Zona de Desconforto

Pregos

Uma cliente me procurou para iniciarmos um Processo de Coaching e nas primeiras trocas de e-mail ela dizia textualmente: “não faço a menor ideia do que quero, mas estou angustiada porque preciso mudar tudo e dar um novo rumo à minha vida, quero sair da zona de conforto e você foi bem recomendado e indicado para me ajudar”. Marotamente imprimi apenas o e-mail onde constava esse parágrafo.

Antes de prosseguir, deixe-me dizer uma coisinha básica: Ninguém quer sair da zona de conforto, pelo contrário, nossa busca é justamente por ela, por uma zona bem confortável e que… bem, que nos conforte a alma, o corpo, a mente em todos os sentidos! As pessoas acham isso simplesmente porque acreditaram em algum guruzinho de quinta categoria que inventou o termo. Só isso.

A verdade nua e crua é: Poucos conseguem entrar numa zona de conforto na acepção do termo e também das palavras isoladamente analisadas. Poucos! Oras, se é tão difícil de entrar por que é que iríamos querer sair? Como pode uma cliente dizer que quer sair da zona de conforto se está angustiada com os rumos da própria vida, ou seja, completamente desconfortável? Isso faz sentido para você? Desculpe, mas para mim não faz. Se quer falar a real, fale de forma clara usando as palavras corretas. Fale em se mexer, fale em entrar na zona de conforto, fale em levantar o traseiro da cadeira, mas não distorçam as palavras só para que pareça uma tacada genial. Bobagem, o que o mundo precisa é de mais gente que questione tudo fazendo aquela pergunta que já escrevi por aqui tantas vezes: Faz sentido ou não faz sentido?

Simplesmente passar o que se escuta para frente é alimentar o que está errado, é alimentar bobagens. Por isso cada vez mais cresce o número de “gente bobagenta”. Não caia nessa. Seja esperto. Esperto no sentido da palavra e não no sentido brasileiro da palavra. Você me entendeu.

É preciso acabar de uma vez com essa categoria de “besteirólogos” profissionais. Chega!

Voltemos: Com o e-mail impresso nas mãos, fui ao encontro de minha nova cliente. Logo na primeira conversa – aquela em que o cliente se solta e não para de falar, que é absolutamente necessário –, ela expos, ainda que muitos de modo inconsciente, uma série de fatos interessantes. Características de sua personalidade, comportamento, sonhos que deixou para trás, postura, enfim, se abriu, se revelou.

Como toda boa mulher que se preza, sua ansiedade a deixou sem fôlego e com sede. No que ela parou para tomar um gole d’água eu intervi:

– Você sabe muito bem o que quer, só não sabe que sabe!

Ela era uma pessoa engaçada, espirituosa e com ótimo senso de humor e parou de beber na hora e respondeu olhando para minha cara, ainda com o copo perto da boca:

– Ok, você está contratado.

A ansiedade em pessoa, mas uma cliente espetacular, um ser humano incrível e um dos casos mais legais e complexos que já atendi. Deu um trabalho danado, mas foi gratificante porque quanto mais um cliente exige do Coach, mais ele tem a oferecer e vice-versa. Foi bem bacana ajudá-la a descobrir que havia um vulcão adormecido sobre uma Zona de Desconforto!

MM

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