Fim

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O fim sempre chega antes do fim. Não, você não leu errado. Proponho uma reflexão um tiquinho mais profunda sobre isso. O que quero dizer é que o fim sempre dá sinais de que está chegando ao fim. Calma, vou explicar.

Vale para qualquer coisa, para qualquer ciclo. Sabemos, não podemos ser tolos, que tudo – inclusive a própria vida –, tem um começo, um meio e um fim. Já mencionei a vida e posso falar também sobre trabalho, relacionamentos amorosos ou até mesmo de amizade, enfim, como disse, acima, vale para todas as coisas.

Um parêntese: Até mesmo as relações que duram “até que a morte os separe”, ou seja, que duram para sempre, acabam quando… bem, quando a morte os separa.

Lidar com perdas não é nada fácil. Em psicologia chamam isso de “luto”. Uma das coisas mais fascinantes que nossa mente é capaz de fazer é a tal elaboração do luto. Claro, uns têm mais facilidades do que outros, no entanto, não é isso o que nos faz tão especiais, o fato de sermos únicos? Pois é, assim sendo, não cabe – nunca – a generalização. Cada um lida melhor com suas perdas em seu tempo, em sua velocidade, com suas crenças e significações.

É fato que a vida é composta por ciclos. Portanto, temos que saber que teremos que elaborar diversos lutos durante nossa estada por aqui. Uns mais pesados, mais dolorosos, outros nem tanto. Isto posto, vamos em frente.

Eu falava sobre o fim acontecer antes do fim. Pois é, acontece mesmo. Todo final de ciclo se anuncia. Nossos mecanismos de defesa é que impedem nossos egos de aceitar ou, como dizem por aí, de encarar a realidade. Um exemplo que pode ilustrar isso é aquele amigo que nos avisa quando estamos prestes a bater com a cara na parede… todo mundo tem um amigo destes, o que é muito bom, diga-se de passagem.

Por outro lado, os mais atentos, os mais lúcidos, conseguem perceber sozinhos quando o fim de alguma coisa está próximo, ou melhor, quando ele mesmo se anuncia dizendo baixinho nos seus ouvidos: Ei, cara, desista, cai na real, isso aí já acabou.

Alguns chamam essa voz de intuição. Não sei se há definição melhor para um conceito tão abstrato.

E por que será que pouca gente ouve essa voz, não no sentido de escutar, falo no sentido de levar em consideração mesmo, prestar atenção a ela como se deve. Oras bolas, se a intuição nos alerta de tantas coisas que vão nos fazer mal ou bem, por que é que não damos bola? Não me parece coisa de seres inteligentes, concorda?

O fim chega mesmo antes. Faça um esforço e olhe para sua própria vida. Você sabe ou soube antes de se desligar da empresa que um emprego não “dava mais”. Outro exemplo: Você tinha a exata noção de que aquela sua relação amorosa havia acabado muito antes da despedida.

Infelizmente tenho que perguntar: Por que continuou com aquilo se sabia que já não havia mais condições de prosseguir? Por que insistir no que te fez ou faz mal? Sim, caro leitor, faz mal percebermos que acabou e tentarmos prosseguir com a coisa. Mesmo que você ame uma pessoa, amar quem não te quer mais só te faz mal, ou não é isso? Mais uma coisa… será que ama de verdade?

Veja por outro lado, é igualmente fato que nosso ego nos engana. Pelo menos tenta. Por que digo isso? Simples, se recebemos um aviso que o fim chegou, mesmo que antes da despedida, ele, o ego, sabe muito bem que insistir só vai prejudicar a ele mesmo. Mas ele dribla nossa consciência utilizando uma arma terrível, diria até que uma arma de grosso calibre: O apego.

O ego nos diz que temos que permanecer com a pessoa ou no emprego porque simplesmente ele está apegado à coisa em si. Isso é muito errado, não acha? Nosso próprio ego nos fazendo sofrer… Definitivamente seres humanos estão bem longe de serem “máquinas perfeitas”. Entretanto, os humanos são uma constante fonte de inspiração para estudos.

Quando o fim te avisa que está chegando ao fim, podemos fazer apenas duas coisas: Continuar deliberadamente dentro desse ciclo por alguma conveniência ou interrompê-lo de uma vez sem dó nem piedade.

