Drama Free

Drama

Eu nunca consegui entender muito bem a cabeça das pessoas. Bem, se nem Freud conseguiu, quem sou eu para tanto. Desculpe, se você acha que ele conseguiu, recomendo ler mais sobre seus estudos de caso…

As pessoas se relacionam umas com as outras e em minha opinião, todo relacionamento dá certo até o momento em que para de funcionar. Me mantendo fiel a esse raciocínio, entendo cada vez menos por que é que certas relações causam tantos traumas. A verdade é que algumas delas são traumáticas mesmo, mas ainda assim, acho que levar uma carga negativa de um relacionamento para outro é de uma burrice em tamanho.

Peguei pesado? Paciência, estou de mal humor. É burrice sim. Nas sabe como lidar com isso? Aprenda!

O que passou tem que ficar no passado. Cada ser humano é único, mas há aqueles seres cultos, no entanto, desprovidos de inteligência, que generalizam absolutamente tudo como se todos os humanos, consequentemente as relações, fossem iguais. Não são. Felizmente.

Esses seres desfavorecidos de percepção, de raciocínio lógico e inteligência não conseguem enxergar isso.

Da boca para fora, são todos muito bem resolvidos, portanto, gente que virou as páginas da vida deixando para trás tudo de ruim que lhes aconteceu. Na prática, a teoria é sempre outra.

Aqui nos Estados Unidos isso é tão presente que as pessoas se anunciam nas prateleiras das redes sociais ou nos sites de relacionamento de uma maneira que me chamou a atenção. A primeira coisa que eles colocam como… digamos assim, qualidade, é o tal do famoso por aqui… Drama Free.

Chega a ser engraçado porque converso com muita gente por aí e sempre que conheço alguma pessoa e pergunto… como você é, ou… me fale de você, uma das primeiras coisas que dizem é: Ah, sou Drama Free…

Isso significa dizer que a pessoa não traz seus dramas do passado. E aqui nos Estados Unidos eles fazem chacota o tempo todo sobre isso. Outra expressão muito utilizada para se referir a outra pessoa é… Too Much Drama.

Eu queria que essa modinha pegasse no Brasil. Ninguém é mais dramático do que o brasileiro. Acho que é o efeito negativo que as novelas causam, mas deixemos isso para outro texto.

Penso que o brasileiro é apegado à tudo e à todos em excesso. Por conta desse exagero as pessoas se apegam quase que de modo dependente umas das outras e como consequência surge o tal… draminha.

O que quero dizer com isso é que uma pessoa que não tem nada a ver com o passado da outra, não pode arcar com o peso dessa caçamba cheia de lixo tóxico.

O começo de uma relação é a melhor fase do convívio e não é justo que uma das partes traga à tona seus traumas com as relações passadas. Isso é destrutivo. Uma relação tem que ser pautada pela confiança plena, pela entrega absoluta, até pelo risco, jamais pela generalização.

Risco sim. A gente deve se arriscar a ser feliz, mesmo que vez ou outra nos relacionemos com as pessoas… “erradas”. Faz parte da vida. Simples assim.

Pelo menos agindo assim corre-se o risco de ser feliz. Já do outro modo, é certeza que perpetuando o drama nada bom acontecerá.

MM

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Perdas

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A vida é bem esquisita às vezes. A gente vive em ciclos, acho que todo mundo sabe disso. Ciclos bons, ruins, mornos, enfim, tudo muda praticamente uma porção de vezes durante uma vida.

Mas há uma coisa que não muda: O fim. Sim, estou falando da morte. Aconteça o que acontecer, todos morreremos em algum momento da vida. Os que têm sorte, ou azar, não sei ao certo, morrem velhinhos, outros, morrem cedo e em nossa opinião, aqueles que gostamos jamais morrem quando tinham que morrer porque a gente queria mesmo é que as pessoas que amamos fossem eternas.

Mas há outro tipo de morte, sinceramente, mais comum do que imaginamos, é aquela morte que não leva a pessoa, falo daquela morte em que as pessoas continuam respirando, trabalhando, conversando, se relacionando… mas não se sentem mais vivas.

Todo mundo conhece alguém que está passando por isso. Claro, muitos de nós nem percebemos ou pior, nem dedicamos a devida atenção, afinal, temos que cuidar de nossas próprias vidas, problemas, pagar nossas contas, etc.

Mas há que se fazer uso da empatia, afinal de contas, como eu disse lá no início desse texto, a vida é cíclica e mais cedo ou mais tarde nós mesmos poderemos nos sentir assim e aí… fatalmente precisaremos de algum apoio.

Temos, eu disse temos, que dar a devida atenção ao problema porque pode acontecer com seu melhor amigo. E você terá que rebolar para ajudar, afinal de contas, estamos falando aqui do seu melhor amigo.

Não podemos perder nosso melhor amigo. Não dá simplesmente para elaborar esse luto. Não dá mesmo. Por mais que tentemos, não conseguiremos.

Estou perdendo um amigo que está atravessando algo assim, ele não passa de um ser mentalmente morto que ainda mantém o corpo vivo. A situação se agrava ainda mais por causa de problemas de saúde, não saúde mental, mas patológica mesmo. Ele está definhando.

Some-se a isso um cenário estarrecedor que envolve outras circunstâncias. Pois é. Não vejo saída para ele. Ele não vê. Nem ele e nem ninguém.

Pergunto aos Deuses, se é que eles existem: Isso é vida?

Não, não é. Tenho conversado com ele todos os dias. Aliás, falo com ele todos os dias desde sempre. Chegou a me dizer que pede a Deus todos os dias para não mais continuar aqui entre nós. E nem a esse pedido Deus atende.

A depressão é implacável. Ela imobiliza, arrebenta com as forças de qualquer ser humano, tenha sido ele resiliente ou não em alguma momento da vida. Ou em vários, como é o caso. Ele está desse jeito porque tem esse maldito câncer mental chamado depressão.

Ajudar como? De verdade, ajuda prática, efetiva e não a base de remédios que amenizam os sintomas, mas não cuidam da causa. O que se faz numa situação dessas?

Bem, se a gente não pode ajudar, melhor não atrapalhar, diz o dito popular. Mas tem gente que ainda consegue ser capaz de agir com crueldade contra quem está numa situação dessas. Não bastasse tudo o que ele tem passado, ainda há “seres humanos” capazes de crueldades inimagináveis.

Eu só peço a Deus que o ajude. De um modo ou de outro. Que o cure ou que atenda ao seu desejo mais profundo.

MM

Herança

Herança

A gente quando fala em herança treme dos pés a cabeça. Ou você treme porque vai receber uma bolada ou porque não vai. Sem falar que ninguém quer morrer e deixar uma herança.

Mas quero falar aqui de outra herança, ainda que dentro do mesmo contexto que mencionei no primeiro parágrafo, queria apenas colocar uma frase que escrevi em meu primeiro ou segundo livro, confesso que não me lembro mais e estou com preguiça de pesquisar.

Eu disse algo assim: Quando o tema é herança, mais cedo ou mais tarde, as máscaras caem e todo mundo se revela.

Serve para outro contexto também. Vamos falar de relações humanas. Sim, todas elas, quero dizer, as relações de toda natureza deixam heranças.

Um casamento que termina deixa heranças. A amizade que se perde durante a caminhada da vida deixa uma herança. Relações entre pais de filhos deixam herança que não aquela financeira. Relação entre irmãos deixam herança. Um simples namoro deixa herança. E por aí vai…

Pare um minuto para pensar, façamos um exercício interessante e que faz parte da metodologia de aplicação de Coaching que criei e desenvolvi: Tente se lembrar quais heranças você recebeu, está recebendo, deixou e deixará.

Sim, a vida é ativa e, de alguma forma, estamos sempre nos relacionando com alguém. Seguindo o meu raciocínio, onde há relação humana haverá uma herança.

E mais, essa herança fará as máscaras caírem e revelará a essência das pessoas envolvidas.

Aí é que mora o “x” da questão. O que estamos enxergando e o que estão enxergando de nós? O que nos deixaram e o que nós deixamos? O que revelam e o que revelamos quando falamos em… essência?

Eu sei, se você fez o que pedi, deve estar sentindo algum tipo de dor. Sim, também sei que é um exercício pesado, denso. Mas vejamos o lado bom, é revelador, enriquecedor em termos de autoconhecimento, em termos e observação dos outros…

O saldo desse exercício é relativamente equilibrado, deixamos e recebemos boas e más heranças, portanto, nem é de tanta importância se quisermos fazer uma análise estatística. O que vale de fato é a análise individual da coisa.
Pegue aí uma relação amorosa, por exemplo. O que te deixou essa relação. O que essa pessoa que hoje não faz mais parte de sua vida deixou para você. E você, deixou o que para ela?

Ensinamentos? Marcas? Cicatrizes? Alegrias? Nada?

Pois é, há de tudo e certamente nossa tendência será a de nos lembrarmos de alguma relação ruim. A tendência será a de achar que não nos deixaram nada além de lixo. Não reciclável. Mas e quanto a você? O que deixou?

Mais grave do que fazer uma análise rasa do que nos deixaram ou o que nós deixamos como herança é descobrir as verdadeiras essências. As nossas e a dos outros.

Nesse ponto é onde surge a decepção e o arrependimento. Uma das piores dores que um ser humano pode experimentar.

Na hora de uma separação, as máscaras caem mesmo. Muitas vezes, como em um processo de herança familiar, a luta é por bens materiais, colocam filhos no fronte, no meio do campo de batalha como se uma guerra fosse, usam e abusam das chantagens emocionais… mas tem uma coisa ainda mais triste: O desprezo.

A gente passa anos de nossas vidas ao lado de alguém e no final, o que sobra em abundancia é o desprezo.

E querem saber de uma coisa esquisita? Quando a gente é que despreza bate até uma certa culpa. Misturada ao arrependimento por ter se permitido levar adiante algo tão sem valor agregado, para usar uma linguagem de business.

A conclusão é que algumas relações não nos ensinam nada além de que é preciso seguir sua intuição quando “ela”, em algum momento, te avisa… isso aí não serve pra nada.

MM

O Tempo

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Ando pensando muito sobre o tempo. Acabei por chegar à conclusão de que ele é o responsável pelos maiores arrependimentos que temos, talvez o maior vilão de nossas vidas. Por outro lado, este mínimo, é verdade, o tempo também é o culpado por nossas grandes alegrias.

Claro, esse exercício que ando fazendo tem suas regras. Por exemplo, a mais importante delas é que devemos recortar o tempo de… tempos em tempos. Pega-se certo período da vida e recorta. Na verdade nem sei se tem outro modo de pensar em tempo sem fazer isso.

Seja para o bem, seja para o mal. A melhor época da vida foi de tanto a tanto, a pior foi quando fiquei anos envolvido em tal coisa e assim por diante. O tempo é a régua da vida.

Sou capaz de afirmar sem medo de errar que a coisa mais importante que existe é o tempo e não a busca pela felicidade, aquela coisa que move a gente do ponto A ao ponto B. Estamos sempre atrás de momentos de felicidade e por conta disso, muitas vezes perdemos tempo dando os famosos murros em ponta de faca.

Pois é. Aí está o X da questão. Se tivéssemos como premissa que o que mais importa nessa vida é o tempo, a gente não o desperdiçaria.

E como a gente faz isso. Como se o tempo fosse durar para sempre. Bem, ele vai, mas acho que você aí do outro lado entendeu meu ponto. O que estou querendo dizer é que a gente pouco se preocupa com ele porque acha que o tem de forma inesgotável. E é justamente o contrário, desde que nascemos, nosso tempo está diminuindo e não aumentando.

E ainda dizem que somos inteligentes…

Veja aí na sua história, pegue seu livro, aquele livro da vida que você vem escrevendo esses anos todos e relembre de alguns capítulos. Veja quanto tempo você perdeu com coisas que não te acrescentaram absolutamente nada.

Tudo bem, não sejamos injustos, a vida é sacana e muitas vezes não nos deixa perceber que estamos perdendo tempo com isso ou aquilo. A vida nos permite acreditar que todas aquelas atitudes que tomamos faz algum sentido, que é por uma boa causa e a gente só percebe que errou depois que certo tempo passa.

Mas a gente percebe sim quando está dando murro em ponta de faca como disse há pouco. Percebe sim. A gente sabe quando está perdendo o bem mais precioso que temos. A gente sabe quando está desperdiçando, vai, acene com a cabeça em concordância, você sabe sim o quanto jogou fora suas energias tentando dar uma chance, ou insistindo no que não vale a pena, confesse.

Vale para todas as áreas da vida. Até mesmo para as relações humanas que por vezes são completamente desumanas. A gente perde tempo com pessoas que não agregam nada em nossas vidas. Nada mesmo. Tudo bem, muitas vezes a gente não agrega também, mas pode ver, na maioria de suas relações você se pega pensando no tanto de coisas que faz, fez ou fará por pessoas que não estão nem aí para você, verdade ou mentira? Eu sei que é verdade.

E assim, lá se vai mais tempo jogado no lixo. O que sobra é só arrependimento por ter doado seu bem mais valioso, por ter compartilhado seu conhecimento com pessoas que não valorizam isso. E quanto tempo se investe na obtenção desse conhecimento que não será valorizado por minguem à sua volta…

Ou melhor… alguém sempre dá valor a isso. Normalmente é aquela pessoa que você decidiu não compartilhar seu tempo. Mas tudo na vida tem dois lados, portanto, tem o lado bom. Pensemos assim: Se você acordou hoje, significa que alguém lá em cima te deu mais um tempinho para consertar as coisas. Aproveite.

MM

Escutando o Silêncio

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Muitas vezes os pedidos de socorro chegam aos berros. Em outras, chegam através de sinais. Mas o que fazer quando eles chegam no mais absoluto silêncio?

Pois é, escutar o silêncio não é para qualquer um, mas é bem possível.

Principalmente quando se tem um certo tempo de convívio. Mais ainda quando esse convívio já foi muito próximo. Diria até que se tem alguma obrigação em escutar o silêncio do outro, escutar o pedido de socorro. Entender, interpretar, absorver, ajudar… não concorda?

Os sinais são evidentes, mudança repentina de humor, alteração drástica de comportamento, anseio pelo isolamento, enfim, poderia ficar horas aqui falando sobre a mesma coisa.

Mas tem um problema aí nesse meio. Hoje em dia não temos tempo de ouvir.

Para falar a verdade, não estamos nem aí. Estamos muito mais preocupados em fotografar os pratos que comemos, os lugares que visitamos, estamos ávidos por mostrar uma felicidade de não existe e que jamais existirá enquanto essas coisas efêmeras fizerem parte de nossa realidade.

Ouvir o outro? Pra quê? Por qual razão? Em nome de quê? Da boa convivência? Oras, se nem conviver se quer mais, como fazer?

Bom, acho que deveríamos ouvir o silêncio do outro por simples solidariedade. Pelos velhos tempos. Pela amizade, afinal, se tem algo que é eterno nessa vida é a amizade.

Mas o lance hoje em dia é se preocupar com a própria felicidade. Justo. Mas e a felicidade do outro? Não importa mais? Por outro lado, ajudar alguém não dá nenhum prazer? Claro que sim.

Mas, como dizia, os problemas de todos nós ficaram em segundo plano, antes temos que mostrar aquilo que não somos. Temos que agir em desacordo com o que acreditamos para não ofender os melindrosos. Temos que fingir para sermos aceitos. Essa é a cobrança. E se não agimos assim porque estamos com nossas mentes corrompidas por algum problema sério, ninguém leva em conta.

E aqueles que nos aceitam são os mesmos que jamais irão nos escutar. Nem se fizermos barulho, menos ainda se pedirmos socorro em silêncio. Realmente é uma equação que não faz o menor sentido.

O que sei é que as pessoas acusam as outras, são intolerantes, jamais perdoam e sequer levam em conta de que tudo de ruim que possa estar ocorrendo seja causado por uma doença igualmente silenciosa.

Uma pena. A verdade é que todo mundo deveria saber que existem outros umbigos, se é que me fiz entender…

MM

14 de Janeiro

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Dia 14 de janeiro é sempre um dia de triste lembrança para mim. Até hoje, mesmo depois de uma década, não consigo esquecer e muito menos deixar de sentir certa tristeza quando deveria sentir alegria.

Sei que é algo bem pessoal, mas como te a ver com depressão, achei bacana dividir com este site que, aliás, estou em falta.

Sou diabético, tipo 1, mas descobri isso da pior maneira possível. Até então, era tratado pelo meu médico “bam, bam, bam” como um doente do tipo 2. Ou seja, tomava uma medicação errada e que não servia para nada.

Naquela madrugada, passei muito mal e logo cedo liguei para ele que me disse o seguinte:

– Calma, Marcelo, você está fraco desse jeito porque vomitou a noite toda, está desidratado. Deve ter comido algo estragado ou está com uma virose daquelas… mande sua empregada comprar umas garrafas de Gatorade que você logo estará melhor.

Virose é a muleta predileta dos médicos incompetentes. Eu devia ter processado o sujeito, mas não é minha praia ganhar dinheiro dessa maneira, portanto preferia apenas desejar que ele queime no inferno.

Liguei então para minha esposa que estava passando uns dias em nossa casa de praia e ela se preocupou com minha voz embolada. Minutos depois eu estava em coma. Dias depois, voltei à vida e descobri que minha mulher havia retornado naquele mesmo instante e salvo minha vida.

Isso posto, sigamos em frente olhando um pouquinho para trás: Há meses eu estava sofrendo de uma depressão daquelas que… deixam a gente fora de órbita, ainda que, como sempre fui reativo, saía todos os dias para trabalhar e tentar levar uma vida normal. Não, caros leitores, eu não me tratava porque era contra tomar remédios e os médicos com quem havia falado sobre aquilo, ou melhor, tentado um tratamento, só me recomendavam remédios, daqueles para ficar acordado durante o dia e daqueles para dormir à noite.

Erradamente não busquei ajuda terapêutica, apenas psiquiátrica. Enfim, coisas de uma mente perturbada que, por ser autodidata, acha que pode resolver tudo sozinho.

Há meses a tristeza vinha se acumulando e passar da tristeza profunda à depressão é quase tão fácil quanto atravessar uma rua de pouco movimento. Foi o que aconteceu comigo.

Naquela época eu já havia conseguido realizar tudo o que queria. Estava com 44 anos, acabara de lançar meu primeiro livro, já tinha um filho maravilhoso e também já havia plantado minha árvore. Brincadeiras à parte, sei que vocês me entenderam: Eu enfiei na cabeça que não havia mais nada a fazer nesse mundo, portanto, viver para quê?

