Consequências

Escolhas

Ao contrário do que dizem por aí, a vida não é feita de escolhas. Não sei por que diabos as pessoas absorvem conceitos e os repetem sem ao menos se dar o trabalho de pensar a respeito.

A vida é feita de consequências, não de escolhas.

Até quando não escolhemos geramos uma consequência, portanto, não devemos ficar repetindo coisas sem sentido.

É preciso pensar antes de escolher. E é óbvio que esse pensamento deve ser direcionado às consequências. De uma vez por todas temos que entender que nós, e apenas nós, somos e temos que ser responsáveis por aquilo que nos acontece.

Acreditar em destino ou qualquer coisa que o valha é, no mínimo, infantil. Para ser bem sincero, acho até que é safadeza. Culpar o destino ou os outros pelas consequências das escolhas que fizemos é ridículo. É fugir da nossa resposabilidade. Assumir é sinal de amadurecimento. Lidar com todos os desdobramentos é inevitável, portanto, que isso seja feito da forma mais honesta possível.

Esse processo de escolha/consequência é uma das grandes “sacanagens” da vida. Toda escolha parece ser a melhor no momento em que a fazemos. Entretanto, na hora da consequência é que descobrimos se foi realmente certa ou errada. Se foi a melhor ou a pior. A vida às vezes – para não dizer sempre – é bem sem vergonha.

Passamos o dia todo, todos os dias, todos os anos sendo “obrigados” a lidar com os efeitos, as sequelas de nossas opções. Como disse lá em cima, até quando não optamos sofremos as consequências disso.

E como tem gente que escolhe não escolher. Que prefere permitir que os outros decidam sua vida. Que opta por se deixar influenciar por fatores externos ou por crenças que limitam suas ações.

Costumo dizer aos meus clientes de Coaching que eles têm que tentar antecipar as consequências de seus atos. Fácil não é, mas há meios para se chegar perto de conseguir.

Racionalizar é um desses caminhos. Sei que muitas dessas escolhas têm que ser feitas em momentos de forte impacto emocional, mas é preciso racionalizar até as emoções.

Não, não é um jogo de palavras, tampouco loucura de minha mente perturbada e inquieta. É possível sim e é essa uma das nossas principais buscas para manter o Ego-Sistema funcionando de modo saudável.

MM

Anúncios

Cabo de Guarda-Chuva

arrependimento

Ando pegando meio pesado, né? Meio amargo, sei lá. Sabe aquele gosto ruim na boca que a gente brinca quando fala que está com gosto de cabo de guarda-chuva? Pois é, estou com isso, mas na mente, não na boca.

Muita preocupação acumulada dos últimos quatro, talvez cinco anos acabou estourando na saúde, o que causa ainda mais preocupação. Nosso Ego-Sistema é impiedoso: Tudo é somatizado. Carga emocional é uma porcaria, só serve para nos estragar.

As coisas têm significados diferentes para cada indivíduo. Muita gente me fala, ah, você está se preocupando à toa, isso se resolve, minha médica diria, pega leve, lembre-se do que já passou… outras vezes é meu Espelho quem avisa. Sim, sou adepto e defensor da Terapia do Espelho. Mas já aviso que é doloroso e Ele é completamente insensível.

Agora mesmo aprontou uma. Foi Ele quem puxou conversa dessa vez olhando diretamente em meus olhos:

– Cara, já vi você em dias ruins, mas parece que hoje algo te atropelou porque seu estado é deplorável. Foi caminhão betoneira ou um transatlântico desses… Qualquer Coisa Of The Seas?

– É, hoje a coisa foi feia mesmo. Pegou de jeito.

– Quer falar a respeito, estou aqui à sua disposição.

– Descobri que arrependimento mata.

– Como é que é? As pessoas não dizem por aí que se ele matasse…

– Mata sim. Lentamente, mas mata.

– Está morrendo? O que houve, se abre, agora fiquei preocupado.

– Morrendo estamos, né, desde o dia em que nascemos. O que pegou foi acúmulo de arrependimento. E ele mata sim, tira vidas nos deixando vivos.

– Sei como é. Um arrependimento aparece e se une a outro e assim vai, em cascata.

– Exato.

– Onde começou?

– Vixi, vem de longe, anos. Maybe décadas.

– Isso explica muita coisa.

– Demais.

– Vai, desembucha, homem.

– Assim, aqui na frente de todo mundo? O que vão pensar?

– Que você é normal, humano, que sofre, erra como qualquer outra pessoa. Que tem angústias…

– Isso sempre deixei claro, nunca neguei.

– Sei disso, mas não enrola e conta…

– Bom, tem material anterior, menos intenso, mas que me lembro grave mesmo, um divisor de águas,  foi aquela escolha errada naquele dia simbólico em fevereiro de 92 quando num rompante eu decidi que era melhor…

– Caramba… foi aquela decisão que desencadeou tudo isso?

– Exato, foi depois desse ponto que tudo foi alterado profundamente…

Enquanto me barbeava desabafei… e durante minha “consulta”, como quase sempre acontece para quem se joga na frente do Espelho, a Catarse foi inevitável.

As imagens das escolhas subsequentes, bem como suas inevitáveis consequeências foram passando pela mente como um filme antigo, machucado pelo tempo.