Caso não seja uma opção deliberada, a escolha é mais ou menos assim: Prefere um ataque do coração fulminante ou uma doença degenerativa? Escolhe bife de fígado ou um pote de Nutella? Creio que entendeu meu ponto.

O lado bom disso tudo é que logo após o fim de um ciclo, outro se inicia. Às vezes se inicia até mesmo antes do fim.

MM

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Mea Culpa

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Pois é, retirei alguns posts daqui. Errei a mão, leitores odiaram e com toda razão. Cheguei a ser ofendido em alguns comentários que nem postei dadas as palavras utilizadas. Claro que eu sou capaz de entender tanta fúria, fui eu quem fez uso dela primeiro. Toda ação provoca reação.

Resolvi usar esse tema hoje porque ele cai como uma luva para mim e creio que também para alguns leitores que se escondem atrás de comentários anônimos ou que não comentam colocando seus e-mails para que eu possa responder. Vai de cada um. Até porque, todo mundo, sem exceção, sempre está disposto a ter a última palavra, não é assim? Pois bem, que tenham.

Há alguns anos atrás, bem no meio de uma tempestade interna, quero dizer depressão profunda, ainda que saísse de casa para trabalhar, fui levado à lona. Isso aconteceu num período relativamente “curto”, durou bem uns… 4 anos. Nesse período eu fiz muita coisa errada, sempre ousando me amparar na desculpa de que estava doente e podia fazer qualquer coisa para me satisfazer. Bobagem. Era uma tentativa desesperada de voltar ao normal ou uma revolta pelo que aconteceu. Já explico.

Isso ocorreu em meio a muita coisa boa. Por incrível que pareça. Começou perto de eu lançar meu primeiro livro, ou seja, perto de realizar um sonho antigo. Nunca foi o maior sonho da vida, mas eu dei esse significado àquilo naquela época. Não sei por que cargas d’água, eu achei que era como pisar na Lua… Outra bobagem movida pela emoção. O maior sonho da vida eu já tinha realizado antes, mas não me dava conta até então.

Poucos meses depois desse evento tão importante para mim, fisicamente doente por causa da diabetes, sendo cuidado erradamente por um médico bambambam, entrei em coma e quase parti desta para a melhor, como dizem. Eu tomava remédios errados, orientando pelo médico e quase fui embora. Como não fui, achei que deveria olhar melhor para minha vida. Pois bem, a coisa se complicou ainda mais.

Eu já havia feito tudo o que queria. E aí, o que me motivaria a continuar por aqui? Continuava trabalhando, fazendo tudo o que queria como sempre fiz, escrevendo porque era e é meu hobby e não minha profissão como uma leitora pensa e escreveu em seus comentários agressivos e irônicos, mas fazia tudo isso no automático, não mais por prazer. Trabalhava nas minhas empresas para poder comer, escrevia por escrever, vivia sem a menor graça. Lá no fundo, já contei essa história mil vezes, na noite em que passei mal e entrei em coma, em nenhum momento eu tive medo com a “certeza” que iria morrer. Talvez eu não esperasse ser salvo pela minha ex-mulher que percebeu algo estranho e correu da casa de praia para São Paulo me socorrendo a tempo. Notem, eu não tive medo, instinto básico de sobrevivência. Lembro que um dia, alguns meses depois desses dez dias de hospital, ainda sob efeito de uma profunda depressão, eu falei a ela: “Nunca vou ter certeza se eu te agradeço ou te culpo por ter salvo minha vida.” Um absurdo, né? Mas eu fiz isso. Ela entendeu numa boa porque sabia o que eu estava passando.

Obviamente que esse sentimento de ter preferido ir embora, mas sabe-se lá por que razão ter ficado, provocou uma revolta interna. Virei um rebelde ainda pior do que sempre fui. Antes eu era ácido, depois passei a ser azedo e amargo. O tempo passou e a terapia não ajudou em nada além do que três toques geniais da psicóloga. Um ano de terapia para três insights. Pouco, mas valeu.

Passado algum tempo, a coisa começou a desanuviar e eu passei a entender que tinha minhas razões para não querer continuar a viver, mas como alguém lá em cima ou lá embaixo não me aceitou, achei por bem deixar o assunto esquecido. E lá está até hoje.

Retomando: Um dia, eu e minha ex saímos para jantar com um casal de amigos dela. O marido começou a falar da religião dele, etc, etc. Aí ele soltou uma boa para mim. Disse: “Já li seus livros, gosto do seu tipo de humor ácido, leio seu site, etc. Acho que você precisa de uma coisa só para ficar confortável consigo mesmo: Praticar a tolerância”.

