar apagar as marcas é uma tarefa árdua e nem sempre somos bem sucedidos nisso, há que se tentar, pelo menos tentar viver com elas. Ontem, enquanto escrevia este texto eu pensava nas marcas que apaguei, nas que não apaguei e aí me veio uma pergunta na cabeça:

- O que é mais fácil, esquecer alguém que te fez mal ou esquecer o mal que alguém te fez?

Como não podia deixar de ser, meu Id e meu Superego apareceram para me “ajudar” a responder a essa indagação. Depois de muita “briga”, cheguei à conclusão que é mais fácil esquecer o mal, mas eu prefiro mesmo é esquecer a pessoa…

MM

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Auto-destruição

Botao

Muito tem se falado sobre auto-sabotagem. Normalmente falam associando a sabotagem às atitudes. Li coisas interessantes e verdadeiras sobre isso, mas hoje eu queria falar algo talvez um pouco diferente, dentro desse mesmo assunto.

As pessoas sabotam as atitudes, os projetos, como se tivessem um pavor incontrolável do sucesso. Sim, isso é mais comum do que podem imaginar. Indo um pouco além, mas dentro do mesmo tema, pois entendo que uma sabotagem só tem um intuito, o de destruir, quero hoje levantar outra questão, tão ou mais pertinente que a auto-sabotagem, talvez ainda o que dá origem a isso: A auto-destruição.

Dia desses falei em algum texto perdido aqui no Blog sobre a capacidade de destruir coisas boas que alguns de nós temos. Destruir coisas boas, repito, como se tivéssemos um botão, um detonador. Pergunto, por que será que não usamos essa força para destruir o que é ruim e o que nos faz mal? Bem, a resposta para isso talvez seja… Porque destruir o que faz mal nos manteria num estado de felicidade. Percebam que a conseqüência de apertar esse botão para destruir as coisas boas é destruir a nós mesmos.

Ué, mas não viemos ao mundo para buscar a felicidade? Não todos nós, apenas alguns. A maioria não quer ser feliz. Ok, parece insanidade afirmar uma coisa dessas, mas quero que você aí faça mais um exercício. Consegue parar um instante e pensar nas vezes que as coisas não deram certo na sua vida? Agora consegue ser honesto o suficiente para analisar – como se estivesse fora de seu corpo – e perceber a sua responsabilidade sobre “o que fez a coisa dar errado”?

Não estou falando em se culpar, pelo amor de Deus, quem me conhece sabe o quanto eu odeio a palavra culpa, estou falando em analisar com imparcialidade e notar onde é que você fez algo, moveu uma pecinha que seja na direção de destruir o que estava tão bom… Consegue fazer isso? Vai doer um pouco, mas sem reconhecer, sem se identificar com o que estou falando, vai ser difícil acompanhar meu raciocínio.

Tudo bem, não quer fazer isso agora, não faça, mas te digo, se fizer, vai perceber que muitas vezes as coisas não funcionam porque nós mesmos é que forçamos a barra para destruir tudo.

Tem gente que me pede ajuda para mudar e destruir o que está ruim em suas vidas. Lá vou eu fazer meu trabalho e consigo bons resultados, mas mesmo assim, algumas pessoas insistem em puxar de volta a nuvem preta para cima de suas cabeças, das suas vidas como um todo.

Sabe o que é engraçado? Vejo essa busca incessante pela destruição tão nitidamente que fico até sem jeito às vezes. Sabem por que? Porque eu mesmo já fiz isso comigo tantas vezes que ficaria dias aqui escrevendo sobre o tema. Mas uma delas, a mais importante, vale comentar.

Meu sonho, aquele maior sonho que todos temos na vida, era me tornar escritor. Desde sempre eu tinha apenas um grande sonho: Escrever. Demorei tanto para realizá-lo que nem te conto. Mas um dia eu resolvi fazer isso pra valer. Fiz, obtive êxito porque não é fácil lançar um livro, quer dizer, você até pode fazer isso por conta própria, mas eu queria que alguma editora comprasse meu sonho, o que é bem complicado neste país. Deu certo, consegui e lancei meu tão sonhado primeiro livro. A noite de autógrafos foi um sucesso, um monte de gente, divulgação na imprensa, tudo funcionou melhor do que qualquer expectativa que eu pudesse ter criado. Tudo como manda o figurino, tudo com os devidos pingos nos “is” dos manuais de sucesso.

Terminada a noite do lançamento, cheguei em casa com meus amigos mais próximos e quando abrimos um champagne para a última celebração… olhei no meu relógio e vi que era meia-noite em ponto, sabem o que eu disse?

- A noite de “Cinderela” acabou, voltemos à realidade da Gata Borralheira…

Tem coisa mais broxante do que isso? Fala sério, né? Tudo bem que eu estava no meio de uma depressão daquelas, mas eu não havia usado o “livro” como válvula de escape? Não havia escrito para realizar meu grande sonho? Não havia atingido meu objetivo e, mais do que isso, não estava naquele momento iniciando a colheita dos frutos do sucesso?

Por que diabos destruir aquele sonho daquela maneira tão dura? Porque temos essa tendência quando não estamos bem de cabeça, de fazer tudo parecer com a fábula da “abóbora”?

Mesmo depois de “curado”, vez ou outra minha mente ainda tenta me sabotar, mas agora eu consigo diferenciar o que é boicote do que é realidade. Antes eu sucumbia, agora eu destruo os pensamentos turbulentos, pelo menos analiso o quanto tem de boicote e sabotagem e o quanto tem de realidade. A realidade é dura sim, mas real, a auto-destruição é irreal, é “fabricada” por nossas mentes.

Nem todo mundo consegue, pior, nem todo mundo enxerga a diferença. E ser cego não é só não ver, é não perceber com os outros cinco sentidos. Sim, falei cinco de propósito porque sempre afirmei que além dos cinco que são reconhecidos, temos um sexto, a intuição.

E este sexto sentido aparece em todos os momentos, a gente é que insiste em não escutá-lo e acaba, por muitas vezes, sabotando e destruindo a nossa própria essência. E mesmo que alguns insistam em fazer parecer como tal, ninguém nesse mundo tem como essência a auto-destruição. Apenas fazem de conta e… muitas vezes conseguem.

MM

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Acorrentados

Acorrentado

Todas as profissões, nos últimos anos, passaram por grandes modificações, talvez mais do que isso, evoluções. Para citar um exemplo, diria que na medicina as coisas hoje em dia são bem diferentes do que eram num passado bem recente.

Lembro que um jogador de futebol que operasse o joelho, levava cerca de 8 meses, às vezes até um ano para se recuperar, fosse qualquer tipo de intervenção. Hoje em dia, dependendo do que fazem, voltam a jogar em poucas semanas. Isso é fruto de muito estudo, muita tecnologia e muita inovação. Podemos pensar que acontece de fato em várias atividades profissionais.

Ainda na medicina, posso afirmar que 99,9% das doenças do corpo já devem ter sido catalogadas, mas os tratamentos é que passam por modificações. Isto posto, vamos em frente.

Eu pergunto: E na psicologia, o que há de novo? Acredito eu no mais sincero modo-humildade que não sabemos ainda quais e quantas são as doenças psíquicas. Cada dia surge um distúrbio novo e me parece que o que evolui nessa área são as doenças e não as curas.

Ok, desci do altar da humildade e volto agora ao meu particular mundo da falta dela, perguntando novamente: O que há de novo na Psicologia? O que há de revolucionário, que teorias novas surgiram, que tratamentos eficazes apareceram nos últimos anos?

Tudo bem, eu leio muito sobre o tema desde que abandonei a faculdade, confesso que não agüentei continuar no curso justamente porque os professores me pareceram acorrentados às teorias do passado. Ora, no alto de minha humildade, inocência com pitadas de arrogância, entendi que um curso de Psicologia nada mais é do que ler, entender e aceitar as teorias propostas há longa data. Não vi nada de novo e, sinceramente, não acreditei que entre meus colegas e professores fosse surgir uma mente brilhante capaz de trazer algo novo no quesito: Tratamento da mente humana.

Vestindo novamente a roupa da humildade, entendo perfeitamente que, mesmo lendo muita coisa a respeito, é também verdade que não devo ter lido nem 10% de tudo o que se publica a respeito. Mesmo assim, tiro minha “sandália da humildade” e sigo em frente acreditando no que disse acima: Nada de novo surgiu a não ser aquele fantástico livro Inteligência Emocional do psicólogo Daniel Goleman. Fantástico porque ele trouxe uma percepção bacana sobre a inteligência, mas nada que não seja tão óbvio assim. Apesar disso, ele tem um grande mérito de ter trazido esse assunto à luz.

Por falar em óbvio, é isso o que mais evoluiu no mundo da psicologia: A constatação do óbvio.

Me desencantei com a faculdade justamente porque não vi nada, absolutamente nenhuma discussão em sala de aula, em palestras durante a “semana da psicologia” que me fizesse crer que algo de novo dali surgiria. Nada! Ao contrário, era uma mesmice que dava até sono. Só discussões sobre o que alguém já tinha “inventado”, descoberto ou publicado no passado.

Oras bolas, eu sou um cara criativo, estou sempre buscando algo novo e, mesmo quando dou com os burros n’água não desisto de procurar “o novo”, o caminho que ainda não foi trilhado. Já escrevi sobre isso uma vez, tenho medo do conhecido e não do desconhecido.

Vai ver que eu tenho alguma Síndrome de Bandeirante, sei lá se em outra encarnação fui o Fernão Dias ou quem sabe Bartolomeu Bueno da Silva, o Anhanguera (Nossa, será que fui uma “rodovia”?). O fato é que o novo me fascina e não sossego enquanto não vejo algo diferente. O que me desencantou foi constatar em apenas dois anos de estudo que eu sairia dali talvez engessado como todos os outros e isso não condiz com minha personalidade. Em vez de reclamar e choramingar pelos cantos, tirei meu time de campo, pois não era meu sonho permanecer preso à teorias do passado.

O mundo evoluiu muito e só evoluiu por causa dos seres humanos. Hoje vive-se mais tempo, os cinqüentões são os novos trintões e por aí vai. Não sei se vivemos melhor, mas é inegável que vivemos mais tempo. Nada mais natural do que constatar que quanto mais se vive, mais sujeitos a problemas estamos, quase que mais expostos às crises existenciais de todo tipo.

Isso me obriga a usar meu raciocínio lógico: Lá em cima no começo deste texto, eu disse que praticamente todas as doenças já foram catalogadas e assim mesmo, a busca é incessante pela cura desses males. Ora, se mesmo tendo-se descoberto todas as doenças eles continuam evoluindo, entendo que se ainda não foram descobertas todas as doenças psíquicas o campo de pesquisa é ainda muito maior, deviam não só correr atrás das doenças como das curas.

Olhando bem de pertinho e sem nenhum medo de parecer arrogante, vejo e senti na pele que terapeutas engessados não curam ninguém. É nisso que acredito: Não se pode e nem se deve achar que uma teoria lá do passado vá servir para um problema da mente atual. Tudo nesse mundo mudou, a dinâmica das pessoas é outra, não posso me conformar que os tratamentos psíquicos permaneçam engessados e ineficazes.

É hora de se criar algo novo, algo que dê resultados efetivos. Não vejo outra maneira de isso acontecer que não seja mandar um recado aos “teóricos” de hoje: Joguem o óbvio no lixo, usem apenas o brilhantismo que já foi descoberto e tratem de ser mais criativos no presente e no futuro.

MM

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Sem Pé nem Cabeça

Sem pé

Ontem a noite fiquei lendo um livro de Psicologia, uma espécie de bíblia que tenho lá em casa e que me ajuda muito no meu trabalho. Sem parecer morno como tudo nesse universo, pelo contrário, o livro é ótimo, direto e muito bom de ler.

Já o li inteiro e hoje em dia uso mais para consulta do que qualquer outra coisa. Mas como não poderia deixar de ser, ele não dá todas as respostas, apenas te mostra as opções mais próximas do que você tem necessidade de saber ou descobrir.

Mas como todas as coisas nesse mundinho “psicológico”, ele não é conclusivo ou taxativo. Mas chega perto disso restringindo as alternativas do “pode ser isso ou aquilo”, o que já ajuda muito, pois em psicologia tudo pode, nada é o que parece e nenhuma resposta é definitiva, seja a questão que for.

Esquisito, mas por acaso alguma coisa ou alguém é “definitivo”?

Não, nada nem ninguém. Nós, por exemplo, estamos em constante evolução ou involução, depende do momento. Sem falar que agimos de acordo com nossos interesses e por causa disso mudamos constantemente de opinião sobre uma porção de coisas, vai depender do que vamos ganhar com isso. Um dia o amarelo é lindo, em outro cafona… e por aí vai.

Ler um determinado capítulo ou estudo desse livro, me fez pensar em: Respostas. Adoro aquela frase – que nem sei de quem é – que diz assim: “Quando acho que sei todas as repostas, vem a vida e muda as perguntas”. Ontem me pus a analisar isso, em mais uma madrugada de insônia… Cá entre nós, viu, insônia é algo que me tira o sono…

Em minha analise, cheguei à dura conclusão que na maioria das vezes não queremos respostas. Olhando bem de perto essa frase aí de cima fiquei confuso. Não sei mais se é a vida que muda as perguntas ou nós que não nos satisfazemos e aceitamos as repostas.

É fato que os seres pensantes levantam dúvidas o tempo todo, aliás, é isso o que difere as pessoas acima da média das pessoas mornas: Levantar dúvidas! Tentar responder já envolve mais coisas.

Respostas para essas nossas questões existenciais até aparecem em nossas mentes, mas na maioria das vezes a intuição diz uma coisa e insistimos em obter outras. Assunto muito vasto esse.

Só para exemplificar, quando eu levanto uma questão, vou até o fim pra obter a resposta. Quando ela surge, aceito num primeiro momento e logo após, pergunto novamente… Mas e se…?

Aí volto à estaca zero. Sou anormal? Bem, pode até ser, mas não estou sozinho nessa. Pelo menos vejo por aí que muita gente faz a mesma coisa.

Não existe um só momento em nossas vidas que nossa mente nos deixa em paz sem fazer alguma pergunta. A vida é feita disso em todos os sentidos: Perguntas.

A parte boa é que para toda pergunta – a não ser: Quem nasceu primeiro, o ovo ou a Galinha? E… Qual é o sentido da vida? – há uma resposta.

As partes ruins são três: Nem sempre fazemos a pergunta certa, quase sempre não nos contentamos com a resposta e ainda, nem sempre conseguimos agir de acordo com a resposta obtida, afinal, agir significa escolher e aí a coisa pega.

A conclusão inconclusiva que eu cheguei estudando na madrugada é simples, mais ou menos como este texto sem pé nem cabeça:

A vida tem começo, não se entende nada no meio, mas tem fim. Aí mora o “X” da questão. O começo da vida não nos interessa, o fim é o fim, não precisamos saber nada sobre ele. O problema é o que fazer com o meio…

Na boa, acho que preciso de remédios…

MM

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Pedra no Sapato

Pedra no sapato

Conversei com algumas pessoas sobre o texto anterior, o Coitadinhos, e alguns aspectos valem ser ressaltados, eu mesmo disse que iria continuar o assunto, mas mudei de idéia, apesar de que de uma forma meio torta, pode-se dizer que se trata do mesmo tema.

Uma amiga, após ler o tal texto, me indagou na sexta-feira sobre a diferença de se estar triste e se fazer de coitadinho. Bem interessante pensar nisso e por que não, falar disso hoje, exatamente hoje.

Essa amiga passa por momentos delicados em sua vida, o que tem provocado nela uma tristeza profunda, mas diferentemente dos seres Coitadinhos, ela é daquelas mulheres do tipo “pau pra toda obra”. Mas nem por isso a tristeza deixa de se instalar quando vê uma brecha. Acontece com todo mundo, não é mesmo? Vou falar um pouco sobre isso.

Nesses últimos tempos tenho notado que muita gente anda triste. Ao contrário daqueles que nada fazem para mudar suas vidas e eliminar o que as deixa desse jeito, são pessoas que correm atrás de soluções e mudanças. Mas nem sempre as coisas são fáceis.

Confesso que eu mesmo não ando muito bem, por diversos motivos que não são controlados por mim. Difícil admitir que não tenho o controle de certas coisas, pois tento sempre manter tudo nos trilhos que defini como “melhor jeito de ver o mundo e viver nele”.

Nem sempre podemos gerenciar a vida do jeito que queremos, afinal de contas, nos envolvemos com outras pessoas que têm certa influência em nossas vidas. E quando se trata de lidar com “pessoas” temos que saber que a decepção estará sempre a postos para dar o ar da graça.

Aconteceu comigo recentemente e creio que acontece com todo mundo, sempre que estamos de certa forma envolvidos com outras pessoas, temos que saber e estar preparados para que a tristeza tome conta vez ou outra.

