Escutando o Silêncio

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Muitas vezes os pedidos de socorro chegam aos berros. Em outras, chegam através de sinais. Mas o que fazer quando eles chegam no mais absoluto silêncio?

Pois é, escutar o silêncio não é para qualquer um, mas é bem possível.

Principalmente quando se tem um certo tempo de convívio. Mais ainda quando esse convívio já foi muito próximo. Diria até que se tem alguma obrigação em escutar o silêncio do outro, escutar o pedido de socorro. Entender, interpretar, absorver, ajudar… não concorda?

Os sinais são evidentes, mudança repentina de humor, alteração drástica de comportamento, anseio pelo isolamento, enfim, poderia ficar horas aqui falando sobre a mesma coisa.

Mas tem um problema aí nesse meio. Hoje em dia não temos tempo de ouvir.

Para falar a verdade, não estamos nem aí. Estamos muito mais preocupados em fotografar os pratos que comemos, os lugares que visitamos, estamos ávidos por mostrar uma felicidade de não existe e que jamais existirá enquanto essas coisas efêmeras fizerem parte de nossa realidade.

Ouvir o outro? Pra quê? Por qual razão? Em nome de quê? Da boa convivência? Oras, se nem conviver se quer mais, como fazer?

Bom, acho que deveríamos ouvir o silêncio do outro por simples solidariedade. Pelos velhos tempos. Pela amizade, afinal, se tem algo que é eterno nessa vida é a amizade.

Mas o lance hoje em dia é se preocupar com a própria felicidade. Justo. Mas e a felicidade do outro? Não importa mais? Por outro lado, ajudar alguém não dá nenhum prazer? Claro que sim.

Mas, como dizia, os problemas de todos nós ficaram em segundo plano, antes temos que mostrar aquilo que não somos. Temos que agir em desacordo com o que acreditamos para não ofender os melindrosos. Temos que fingir para sermos aceitos. Essa é a cobrança. E se não agimos assim porque estamos com nossas mentes corrompidas por algum problema sério, ninguém leva em conta.

E aqueles que nos aceitam são os mesmos que jamais irão nos escutar. Nem se fizermos barulho, menos ainda se pedirmos socorro em silêncio. Realmente é uma equação que não faz o menor sentido.

O que sei é que as pessoas acusam as outras, são intolerantes, jamais perdoam e sequer levam em conta de que tudo de ruim que possa estar ocorrendo seja causado por uma doença igualmente silenciosa.

Uma pena. A verdade é que todo mundo deveria saber que existem outros umbigos, se é que me fiz entender…

MM

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14 de Janeiro

Pier

Dia 14 de janeiro é sempre um dia de triste lembrança para mim. Até hoje, mesmo depois de uma década, não consigo esquecer e muito menos deixar de sentir certa tristeza quando deveria sentir alegria.

Sei que é algo bem pessoal, mas como te a ver com depressão, achei bacana dividir com este site que, aliás, estou em falta.

Sou diabético, tipo 1, mas descobri isso da pior maneira possível. Até então, era tratado pelo meu médico “bam, bam, bam” como um doente do tipo 2. Ou seja, tomava uma medicação errada e que não servia para nada.

Naquela madrugada, passei muito mal e logo cedo liguei para ele que me disse o seguinte:

– Calma, Marcelo, você está fraco desse jeito porque vomitou a noite toda, está desidratado. Deve ter comido algo estragado ou está com uma virose daquelas… mande sua empregada comprar umas garrafas de Gatorade que você logo estará melhor.

Virose é a muleta predileta dos médicos incompetentes. Eu devia ter processado o sujeito, mas não é minha praia ganhar dinheiro dessa maneira, portanto preferia apenas desejar que ele queime no inferno.

Liguei então para minha esposa que estava passando uns dias em nossa casa de praia e ela se preocupou com minha voz embolada. Minutos depois eu estava em coma. Dias depois, voltei à vida e descobri que minha mulher havia retornado naquele mesmo instante e salvo minha vida.

Isso posto, sigamos em frente olhando um pouquinho para trás: Há meses eu estava sofrendo de uma depressão daquelas que… deixam a gente fora de órbita, ainda que, como sempre fui reativo, saía todos os dias para trabalhar e tentar levar uma vida normal. Não, caros leitores, eu não me tratava porque era contra tomar remédios e os médicos com quem havia falado sobre aquilo, ou melhor, tentado um tratamento, só me recomendavam remédios, daqueles para ficar acordado durante o dia e daqueles para dormir à noite.