Com essas inquietações me atormentando 24 horas por dia, não foi difícil atravessar a rua e cair naquele estado deplorável.

Querem saber a verdade? Lamentei não ter morrido quando saí coma. Na última vez em que havia ido ao banheiro naquela madrugada terrível, me olhei no espelho e disse a mim mesmo: Estou morrendo e não estou com nenhum medo disso.

Dias depois, conversando com minha mulher eu falei:

– Sei que eu deveria te agradecer por ter salvo minha vida, mas sinceramente, não sei até agora se te agradeço ou te culpo por isso.

Por mais agressiva que essa frase possa parecer, ela entendeu completamente meu ponto de vista, afinal, essa doença maldita chamada depressão era quem estava no comando.

É uma doença maldita mesmo. E em minha singela opinião, incurável. Acho que a gente aprende a lidar com ela, aprende a aprisioná-la em algum quartinho de nossa mente, mas não a elimina. Mais ou menos como no alcoolismo onde não se pode dar o primeiro gole, na depressão não se pode permitir a primeira recaída.

Essa doença é para mim o grande mal da humanidade. Ela tira a gente de combate e é justamente o que temos que fazer, combatê-la. Seja com terapia, seja com remédios, seja até consigo mesmo. Não se pode baixar a guarda um segundo sequer, pois ela renasce das cinzas. É um câncer mental.

Felizmente isso tudo ficou para trás e hoje consigo, depois de ter realizado tantas coisas nesses anos que se passaram, saber que sou muito agradecido. Mas a guarda continua elevada, em estado de alerta.

Não se pode vacilar nem um minuto, senão você dá o “primeiro gole” e… ela volta com tudo.

MM

Despedidas

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A gente passa boa parte da vida se despedindo, não é? E despedida, via de regra é ruim, pelo menos eu penso que sim. A menos que a gente se despeça de um lugar que não gostamos, ou de pessoas tóxicas que nos fazem mal, despedida sempre tem sobrenome do tipo… Sofrimento.

Por outro lado, se há despedida é porque um dia houve um começo. E começos normalmente são bons, pelo menos é o que a gente espera. Criamos uma expectativa de que o início de qualquer coisa é bom.

Porque será então que a gente lembra mais dos fins do que dos começos? Não somos nós os seres inteligentões do Universo? Oras bolas, se assim somos, deveríamos nos ater aos inícios, em outras palavras, nos lembrar do que nos faz bem e não cultuar o que nos faz mal.

A teoria é linda e a prática nem tanto. Em teoria sabemos que deveríamos lembrar do que nos faz bem, afinal, isso seria um bom combustível para manter nossa autoestima elevada, certo? Certo. Mas, sempre tem um “mas”, insistimos em manter viva em nossa memória a tal da tristeza causada pela despedida. Vale para qualquer coisa e não só para relações amorosas.

Isso chega a tal ponto que em determinadas épocas de nossas vidas a gente acha, ou melhor, acredita cegamente, que passamos por mais despedidas do que qualquer outra coisa. Pelo menos comigo é assim. Com amigos idem. Com pessoas com quem converso também. Ou estou na tribo errada ou é isso o que ocorre na sociedade como um todo.

As despedidas são de fato marcantes. Os começos também, mas não damos bola para ele depois que nos despedimos Alimentamos nossa memória com a tal da despedida e não com o tal do começo.

Tudo bem, estamos aqui falando de coisas marcantes. Sendo assim, as despedidas das coisas marcantes causam dor mesmo.

É tão forte isso que até mesmo durante o processo, logo depois do início, a gente é obrigado a se despedir desse começo para viver o meio. E depois, o fim. Nos despedimos do começo, do meio e quando chega a hora de nos despedirmos do fim, o que faz nossa mente? Não se despede, pelo contrário, o mantém firme, vivo e forte em nossa memória.

Ficar velho é uma porcaria. A gente olha mais para trás do que para frente e mesmo que a gente tenha tido uma vida repleta de bons começos, para a conta fechar, temos que contabilizar as inúmeras despedidas.

Talvez por essa razão é que existam tantas pessoas que estão sempre começando algo, sabe aquele tipo que começa, começa e raramente termina? Então, de algum modo essa gente é inteligente, afinal, estão se protegendo das despedidas, de certa forma, encontraram um meio de não viver o fim das coisas, relações, enfim, o fim de qualquer ciclo.

Essa madrugada, em meio aos devaneios angustiantes que a insônia provoca, pensei nisso: Por qual razão a gente precisa sofrer pelo fim das coisas se podemos ficar felizes ao nos lembrar dos começos delas?

Acho que o ser humano deveria cuidar melhor de si. Nunca vou entender esse abandono, essa despedida de nós mesmos.

MM

Pertencer

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Todo mundo “cabe” em algum lugar, não é verdade? Quer dizer, nem todo mundo. Ou melhor, nem todo o tempo. Parece papo de louco, mas tenho meus motivos para escrever desse jeito. Não é só papo de louco, é um sentimento meio doido.

Acho que já aconteceu com você aí do outro lado. Talvez até… bem, talvez até aconteça o tempo todo. Sendo sincero, estou escrevendo esse texto porque é assim que me senti durante toda a vida, ou melhor, praticamente toda ela e olha que não é pouca coisa, afinal, lá se vão 56 anos e meio… Claro, devo descontar aqueles primeiros anos em que a gente não sabe que é gente.

Então vamos lá. Estava escrevendo sobre caber, quer dizer, melhor falar em pertencer.

Nós pertencemos a uma categoria, certo? A de seres inteligentes e racionais. Até todo mundo normal concorda, ainda que eu tenha minhas dúvidas… Como tal, dentro dessa categoria, pertencemos a outras categorias, ou tribos, como se diz hoje em dia.

Pelo menos deveríamos – ou não – pertencer. Sei lá, acho que a gente se sentiria melhor se pertencesse. Mais confortável, talvez. E não me venham com aquele papinho de autoajuda de sair da zona de conforto, isso é besteira, todo mundo procura sua zona de conforto, já escrevi aqui sobre o tema.

Talvez seja isso que nos cause desconforto, o fato de percebermos que não pertencemos a nenhuma categoria aceitável. Será que é isso? Pode ser sim.

Quando nos sentimos mal em algum “ambiente”, seja na família, no trabalho, na sociedade, até mesmo na casa de praia ou no restaurante da esquina, logo achamos que não pertencemos àquele lugar, não é assim?

Bom, não sei se é assim com você, mas comigo é.

Passei boa parte da vida tendo plena convicção de que não pertencia a lugar algum, pelo menos não ao lugar em que estava quando sentia aquela sensação. Muitas vezes achei que não pertencia a lugar algum mesmo, literalmente. Eu sei, tenho que fazer terapia para resolver isso, mas… acho que agora talvez seja tarde.

A ideia de liberdade sempre foi meu sonho utópico. Liberdade simplesmente não existe. Uma vez que nos inserimos na sociedade e isso é inevitável, a gente sempre tem que deixar a liberdade plena de lado.

Provável que seja isso: A falta de liberdade.

É isso o que provoca essa percepção de que não pertencemos a lugar algum ou ao lugar em que estamos. É uma sensação ruim. Pensar nisso agora também é ruim. Escrever sobre isso é pior ainda porque talvez eu precisasse de um livro para explicar o sentimento.

Talvez não. Afinal, somos seres inteligentes, pelo menos é o que dizem e por essa razão é que esse texto curto sirva para que você entenda meu ponto, quem sabe até pense nisso e me conte alguma coisa a esse respeito.

O que sei é que o que todo mundo queria ter é um espaço em que o espírito pudesse correr livremente. Talvez depois da vida, não é mesmo? Mas aí, tenho certeza de que será tarde demais porque o que a gente busca é, em teoria, para ser feito nessa vida porque não sabemos se haverá outra.

Pensando bem, olhando para trás agora, descubro que passei boa parte da vida fazendo força para pertencer ao lugar onde estava. Lembrando aqui dos meus amigos mais próximos, percebo que eles tiveram o mesmo desafio, consequentemente, o mesmo destino. Observando a sociedade como um todo, noto que as pessoas estão correndo desenfreadamente – ou desesperadamente – atrás de algo que nem sabem ao certo o que é.

Se isso é ser racional, que na próxima vida eu nasça cachorro… Sim, deve ser bem melhor, eles conseguem amar incondicionalmente e acabam por se adaptar ao meio e que vivem bem melhor do que nós, os inteligentões.

MM

Egoísmo

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Já li muita coisa a respeito de Egoísmo. Alguém aí do outro lado pode achar que o fato de eu ter lido muito a respeito faz de mim um ser que age desse modo e… bem, é a mais pura verdade: Sou um ser egoísta. Pelo menos acho isso.

Sempre usei a meu favor aquelas afirmações que tratam o egoísmo como questão de sobrevivência. Será que essas afirmações são verdadeiras? Acho que sim, mas em parte.

Não dá para tratar todas as questões usando a mesma régua. Cada caso é um caso, cada atitude é uma atitude.

Dia desses me peguei fazendo um mea culpa. Lá fui eu para frente do meu melhor amigo, o Espelho. Sim, sou adepto dessa terapia e entendo que a gente jamais consegue mentir para a própria imagem. Isso posto, vamos em frente.

Lá, diante da minha imagem cansada, fiz uma pergunta daquelas pesadas, uma pergunta que me deixou sem chão: Marcelo, por que é que você foi tão egoísta em tantas situações? Especialmente naquela em que você…

Bom, não vou escrever aqui o resto, afinal, nenhum de vocês têm alguma coisa a ver com meus problemas, com minhas angústias. Mas é fato que, só com o enunciado da pergunta, já deu para entender o quão profunda foi minha conversa comigo mesmo.

Inevitável sofrer quando constatamos uma coisa dessas, não é mesmo? Pois é.

Pior do que sofrer é não ter uma resposta aceitável. Quer dizer… um belo combustível para aumentar esse sofrimento é não ter uma boa resposta, uma justificativa que explique tais atitudes.

Costumo ter o raciocínio lógico. Assim sendo, sempre tenho que ter uma resposta para minhas perguntas, afinal de contas, por que ter atitudes desse nível se não posso justificá-las? Não faz sentido.

Ser egoísta seria um tipo de defesa do Ego? Até onde sei não faz parte dos mecanismos de defesa propostos. Entretanto, confesso que não sou profundo conhecedor do tema, pois não sou lá muito fã dos teóricos do início do século passado. Acho que a complexidade do ser humano se modernizou de lá para cá.

Que coisa doida essa que escrevi aí em cima. Mas é o que penso. Ficamos mais complexos a cada dia e as teorias pararam no tempo. Uma pena.

Continuemos… Pensar só em si é o que caracteriza o egoísta. Até aí todo mundo concorda. Mas e quando a gente pensa primeiro em nós? Também é egoísmo?

Há quem diga que sim, há quem discorde. Minha opinião sobre o tema é simples: Tenho certeza de que estou em dúvida!

Brincadeiras à parte, é sério isso. Apesar do tom bem humorado. É bom explicar porque os hipocritamente corretos podem cair matando nas redes sociais…

Não tenho uma posição definida a respeito de algo tão complicado. Já pensei em mim em primeiro lugar, diversas vezes, jurando que não estava sendo egoísta. Mas nem por isso deixei de sentir alguma culpa por, supostamente, parecer pensar só em mim agindo conscientemente e me defendendo de mim mesmo quando me chamava de egoísta. Meu Deus, que confusão! Não é nada fácil ter certezas.

Pois bem, caros leitores, a discussão está sobre a mesa. Quem quiser se manifestar a respeito e definir até onde é egosímo ser egoísta, fique à vontade.

Eu vou lá para a frente do espelho confrontar minha imagem e tentar entender porque é que sinto arrependimento por ter sentido certas culpas… ou por não tê-las sentido…

MM

Paixão

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Nunca vou entender por que é que tem gente que entorta o nariz quando o assunto é paixão. Já ouvi até gente qualificada dizer que não faz bem. Não sei quem qualificou essa pessoa, mas o fato é que ser psico-isso ou psico-aquilo não dá salvo conduto a ninguém, muito menos quer dizer que não se possa ir contra a opinião deles. Pode sim! Há gente boa e ruim em todas as profissões. E não existe opinião certa ou errada, existe opinião diferente.

Isso posto, sigamos em frente. Sou daqueles que pensam que a paixão é um dos combustíveis principais que movem o mundo. Em todos os sentidos, em todas as áreas da vida. A ponto de, se eu fosse um tipo de psico-celebridade, afirmaria com todas as letras que sem a paixão correndo nas veias a pessoa já morreu, ainda que esteja viva.

Não dá para viver sem ela. Sinto pelos que morrem de medo de se apaixonar, chego a temer por eles, pois a vida dessa gente deve ser muito sem graça.

Dirão alguns: A paixão é um sentimento passageiro. É um sentimento que nos descontrola. É um sentimento quase irracional. É diferente do amor… e por aí vai.

Pois é, infelizmente há quem “pense” desse modo. Mas é evidente que empreguei o “pensar” em sentido figurado.

Discordo de quem diz que é um sentimento passageiro. Prefiro imaginar que seja um sentimento cíclico. A paixão vai e volta. E não estou falando só em caso de substituição do objeto dessa paixão. Em outras palavras, há momentos em que estamos mais ou menos apaixonados pela mesma coisa, pela mesma pessoa. Ou não?

Dizer que é um sentimento passageiro não é, portanto, um bom argumento, isso em meu entendimento, que fique claro. Passageiro é algo que passa. Paixão não passa, ela pode diminuir sua intensidade, mas não passa assim do jeito que as pessoas falam. E se levarmos para o campo filosófico do conceito da paixão, aí esse argumento se perde ainda mais. Um ser que é apaixonado por natureza, sempre tentará viver e reviver esse sentimento, podendo lutar para que esses ciclos sejam menores ou substituindo o objeto de sua paixão com mais frequência. Nada de errado com isso, até porque, meu caros, ninguém tem nada a ver com o modo que o outro toca sua vida, ou tem? Não, não tem!

E outra coisa, tudo nessa vida acaba, certo? Absolutamente tudo, até a vida. Não tem cabimento buscarmos a eternidade tendo consciência disso.

Há até quem diga que a paixão nos faz sofrer. Esse argumento nem vou rebater de tão infantil que é. Desculpe, mas até se você comer 200 potes de Nutella você vai sofrer, portanto… achar que vai passar pela vida sem sofrer é mesmo infantil.

Sobre o descontrole que a paixão provoca, digo que é bom justamente por isso. Claro, sei que hoje em dia isso é difícil, mas tentemos fazer uso do bom senso: Estou falando aqui em linhas gerais e não dos excessos, ok? Preciso desenhar porque o que tem que psico-chatos-arrogantes-literais-donos-da-verdade por aí…

Assim sendo, em linhas gerais é bom, faz bem perdermos o controle de vez em quando, que seja para descobrir quais são os nossos limites. Aquela perguntinha acompanhada de “Gifs” divertidos que roda por aí nas redes sociais: Quem nunca?

É gostosa aquela sensação de descontrole, aquela angústia que a paixão chega a provocar em nós. Faz com que a gente se sinta vivo, sei lá… E querem saber, que seja um sentimento quase irracional. Quem disse que somos animais racionais? Bem, alguém disse, mas isso sucinta ainda mais dúvidas. Seres racionais não fariam nem metade do que os seres humanos fazem. Bora lá aprofundar um pouco nossos pensamentos, gente.

Sobre o fato da paixão ser diferente do amor, é tão óbvio que não cabe nem um tipo de argumentação e sim fazer uma pergunta: Quem é que disse que um sentimento exclui o outro, ou substitui o outro?

Oras bolas, quer dizer que não podemos nos apaixonar por quem amamos? Ah, façam-me o favor… quem falou essa bobagem? Dá uma vasculhada aí na sua vida e veja se isso faz sentido. Na minha não faz. Sou apaixonado por muitas coisas ou pessoas que amo. E amo ser apaixonado por elas…

MM

 

 

Mundinho Sujo…

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Nesse mundinho raso em que vivemos as pessoas falam o tempo todo em respeito. Não é verdade? Os hipocritamente corretos então, nem se fale, ai de você se ousar discordar deles. Opa, espera um pouco, há um sinal aí.

Quer dizer que as pessoas hoje em dia odeiam que discordem delas. Ah, entendi, então as pessoas só respeitam as opiniões alheias se estas forem iguais às suas, é isso? Bacana… nada mais justo numa sociedade que costumo chamar de “Sociedade do Eu”.

Sim, vivemos numa sociedade do eu, por mais paradoxal que isso possa parecer, afinal, entende-se, pelo menos se entendia, por sociedade, algo coletivo.

A coisa vai longe, não há mais limites.

Por exemplo, dizem que não devemos julgar os outros e o que fazemos? Julgamos. Não negue, não tente dizer que “você é diferente” porque vai acabar se enganando. Todo mundo julga o tempo todo! Traduzindo, o que importa é o que cada um acha sobre qualquer coisa não se importando com o fato em si.

Dizem, em teoria, que devemos respeitar as opiniões dos outros. Em teoria. Na prática, as pessoas querem mesmo é impor as suas. Não conseguem entender que não existe opinião certa ou errada, existe opinião diferente. E, claro, existe o fato que é a única coisa que deve balizar uma opinião.

Mas hoje em dia a coisa mudou, se alastrou. As redes sociais deram voz a todo mundo, o que, no meu entender, deveria ser ótimo. Mas na prática… a teoria é sempre outra.

O que se vê por aí, por exemplo, é gente julgando textos sem sequer saber escrever corretamente. Claro que pode-se gostar ou não de um texto. Óbvio que sim! Entretanto, vejo gente julgando os autores sem sequer ter a capacidade de compreensão de texto, basta analisarem as pesquisas sobre o tema. Que tal aprender a ler, a escrever e depois se meter a falar sobre… bem, sobre qualquer coisa.

Eu leio muito e adoro me divertir lendo os comentários de textos, não só sobre os meus, dos outros também. Comento muito pouco, mas adoro ler. Deve ser algum distúrbio masoquista.

Dia desses vi uma ótima colunista do jornal O Estado de São Paulo, que escreve sobre comportamento, ser chamada de tudo quanto é nome só porque escreveu um texto jogando a verdade na cara dos leitores.

E se tem uma coisa que aprendi nessa vida é que o ser humano, aquela raça dita inteligente, odeia a verdade! E odeia quem tem personalidade forte também.

A tal colunista é séria, gosto demais do que ela escreve, embora nem sempre concorde com ela. O que é absolutamente normal, concordar ou discordar faz parte do jogo. Ainda bem!