Nesse final de semana tive outra grande tristeza, aconteceu uma coisa que me tirou algo que muito estimava. Além do valor financeiro da “coisa”, havia ali um valor sentimental, pois eu me apego às coisas que tenho e quando as tiram de mim de maneira bruta e covarde, fico inconformado a ponto de ter tido uma ríspida discussão com Deus ontem quando fui à missa.

Sim, sou de ir à missa todos os domingos e ontem estava bravo com Deus. Parece idiotice, mas não é. Deus me escuta sim e sei que Ele é e já foi responsável diversas vezes por coisas que me aconteceram, já me ouviu, me ajudou e me deu lições e sinais, por isso me sinto à vontade para conversar com Ele e tentar entender, ou melhor, exigir explicações dos por quês. Aquela coisa de… colocar os pingos nos is. Vamos aguardar, o fato é que Ele me deve explicações.

Mas isso é outro papo, voltemos ao que dizia. Às vezes não é fácil nos livrarmos do que nos incomoda. E aí não falo apenas de eliminar pessoas, falo de tudo. Sabe quando temos uma pedrinha no sapato? Pois é, se não a eliminarmos rápido, a tendência é que nossos pés se acostumem com ela e aí tudo fica mais complicado. Por que? Bem, é fato que os pés se adaptarão ao “novo” molde, mas é fato também que eles se tornarão pés deformados.

Talvez seja assim que esteja me sentindo agora, com os pés deformados. Acho que minha amiga também passa pelo mesmo problema. É hora de fazer algo.

Apenas para constar nos “autos”, semana passada escrevi no Twitter uma frase que faz todo o sentido, ainda mais hoje: Algumas coisas marcam profundamente a gente. Umas não queremos esquecer, outras, não conseguimos.

Eu devia estar inspirado quando criei essa citação… Ou no mínimo, prevendo algo. O mais interessante é que isso vale pra tanta coisa…

Mas não adianta chorar, não é? Resta trabalhar para repor as coisas que nos são tiradas, resta limpar os olhos e seguir em frente, afinal, reconstruir leva mais tempo do que destruir.

MM

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Coitadinhos

Pimenta

Quem são os coitadinhos do mundo? Sejamos honestos, quem nunca se fez de ou se sentiu de verdade um coitadinho, que atire a primeira pedra.

Todos nós passamos por isso na vida e não é uma fase não, é algo pontual e muito, muito relativo mesmo. Podemos nos sentir fortes em uma situação e numa outra parecida podemos nos sentir coitadinhos master.

Pois é, isso em situações normais da vida e como disse, situações pontuais. Quem é que nunca chora ou chorou à toa nessa vida. Por outro lado, existem aqueles outros coitadinhos, aqueles que passam a vida lamuriando, choramingando pelos cantos…

Esses são os coitadinhos por natureza, diria que quase viciados, além disso, ainda tem um “porém”: Não fazem absolutamente nada para mudar a situação. Nada mesmo. Sobretudo, eles parecem amar sofrer e sentir pena de si mesmos.

Claro, reclamar é mais fácil, achar que o mundo conspira contra eles é quase a desculpa perfeita. Confesso que já tive momentos desses em minha vida como todo mundo, mas vou falar uma coisa… Uma vez, num desses momentos, parei, pensei e disse a mim mesmo, lá na frente do espelho:

- Cara, você é idiota, imbecil ou o que? Não percebe que ficar se lamentando, choramingando e achando que o mundo está contra você, é uma espécie de sonhar ao contrário?

Fiquei com essa pergunta na cabeça, normalmente a Terapia do Espelho faz isso com a gente, nossa imagem joga uma pergunta meio descabida e, com medo, saímos da frente do espelho. Foi o que aconteceu comigo. Apaguei a luz e saí correndo. Mas a pergunta ficou me atormentando, eu precisava achar uma resposta para aquela indagação esdrúxula.

Como assim… Sonhar ao contrário? O que significa isso?

Todos nós estamos aqui na Terra acreditando cegamente que vamos realizar tudo o que sonhamos. Isso é um desejo inerente a nós, seres humanos. Temos desejos, sonhos e estamos sempre buscando realizá-los. Aí vem a realidade e mostra que “as coisas não serão tão fáceis assim”. Ok, acho que todo mundo sabe disso.

Mas somos mimados, ou melhor, queremos ser e, como não conseguimos tudo o que desejamos, ficamos contrariados. Por sermos mimados e ficarmos contrariados, nos tornamos coitadinhos, desejando assim, que passem a mão em nossas cabeças.

Ora, em essência, todos sonham com coisas boas, desejamos ser diferentes, os melhores em tudo, enfim, queremos ser acima da média, bem sucedidos, realizados. Esse é o sonho original: Sermos bons em tudo.

Como não é possível, algumas pessoas naquelas situações pontuais entendem que entrar no personagem “coitadinho” é bacana, afinal, nada como ter por perto pessoas para passar a mão nas cabeças. Isso alguns de nós. Outros “alguns” preferem viver integralmente os personagens coitadinhos e levar a vida nessa toada. Amam um chicotinho para se auto-flagelarem. Brinco que conheço gente que tem em casa um baú cheio deles.

Vivem se culpando e também aos outros por tudo o que dá errado, às vezes culpam até alguma conspiração cósmica, choramingam sem parar e, repito, não fazem nada para sair dessa espiral descendente. Arrumam justificativas e acham que a vida é apenas e tão somente uma porcaria. Bom, a vida não é grande coisa mesmo, mas é fato que ela tem momentos ótimos que, invariavelmente, são construídos por nós mesmos.

O pior de tudo é que se acostumam tanto com essa vida que fica parecendo que sonham com ela, acabam achando que o melhor lema é algo como… “Já que nada dá certo, serei coitadinho porque alguém sempre vai cuidar de mim”. Isso mesmo, sonham ao contrário, abrem mão de tentar buscar a felicidade e desejam ser bichinhos.

Sabe o que é mais triste? Acabam encontrando gente disposta a cuidar mesmo. Entregam suas vidas nas mãos de outros e em vez de resolverem o problema, trocam o comandante. Leiam de novo: Trocam o comandante da própria vida! E mais, não percebem que o sentimento que mais e melhor despertam é… dó.

E depois disso tudo, alguns têm a coragem e a ousadia de afirmar categoricamente que são seres “bem resolvidos”.

Então tá, me engana que eu gosto…

MM

PS 1: Semana que vem vou dar uns exemplos reais sobre esse assunto.

PS 2: A imagem maravilhosa desse post é uma cortesia do querido amigo Kris Arruda.

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Isso é arrogância?

autoestima

Reportagem interessante na revista Istoé desta semana. Eles até usam um espelho na capa e eu achei que estivessem copiando uma teoria minha… Prepotência? Arrogância de minha parte? Bem, pois é mais ou menos sobre isso que trata a tal reportagem: Autoestima.

Você pode estar se perguntando o que tem a ver autoestima com arrogância, e eu respondo: Tudo a ver.

Claro que tenho opinião sobre isso e, como gosto de polarizar as coisas, acho que se você não tem autoestima alta, é o que chamo de coitadinho. Se tem, é o que chamo de normal, mas o mundo, especialmente os brasileiros que mal sabem compreender textos ou palavras, chamam de arrogante.

O que significa dizer que para você ser vem visto pela “sociedade”, tem que ter baixa autoestima. Estranho, não é? Mas é a verdade. Basta você aí do outro lado se lembrar de algo que fez que tenha tido sucesso. Agora lembre-se quando contou esse sucesso para outras pessoas… Quem sentiu inveja, o chamou de arrogante. Não na sua frente, claro, afinal, os invejosos são covardes e só falam mal de nós pelas costas.

Entendeu como é o processo? Bastou você reconhecer que fez sucesso, ou seja, mostrar que estava com sua autoestima elevada, foi rotulado de arrogante.

Bom, eu prefiro ser “arrogante” do que coitadinho. Até porque sou normal e como todo mundo, fiz muito mais coisas legais que devo me orgulhar do que outras coisas. Tive muito mais sucessos do que fracassos. Como todo mundo, a diferença talvez seja que eu tenha mais facilidade para reconhecer esses sucessos, afinal de contas, nada é mais relativo do que sucesso.

Aí entra aquela velha questão do reconhecimento. Quem julga meus sucessos ou fracassos sou eu mesmo e não os outros. Consegue fazer isso? Pois é, isso é mesmo algo complicado, mas essencial: Não dê bola para o que os outros falam.

Pode parecer falta de educação, mas não é. Os outros nos julgam sem saber de todas as coisas, sem saber como é que as variáveis inerentes a todos os projetos influenciaram o resultado, enfim, vamos ser objetivos: Eles não têm capacidade alguma para nos julgar ou rotular. Ponto final.

Se conseguirmos isolar esses julgamentos, podem ter certeza de que nossa autoestima vai melhorar e muito. Esquisito afirmar uma coisa dessas imaginando que autoestima é o que pensamos e sentimos em relação a nós mesmos. Porém, minha experiência ensinou que nada derruba mais a autoestima do que a opinião dos outros. É, somos mesmo seres bem esquisitos.

Mas o que nos falta, além disso, é vibrar mais com nossos feitos. Com medo de parecer arrogantes, muitas vezes deixamos de lado nossa conquista e isso faz com que “ela” pareça menor do que efetivamente foi. Esquisitos de novo.

Acredito que todos nós deveríamos fazer mais cursos de marketing pessoal, afinal de contas, todo mundo quer se vender – no bom sentido, claro – mas na hora de valorizar a mercadoria, temos medo de parecer arrogantes.

Mudei de idéia. Definitivamente isso não é esquisitice, é burrice mesmo.

Se valorizar nossos feitos, se sentir orgulho das conquistas é se arrogante, sejamos, oras. Como sempre digo… Onde é que eu assino?

MM

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Eternamente Insatisfeitos

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Perguntar quem é que nunca se sentiu insatisfeito com a própria vida é chover no molhado. Mas vamos tentar falar sobre outra coisa, vamos falar sobre a insatisfação aparecer mesmo depois de alcançarmos algo que sonhamos.

Mais ou menos assim: Você tem um sonho consegue realizá-lo e depois de um tempo… já não dá a menor importância para isso. Nunca te aconteceu? Pois é, acontece o tempo todo mesmo e não se importe, você é normal.

Isso vale para qualquer coisa, carreira, sapatos, carros, relógios, esposa, maridos, enfim, vale para todas as coisas da vida. Bem, eu disse acima que era normal, agora vou ter que me virar para explicar por que é que essa aberração psicológica é um processo natural.

É nítido que pouca gente trabalha no que gosta, ou melhor, faz o que gosta. Muito pouca gente tem tudo o que deseja e por conta disso, estamos sempre buscando. No meu livro Desconforme-se eu defini muito bem isso, lá eu falei que a felicidade está na busca e não na conquista. Acho que por aqui já devo ter falado algumas vezes também e se o fiz, falarei novamente.

Buscar sempre é meu lema. Como sou inquieto, estou sempre buscando algo, porém, nem todas as vezes eu busco coisas novas. Mais ou menos assim, escrevo um livro, realizo o sonho de vê-lo publicado e como conquistei o que queria, esse livro passa a ser algo comum, perde aquele brilho que tinha durante o processo de escrevê-lo. Estranho, pois se era um sonho, eu deveria ficar olhando para ele na prateleira como se fosse uma imagem divina comum aos feitos realizados. Não é bem assim.

Ele ficará esquecido na prateleira tomando pó – minhas empregadas não tiram pó de tudo – e todo aquele processo de realização se tornará uma simples lembrança em minha mente. É, parece injusto fazer isso com um sonho, mas é o que faço e provavelmente você também.

Passada euforia de ver um projeto realizado, em vez de cairmos na insatisfação, devemos procurar outro sonho, outro projeto. Ora, se a felicidade está na busca e não na conquista, é o correto a se fazer. No meu caso, parto para um novo livro, já que o meu eterno sonho sempre foi escrever.

É exatamente por aí que mora o “X” da questão. Os sonhos têm que ser um verbo e não um substantivo. Ok, sejamos mais profundos e deixemos de lado os sonhos de consumo, afinal, sapatos novos servem para amenizar uma tristeza momentânea.

Escrever é o meu sonho. Aí já não importa se vou escrever um livro. Existem outras formas de realizar este sonho sem jogar isso para cima de um substantivo, no caso, um livro. Posso escrever num Blog, num site, numa revista e até mesmo num guardanapo de papel. O que importa aí é o verbo escrever.

Analisando por este prisma, chego à mesma conclusão que cheguei no passado: O que nos deixará satisfeitos é ter um hobby e esse hobby deverá ser ligado, de alguma forma, a arte. Sim, isso mesmo que você leu, todos nós devemos ter um hobby ligado à arte, a um processo de criação, seja ele qual for. Nada, repito, nada nos deixa mais satisfeitos do que um processo criativo. Uma coisa feita e sonhada – por que não dizer, visualizada – apenas por nós mesmos e sem a menor expectativa de reconhecimento ou aprovação de outras pessoas. Um momento seu, somente seu, uma criação sua e que, usando o português bem claro, ninguém tem nada a ver com isso.

Caso seja reconhecido, caso alguém se interesse em comprar suas idéias ou algo parecido, será mera conseqüência.

Vejo muita gente insatisfeita com o trabalho que executa e normalmente digo a esses clientes que mudar de emprego – a não ser em casos extremos – é completamente desnecessário, pois estar insatisfeito hoje não quer dizer que numa empresa nova você se tornará realizado. As coisas na vida são todas muito parecidas. As relações são quase todas iguais, as profissões, as empresas, os clientes, enfim, tudo é mesmo muito parecido. Ficar pulando de galho em galho só fará uma coisa com sua mente: Fará com que você, mais cedo ou mais tarde se sinta culpado, achando-se eternamente insatisfeito com o que tem, com a vida que leva. Pergunto nesse momento solene: Para que fazer isso com você mesmo?

A não ser que seja absolutamente necessário, mudar de ambiente não vai te trazer o sonhado bem estar mental.

É duro dizer isso, mas você tem que saber, a empresa está preocupada com o seu bem estar porque “ela” sabe que se você estiver satisfeito, vai render mais, vai produzir melhor. O fato é que ao passar pelo portão de saída, a empresa pouco se importa com sua satisfação pessoal.

Preciso falar que “lá fora” quem tem que cuidar de você é você mesmo? Ok, eu digo: Cuide da sua vida porque ela é a coisa mais importante que você tem!

MM

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O Proibido é mais gostoso

Maçã

Ainda dentro do tema Certo ou Errado, por que será que o proibido atrai tanto a ponto de muita gente afirmar que é até mais gostoso do que o que é permitido? Pois é, deve haver – pelo menos eu acredito nisso – uma resposta técnica para tal questão.

Mas a verdade é que é verdade. Ops, lá vou eu para mais um texto cheio de confusões. Calma, MM, concentre-se.

Esqueçamo-nos da técnica, vamos para a prática. Pense aí, quantas vezes você sentiu prazer no proibido? A menos que você seja um chato ou uma chata – dediquei aos Prudentes uma crônica inteirinha no meu primeiro livro, o Descomporte-se – aposto que você já fez muita coisa proibida e sentiu um prazer imenso nisso.

Será que posso afirmar que o prazer foi maior do que as coisas equivalentes que são permitidas? Ah, pensando bem, ou melhor, lembrando bem, eu posso afirmar sim, muita coisa proibida que fiz, foram bem mais gostosas do que as permitidas. Mas a questão é bem anterior à minha existência.

Começou lá atrás com a primeira transgressão de que se tem notícia, o tal lance de comer a maçã, aliás fruta que eu adoro. De lá para cá a humanidade cometeu uma transgressão atrás da outra e deu no que deu, viciamos em correr riscos, em perigo, enfim, somos viciados no proibido.

Eu não faço a menor idéia do que acontece, mas o fato é que quando me deparo com algo proibido eu simplesmente enlouqueço. Parece que sou completamente dominado pelo meu Id (Para quem não sabe o que é Id, recomendo ler o texto da barra lateral à esquerda dessa página) e, por essas e outras é que eu sempre achei que suas manifestações não são apenas inconscientes como Freud propôs. Acho que para a maioria das pessoas essa manifestação aparece conscientemente também. O lance do “proibido” pode me ajudar a provar isso.

Tudo bem, da mesma forma é fato que admitir que amamos transgredir as regras é politicamente incorreto, diria até que uma coisa feia, mas cá entre nós, deixemos a hipocrisia de lado, fazer o que teoricamente não podemos ou devemos é uma delícia.