Erradamente não busquei ajuda terapêutica, apenas psiquiátrica. Enfim, coisas de uma mente perturbada que, por ser autodidata, acha que pode resolver tudo sozinho.

Há meses a tristeza vinha se acumulando e passar da tristeza profunda à depressão é quase tão fácil quanto atravessar uma rua de pouco movimento. Foi o que aconteceu comigo.

Naquela época eu já havia conseguido realizar tudo o que queria. Estava com 44 anos, acabara de lançar meu primeiro livro, já tinha um filho maravilhoso e também já havia plantado minha árvore. Brincadeiras à parte, sei que vocês me entenderam: Eu enfiei na cabeça que não havia mais nada a fazer nesse mundo, portanto, viver para quê?

Com essas inquietações me atormentando 24 horas por dia, não foi difícil atravessar a rua e cair naquele estado deplorável.

Querem saber a verdade? Lamentei não ter morrido quando saí coma. Na última vez em que havia ido ao banheiro naquela madrugada terrível, me olhei no espelho e disse a mim mesmo: Estou morrendo e não estou com nenhum medo disso.

Dias depois, conversando com minha mulher eu falei:

– Sei que eu deveria te agradecer por ter salvo minha vida, mas sinceramente, não sei até agora se te agradeço ou te culpo por isso.

Por mais agressiva que essa frase possa parecer, ela entendeu completamente meu ponto de vista, afinal, essa doença maldita chamada depressão era quem estava no comando.

É uma doença maldita mesmo. E em minha singela opinião, incurável. Acho que a gente aprende a lidar com ela, aprende a aprisioná-la em algum quartinho de nossa mente, mas não a elimina. Mais ou menos como no alcoolismo onde não se pode dar o primeiro gole, na depressão não se pode permitir a primeira recaída.

Essa doença é para mim o grande mal da humanidade. Ela tira a gente de combate e é justamente o que temos que fazer, combatê-la. Seja com terapia, seja com remédios, seja até consigo mesmo. Não se pode baixar a guarda um segundo sequer, pois ela renasce das cinzas. É um câncer mental.

Felizmente isso tudo ficou para trás e hoje consigo, depois de ter realizado tantas coisas nesses anos que se passaram, saber que sou muito agradecido. Mas a guarda continua elevada, em estado de alerta.

Não se pode vacilar nem um minuto, senão você dá o “primeiro gole” e… ela volta com tudo.

MM

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Despedidas

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A gente passa boa parte da vida se despedindo, não é? E despedida, via de regra é ruim, pelo menos eu penso que sim. A menos que a gente se despeça de um lugar que não gostamos, ou de pessoas tóxicas que nos fazem mal, despedida sempre tem sobrenome do tipo… Sofrimento.

Por outro lado, se há despedida é porque um dia houve um começo. E começos normalmente são bons, pelo menos é o que a gente espera. Criamos uma expectativa de que o início de qualquer coisa é bom.

Porque será então que a gente lembra mais dos fins do que dos começos? Não somos nós os seres inteligentões do Universo? Oras bolas, se assim somos, deveríamos nos ater aos inícios, em outras palavras, nos lembrar do que nos faz bem e não cultuar o que nos faz mal.

A teoria é linda e a prática nem tanto. Em teoria sabemos que deveríamos lembrar do que nos faz bem, afinal, isso seria um bom combustível para manter nossa autoestima elevada, certo? Certo. Mas, sempre tem um “mas”, insistimos em manter viva em nossa memória a tal da tristeza causada pela despedida. Vale para qualquer coisa e não só para relações amorosas.

Isso chega a tal ponto que em determinadas épocas de nossas vidas a gente acha, ou melhor, acredita cegamente, que passamos por mais despedidas do que qualquer outra coisa. Pelo menos comigo é assim. Com amigos idem. Com pessoas com quem converso também. Ou estou na tribo errada ou é isso o que ocorre na sociedade como um todo.

As despedidas são de fato marcantes. Os começos também, mas não damos bola para ele depois que nos despedimos Alimentamos nossa memória com a tal da despedida e não com o tal do começo.

Tudo bem, estamos aqui falando de coisas marcantes. Sendo assim, as despedidas das coisas marcantes causam dor mesmo.