Mas xingar? Execrar? Falar um monte de asneiras? Isso vale? Bom, reza a lenda que nos dias de hoje pode-se tudo. Por mais policiamento que haja nas redes, a verdade é que quem comenta pode tudo. Ok, mas esses que podem tudo só não aguentam o tranco da volta.

Por exemplo, essa colunista que mencionei, deu uma resposta dura a um comentário ridículo num de seus recentes textos. Pronto, recebeu uma enxurrada de críticas. Claro, essa gente que tem cabeça só para separar as orelhas, acredita que podem falar o que bem entendem sem receber respostas. Odeiam ser contrariados, pior, morrem de medo de serem confrontados com argumentos, o que foi o caso. Lamentável.

O Brasil precisa de educação, mais do que isso, precisa de berço como dizia minha avó. Enquanto isso não vem, sigamos desrespeitando o próximo. Iremos bem longe desse jeito, viu…

MM

PS:

Um “intelectual” (sic) lá no outro site em que escrevo disse que sou irresponsável ao dizer certas coisas, ao medir a vida com minha régua. E ele, ao me julgar irresponsável fez o quê? Mediu sua opinião com a régua de quem? É só mais um tolinho que não aguenta a verdade… e que faz parte dos 85% que não têm interpretação de texto.

Outra, provável que a dona do mundo e da psicologia, disse que os Conselhos de Psicologia deveriam atuar para impedir que qualquer um desse sua opinião sobre psicologia. Coitada, mal sabe ela o que penso dos psicólogos, mas eu conto: São todos uns fraquinhos, cheios de mimimis e mal resolvidos. Isso pra não dizer retardados funcionais, porque hoje estou de bom humor…

É que lá não posso nem discutir com os leitores, mas aqui, posso tudo!!!

Balcão de Reclamações

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Por que é que a gente reclama tanto? Bem, dirão alguns muitos estudiosos, a insatisfação é inerente aos seres humanos. Verdade. Uma daquelas verdades absolutas, não há o que discordar, portanto.

Mas vamos além, vamos fazer uma reflexão um pouco mais profunda. Se somos eternos insatisfeitos, isso não deveria ser bom? Falo no sentido de evoluir em todos os sentidos. Afinal, se eu ou você estivermos insatisfeitos com algo que criamos, isso deve ser positivo no sentido de consertarmos, melhorarmos, quem sabe até, em casos mais extremos, refazermos o que foi feito.

Evidentemente que muitos insatisfeitos fazem exatamente isso. Transformam o objeto de suas criações e o melhoram. Mas e o resto? E aqueles que estão insatisfeitos e nada fazem? Sabe de quem estou falando? Isso, acertou, dos que usam a vida como um balcão de reclamações. Cá entre nós, todo mundo é, em alguma medida, assim, não?

Mas não podemos ser injustos. Sabemos que muitos de nós tentam, ao menos, fazer isso cada vez menos. Todos deveríamos reclamar menos e agir mais.

Essa insatisfação ruim, digamos assim, essa que estou falando que nos paralisa ao invés de nos movimentar, anda tentando se alastrar. Parece uma epidemia de involução.

É claro que é disso que se trata. Vamos fazer um exercício: Olhe para seu passado e nem precisa ir muito longe. Já que estamos no começo do ano, que tal dar uma espiada no seu ano de 2016? Como você se comportou nesse sentido aí que estou propondo nesse texto: Você reclamou e agiu ou só reclamou e apontou o dedo aos supostos culpados?

Uma ex professora de Psicologia, uma psicanalista de mão cheia, certa vez ensinou aos alunos algo que hoje em dia todo mundo sabe, ou deveria saber: Quando a gente aponta um dedo, há três apontados para nós.

Foi mesmo uma aula cruel. Sei lá, a carapuça serviu como uma luva… ah, você me entendeu.

Brincadeiras à parte, voltando à sua reflexão, ou melhor, nossa, seja sincero (a), como você agiu?

A pergunta é necessária porque se você reclamou mais e agiu menos, sabe o que deverá fazer para que em dezembro de 2017 não passe pelo mesmo “perrengue existencial”. Agora, se você agiu mais do que reclamou, repita a dose esse ano e, parabéns, você está no caminho certo.

Não é esse nosso maior objetivo na vida? De acertar? Descartemos aquela bobagem de certo ou errado em relação à sociedade, todo mundo aqui tem bom senso para seguir regras de convívio. Nós sabemos muito bem quando uma coisa ou atitude é certa ou errada para nós, para nosso íntimo, para nossa alma.

E não podemos deixar de correr atrás do certo nesse sentido, buscar o que nos faz bem, buscar o que nos alivia a dor e, por que não dizer, buscar o que fará com que as angústias sejam diminuídas, senão, eliminadas.

Não dá mais para ficar sentando no sofá da sala se lamuriando ou culpando esse ou aquele pelas suas frustrações. Sim, sabemos, muitas vezes a culpa não é nossa mesmo, aliás, não usemos mais a palavra culpa, vamos dar preferência à palavra e ao conceito de responsabilidade e não culpa.

Temos que aceitar que muitas vezes as conspirações cósmicas não permitem que a gente consiga aquilo que quer. Mas há uma coisa que aprendi nesses tantos anos de uma vida bastante intensa, frase que cunhei quando escrevi meu segundo livro, há onze anos:

“A felicidade não está na conquista, ela está na busca”.

É quando estamos buscando nossos objetivos que nos sentimos plenamente felizes. Sendo assim, ficar estagnado reclamando ajuda em que mesmo?

MM

Feliz Ano Novo

2017

E então mais um ano se foi. Chegamos ao final de 2016 e aí somos obrigados a fazer aquela perguntinha chata: O ano foi bom?

Pois é, pergunta inevitável, mas quase tão inevitável é responder dizendo que o ano foi ruim, uma porcaria ou até mesmo, sem graça.

Como Coach, sou obrigado a perguntar: E você sabe por qual razão seu ano de 2016 não foi do jeito que você queria? Bem, faço aqui uma importante ressalva: É evidente que seu ano pode ter sido ruim porque você teve algum problema de saúde, pode ter perdido um parente ou amigo querido, como foi meu caso, pode ter tido percalços alheios à sua vontade ou controle. Tudo bem, vamos descontar essas coisas inevitáveis, tudo bem?

Falemos do resto. Você fez o que queria? Se dedicou a cumprir à risca aquela lista que fez no final do ano passado? Correu atrás do que sonhou, ou melhor, transformou aquele sonho em um objetivo concreto?

E para o ano que vem? Vai fazer o quê em relação a isso. A mesma coisa? Já aviso que se fizer sempre as mesmas coisas vai colher os mesmos resultados. Isso é óbvio, mas algumas pessoas não enxergam nada, nem o óbvio, nem o que está debaixo do nariz.

Então vamos lá. Vamos fazer uma lista do que você quer realizar no ano que está prestes a começar. Seja inteligente e bondoso consigo. Elabore uma lista que seja alcançável. E para fazer isso, temos que recorrer a uma coisa bem simples, mas que às vezes dói um pouquinho além da conta se você não tiver o costume de praticar o exercício: Olhe, antes de tudo, para dentro de si mesmo.

Fazendo isso você vai notar que precisará ter capacidade para realizar aquilo que se propõe a fazer. Sim, caros leitores, de nada adianta sonhar em ser um astronauta se você tem medo de avião. Se mal consegue entrar em um avião, como pretende entrar em um foguete? Não dá!

É o que falei de ser inteligente na elaboração de seus desejos. Sonhar é bom, claro que sim, mas realizar é melhor ainda. Já falei disso aqui em artigos anteriores. Assim sendo, há que se transforar aquele sonho em objetivo para que tudo se torne realidade. Mas antes de se tornar realidade, lembre-se, há que se tratar de algo realizável. E para tal, é preciso que você tenha a capacidade de executar sua missão.

É, eu sei, não é nada simples. Não basta sair por aí colocando seus desejos num pedaço de papel. Se fosse assim fácil, você não chegaria no final do ano irritado por não ter conseguido nada do que desejou.

Disciplina, determinação, competência e comprometimento. É disso que você precisa para chegar ao final de 2017 dizendo que o ano foi o melhor de sua vida. Faça com que seja, assuma que o compromisso está em suas mãos!

Eu, Marcelo Mello, desejo a todos um Feliz Ano Novo, repleto de tudo o que vocês desejarem!!!

MM

 

Fim

fim

O fim sempre chega antes do fim. Não, você não leu errado. Proponho uma reflexão um tiquinho mais profunda sobre isso. O que quero dizer é que o fim sempre dá sinais de que está chegando ao fim. Calma, vou explicar.

Vale para qualquer coisa, para qualquer ciclo. Sabemos, não podemos ser tolos, que tudo – inclusive a própria vida –, tem um começo, um meio e um fim. Já mencionei a vida e posso falar também sobre trabalho, relacionamentos amorosos ou até mesmo de amizade, enfim, como disse, acima, vale para todas as coisas.

Um parêntese: Até mesmo as relações que duram “até que a morte os separe”, ou seja, que duram para sempre, acabam quando… bem, quando a morte os separa.

Lidar com perdas não é nada fácil. Em psicologia chamam isso de “luto”. Uma das coisas mais fascinantes que nossa mente é capaz de fazer é a tal elaboração do luto. Claro, uns têm mais facilidades do que outros, no entanto, não é isso o que nos faz tão especiais, o fato de sermos únicos? Pois é, assim sendo, não cabe – nunca – a generalização. Cada um lida melhor com suas perdas em seu tempo, em sua velocidade, com suas crenças e significações.

É fato que a vida é composta por ciclos. Portanto, temos que saber que teremos que elaborar diversos lutos durante nossa estada por aqui. Uns mais pesados, mais dolorosos, outros nem tanto. Isto posto, vamos em frente.

Eu falava sobre o fim acontecer antes do fim. Pois é, acontece mesmo. Todo final de ciclo se anuncia. Nossos mecanismos de defesa é que impedem nossos egos de aceitar ou, como dizem por aí, de encarar a realidade. Um exemplo que pode ilustrar isso é aquele amigo que nos avisa quando estamos prestes a bater com a cara na parede… todo mundo tem um amigo destes, o que é muito bom, diga-se de passagem.

Por outro lado, os mais atentos, os mais lúcidos, conseguem perceber sozinhos quando o fim de alguma coisa está próximo, ou melhor, quando ele mesmo se anuncia dizendo baixinho nos seus ouvidos: Ei, cara, desista, cai na real, isso aí já acabou.

Alguns chamam essa voz de intuição. Não sei se há definição melhor para um conceito tão abstrato.

E por que será que pouca gente ouve essa voz, não no sentido de escutar, falo no sentido de levar em consideração mesmo, prestar atenção a ela como se deve. Oras bolas, se a intuição nos alerta de tantas coisas que vão nos fazer mal ou bem, por que é que não damos bola? Não me parece coisa de seres inteligentes, concorda?

O fim chega mesmo antes. Faça um esforço e olhe para sua própria vida. Você sabe ou soube antes de se desligar da empresa que um emprego não “dava mais”. Outro exemplo: Você tinha a exata noção de que aquela sua relação amorosa havia acabado muito antes da despedida.

Infelizmente tenho que perguntar: Por que continuou com aquilo se sabia que já não havia mais condições de prosseguir? Por que insistir no que te fez ou faz mal? Sim, caro leitor, faz mal percebermos que acabou e tentarmos prosseguir com a coisa. Mesmo que você ame uma pessoa, amar quem não te quer mais só te faz mal, ou não é isso? Mais uma coisa… será que ama de verdade?

Veja por outro lado, é igualmente fato que nosso ego nos engana. Pelo menos tenta. Por que digo isso? Simples, se recebemos um aviso que o fim chegou, mesmo que antes da despedida, ele, o ego, sabe muito bem que insistir só vai prejudicar a ele mesmo. Mas ele dribla nossa consciência utilizando uma arma terrível, diria até que uma arma de grosso calibre: O apego.

O ego nos diz que temos que permanecer com a pessoa ou no emprego porque simplesmente ele está apegado à coisa em si. Isso é muito errado, não acha? Nosso próprio ego nos fazendo sofrer… Definitivamente seres humanos estão bem longe de serem “máquinas perfeitas”. Entretanto, os humanos são uma constante fonte de inspiração para estudos.

Quando o fim te avisa que está chegando ao fim, podemos fazer apenas duas coisas: Continuar deliberadamente dentro desse ciclo por alguma conveniência ou interrompê-lo de uma vez sem dó nem piedade.

Caso não seja uma opção deliberada, a escolha é mais ou menos assim: Prefere um ataque do coração fulminante ou uma doença degenerativa? Escolhe bife de fígado ou um pote de Nutella? Creio que entendeu meu ponto.

O lado bom disso tudo é que logo após o fim de um ciclo, outro se inicia. Às vezes se inicia até mesmo antes do fim.

MM

As Aparências Não Enganam

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Incrível como as pessoas estão infelizes. A quantidade de gente deprimida é tanta que todos os dias pipocam textos bem interessantes sobre o tema. Não só textos, há muito estudo nessa área também. Estou falando de estudos sérios e não essas bobagens que publicam nas redes sociais.

Por falar nisso, as redes sociais são excelentes fontes de informação, mais do que isso, são ótimas para quem, como eu, gosta de observar o comportamento humano.

Há três tipos de pessoas nas redes, vamos usar aqui o Facebook como exemplo porque é o que mais uso. Ainda acho que aquilo não serve para nada, mas vamos em frente…

Há o tipo que só reclama da vida, o que só usa para trabalho, mesmo sendo uma rede social e não profissional e o terceiro tipo é aquele que é objeto desse texto: Os felizes.

Você aí já reparou o que tem de gente feliz no Facebook? Gente que come bem, frequenta os melhores lugares, viaja muito, está sempre rindo, só posta frases de autoajuda, diz que ama os animais, que adora os seres humanos, enfim, gente que nunca fica triste.

Pois bem, em minha opinião, gente que se esconde da verdade. Gente que foge da realidade. Ninguém, repito, ninguém é 100% feliz. Até acho legal você postar as coisas boas que te acontecem, mas só te acontecem coisas boas?

Aí entra a questão: Como podem as pessoas estarem cada vez mais infelizes se aparentemente suas vidas são lindas e cor de rosa? Pois é… não sei. E também não tenho nada com isso, apenas estou escrevendo sobre isso porque sou um intrometido. Nada além.

Minha dúvida, sim, quebro a cabeça pensando nisso, é saber de onde é que vem tanta infelicidade. O que é que está gerando isso?

Bem, quem me acompanha sabe que sou cheio de teorias. Para esse tema, tenho uma: Acho que é justamente essa falsa aparência que provoca esse excesso de infelicidade. Vou explicar.

Quanto mais a gente pensa ser uma coisa que não é, mais a gente se frustra, isso me parece óbvio demais. Vou além: Tentando se mostrar de um modo que não tem nada a ver com sua realidade, as pessoas vão entendendo que não são o que mostram, portanto, não são o que gostariam de ser, o que gera essa infelicidade toda. Sem falar dos que se mostram completamente fora do prumo de sua essência, mas isso pode ficar para outro texto.

Aí, incorporo o Marcelo Mello Coach e pergunto: O que essas pessoas infelizes estão efetivamente fazendo – ou fazendo efetivamente –, para que esse quadro seja alterado?

Sinceramente, não as vejo fazendo nada. Vejo alguns mais sinceros tentando se convencer de que precisam fazer algo, mas de efetivo mesmo, não fazem nada.

Eu sei muito bem – e como sei –, que um estado de tristeza profunda ou algo mais grave como uma depressão, nos tira toda a energia que precisamos para reagir. Mas, vejam bem, por que é que essas mesmas pessoas conseguem energia para tentar se enganar? De onde tiram forças para fazer com que os outros acreditem naquela aparente felicidade que elas demonstram?

Vamos pensar racionalmente: Se você tem força para fingir, não consegue canalizar essa energia para reagir?

Repito, eu não tenho nada a ver com isso. Mas como faço uso da empatia o  tempo todo, fico realmente chateado por ver tanta gente boa que poderia se ajudar, perdendo tempo em tentar enganar, supostamente, pessoas que são próximas, amigos… enfim, é isso, uma mentira que gera outra, que gera outra e assim por diante…

Até quando vão aguentar? Bem, isso aí só pode ser respondido pelos que vivem de aparência.

MM

Saudade Crônica

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Saudade é um sentimento esquisito. Já escrevi antes sobre isso, lembro que na ocasião eu disse que era diferente de lembrança porque em minha opinião saudade é querer algo de volta e lembrança é apenas… lembrança.

Mas saudade é de fato algo estranho. Já li muito sobre o tema e a maioria das pessoas acha que é um sentimento bom, gostoso, que faz bem, ou seja, tem opinião de toda ordem, mas a maioria acha um sentimento positivo. Eu não acho.

Acho saudade uma porcaria justamente por conta da minha definição, que é algo que sentimos quando queremos vivenciar novamente uma situação, quando queremos de volta momentos específicos, enfim, essas coisas.

Me causa dor. Acho que é isso. É justo que não goste, afinal, quem é que gosta de sentir dor? Eu não gosto.

Há dias em que certas saudades apertam e tornam esses dias insuportáveis. Há outras saudades que passam logo. E há as crônicas. Essas, por mais que a gente lute contra, faça das tripas coração para tentar evitar, não consegue, afinal, como o próprio nome diz, é uma Saudade Crônica.

Sinto saudade de coisas, de lugares, de pessoas. Algumas dessas saudades são insuportavelmente doloridas. E crônicas. Recorrentes.

Muitas vezes não suportamos sequer pensar nelas, mas quem é que disse que nossas mentes nos obedecem?

Certa vez ouvi de alguém: “Quando a gente gosta de azul-marinho, podemos até ficar um tempo sem usar essa cor, mas a gente sempre volta a usar e nunca deixa de gostar”.

Foi a melhor analogia sobre o tema que já li ou ouvi. Creio que define tão bem esse sentimento que me recuso a pensar em algo melhor para dizer. É bem isso. Podemos ficar tempos, longos períodos sem dar a devida atenção a alguma coisa, mas isso nem de longe significa que a esquecemos.

Hoje, particularmente hoje, senti uma forte saudade. E por mais estúpido que possa ser, não foi uma saudade apenas do que vivenciei, foi uma saudade do que poderia ter vivido. Passa um filme na cabeça sobre o que existiu e a mente cria novos cenários, novos personagens, novas cenas do que poderia ter acontecido e não aconteceu.