Acho que a coisa caminha pelo lado da curiosidade, por ser “diferente” do que fomos ensinados a fazer, parece que dá um gostinho a mais. Ninguém de nossas famílias nos ensina que devemos transar no carro, na escada ou elevador do prédio, mas quem é que nunca fez ou pelo menos sonhou com isso? E traição? Tem coisa mais errada do que trair? Pois é, errado é mesmo, mas quem nunca desejou fazer isso? Tudo bem, não posso generalizar, mas convenhamos, a maioria já traiu, vai trair ou pelo menos já teve vontade disso.

Difícil entender o que provoca nosso desejo de olhar o buraco de uma parede se estiver escrito em cima: Não olhe! Proibido olhar aqui!

Talvez não seja certo creditar isso apenas à nossa curiosidade, talvez Deus tenha errado ao nos criar com esse Bug no programa. A prova disso é a história da maçã. Logo de cara ficou provado que temos um erro de programação, provável que seja o lance do livre arbítrio, pois sendo livres para escolher, podemos fazer qualquer coisa. Triste é agüentar as conseqüências, mas… para tudo existe um preço. Quanto maior a excitação, mais alto deverá ser o custo da brincadeira.

Já procurei respostas, mas até hoje não encontrei nada que me satisfizesse. Até porque eu sou duro de ser convencido de alguma coisa. Mas analisando os meus atos proibidos eu vejo que a coisa caminha pela estrada do sim e do não. Quando crianças ou adolescentes, ouvimos de nossos pais muito mais a palavra não. Confesso que isso me atiçava e indo pelo lado do “desafio”, transgredi até não poder mais.

O preço? Bem, passei boa parte da minha vida tentando consertar as conseqüências. A outra parte passei de “castigo”. Castigo imposto pelos meus pais ou imposto pela própria vida que escolhi levar. Cada um tem o que merece, é um fato. Aqui se planta aqui se colhe, é outra verdade universal. Mas que ninguém nos ouça, adoramos a sensação de fazer o errado acreditando que não seremos descobertos, não é?

Uma frase daquelas célebres, não sei quem é o autor: Não ser descoberto numa mentira, é o mesmo que dizer a verdade.

Não sei por que, mas eu e meu Id adoramos essa frase…

Levando um pouco adiante, trocando algumas palavras, poderia afirmar que: Não ser pego fazendo o errado, é o mesmo que fazer o certo.

Como eu adoro me justificar defendendo com unhas e dentes as minhas loucuras…

MM

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Certo ou Errado

certo

O que é certo e o que é errado afinal? Não vou aqui falar das questões morais ou politicamente corretas, etc. e tal, como cumprir leis e ser ético, por exemplo, isso todos nós sabemos. Quero falar sobre aquela sensação que temos na hora de tomarmos uma decisão, por menor que ela seja.

Antes demais nada, se formos pensar mesmo, de verdade e um pouco mais profundamente que o normal, poderíamos dizer que toda decisão tem lá sua importância. Assim, sendo, no exato momento em que temos que decidir entre “A” ou “B”, bate aquela última dúvida: Estou fazendo o certo ou o errado?

Como não poderia deixar de ser, vou me “usar” como exemplo e dizer o que é que acontece quando tenho que decidir algo. Além dessa pergunta aí de cima sobre certo ou errado, eu me bombardeio com mais perguntas e uma das principais é: Certo pra quem? Errado pra quem?

Preciso dizer que eu sou mega master egoísta? Ok, eu digo, como sou mega master egoísta, é óbvio que penso em certo ou errado para mim, em primeiro lugar. Na verdade, vou confessar que só penso em certo ou errado para os outros, lá pelo décimo lugar.

Felizmente, ou infelizmente, nem todo mundo é assim. Exatamente por não serem assim é que muitas das decisões são seguidas de arrependimento porque – podem perceber – quanto mais pensamos nos outros em primeiro lugar, menos reconhecimento temos. Menos recebemos de volta, enfim, é uma porcaria de atitude pensar antes no próximo. Pronto, é isso. (Ia colocar #prontofalei, mas seria “Twittar de mais)

Voltando ao que interessa, deixando os outros de lado, percebam que sendo assim, as minhas perguntas “extras”, certo ou errado para quem, não fazem o menor sentido. Mas é o que acontece, minha mente faz isso comigo, me enche de incertezas na hora de uma decisão, e pior, minha própria mente me trai fazendo com que eu esqueça meu lado egoísta e pare para pensar nos outros. Na boa, isso não é coisa que se faça…

Pensando nisso desde sempre, chego à conclusão que tudo isso tem a ver com a conseqüência das conseqüências das decisões que tomo… mais ou menos assim: Tomo uma decisão e é óbvio que ela afeta outras pessoas. A conseqüência disso é que serei afetado, mais cedo ou mais tarde, pela atitude que a pessoa tomará em relação à minha primeira atitude. Nossa, isso está mega confuso… Melhor você aí do outro lado reler esse parágrafo.

Esse pequeno medo paralisante que dá na hora da tomada de uma decisão nada mais é do que se perguntar se estou ou não preparado para o que virá do outro lado. É fato que uma atitude tomada não tem mais volta, mesmo que a gente se arrependa do que fez, o que foi feito está marcado para sempre. Repito, por mais que os bons Samaritanos insistam em dizer que se deve perdoar os erros dos outros, isso é balela, ninguém esquece algo grave. Nunca!

Isto posto, o que é que devemos fazer? Bem, pensar antes é uma saída, mas sinceramente, poucas pessoas agem assim, normalmente fazem e só depois do estrago é que se dão conta do que estragaram. E olha só uma coisa, nossos Egos têm uma habilidade em destruir coisas boas que vou te falar, viu?

E isso vale para todos os lados, para quem fez uma bobagem, para quem supostamente perdoa, para quem reage e para quem fica imobilizado. Mais ou menos como se quase sempre a gente tomasse uma atitude que vai nos desagradar em algum momento futuro.

Os psicólogos logo no primeiro dia de aula nos falam o seguinte: Certo ou errado não existe!

Será mesmo verdade? Pois bem, levando essa “aula” em consideração, poderíamos afirmar sem medo de errar que, se o certo ou o errado não existem de fato, não deveríamos nos preocupar com isso nunca, o que significa dizer que temos que ser egoístas e ponto final.

Claro que sim, se não existe certo ou errado, por que é que temos que nos preocupar com as conseqüências de nossos atos? Eles estão sempre certos, oras. Ou sempre errados… Você aí que decida.

E… agüente as conseqüências, porque uma coisa te falo, elas virão!

MM

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Pescando sozinho

Pescar

Normalmente não faço isso, mas como muita gente lê este Blog, mas não lê o que escrevo no meu Site, resolvi publicar simultaneamente nos dois espaços:

Meu trabalho como Coach confunde algumas pessoas, na verdade, o processo de Coaching é o que as confunde. Parte das pessoas pensa se tratar de um processo terapêutico, outros acham que é aconselhamento e por aí vai dependendo da imaginação de cada um.

Mas é inegável que algumas pessoas que me procuram querem alguma coisa nesse sentido, querem que eu as oriente no que fazer. Bem, o processo não tem nada a ver com isso, a não ser um certo direcionamento nas questões que levanto para o cliente e que o fazem pensar melhor no caminho a seguir.

Fora isso, mais nada. Não posso aconselhar muito menos interferir na vida das pessoas, por mais que – repito – elas busquem isso, ou melhor, esperem isso de mim.

O que isso tudo significa? No meu singelo modo de ver as coisas, acredito que as pessoas busquem uma bússola – para os mais novos, um GPS. Buscam alguém que lhes diga o que fazer por se sentirem absolutamente perdidas em sua jornada.

O melhor a fazer nessas horas é parar. Às vezes até dar um passo atrás para poder seguir em frente. É o que eu tenho dito aos clientes, pressa não só é inimiga da perfeição como é algo bem diferente de velocidade.

Mas as pessoas têm pressa de mudar suas vidas, de atingir seus objetivos. Eu sei muito bem disso, a vida não espera, se demorarmos, ela nos atropela.

A mistura de sentimentos se torna um turbilhão de idéias e a causa disso é o medo, o pior conselheiro que existe nesse mundo.

Ter medo do amanhã, das mudanças necessárias não só atrapalha como se torna um obstáculo intransponível. Medo engessa e todas aquelas milhares de idéias que nossa mente nos apresenta ficam apenas no campo das idéias e não no campo das ações.

Mas a verdade é que no processo que desenvolvi, a busca pela melhor solução vem de dentro, vem da própria pessoa, minha interferência é relevante, mas apenas em criar dúvidas quando percebo que a pessoa não está reagindo como ela mesma queria reagir.

Não é simples ajudar os outros e tenho notado que é mais complicado ainda as próprias pessoas se ajudarem. Parece que fica mais fácil na cabeça delas jogar o problema para outro resolver.

Pior é que muitos por aí fazem exatamente isso, dão o peixe, mas não ensinam a pescar. Clichê, eu sei, mas como sempre digo, se não fosse bom, não seria clichê.

MM

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Dependência ou Morte

dependencia

Outro dia, fazendo um projeto de treinamento que estou criando, algo que chamo de Estética Mental, parei por um instante e “resolvi” decretar mais uma das minhas teorias: Todos seres humanos buscam a dependência!

Pois é, sei que algumas pessoas jamais concordarão comigo, afinal, todos nós conhecemos tão bem as teorias, principalmente a de que dependência faz mal, mas a verdade é que no fundo no fundo todos estamos buscando depender de alguma forma de algo ou de alguém.

Claro, parece mais seguro, quem nessa vida não queria ter alguém que tomasse todas as decisões por nós? Pois é, mas a coisa vai mais além do que tomar decisões de onde é que vamos passar o final de semana. Muito mais além…

Me relacionei com uma pessoa por um tempo e analisando sua vida entendi perfeitamente por que ela era tão dependente emocionalmente da nossa relação. Aos 15 anos ela perdeu o pai, de quem era dependente. Usando a morte dele como uma boa desculpa, se meteu com drogas até os 19. Para se livrar, entrou para uma Igreja Evangélica e se converteu, tornando-se completamente fanática pela doutrina. Lá conheceu um cara e se casou, abandonou de leve a Igreja e ficou dependente do marido. Separou-se e depois de um tempo nos reencontramos e moramos juntos por quase 12 anos. Segundo ela, a dependência do “nosso amor” era tão grande que ela jurava não existir vida sem a nossa relação. Bobagem. Nos separamos e ela foi para a terapia, onde ficou completamente dependente do processo. Largou ao conhecer outro cara e agora está casada com ele. Não sei a quantas anda sua vida, mas posso imaginar.

Como esse exemplo, tenho vários e ficaria horas aqui descrevendo-os. Não só pelas minhas observações com amigos e conhecidos, mas também nos tratamentos que faço com clientes que de uma maneira ou de outra, dependem – e buscam isso sem se dar conta – de várias coisas ou pessoas.

Quando eu era jovem, me apaixonei por uma garota mais velha. Quando se é jovem – 17/18 anos – dois anos a mais é uma eternidade, inclusive porque as mulheres amadurecem mais cedo do que os homens. Bem, uma ressalva: Isso é o que dizem, não acredito nisso sem sob tortura chinesa. Mas vamos em frente.

Eu era completamente dependente dela, inclusive para me locomover, pois não tinha carro na época. Mas aprofundando um pouco o raciocínio, de fato eu era dependente daquela mulher. Ficamos juntos por pouco tempo, mas suficiente para eu achar que não existiria vida sem ela. Sim, era mesmo apaixonado pela garota e dependente dela.

Quando terminamos – ela me deu o fora porque descobriu meu casinho com outra menina – achei que jamais seria feliz no amor novamente. Até que numa conversa com minha mãe, ela me abriu os olhos dizendo que eu tinha uma identidade e que não poderia jamais em tempo algum colocar minha vida nas mãos de outra pessoa. Mesmo ainda triste, pensei no que minha mãe me ensinara e concluí que ela estava certa, eu deveria me tornar uma pessoa independente e no caso de me relacionar com outra pessoa, deveria ser uma relação que agregasse e não que dividisse.

Nada a ver com a tal entrega, mas sim com a tal expressão… “Quero alguém para dividir a vida”. Ora, pensemos juntos: A vida é uma só, nossa vida é uma só, nossa identidade é única… assim sendo, dividir isso com alguém é perder, é ter menos vida, não acham?

Mas é o que todo mundo faz, não somam ou multiplicam, dividem. Se entregam mais do que deveriam e aí está o maior problema: Perdem sua identidade e passam a viver a relação e de acordo com o outro. Se perderem essa dependência, é o mesmo que perder a própria vida.

Funciona com drogas, bebida, jogo e pessoas. Sabe aquela história de crise de abstinência? Pois é isso mesmo que acontece. Naquele caso que contei aí em cima, tive uma crise daquelas de abstinência, achava que não viveria mais sem a tal namoradinha. O que é esquisito porque eu mesmo a traí, ou seja, ela não era, em teoria, a coisa mais valiosa do mundo, pois se fosse, eu não colocaria a relação em risco, certo?

Mas no momento em que estamos vivendo uma relação de dependência, jamais enxergamos o todo, vemos apenas partes, vemos o quanto somos felizes ao lado da pessoa, o quanto elas nos faz bem, etc, etc, etc.

Até aí, tudo parece normal, afinal de contas, nos relacionamos para termos uma vida melhor, mas quando é que descobrimos que ultrapassamos a linha tênue que divide uma relação bacana de uma relação de dependência? Bem, como sempre digo, para dar essas respostas eu precisaria analisar caso a caso.

Uma coisa é certa, auto-analisar uma situação dessas sem ajuda é bem complicado, pois há o envolvimento emocional que compromete um julgamento imparcial. Quando estamos de fora vemos com mais clareza, não é verdade? Ou será que estou louco? Pense, já não detectou milhares de vezes que algumas relações de seus amigos eram de dependência e não de amor?

Creio que sim. Mas quando é para nós analisarmos onde estamos pisando a coisa fica bem diferente. Encontramos milhares de desculpinhas esfarrapadas, justificativas vazias para tentar nos enganar…

Seria bom se nossos Egos viessem ao mundo com uma lente de aumento, não? Enxergaríamos tudo com muito mais clareza…

MM

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Enganando quem?

Aliança

Viemos ao mundo para satisfazer nossos Egos, certo? Acho que todo mundo concorda com isso, mesmo os que se acham politicamente corretos e têm dificuldades em admitir tal coisa, sei que no fundo eles concordam comigo. (Esse meu lado prepotente hoje ta demais)

Mas olha só que coisa engraçada: Muitas, senão a maioria das vezes, satisfazemos nossos Egos com a mentira. Loucura? E quem é que disse que somos normais?

Mentir tem efeito de droga, mesmo sem nunca ter me drogado, sei os efeitos: Euforia, bem estar e, depois que passa o efeito, depressão.

Pois é, ainda vou falar muito sobre essas mentiras que satisfazem, mas hoje serei mais específico, vou falar de relacionamentos amorosos. Tudo porque no sábado, vi e assisti uma infinidade de manifestações de comemoração ao Dia do Solteiro.

Ah, fala sério… será que todo mundo que se manifestou vangloriando-se de estar solteiro o fez com base na verdade? Óbvio que não. Vou explicar meu ponto de vista. Ponto de vista esse de quem já viveu de tudo nessa vida, já adorei ser solteiro tanto quanto adorei estar com alguém.

Mas tudo tem seu momento. Uma pessoa que esteja saindo de uma relação complicada vai ser sincera ao afirmar: Nada como está sozinho. Até aí tudo bem, não há mentira nisso, afinal, a última referência dessa pessoa é o desastre.

Mas e aquelas pessoas que já estão sem ninguém há um tempo? Essas pessoas comemoraram o Dia do Solteiro de verdade ou apenas se enganaram?

Por mais incrível que possa parecer, acho que tudo fica muito parecido entre homens e mulheres. Por mais que os machos de plantão acreditam cegamente que estar sozinho é a melhor opção, eu duvido dessa afirmação, acho de verdade que é cegueira absoluta.

Todo mundo quer alguém, parece até que esse é um dos sentidos da vida. Comemorar o dia do solteiro da forma como vi as pessoas se manifestarem foi no mínimo hipocrisia.

Gente dizendo que era a melhor coisa do mundo, etc, etc, etc. Tudo mentira, o que queriam mesmo é estar perto de alguém que fizesse a diferença em suas vidas. Sendo assim, por que é que se enganam? Por que enganam seus Egos dizendo-se felizes com o estado civil atual?

Bem, porque é o mais fácil a fazer. Mudar alguma coisa é sempre mais complicado do que aceitar a realidade em que se meteram. Os gordinhos não fazem nada para emagrecer e se definem como felizes do jeito que estão. As magrelas não querem engordar porque preferem achar que o modelo atual de beleza são ossos e não carne.

Em outras palavras, ou melhor, nas mesmas palavras, enganar o próprio Ego é o que lhes parece mais correto. Mas e lá na intimidade? Sabe quando deitamos no travesseiro ou nos colocamos na frente do espelho e ficamos pensando na realidade… será que é verdade que os solteiros estão mesmo felizes?