É tão forte isso que até mesmo durante o processo, logo depois do início, a gente é obrigado a se despedir desse começo para viver o meio. E depois, o fim. Nos despedimos do começo, do meio e quando chega a hora de nos despedirmos do fim, o que faz nossa mente? Não se despede, pelo contrário, o mantém firme, vivo e forte em nossa memória.

Ficar velho é uma porcaria. A gente olha mais para trás do que para frente e mesmo que a gente tenha tido uma vida repleta de bons começos, para a conta fechar, temos que contabilizar as inúmeras despedidas.

Talvez por essa razão é que existam tantas pessoas que estão sempre começando algo, sabe aquele tipo que começa, começa e raramente termina? Então, de algum modo essa gente é inteligente, afinal, estão se protegendo das despedidas, de certa forma, encontraram um meio de não viver o fim das coisas, relações, enfim, o fim de qualquer ciclo.

Essa madrugada, em meio aos devaneios angustiantes que a insônia provoca, pensei nisso: Por qual razão a gente precisa sofrer pelo fim das coisas se podemos ficar felizes ao nos lembrar dos começos delas?

Acho que o ser humano deveria cuidar melhor de si. Nunca vou entender esse abandono, essa despedida de nós mesmos.

MM

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Pertencer

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Todo mundo “cabe” em algum lugar, não é verdade? Quer dizer, nem todo mundo. Ou melhor, nem todo o tempo. Parece papo de louco, mas tenho meus motivos para escrever desse jeito. Não é só papo de louco, é um sentimento meio doido.

Acho que já aconteceu com você aí do outro lado. Talvez até… bem, talvez até aconteça o tempo todo. Sendo sincero, estou escrevendo esse texto porque é assim que me senti durante toda a vida, ou melhor, praticamente toda ela e olha que não é pouca coisa, afinal, lá se vão 56 anos e meio… Claro, devo descontar aqueles primeiros anos em que a gente não sabe que é gente.

Então vamos lá. Estava escrevendo sobre caber, quer dizer, melhor falar em pertencer.

Nós pertencemos a uma categoria, certo? A de seres inteligentes e racionais. Até todo mundo normal concorda, ainda que eu tenha minhas dúvidas… Como tal, dentro dessa categoria, pertencemos a outras categorias, ou tribos, como se diz hoje em dia.

Pelo menos deveríamos – ou não – pertencer. Sei lá, acho que a gente se sentiria melhor se pertencesse. Mais confortável, talvez. E não me venham com aquele papinho de autoajuda de sair da zona de conforto, isso é besteira, todo mundo procura sua zona de conforto, já escrevi aqui sobre o tema.

Talvez seja isso que nos cause desconforto, o fato de percebermos que não pertencemos a nenhuma categoria aceitável. Será que é isso? Pode ser sim.

Quando nos sentimos mal em algum “ambiente”, seja na família, no trabalho, na sociedade, até mesmo na casa de praia ou no restaurante da esquina, logo achamos que não pertencemos àquele lugar, não é assim?

Bom, não sei se é assim com você, mas comigo é.

Passei boa parte da vida tendo plena convicção de que não pertencia a lugar algum, pelo menos não ao lugar em que estava quando sentia aquela sensação. Muitas vezes achei que não pertencia a lugar algum mesmo, literalmente. Eu sei, tenho que fazer terapia para resolver isso, mas… acho que agora talvez seja tarde.

A ideia de liberdade sempre foi meu sonho utópico. Liberdade simplesmente não existe. Uma vez que nos inserimos na sociedade e isso é inevitável, a gente sempre tem que deixar a liberdade plena de lado.

Provável que seja isso: A falta de liberdade.

É isso o que provoca essa percepção de que não pertencemos a lugar algum ou ao lugar em que estamos. É uma sensação ruim. Pensar nisso agora também é ruim. Escrever sobre isso é pior ainda porque talvez eu precisasse de um livro para explicar o sentimento.

Talvez não. Afinal, somos seres inteligentes, pelo menos é o que dizem e por essa razão é que esse texto curto sirva para que você entenda meu ponto, quem sabe até pense nisso e me conte alguma coisa a esse respeito.

O que sei é que o que todo mundo queria ter é um espaço em que o espírito pudesse correr livremente. Talvez depois da vida, não é mesmo? Mas aí, tenho certeza de que será tarde demais porque o que a gente busca é, em teoria, para ser feito nessa vida porque não sabemos se haverá outra.

Pensando bem, olhando para trás agora, descubro que passei boa parte da vida fazendo força para pertencer ao lugar onde estava. Lembrando aqui dos meus amigos mais próximos, percebo que eles tiveram o mesmo desafio, consequentemente, o mesmo destino. Observando a sociedade como um todo, noto que as pessoas estão correndo desenfreadamente – ou desesperadamente – atrás de algo que nem sabem ao certo o que é.

Se isso é ser racional, que na próxima vida eu nasça cachorro… Sim, deve ser bem melhor, eles conseguem amar incondicionalmente e acabam por se adaptar ao meio e que vivem bem melhor do que nós, os inteligentões.

MM

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Egoísmo

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Já li muita coisa a respeito de Egoísmo. Alguém aí do outro lado pode achar que o fato de eu ter lido muito a respeito faz de mim um ser que age desse modo e… bem, é a mais pura verdade: Sou um ser egoísta. Pelo menos acho isso.

Sempre usei a meu favor aquelas afirmações que tratam o egoísmo como questão de sobrevivência. Será que essas afirmações são verdadeiras? Acho que sim, mas em parte.

Não dá para tratar todas as questões usando a mesma régua. Cada caso é um caso, cada atitude é uma atitude.

Dia desses me peguei fazendo um mea culpa. Lá fui eu para frente do meu melhor amigo, o Espelho. Sim, sou adepto dessa terapia e entendo que a gente jamais consegue mentir para a própria imagem. Isso posto, vamos em frente.

Lá, diante da minha imagem cansada, fiz uma pergunta daquelas pesadas, uma pergunta que me deixou sem chão: Marcelo, por que é que você foi tão egoísta em tantas situações? Especialmente naquela em que você…

Bom, não vou escrever aqui o resto, afinal, nenhum de vocês têm alguma coisa a ver com meus problemas, com minhas angústias. Mas é fato que, só com o enunciado da pergunta, já deu para entender o quão profunda foi minha conversa comigo mesmo.

Inevitável sofrer quando constatamos uma coisa dessas, não é mesmo? Pois é.

Pior do que sofrer é não ter uma resposta aceitável. Quer dizer… um belo combustível para aumentar esse sofrimento é não ter uma boa resposta, uma justificativa que explique tais atitudes.

Costumo ter o raciocínio lógico. Assim sendo, sempre tenho que ter uma resposta para minhas perguntas, afinal de contas, por que ter atitudes desse nível se não posso justificá-las? Não faz sentido.

Ser egoísta seria um tipo de defesa do Ego? Até onde sei não faz parte dos mecanismos de defesa propostos. Entretanto, confesso que não sou profundo conhecedor do tema, pois não sou lá muito fã dos teóricos do início do século passado. Acho que a complexidade do ser humano se modernizou de lá para cá.

Que coisa doida essa que escrevi aí em cima. Mas é o que penso. Ficamos mais complexos a cada dia e as teorias pararam no tempo. Uma pena.

Continuemos… Pensar só em si é o que caracteriza o egoísta. Até aí todo mundo concorda. Mas e quando a gente pensa primeiro em nós? Também é egoísmo?

Há quem diga que sim, há quem discorde. Minha opinião sobre o tema é simples: Tenho certeza de que estou em dúvida!

Brincadeiras à parte, é sério isso. Apesar do tom bem humorado. É bom explicar porque os hipocritamente corretos podem cair matando nas redes sociais…

Não tenho uma posição definida a respeito de algo tão complicado. Já pensei em mim em primeiro lugar, diversas vezes, jurando que não estava sendo egoísta. Mas nem por isso deixei de sentir alguma culpa por, supostamente, parecer pensar só em mim agindo conscientemente e me defendendo de mim mesmo quando me chamava de egoísta. Meu Deus, que confusão! Não é nada fácil ter certezas.

Pois bem, caros leitores, a discussão está sobre a mesa. Quem quiser se manifestar a respeito e definir até onde é egosímo ser egoísta, fique à vontade.

Eu vou lá para a frente do espelho confrontar minha imagem e tentar entender porque é que sinto arrependimento por ter sentido certas culpas… ou por não tê-las sentido…

MM

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Paixão

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Nunca vou entender por que é que tem gente que entorta o nariz quando o assunto é paixão. Já ouvi até gente qualificada dizer que não faz bem. Não sei quem qualificou essa pessoa, mas o fato é que ser psico-isso ou psico-aquilo não dá salvo conduto a ninguém, muito menos quer dizer que não se possa ir contra a opinião deles. Pode sim! Há gente boa e ruim em todas as profissões. E não existe opinião certa ou errada, existe opinião diferente.

Isso posto, sigamos em frente. Sou daqueles que pensam que a paixão é um dos combustíveis principais que movem o mundo. Em todos os sentidos, em todas as áreas da vida. A ponto de, se eu fosse um tipo de psico-celebridade, afirmaria com todas as letras que sem a paixão correndo nas veias a pessoa já morreu, ainda que esteja viva.

Não dá para viver sem ela. Sinto pelos que morrem de medo de se apaixonar, chego a temer por eles, pois a vida dessa gente deve ser muito sem graça.

Dirão alguns: A paixão é um sentimento passageiro. É um sentimento que nos descontrola. É um sentimento quase irracional. É diferente do amor… e por aí vai.

Pois é, infelizmente há quem “pense” desse modo. Mas é evidente que empreguei o “pensar” em sentido figurado.

Discordo de quem diz que é um sentimento passageiro. Prefiro imaginar que seja um sentimento cíclico. A paixão vai e volta. E não estou falando só em caso de substituição do objeto dessa paixão. Em outras palavras, há momentos em que estamos mais ou menos apaixonados pela mesma coisa, pela mesma pessoa. Ou não?

Dizer que é um sentimento passageiro não é, portanto, um bom argumento, isso em meu entendimento, que fique claro. Passageiro é algo que passa. Paixão não passa, ela pode diminuir sua intensidade, mas não passa assim do jeito que as pessoas falam. E se levarmos para o campo filosófico do conceito da paixão, aí esse argumento se perde ainda mais. Um ser que é apaixonado por natureza, sempre tentará viver e reviver esse sentimento, podendo lutar para que esses ciclos sejam menores ou substituindo o objeto de sua paixão com mais frequência. Nada de errado com isso, até porque, meu caros, ninguém tem nada a ver com o modo que o outro toca sua vida, ou tem? Não, não tem!

E outra coisa, tudo nessa vida acaba, certo? Absolutamente tudo, até a vida. Não tem cabimento buscarmos a eternidade tendo consciência disso.

Há até quem diga que a paixão nos faz sofrer. Esse argumento nem vou rebater de tão infantil que é. Desculpe, mas até se você comer 200 potes de Nutella você vai sofrer, portanto… achar que vai passar pela vida sem sofrer é mesmo infantil.

Sobre o descontrole que a paixão provoca, digo que é bom justamente por isso. Claro, sei que hoje em dia isso é difícil, mas tentemos fazer uso do bom senso: Estou falando aqui em linhas gerais e não dos excessos, ok? Preciso desenhar porque o que tem que psico-chatos-arrogantes-literais-donos-da-verdade por aí…

Assim sendo, em linhas gerais é bom, faz bem perdermos o controle de vez em quando, que seja para descobrir quais são os nossos limites. Aquela perguntinha acompanhada de “Gifs” divertidos que roda por aí nas redes sociais: Quem nunca?

É gostosa aquela sensação de descontrole, aquela angústia que a paixão chega a provocar em nós. Faz com que a gente se sinta vivo, sei lá… E querem saber, que seja um sentimento quase irracional. Quem disse que somos animais racionais? Bem, alguém disse, mas isso sucinta ainda mais dúvidas. Seres racionais não fariam nem metade do que os seres humanos fazem. Bora lá aprofundar um pouco nossos pensamentos, gente.

Sobre o fato da paixão ser diferente do amor, é tão óbvio que não cabe nem um tipo de argumentação e sim fazer uma pergunta: Quem é que disse que um sentimento exclui o outro, ou substitui o outro?

Oras bolas, quer dizer que não podemos nos apaixonar por quem amamos? Ah, façam-me o favor… quem falou essa bobagem? Dá uma vasculhada aí na sua vida e veja se isso faz sentido. Na minha não faz. Sou apaixonado por muitas coisas ou pessoas que amo. E amo ser apaixonado por elas…

MM

 

 

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Mundinho Sujo…

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Nesse mundinho raso em que vivemos as pessoas falam o tempo todo em respeito. Não é verdade? Os hipocritamente corretos então, nem se fale, ai de você se ousar discordar deles. Opa, espera um pouco, há um sinal aí.

Quer dizer que as pessoas hoje em dia odeiam que discordem delas. Ah, entendi, então as pessoas só respeitam as opiniões alheias se estas forem iguais às suas, é isso? Bacana… nada mais justo numa sociedade que costumo chamar de “Sociedade do Eu”.

Sim, vivemos numa sociedade do eu, por mais paradoxal que isso possa parecer, afinal, entende-se, pelo menos se entendia, por sociedade, algo coletivo.

A coisa vai longe, não há mais limites.

Por exemplo, dizem que não devemos julgar os outros e o que fazemos? Julgamos. Não negue, não tente dizer que “você é diferente” porque vai acabar se enganando. Todo mundo julga o tempo todo! Traduzindo, o que importa é o que cada um acha sobre qualquer coisa não se importando com o fato em si.

Dizem, em teoria, que devemos respeitar as opiniões dos outros. Em teoria. Na prática, as pessoas querem mesmo é impor as suas. Não conseguem entender que não existe opinião certa ou errada, existe opinião diferente. E, claro, existe o fato que é a única coisa que deve balizar uma opinião.

Mas hoje em dia a coisa mudou, se alastrou. As redes sociais deram voz a todo mundo, o que, no meu entender, deveria ser ótimo. Mas na prática… a teoria é sempre outra.

O que se vê por aí, por exemplo, é gente julgando textos sem sequer saber escrever corretamente. Claro que pode-se gostar ou não de um texto. Óbvio que sim! Entretanto, vejo gente julgando os autores sem sequer ter a capacidade de compreensão de texto, basta analisarem as pesquisas sobre o tema. Que tal aprender a ler, a escrever e depois se meter a falar sobre… bem, sobre qualquer coisa.

Eu leio muito e adoro me divertir lendo os comentários de textos, não só sobre os meus, dos outros também. Comento muito pouco, mas adoro ler. Deve ser algum distúrbio masoquista.

Dia desses vi uma ótima colunista do jornal O Estado de São Paulo, que escreve sobre comportamento, ser chamada de tudo quanto é nome só porque escreveu um texto jogando a verdade na cara dos leitores.

E se tem uma coisa que aprendi nessa vida é que o ser humano, aquela raça dita inteligente, odeia a verdade! E odeia quem tem personalidade forte também.

A tal colunista é séria, gosto demais do que ela escreve, embora nem sempre concorde com ela. O que é absolutamente normal, concordar ou discordar faz parte do jogo. Ainda bem!

Mas xingar? Execrar? Falar um monte de asneiras? Isso vale? Bom, reza a lenda que nos dias de hoje pode-se tudo. Por mais policiamento que haja nas redes, a verdade é que quem comenta pode tudo. Ok, mas esses que podem tudo só não aguentam o tranco da volta.

Por exemplo, essa colunista que mencionei, deu uma resposta dura a um comentário ridículo num de seus recentes textos. Pronto, recebeu uma enxurrada de críticas. Claro, essa gente que tem cabeça só para separar as orelhas, acredita que podem falar o que bem entendem sem receber respostas. Odeiam ser contrariados, pior, morrem de medo de serem confrontados com argumentos, o que foi o caso. Lamentável.

O Brasil precisa de educação, mais do que isso, precisa de berço como dizia minha avó. Enquanto isso não vem, sigamos desrespeitando o próximo. Iremos bem longe desse jeito, viu…

MM

PS:

Um “intelectual” (sic) lá no outro site em que escrevo disse que sou irresponsável ao dizer certas coisas, ao medir a vida com minha régua. E ele, ao me julgar irresponsável fez o quê? Mediu sua opinião com a régua de quem? É só mais um tolinho que não aguenta a verdade… e que faz parte dos 85% que não têm interpretação de texto.

Outra, provável que a dona do mundo e da psicologia, disse que os Conselhos de Psicologia deveriam atuar para impedir que qualquer um desse sua opinião sobre psicologia. Coitada, mal sabe ela o que penso dos psicólogos, mas eu conto: São todos uns fraquinhos, cheios de mimimis e mal resolvidos. Isso pra não dizer retardados funcionais, porque hoje estou de bom humor…

É que lá não posso nem discutir com os leitores, mas aqui, posso tudo!!!

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