Felizmente sou escritor e como tal, posso colocar no papel, em algum livro essas cenas vivenciadas e também as novas cenas criadas pela minha mente, fazendo assim, nascer a tal da saudade do que não aconteceu. É um jeito de enganar a mim mesmo e poder imaginar as consequências do que nem foi vivido.

Estava aqui olhando em meu computador umas fotografias. Vi a fotografia de uma praia. O filme que passou em minha mente me fez sentir tanta saudade que decidi incluir até coisas que nunca aconteceram. Pior, apaguei da memória o dia em que a foto foi tirada e mudei tudo. Inseri no cenário mental coisas que jamais aconteceram. Por que? Bem, pode ser que esteja ficando louco, velho, ou apenas com Síndrome da Saudade Crônica.

A verdade é que essa doença não tem cura e volta e meia me pego sendo atingido pelos sintomas. Depois que a crise passa, fico pensando na sacanagem que a mente faz com nossa consciência. Como é possível sentir dor por algo que não aconteceu?

Bom, uma das minhas respostas prediletas é: Porque teria sido bem melhor do que de fato foi. O nome disso é arrependimento pela escolha mal feita. E o tempo não volta, uma oportunidade perdida jamais retorna.

Só resta aquele gostinho amargo pós saudade imaginária… afinal, não dá nem pra querer de volta algo que nunca houve.

MM

Inspiração

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Querer, desejar, ter, conseguir… que mais… desafios, objetivos, metas, competir.

Nossa, são tantas as palavras que podem ser transformadas em conceitos, por que não repetir, transformadores…

Mas quem quer alguma coisa de verdade? Quem tem um desejo genuíno? Como diferenciar o que se quer de fato do que se quer por simples capricho competitivo ou pior, por um simples capricho do nosso Ego-Sistema em se mostrar ou mostrar suas conquistas na sala de troféus mentais ou virtuais?

Todo mundo deseja alguma coisa, dirão alguns. Nem sempre isso é verdade, algumas pessoas simplesmente param de desejar. Mas hoje quero falar dos que dizem realmente querer algo. Se é que querem como acreditam.

Por que falo isso? Simples, porque minha observação me obriga a afirmar com todas as letras que as pessoas hoje em dia querem muitas coisas, praticamente querem tudo, mas buscam efetivamente pouco. Já escrevi antes aqui mesmo e repito: Querer não é poder, muito menos ter ou conseguir. Afirmar isso é besteira, uma verdadeira armadilha.

Lido com pessoas. Lidar com pessoas não é fácil. Mas é delicioso e chega a ser bem interessante, uma vez que eu sempre me coloco no lugar delas, princípio básico do entendimento entre seres humanos: Empatia.

Todos os clientes que tive, seja como Consultor, seja como Coach, sempre me contrataram – e ainda contratam, felizmente –, porque querem alguma coisa. Isso é tão óbvio quanto dizer que um pote de Nutella traz felicidade. Entretanto, muitos dos que desejam alguma coisa desistem no meio do caminho e vou além, desistem diante da mais insignificante dificuldade. Nem tentam resolver o problema, simplesmente jogam a toalha.

Invariavelmente, já que não sou pago para ser fofo e sim eficiente, pergunto a eles do modo mais direto possível: Mas você quer ou não? Me procurou porque queria algo e agora desiste diante de uma pedrinha no meio do caminho? Achou que seria fácil? Achou que a jornada não estaria sujeita a chuvas e trovoadas?

A maioria fica sem resposta. Percebem que, nas entrelinhas, os estou chamando de mimados, de imaturos. Fazer o que, é minha obrigação, não quero tirar dinheiro de ninguém falando bordões “lindos” e sem sentido como tantos profissionais propagam por aí.

O mundo está cada dia mais competitivo. Essa afirmação é verdadeira ou falsa em sua opinião, caro leitor? Eu acho que é falsa. Ou melhor, a competição até existe, mas não no sentido produtivo da palavra. A competição é outra, é efêmera, é por uma causa sem importância, a busca é para massagear os egos problemáticos e vaidosos. Pura perda de tempo, como se tivéssemos acabado de nascer e, independente da idade, tivéssemos anos e anos pela frente. Ledo engano.

Estes, os que desistem no meio do caminho, são aqueles mesmos que nas redes sociais reverberam as historinhas dos bem sucedidos. Oras bolas, acho até justo que nos espelhemos nesses que são grandes realizadores, mas espera um pouco: Supostamente se espelhar e não se inspirar é suficiente para satisfazer essa gente?

Bem, talvez seja, afinal quem é que está a fim de pagar o preço da realização, não é mesmo?

MM

Zona de Desconforto

Pregos

Uma cliente me procurou para iniciarmos um Processo de Coaching e nas primeiras trocas de e-mail ela dizia textualmente: “não faço a menor ideia do que quero, mas estou angustiada porque preciso mudar tudo e dar um novo rumo à minha vida, quero sair da zona de conforto e você foi bem recomendado e indicado para me ajudar”. Marotamente imprimi apenas o e-mail onde constava esse parágrafo.

Antes de prosseguir, deixe-me dizer uma coisinha básica: Ninguém quer sair da zona de conforto, pelo contrário, nossa busca é justamente por ela, por uma zona bem confortável e que… bem, que nos conforte a alma, o corpo, a mente em todos os sentidos! As pessoas acham isso simplesmente porque acreditaram em algum guruzinho de quinta categoria que inventou o termo. Só isso.

A verdade nua e crua é: Poucos conseguem entrar numa zona de conforto na acepção do termo e também das palavras isoladamente analisadas. Poucos! Oras, se é tão difícil de entrar por que é que iríamos querer sair? Como pode uma cliente dizer que quer sair da zona de conforto se está angustiada com os rumos da própria vida, ou seja, completamente desconfortável? Isso faz sentido para você? Desculpe, mas para mim não faz. Se quer falar a real, fale de forma clara usando as palavras corretas. Fale em se mexer, fale em entrar na zona de conforto, fale em levantar o traseiro da cadeira, mas não distorçam as palavras só para que pareça uma tacada genial. Bobagem, o que o mundo precisa é de mais gente que questione tudo fazendo aquela pergunta que já escrevi por aqui tantas vezes: Faz sentido ou não faz sentido?

Simplesmente passar o que se escuta para frente é alimentar o que está errado, é alimentar bobagens. Por isso cada vez mais cresce o número de “gente bobagenta”. Não caia nessa. Seja esperto. Esperto no sentido da palavra e não no sentido brasileiro da palavra. Você me entendeu.

É preciso acabar de uma vez com essa categoria de “besteirólogos” profissionais. Chega!

Voltemos: Com o e-mail impresso nas mãos, fui ao encontro de minha nova cliente. Logo na primeira conversa – aquela em que o cliente se solta e não para de falar, que é absolutamente necessário –, ela expos, ainda que muitos de modo inconsciente, uma série de fatos interessantes. Características de sua personalidade, comportamento, sonhos que deixou para trás, postura, enfim, se abriu, se revelou.

Como toda boa mulher que se preza, sua ansiedade a deixou sem fôlego e com sede. No que ela parou para tomar um gole d’água eu intervi:

– Você sabe muito bem o que quer, só não sabe que sabe!

Ela era uma pessoa engaçada, espirituosa e com ótimo senso de humor e parou de beber na hora e respondeu olhando para minha cara, ainda com o copo perto da boca:

– Ok, você está contratado.

A ansiedade em pessoa, mas uma cliente espetacular, um ser humano incrível e um dos casos mais legais e complexos que já atendi. Deu um trabalho danado, mas foi gratificante porque quanto mais um cliente exige do Coach, mais ele tem a oferecer e vice-versa. Foi bem bacana ajudá-la a descobrir que havia um vulcão adormecido sobre uma Zona de Desconforto!

MM

Agilidade

Agilidade

Tenho a impressão de que o brasileiro acha que vai viver para sempre. Pelo menos boa parte deles. É o que vejo, é um sentimento genuíno que tenho.

Eu trabalhei para empresas de todos os tipos, e não só isso, trabalho para pessoas que são completamente diferentes umas das outras. Tenho quilômetros de estrada percorridos nessas minhas andanças profissionais. Vi de tudo um pouco. Empresas de todos os tamanhos. Pessoas com angústias e anseios distintos. Boa parte delas tinha algo em comum: Eram lentas na hora de agir.

As empresas, mesmo as multinacionais e foram a maioria, quando colocaram um pé no Brasil tiraram instantaneamente outro pé do acelerador. As decisões demoram para serem tomadas, as reuniões nada decidem, a produtividade despenca e com ela o resultado. Como escrevi dia desses aqui mesmo nesta coluna, as consequências são desastrosas. Sim, são de fato consequências de escolhas feitas. Os comandantes ou mesmo os lideres, escolhem levar meses para tomar uma decisão, seja ela grande ou pequena, simples ou complexa. Isso vale também para pessoas físicas. É preciso abrir os olhos o quanto antes porque está se tornando uma epidemia.

Aqui em Miami, vejo a agilidade americana e a praticidade deles. Vejo os latinos também, que são muitos, mas já assimilando o modus operandi local. Vejo igualmente os brasileiros, tanto faz se os que vieram há tempos ou os recém-chegados. A diferença de comportamento é mais do que a evidência prática da coisa, é conceitual. Diria que é uma estrutura de pensamento. Eles, os gringos, levam a sério aquela máxima empresarial conhecida: Tempo é dinheiro.

Bem, sou pago para perceber. Normalmente perceber antes que a coisa desande, afinal, para que alguém pagaria por uma Consultoria ou por um processo de Coaching para constatar problemas? Nada disso, a consultoria existe para antecipar, enxergar antes os resultados, enfim, para recomendar as ações. E o Coaching existe para ajudar as pessoas a atingirem seus objetivos.

Noto que mesmo quando o tempo passa sem ação alguma, portanto, com o erro se tornando inevitável, a reação do brasileiro demora a vir. Sempre, invariavelmente, a lentidão de pensamento, de raciocínio, de percepção e de decisão é lenta. Vale tanto para pessoa jurídica quanto física.

A vida não espera. A vida passa depressa, goste você disso ou não. Ou entramos no barco, pegamos os remos e, principalmente, o leme, tomando as decisões no momento certo e não depois do desastre, ou estaremos fadados a naufragar. Sem boia, muitas vezes.

Não adianta fazer sempre a mesma coisa e querer colher resultados diferentes. Se não está funcionando, mude. Se estiver indo para um lugar que não quer, altere o rumo. Comece de novo.

A fórmula é simples: Quanto mais você demorar para se decidir, quanto mais tempo perder com pensamentos inúteis e improdutivos, mais oportunidades irá deixar passar. Se você tiver que agir, seja em seu nome, seja em nome da sua empresa, corra porque a solução não vai ficar te esperando.

E lembre-se, nem sempre caímos em um abismo, muitas vezes nós é que o estamos cavando.

MM

Você sabe?

Voce-tem-foco-voce-sabe-o-que-quer

Não adianta, o que quer que você leia ou seja lá qual for sua rede social preferida, o que mais aparece em sua frente tem a ver com: Corra atrás dos seus sonhos ou qualquer coisa parecida. Parece tão simples, não é mesmo?

Há tanta gente falando a mesma coisa que dá até para imaginar que só há gente feliz no planeta, ou por outra, só há gente realizada.

Bem, digo com todas as letras: A realidade é bem diferente, até mesmo para os amebinhas que acreditam cegamente na felicidade “Facebookiana”.

É evidente que precisamos sonhar. É óbvio que temos que correr atrás daquilo que desejamos. É público e notório que temos que manter em mente pensamentos positivos. Até aí, não há o que se discutir. Mas então do que é que estou falando?

Estou dizendo que antes de sair correndo atrás de qualquer coisa temos que não só saber qual é essa “coisa” como descobrir se ela se encaixa à nossa essência. É o perigo do que eu chamo de Sonho Inconsequente, ou desconexo, se preferir.

Afirmo veementemente que nada acontece quando apenas sonhamos ou pensamos positivo. Aquela besteira de que nossos pensamentos vão para o Universo e depois retornam em forma de realização não faz o menor sentido.

Mas é o que diz aquele livro O Segredo, um dos mais vendidos do mundo há alguns anos. Conheço aos montes pessoas que leram e querem saber de uma coisa? A vidinha medíocre delas não melhorou uma só virgula. Ora, ora, como explicar isso?

Deixemos a literatura de lado e voltemos ao mundo real. Alguns “profissionais” de humanas fazem algo bem parecido. Tive acesso a alguns conteúdos de Coaching e fiquei embasbacado.

Não se pode brincar com seres humanos. Não se pode iludir as pessoas com palavrinhas motivacionais. Há que se ter cuidado especial com aqueles que procuram profissionais da área justamente porque eles precisam de ajuda para encontrar seus caminhos. Brincar com a mente dos outros é inaceitável. Ética e moralmente intolerável.

Todas as pessoas têm um sonho? Deveriam ter, mas nem sempre é assim. Muitas delas perdem a capacidade de sonhar e cabe ao profissional de Coaching ou aos terapeutas, primeiramente, ajuda-las a voltar a sonhar com alguma coisa. Palavras de incentivo são apenas parte do processo, não o processo em si.

O bom profissional ajuda a resgatar o que foi perdido ou deixado para trás ao longo do tempo. Ajuda aos que têm a capacidade de sonhar a realizar, a conquistar seus propósitos. Não se pode prometer uma vida cor de rosa a ninguém. Muito menos aos que estão momentaneamente enxergando o mundo cinza, se é que me entendem.

A busca é incessante. Mas antes de ela ser iniciada, deve-se saber o que quer, deve-se ter em mente aonde quer chegar, quais objetivos se quer alcançar.

A metodologia de aplicação de Coaching que criei e desenvolvi se baseia em três perguntas, mas elas só aparecem lá no meio do processo e a primeira delas é… O que você realmente quer?

Lanço o desafio: Você aí do outro lado, sabe?

MM

Consequências

Escolhas

Ao contrário do que dizem por aí, a vida não é feita de escolhas. Não sei por que diabos as pessoas absorvem conceitos e os repetem sem ao menos se dar o trabalho de pensar a respeito.

A vida é feita de consequências, não de escolhas.

Até quando não escolhemos geramos uma consequência, portanto, não devemos ficar repetindo coisas sem sentido.

É preciso pensar antes de escolher. E é óbvio que esse pensamento deve ser direcionado às consequências. De uma vez por todas temos que entender que nós, e apenas nós, somos e temos que ser responsáveis por aquilo que nos acontece.

Acreditar em destino ou qualquer coisa que o valha é, no mínimo, infantil. Para ser bem sincero, acho até que é safadeza. Culpar o destino ou os outros pelas consequências das escolhas que fizemos é ridículo. É fugir da nossa resposabilidade. Assumir é sinal de amadurecimento. Lidar com todos os desdobramentos é inevitável, portanto, que isso seja feito da forma mais honesta possível.

Esse processo de escolha/consequência é uma das grandes “sacanagens” da vida. Toda escolha parece ser a melhor no momento em que a fazemos. Entretanto, na hora da consequência é que descobrimos se foi realmente certa ou errada. Se foi a melhor ou a pior. A vida às vezes – para não dizer sempre – é bem sem vergonha.

Passamos o dia todo, todos os dias, todos os anos sendo “obrigados” a lidar com os efeitos, as sequelas de nossas opções. Como disse lá em cima, até quando não optamos sofremos as consequências disso.

E como tem gente que escolhe não escolher. Que prefere permitir que os outros decidam sua vida. Que opta por se deixar influenciar por fatores externos ou por crenças que limitam suas ações.

Costumo dizer aos meus clientes de Coaching que eles têm que tentar antecipar as consequências de seus atos. Fácil não é, mas há meios para se chegar perto de conseguir.

Racionalizar é um desses caminhos. Sei que muitas dessas escolhas têm que ser feitas em momentos de forte impacto emocional, mas é preciso racionalizar até as emoções.

Não, não é um jogo de palavras, tampouco loucura de minha mente perturbada e inquieta. É possível sim e é essa uma das nossas principais buscas para manter o Ego-Sistema funcionando de modo saudável.

MM

Limite

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Qual é nosso real limite para suportar as dores da alma?

Pois é, andei pensando nisso por diversas razões. Conclusão? Bem, a única que me veio à mente é que nosso limite não é limitado. Esqueçam o jogo de palavras e tentem entender meu ponto de vista.

A impressão que tenho é que o limite não existe porque a gente sempre consegue esticar um pouco mais. Já escrevi uma vez sobre uma expressão muito usada aqui nos Estados Unidos: “Pushing the Limits”.

Tudo bem que eles a usam mais para o mundo dos esportes onde os atletas sempre tentam se superar. Mas por que não traçar um paralelo à nós, simples mortais em outras áreas da vida? Por que não usar essa expressão para justificar nossa permanente luta interna? Que luta? Aquela em que tentamos superar tudo o que sentimos de negativo, ou até mesmo, coisas que acontecem em nossas vidas e que devemos passar por cima.

Por exemplo, a luta contra a depressão. Quem tem essa maldita doença está em constante conflito interno. Um lado diz que deve desistir, outro que deve reagir. Graças a Deus que a maioria das vezes quem vence é a reação.

Mas para isso, é preciso que se estique o limite, que se amplie cada vez mais a sua área. A pergunta é: Até quando?

Falando de verdade, até quando um ser humano aguenta tanta angústia, dor, sofrimento? Pois é… não tem como sair do lugar comum: ada um sabe a carga que carrega e por quanto tempo suporta carregá-la.

Entretanto, qualquer que seja o peso, deve-se lutar com todas as forças para superar esses mmentos. E não pensem o contrário, sempre temos uma carga de força extra.

Recebi ontem um comentário de um jovem leitor. Um texto que escrevi sobre depressão. Ele que tem apenas 15 anos, sofreu desse mal e agora tenta recuperar-se à duras penas, pelo que entendi.

Um adolescente sensível e corajoso. E consciente.

Um dos pilares que dão sustentação ao Ego-Sistema, por pura definição minha, é justamente a Lucidez. Dizem os especialistas que ter consciência é o primeiro passo para que se saia de qualquer problema. Concordo!

Não acho que depressão tenha cura. Acho que as pessoas apenas conseguem lidar “bem” com a doença crônica. Sabendo disso, espero que meu leitor aprenda a lidar com o que ele chama hoje de “Tristeza Profunda”.

Espero que ele tenha consciência de que é possível viver melhor. Espero que ele tenha mais força ainda para seguir adiante. O fato de ele ser novo é bem triste por um lado e muito bom por outro. Esse lado bom é que ele tem ainda muito tempo pela frente para aprender a lidar com isso da melhor forma possível.