Eu comecei a rir porque se tem algo que não faz parte do meu DNA é a tolerância. Não tolero injustiça, não aceito desculpinhas para quem não conhece o próprio idioma, não suporto erros de qualquer espécie, odeio gente burra porque entendendo que inteligência não vem de fábrica, portanto, todos temos a capacidade de absorver coisas… enfim, tolerância passa longe da minha mente e atitudes. Isso vale para mim também. Esse será o ponto central desse devaneio todo.

Não sei por que, mas de uns tempos para cá eu ando pensando nisso novamente. Não consigo praticar, só pensar e imaginar como seria se conseguisse. Não descobri ainda que efeitos positivos ou negativos isso certamente vai causar no meu Ego-Sistema. Claro, os efeitos serão bons e ruins como tudo nessa vida. A pegadinha está, de novo, na intensidade…

Hoje acordei disposto a fazer uma experiência. Tenho motivos para isso, como disse, errei a mão em alguns textos, comentários, conversas… em suma, estou descontando nos textos e nas pessoas algo que está rolando aqui dentro. Isso em psicologia chama-se “Projeção” que é um dos mecanismos de defesa do Ego. Um dos mais odiosos, diga-se de passagem. Apesar de que todo mecanismo de defesa tem seu lado odioso, mas se nosso Ego não se defender, quem o fará? Não estou, pelo amor de Deus, justificando as bobagens que falei esses dias. Estou explicando. E me culpando, certamente. O Ego é meu, o erro é meu. Simples assim…

Vou me forçar a praticar a tolerância. Não se trata de engolir sapos, mas de rever alguns conceitos e ficar calado quando a vontade de falar e chutar a porta forem grandes. Também não é o caso de aceitar qualquer coisa que veja e que seja contra, por exemplo. Trata-se de desprezar o que os outros falam ou fazem que me diga respeito. É mais ou menos como não estar nem aí com as atitudes alheias. Pode ser que funcione. Mas a linha é tênue…

O que os outros pensam sobre mim é problema deles e não meu. Esse, vocês que me lêem sabem, é um dos meus lemas. Agora vou ampliar: O que os outros fazem a mim, também será problema deles e não meu. Não se trata de me proteger dos outros, trata de não me envolver com o que seja sobre mim, entretanto que não diga respeito à minha essência. Trata-se de ser tolerante comigo. Com os outros também não sou, mas tenho obrigação de ser.

Vamos ver se dá certo. Vou tentar ser mais Zen e menos Faca nos Dentes. Peço desculpas aos meus fiéis leitores não só pelos textos retirados e, sobretudo, pelos textos escritos. Aos leitores eventuais ou que entram aqui só para me agredir, peço desculpas também pela impressão errada.

A todos os leitores, lembro que esse desabafo só foi postado porque Blogs nasceram para ser os Diários Pessoais de seus autores. Eu uso esse aqui para isso também. Afinal, o Blog é meu e faço o que bem entender com ele… (Olha a tolerância, Marcelo)

MM

PS: Volto ao tema amanhã.

Interesses

Ajuda

Alguém aí conhece uma só pessoa na terra que faça algo sem nenhum tipo de interesse? Eu não conheço e se você falar que conhece, já adianto que não vou acreditar. Isso não existe. O que, aliás, pode ser visto com uma coisa ruim, mas está longe disso. O interesse é uma das engrenagens que faz o mundo andar. Viu só como são as pessoas? Num primeiro momento você já achou que vinha algo pesado, no segundo momento já deu uma paradinha para pensar e percebeu que sem interesse, o mundo não seria o mundo como o conhecemos. Mas é claro que não vou deixar de falar verdades sobre interesses e interesseiros.

Darei também uma visão mais otimista sobre interesse, porque sem ele, teríamos parado no tempo das cavernas.

Espero que não seja hipócrita em achar que os benevolentes ajudam o próximo pelo simples fato de serem bonzinhos. Sei que existe gente boa no mundo, mas sempre há algum tipo de interesse por trás. Ou é pelo reconhecimento público ou dos amigos – o que inflaria o próprio Ego – ou é para aliviar a culpa de ter mais dinheiro do que os outros.