Como eu disse, acho que não, afinal, ter uma companhia é sempre bom, faz bem ao Ego. Claro, ainda vale o ditado: Antes só do que mal acompanhado.

A verdade nua e crua é que todo mundo quer ter alguém para chamar de seu. Só é preciso um certo cuidado para não nos tornarmos dependente do outro, assim como não devemos nos tornar dependentes da solidão.

Taí, dependência me parece um bom tema para um próximo texto… 

MM

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Golpe de Estado

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Ontem fui me deitar pensando no que escreveria hoje aqui no Blog hoje. A única conclusão que cheguei foi a de escrever sobre revolução. Não sei se deve ou não ser armada, afinal, cada um que faça a sua própria. Mas melhor que ela seja uma revolução pacífica, apesar de que a proposta é de que tomemos o poder.

Política? Invadir Brasília e tirar o governo do poder? Não, nada disso, falo de uma revolução interna, de dentro para fora e pessoal. Claro que haverá estragos, o que chamarei aqui de danos colaterais, mas não dá pra fazer omelete sem quebrar ovos. Aliás, eu mesmo não consigo nem fazer ovo cozido sem quebrá-lo… Mas isso é uma outra história.

A idéia de fazer uma revolução foi a proposta que fiz a uma futura cliente. Ela, assim como muitos de nós, chegou a um ponto em que não consegue mais se mexer. A não ser que ela transforme tudo, ela não vai mais sair do lugar.

A melhor saída para quem está perdido, digamos que em uma estrada, por exemplo, é voltar e começar tudo de novo. Sem um GPS cerebral, muitas vezes nos perdemos e ficamos sem sequer saber qual foi o caminho de que percorremos e a volta para começar novamente o processo fica comprometida. Assim sendo, o melhor a fazer é parar, desligar os motores e apenas pensar. (Não desligue o cérebro nessa parada, pois você precisará dele)

Então estamos onde? Ah, parados no meio da estrada (Ia falar estrada da vida, mas pareceria muito com frases de pára-choque de caminhões). Ok, paramos e olhamos as possibilidades. Nessas horas, nosso Ego nos bombardeia de medos, nosso Id de desafios e riscos e nosso Superego de culpas por termos nos perdido.

Não se apavore, mande-os calar a boca e pense, pense no que deve fazer para revolucionar sua vida. Algo como uma mudança light, tipo… 180 graus.

Não existe solução simples para problemas complexos. Já falei por aqui um dia desses e repito o que disse à minha futura cliente ontem: Problemas complexos exigem uma boa dose de radicalismo na busca das soluções do caso.

Nessas horas em que nos sentimos perdidos, parece que é a vida que nos leva, que nos puxa – ou empurra abismo abaixo – e não nós que levamos a vida. Ficamos perdidos e se ainda estivéssemos na estrada que mencionei, a tendência seria a de seguir o fluxo dos carros. Quem é que nunca fez isso quando se perdeu?

Pois é, aí mora o perigo. Seguir os outros, para ser educado e não usar a palavra NUNCA, direi apenas que não é a melhor coisa a fazer, por uma simples questão: Os outros mostram caminhos de acordo com os interesses deles e não seus.

Se você começar a se deixar influenciar por tudo o que te falam para fazer, pode ter certeza, não vai andar um milímetro sequer. A idéia de ficar parado pensando é só uma primeira idéia, apenas para organizar a tal revolução, o tal Golpe de Estado. Entenda-se por Estado, seu próprio corpo, sua própria mente, enfim, você!

Essa coisa é meio doida porque além do exemplo da estrada sem GPS, poderia dizer que muitas vezes nos sentimos montados num cavalo descontrolado. Ou ele corre para todas as direções tentando te derrubar ou ele empaca e não se move nem com reza brava. A vida é o cavalo, pode-se afirmar sem susto.

Aí eu, que já passei algumas vezes por esses momentos tresloucados e engessamento severo, (adoro termos chulos) penso o seguinte: Por que diabos tenho que estar sobre alguma coisa que me leva para onde ela quiser? Não, nada disso, tenho que estar apenas sobre minhas próprias pernas apoiadas nos meus próprios pés.

Sendo assim, o Golpe de Estado começa por aí, é o caso de tomar o controle da própria vida, sem permitir que escutemos uma dia alguém falar: Eu avisei… (Provavelmente ouvirá isso da mesma pessoa que te aconselhou a seguir o caminho).

Tomar o poder na marra significa ter o controle e as responsabilidades pelos seus atos. Não é nada fácil, mas absolutamente imprescindível.

Quando estamos perdidos, normalmente andamos em círculos, o que me leva a afirmar duas coisas óbvias: Ou não se chega a lugar algum, ou se chega apenas aonde já se foi.

E mudar isso, sair desse circulo, como? Ahhh, conto outro dia, afinal, isso aqui nada mais é do que uma consultoria gratuita… Sendo assim, conto no dia que “estiver” mais… altruísta. 

MM

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Iceberg

Iceberg

Dia desses recebi um texto de um amigo/leitor que falava sobre uma tal de: Síndrome dos Vinte e poucos anos…

Texto interessante, mas diria que um tanto quanto precoce. Lá o autor parecia vivenciar um conflito, uma verdadeira crise de idade. Precoce porque pouca gente tem crise existencial aos vinte e poucos anos. Normalmente a crise aparece depois dos trinta.

Pouca gente, como disse, mas não nenhuma gente. Sim, é fato que os seres mais intensos levam a vida pensando nela e tentando entender qual é o sentido de tudo isso. Papo para longas horas de conversa, ou de escrita…

A verdade é que, como estou beirando os cinqüenta, mesmo que com corpinho de sessenta e cabeça de trinta, esses conflitos relatados no texto que mencionei me fizeram pensar e não só isso, me fizeram lembrar da minha crise dos vinte e poucos anos, para ser preciso, crise dos vinte e sete.

Naquela época eu morava sozinho, vivia uma vida de baladas, sexo, viagens, tudo sem medidas, tudo sem critério, absolutamente uma vida louca. Eu adorava, mas não foram poucas as vezes que me peguei pensando no futuro, o que me entristecia. Quando estamos vivendo plenamente, pouco nos damos conta do futuro. Eu trabalhava muito, vivia muito e passei a me preocupar muito.

Alguns se preocupam com o futuro financeiro, outros com a vida pessoal – relacionamentos, família, etc. – mas eu me preocupava com o sentido de tudo isso. Tentava encontrar um sentido para tudo o que fazia, em todas as áreas da minha vida. Jamais encontrei.

Constatado isso, hoje, passados 20 anos, vejo que as respostas ainda não são claras, talvez jamais sejam. Aí vem aquela dúvida: O que é que faz sentido nessa vida?

A gente nasce, cresce, se reproduz e morre. Pouco? Sim, bem pouco, mas basicamente é isso o que fazemos. Já gostei muito de viver e também já desejei morrer, mas o fato é que esses altos e baixos, pelo menos para mim, fazem parte do meu cotidiano desde sempre.

Já tive, como todo mundo, medo do futuro, arrependimentos pelo passado e agora percebo que existe uma generalização do medo do presente. Para qualquer lado que me viro, vejo gente com medo do presente. Alguns mais prudentes agregam ao medo do presente, um medo exagerado do futuro, tentam prever suas aposentadorias, enfim, coisas que não quero falar agora.

Muito bem, e de onde é que vem esse medo do presente? Bom, parte vem do passado, afinal, é por coisas passadas que chegamos até aqui. E o que essas pessoas estão fazendo efetivamente para que esse medo desapareça? Pois é, não vejo muita coisa sendo feita não.

Percebo, é claro, uma preocupação em buscar o entendimento de tudo isso, mas ações práticas não vejo não. Parece que todo mundo está com problemas e a única coisa que tentam fazer é constatar isso, poucos querem resolver.

Mas sejamos justos, aí entra o “X” da questão: Como é que se resolve isso?

Ok, buscar o entendimento, o que quero dizer, reconhecer que há um problema é o primeiro passo, óbvio, mas o que fazer para sair dessa?

A resposta é muito simples, porém a execução nem tão simples assim: Encontrar o que realmente se quer.

Parece fácil e se eu te perguntar agora o que você aí do outro lado realmente quer, vai me responder um monte de coisas impulsivamente, mas a resposta mesmo, a resposta efetiva e verdadeira, duvido que a tenha. Peguei pesado, não é? Sim, sei que peguei.

Sem saber o que se quer, jamais vai conseguir mudar o que te incomoda. É fato que descobrir o que quer não é das tarefas mais simples, muito menos decidir por mudar o que deve ser mudado.

Tudo isso dá uma falsa impressão de ser bem simples, mas faça o exercício, pergunte a si mesmo se sabe o que quer e o que deve fazer para alcançar. Sinto em dizer, mas vai perceber que é bem difícil encontrar as respostas.

A dica que eu dou é: Viva o presente, experimente o novo sem medo, sem expectativas e sem pensar muito no futuro. Como se fosse uma degustação. É o único modo de descobrir se algo te faz ou não bem. Depois, bem, depois deixemos para depois, afinal, crise aos vinte e poucos e só a pontinha do iceberg… Na verdade, qualquer crise, em qualquer idade… 

MM

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Tesão

tesao

Estava pensando em escrever sobre decepções, mas resolvi falar de outra coisa, tipo, republicar algo que já escrevi antes sei lá onde, não lembro se em outro Blog ou no meu site. Só atendendo uns pedidos de leitoras que me perguntaram se eu já havia escrito algo sobre isso…

Vou inserir aqui um texto que tive que fazer na faculdade de psicologia, sobre libido. 

A pergunta era simples, como você define libido. Minha resposta foi um tanto quanto diferente do que a professora esperava, porém, a pergunta foi como você (eu) define a libido, nada mais justo do que eu dar minha opinião e não o que ela pretendia ler. A definição que eu dei foi essa:

“Não gosto da palavra libido. Acho que por causa da influencia do Freud, todos nós aprendemos desde pequenos que libido está associado à sexualidade. Jung dá uma definição melhor, pois classifica como uma energia psíquica.

Eu definiria como tesão. Graças à deus, hoje em dia as pessoas usam a palavra tesão para designar sentimentos que não são apenas desejos sexuais.

Óbvio que não se trata de um “sentimento” como mencionei, falo no sentido de “sentir tesão” como se fosse algo parecido como sentir-se vivo. Uma espécie de liberação de energia armazenada, o que os americanos chamam de exciting.

Acho que tesão é isso, o que sentimos em todos os momentos em que nós percebemos possuir uma energia a mais para realizar algo.

Todos sentimos desejos e queremos realizá-los. O processo dessa busca pela realização é o que chamo de felicidade. É onde o tesão aparece e nos empurra na direção certa.

Depois de filosofar tanto, defino libido como tesão, tesão que sentimos em estar vivos e aptos a realizar coisas e sonhos e não só desejos sexuais.

Falei da felicidade estar na busca porque não considero que ela apareça na conquista e sim durante o processo. A libido entra aí. Ela é o que nos impulsiona na direção do objetivo. E impulsos acontecem sempre no inicio de qualquer processo e nunca no final”.

Bom, dito isso, a professora veio com uma resposta de que eu deveria ler algumas obras, onde os autores desenvolveram um trabalho que se chama Liderança Situacional. Disse que eles estudaram uma proposta de intervenção institucional considerando aspectos salientados em meu texto.

Achei o nome Liderança Situacional tão cheio de pompas que nem me atrevi a ler o trabalho desses autores, mas se alguém quiser, aqui vão seus nomes: Paul Hersey e Kenneth Blanchard.

Outra coisa que ela respondeu foi um esquema mais ou menos assim:

        Sentir-se vivo ———- ter e querer ———- realizar

                  ↕                                              ↕

             ——————— Felicidade —————-

                                                       ↕

                                               Processo

Qual é a conclusão disso? Que a busca é um processo que envolve o sentir-se vivo, que traduzi em meu texto como tesão, libido ou seja lá o que for, desejo de algo, e realização de algo. Isso tudo feito dessa maneira é o que ela chama de felicidade? Parece óbvio, mas se é isso, então é isso, e não discuto com professores, muito menos de psicologia.

O que fica claro nessa explanação que fiz, inclusive mostrando algo pessoal dos meus arquivos de psicologia é que o tesão tem que fazer parte de tudo. Não se termina um casamento quando o tesão acaba? Então, não podemos ter tesão apenas por pessoas e parceiros, temos que ter tesão por absolutamente tudo.

Volto a dizer, quando exercemos uma atividade que dominamos, mesmo que de forma paralela, a fazemos com grande facilidade. Agora que falamos de libido, podemos dizer até que essa atividade pode e vai fazer você sentir tesão em executá-la. E sabemos pelas nossas próprias experiências que fazer algo com tesão é a melhor coisa que existe.

MM

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Juntando os Egos

escovas

Lembro-me que quando era adolescente as separações eram raras entre os casais. Quando acontecia uma, logo perguntava para minha mãe o motivo do casal “y” ter se separado e ela invariavelmente respondia: Incompatibilidade de gênios.

Que diabos era isso, pensava eu inocentemente. O que será essa tal de incompatibilidade que é capaz de destruir uma família. O tempo passou e eu cresci. Junto comigo, cresceram as separações a ponto de, hoje em dia, termos poucos casais ainda “inteiros”. Falo da minha geração, claro. E das próximas, lógico.

Mas hoje em dia a tal incompatibilidade mal é levada em consideração, tadinha. Ela perdeu força para as traições, ciúmes, agressões e tantos outros motivos capazes de arrebentar com uma relação amorosa.

Mas será que tudo isso ainda não tem a ver com a incompatibilidade? Parece-me que sim. Uma amiga/leitora me pergunta um dia desses: MM, você que é consultor pessoal, consegue me explicar por que é tão difícil uma relação durar?

A resposta é fácil, o principal motivo é: Preguiça.

Casar, namorar, morar junto, enfim, qualquer que seja o tipo de relação é fácil de se conseguir, o problema não é esse, o problema é manter a coisa funcionando. Aí entra a preguiça.

Temos preguiça de fazer funcionar. Nem vou entrar no mérito daquele chavão, “um casal para dar certo os dois têm que ceder”. Isso é óbvio, mas vou além, acho que os casais têm é que se esforçar positivamente e não pensar em coisas negativas como ceder.

Vejam: Duas pessoas, normalmente de sexos opostos, sempre com histórias de vida distintas, formação de caráter e personalidade únicas, indivíduos completamente diferentes… como é que isso pode dar certo? Como fazer com que dois Egos se mantenham inflados ao mesmo tempo? Com esforço.

Mas… esforço é incompatível com preguiça. E por que temos que nos esforçar, uma vez que só nos relacionamos com pessoas que têm alguma compatibilidade com a gente? Bom, eis o mistério da fé.

A compatibilidade ou a incompatibilidade desaparece quando nos apaixonamos. Nem prestamos atenção nos costumes do outro quando estamos apaixonados. O que é esquisito, afinal de contas deveríamos nos apaixonar justamente por causa da compatibilidade. Pois é, seres humanos são mesmo esquisitos.

Nos apaixonamos pelo físico, pelo beijo, pelo cheiro. Nos apaixonamos por causa da tão famosa química.

Compatibilidade nessa hora? Ah, esqueçam, não há espaço para isso naqueles momentos iniciais divinos. Nesse momento a sintonia é perfeita, acreditamos nisso cegamente, temos a tendência a acreditar que qualquer que seja a pessoa, é a pessoa certa, a alma gêmea.

Com o passar do tempo, a “lua de mel” acaba e as incompatibilidades surgem. Eu gosto de futebol e ela de novela, ela de comida japonesa, eu de churrasco. E por aí vai. E como vai longe essa lista.

Aí há a necessidade da adaptação, é aí que surge a lacuna do tal esforço que comentei lá em cima. Deveríamos nos esforçar mais para gostar de comida japonesa, assim como entender e aceitar as diferenças mais marcantes, afinal de contas, já sabíamos – ou deveríamos saber – que tudo isso não passa de uma simples fórmula: Juntar dois seres diferentes.

A preguiça impede o esforço pelo entendimento. Numa boa, sejamos francos, é muito mais fácil hoje em dia trocarmos de parceiro do que de roupa.

Os mais românticos poderão sofrer, afinal eles se apaixonam com mais facilidade e sonham muito mais, mas a verdade é que chorar uma ou duas semanas não mata ninguém. Assim que enxugarem as lágrimas eles se levantarão da cama e partirão para outra.