MM

PS: Quanto à namorada… Ruan, sei que já te disseram para esperar, coisa e tal. Pois eu lhe digo: Não espere não. Pela sua sensibilidade e coragem, tenho absoluta certea de que vai encantar a maioria das mulheres que conhecer ao longo de sua vida. Tire proveito dessas qualidades incríveis e que não se vêem por aí hoje em dia.

Proud

Proud

Uma das músicas que eu mais gosto – e olha que não sou muito ligado a músicas – chama-se Proud, cantada por Heather Small. A letra é muito legal, a voz dela encanta na “primeira escutada”.

Basicamente faz-se uma pergunta que incomoda e estimula ao mesmo tempo, mais ou menos como aquela que já escrevi uma vez sobre a propaganda da Emirates onde perguntavam: “Qual foi a última vez em que você fez algo pela primeira vez”. Na música mencionada, a pergunta é ainda mais profunda:

– O que você fez hoje para se sentir orgulhoso?

Pois é. Dizem por aí que orgulho é algo ruim de se sentir. Não é. Pelo contrário, da mesma forma que nos sentimos responsabilizados e culpados quando fazemos algo errado, temos que nos orgulhar quando fazemos algo que produza esse sentimento. Por que não? É justo e temos que ser justos sempre.

Olhando dentro da janela da mente, como diz a letra, percebo que já fiz uma infinidade de coisas que possa me orguhar. Do mesmo modo, mantendo o senso de justiça, noto que ultmamente não tenho feito tanta coisa assim. A música pergunta sobre hoje e dá a entender que devemos fazer algo nesse sentido todos os dias. Pois é… será mesmo que é possível?

Difícil, não? Analisando preliminarmente sim. Mas… se olharmos com mais cuidado veremos que é possível, afinal, agir de modo que produzirá esse sentimento não pode ser medido utilizando as ferramentas de avaliação simplistas como grande ou pequeno. Nada disso, isso seria sabotar a si mesmo.

Sob a ótica desse prisma veremos que vale qualquer coisa. Aí tudo fica mais nítido e a gente consegue facilmente enxergar que fazemos sim quase que todos os dias, se não diariamente, coisas que provocam esse sentimento de orgulho de nós mesmos. Isso é bom, faz bem à alma.

A maioria das pessoas é acentuadamente exigente. A coisa aumenta ainda mais quando se trata de nós mesmos. Nossa autoavaliação é, quase sempre, diferente da realidade. Essa tendência faz com que não enxerguemos as mínimas atitudes. Faz com que nosso sentimento de orgulho se esconda atrás de nuvens negras. Por que? Bem… porque somos tolos.

Quantas vezes você segura a porta de um elevador para outra pessoa entrar, cede lugar a alguém seja numa fila, seja num transporte coletivo? Ajuda aquele amigo que não está bem dizendo palavras que o estimula a seguir em frente…

Enfim, são incontáveis as vezes em que podemos despertar orgulho por sermos quem somos. Como disse, o tamanho da coisa não tem a menor importância.

O que vale disso tudo é: Que sejamos iluminados a ponto de pararmos de sabotar nossas mentes a fim de que enxerguemos com clareza que somos sim seres que devemos nos orgulhar.

Seria legal se vocês escutassem a música, tenho certeza de que traduzindo a letra se sentirão compelidos a fazar alguma coisa que, no fundo, fará muito bem a você.

Se me derem licença, vou ali fazer algo pelo meu dia. E você, já fez ou vai fazer o que hoje?

MM

Bem Estar Mental

Mar

A metodologia de aplicação de Coaching que criei e desenvolvi abrange todas as áreas da vida da pessoa. Uma área está sempre relacionada e linkada à outra e é por essa razão que acredito cegamente que os processos compartimentados praticados pela maioria dos Coachs não funcionam.

Hoje vou falar sobre objetivos pessoais: Como é ter um objetivo pessoal?

Pois bem, o que parece nem existir é na verdade algo imprescindível. Você tem que ter objetivos pessoais e a melhor coisa a fazer nesse sentido é reservar um tempo, uma hora por dia, a si mesmo a fim de detecar o que quer. Aqui vou escrever um começo, um ponto de partida e não uma solução definitiva.

Se disser que não tem tempo eu rebato dizendo que você administra mal seu dia e por isso está sempre correndo sem chegar a lugar algum.

Francamente, se você não faz nada por si, acha mesmo que alguem irá fazer?

Você precisa se desligar da vida, precisa se desligar do mundo por pelo menos uma hora por dia. Pode meditar, pode contemplar a natureza, pode escrever, pintar, rabiscar, enfim, pode qualquer coisa desde que não se distraia com pessoas ou problemas cotidianos que te cercam. Nem ler pode. Nada de filmes também. A ideia é que você entre em contato consigo mesmo. Quero que seja apresentado a você mesmo(a).

Por que digo isso. Diz minha experiência como Coach e saiba, ela não é pequena, que as pessoas mal se conhecem. Você sabe disso. Muitas vezes a gente toma atitudes que nos surpreendem, não é verdade? E depois pensamos: Como pude fazer isso?

Faça exercícios mentais de perguntas e respostas para descobrir os por quês das coisas que faz ou pensa.

Por exemplo, eu não consigo meditar. Simplesmente não dá, minha mente me perturba o tempo todo e isso me incomoda profundamente. Resolvi escrever.

Fazer isso me deixa fora do mundo. Escrevi dois livros de crônicas e depois disso mantive dois ou três blogos onde escrevo as coisas que quero livremente. Há textos que nem publico, há livros sendo escritos que me fizeram descobrir quão criativo posso ser. É meu hobby.

Escrever me tira da realidade e proporciona um prazer que não experimentei ainda em outras atividades, a não ser quando estou sentado diante do mar, já falei disso antes. Em outras palavras, eu me dou de presente dois momentos de prazer por dia: Quando escrevo e quando contemplo.

Tudo bem, ajuda muito morar num lugar onde há o que se contemplar, mas eu já fazia isso quando morava em São Paulo, uma das cidades mais feias e cinzas desse planeta. Há lugares bonitos mesmo em cidades feias. E nem precisa ser tão bonito, basta que te faça bem.

É disso o que se trata: Buscar o que te faz bem para que você fique relaxado o suficiente para poder organizar os pensamentos e aí sim, preparado, poderá escolher melhor seus objetivos pessoais.

Claro que cuidar de filhos faz bem, óbvio que ir à academia faz bem, evidente que ficar na Internet papeando com os amigos faz bem. A proposta é outra. A proposta é que busque o que te faz bem e que não tenha mais ninguém por perto. Você consegue, se realmente quiser se comprometer com sua evolução.

Tenho meus motivos para colocar um texto assim solto no meio do nada. Estou fazendo um teste e usando você como cobaia. Sorry… Mas juro que é para uma boa causa…

MM

Aula de Vida

Aula

Uma vez eu brinquei, nem sei se escrevi a respeito um texto inteiro ou se apenas mencionei, que deveria haver uma matéria permanente nas escolas e faculdades que debatesse com os alunos a Vida.

Calma, não estou falando de vida biológica, estou falando de vida mesmo, a nossa, os seres humanos. Sempre admirei a profisssão de professor e claro que adoraria dar aulas sobre o tema. Se você aí do outro lado for dono de escola, me procure e conversamos…

O conteúdo da matéria seria desenvolvido de acordo com cada fase, criança, adolescente e adulta. Ainda que eu entenda que as pessoas se tornam adultas bem depois dos 30 anos. Diria que quase aos quarenta…

Mas pode , inclusive, ajudar essa gente a se tornarem adultas mais cedo, na hora certa, afinal de contas, é essa falta de maturidade e preparo para a Vida que deixa as pessoas com medo de crescer.

Por que é que cheguei a essa conclusão? Bem porque há anos eu tento pensar num modo de mudar o ensino. Creio que a fórmula atual não deu muito certo. Uma aula de Vida pode ser o início dessa revolução. Tenho absoluta certeza de que seria uma das aulas mais concorridas.

Em classe – ou fora dela – seriam discutidos temas variados como família, amizade, relcionamentos amorosos, profissões, carreira, hobby… agora os gurus de autoajuda falam pelos 4 cantos do planeta da importância de as pessoas terem um hobby, coisa que falo e escrevi em meu segundo livro há extatos dez anos…

E disso que estou falando, tentar antever as coisas e poder passar isso aos alunos, estou falando em prepará-los para enfrentar a sociedade, quem sabe até mudar toda essa baboseira que a sociedade do politicamente correto tenta fazer com nossas mentes. Para o desenho da sociedade atual, liberdade de pensamento é um estorvo. Ninguém gosta. As pessoas preferem manipular as massas e vou dizer uma coisa, as massas amam ser mainupuladas porque não conseguem e muito menos querem pensar por conta própria.

Uma Aula de Vida instigaria os alunos a ter mais personalidade e colocar seus pontos de vista sobre o que enxergam e não a aceitarem o que lhes é imposto sem ao menos um questionamento sequer. Fico a imaginar quantas coisas legais teria escutado de meus ex-colegas de classe se tivéssemos uma aula dessas no passado… Quantas questões teriam sido discutidas. Não penso queos  eventos da vida seriam evitados, mas sim que os alunos estariam preparados para a maioria deles. É disso que se trata essa ideia: Preparação para enfrentar a realidade e não um meio de evitar problemas.

Com professores bem preparados – e tenho muita certeza de que haveria muita gente interessada em dar aula disso – uma aula seria um bate papo informal onde os próprios alunos escolheriam os temas. Algo livre, algo que despertasse o interesse da turma e não uma imposição estúpida como decorar a Tabela Periódica. Tem muita coisa errada com o ensino… tem muita coisa errada com a formação de adultos. Algo precisa ser feito.

Os adultos estão cada vez mais angustiados porque provavelmente seus educadores, e aí coloco no mesmo saco pais e professores, se preocuparam em poupar seus educados.

Poupar as pessoas da realidade é o mesmo que mantê-las despreparadas para enfrentar a Vida de frente. Olha só no que deu… um bando de crianças de quinta série com 35, 40, 45 anos… Valeu a pena?

MM

Cabo de Guarda-Chuva

arrependimento

Ando pegando meio pesado, né? Meio amargo, sei lá. Sabe aquele gosto ruim na boca que a gente brinca quando fala que está com gosto de cabo de guarda-chuva? Pois é, estou com isso, mas na mente, não na boca.

Muita preocupação acumulada dos últimos quatro, talvez cinco anos acabou estourando na saúde, o que causa ainda mais preocupação. Nosso Ego-Sistema é impiedoso: Tudo é somatizado. Carga emocional é uma porcaria, só serve para nos estragar.

As coisas têm significados diferentes para cada indivíduo. Muita gente me fala, ah, você está se preocupando à toa, isso se resolve, minha médica diria, pega leve, lembre-se do que já passou… outras vezes é meu Espelho quem avisa. Sim, sou adepto e defensor da Terapia do Espelho. Mas já aviso que é doloroso e Ele é completamente insensível.

Agora mesmo aprontou uma. Foi Ele quem puxou conversa dessa vez olhando diretamente em meus olhos:

– Cara, já vi você em dias ruins, mas parece que hoje algo te atropelou porque seu estado é deplorável. Foi caminhão betoneira ou um transatlântico desses… Qualquer Coisa Of The Seas?

– É, hoje a coisa foi feia mesmo. Pegou de jeito.

– Quer falar a respeito, estou aqui à sua disposição.

– Descobri que arrependimento mata.

– Como é que é? As pessoas não dizem por aí que se ele matasse…

– Mata sim. Lentamente, mas mata.

– Está morrendo? O que houve, se abre, agora fiquei preocupado.

– Morrendo estamos, né, desde o dia em que nascemos. O que pegou foi acúmulo de arrependimento. E ele mata sim, tira vidas nos deixando vivos.

– Sei como é. Um arrependimento aparece e se une a outro e assim vai, em cascata.

– Exato.

– Onde começou?

– Vixi, vem de longe, anos. Maybe décadas.

– Isso explica muita coisa.

– Demais.

– Vai, desembucha, homem.

– Assim, aqui na frente de todo mundo? O que vão pensar?

– Que você é normal, humano, que sofre, erra como qualquer outra pessoa. Que tem angústias…

– Isso sempre deixei claro, nunca neguei.

– Sei disso, mas não enrola e conta…

– Bom, tem material anterior, menos intenso, mas que me lembro grave mesmo, um divisor de águas,  foi aquela escolha errada naquele dia simbólico em fevereiro de 92 quando num rompante eu decidi que era melhor…

– Caramba… foi aquela decisão que desencadeou tudo isso?

– Exato, foi depois desse ponto que tudo foi alterado profundamente…

Enquanto me barbeava desabafei… e durante minha “consulta”, como quase sempre acontece para quem se joga na frente do Espelho, a Catarse foi inevitável.

As imagens das escolhas subsequentes, bem como suas inevitáveis consequeências foram passando pela mente como um filme antigo, machucado pelo tempo.

A voz embargou, as palavras arranhavam a garganta enquanto saíam e a respiração se alterou significativamente.

Mas quem denunciou uma vida incompleta foram os olhos.

Quando finalizei meu depoimento o cara lá do Espelho disse, sem dó:

– É, acho que tem razão, nesse sentido aí que você falou é bem incompleta sim.

– Pois é, também acho. E para piorar, hoje apareceu a cereja do bolo.

– Porque pior do que sofrer é fazer sofrer, não acha?

– Por que faz essas perguntas? Você me odeia?

– Depois dessas lembranças todas, quer mesmo saber? Sim, muito! Olha como tudo poderia ter sido diferente. Agora responda minha pergunta.

– Acho sim, claro. A gente sofre duas vezes.

– Pede então de uma vez.

– Pede o que?

– O que ficou faltando, vai, seja humilde, corajoso… pede.

– Peço desculpas a todo mundo por tudo que fiz. É isso?

– É claro que é, mas… você não é tão burro assim, ainda que tenha sido bastante.

– Entendi. E aí, você me perdoa?

– Desde que prometa não me fazer mais nenhum mal… talvez.

MM

Hipocritamente Corretos

Hipocrisia

A vida é mesmo engraçada. Na verdade, é uma loucura difícil e entender. Para uma pessoa como eu que encara tudo com profundidade e tenta ver todos os lados da moeda é ainda mais complicada.

Sou e sempre fui um cara sincero. Não carrego a bandeira da moral e bons costumes, já menti muito na vida como todo mundo, mas talvez a diferença seja essa entre mim e muita gente que conheço: Eu assumo minhas características.

Mas a sinceridade, ao menos comigo, sempre mantive ativa. Dificilmente entro em estado de negação e isso é o que mais vejo acontecer com as pessoas.

Pois é. Não é fácil se relacionar comigo. Eu jamais seria indelicado ou mal educado com quem quer que seja, entretanto, se alguém me pergunta eu respondo. Sempre fui assim e não pretendo mudar, ainda que o mundo de hoje exija que sejamos cada vez mais “hipocritamente” corretos.

Hoje ouvi uma avaliação a meu respeito que me deixou estupefato. E veio de alguém próximo que, supostamente, deveria me entender. Mas… na prática a teoria é sempre outra. Disse a pessoa:

– As pessoas têm muita dificuldade de se relacionar com contigo porque você é sincerdo demais. No mundo de hoje é preciso dançar de acordo com a música para se dar bem nas questões de trabalho, por exemplo…

Não foram bem essas palavras, mas quase. Vamos lá: Estou pasmo até agora. Já tinha escutado isso antes, não é novidade, inclusive da mesma pessoa. Isso me fez pensar e por isso resolvi escrever este texto.

Quer dizer então que vence no mundo de hoje quem for falso. Quem for hipócrita. Quem se violenta indo contra sua própria essência. Quem se vende? É isso mesmo que os brasileiros se tornaram? Uns vendidos? A troco de que, me diz, de migalhas??? Façam-me o favor.

Talvez o que o país vive hoje seja reflexo dessa onda toda, não? Só talvez… ou será que é uma certeza? Afinal de contas, quem faz um país ser o que é são seus cidadãos, certo? Sim, muito certo!

Onde é que foi parar o conceito de liberdade? Tanta gente querendo impor tendências gays, racistas, religiosas e estão se esquecendo de viver como se deve? O que é que está acontecendo? Quem vai levantar a bandeira da liberdade que abrangeria todas as outras coisas que buscamos em termos de igualdade e, principalmente, respeito?

Depois de pensar longamente sobre isso, não mais do que 5 minutos, concluí que boa parte da humanidade vive numa espécie de estado de auto mau caratismo.

Não pretendo fazer isso. Não me importa o quanto perca. Ser sujo com os outros é o fim da picada. Ser sujo consigo mesmo seria burrice e disso passo longe.

Se é assim que as regras do jogo estão sendo postas, sinto muito. Perdi. Assumo a derrota, mas não saio violentado por mim mesmo.

Deve ser bem triste viver sendo vigiado por si e pelos outros. Deve ser horrível não conseguir ser livre. E dizem que a escravidão acabou… será mesmo?

MM

Efeito Dominó

Dominó

Incrível como as pessoas, por mais que se preparem, fazem escolhas erradas que desencadeiam a ruptura ou desconstrução completa do Ego-Sistema. Eu disse completa, é bom que se note.

Sem entrar em detalhes, são dez dias seguidos de paz num universo de 2586. De 480, pelo menos uns 200 de humilhação plena. É muita coisa para um ser humano aguentar. Ainda que ninguém seja Santo, não é fácil.

Mas é a vida e a única lei dela que vale é: Colhes aquilo que plantas.

Essa lei é insuportável. Piora quando você detectou e, portanto, poderia ter evitado as ervas daninhas lá atrás, mas não, decidiu naquele momento terrível que tudo poderia ser diferente. Não foi, pelo contrário, a coisa só piorou e ainda vem mais pela frente.

Já vi casos assim. Já atendi gente que passava por isso. Já sabia em teoria que isso existia e como todo bom otimista, sempre acreditei que passaria. Não adianta, não passa.

Arrependimento é uma marca profunda. Deixa cicatrizes que nenhum creme de 480 dólares dá jeito. Tem seu lado bom, afinal, ele te mostra que você não poderia andar por terrenos tão acidentados. Resta então a pessoa arrumar o que foi danificado e…

Bem… não é tão simples assim. Quando é a alma que está danificada ela demora a ser curada. E o que pode ser mais devastador para a alma humana do que a falta de Paz? O que pode ser pior do que humilhação constante? Como reconstruir isso?

Felizmente eu sei de uma boa fórmula e posso recomendar. Para dar certo, como em todo ferimento, será preciso estancar a hemorragia. Sem isso, não há remédio que consiga reconstruir uma pessoa. E, nesse caso, permita-me dizer que a reconstrução é quase que total.

Uma delas é a libertação. Libertar-se do que te faz mal é como jogar o maço de cigarros pela janela numa decisão tresloucada, mas correta para um fumante compulsivo. Se somos tão impulsivos para nos enfiar no que nos faz mal, porque é que não agimos assim para nos livrar do mal?

Quando não se tem nada o que lembrar, ou melhor, insignificantes momentos, em teoria ficaria mais fácil. Em teoria. Na prática será preciso reconstruir-se da humilhação que deixa a qualquer um no limbo.

Conheço gente que deu jeito nisso, estancou a hemorragia da humilhação, mas nunca mais teve um brilho nos olhos. Não se permitiu mais ser humilhado, mas não foi muito longe na sua busca por mais do que dez dias de paz ou felicidade. Será esse o destino? Provável.

O mundo lhe vira as costas. As pessoas não se importam. Quem deveria se importar te joga na lama. Quem você apostava suas fichas que estaria ali na hora em que você precisasse de uma mão estendida, simplesmente é a pessoa que quer lhe cortar o braço.

Nesses anos todos já li textos tristes. Já vi histórias terríveis. Mas não lembro de ter lido nada parecido quanto este ao que faço referência. Parecia ser uma carta de despedida. Talvez seja, vai saber.

Espero que não. Espero que os ventos que sempre sopram dissipem a nuvem negra que está sobre a cabeça de quem escreveu aquelas linhas impublicáveis. Foram escritas há alguns dias, mais ou menos 30 dias. Depois de reler, resolvi escrever para simplesmente desabafar para ver se o nó na garganta se desfaz. Não tem jeito.

O que eu poderia escrever para ajudar é… que minha experiência de vida ensinou que todo mal acaba. Sim, sei que todo bem também acaba, mas para quem está tão mal há tantos anos, não creio que a lembrança do bem esteja presente.

Nesse momento, nesse instante a única recomendação que posso dar é: Paciência. Aguarde e tenha fé, alguma coisa há de acontecer que te tire dessa lama mental…

MM

Eternidade

eternidade

Não é o que o outro diz. Menos ainda o que os outros dizem. Não é o que pensam a seu respeito. Não, nada disso tem importância. O que vale é o que você pensa, o que você sente a respeito de si mesmo.

Essas pessoas, amigos, companheiros, parentes… enfim, todas elas passarão pela sua vida e, pode apostar, a maioria delas nem marcas vai deixar. Sim, estou falando de lembranças. A maioria passa pela sua vida sem nada acrescentar. O tempo da relação não tem a menor importância, o que vale é a intensidade.

Hum… espera um pouco. Não, nem isso tem tanta relevância assim. Já vi, já tive e já soube de relações tão intensas quanto um terremoto de magnitude 8.0 que terminaram em… escombros. Obviamente, na reconstrução as antigas fachadas sequer foram lembradas.

Normalmente é assim quando reconstruímos qualquer coisa: Queremos tudo novo.

Ok, isso não vale muito para a reconstrução da alma, mente, estrutura… em se tratando de pessoas. Já tive amigos muito parecidos com aqueles que se tornaram – por algum motivo – ex amigos. Da mesma forma já me relacionei com “a mesma mulher” diversas vezes, se é que me entendem. A impressão é que sempre tivemos uma só relação na vida. Claro, algumas coisas mudam e para nós, machucados ou não, cansados da pessoa ou apenas sem paciência de tocar o barco em frente, qualquer sinal de “novo” já é suficiente para nos deixar encantados.

Isso vale para todo e qualquer tipo de relação interpessoal. Na infância, o pai ou tio do seu amiguinho são muito mais legais que o seu pai; na adolescência a menina da classe ao lado é muito mais bonita do que as meninas da sua classe, os amigos novos que jogam bem futebol são bem mais legais do que aqueles que não jogavam nada…

Depois de adultos, a coisa continua. Costumo dizer que as mulheres jamais abandonam a quinta série. Vivem brigando entre si por qualquer coisa e se odeiam instantaneamente após se amarem e jurarem amizade eterna. Com os homens a coisa é um pouco diferente, digamos que nunca saímos da sexta série.

Mas no fundo, lá naquele cantinho de nossa mente ou alma, nada disso importa. Não queremos saber o que pensam sobre nós, ou melhor, queremos, mas só levamos em consideração até a página dois. O que importa é o que sentimos. É a nossa relação com o Espelho.

Veja o caso de uma ofensa. Muitas vezes as palavras são direcionadas a nós de modo grave ou nem tanto, mas o que vale é a importância, o peso que nós damos à ofensa. Se estivermos num dia ruim, qualquer coisa nos machuca.

Aparentemente quem te ofende é que sabe o peso das palavras. Tudo bem, isso é uma verdade. Muitas vezes de cabeça quente a agente diz coisas sem pesar. Mas quem quer saber dessa verdade? Ninguém. O que nos importa é o que sentimos e não o que aparentou.

As aparências enganam. Levando isso um pouco mais para o fundo do pires, diria até que os sentimentos se tornaram aparentes: Aparentemente alguém te ama, mas faz tanta coisa ruim para você que é impossível o amor estar presente naquelas atitudes.

Verdade. Quantas vezes já disse, ouviu ou soube de alguém que termina uma relação amorosa e diz: “Eu não amava, pensava que amava”.

A gente só dá valor quando perde? Nem sempre. Há perdas em que são ganhos. Há que se ter uma boa lupa para enxergar a realidade e não a aparência. Pessoas que dizem se amar hoje são aquelas que se matam amanhã. Essa semana soube de duas pessoas (mulheres) que se amaram imediatamente depois de se conhecerem, juraram amizade eterna, se empolgaram e não se desgrudaram até que… poucos meses depois a eternidade chegou. Não podem nem se ver tamanho ódio. O ódio é muito mais fiel do que o amor. Quem odeia sempre vai odiar, quem ama nem sempre vai amar.

Tenho uma máxima para as relações humanas que deveria ser um mantra: “Cuidado: Se não estiverem notando mais sua presença, não notarão sua ausência”.

Eu já disse isso até para funcionários: Não falte porque posso descobrir que você não faz falta.

Você pode se fazer notar de diversas formas. Sendo competente, admirado, desejado. Até mesmo sendo invisível. E é aí que mora o problema. Se você estiver sendo notado por causa da sua invisibilidade, jamais perceberão sua presença.

Deve ser humilhante não ser notado numa relação. Por falar nisso, amar não é sinônimo de humilhar-se. E pode apostar, quem diz que te ama hoje vai tentar te humilhar amanhã. Basta um ou mais probleminhas. Qualquer relação tem a consistência de uma gelatina mole. Não é um pleonasmo, i mean it.

E para piorar, é como você se sente em relação a isso que importa. Muitas vezes quem humilha nem sabe o que está fazendo, ainda que eu duvide disso porque o ser humano é ruim demais.

Quando uma parte da relação se sente assim, pode ter certeza, a reconstrução é necessária. Humilhação é o pior sentimento que alguém pode ter em relação a si. É o fundo do poço porque nada é pior do que parecer que você implora por migalhas. Sei que em algum momento da vida todo mundo já passou ou passará por isso e, pode ter certeza, pelo dois lados, humilhando e sendo humilhado. Não é bom de forma alguma.

Mas quando humilhamos, ainda podemos fazer uso do arrependimento. Quando se é humilhado não. A dor do arrependimento é sempre muito grande, mas não ter opção é bem pior.

Nessas idas e vindas da vida a gente vai notando que as relações humanas estão se tornando descartáveis, superficiais. Parece que aquele amor eterno não tem mais importância. Parece que nada é mais frágil do que um amor eterno.

Na velocidade atual do mundo, a eternidade dura apenas alguns momentos…

MM

Autoestima

Mão

Incrível como a maioria das pessoas tem baixa autoestima. Por que será? Andei pensando sobre isso e depois de muito observar alguns recentes comportamentos – meu inclusive.

Cheguei a conclusão de que aquelas que tem problemas sérios em relação a isso são as que menos realizam coisas.

A realização está completamente ligada à autoestima. Quem realiza menos, quem faz menos, quem produz menos tem autoestima baixa.

Se quiser um exemplo te dou, ainda que não faça a menor ideia de quem você seja:

Pare aí uns dez minutos e pense nas suas últimas realizações. Vale qualquer coisa. Um projeto de trabalho, uma missão auto-imposta, um objetivo alcançado, enfim, qualquer coisa mesmo. Tente se lembrar como estava se sentindo durante o processo e imediatamente após a conclusão do mesmo.

Agora faça o exercício de modo inverso. Tente se lembrar da sua sensação quando passou um determinado tempo sem fazer absolutamente nada de relevante. Não estou dizendo aqui que relevante seria publicar um livro para ganhar o prêmio Nobel de Literatura. Estou falando relevante no sentido pessoal. Algo que tenha significado para você e não para essa gente tola que vive só para infernizar você e te deixar para baixo.

Eu tenho visto por aí uma porção de pessoas com problemas psicológicos que seriam facilmente resolvidos com alguma tarefa. Quando as pessoas se sentem úteis ela melhoram. Pelo amor de Deus, não estou falando aqui para você se tornar aquela pessoa estúpida das redes sociais que vivem para mostrar o quanto são boas e bem resolvidas.

Estou falando em sentimentos puros, sinceros e íntimos, não daqueles “sentimentos” que todos querem mostrar ao mundo. Acorda!!! Ninguém está nem aí para você!

Autoestima é auto explicativo. É de você para você. O resto, ou seja, a relação do mundo lá fora para com você é estima. Preciso desenhar? Não? Ótimo!

Eu ando me sentindo um inútil. Provável porque esteja há tanto tempo sem fazer nada. Sou ligado no 220 e ficar sem fazer nada para mim é a visão do inferno. De uns tempo para cá resolvi que preciso buscar alguma coisa, qualquer coisa. Não está fácil, mas mudo minha visão de mim mesmo quando estou buscando algo.

Lembrando que não me importo com o que os outros pensam. Minha máxima é: O que os outros pensam sobre mim é problema deles e não meu. Sigo isso a risca.

Lá no meu íntimo é que me sinto inútil. Lá na frente do meu espelho é que questiono minhas escolhas passadas que me trouxeram a este presente. É o que NÃO estou fazendo agora que vai me levar ao futuro. Fico a imaginar quão negro ele será se as coisas não forem alteradas.

Tenho certeza de que você aí do outro lado passa por isso. Se o resultado do exercício que propus for o que imagino, mexa-se. Sempre dá tempo de fazer alguma coisa que vai acarretar na melhora de sua autoestima.

Faça!

MM

No Que Você Acredita?

Acreditar

Nessa época do ano, época de renovar esperanças, crenças, época de fazer promessas que jamais serão cumpridas, época de fazer aquele balanço do ano que termina, época de pensar na vida indo um pouco mais para trás e rever sua trajetória… enfim, época de fazer perguntas e tentar achar respostas, a gente fica um tanto quanto mais sensível. Sensível no mais amplo sentido da palavra, sensível no sentido de sentir mais profundamente as coisas.

Não sei bem se por causa disso ou seja á por qual motivo, eu acordei com uma pergunta que me tirou o sono, literalmente.

Me levantei muito cedo e fui ao banheiro como de costume, escovei os dentes, lavei o rosto e quando me enxugava olhei minha imagem no espelho, meu velho, leal e bom amigo. Percebi um rosto cansado, um olhar profundamente preocupado… não, não é essa a palavra. Percebi um olhar triste? Talvez um pouco, mas ainda não é isso. Já sei. Era um olhar descrente. Nem sei se isso existe, mas foi isso que vi hoje cedo. Daí que surgiu a pergunta que fiz diante da imagem no espelho:

– No que você acredita?

Todo mundo acredita em alguma coisa. Ou melhor, todo mundo acredita em muita coisa. Numa época do ano que fazemos milhares de listas referentes ao ano novo, questionei por que é que não fazemos essas listas no decorrer do ano também. Por que não dizer durante a vida. Meu raciocínio lógico, insuportável de vez em quando, me fez pensar então: Já que temos lista, por que não fazer um cheklist?

Fiquei diante da minha imagem algum tempo. Fui me perguntando no que eu acredito hoje, no que já acreditei durante a vida e ainda vou acreditar lá na frente. As perguntas sem ordem, muitas sem nexo, começaram a surgir na mente de forma descontrolada. Como se tivesse aberto uma porteira e a boiada tenha se percebido livre. Fiz perguntas a mim, fiz perguntas soltas, fiz perguntas a quem nem conheço, como você aí do outro lado. Apenas deixei a mente fluir… algo como uma brainstorm.

Você acredita no amor verdadeiro? Ora, se sim, pressupõe-se que acredite no amor falso, o que nem seria amor. Você acredita em Deus? Já acreditou? Ainda vai dar uma chance a Ele no futuro? E nas amizades, acredita? Acha que são eternas? Sinceras? Absolutamente imaculadas? Sem qualquer tipo de interesse? Acredita, como eu já acreditei um dia, que as relações amorosas entre amantes são 100% boas? E no casamento, você acredita ou acha que “ele” é uma instituição falida como dizem por aí?

Que tal essa pergunta: Você acredita que trocar de parceiro amoroso vai eliminar todos os seus problemas? E as pessoas esperançosas que colocam a “culpa” pela sua infelicidade na falta de um amor, será que elas de verdade acreditam que conseguir um namorado vai mesmo fazê-las alcançar a felicidade como num passe de mágica? Acredita nas promessas e juras de amor que te fazem? Quantas vezes já te disseram que você era ou é o amor da vida da outra pessoa? Você acreditou ou acredita que seja? Quantas vezes você já disse isso para alguém. Será que acreditaram em você? E você, acreditou mesmo nas suas próprias palavras ou sabia que estava falando apenas o que o outro queria ouvir? Acredita quando te fazem uma jura de amor eterno? Quantas pessoas já juraram que te amariam para sempre? O que houve com o “sempre”, não durou? Pior, depois que aquela “relação pra vida toda acabou”, você continuou acreditando que perdeu o grande amor da sua vida? Não seria mais fácil acreditar naquilo que eu acredito quando falo que o amor da vida é aquele com quem estamos agora?

Acredita em promessas de ano novo? E nas promessas de um modo geral, acredita? Acha mesmo que fazer uma promessa vai te ajudar a conseguir o que deseja? O que será que é uma promessa, afinal? Uma barganha com Deus ou com o Santo que você é devoto? Você deseja coisas impossíveis de se alcançar a ponto de ter que fazer uma promessa? O que espera em troca, um milagre? Por falar nisso, você acredita em milagres?

Afinal de contas, você acredita em você? Acredita em promessas que faz a você mesmo? E quando os outros te prometem algo, acredita? Acredita ser capaz de realizar o que realmente deseja? Acredita que pode obter o que quer sem precisar recorrer às promessas? Foi capaz de fazer uma lista de coisas a realizar e não de desejos, como propus em outro texto de final de ano há algum tempo atrás? É capaz de fazer uma lista de realizações e não apenas de seus de desejos superficiais? Acredita ser merecedor do que deseja?

Acredita que pedir te dá automaticamente o direito de obter? Acredita que desejar é suficiente para conseguir? Acredita que fazer sempre as mesmas coisas vai produzir resultados diferentes? Acredita que depois de plantar laranjas colherá maçãs?

E sobre essa lista de promessas, resoluções de ano novo, pedidos, enfim, essa lista que está fazendo por escrito ou mentalmente para o ano de 2015, acredita que vai mesmo conseguir tudo de mão beijada? O que realmente pretende fazer para realizar? Acreditar que vai conseguir será o bastante?

Em suma, consegue ser sincero consigo mesmo a ponto de responder no que você acredita?

MM

O Que Realmente Importa…

Passado

Depois de certa idade é natural que a gente, ainda que não mude completamente, divida o olhar. Claro que refletir sobre a idade que se tem, ou melhor, dar aquela paradinha no dia do aniversário para analisar as coisas é sempre necessário, afinal, um ano ou novo ciclo se encerra e outro começa nesse dia.

E o que é dividir o olhar? Bem, a gente sabe que passa boa parte da vida olhando para frente, pelo menos é o normal e o que deveríamos fazer. Mas, como disse, depois de certo tempo é normal também que olhemos para trás. Não se trata de morbidez ou pessimismo, apenas de realismo: Independente da idade que temos, estamos mais perto do fim do que do começo. Só saberemos depois de morrer se isso era uma verdade. Mais importante do que isso é que pensar dessa forma nos faz agir.

Eu sempre fiz um exercício ao longo da vida. Sempre me preocupei em olhar para trás para verificar o que havia deixado lá. Obviamente que é inevitável se fazer aquela analise super chata de constatar que todas as escolhas tiveram as conseqüências que tiveram. É justo e a única lei da vida que devemos levar em conta sem tentar burlar como tentamos com as leis dos homens: A gente colhe aquilo que planta. Em outras palavras, são as escolhas do passado que nos trouxeram até este presente.

Quando olho para o meu passado, dou um leve sorriso. Mais ou menos como se sentisse um prazer físico e mental. Eu digo com todas as letras: Fiz praticamente tudo o que queria ter feito.

Do mesmo modo, sendo altamente crítico como sou também vejo que fiz uma porção de escolhas erradas. Algumas me fizeram bater na parede, outras tive que rebolar para redesenhar meu caminho.

Proporcionalmente diria que fiz uns 70% de escolhas certas contra 30% de erradas. Acho que é um excelente número. Para não estragar essa performance, deixemos de lado os pesos das erradas. Algumas ainda doem.

De um modo geral é bom constatar que tive um passado bem variado. Vejo – e por que não dizer analiso – a vida dos outros e percebo que o passado dessa gente foi pobre. Pior, vejo amigos mais novos do que eu construindo um presente sem sal nem açúcar. A pobreza a que me refiro é de vivência. É uma pobreza de experiências. Fico chateado quando vejo essas coisas, mas como disse no texto anterior, não tenho nada a ver com isso.

Claro que quando a gente fala em experiência de vida logo associamos aos idosos. Bem, ainda não sou tecnicamente considerado um idoso. Entretanto, tampouco deixei de analisar minhas experiências passadas quando tinha 30 anos. Sempre achei que a vida era curta. Sinceramente, nunca achei que fosse viver até minha idade atual. Pensando assim, eu tinha que ter pressa para realizar uma porção de coisas que sonhava. E quantas foram essas coisas…

O que importa nessa vida é isso, só isso. Olhar para trás e poder enxergar um passado rico em vivência, experiências, pois é uma verdade absoluta que o que realmente importa para ser feliz não é a conquista, é a busca pela realização dos sonhos. Falando de outro modo, o que importa é a jornada!