A voz embargou, as palavras arranhavam a garganta enquanto saíam e a respiração se alterou significativamente.

Mas quem denunciou uma vida incompleta foram os olhos.

Quando finalizei meu depoimento o cara lá do Espelho disse, sem dó:

– É, acho que tem razão, nesse sentido aí que você falou é bem incompleta sim.

– Pois é, também acho. E para piorar, hoje apareceu a cereja do bolo.

– Porque pior do que sofrer é fazer sofrer, não acha?

– Por que faz essas perguntas? Você me odeia?

– Depois dessas lembranças todas, quer mesmo saber? Sim, muito! Olha como tudo poderia ter sido diferente. Agora responda minha pergunta.

– Acho sim, claro. A gente sofre duas vezes.

– Pede então de uma vez.

– Pede o que?

– O que ficou faltando, vai, seja humilde, corajoso… pede.

– Peço desculpas a todo mundo por tudo que fiz. É isso?

– É claro que é, mas… você não é tão burro assim, ainda que tenha sido bastante.

– Entendi. E aí, você me perdoa?

– Desde que prometa não me fazer mais nenhum mal… talvez.

MM

Intrometidos Indesejados

bla-bla-bla

A gente tem a mania de se meter na vida dos outros. Os outros têm a mania de se meter em nossas vidas. Há, como eu, pessoas que são pagas para fazer isso. Sim, como Coach, me pagam para dar palpites. Deixando o profissionalismo de lado, por que será que as pessoas acham, nós inclusive, que têm o direito de se meter em nossas vidas?

A resposta é simples: Porque deixamos.

Sim, vamos analisar isso sob o ponto de vista da primeira pessoa. Nós permitimos que os outros se metam aonde não foram chamados. O que significa dizer que só nos metemos porque alguém permite. Engraçado é não enxergar isso. Triste é reclamar disso.

Pois é, aí quando dizemos a alguém aquela frase que, em minha opinião, deveria ser dita todos os dias para um monte de gente, nos chamam de mal educados. Mal educado é quem se protege ou quem invade? Mais uma vez a inversão de valores aparece em nosso Ego Sistema. Ah, a que frase me refiro? Essa: Você não tem nada a ver com isso.

Claro, há variações, mas basicamente é isso. Obviamente você não deve sair por aí dizendo isso o tempo todo, pois a sociedade o isolaria e você seria o único certo a viver no mundo dos errados. Verdade, é o que penso… cada vez mais as pessoas vivem num mundo completamente errado achando ser o certo. Vale pensar um pouco nisso, não vale?

Muito bem, façamos um exercício simples, daqueles imaginários já que se o fizermos no mundo real seremos punidos. Que tal você pensar nessa frase – Você não tem nada a ver com isso – todas as vezes em que… bem, todas as vezes em que quiser ou achar necessário. Tenho absoluta certeza de que pensará nela – e terá vontade de usá-la – mais de dez vezes por dia.

Esse tipo de assunto é intrigante. Passa pela pretensão chagando à beira da insanidade. Todo mundo tem sempre a solução para a vida do outro. Normalmente não sem importam com a própria vida, não buscam as soluções adequadas para seus problemas ou angústias, mas sabem como ninguém a melhor maneira de resolver o dilema alheio.

Sei bem o que estou falando, eu mesmo faço isso – cada vez menos, é verdade – quase o tempo todo. Dou pitacos em todas as situações que vejo, percebo, leio, enfim, sempre tenho a solução para a vida do outro. Normalmente a solução é simples, afinal, estou olhando de fora a situação. Tolice. Quem está dentro do problema normalmente está envolvido emocionalmente até o pescoço, natural que não enxergue com clareza o fim do túnel.

Isentado-me de toda a culpa, falo em meu favor que a culpa é do outro por permitir que eu dê palpites. Ainda que ultimamente eu tenha feito isso no silêncio dos meus pensamentos. É uma delícia meter o pau na vida dos outros sem que eles saibam. Ok, ok, mea culpa, mas não seja injusto, você também faz isso, não?

Continuando, talvez – ou provável – que se alguém dissesse a mim a tal frase, eu concordaria que não tenho nada a ver com isso, enfiaria a viola no saco e sairia de perto.

Já o inverso eu pratico com afinco. Normalmente falo a frase para quem se mete em minha vida. Muitas vezes educadamente, outras nem tanto, mas é fato que costumo dizer em tom indignado algo parecido com… E isso te diz respeito porque mesmo…?

Invariavelmente as pessoas me punem por ser tão direto. Objetividade, sinceridade e verdade são coisas em desuso. Aliás, melhor dizendo, as pessoas simplesmente odeiam esses conceitos que parecem abstratos e subjetivos, conceitos mal educados e de gente grossa.

De qualquer forma, vale o exercício que propus acima. Se puder me meter em sua vida e palpitar, diria até que vale praticar um pouco para ver a reação das pessoas. É, no mínimo, divertido.

Mas o principal motivo desse texto aqui é propor outro exercício: Que tal olhar mais para um espelho do que para a vida dos outros?

MM

Publicado em Ego. Tags: . Leave a Comment »
%d blogueiros gostam disto: