Paixão

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Nunca vou entender por que é que tem gente que entorta o nariz quando o assunto é paixão. Já ouvi até gente qualificada dizer que não faz bem. Não sei quem qualificou essa pessoa, mas o fato é que ser psico-isso ou psico-aquilo não dá salvo conduto a ninguém, muito menos quer dizer que não se possa ir contra a opinião deles. Pode sim! Há gente boa e ruim em todas as profissões. E não existe opinião certa ou errada, existe opinião diferente.

Isso posto, sigamos em frente. Sou daqueles que pensam que a paixão é um dos combustíveis principais que movem o mundo. Em todos os sentidos, em todas as áreas da vida. A ponto de, se eu fosse um tipo de psico-celebridade, afirmaria com todas as letras que sem a paixão correndo nas veias a pessoa já morreu, ainda que esteja viva.

Não dá para viver sem ela. Sinto pelos que morrem de medo de se apaixonar, chego a temer por eles, pois a vida dessa gente deve ser muito sem graça.

Dirão alguns: A paixão é um sentimento passageiro. É um sentimento que nos descontrola. É um sentimento quase irracional. É diferente do amor… e por aí vai.

Pois é, infelizmente há quem “pense” desse modo. Mas é evidente que empreguei o “pensar” em sentido figurado.

Discordo de quem diz que é um sentimento passageiro. Prefiro imaginar que seja um sentimento cíclico. A paixão vai e volta. E não estou falando só em caso de substituição do objeto dessa paixão. Em outras palavras, há momentos em que estamos mais ou menos apaixonados pela mesma coisa, pela mesma pessoa. Ou não?

Dizer que é um sentimento passageiro não é, portanto, um bom argumento, isso em meu entendimento, que fique claro. Passageiro é algo que passa. Paixão não passa, ela pode diminuir sua intensidade, mas não passa assim do jeito que as pessoas falam. E se levarmos para o campo filosófico do conceito da paixão, aí esse argumento se perde ainda mais. Um ser que é apaixonado por natureza, sempre tentará viver e reviver esse sentimento, podendo lutar para que esses ciclos sejam menores ou substituindo o objeto de sua paixão com mais frequência. Nada de errado com isso, até porque, meu caros, ninguém tem nada a ver com o modo que o outro toca sua vida, ou tem? Não, não tem!

E outra coisa, tudo nessa vida acaba, certo? Absolutamente tudo, até a vida. Não tem cabimento buscarmos a eternidade tendo consciência disso.

Há até quem diga que a paixão nos faz sofrer. Esse argumento nem vou rebater de tão infantil que é. Desculpe, mas até se você comer 200 potes de Nutella você vai sofrer, portanto… achar que vai passar pela vida sem sofrer é mesmo infantil.

Sobre o descontrole que a paixão provoca, digo que é bom justamente por isso. Claro, sei que hoje em dia isso é difícil, mas tentemos fazer uso do bom senso: Estou falando aqui em linhas gerais e não dos excessos, ok? Preciso desenhar porque o que tem que psico-chatos-arrogantes-literais-donos-da-verdade por aí…

Assim sendo, em linhas gerais é bom, faz bem perdermos o controle de vez em quando, que seja para descobrir quais são os nossos limites. Aquela perguntinha acompanhada de “Gifs” divertidos que roda por aí nas redes sociais: Quem nunca?

É gostosa aquela sensação de descontrole, aquela angústia que a paixão chega a provocar em nós. Faz com que a gente se sinta vivo, sei lá… E querem saber, que seja um sentimento quase irracional. Quem disse que somos animais racionais? Bem, alguém disse, mas isso sucinta ainda mais dúvidas. Seres racionais não fariam nem metade do que os seres humanos fazem. Bora lá aprofundar um pouco nossos pensamentos, gente.

Sobre o fato da paixão ser diferente do amor, é tão óbvio que não cabe nem um tipo de argumentação e sim fazer uma pergunta: Quem é que disse que um sentimento exclui o outro, ou substitui o outro?

Oras bolas, quer dizer que não podemos nos apaixonar por quem amamos? Ah, façam-me o favor… quem falou essa bobagem? Dá uma vasculhada aí na sua vida e veja se isso faz sentido. Na minha não faz. Sou apaixonado por muitas coisas ou pessoas que amo. E amo ser apaixonado por elas…

MM

 

 

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Mundinho Sujo…

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Nesse mundinho raso em que vivemos as pessoas falam o tempo todo em respeito. Não é verdade? Os hipocritamente corretos então, nem se fale, ai de você se ousar discordar deles. Opa, espera um pouco, há um sinal aí.

Quer dizer que as pessoas hoje em dia odeiam que discordem delas. Ah, entendi, então as pessoas só respeitam as opiniões alheias se estas forem iguais às suas, é isso? Bacana… nada mais justo numa sociedade que costumo chamar de “Sociedade do Eu”.

Sim, vivemos numa sociedade do eu, por mais paradoxal que isso possa parecer, afinal, entende-se, pelo menos se entendia, por sociedade, algo coletivo.

A coisa vai longe, não há mais limites.

Por exemplo, dizem que não devemos julgar os outros e o que fazemos? Julgamos. Não negue, não tente dizer que “você é diferente” porque vai acabar se enganando. Todo mundo julga o tempo todo! Traduzindo, o que importa é o que cada um acha sobre qualquer coisa não se importando com o fato em si.

Dizem, em teoria, que devemos respeitar as opiniões dos outros. Em teoria. Na prática, as pessoas querem mesmo é impor as suas. Não conseguem entender que não existe opinião certa ou errada, existe opinião diferente. E, claro, existe o fato que é a única coisa que deve balizar uma opinião.

Mas hoje em dia a coisa mudou, se alastrou. As redes sociais deram voz a todo mundo, o que, no meu entender, deveria ser ótimo. Mas na prática… a teoria é sempre outra.

O que se vê por aí, por exemplo, é gente julgando textos sem sequer saber escrever corretamente. Claro que pode-se gostar ou não de um texto. Óbvio que sim! Entretanto, vejo gente julgando os autores sem sequer ter a capacidade de compreensão de texto, basta analisarem as pesquisas sobre o tema. Que tal aprender a ler, a escrever e depois se meter a falar sobre… bem, sobre qualquer coisa.

Eu leio muito e adoro me divertir lendo os comentários de textos, não só sobre os meus, dos outros também. Comento muito pouco, mas adoro ler. Deve ser algum distúrbio masoquista.

Dia desses vi uma ótima colunista do jornal O Estado de São Paulo, que escreve sobre comportamento, ser chamada de tudo quanto é nome só porque escreveu um texto jogando a verdade na cara dos leitores.

E se tem uma coisa que aprendi nessa vida é que o ser humano, aquela raça dita inteligente, odeia a verdade! E odeia quem tem personalidade forte também.

A tal colunista é séria, gosto demais do que ela escreve, embora nem sempre concorde com ela. O que é absolutamente normal, concordar ou discordar faz parte do jogo. Ainda bem!

Mas xingar? Execrar? Falar um monte de asneiras? Isso vale? Bom, reza a lenda que nos dias de hoje pode-se tudo. Por mais policiamento que haja nas redes, a verdade é que quem comenta pode tudo. Ok, mas esses que podem tudo só não aguentam o tranco da volta.

Por exemplo, essa colunista que mencionei, deu uma resposta dura a um comentário ridículo num de seus recentes textos. Pronto, recebeu uma enxurrada de críticas. Claro, essa gente que tem cabeça só para separar as orelhas, acredita que podem falar o que bem entendem sem receber respostas. Odeiam ser contrariados, pior, morrem de medo de serem confrontados com argumentos, o que foi o caso. Lamentável.

O Brasil precisa de educação, mais do que isso, precisa de berço como dizia minha avó. Enquanto isso não vem, sigamos desrespeitando o próximo. Iremos bem longe desse jeito, viu…

MM

PS:

Um “intelectual” (sic) lá no outro site em que escrevo disse que sou irresponsável ao dizer certas coisas, ao medir a vida com minha régua. E ele, ao me julgar irresponsável fez o quê? Mediu sua opinião com a régua de quem? É só mais um tolinho que não aguenta a verdade… e que faz parte dos 85% que não têm interpretação de texto.

Outra, provável que a dona do mundo e da psicologia, disse que os Conselhos de Psicologia deveriam atuar para impedir que qualquer um desse sua opinião sobre psicologia. Coitada, mal sabe ela o que penso dos psicólogos, mas eu conto: São todos uns fraquinhos, cheios de mimimis e mal resolvidos. Isso pra não dizer retardados funcionais, porque hoje estou de bom humor…

É que lá não posso nem discutir com os leitores, mas aqui, posso tudo!!!

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Balcão de Reclamações

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Por que é que a gente reclama tanto? Bem, dirão alguns muitos estudiosos, a insatisfação é inerente aos seres humanos. Verdade. Uma daquelas verdades absolutas, não há o que discordar, portanto.

Mas vamos além, vamos fazer uma reflexão um pouco mais profunda. Se somos eternos insatisfeitos, isso não deveria ser bom? Falo no sentido de evoluir em todos os sentidos. Afinal, se eu ou você estivermos insatisfeitos com algo que criamos, isso deve ser positivo no sentido de consertarmos, melhorarmos, quem sabe até, em casos mais extremos, refazermos o que foi feito.

Evidentemente que muitos insatisfeitos fazem exatamente isso. Transformam o objeto de suas criações e o melhoram. Mas e o resto? E aqueles que estão insatisfeitos e nada fazem? Sabe de quem estou falando? Isso, acertou, dos que usam a vida como um balcão de reclamações. Cá entre nós, todo mundo é, em alguma medida, assim, não?

Mas não podemos ser injustos. Sabemos que muitos de nós tentam, ao menos, fazer isso cada vez menos. Todos deveríamos reclamar menos e agir mais.

Essa insatisfação ruim, digamos assim, essa que estou falando que nos paralisa ao invés de nos movimentar, anda tentando se alastrar. Parece uma epidemia de involução.

É claro que é disso que se trata. Vamos fazer um exercício: Olhe para seu passado e nem precisa ir muito longe. Já que estamos no começo do ano, que tal dar uma espiada no seu ano de 2016? Como você se comportou nesse sentido aí que estou propondo nesse texto: Você reclamou e agiu ou só reclamou e apontou o dedo aos supostos culpados?

Uma ex professora de Psicologia, uma psicanalista de mão cheia, certa vez ensinou aos alunos algo que hoje em dia todo mundo sabe, ou deveria saber: Quando a gente aponta um dedo, há três apontados para nós.

Foi mesmo uma aula cruel. Sei lá, a carapuça serviu como uma luva… ah, você me entendeu.

Brincadeiras à parte, voltando à sua reflexão, ou melhor, nossa, seja sincero (a), como você agiu?

A pergunta é necessária porque se você reclamou mais e agiu menos, sabe o que deverá fazer para que em dezembro de 2017 não passe pelo mesmo “perrengue existencial”. Agora, se você agiu mais do que reclamou, repita a dose esse ano e, parabéns, você está no caminho certo.

Não é esse nosso maior objetivo na vida? De acertar? Descartemos aquela bobagem de certo ou errado em relação à sociedade, todo mundo aqui tem bom senso para seguir regras de convívio. Nós sabemos muito bem quando uma coisa ou atitude é certa ou errada para nós, para nosso íntimo, para nossa alma.

E não podemos deixar de correr atrás do certo nesse sentido, buscar o que nos faz bem, buscar o que nos alivia a dor e, por que não dizer, buscar o que fará com que as angústias sejam diminuídas, senão, eliminadas.

Não dá mais para ficar sentando no sofá da sala se lamuriando ou culpando esse ou aquele pelas suas frustrações. Sim, sabemos, muitas vezes a culpa não é nossa mesmo, aliás, não usemos mais a palavra culpa, vamos dar preferência à palavra e ao conceito de responsabilidade e não culpa.

Temos que aceitar que muitas vezes as conspirações cósmicas não permitem que a gente consiga aquilo que quer. Mas há uma coisa que aprendi nesses tantos anos de uma vida bastante intensa, frase que cunhei quando escrevi meu segundo livro, há onze anos:

“A felicidade não está na conquista, ela está na busca”.

É quando estamos buscando nossos objetivos que nos sentimos plenamente felizes. Sendo assim, ficar estagnado reclamando ajuda em que mesmo?

MM

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Feliz Ano Novo

2017

E então mais um ano se foi. Chegamos ao final de 2016 e aí somos obrigados a fazer aquela perguntinha chata: O ano foi bom?

Pois é, pergunta inevitável, mas quase tão inevitável é responder dizendo que o ano foi ruim, uma porcaria ou até mesmo, sem graça.

Como Coach, sou obrigado a perguntar: E você sabe por qual razão seu ano de 2016 não foi do jeito que você queria? Bem, faço aqui uma importante ressalva: É evidente que seu ano pode ter sido ruim porque você teve algum problema de saúde, pode ter perdido um parente ou amigo querido, como foi meu caso, pode ter tido percalços alheios à sua vontade ou controle. Tudo bem, vamos descontar essas coisas inevitáveis, tudo bem?

Falemos do resto. Você fez o que queria? Se dedicou a cumprir à risca aquela lista que fez no final do ano passado? Correu atrás do que sonhou, ou melhor, transformou aquele sonho em um objetivo concreto?

E para o ano que vem? Vai fazer o quê em relação a isso. A mesma coisa? Já aviso que se fizer sempre as mesmas coisas vai colher os mesmos resultados. Isso é óbvio, mas algumas pessoas não enxergam nada, nem o óbvio, nem o que está debaixo do nariz.

Então vamos lá. Vamos fazer uma lista do que você quer realizar no ano que está prestes a começar. Seja inteligente e bondoso consigo. Elabore uma lista que seja alcançável. E para fazer isso, temos que recorrer a uma coisa bem simples, mas que às vezes dói um pouquinho além da conta se você não tiver o costume de praticar o exercício: Olhe, antes de tudo, para dentro de si mesmo.

Fazendo isso você vai notar que precisará ter capacidade para realizar aquilo que se propõe a fazer. Sim, caros leitores, de nada adianta sonhar em ser um astronauta se você tem medo de avião. Se mal consegue entrar em um avião, como pretende entrar em um foguete? Não dá!

É o que falei de ser inteligente na elaboração de seus desejos. Sonhar é bom, claro que sim, mas realizar é melhor ainda. Já falei disso aqui em artigos anteriores. Assim sendo, há que se transforar aquele sonho em objetivo para que tudo se torne realidade. Mas antes de se tornar realidade, lembre-se, há que se tratar de algo realizável. E para tal, é preciso que você tenha a capacidade de executar sua missão.

É, eu sei, não é nada simples. Não basta sair por aí colocando seus desejos num pedaço de papel. Se fosse assim fácil, você não chegaria no final do ano irritado por não ter conseguido nada do que desejou.

Disciplina, determinação, competência e comprometimento. É disso que você precisa para chegar ao final de 2017 dizendo que o ano foi o melhor de sua vida. Faça com que seja, assuma que o compromisso está em suas mãos!

Eu, Marcelo Mello, desejo a todos um Feliz Ano Novo, repleto de tudo o que vocês desejarem!!!