Já fui um tolo que caiu em depressão dez anos atrás porque achava que já havia realizado tudo. Que não tinha mais sonhos. O que parecia ser verdade dentro da realidade de uma mente doente. Mas é porque eu levava em conta que os sonhos tinham que ser grandiosos. Bobagem.

Sonho não tem tamanho, tem intensidade.

MM

Intrometidos Indesejados

bla-bla-bla

A gente tem a mania de se meter na vida dos outros. Os outros têm a mania de se meter em nossas vidas. Há, como eu, pessoas que são pagas para fazer isso. Sim, como Coach, me pagam para dar palpites. Deixando o profissionalismo de lado, por que será que as pessoas acham, nós inclusive, que têm o direito de se meter em nossas vidas?

A resposta é simples: Porque deixamos.

Sim, vamos analisar isso sob o ponto de vista da primeira pessoa. Nós permitimos que os outros se metam aonde não foram chamados. O que significa dizer que só nos metemos porque alguém permite. Engraçado é não enxergar isso. Triste é reclamar disso.

Pois é, aí quando dizemos a alguém aquela frase que, em minha opinião, deveria ser dita todos os dias para um monte de gente, nos chamam de mal educados. Mal educado é quem se protege ou quem invade? Mais uma vez a inversão de valores aparece em nosso Ego Sistema. Ah, a que frase me refiro? Essa: Você não tem nada a ver com isso.

Claro, há variações, mas basicamente é isso. Obviamente você não deve sair por aí dizendo isso o tempo todo, pois a sociedade o isolaria e você seria o único certo a viver no mundo dos errados. Verdade, é o que penso… cada vez mais as pessoas vivem num mundo completamente errado achando ser o certo. Vale pensar um pouco nisso, não vale?

Muito bem, façamos um exercício simples, daqueles imaginários já que se o fizermos no mundo real seremos punidos. Que tal você pensar nessa frase – Você não tem nada a ver com isso – todas as vezes em que… bem, todas as vezes em que quiser ou achar necessário. Tenho absoluta certeza de que pensará nela – e terá vontade de usá-la – mais de dez vezes por dia.

Esse tipo de assunto é intrigante. Passa pela pretensão chagando à beira da insanidade. Todo mundo tem sempre a solução para a vida do outro. Normalmente não sem importam com a própria vida, não buscam as soluções adequadas para seus problemas ou angústias, mas sabem como ninguém a melhor maneira de resolver o dilema alheio.

Sei bem o que estou falando, eu mesmo faço isso – cada vez menos, é verdade – quase o tempo todo. Dou pitacos em todas as situações que vejo, percebo, leio, enfim, sempre tenho a solução para a vida do outro. Normalmente a solução é simples, afinal, estou olhando de fora a situação. Tolice. Quem está dentro do problema normalmente está envolvido emocionalmente até o pescoço, natural que não enxergue com clareza o fim do túnel.

Isentado-me de toda a culpa, falo em meu favor que a culpa é do outro por permitir que eu dê palpites. Ainda que ultimamente eu tenha feito isso no silêncio dos meus pensamentos. É uma delícia meter o pau na vida dos outros sem que eles saibam. Ok, ok, mea culpa, mas não seja injusto, você também faz isso, não?

Continuando, talvez – ou provável – que se alguém dissesse a mim a tal frase, eu concordaria que não tenho nada a ver com isso, enfiaria a viola no saco e sairia de perto.

Já o inverso eu pratico com afinco. Normalmente falo a frase para quem se mete em minha vida. Muitas vezes educadamente, outras nem tanto, mas é fato que costumo dizer em tom indignado algo parecido com… E isso te diz respeito porque mesmo…?

Invariavelmente as pessoas me punem por ser tão direto. Objetividade, sinceridade e verdade são coisas em desuso. Aliás, melhor dizendo, as pessoas simplesmente odeiam esses conceitos que parecem abstratos e subjetivos, conceitos mal educados e de gente grossa.

De qualquer forma, vale o exercício que propus acima. Se puder me meter em sua vida e palpitar, diria até que vale praticar um pouco para ver a reação das pessoas. É, no mínimo, divertido.

Mas o principal motivo desse texto aqui é propor outro exercício: Que tal olhar mais para um espelho do que para a vida dos outros?

MM

Dividir para Somar?

pais-dividido

Ser humano é um bicho engraçado. Sim, bicho. Você sabe tanto quanto eu que a experiência não deu muito certo. Pode negar, mas no fundo sabe a verdade.

Nesses dias o que mais se viu foi a intolerância nas redes sociais. Essas eleições mexeram com o povo de uma forma nunca antes vista. Toda discussão é saudável, pois é discutindo que se produz conhecimento. Eu disse discutindo, não brigando.

Sim, eu sei, é difícil não brigar quando somos provocados, mas sinceramente, brigar por causa de pessoas como Dilma e Aécio é o fim da picada.

Pior que isso é essa imbecilidade sem precedentes que agora cresce nas redes, a tal divisão do Brasil entre Norte e Sul. Outra bobagem é esse abaixo assinado que corre por aí pedindo o Impeachment da Dilma. Baseado em nada, simplesmente porque os derrotados nas urnas querem.

Vou deixar claro que votaria em Aécio. Eu odeio o PT com todas as minhas forças desde o seu nascimento. Odeio bandidos e vagabundos de um modo geral e vejo em Lula o simbolismo máximo da vagabundagem, afinal, ele nunca trabalhou na vida. Dito isso, sigo em frente…

Se o país está dividido, falar em diálogo entre as partes agora me parece oportunismo pelo lado petista e insanidade pelo lado de Aécio. Não tem que haver diálogo coisa alguma. Tem que haver é oposição ferrenha, pois se o PT tivesse perdido, coitado do Aécio, sofreria quatro anos de ataques insanos.

Sou da opinião de que o Brasil tem que quebrar. As pessoas têm que sofrer muito para crescer. O Brasil não sofre, o Brasil se diverte com a desgraça. Faz piada. Daqui a uns meses chega o Carnaval e tudo se esquece. As manifestações do ano passado provam isso. O tal Gigante continua dormindo. Quem acreditou que o povo nas ruas mudaria o país não passa de um tolo.

E à turma que perdeu cabe fiscalizar, cobrar, tentar enxergar as verdadeiras ideologias por trás de cada candidato que pede seu voto. Não cabe fazer birra como estão fazendo.

A solução não é dividir o país. No Brasil as coisas são decididas assim e não dão certo desde… 1500. Quando surge um buraco numa estrada o Brasil a fecha, não conserta o problema. Isso é solução madura?

Já venho dizendo aqui faz tempo que há uma infantilização da sociedade. Provas disso não faltam. Fazer birrinha, dividir o país, dizer que os nordestinos são culpados, isso tudo é coisa de gente sem argumento. Não sabe construir? Então fique quieto e não destrua mais ainda.

O país vai quebrar sim, teremos 4 anos tenebrosos pela frente. O que precisamos é pensar e não agir destemperadamente. Sou contra o PT, sou contra Dilma e odeio o Lula. Mas não penso em sair por aí pregando divisão de um país. Acho que nesse momento não se deve ter união também, pois entendo que gente que não pensa precisa sofrer, já que não consegue discernir entre o bem e o mal.

Aceito críticas de petistas sobre o PSDB, também não gosto deles e não acho que o Aécio seria o Salvador da Pátria ou que Fernando Henrique esteja acima do bem e do mal. Pelo contrário, fui um crítico ferrenho dele durante 8 anos. Eu odeio comunistas e acho que essa gente é melancia demais para o meu gosto.

O momento agora é de reflexão e não de divisão ou diálogo. Temos que esperar pra ver, deixar a água passar por debaixo da ponte. Saber perder é uma arte. Assim como saber ganhar. Eu fiquei muito bravo com a vitória de Dilma, mas jamais pregaria contra um povo que faz parte da mesma nação. Aliás, será mesmo que alguém sabe o que significa uma nação? E democracia? Sabem? Acham mesmo que democracia é apenas o direito a voto? Lembrando que no Brasil nem direito é, em nosso caso é uma obrigação. Talvez isso explique a abstenção…

Só para dar uma satisfação aos eventuais petistas que me lêem…

Eu odeio o PT pelo simples fato de que eles não aceitam ser criticados. Simples assim. E eu sou o autor da frase que não existe opinião certa ou errada, existe apenas opinião diferente. Ah, claro, existem os fatos também… e baseio meu ódio nisso, em fatos.

MM

A Vitimização a Serviço da Autoestima

Benjamin

Há uma nova modinha comportamental em curso: O Coitadismo. Até candidatos a presidência estão fazendo uso. É uma estrada sem volta, afinal, o coitadismo funciona desde que o mundo é mundo. Só entrou na moda agora, mas é bem antigo.

Ser coitadinho é bem visto pelos humanos. Essa gente que não serve para nada, que tem medo da vida, que não se prepara para qualquer tipo de perda, enfim, os fracos, sempre conseguem algo como recompensa pelo seu sofrimento. Antes que algum mala de plantão me ofenda, não estou falando dos que realmente sofrem por algo sério, estou falando sobre os que se pintam de sofredores. Se você não souber a diferença, analise melhor sua timeline.

Eles sempre fizeram de tudo para chamar atenção. Mas de uns tempos pra cá, graças à tecnologia, surgiu uma porção de plataformas para eles chamarem ainda mais a atenção. Twitter e Facebook são ferramentas poderosas. O Facebook é o melhor, afinal, dá pra se medir instantaneamente se a vitimização está funcionando. De acordo com os “likes” e comentários de apoio moral, pode se ter uma idéia de quantas pessoas foram atingidas e se solidarizaram com aquele seu sofrimento para inglês ver. Sim, acho que a esmagadora maioria finge para chamar atenção. São doentes que têm medo de se tratar.

Cheguei a essa conclusão analisando as pessoas e não apenas a dor exposta. Quem coloca isso normalmente é carente, tem problemas sérios de autoestima e espera que os comentários dos seus posts levantem o que é só seu. Calma, explico…

Autoestima é algo pessoal, só pessoal. Quem tem que fazer força para levantá-la quando ela está baixa é a própria pessoa e não os outros. Até porque, convenhamos, ainda que fosse no meio da rua e diante de um desconhecido, quando vemos uma pessoa chorando, logo tentamos imaginar sua dor e, por vezes, tentamos nos solidarizar oferecendo alguma ajuda. Imagine se for um amigo, ainda que amigo de Facebook… é óbvio que nossa primeira reação é tentar levantar o astral do coitadinho.

Mas isso basta? Não. Ajuda? Também não. Uma pessoa que vive sendo amparada pelos outros acaba por se acostumar a esse comportamento infantil: Já que sempre haverá alguém para me confortar, para que vou me esforçar para cuidar de mim?

Pois é. Passar a mão na cabeça dos outros nunca ajudou. Se ajudou, foi num primeiro momento para estancar qualquer crise, mas a médio prazo, só atrapalha. Você ajuda e alimenta a fraqueza, a falta de reação, o conformismo.

As pessoas hoje em dia têm uma necessidade doentia de chamar atenção. Fazendo isso, entendem, se sentirão queridas e aceitas. Parece que todo mundo ama ser chamado de coitado. O que no passado era uma ofensa, hoje parece ser um estado de espírito a ser alcançado. Não sei por que é que as pessoas estão cada vez mais fracas. Mas faço uma idéia.

Baseados na premissa da proteção, todo mundo se mobiliza para defender as minorias. As minorias, safadas em sua maioria, usam e abusam. Sabe criança quando testa o limite dos pais? Então, é basicamente isso, quando mais cedermos, mais abusam.

A verdade é que lidar com a realidade dói, eu sei. Mas se conhecer profundamente é a busca que deveria motivar a todos. Mas não, ninguém quer lidar com a realidade, a verdade. As pessoas preferem se fazer de coitadinhas em vez de ir à luta. São mesmo fracos.

Diria até que são infantis. Há de fato uma infantilização da sociedade, principalmente entre os mais jovens, entre os 15 e 25 anos, mas não só eles, pelo contrário. Talvez eles sejam infantis porque seus pais os criaram assim, sem permitir que eles se defendam e cresçam. E se os pais os criaram assim, provável que toquem suas vidas “adultas” do mesmo modo.

Quantas brincadeiras já vimos nas redes sociais a respeito de nos tornarmos adultos. Uns falam que isso dói, outro dizem que isso cansa… não é brincadeira de criança, quem diz isso é adulto faz tempo. Acham de verdade que o mundo deveria ser cor de rosa. Ignoram a realidade.

É triste constatar que as pessoas estão cada vez mais fracas numa sociedade que exige cada vez mais força.

MM

Depressão

depressao

Não é uma doença silenciosa, tampouco barulhenta. Atinge em cheio a pessoa, a derruba e a mata, ainda que a deixe viva. Em muitos casos, nossa mente doente faz chantagem dizendo coisas como… Ou você se mata ou viverá comigo para sempre.

Cura? Não tem. Por mais que especialista digam que sim, é mentira, eles falam isso para dar força ao paciente. No filme A Ponte (The Bridge), um documentário sobre pessoas que se jogam da famosa ponte em São Francisco, California, o pai de um suicida definiu a doença como: O Câncer da Alma. Não existe definição melhor.

Semana passada vimos a da morte de Robin Williams. Sempre soube a respeito de sua doença e cheguei a conclusão de que ele não se matou, se libertou. Talvez por isso mencionei que nossa mente nos chantageia dizendo para escolher entre morrer ou viver deprimido.

Não há cura, há que se viver doente para sempre. O que se consegue é minimizar seus efeitos. Mais ou menos como o alcoolismo, se você beber… fica doente novamente. Já escrevi sobre isso por aqui.

O grande enigma é descobrir o que dispara o gatilho. No alcoolismo é o primeiro gole o inimigo. E na depressão, qual é esse gole? Gole de que? Ainda que seja uma doença, o alcoolismo é antes de tudo uma escolha. Você procura o primeiro gole e adoece novamente. E a depressão? A gente que escolhe ou ela simplesmente surge, se manifesta sem que a queiramos por perto?

Claro que ninguém quer cair em depressão. Ninguém quer, mas não conseguimos evitar. Séries incontáveis de fatores e absolutamente individuais nos levam por esse caminho. E isso acontece cada vez mais. Milhares de pessoas caem em depressão todos os dias. É o mal do século. Poucos serão os humanos que escaparão dessa doença ao longo da vida.

E se não há cura, como lidar com isso? Pois é, aí é que está a questão: Lidar com isso. Aprender a viver com ela. Saber que ela existe, mas desprezá-la para que ela não te derrube. Claro, em teoria é tudo lindo. Quero ver na prática.

Pois o grande X da questão está em descobrir o tal gatilho, o que dispara a angústia que te tira o chão e… tentará te tirar a vida, ainda que você permaneça por aqui e não aja radicalmente como o famoso e corajoso ator. Eu respeito a coragem de um suicida. Só gostaria de vê-los usar essa mesma coragem para enfrentar a doença, eu disse enfrentar e não vencer. No meu ponto de vista, é assim que se lida com ela. Mais ou menos como uma briga com alguém maior do que você. Se você não reagir, ele te bate. Se você reagir, ele pode até te bater, afinal, é mais forte, mas ele pensará duas vezes, afinal, ele pode apanhar e perder… Talvez ele recue. Ou melhor, é provável que ele recue e te deixe em paz.

Bem, posso falar de carteirinha sobre depressão. Já passei por isso, já tive recaída mais de uma vez e também já ajudei muita gente a lidar com essa doença devastadora.

Vamos para a prática então. Chega de teorias.

Os sintomas são conhecidos, há por aí farta literatura explicando-os. A grande pegadinha para detectar essa doença é perceber, ao menor sinal, se o seu cotidiano, a sua rotina está sendo afetada por ela. Veja, note que há uma imensa diferença entre depressão e tristeza profunda. A grosso modo, a tristeza te deixa amuado, sensível, cabisbaixo. A depressão te deixa sem vontade de enxergar o dia seguinte.

Como disse, não se trata de uma doença silenciosa como pensam tantos. Nada disso. Ela fala com você, ela chega até a te fazer pedir socorro, ainda que de forma branda. Não hesite em solicitar ajuda. Não é vergonha alguma sofrer desse mal, ainda que muitos idiotas chamem isso de frescura.

Eu aprendi a lidar com a depressão sozinho. Cheguei a tentar ajuda profissional, mas não consegui eco na exposição de minhas angústias. Falava ao vento. Nada mais individual do que um indivíduo, não é? Sim, é óbvio, mas poucos enxergam o óbvio.

Tentei me ajudar porque sou autodidata em tudo o que faço, portanto, foi o melhor caminho que encontrei. Pode servir ou não a você, mas serviu a mim. Fiz inúmeros exercícios de reflexão e até mesmo alguns práticos. As conversas diante do espelho foram essenciais, talvez por isso eu pratico tanto nas minhas aplicações de Coaching.

Ajuda muito enumerar os “por quês” e os “pra quês”. Se perguntar mesmo os motivos de se sentir desse ou daquele jeito. Descobrir, com vontade e coragem, se faz ou não algum sentido ser influenciado pelas angústias e medos dessa forma.

Ajuda mais ainda ter consciência de que não há cura. Nos dias de hoje a gente está sempre procurando um botão para apertar e temos a esperança de que tudo o que está errado se acerte instantaneamente. Isso não existe. Tudo nessa vida é um processo. No caso da depressão é a mesma coisa, é um processo lidar com ela. Uma utopia tentar eliminá-la.

O fato de conviver com um inimigo que esteja tão perto não significa que ele vai derrotá-lo. Pense no lado positivo da coisa: Se você pode ver seu inimigo, você pode controlar seus passos e se preparar para seu ataque. Ele jamais vai ter surpreender.

MM

Lugar Certo

Escolhas

Falo tanto que certo e errado não existem… falo tanto ou até mais que o que importa é o melhor e não o mais fácil que andei pensando sobre isso. Existe certo ou errado sim. Em relação a “lugares”, pelo menos. Por que ente aspas? Bom, porque não quero falar apenas em lugares físicos, geográficos, além disso, quero fazer uma relação com a mente, pensamentos e sentimentos.

Você aí do outro lado, já se sentiu no lugar errado, na hora errada? Ou na hora certa no lugar certo? Claro que há também o lugar certo na hora errada ou lugar errado na hora certa… Pois é, para variar um pouquinho estou escrevendo o que me vem à mente sem censuras. Ou melhor, sem filtro. Natural que as bobagens como brincar com as palavras apareçam.