Portanto, ninguém nesse mundo é bonzinho o suficiente para fazer alguma coisa sem que haja algum interesse embutido na boa ação. E o que há de errado com isso? Absolutamente nada. As pessoas é que seguem a regra que diz que admitir isso é errado. Eu acho que admitir é normal. Até porque, você pode ajudar alguém de forma escondida e só você e o “ajudado” saberem, mas de uma certa forma, você teve um interesse: Em ficar bem consigo mesmo. Viu? Normal demais.

Na maioria das vezes o interesse se traduz e o julgamento aparece por causa do dinheiro. Para ser bem prático e objetivo, podemos tomar como exemplo algumas formas de interesse que vão ilustrar bem o que estou querendo dizer.

Digamos que temos uma menina, na casa dos 26 anos e que esteja entrando na fase da síndrome da solteirona e por conta disso esteja planejando se casar. Ela é bem nascida e foi criada, como posso dizer, com leite tipo A. Sabe como? Exato, uma patricinha. Claro que o círculo de amigos dela é do mesmo nível, então, natural que ela encontre um marido desse meio. Por mais que ela seja uma pessoa do tipo, “dinheiro não importa e sim o amor”, ela jamais se “apaixonaria” pelo porteiro do clube e sim por um dos sócios. Isso quer dizer que ela se casaria por dinheiro? Não, claro que não. Quer dizer, não só pelo dinheiro, mas também por ele.

Alguém mais “psicologicamente correto” – adoro inventar termos – pode falar que é porque ela não conhece o porteiro do clube e só por isso não se interessou por ele… Bom, aí entra uma outra questão que pode parecer bem mais preconceituosa, mas não é, só parece. Ela passa todos os dias pela portaria do clube e por isso, tem contato com o porteiro. Então porque é que ela nunca o olhou com outros olhos? Porque ela é sócia e ele o porteiro. Nada que chegue perto de uma discriminação, não é isso. Apenas que no mundo real, sócios falam bom dia e boa noite a porteiros de clubes e não os convidam para sentar à mesa. O inverso é exatamente igual. Um porteiro vai embora de ônibus e não de carona com o dono da Mercedes.

Por essas e outras, chegamos à conclusão de que a chance de uma patricinha se casar com um porteiro de clube são bem perto de zero. E ela se casar com o dono da Mercedes também não a transforma em uma interesseira. Mas estamos falando de alguém que também está longe de ser burra. Entre ir de ônibus Mercedes e um automóvel de luxo dessa marca, todo mundo, sem exceção, optaria pela segunda. A gente pensa nisso todos os dias, mas em sociedade, poucos admitem tais pensamentos. Entre escolher o amor da sua vida pobre ou rico, sempre deve se optar em “amar” quem tem mais dinheiro, afinal, todos os seres humanos preferem manter ou melhorar seu padrão de vida a diminuí-lo. Isso faz da pessoa buscar algo de seu interesse, porém repito, não transforma ninguém em interesseiro.

O que estou afirmando é que o interesse está presente na vida de todos o tempo todo. Claro que há os interesseiros inescrupulosos, mas o que escrevo aqui é para pessoas normais e não para essa gente. Ter interesse, ou melhor, buscar coisas do nosso interesse é absolutamente necessário e o mais importante é não ter culpa e nem aceitar que nos julguem mal por isso.

MM

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Novo Formato

Mente

Por que resolvi transformar em Blog o que seria um livro?

Bem, as coisas não são tão simples, quem é que disse que daqui não possa sair um livro? Outra coisa, escrever aqui me obrigará a tocar esse projeto em frente, afinal, hoje estou envolvido em meu primeiro romance policial, mas a necessidade de escrever sobre o que chamo de Ego-Sistema também é grande.

Assim sendo, como tenho quase que tudo escrito, resolvi colocar aqui e fazer as mudanças que eu pretendia enquanto era apenas um livro que ainda estava sendo escrito.

Vamos ver no que vai dar…

Sejam bem vindos e me ajudem a contar as mazelas de nossos Egos… quero saber das suas experiências, das suas vivencias, das suas histórias. Fale comigo, seja por e-mail se quiser que sua identidade seja preservada, seja através dos comentário públicos…

Não estou aqui para ensinar nada e sim aprender e dividir com vocês nossas experiências.

Quem sabe aprendemos algo: Quem sabe descobrimos algo bom?

 Beijos a todos e aproveitem.

 MM

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