MM

 

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Fim

fim

O fim sempre chega antes do fim. Não, você não leu errado. Proponho uma reflexão um tiquinho mais profunda sobre isso. O que quero dizer é que o fim sempre dá sinais de que está chegando ao fim. Calma, vou explicar.

Vale para qualquer coisa, para qualquer ciclo. Sabemos, não podemos ser tolos, que tudo – inclusive a própria vida –, tem um começo, um meio e um fim. Já mencionei a vida e posso falar também sobre trabalho, relacionamentos amorosos ou até mesmo de amizade, enfim, como disse, acima, vale para todas as coisas.

Um parêntese: Até mesmo as relações que duram “até que a morte os separe”, ou seja, que duram para sempre, acabam quando… bem, quando a morte os separa.

Lidar com perdas não é nada fácil. Em psicologia chamam isso de “luto”. Uma das coisas mais fascinantes que nossa mente é capaz de fazer é a tal elaboração do luto. Claro, uns têm mais facilidades do que outros, no entanto, não é isso o que nos faz tão especiais, o fato de sermos únicos? Pois é, assim sendo, não cabe – nunca – a generalização. Cada um lida melhor com suas perdas em seu tempo, em sua velocidade, com suas crenças e significações.

É fato que a vida é composta por ciclos. Portanto, temos que saber que teremos que elaborar diversos lutos durante nossa estada por aqui. Uns mais pesados, mais dolorosos, outros nem tanto. Isto posto, vamos em frente.

Eu falava sobre o fim acontecer antes do fim. Pois é, acontece mesmo. Todo final de ciclo se anuncia. Nossos mecanismos de defesa é que impedem nossos egos de aceitar ou, como dizem por aí, de encarar a realidade. Um exemplo que pode ilustrar isso é aquele amigo que nos avisa quando estamos prestes a bater com a cara na parede… todo mundo tem um amigo destes, o que é muito bom, diga-se de passagem.

Por outro lado, os mais atentos, os mais lúcidos, conseguem perceber sozinhos quando o fim de alguma coisa está próximo, ou melhor, quando ele mesmo se anuncia dizendo baixinho nos seus ouvidos: Ei, cara, desista, cai na real, isso aí já acabou.

Alguns chamam essa voz de intuição. Não sei se há definição melhor para um conceito tão abstrato.

E por que será que pouca gente ouve essa voz, não no sentido de escutar, falo no sentido de levar em consideração mesmo, prestar atenção a ela como se deve. Oras bolas, se a intuição nos alerta de tantas coisas que vão nos fazer mal ou bem, por que é que não damos bola? Não me parece coisa de seres inteligentes, concorda?

O fim chega mesmo antes. Faça um esforço e olhe para sua própria vida. Você sabe ou soube antes de se desligar da empresa que um emprego não “dava mais”. Outro exemplo: Você tinha a exata noção de que aquela sua relação amorosa havia acabado muito antes da despedida.

Infelizmente tenho que perguntar: Por que continuou com aquilo se sabia que já não havia mais condições de prosseguir? Por que insistir no que te fez ou faz mal? Sim, caro leitor, faz mal percebermos que acabou e tentarmos prosseguir com a coisa. Mesmo que você ame uma pessoa, amar quem não te quer mais só te faz mal, ou não é isso? Mais uma coisa… será que ama de verdade?

Veja por outro lado, é igualmente fato que nosso ego nos engana. Pelo menos tenta. Por que digo isso? Simples, se recebemos um aviso que o fim chegou, mesmo que antes da despedida, ele, o ego, sabe muito bem que insistir só vai prejudicar a ele mesmo. Mas ele dribla nossa consciência utilizando uma arma terrível, diria até que uma arma de grosso calibre: O apego.

O ego nos diz que temos que permanecer com a pessoa ou no emprego porque simplesmente ele está apegado à coisa em si. Isso é muito errado, não acha? Nosso próprio ego nos fazendo sofrer… Definitivamente seres humanos estão bem longe de serem “máquinas perfeitas”. Entretanto, os humanos são uma constante fonte de inspiração para estudos.