E assim caminha a humanidade, sempre atrás do próximo parceiro, aquele mesmo que será completamente incompatível, aquele que será talvez, apaixonante no primeiro momento justamente porque não pensamos nisso…

MM

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Uma Hora Apenas

Egoisistema Relogio

Então… continuando o que eu “não” terminei no texto passado, hoje vou falar sobre uma coisa mega importante para quem anda insatisfeito com as obrigações. Tipo, todo mundo? Parece que sim, afinal, o que incomoda mais um Ego do que uma obrigação? Eu não conheço nada…

Mas existe um segredo aí nesse meio para amenizar as irritações que as obrigações causam, e é sobre isso que falo hoje por aqui.

Um belo dia da minha vida há mais ou menos… não importa, me peguei amaldiçoando meu dia-a-dia. Eram muitas obrigações e poucos prazeres. Normal, não é? Bom, normal não é, mas…

Não estou falando aqui das coisas que nos dão prazer como sair com amigos nos finais de semana, falo dos dias de semana mesmo, aqueles carregados de coisas por fazer e poucas coisas a serem contempladas como se deve.

Ok, não podemos fugir das obrigações, afinal elas pagam as contas no final do mês. Então o que temos que fazer em relação a isso? Aceitar! Simples assim, aceitar que não pode fugir dessas obrigações. Ponto final.

Aceitar muda muita coisa, você se conforma com isso e passa a enxergar melhor a realidade. Você deve estar se perguntando como é que o próprio autor do livro Desconforme-se pode escrever algo como… Conforme-se. Mas é isso mesmo, pelo menos em relação a isso temos que nos conformar num primeiro momento, senão você será despejado por falta de pagamento.

Mas não é só isso que tem que fazer. Deve também – sei lá como, mas deve – arrumar no mínimo uma horinha do seu dia para você mesmo. Mais ou menos como ter um momento só seu e fazer apenas o que tiver vontade. Bem fácil a principio, mas não é bem assim.

Quando comecei, tentei primeiro tirar duas horas por semana. Confesso que era complicado não pensar em mais nada além de mim mesmo. Bem difícil fazer algo apenas por você sem sentir culpa. Sentimento estranho, mas muito real.

No começo foi difícil, depois a coisa vai ficando mais fácil. Eu usava pra ler, sentar à beira da praia e pensar – já que quando comecei com isso eu morava em Salvador – enfim, vale qualquer coisa. Hoje em dia eu uso para escrever ou ler algo que é só de meu interesse. Importante usar esse tempo sozinho, sem ninguém por perto, inclusive telefones e afins.

Se fizer isso criteriosamente vai perceber o quanto isso te faz bem e o quanto te fez falta até hoje. Tem dado resultados com meus clientes, muitos têm feito disso uma prática. No caso de você usar esse tempo para um hobby qualquer, saiba que deve fazê-lo sem qualquer expectativa de transformar isso em sua principal atividade remunerada. Caso isso venha a acontecer, o processo deve ser natural.

Pode ter toda certeza desse mundo, fazendo algo desse tipo, perceberá que o incômodo que as obrigações causam é facilmente controlável.

Uma amiga ex Workaholic e insatisfeita com o trabalho hoje em dia consegue, duas vezes por semana, fazer curso de culinária. Ela está feliz em todos os sentidos porque já não tinha compromisso sério com nenhum cara há mais de dois anos. No curso ela conheceu seu atual namorado e como podem ver, uma coisa puxa a outra. Com os mesmos interesses, fica bem fácil ter afinidades.

Por que tudo isso aconteceu com ela? Porque ela começou a pensar nela mesma, porque ela começou a fazer algo que apenas lhe interessava e, como disse, uma coisa puxa a outra. Hoje ela não vê mais seu exaustivo trabalho como um monstro, muito pelo contrário, ela o enxerga como um aliado que ajuda a pagar seus cursos.

Podem perceber que vale qualquer coisa, desde que seja algo só de seu interesse, algo que só você pode fazer por si.

Eu uso essa prática há anos e vem dando certo. As obrigações ainda incomodam, e sempre vão nos incomodar, mas em grau bem menor. 

MM

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Auto-Estima

Egosistema - Autosestima

Ontem eu estava relendo um texto do meu segundo livro, o Desconforme-se, onde falo sobre auto-estima. Interessante. Bom reler coisas que foram escritas em 2005. Não tenho o costume de ler meus textos depois que os publico, mas achei interessante fazer isso ontem, já que hoje eu queria escrever mais alguma coisa sobre o assunto.

Naquele texto eu falei muito sobre como os eventos externos baixam nossa auto-estima e hoje, depois de tanto tempo, minha experiência diz que nós mesmos somos os responsáveis por esse problema.

Eu sou um tanto quanto duro com meus clientes, normalmente não os trato como “bichinhos”, não sou de passar a mão na cabeça. Acho que os tratamentos devem ser rigorosos e objetivos e não subjetivos e lentos. Mas isso é outra história.

Por que falei isso… Olha só, como eu disse, vejo que nós mesmos nos minamos, nós mesmos nos permitimos ser afetados pelos julgamentos dos outros e pelo nosso julgamento que por vezes pode ser completamente diferente da realidade.

É fato que há muitas pessoas que se sentem inferiores por natureza, afinal, elas acreditam que de nada são capazes. O que é mentira! Mas digamos que eu esteja falando para você aí do outro lado, uma pessoa normal e que sofre com os altos e baixos da sua auto-estima.

Falando duramente, te perguntaria: O que faz a respeito?

Parece simples responder, mas sei que não é. Já tive clientes que ficaram bravos comigo por ter feito essa pergunta, até porque na hora da resposta eles listam dezenas de coisas para justificar o que fazem, mas cá entre nós, que ninguém “nos ouça”, essas listas não condizem com a verdade. O fato é que eles se incomodam porque eu os desafio dizendo que a lista é falsa.

E normalmente é falsa mesmo, pois temos uma tendência a justificar tudo e normalmente apontar nossos lindos dedos em direção aos outros. As justificativas são diversas e nem vem ao caso agora, mas quero que pense sobre isso, quero que pense por que é que sofre com esse lance de baixa auto-estima. Se você não sofre, feche essa tela e continue feliz…

A verdade é que nós valorizamos muito pouco as coisas que fazemos e isso é o que estraga tudo. Sem falar que levamos em conta as opiniões dos outros que – podem ter certeza disso – têm o maior prazer em baixar a auto-estima alheia.

Ora, se leram dois textos atrás, devem se lembrar que falei em contemplação. Não no sentido apenas de “olhar o por do sol e agradecer a Deus por proporcionar uma visão tão linda”. Falo também de contemplar a sua própria vida, as suas próprias realizações que, aposto, são muitas independente da sua idade.

Contemplar é algo positivo. O que fazemos, sei lá por que, é constatar que o que fizemos não tem lá grande importância. Um contraponto, afinal de contas, repito e repetirei bilhões de vezes se necessário for: Viemos ao mundo para inflar nossos Egos.

Podem os psicólogos torcer o nariz, mas eu acredito que essa é uma verdade absoluta, nossa função aqui é essa pura e simplesmente.

Um dia desses, eu estava atendendo uma cliente e pedi para ela me dizer quais os momentos que ela teve em sua vida que foram realizadores. Ela pensou, pensou e disse que tudo o que havia feito na vida pouco significava porque havia sido “por obrigação”. Eu fiquei P… da vida e, como já a conheço bem, listei eu os seus grandes feitos. Exatamente os mesmo que ela tinha me dito, mas dei outro enfoque, desviando da obrigação e fortalecendo a realização pessoal, o prazer que ela sentira em cada um dos itens.

Ao final, ela me disse: Nunca tinha pensado por este prisma.

Oras bolas, e tem outro prisma? O único que conheço é este, o de valorizar as coisas, grandes ou pequenas, como se fossem feitos absurdamente – vejam a palavra que usei, absurdamente – fortalecedores da auto-estima.

Tudo bem que temos obrigações e elas são chatas e tediosas, mas há que se valorizá-las da mesma forma. Ok, odeia suas obrigações? Elas não te dão prazer algum? Então vamos tentar algo que venho falando há anos…

Conto no próximo texto…

MM

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Cegueira Deliberada

cegueira

Por que esse título, devem estar perguntando… Simples, porque acho que nós somos cegos de propósito. Sim, apesar de me achar mega prepotente, por vezes me incluo no quesito cegueira.

O fato é que enxergamos tão bem os problemas… Ops, há aí uma contradição? Não, claro que não, enxergamos tão bem os problemas quando estes são – ou aparecem – nos outros. A cegueira se instala quando os problemas estão dentro de nós mesmos. Aí para enxergar é um Deus nos acuda.

Naquele treinamento que desenvolvi e que publiquei recentemente no meu site, baseado no que chamo de Terapia do Espelho, há um item específico falando sobre isso. Quem quiser ler, é só clicar aqui e abrir, na própria Home, uma página chamada Estética Mental. O item 4 trata disso: Identificação e Reconhecimento.

Tente se lembrar, digamos… apenas no último mês, quantas vezes você identificou “no outro” algum problema. Agora continue o exercício e veja quantas vezes identificou algo em você mesmo. Mais fácil ver os problemas dos outros, não é? Eu sei que sim, dá menos trabalho, dói bem menos também.

Certa vez discutia com amigos os problemas de um outro amigo – ausente na “reunião” – e num determinado momento eu pedi a palavra e perguntei aos outros na mesa: Quantos de nós temos esse mesmo problema e não fazemos nada? Por que enxergamos isso no fulano e não enxergamos isso em nós?

Preciso dizer que o clima azedou? Acho que não, aposto que entendem meu ponto de vista. A discussão foi longe, no momento em que eu fiz essa simples pergunta, pareceu que eu havia chamado a mãe de todos eles de… bom, deixa pra lá.

Temos de verdade uma dificuldade danada de ver a realidade, a nossa realidade, nossos problemas. Muitas vezes os mesmos problemas que vemos tão facilmente nos outros.

Tudo bem, os mecanismos de defesa como negação e projeção estão aí para isso mesmo, preservar e defender nossos Egos. Mas francamente, até quando se pode enrolar, empurrar a sujeira para debaixo do tapete sem alguma conseqüência?

Bem, a triste constatação é que podemos fazer isso para sempre. Podemos sim – e saibam que isso é bem freqüente – não querer enxergar a realidade por toda uma vida. A conseqüência dessa cegueira não é a felicidade, posso garantir isso com a mesma certeza que me chamo Marcelo.

E não querer enxergar deliberadamente é o que fazem os covardes. Palavras duras eu sei, radicais até certo ponto, mas eu afirmo, não se trata problemas graves e radicais sem atitudes radicais. E radical aqui, em meu singelo ponto de vista, seria continuar, perpetuar essa covardia consigo mesmo. Ou conosco, afinal, não foram poucas as vezes que eu me escondi de mim.

Mas confesso que depois que identifiquei, analisei e entendi certos problemas, em outras palavras, aceitei e percebi a realidade, a melhora foi bem grande. Dói? Ah, e como, mas o que dói mais, esconder e maquiar a realidade ou aceitá-la e alterá-la?

A resposta que parece óbvia na verdade não é. Dói mais aceitar e tentar alterar do que maquiar. E é por isso que muita gente prefere levar uma vida na escuridão da cegueira a abrir os olhos e ver o mundo, o seu mundo como ele se apresenta. Por isso chamo de Cegueira Deliberada, porque esses o fazem de propósito. Dói menos sim, isso é um fato.

Mas atentem para algo interessante: Viver a vida toda às cegas tem um preço alto porque um dia, mais cedo ou mais tarde, você mesmo, seu próprio Ego vai te perguntar algo que não haverá resposta: Quem é você?

Você, no caso, não será você porque viveu toda uma vida sem saber onde estava, quais angústias teve, quais problemas superou, enfim, não saberá quem é e nem do que é capaz. E isso pode até não produzir a tal dor inicial, mas provavelmente vai produzir um arrependimento muito grande porque resolver problemas dá um prazer inigualável.

Talvez por essas razões meu trabalho com pessoas seja tão difícil ao mesmo tempo que gratificante. Mostrar a realidade ao cliente não é fácil, ainda mais quando ele quer permanecer na escuridão, mas quando ele enxerga o problema e se livra dele, o prazer é imenso, para ele e para mim.

Só mais uma coisa: Parece que viver uma vida sem dor é algo bom não parece? Pois bem, sei que sim, mas isso provoca que tipo de crescimento? Viver numa ilusão serve para que?

O bom da vida não é passar por ela sem problemas – que conscientemente sabemos ser impossível –   ou sem enxergá-los, o bom da vida, continuo afirmando isso até o fim, são os altos e baixos. Os altos fazem parte daquela sensação que temos de dever cumprido, de um degrau a mais conquistado quando nos livramos dos “baixos”. 

MM

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Nosso Real Valor

contemplacao

O texto passado provocou algumas reações interessantes nos meus fiéis leitores. Bem, confesso que em mim também. Vou explicar melhor.

Quando escrevo algo, de fato me concentro naquilo, vivo intensamente o que estou escrevendo e pensando para poder colocar da melhor maneira no “papel” minha idéia. Raramente leio meus textos novamente, faço apenas uma revisão até certo ponto superficial.

Mas no texto “Experiências Culminantes” eu reli até mais de uma vez, pois as manifestações das pessoas me levaram a isso. Seja pelos comentários, por e-mail ou pelo MSN, muita gente falou comigo a respeito. Assim sendo, acabei relendo várias vezes.

Notei algo interessante, as reações todas foram incríveis, mas um tanto quanto óbvias. O texto provocou nas pessoas algo que deveria ser rotineiro, provocou nelas a atitude de olhar para a própria vida e perceber que as tais experiências estão mais presentes do que imaginavam.

Isso é óbvio, mas não rotineiro. O que estou querendo dizer é que todos temos experiências dessas em nossas vidas, sejam elas mais ou menos intensas, mas temos. O que chama atenção é que não percebemos no dia a dia. Por quê?

Porque falta a tal contemplação. Sim, contemplar a própria existência. É interessante como olhamos apenas para nosso umbigo quando temos algum interesse envolvido, mas não levamos em conta que é também nosso – senão o maior de todos – interesse melhorar a famosa e tão esquecida auto-estima.

Sim, é um fato e uma verdade absoluta o que vou dizer agora: Todos nós temos graves problemas de auto-estima.

Ora, o que são as experiências culminantes senão uma constatação de que somos capazes de qualquer coisa? Já escrevi aqui mesmo nesse Blog um texto que tem como título: Podemos tudo.

Por menor que possa parecer, qualquer experiência tem que ser levada em conta. Uma conquista, uma decisão importante, uma atitude de carinho e atenção com o próximo, uma ajuda, um beijo, uma boa performance na cama, uma palavra bem colocada numa reunião importante, enfim, qualquer coisa que fazemos em nosso dia a dia pode ser colocada, ou melhor, elevada ao registro de Experiência Culminante.

Mas não fazemos isso por pura falta de contemplação da própria vida. Admiramos os feitos dos outros, mas raramente os nossos. Estranho, mas é assim mesmo, viemos ao mundo para satisfazer nossos Egos, mas raramente damos “bola” para ele.

Meus leitores me elogiam e eu às vezes acho que eles exageram na dose e isso tem uma motivo: Bem, sou normal e acho que devo ter problemas de auto-estima. Mas já fui pior, já conheci os dois extremos.

Em uma época da vida eu achava que não servia pra nada e que tudo o que fazia era normal e rotineiro, quase óbvio. Estava errado. Em outra época me achava o máximo e em tudo o que fazia era merecedor dos mais significativos elogios. Estava errado também.

Para falar a verdade, o que importa é o que pensamos sobre nós mesmos e não o que vem de fora. E é aí que mora o “problema”. Temos que ter um critério de avaliação apurado senão passamos do limite para cima ou para baixo. Temos que saber nosso real valor em todas as áreas da vida. Isso é fundamental para qualquer coisa que façamos.

Por exemplo, eu tenho que ter a exata noção de que o que escrevo pode fazer bem para as pessoas, mas que isso não é e jamais será crucial na vida delas. Tenho que saber que pode ajudá-las, mas que essa ajuda não será essencial. Por outro lado, não posso acreditar que o que escrevo não fará nenhuma diferença. Em suma, tenho que saber com clareza o que é real e não ficar alimentando ou desnutrindo minha auto-estima.

Se nos habituarmos a contemplar todas as coisas de maneira mais profunda, veremos que vivemos algumas boas experiências. Me assusta ver leitores ou clientes dizerem que sentem um vazio imenso, que “nada acontece em suas vidas”. Ora, isso é de uma inocência sem precedentes, é óbvio que coisas acontecem, só precisamos estar alertas para enxergar.

Hoje não vou me alongar, mas volto em breve a falar sobre esses temas, “cegueira”, contemplação e auto-estima…

MM

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Experiências Culminantes

deus

Maslow define como experiência culminante algo que nos acontece que nos “tira” da realidade, mas ele fala sobre o tema de maneira positiva apenas, como sendo algo comum às pessoas auto-realizadas.