Quando o fim te avisa que está chegando ao fim, podemos fazer apenas duas coisas: Continuar deliberadamente dentro desse ciclo por alguma conveniência ou interrompê-lo de uma vez sem dó nem piedade.

Caso não seja uma opção deliberada, a escolha é mais ou menos assim: Prefere um ataque do coração fulminante ou uma doença degenerativa? Escolhe bife de fígado ou um pote de Nutella? Creio que entendeu meu ponto.

O lado bom disso tudo é que logo após o fim de um ciclo, outro se inicia. Às vezes se inicia até mesmo antes do fim.

MM

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As Aparências Não Enganam

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Incrível como as pessoas estão infelizes. A quantidade de gente deprimida é tanta que todos os dias pipocam textos bem interessantes sobre o tema. Não só textos, há muito estudo nessa área também. Estou falando de estudos sérios e não essas bobagens que publicam nas redes sociais.

Por falar nisso, as redes sociais são excelentes fontes de informação, mais do que isso, são ótimas para quem, como eu, gosta de observar o comportamento humano.

Há três tipos de pessoas nas redes, vamos usar aqui o Facebook como exemplo porque é o que mais uso. Ainda acho que aquilo não serve para nada, mas vamos em frente…

Há o tipo que só reclama da vida, o que só usa para trabalho, mesmo sendo uma rede social e não profissional e o terceiro tipo é aquele que é objeto desse texto: Os felizes.

Você aí já reparou o que tem de gente feliz no Facebook? Gente que come bem, frequenta os melhores lugares, viaja muito, está sempre rindo, só posta frases de autoajuda, diz que ama os animais, que adora os seres humanos, enfim, gente que nunca fica triste.

Pois bem, em minha opinião, gente que se esconde da verdade. Gente que foge da realidade. Ninguém, repito, ninguém é 100% feliz. Até acho legal você postar as coisas boas que te acontecem, mas só te acontecem coisas boas?

Aí entra a questão: Como podem as pessoas estarem cada vez mais infelizes se aparentemente suas vidas são lindas e cor de rosa? Pois é… não sei. E também não tenho nada com isso, apenas estou escrevendo sobre isso porque sou um intrometido. Nada além.

Minha dúvida, sim, quebro a cabeça pensando nisso, é saber de onde é que vem tanta infelicidade. O que é que está gerando isso?

Bem, quem me acompanha sabe que sou cheio de teorias. Para esse tema, tenho uma: Acho que é justamente essa falsa aparência que provoca esse excesso de infelicidade. Vou explicar.

Quanto mais a gente pensa ser uma coisa que não é, mais a gente se frustra, isso me parece óbvio demais. Vou além: Tentando se mostrar de um modo que não tem nada a ver com sua realidade, as pessoas vão entendendo que não são o que mostram, portanto, não são o que gostariam de ser, o que gera essa infelicidade toda. Sem falar dos que se mostram completamente fora do prumo de sua essência, mas isso pode ficar para outro texto.

Aí, incorporo o Marcelo Mello Coach e pergunto: O que essas pessoas infelizes estão efetivamente fazendo – ou fazendo efetivamente –, para que esse quadro seja alterado?

Sinceramente, não as vejo fazendo nada. Vejo alguns mais sinceros tentando se convencer de que precisam fazer algo, mas de efetivo mesmo, não fazem nada.

Eu sei muito bem – e como sei –, que um estado de tristeza profunda ou algo mais grave como uma depressão, nos tira toda a energia que precisamos para reagir. Mas, vejam bem, por que é que essas mesmas pessoas conseguem energia para tentar se enganar? De onde tiram forças para fazer com que os outros acreditem naquela aparente felicidade que elas demonstram?

Vamos pensar racionalmente: Se você tem força para fingir, não consegue canalizar essa energia para reagir?