Pois bem, depois de pensar muito, eu cheguei a duas conclusões:

1 – As experiências culminantes podem ser relacionadas a fatos negativos.

2 – Assim sendo, podem também colaborar com a auto-realização.

Não se trata de derrubar a teoria do conceituado Maslow, muito menos de uma visão pessimista de minha parte. Trata-se apenas de aprofundar um pouco mais a teoria e tentar pensar se as experiências culminantes ruins ou traumáticas não servem para alguma coisa boa.

Mas antes, vamos aqui exercitar exatamente a teoria de Maslow. Não sei quantas ou se teve alguma dessas experiências – apesar de acreditar que sim – mas eu posso dizer que tive várias delas exatamente como ele propõe. Algo que possa ter sido real, transcendental, místico e até religioso.

Falando dessas experiências, tive algumas em minha longa jornada até aqui. Maslow fala que nessas experiências saímos da nossa realidade, nos sentimos pequenos diante do todo. Ele tem razão.

O nascimento do meu filho, no momento em que ele saiu da barriga da mãe eu estava ali presente e foi uma dessas experiências de auto-realização. Eu sonhava em ser pai e naquele exato instante tive a prova de que havia conseguido. Me senti absolutamente feliz como nunca em toda minha vida.

No mundo religioso, tive algumas experiências. Aqui vou relatar duas delas, uma positiva e outra negativa.

Há alguns anos atrás estive no Grand Canyon. Vendo aquela imensidão, me senti um nada. Claro, um privilegiado por estar ali, mas muito pequeno em relação ao todo. Católico praticante que sou, senti de fato que aquilo tudo é algo que só um Deus pode ter feito, foi como se sentisse de fato a presença Dele. Experiência pra lá de culminante.

A negativa também envolve Deus. Um dia, no meio de uma tempestade depressiva pela qua passava, fui à igreja conversar com Ele. Era uma quarta-feira e a única coisa que fiz foi pedir para que Ele desse um jeito de me tirar daqui. Entenda-se por “daqui” como sendo a vida. Sim, eu queria de fato encerrar minha participação aqui na Terra.

Deus escreve certo por linhas tortas e hoje tenho certeza de que ele sempre nos atende, porém, do jeito “torto” Dele.

Eu pedi esse absurdo porque realmente não agüentava mais ficar aqui. Naquele momento, era a única coisa que eu queria de fato. Hoje vejo o quão absurdo foi aquilo, mas no momento parecia sensato pedir algo tão extremo.

O que Ele fez? Me atendeu, mas do jeito dele. Dois dias depois daquilo, entrei em coma e fiquei uma semana numa UTI. Sobrevivi, é óbvio, mas a que preço? Bem, o custo foi entender que eu estava vivendo de forma errada, não só pelos problemas de saúde que tenho – sou diabético tipo 1, pra quem não sabe – mas também pelos significados que dava às coisas e às pessoas. Aquela experiência culminante negativa serviu para algo positivo.

Voltando para a teoria, o que ele propõe é que essas experiências são comuns às pessoas auto-realizadas, mas só porque ele as enfatiza como coisas positivas. Eu discordo nesse ponto. Como disse acima, acho que as negativas também podem ser culminantes e ter um desfecho positivo.

Além disso, não acho que apenas as pessoas realizadas têm essas experiências. Acho que todos têm. A diferença talvez seja a percepção que temos delas, talvez ainda, caso você não esteja bem, seja difícil reconhecê-las como uma experiência culminante.

É fato que as pessoas não realizadas ou com problemas graves têm muita dificuldade de ver e perceber experiências positivas, mas é tão fato quanto que elas efetivamente as têm. O segredo está em olhar todas as experiências com um critério bem rígido e assim perceber detalhadamente cada coisa que nos acontece.

Talvez percebamos que mesmo durante uma tempestade podemos enxergar a terra firme logo ali, ao nosso alcance, a um piscar de olhos. Até porque, caros leitores, essas experiências não duram muito tempo. Ás vezes não mais do que um simples piscar de olhos, mas tempo suficiente para detectarmos que foi de verdade uma experiência culminante.

E você, faça um favor, pense aí no seu canto quantas e quais experiências desse tipo teve em sua vida. E tente, mas tente de verdade e, com comprometimento, sempre buscar algo parecido, afinal, estamos aqui para tornar nossos Egos realizados, não é?

Ah, antes que me esqueça, aqui vai um toque do “teórico” MM: Quando percebemos e identificamos uma experiência como culminante, nossa vida melhora muito, pois são nessas horas que nos sentimos vivos. Plenamente vivos, se é que me entendem.

MM

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Crescimento Saudável

maslow

Em minhas leituras, normalmente textos técnicos sobre psicologia, comportamento humano e coisas do tipo, vez ou outra me deparo com algo que considero esplendoroso. Já estudei tantos teóricos que nem sei mais o número exato. Confesso, sem ser petulante, que muitos deles não são de grande ajuda, mas outros são brilhantes.

Quando sinto uma identificação com o que penso, aí é a glória, pois sinto que posso usar em favor de meus clientes de Coaching.

Um desses gênios da psicologia é Abraham Maslow (1908 – 1970). É dele um dos estudos mais importantes e mais intrigantes sobre Auto-realização, foco principal de todo meu trabalho e de meus estudos do comportamento humano. Ele criou o que hoje é conhecido mundialmente como O Conceito de Crescimento Saudável de Maslow.

Não vou aqui descrever toda a teoria, afinal, nos mecanismos de busca da internet pode ser facilmente encontrado. Algumas coisas do que ele dizia são absolutamente alinhadas com meu pensamento. Por exemplo, esta celebre fase de sua autoria:

“Não há seres humanos perfeitos! Podem ser encontradas pessoas boas, realmente muito boas, na verdade maravilhosas… E, ainda assim, estas mesmas pessoas podem, às vezes, ser tediosas, irritantes, petulantes, egoístas, zangadas ou deprimidas”.

Indo um pouco mais além, ele enfatizou que a auto-realização não é um fim, e sim um processo para o qual não há um fim. Como uma viagem, nossas vidas podem abranger desvios e até movimentos de recuo. O que importa é o que fazemos ao longo do caminho e não o destino.

Pois é, eu até escrevi sobre isso em meu segundo livro, o Desconforme-se. Lá eu disse que a felicidade não está na conquista e sim na busca. É durante o processo da busca que nos sentimos realmente felizes. A busca é constante e pode ser alterada ao longo do caminho.

O que estou querendo dizer é que nossos sonhos e objetivos podem ser alterados ao longo do percurso. O que importa é manter-se buscando algo, é sempre ter um sonho dentro de si. Com um sonho no coração jamais nos sentimos sozinhos.

Enfim, vamos em frente com a interessante lista que Maslow fez sobre determinadas características que os indivíduos saudáveis apresentam:

1 – Percepção mais eficiente da realidade.

2 – Aceitação (de si mesmo, dos outros e do mundo).

3 – Espontaneidade e naturalidade.

4 – É mais centrada no problema do que centrada no Ego.

5 – Necessidade de privacidade e distanciamento das situações.

6 – Independência das influências culturais e ambientais.

7 – Apreciação vigorosa de toda experiência.

8 – Tem experiências místicas e culminantes.

9 – Sentimento de bondade em relação aos outros.

10 – Relacionamentos profundos com os outros.

11 – Atitudes democráticas.

12 – Distingue entre os meios e os fins, entre o bem e o mal.

13 – Senso de humor filosófico, não hostil.

14 – Formas auto-realizadoras de criatividade.

15 – Forma atitudes e valores independentemente da cultura.

É isso. Qualquer dia desses vou escrever sobre Experiência Culminante… 

MM

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Pensar cansa

Pensador

Pensar cansa. Cansa mesmo. Pensar dá tristeza, medo, angústia, culpa e outras tantas coisas que a princípio parecem negativas. Não são. Se você consegue e tem coragem de pensar é porque quer realmente mudar alguma coisa.

Digo isso porque a maioria não quer pensar não. Aliás, odeiam pensar na própria vida porque tem medo de que fracassem mais ainda. Aquele tipo de gente que conhecemos que não pensa na vida com medo das conclusões. Mas eu aviso, estão apenas adiando os problemas, escondendo embaixo do tapete toda a sujeira. Estão também aumentando exponencialmente as conseqüências ruins de tudo o que terão que enfrentar pela frente.

Falando dessa maneira parece que a vida é um fardo e tanto. E é mesmo, mas apenas para aqueles que têm medo dela. Sim, existe muita gente que tem medo da vida. Nem sei porque nasceram, mas enfim, só Ele vai nos explicar isso um dia.

Quando disse que pensar cansa, quero que pense agora aqui comigo, quantas vezes você teve medo de pensar e quantas pessoas conhece que tem esse medo. Digo que várias, para ambos os pensamentos.

Tanto isso é verdade que esses livros de auto-ajuda que compramos têm esse efeito, pensar por nós. Achamos que lendo ou descobrindo uma fórmula mágica, não precisaremos pensar. Achamos que somente seguir alguma imbecilidade que alguém prega, bastará para que nossa vida mude radicalmente.

Em outras palavras, a maioria dos seres inteligente precisa de um norte. Veja só que absurdo eu vi outro dia num carro. Emparelhei com uma mulher, na casa dos 40 anos e muito, muito bonita. Após o farol abrir, fiquei atrás do carro dela e um enorme adesivo colado no vidro me chamou atenção a ponto de eu quase pará-la para conversar a respeito. Sei que sou louco, mas me controlei e só pensei, problema dela se ela é assim.

Dizia o adesivo em inglês mais ou menos isso: “Eu nunca me perco. Alguém sempre me diz o que fazer”.

Pode passar “batido” para qualquer pessoa, mas para mim não. Eu fiquei tão indignado com aquilo e tão triste ao mesmo tempo que anotei na hora para não me esquecer depois. Como é que alguém confessa uma coisa dessas? Como confessar que não se sente perdido porque alguém sempre diz o que ela deve fazer? Que espécie de vida tem uma pessoa dessas?

Já em casa, pensando a respeito, descobri que essa gente é a maioria aqui na terra. Desculpem, mas é sim. Pesado afirmar, mas quando pensamos mais profundamente em tudo, descobriremos que é verdade. Os livros de auto-ajuda vendem como pão quente. As palestras de seus autores ou de gurus estão cada vez mais concorridas.

Por que? Simples, as pessoas estão buscando fora o que deveriam procurar dentro. Calma, vou explicar. Procuram fora, através de livros e palestras, o que deveriam procurar dentro de si mesmas. Querem que alguém lhes diga o que fazer. Acham, que uma generalização de problemas e soluções pode ajudar a resolver algo tão íntimo e pessoal. Eu afirmo com todas as letras novamente: O que soluciona algo para mim não soluciona para você, mesmo que o problema seja parecido. Ou até mesmo igual. Sabe por que? Porque um mesmo problema tem significado diferente para cada ser. Somos, antes de qualquer coisa, um ser individual e uma só identidade.

Procurar em livros ou em palestras o que devemos fazer é o mesmo que ter um adesivo daqueles em seu carro. É implorar para que alguém te fale o que fazer.

Seu desejo é que vai te conduzir. Simples assim. Se você deseja algo, vai saber como buscar a realização disso para que seu Ego saia da crise.

MM

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Culpa de quem?

culpa

Ainda pegando o gancho anterior, a tal Crise, entendo que um dos maiores “problemas” da humanidade, o desejo, sabemos que somos movidos por ele e é o próprio desejo que nos causa os maiores sofrimentos e frustrações. Pior, desejamos muitas vezes o que não nos serve para nada em essência. Aqui falo de coisas materiais, sonhos de consumo e também dos desejos em ser.

Desejamos ser, muitas vezes o que não queremos em nosso íntimo. Algumas vezes para atender as expectativas da família, outras vezes para atender aos desejos que temos em ser reconhecidos, mas raramente desejamos ser o que queríamos ser de verdade. Nossa, que frase mais esdrúxula.

É preciso retomar alguns assuntos já tratados anteriormente, tipo aquela pergunta chata: Do que você realmente gosta? Eu, por exemplo, gosto do movimento. Talvez por isso eu goste tanto do mar. Sempre em movimento, sempre indo e vindo. Sei que parece até o artigo número um da constituição, direito de ir e vir, mas falando sério, eu adoro o mar, só que com um pequeno detalhe: Eu não suporto mar calmo. Eu gosto mesmo é de tempestade. Falei que era meio normal só às vezes, mas enfim, odeio aquelas praias com águas quase paradas. Talvez por isso eu nunca tenha procurado fazer nada muito “calmo” na vida.

Sempre quis coisas dinâmicas. Alguém pode até falar que escrever é algo parado, mas eu o desafio, tente sentar em frente a um computador e colocar as idéias em ordem… Não é fácil. E é dinâmico, pois o pensamento anda muito, muito mais depressa do que os dedos no teclado.

É óbvio que tive e tenho outras atividades, pois viver de vendas de livros não daria nem para comprar uma camisa. Usada… E em quase todas as minhas atividades durante a vida, procurei sempre algo que me motivasse, no sentido explicito da palavra, coisas que tivessem forte apelo emocional, em outras palavras, algo que causasse estresse mesmo. Um dia diferente do outro e coisas impossíveis de serem resolvidas. Era uma delícia. Uma delícia de verdade, pois isso sempre me fez sentir que estava vivo.

Era – e ainda sou um pouco – o cara que podia ser definido em qualquer projeto das minhas empresas como sendo o “como”. Quer saber como se faz isso? Jogue a bomba no colo do Marcelo. Desse jeito. O Santo das causas impossíveis. O cara que transforma problemas em pequenos obstáculos. Claro, sem falsa modéstia, muitas vezes o cara que transforma pequenos problemas em icebergs prontos para atingir o Titanic.

O problema é que nada do que eu fazia era meu sonho, pois deixei na “gaveta” o sonho de escrever até meus 43 anos. Mas mesmo assim, tinha uma vida dinâmica, nada burocrática, um dia diferente do outro até que um belo dia… a casa caiu. A crise financeira me pegou e não tinha mais saída, tive que, para sobreviver, ir trabalhar na empresa da família. Que faz o que exatamente? Vende burocracia. Apenas para definir em poucas palavras. Era como se eu ficasse o dia todo carimbando papéis em uma repartição pública. Nada a ver comigo, se é que me entendem.

Bom, o que uma mistura de burocracia, monotonia, crise financeira, e prostituição pode dar? Depressão, certo? Certo. Por que prostituição? Bom, porque troquei meu tempo por dinheiro e isso na minha louca cabeça nada mais é do que me prostituir. Mas sem sexo, o que agrava muito o problema. Com sexo pelo menos teria me divertido, não é?

Deixando as brincadeiras de lado, o que tem que ficar claro aqui é: Poderia apenas dizer que o universo conspirou para que eu tivesse que tomar a atitude que tomei.

Isto é o que quase todo mundo falaria. Eu não vou mentir para você. Eu errei mesmo e poderia ter evitado se tivesse sido mais ousado ou coerente com o que realmente gosto. Poderia ter procurado outra coisa, ou melhor, se pudesse voltar no tempo, poderia ter começado tudo de outra maneira. Isso se chama culpa. Minha culpa.

Em outras palavras, entrei na crise pela porta da frente e com tapete vermelho estendido. Quase como um tratamento Vip. E que crise! E pensar positivamente no meio dessa crise foi tão fácil como encontrar camelos na quinta Avenida em Nova Iorque.

Aceitei uma coisa pensando em melhorar o futuro, deixando de lado os desejos do passado e isso estragou o meu presente. Simples como dois mais dois são quatro.

Graças à Deus, aquele presente faz parte do passado.

MM

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Crise – 2

labirinto 

A tal crise. Ela aparece e engessa nossas atitudes. Vou contar uma coisa bem pessoal, há alguns anos atrás, eu que amo escrever, resolvi parar por um tempo.

Conversando com amigos, todos me perguntavam quando me encontravam: E aí, quando sai o novo livro? Que novo livro?

Bom, um escritor escreve, mesmo que tenha outras atividades, para as pessoas elas nem existem. Quando você muda seu estado profissional, e passa a ser escritor, todos te cobram livros. E olha que mantenho um site, este blog, já tive outros, escrevo para revista, mais um site, etc. Não adianta, na cabeça dessa gente, escritor escreve livros e ponto final.

Escrever é minha paixão desde sempre. Estar no meio de uma turbulenta crise nunca foi apaixonante. Para eliminarmos essa crise, o mais lógico é fazer alguma coisa que nos dê prazer. Prazer imediato, instantâneo. Mesmo sabendo que escrever um livro demanda tempo, competência e sorte. Mas o ato de escrever é um prazer imediato, pois cada letra colocada no papel representa um momento, um instantâneo, seja da sua vida, seja da sua imaginação.

Conclusão: Eu odiava estar no meio de uma crise e amava escrever. Naquela época, minha terapeuta numa das sessões simplesmente me pergunta com a maior naturalidade desse mundo:

- Por que não está escrevendo nada além das coisas que escreve, digo, por que não escreve um livro, alguma coisa mais séria do que já faz?

Olhei bem para a cara dela, querendo xingá-la, mas me contive… Quem ela pensava que era? Só porque cuidava de mim tinha o direito de me perguntar uma coisa dessas?

Pela reação que tive, ficou claro que ela mexeu num vespeiro. Pela reação que tive, ficou claro que ela estava certa. Um Marcelo Mello em crise só se cura mexendo na ferida. Não sei qual seu nome aí do outro lado, mas você só será curado se mexer na sua ferida. E quer saber de uma coisa? Sei que ama, que tem paixão doentia por alguma coisa. Então, faça-a!

Em suma, o tal vespeiro que a terapeuta mexeu significa: Como podia eu “pregar” que devemos ter um hobby se eu mesmo não estava cuidando do meu? Como podia querer abandonar o que faço – ainda um trabalho que tenho e que não suporto – se não estou fazendo nada para tornar rentável a atividade que amo?

O incrível é, porque eu mesmo não me importei com isso? Porque tive que ouvir de uma profissional essa bronca danada, sendo que eu mesmo deveria ter pensado nisso?

Simples, porque no meio da tempestade jamais enxergamos a calmaria.

E isso, os livrinhos de auto-ajuda não nos ensinam. Todo mundo prega o pensamento positivo se esquecendo do básico: Como se pensa positivo no meio da tempestade? Isso não nos ensinam e para falar a verdade, não precisamos desses livros.

O que precisamos para sair de uma crise é entrar nela. Muito óbvio? Ok, eu mudo. O que precisamos para sair de uma crise é pensar positivamente. Muito estúpido? Ok, eu mudo. O que precisamos para sair de uma crise é aceitá-la, percebê-la, entendê-la e derrotá-la. Agora sim.

Só tem um probleminha nesse meio, nem sempre percebemos a crise. Aliás, quase nunca, pelo simples fato de que odiamos perder e entendemos qualquer problema que enfrentamos como uma derrota. Perceba que a crise é fundamental porque “ela” vai nos sinalizar ou até mesmo dizer o que está errado, o que está faltando.

Isso não encontramos nos livros de auto-ajuda. Não pretendo aqui dizer a você o que está errado com sua vida, a menos que me contrate para ser seu Personal Coach. Pretendo sim, de alguma forma, alertar você que pode estar se sentindo ou agindo de maneira estranha e não sabe o motivo, ou o nega com a ajuda dos mecanismos de defesa do nosso Ego.

O que eu proponho é negar a negação. Estranho? Pense um pouco que vai entender.

MM

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Crise – 1

Ego sistema - MM

Vamos falar de crise. Quem é disse que você vai entrar numa crise em algum momento da sua vida? Eu digo, com todas as letras: Você vai entrar em crise um dia. Ou já entrou ou está no meio dela, e isso é um fato.

A menos que você seja uma daquelas pessoas que passam a vida toda à margem da própria vida. Filosófica essa frase, não? Estou me tornando um chato…

Mas é verdade. Muita gente, senão a maioria, passa a vida toda apenas “indo”. Não sabem nem para onde e muito menos por que, mas estão. Mesmo que seja de encontro a uma parede e nem se importam com isso. Agora, você que está aí lendo esse texto, com certeza não é desse tipo, afinal de contas, este Blog existe para quem pensa e se preocupa com os problemas comuns a nós todos, seres humanos.

Se você já que está em crise, talvez esteja apenas buscando uma maneira de sair dela. Ou se ainda não entrou, está atrás de uma maneira de evitar isso. Uma coisa eu falo com toda a segurança desse mundo: Não adianta lutar para não entrar. É inevitável, até porque deve ser uma pessoa preocupada com seu auto-conhecimento e quanto mais nos preocupamos e pensamos nisso, é mais certo de que entraremos na crise.

Por que “na” crise e não “em” crise? Porque não é qualquer crise. É na sua crise. Deu para entender? É única, especial, individual. Uma coisa que só você saberá por que entrou e como vai sair. Outras crises são comuns a todos. Familiares, matrimoniais, financeiras, basicamente todas iguais. Umas mais intensas e complicadas outras menos, mas todas iguais.

A sua crise não pode ser generalizada, ela é somente sua e por conseqüência, só você saberá quando entrou e como vai sair. Nesse meio do caminho existe mais uma coisa que só você sabe: Quanto tempo quer, deve e vai permanecer nela.

Estranho ler isso. Mesmo para mim. Acabo de escrever e, relendo agora, estou pensando se é ou não verdade o que acabo de escrever. Sim, é verdade. Nós somos quem definimos quanto tempo vamos permanecer nessa crise. E quão profunda e renovadora ela vai ser.

Exato, você leu corretamente, crises são renovadoras. Entramos em crise por vários motivos, mas sempre, digo e repito, sempre sairemos de qualquer uma delas de forma diferente da que entramos. No mínimo mais experientes, para não dizer bem mais fortes.

O que tem que se ter em mente nesse processo todo é não se preocupar com algo que é inevitável. Mais ou menos como a morte, sabemos que vamos morrer, que é inevitável, mas não nos preocupamos com ela, apenas tentamos driblá-la de vez em quando. Em relação à crise, não adianta tentar fugir, é inevitável e vou até mais longe, é necessária.

Como comentei, há pessoas que vivem à margem da própria vida. Apenas vivem. Muitas vezes, vivem a vida que os outros querem, a vida que os outros programaram, vivem a vida de maneira diferente da sua essência. Acha que não acontece? Pense bem, olhe à sua volta, pense nas pessoas que conhece, olhe no espelho, enfim, procure direitinho, mas de maneira bem honesta. Caso seja você quem vive dessa maneira, não se assuste, não é o fim do mundo, desde que resolva fazer algo a respeito, senão é o fim do mundo mesmo. Ou pelo menos, o fim do seu mundo.

Entrar nessa crise existencial não ocorre de uma hora para outra. Não acordamos em crise. É bem pior do que isso. É um processo. Eu adoro fazer paralelos, usar metáforas e sei que faço isso muito mal, mas adoro, azar seu que tem que ler. Dia desses pensei em piloto automático. Algumas pessoas passam pela vida apenas no piloto automático. Acordam, trabalham, comem e dormem. Transam de vez em quando, mas de forma mecânica. É, eu sei, a realidade é dura mesmo.

Utilizar o piloto automático, ou simplesmente viver automaticamente, é eficiente em algumas áreas da vida. Veja, quando está dirigindo, você quase sempre está com os pensamentos longe do carro da frente, mas no entanto, se ele brecar, você “sabe” que deve fazer o mesmo e nem pensa nisso, na intensidade da força que vai colocar no freio, etc. Apenas faz. Nesse ponto, o automático é bom.

Ruim é quando colocamos outras “partes” da vida no automático. Péssimo é quando colocamos o que realmente importa no automático. E o que realmente importa são seus pensamentos, seus desejos e sua existência. Se puser isso tudo no automático, vai ver que a vida vai te levar aonde “ela” quiser. Um barco à deriva.

Barcos à deriva não são muito aconselháveis, até porque se fosse bom, não colocariam remos, motores, velas e leme em barcos. Se o fazem é por algum motivo. Viu só? Mais uma coisa bem simples da vida que não pensamos todos os dias. Às vezes encontramos as respostas na simplicidade das coisas.

Dizem alguns que até mesmo a felicidade está nas coisas simples. Tenho pensado muito sobre isso e em algum momento por aqui falarei a respeito.

Retornando ao que falava, se estivermos em modo automático, não perceberemos a crise e se falo isso agora, devo repetir, essa crise existencial é necessária. A menos que você seja a pessoa mais incrível desse mundo e faça exatamente e tão somente aquilo que gosta. É? Duvido que seja.

Não fique de cara feia. Apenas sei que não é assim, ainda. Só pelo fato de se interessar em acompanhar este Blog, fica claro que está buscando algo.

Um famoso filósofo disse que buscamos aquilo que não temos. Como saber que não temos algo? Constatando que ela existe e detectando que não a temos. Obvio, não é? Bem, o óbvio é bom, mas nem sempre é tão óbvio assim. Muitas vezes queremos coisas que já temos, mas que simplesmente queremos trocar. Muita filosofia para meu estilo, melhor deixar isso de lado.

Uma vez constatado que desejamos alguma coisa, o processo natural é correr atrás. Se não fazemos isso é porque alguma outra coisa mais forte no caminho nos impede. O que será?

No próximo texto eu continuo…

MM

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Cheio ou vazio?

Copo

Movimento e indignação são palavras que mexem demais comigo. Estou sempre em movimento e observando também o movimento das coisas e pessoas. Para mim, o significado da palavra movimento é mudança. Parece muito nítido que se uma coisa, pessoa, ou pensamento se move, ele não estará mais no mesmo lugar daqui a um tempo, assim sendo, mudou.

Quem está em constante mudança ou querendo estar, leva algumas pessoas próximas a julgarem essa maneira de agir, como uma eterna insatisfação, isso na melhor das hipóteses. Na pior delas, como alguém que não sabe o que quer.

Se isso também for uma característica sua, sabe exatamente do que estou falando. Nos julgam porque simplesmente não se olham no espelho. Seres humanos são assim mesmo, preferem sempre julgar os outros, porque assim, acham, ficam livres de olharem para as próprias atitudes. Por outro lado, existem seres humanos que só olham para o próprio umbigo. Ego-sistema é assim mesmo.

Muitas pessoas que conheço falam sobre escolhas alheias mais ou menos desse jeito: Se fosse eu, não teria feito dessa forma. Bom, me parece lógico. Se as realidades são diferentes, se cada um de nós dá significados diferentes para absolutamente todas as coisas, é fácil concluir que faríamos tudo diferente.

Li um livro muito bom de um monge budista que passa alguns ensinamentos sobre a filosofia de vida deles. Para o grande mestre Buda, “nada é em si alguma coisa e sim o que queremos que ela seja”. Dessa maneira, aquele famoso pensamento motivacional sobre um copo estar meio cheio ou meio vazio, pode ser simplesmente um copo com alguma coisa dentro. Para a filosofia de vida budista, um copo não é nada em si mesmo. Ele se tornará algo na medida em que nós dermos um significado a ele.

Para mim, se for copo com leite, nada significará, pois odeio leite. Tanto faz se está meio cheio ou meio vazio, eu não vou me importar. Se for de coca-cola, talvez esteja meio vazio porque adoro coca-cola. E assim por diante. O que querem dizer com esse pensamento é que os otimistas o enxergam como meio cheio e os pessimistas como meio vazio. Eu não me importo com a quantidade de líquido dentro do copo para me motivar e sim com o que está dentro dele. Em suma, cada um enxerga o que lhe convém.

Sem falar que se um desses gurus me perguntasse algo sobre o copo, eu devolveria duas perguntas. Quero saber o que tem no copo, e em que situação me “deparei” com o copo. Se estiver num deserto, meio dopo de água não matará minha sede, mas talvez me dê mais umas horas de vida até que encontre um oásis com água potável e lindas odaliscas dançando. Se for num jantar a dois, meio copo de vinho pode ser suficiente para que eu me solte e dê a cantada que minha parceira esteja esperando, em suma, o mais importante é o que tem no copo e em que situação eu me encontro. Se não estiver com sede, meio copo de qualquer coisa não ajuda em nada. Seria uma visão morna. Tanto faz se estiver cheio ou vazio.

Por isso é preciso tomar muito cuidado com essas cartilhas e pensamentos motivacionais, porque o que serve para mim pode não servir para você. Os gurus da auto-ajuda generalizam de uma maneira tal, que todas as suas teorias mágicas parecem servir a todos os indivíduos. Só se esquecem dessa última palavrinha aí: Indivíduos.

MM

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Ambição x Sonhos

Ovo

Por muitos e muitos anos, achei que fosse um cara ambicioso. Vez ou outra me pegava apenas sonhando. Por mais parecidos que sejam os conceitos, sempre existem grandes diferenças. Em alguns casos, como esse, uma coisa pode levar à outra, mas só pode, não é sempre que isso ocorre.

Ambição na visão dos mais certinhos não é algo bom, eles confundem com ganância, isso sim uma coisa péssima. Ambição é fundamental para o desenvolvimento. Não falo apenas em relação às coisas, falo também em desenvolvimento humano.

Claro que para se ambicionar algo, é preciso que exista um sonho. A partir do momento em que se detecta um sonho, temos que agir ambiciosamente para conquistá-lo. O problema todo está quando entramos na famosa crise existencial. Os sonhos vão deixando de existir e por conseqüência a ambição desaparece.

Muitas pessoas apenas sonham, outras apenas ambicionam algo sem ter o sonho como base. Apenas querem, sem saber exatamente o que. É a ambição pela ambição, sem fundamento algum, provavelmente o primeiro passo em direção à ganância, conseguir algo sem medir as conseqüências.

Os sonhadores apenas sonham e esperam que haja alguma conspiração do universo a seu favor, coisa que sabemos não existir. Eles sonham, chegam até a fazer algum planejamento, mas pecam na hora da execução.

Como sabemos, todo mundo sonha com alguma coisa e até mesmo tem a ambição impulsionando na direção do objetivo a ser conquistado, mas muitas vezes, a tal realidade joga pedras no caminho que obrigam a mudar o rumo, ou obrigam a ajustar o planejamento inicial. Essas dificuldades também impulsionam, só que de forma negativa, empurram para o lado da desistência. Deixar isso acontecer por duas ou três vezes é o suficiente para que abortemos os sonhos pouco depois que eles nasçam.

Como é que se muda isso? Não é simples e nem gostoso dar murros em ponta de faca, dirão alguns. Verdade, concordo plenamente, porém, é necessário. Por duas razões. Primeiro porque é importante para o desenvolvimento da agilidade de raciocínio, algumas, senão todas as coisas que aprendemos, são feitas através do sistema: tentativa e erro. Como ratos de laboratório. Dar um ou outro soco na ponta de uma faca nos ensina que algo está precisando de ajuste.

Como tudo que se cria nesse mundo não deve ter dado certo de primeira, fica óbvio a constatação de que errar e ajustar faz parte do processo de execução e desenvolvimento de qualquer projeto.

O segundo motivo é que justamente quando um projeto não dá certo logo de cara cria-se na mente uma resistência que destrói parte do sonho. Pensamos que o sonho está errado e boicotamos muitas vezes uma idéia que poderia nos fazer bem no futuro. Para se destruir ou desconstruir uma crença, é preciso antes identificá-la. Além disso, sou da opinião que somos os maiores sabotadores de nós mesmos. Por quê?

Porque não nos ensinam a perder. Não consta nos manuais que perder fará parte do processo chamado vida. Somos ensinados a lidar apenas com a vitória, jamais com a derrota. O sucesso é a meta a ser atingida, quase sempre ligado ao sucesso financeiro, ao reconhecimento, etc e tal. O que mede o sucesso para a sociedade como um todo é: Fazer coisas que os outros notem.

Eu acho que isso é conseqüência da satisfação pessoal. Quem tem que ficar satisfeito é a própria pessoa e não os outros. Não se mede sucesso de acordo com a percepção dos outros. Sucesso se mede com o próprio julgamento, que é o mais rigoroso que existe.

Se nos deixarmos levar pelo julgamento dos outros, estaremos aceitando toda a contaminação que esse julgamento carrega. Sabemos que seres humanos não são os melhores habitantes desse planeta, seus julgamentos sempre podem carregar inveja, interesse e tantas outras coisas negativas que pode e vão nos atrapalhar caso dermos atenção a eles.

Você pode desenvolver algo que sonhou e que sua ambição o tenha movido na busca da realização e isso ser um enorme sucesso na sua visão – que é a que interessa – mas que pode esbarrar em pessoas que não vão valorizar sua idéia pelo simples fato de que aquilo não fora desenvolvido pela pessoa que o julga.

Normalmente vemos as pessoas falarem coisas do tipo: Por que é que não fui eu quem fez aquilo…

Ai está embutido uma ponta de inveja, não parece? Pois é. O que eu pergunto quando ouço algo nesse sentido é: Por que não tenta fazer algo que faça a diferença, algo que possa se orgulhar?

Isso mexe com as pessoas. Como sempre digo, não estou aqui para ensinar nada e muito menos para responder alguma pergunta, minha missão é levantar dúvidas.

Disse acima que isso mexe com as pessoas porque todo mundo nessa vida se acha capaz de qualquer coisa. Não são. Mas eles não sabem disso. As pessoas têm muitas capacidades, sabemos disso, mas será que todo mundo têm a consciência de que há limites?