Repito, eu não tenho nada a ver com isso. Mas como faço uso da empatia o  tempo todo, fico realmente chateado por ver tanta gente boa que poderia se ajudar, perdendo tempo em tentar enganar, supostamente, pessoas que são próximas, amigos… enfim, é isso, uma mentira que gera outra, que gera outra e assim por diante…

Até quando vão aguentar? Bem, isso aí só pode ser respondido pelos que vivem de aparência.

MM

Saudade Crônica

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Saudade é um sentimento esquisito. Já escrevi antes sobre isso, lembro que na ocasião eu disse que era diferente de lembrança porque em minha opinião saudade é querer algo de volta e lembrança é apenas… lembrança.

Mas saudade é de fato algo estranho. Já li muito sobre o tema e a maioria das pessoas acha que é um sentimento bom, gostoso, que faz bem, ou seja, tem opinião de toda ordem, mas a maioria acha um sentimento positivo. Eu não acho.

Acho saudade uma porcaria justamente por conta da minha definição, que é algo que sentimos quando queremos vivenciar novamente uma situação, quando queremos de volta momentos específicos, enfim, essas coisas.

Me causa dor. Acho que é isso. É justo que não goste, afinal, quem é que gosta de sentir dor? Eu não gosto.

Há dias em que certas saudades apertam e tornam esses dias insuportáveis. Há outras saudades que passam logo. E há as crônicas. Essas, por mais que a gente lute contra, faça das tripas coração para tentar evitar, não consegue, afinal, como o próprio nome diz, é uma Saudade Crônica.

Sinto saudade de coisas, de lugares, de pessoas. Algumas dessas saudades são insuportavelmente doloridas. E crônicas. Recorrentes.

Muitas vezes não suportamos sequer pensar nelas, mas quem é que disse que nossas mentes nos obedecem?

Certa vez ouvi de alguém: “Quando a gente gosta de azul-marinho, podemos até ficar um tempo sem usar essa cor, mas a gente sempre volta a usar e nunca deixa de gostar”.

Foi a melhor analogia sobre o tema que já li ou ouvi. Creio que define tão bem esse sentimento que me recuso a pensar em algo melhor para dizer. É bem isso. Podemos ficar tempos, longos períodos sem dar a devida atenção a alguma coisa, mas isso nem de longe significa que a esquecemos.

Hoje, particularmente hoje, senti uma forte saudade. E por mais estúpido que possa ser, não foi uma saudade apenas do que vivenciei, foi uma saudade do que poderia ter vivido. Passa um filme na cabeça sobre o que existiu e a mente cria novos cenários, novos personagens, novas cenas do que poderia ter acontecido e não aconteceu.

Felizmente sou escritor e como tal, posso colocar no papel, em algum livro essas cenas vivenciadas e também as novas cenas criadas pela minha mente, fazendo assim, nascer a tal da saudade do que não aconteceu. É um jeito de enganar a mim mesmo e poder imaginar as consequências do que nem foi vivido.

Estava aqui olhando em meu computador umas fotografias. Vi a fotografia de uma praia. O filme que passou em minha mente me fez sentir tanta saudade que decidi incluir até coisas que nunca aconteceram. Pior, apaguei da memória o dia em que a foto foi tirada e mudei tudo. Inseri no cenário mental coisas que jamais aconteceram. Por que? Bem, pode ser que esteja ficando louco, velho, ou apenas com Síndrome da Saudade Crônica.

A verdade é que essa doença não tem cura e volta e meia me pego sendo atingido pelos sintomas. Depois que a crise passa, fico pensando na sacanagem que a mente faz com nossa consciência. Como é possível sentir dor por algo que não aconteceu?

Bom, uma das minhas respostas prediletas é: Porque teria sido bem melhor do que de fato foi. O nome disso é arrependimento pela escolha mal feita. E o tempo não volta, uma oportunidade perdida jamais retorna.

Só resta aquele gostinho amargo pós saudade imaginária… afinal, não dá nem pra querer de volta algo que nunca houve.

MM

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