Não é qualquer um que pode fazer qualquer coisa. É preciso buscar dentro de si a vocação, o desejo, a paixão. É preciso que detecte o que realmente quer e faça o planejamento, de preferência sabendo que vai encontrar obstáculos pelo caminho. E mesmo planejando tudo, muita coisa pode escapar a por isso é preciso saber como agir quando isso aparecer. Desistir é o mesmo que jogar no lixo o sonho, o desejo. É o mesmo que constatar que sua ambição era descabida.

Errado desistir, tanto quanto ambicionar algo que não tenha capacidade alguma de realizar. Por isso é que o auto-conhecimento é tão importante. Não pense que se conhece bem, raras são as pessoas que querem se descobrir.

Ambição e sonho são duas coisas muito parecidas e muito distintas, depende do prisma em que as vemos. Eu sempre tento procurar as diferenças entre as coisas, os conceitos, muitas vezes procuro tanto que acabo descobrindo que elas podem ser simplesmente complementares.

É o que acho sobre esse tema. Ambição é complemento do sonho, assim como o sonho pode ser complemento da ambição. A verdade é que um não vive sem o outro.

MM

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Jogando Xadrez

Xadrez - Espelho

Devo ter comentado, se não comentei pensei, que a nossa vida é basicamente um jogo de xadrez. Temos que prestar atenção em cada detalhe, em cada movimento das pessoas e não só das pessoas, mas de tudo o que acontece.

Preciso falar que nosso movimento é o mais importante? Ok, eu falo: Os nossos movimentos são os mais importantes.

Às vezes nos sentimos estranhos – eu pelo menos me sinto – quando percebo que estou “jogando” contra mim mesmo. É coisa de nossa mente, um lado quer se movimentar para o norte e o outro insiste em nos levar para o sul. Como é que se antecipa isso, ou melhor, como é que se lida com esses conflitos internos?

Como já sabemos, não existe uma só formula que seja definitiva – isso no que diz respeito às outras pessoas – mas sinceramente, será mesmo que não podemos criar uma fórmula que sirva pelo menos a nós mesmos?

O que quero dizer é que se usarmos nossas experiências, nossos sucessos e fracassos, nossa visão, nossa percepção e nossos significados, será que não conseguimos formar um padrão, algo que possamos usar sempre que necessário?

Pois é, acredito que sim e… vou um pouco além, acredito que temos que fazer isso. A prova é que já fazemos esse tipo de coisa quando lidamos com o outro. De uma certa forma, aprendemos como as pessoas com quem nos relacionamos “funciona” e usamos isso para manter nossas relações, bem como quando precisamos agredir ou ofender, sabemos exatamente onde atacar, não é verdade?

Assim sendo, deveríamos saber bem lidar com nossas mentes, não? Mas… como sempre digo, na prática a teoria é outra. Nos agredimos e até mesmo violentamos sem saber o que estamos fazendo, nos damos prazer e mal damos valor às pequenas coisas que geram isso, enfim, quando o “jogo” é contra nós, poucas vezes levamos em conta o que realmente estamos fazendo.

Pois eu digo que somos seres fracos. Muitas vezes sabemos como lidar com o próximo, mas não sabemos como lidar com nós mesmos. Por que?

Bem, funciona assim: se você joga xadrez com um adversário, você tentará descobrir o que ele pensa, como age, como joga. Se formos abrir um tabuleiro e jogar esse jogo tendo nós mesmos como adversários, já sabemos o que o “outro” eu fará. Não dá para tentar surpreender, pois quem está do outro lado é exatamente a mesma pessoa.

Confuso, eu sei, mas deveríamos tentar nos surpreender sempre. Digamos que surpreender seja impossível, eu mudo a frase para: Experimentar. Sim, deveríamos nos testar, permitir, experimentar. Tentar outro caminho quebrando os paradigmas que formamos ao longo e nossa existência.

Fazer algo diferente assusta. O novo sempre assusta. Mudar certos conceitos envolve uma boa dose de coragem. Sim, é preciso muita coragem para quebrar crenças que formulamos ao longo da vida, mas repito, é absolutamente necessário se você quer de fato ter um bom conhecimento de si mesmo.

Hoje em dia tenho passado por essas experiências, estou tentando experimentar um outro MM que sequer sabia que poderia existir. Mas ele existe e cá entre nós, esse “ele” me surpreendeu.

Aceitar novos desafios não é fácil, surpreender a quem tanto nos conhece é tão ou mais difícil do que surpreender o outro. Mas uma coisa eu te falo com propriedade: Tem sido uma experiência e tanto descobrir outras facetas de mim mesmo. Parece que a gente cresce um bocado.

MM

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Fogo amigo

Tiro

É fato que nossos Egos nos enganam, acho que todo mundo sabe disso. Tanto pode ser obra do Superego quanto do Id. O que eu não sei é de “quem” é a culpa por um sofrimento que vem de uma coisa chamada expectativa.

Normalmente chamamos de frustração, mas também pode ser decepção, como falei ontem, depende do significado que você der ao que te causa algum mal. Eu sempre disse e escrevi que tento não permitir ser tomado por qualquer expectativa. Falei em tentativa porque sei que é impossível viver sem nenhuma, mas devo morrer tentando e confesso uma coisa aqui para você: A cada dia que passa, as expectativas vão diminuindo, afinal, gato escaldado tem medo de água fria.

Assim sendo, vou falar hoje sobre expectativa e frustração, talvez até decepção. Quando nos relacionamos com alguém, seja qual tipo de relação for, criamos, sei lá por que, alguma expectativa em relação à pessoa. Normalmente o início de qualquer relação é uma coisa boa, portanto, a expectativa é sempre de receber o melhor do outro. Os mais afoitos, se doam antes, pensam que vão receber depois e não se importam. Já os mais desconfiados, recebem antes e depois doam.

Aí você se disponibiliza para a pessoa e conforme o tempo vai passando, uma ligação de confiança vai se estabelecendo, se solidificando e a entrega é cada vez maior. Normal quando a coisa é uma via de mão dupla, mas… nem sempre é assim. Poderia até afirmar que é quase impossível que uma relação decepcione ou frustre logo em seu início, quando ainda estamos naquela fase de esperar o melhor, mas nos preparar para o pior.

O fato é que mais cedo ou mais tarde, quase todo mundo decepciona todo mundo. Quando escrevo isso, me refiro também a nós, ok? Senão fica parecendo que, eu aqui escrevendo e você aí lendo, nunca decepcionamos ninguém.

Isto posto, queria de fato descobrir por que é que não ficamos naquele estado de alerta do começo por todo tempo? Quem nos libera para seguir em frente sem medo? Id ou Superego? Ah meu amigo Sigmund Freud, será que você explicou isso antes de morrer? Pergunto porque parece que não aprendemos nunca a nos blindar.

Por mais que existam pessoas que estejam sempre em estado de atenção, até mesmo essas se decepcionam, pois nunca esperam algo ruim vindo de alguém que, supostamente deveria estar no mesmo barco e mais, remando para o mesmo lado. É o que chamam por aí de “fogo amigo”.

Como é que se previne o tal fogo amigo? Existe uma fórmula? Óbvio que não, afinal de contas, quem é que pode imaginar que nosso “amigo” é quem vai nos dar o tiro? Mas o fato é que eles atiram, atiram para matar e com armas de grosso calibre.

Falo de nossos pais, filhos, amigos, namorados, maridos e esposas, amantes, enfim, falo de todo mundo que esteja em qualquer tipo de relação. A verdade, caros leitores, é uma só: Todos nós somos cruéis ao extremo e essa crueldade é mais presente nas relações mais próximas. Como eu costumo dizer, a gente ferra com o amigo porque o inimigo não deixa.

A conclusão lógica dessa mente que vos escreve é óbvia: Deveríamos ter dentro de nós Ids ou Superegos inimigos, pois assim eles nos manteriam longe do alcance dessas balas.

É triste ver amigos decepcionando, amores da vida mentindo, pais machucando, famílias se deteriorando e tudo isso em nome de que? De absolutamente nada. É a decepção pela decepção, sem nenhum sentido lógico a não ser se resolvermos aqui acreditar que a crueldade impera, e que nossos mecanismos de defesa não nos defendem eficazmente.

A verdade é uma só: Todos mentem. Inclusive nossos Ids. Inclusive nossos Superegos.

MM

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Erros certeiros

Vaso

Muitas vezes somos traídos por nós mesmos. Nosso “Sistema Operacional”, isso que chamo de Ego-Sistema nos engana e, sendo bonzinho, direi que engana algumas vezes, para não ser malvado e afirmar categoricamente que “ele” nos engana muitas vezes ao longo da vida.

Eu e meus dois “amigos” inseparáveis, o Id e o Superego vivemos em conflito. Isso se levarmos em consideração que eu seja mesmo o Ego, às vezes tenho dúvidas disso, mas deixa pra lá.

O conflito, como dizia, é constante. Sei que isso acontece também com você, caro leitor. Hoje vou falar sobre acertos, erros, escolhas e conseqüências.

É fato que em todas as relações interpessoais que temos, tentamos sempre acertar, fazer o melhor para nós, para o outro e também para a relação, seja ela de qual ordem for. O problema aparece quando detectamos um “desvio de rota” e tentamos colocar as coisas no rumo certo.

Diversas vezes erramos em nossa avaliação e em vez de usarmos as ferramentas certas que somente o Superego tem, afinal ele é o responsável pelo “certo ou errado”, acabamos ouvindo nosso Id que nos leva a cometer mais erros ainda.

O que quero dizer em uma frase é: Ao tentar consertar o que está ruim, acabamos estragando o que está bom.

Pois é, estou falando sobre isso hoje porque é o que está acontecendo nesse exato momento comigo. Ao tentar consertar, as coisas se estragaram – talvez definitivamente. E pior, isso aconteceu com as duas partes envolvidas.

Estragamos na tentativa de acertar… Parece uma coisa bem estúpida de se fazer, mas nós seres humanos somos tão estúpidos às vezes que dá muito medo. Um erro de avaliação, uma atitude – ou várias delas – e pronto, a conseqüência é irreversível.

Bem… nem tão irreversível assim, pois como disse no post anterior, podemos tudo, inclusive entender, perdoar, aceitar, relevar e talvez até mesmo reverter ou inverter a situação. O problema todo é o significado que damos às atitudes erradas.

Uma coisa leve para mim pode ser pesada para você e vice-versa. Somos mestres em avaliar de forma errada, somos mestres em dar significados pesados às coisas leves, mas o que importa nisso tudo não é o julgamento que farão os que estão de fora e sim a nossa avaliação, quem está mesmo dentro da “coisa”.

Não é fácil essa vida. Depois que as coisas se estragam fica mesmo muito difícil consertar. Por mais que se tente, o medo de erros futuros, o medo de tentativas erradas de se consertar problemas vai pairar sobre nossas mentes o tempo todo.

Viver com medo é completamente insano. Disse em meu livro Desconforme-se que tomar qualquer atitude sob o comando do medo é a pior coisa que se pode fazer. Medo de perder alguém não pode ser fator preponderante para permanecer com a pessoa. Medo de continuar e “dar uma chance” não vai te ajudar efetivamente a melhorar a situação.

Por outro lado, o medo é super importante, pois é ele que nos coloca os limites. Muito bem, isso é óbvio, me parece. Porém, por que é que não temos medo antes de enfiar os pés pelas mãos? Por que não ouvimos nosso Superego quando ele dá o sinal de alerta? Sim, ele sempre dá esse sinal no instante anterior e imediato da atitude errada que tomamos. Não ouvi-lo é um claro sinal de burrice ou até mesmo uma clara intenção de que estragar tudo é o melhor caminho para se resolver um problema até então pequeno.

Mas se bate o arrependimento, então a postura de estragar tudo não é a que foi levada em conta, portanto, ficamos apenas com a primeira opção: Burrice.

Resolver é possível? Sim, sempre, mas a que preço? Bem, depende das cartas que você tem nas mãos, pois não sabemos das cartas do outro jogador. Se você tem cartas boas, aposte pesado, mas nesse jogo da vida, principalmente da vida a dois, blefar é, sem sombra de dúvidas, a pior aposta que se pode fazer.

MM

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Podemos “tudo”

Poder

Esse assunto do post anterior me deixa muito indignado. Não buscar os próprios interesses em nome sabe-se lá de que é mesmo um absurdo. Mas é claro que esbarra em cobranças, outro problema difícil de lidar.

Somos cobrados desde pequenos. E quando crescemos, aumentamos as cobranças porque passamos a nos cobrar também. Só queria entender por que é que, uma vez que somos indivíduos, não podemos individualizar a sociedade.

Mais ou menos como dizer uma frase que soa mal educada, mas que é muito verdadeira e poderia ser vista como algo bem sincero: Quem é que tem alguma coisa a ver com nossa vida?

A resposta para alguns que vivem em função dos outros é: Muita gente. Para outros “alguns” mais radicais é: Ninguém. A minha resposta para essa pergunta é: Quem eu permitir que tenha.

Exatamente isso. Quem tem alguma coisa a ver com minha vida é quem eu deixo. E quem são essas pessoas? Serão escolhidas de acordo com o que eu receber em troca. Esquece o dinheiro, falo de amor, carinho, amizade, alguma coisa resumida como interlocução. Alguém que nos ouça e que dê eco. O que não podemos é permitir cobranças de pessoas que não julgamos importantes.

O engraçado disso é que todo mundo que conhecemos se acha importante em nossas vidas a ponto de nos cobrar certas atitudes. Isso ocorre quando não colocamos limites, lembra que falei em outro texto? É preciso criar uma cerca e deixar claro que só poderão atravessá-la quem você deixar. Processo complicado quando se junta isso com o medo da não aceitação.

Em nome dessa bobagem, sucumbimos e permitimos muitas vezes que todo mundo dê palpites e nos cobre alguma coisa. Como é difícil conciliar o que somos, o que queremos ser, o que os outros pensam que somos e o que os outros querem que sejamos. Acho que vou enlouquecer. Cadê o Freud quando a gente mais precisa dele?

Pensando melhor, talvez não seja assim tão complicado conciliar isso. Basta pensar em cada coisa isoladamente, usando o critério de eliminação. O que querem que sejamos nem vou levar em consideração, afinal, ninguém tem o direito de escolher o nosso destino. O que pensam que somos também é problema de cada um, pois cada um enxerga o que quer e como quer, assim sendo, o que pensam de nós pode ou não ser a verdade. Não levaremos em conta.

O que é importante é o que somos e o que queremos ser. Daí sai as maiores e terríveis cobranças que existem, a que fazemos a nós mesmos.

O que somos? Pergunta complicada. O que queremos ser? Pergunta tão ou mais complicada. Bem, o que somos parece fácil de ver, mas não é. Melhor mudar, ou melhor ainda, juntar as duas perguntas numa só: Somos quem queremos ser? Nossa, agora foi uma estocada no fígado.

Quase sempre chegaremos à conclusão de que sim, somos quem queremos ser, mas já adianto que é mentira, uma enganação. Se fosse verdade, não estaríamos preocupados em justificar para nós mesmos todos os dias o que fazemos e o que fizemos com nossas próprias vidas.

Por que nos cobramos tanto se somos exatamente o que queríamos ser? Se você se cobra é porque de alguma forma tem que justificar suas atitudes, provar para você mesmo que chegou onde está porque quis isso. Não digo que quis, mas que permitiu. Há muita diferença.

Ao abandonarmos nossos sonhos, nossa vocação natural ou nossa essência, dê o nome que quiser, devemos ou deveríamos saber que as cobranças virão de forma devastadora em algum momento da vida. Pode estar passando por isso agora, pode já ter passado ou pode ainda não ter vivido isso, mas só ainda, porque vai viver.

Felizmente não é algo irremediável. Quando alguém cobra uma dívida fazemos o que? Pagamos. Pode ser em suaves prestações ou à vista, mas não teremos desconto. A dívida é grande, mas “pagável”.

Saiba, é necessário pagar e também possível de ser feito. Não venha com desculpinhas de que é tarde demais porque não cola. Mesmo que já tenha passado da idade para iniciar ou retomar algum projeto, tenha na cabeça de que a felicidade está na busca e não na conquista. Se pensar dessa maneira, vai perceber que iniciar algo é que vai te manter em estado de felicidade.

Não devemos nos preocupar com a conclusão. Não devemos nos cobrar pelo tempo perdido, apenas começar. Até porque podemos descobrir durante o processo que “não era bem o que queria” e mudar os sonhos ou o foco não é proibido por lei alguma. Não crie regras que não existem, não crie crenças. Você, eu, enfim, todos nós, podemos tudo. É simples assim.

E essa é a única verdade absoluta que existe: Podemos tudo! E não estou dizendo isso porque tem uma força interior ou qualquer outra bobagem dos manuais de auto-ajuda. Não é isso. Digo que podemos tudo porque somos os únicos que temos esse direito, ainda mais e tão somente, relacionado à nossa vida.

Continuo a falar disso semana qu vem…

MM

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