Acho que nossos Egos vivem, a maior parte do tempo, fora do lugar. Tudo bem, não posso e nem quero generalizar, mas tenho percebido isso ao longo do tempo. As pessoas se sentem cada vez mais onde não queriam estar e pior, meio que fora do tempo, como se vivessem uma realidade e sonhassem com outra.

Creio que todo mundo já se sentiu assim algumas vezes, tipo, fora do lugar no tempo e no espaço. Difícil lidar com isso. Bom, sejamos justos, difícil lidar com quase todas as questões da vida.

Tem um ditado popular, meio besta e machista até, que diz assim: “A grama do vizinho é sempre mais verde”. Claro, ele se refere à mulher do vizinho, querendo dizer que a mulher dos outros é sempre melhor do que as nossas. Bobagem, mas talvez possa usar para tentar explicar nossa insatisfação em relação a esse sentimento de que estamos sempre fora do lugar.

Em psicologia usa-se um termo muito abrangente e subjetivo – aliás, como quase tudo nessa ciência – que é o… ajustamento. Esse termo é usado para ajustar Egos em diversas e amplas situações, inclusive para a necessidade das pessoas se ajustarem ao meio em que vivem. Vamos esquecer a abrangência desse termo, vamos sair do macro pensamento para o micro.

Para muitos o ajustamento pode significar sabedoria, maturidade, conhecimento de si mesmo, etc. Para outros, talvez para os que estejam sofrendo com o fato de se sentirem no lugar errado, pode significar conformismo. E aí, qual será o certo? Pois é, como é difícil responder a essa pergunta uma vez que cada um, cada ser, cada indivíduo dá seus próprios, portanto únicos, significados a seus sentimentos e percepções.

Também não sei responder o que é certo ou errado nessa questão acima. O que sei é que se você se sente um peixe fora d’água pode e deve fazer algo para mudar esse quadro negativo. Isso sim tem uma abrangência palpável porque serve para qualquer situação ou área de sua vida.

Esse negócio de se sentir no lugar errado começa pequeno e vai crescendo porque nada alimenta mais uma angústia do que a velha e boa insatisfação. É como alimentar um monstro que vai te comer depois de um tempo. De fato, uma pequena angústia, ao longo de um tempo sem ação para combatê-la, vai consumir suas energias reativas.

Óbvio que não estou falando aqui para você reagir a cada vez que se sentir fora de contexto, digamos assim. Na verdade estou dizendo que devemos prestar atenção nesses pequenos sinais para que eles não se tornem situações irreversíveis. Ou melhor, tudo na vida é reversível, mas a gente sempre arruma uma desculpinha para não mudar a vida quando a coisa já cresceu demais, ou quando o tempo passou. Um exemplo: Pessoas que se sentem fora de um casamento, mesmo estando nele há anos. Normalmente não tomam atitude alguma usando o tempo da relação e os filhos como desculpa. Ah, não preciso explicar, você aí do outro lado sabe muito bem do que estou falando.

Num caso desses é preciso ficar atento aos pequenos e preliminares sinais para que o monstro não seja alimentado e você não consiga mais controlá-lo. Vale para círculos de amizade, trabalho, família, enfim, como disse, vale para tudo.

Como disse, não saia por aí mudando tudo logo no primeiro sinal de alerta. Sinais existem para serem detectados e levados a sério, entretanto, eles devem ser analisados com o máximo de isenção possível, afinal, estamos falando aqui da sua vida, ou seja, do que há de mais importante para você. Qualquer mudança que se fizer necessária deve ser feita com planejamento e olhando sempre os dois lados da moeda.

Não dizem por aí que a vida é feita de escolhas? Pois bem, toda escolha tem uma conseqüência e a idéia é que a conseqüência seja sempre um lugar melhor do que o atual.

Porque escrevi isso? Porque ao longo de 53 anos, poucas vezes me senti no lugar certo e na hora certa. Agora, nesse momento em que fiz uma radical mudança em minha vida, sinto-me no lugar certo, no tempo certo e cercado das pessoas que realmente importam. Se minha escolha foi certa ou errada, só vou poder analisar daqui a um tempo, mas a sensação de que tudo está em pleno acordo com minha essência e sentimentos é indescritível. Percebam que não falo apenas porque estou fisicamente onde queria estar. Isso é o que menos importa. Falo de algo mais profundo, falo de uma percepção que está mantendo minha mente mais tranqüila.

Certa ou errada, no mínimo minha escolha terá valido à pena pela experiência adquirida. O que, convenhamos, são as melhores coisas da vida: Experimentar, ousar, mudar…

MM

Ter Razão ou Ser Feliz?

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Você já deve ter lido em alguma rede social a pergunta: Você prefere ser feliz ou ter razão?

Parece uma obsessão dessa gente metida a politicamente correta ou metida a superior. Eu, no alto da minha ignorância funcional, queria saber por que é que esse povo insiste nisso. Alguém pode me dizer quando e por que alguém decidiu que Felicidade e Razão são coisas antagônicas? Não podemos ter razão e ser feliz, é isso mesmo que eles acreditam? Ah, não é nada disso e sim algo sobre… “não querer ter razão em uma discussão para não provocar a infelicidade…” Será que é por aí? Ainda assim, não faz o menor sentido na minha mente perturbada.

Pois é, se esse povo soubesse que é justamente a discussão que provoca conhecimento… mas não sabem. Ignoram os conceitos e significados corretos e se utilizam de bobagens a fim de parecerem seres bons e superiores, como disse acima. São de fato superiores, absolutamente superiores, no quesito ignorância.

Esse… Ser Feliz ou Ter Razão é ridículo. Parece coisa de gente que quer forçar a barra para que todo mundo nao discuta mais. Como se toda discussão levasse a uma briga. Sim, sei que muitas vezes leva, afinal, quem é que tem bom senso para entender que não existe opinião errada, apenas diferente.

O que está acontecendo é que a sociedade está ficando boba. Boba de abobalhada mesmo. Ter opinião diferente da sua significa preconceito, radicalismo e tantas outras coisas que farão de você um ser inferior. Os mais fracos, acabam sucumbindo a esse julgamento sem sentido e adotam a postura passiva que é o que mais temos visto por aí. Passividade em tudo. Por que? Porque não há mais gente disposta a bancar o que realmente pensa. Não há mais gente corajosa a ponto de enfrentar a trupe dos politicamente corretos, que, como arma, só tem a hipocrisia. E como essa arma é letal. Está tomando conta de mais de uma geração.

Todo mundo abrindo mão de sua opinião. Claro, se você não exercita, vai acabar ficando sem. Todo mundo abrindo mão de pensar, apenas seguem o que os outros fazem sem sequer questionar se aquilo é coerente com seus valores e pensamentos mais íntimos. Abrir mão de tudo parece ser a modinha do momento. Por isso estão se tornando alienados. Em todos os sentidos. Não há mais valores. Ou melhor, há sim, mas eles estão invertidos.

Minha ex-terapeuta certa vez me disse que eu me incomodava com a vida e com as pessoas porque não percebia que havia – e há – uma “Infantilização da Sociedade”. Dito isso, fiquei mais ou menos uns 20 minutos em silêncio até que a sessão se encerrou. Antes de sair da sala, eu falei: “Essa infantilização está levando à idiotização e acho que é isso o que me incomoda, a minha idiotização e a das pessoas”. Isso foi há longos 8 anos atrás. De lá para cá, a coisa só piorou. As redes sociais não têm culpa não. Elas só apareceram na vida das pessoas dando a elas a oportunidade de se mostrarem. Um show de horrores em sua maioria.

Retomando, é meio por aí. As pessoas estão cada vez mais infantis. Duvido que alguém discorde disso. A idiotização também me parece que veio para ficar. Dou exemplos: Ser hipócrita como os Politicamente Corretos é ser idiota; querer vender a imagem de certinho e feliz nas redes sociais é outra idiotice sem tamanho; abrir mão de uma discussão – que de fato leva à produção de conhecimento – me parece outra coisa de idiotas.

Não estou aqui dizendo que devemos brigar para ter razão a qualquer preço, não é isso. Estou dizendo com todas as letras que a pergunta inicial é descabida, tola, burra e idiota. A felicidade não pode e nem deve entrar em qualquer questão. Felicidade é como a religião deveria ser: Algo pessoal, intransferível e jamais compartilhada.

A gente compartilha momentos de felicidade com outras pessoas, é claro, mas sensação é única e individual. Está claro isso?

O que me deixa feliz é ter razão.

Calma, é só uma brincadeira com as palavras. O que me deixa feliz é fazer exatamente o que defini em um dos meus livros quando expliquei o que era felicidade para mim. Lá eu disse que a felicidade está na busca e não na conquista.

Em outras palavras, felicidade para mim é a jornada e que ela seja sempre muito intensa. Independente de ter ou não razão.

Se tem dúvida, faça o teste. Pegue aí uma bela conquista de sua vida e a analise do começo ao fim. Talvez perceba que foi durante o processo que você se sentiu realmente feliz…

A verdade é que a sociedade se tornou um bando do que chamo de Macacos de Repetição. Alguém inventa uma bobagem como essa de… Ser Feliz ou Ter Razão e todo mundo repete, compartilha a exaustão até que se torne uma verdade absoluta. Repetem coisas sem sentido e nem se dão o trabalho de questionar se faz ou não algum sentido.

A pergunta certa deveria ser: Onde é que essa sociedade vai parar? Mas quem é que está realmente preocupado com o que ensinamos aos nossos filhos, não é mesmo? Se é isso que buscam, que sejam felizes assim, alienados e sem razão alguma.

MM

Tolerância

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Não sei quando é que o caldo entornou, pois temos a intolerância presente em todas as pessoas o tempo todo. Também não se trata de aceitar tudo e engolir sapos, creio que escrevo aqui para pessoas que têm bom senso. Limite é limite e temos que respeitar. Só que o teto de nosso limite está baixo. Qualquer coisa pode nos fazer estourar. Li outro dia um texto muito bom que falava, entre outras coisas, que os seres humanos, especialmente os brasileiros, parecem uma granada. Por menor que seja a ocorrência, o pino se solta e… É meio que por aí.

Sempre fui intolerante com tudo. Comigo, inclusive. Não suporto sequer pensar na possibilidade de “errar”. Em relação a qualquer coisa. Como, ao contrário do que pensam alguns leitores que afirmam, sem me conhecer, que eu me acho acima do bem e do mal, a verdade é que me acho uma porcaria em incontáveis situações, sendo assim, imaginem o quanto eu sou intolerante comigo mesmo. Chego a não tolerar a minha intolerância. Não sei qual é seu grau de intolerância ou de tolerância, mas tenho quase certeza de que algo pode ser feito para melhorar.

O efeito é devastador. Intolerância só faz mal à saúde de nossos Egos. Por vezes, senão na maioria delas, nos arrependemos das conseqüências. Ora, se sabemos que vamos nos arrepender, melhor estancar o problema lá em sua raiz. E onde é essa raiz? Detectar o problema é fácil, difícil é combater sua causa. Gosto dessa frase.

Não posso falar sobre a causa da sua intolerância, afinal, nem sei quem é você. Mas posso imaginar que as causas são meio que parecidas. Stress, problemas emocionais, financeiros, familiares… em suma, sofremos com alguma coisa e descontamos no motorista de taxi que lhe deu uma fechadinha no trânsito. A coisa chegou a tal ponto que as pessoas já não toleram uma opinião diferente da delas. Eu sempre falo que não existe opinião errada ou certa, existe opinião diferente. Mas quem é que tolera a diferença, não é mesmo?

Sabemos que o trânsito é uma fonte inesgotável de stress e de intolerância. Mas não é o único vilão. As frustrações também têm sua parcela significativa no processo. “Parcela significativa” para ser bonzinho. Na verdade, é a maior fonte de tudo.

Ando vendo muita gente – eu inclusive – falando muito mal da geração Y. Dizemos que eles são mimados, e são, que não sabem ou não conseguem lidar com as frustrações, e é verdade, que são superprotegidos pelos pais e pela sociedade, o que é inegável, e mais um monte de coisas. Pois bem, tudo isso está mesmo acontecendo, mas e as gerações anteriores? Quem é que sabe, afinal, lidar com frustrações? Não será essa a maior fonte de intolerância?

Eu penso que esteja aí a raiz do problema e na ignorância em lidar com elas. Quando escutamos alguém falar em frustrações, normalmente associamos ao um grande evento que não se consolidou. Bobagem. Frustração necessariamente não tem tamanho. Ela pode ser grande ou pequena. E como é que se aprende a lidar bem com algo frustrante? Deve ser um dos mistérios da humanidade.

Até hoje não li nada que me convencesse. Sim, alguém aí pode dizer que sou um chato e que para me convencer é preciso de muita coisa… é verdade, mas eu rebateria dizendo que todo mundo aceita tudo muito fácil. Ainda mais quando se trata de teorias de auto-ajuda, tratamentos terapêuticos, significado das palavras… enfim, sou feliz por ser esse mala. Nem quero me convencer facilmente, isso me causaria uma frustração imensa.

Tolerar não é fácil. Gosto de pessoas boas, tolerantes, mas muitas delas são na verdade bobas. Nem diria ingênuas, digo bobas mesmo. Já “peguei” gente assim para estudar. Não consegui chegar a nenhuma conclusão diferente de: “São pessoas bobas, tolas, conformadas com o que lhes acontece sem a menor capacidade de reação e incapazes sequer de detectar o que lhes causa frustração”.

Da mesma forma que estudei pessoas do outro extremo, os intolerantes, como eu, objeto principal de meus estudos: “São pessoas inconformadas, de alguma forma, muito reprimidas, agressivas, e incapazes de lidar com qualquer tipo de frustração”.

E você aí do outro lado, onde e encaixa?

Não sei como fazer para tolerar mais as coisas que desagradam ou frustram. Provável que usar a inteligência seja o primeiro passo, afinal, se sabemos que a vida é frustrante na maioria das vezes, nada mais justo do que criar uma barreira prévia contra a conseqüência das frustrações. Se é que são elas as “culpadas”…

MM

Mea Culpa

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Pois é, retirei alguns posts daqui. Errei a mão, leitores odiaram e com toda razão. Cheguei a ser ofendido em alguns comentários que nem postei dadas as palavras utilizadas. Claro que eu sou capaz de entender tanta fúria, fui eu quem fez uso dela primeiro. Toda ação provoca reação.

Resolvi usar esse tema hoje porque ele cai como uma luva para mim e creio que também para alguns leitores que se escondem atrás de comentários anônimos ou que não comentam colocando seus e-mails para que eu possa responder. Vai de cada um. Até porque, todo mundo, sem exceção, sempre está disposto a ter a última palavra, não é assim? Pois bem, que tenham.

Há alguns anos atrás, bem no meio de uma tempestade interna, quero dizer depressão profunda, ainda que saísse de casa para trabalhar, fui levado à lona. Isso aconteceu num período relativamente “curto”, durou bem uns… 4 anos. Nesse período eu fiz muita coisa errada, sempre ousando me amparar na desculpa de que estava doente e podia fazer qualquer coisa para me satisfazer. Bobagem. Era uma tentativa desesperada de voltar ao normal ou uma revolta pelo que aconteceu. Já explico.

Isso ocorreu em meio a muita coisa boa. Por incrível que pareça. Começou perto de eu lançar meu primeiro livro, ou seja, perto de realizar um sonho antigo. Nunca foi o maior sonho da vida, mas eu dei esse significado àquilo naquela época. Não sei por que cargas d’água, eu achei que era como pisar na Lua… Outra bobagem movida pela emoção. O maior sonho da vida eu já tinha realizado antes, mas não me dava conta até então.

Poucos meses depois desse evento tão importante para mim, fisicamente doente por causa da diabetes, sendo cuidado erradamente por um médico bambambam, entrei em coma e quase parti desta para a melhor, como dizem. Eu tomava remédios errados, orientando pelo médico e quase fui embora. Como não fui, achei que deveria olhar melhor para minha vida. Pois bem, a coisa se complicou ainda mais.

Eu já havia feito tudo o que queria. E aí, o que me motivaria a continuar por aqui? Continuava trabalhando, fazendo tudo o que queria como sempre fiz, escrevendo porque era e é meu hobby e não minha profissão como uma leitora pensa e escreveu em seus comentários agressivos e irônicos, mas fazia tudo isso no automático, não mais por prazer. Trabalhava nas minhas empresas para poder comer, escrevia por escrever, vivia sem a menor graça. Lá no fundo, já contei essa história mil vezes, na noite em que passei mal e entrei em coma, em nenhum momento eu tive medo com a “certeza” que iria morrer. Talvez eu não esperasse ser salvo pela minha ex-mulher que percebeu algo estranho e correu da casa de praia para São Paulo me socorrendo a tempo. Notem, eu não tive medo, instinto básico de sobrevivência. Lembro que um dia, alguns meses depois desses dez dias de hospital, ainda sob efeito de uma profunda depressão, eu falei a ela: “Nunca vou ter certeza se eu te agradeço ou te culpo por ter salvo minha vida.” Um absurdo, né? Mas eu fiz isso. Ela entendeu numa boa porque sabia o que eu estava passando.

Obviamente que esse sentimento de ter preferido ir embora, mas sabe-se lá por que razão ter ficado, provocou uma revolta interna. Virei um rebelde ainda pior do que sempre fui. Antes eu era ácido, depois passei a ser azedo e amargo. O tempo passou e a terapia não ajudou em nada além do que três toques geniais da psicóloga. Um ano de terapia para três insights. Pouco, mas valeu.

Passado algum tempo, a coisa começou a desanuviar e eu passei a entender que tinha minhas razões para não querer continuar a viver, mas como alguém lá em cima ou lá embaixo não me aceitou, achei por bem deixar o assunto esquecido. E lá está até hoje.

Retomando: Um dia, eu e minha ex saímos para jantar com um casal de amigos dela. O marido começou a falar da religião dele, etc, etc. Aí ele soltou uma boa para mim. Disse: “Já li seus livros, gosto do seu tipo de humor ácido, leio seu site, etc. Acho que você precisa de uma coisa só para ficar confortável consigo mesmo: Praticar a tolerância”.

Eu comecei a rir porque se tem algo que não faz parte do meu DNA é a tolerância. Não tolero injustiça, não aceito desculpinhas para quem não conhece o próprio idioma, não suporto erros de qualquer espécie, odeio gente burra porque entendendo que inteligência não vem de fábrica, portanto, todos temos a capacidade de absorver coisas… enfim, tolerância passa longe da minha mente e atitudes. Isso vale para mim também. Esse será o ponto central desse devaneio todo.

Não sei por que, mas de uns tempos para cá eu ando pensando nisso novamente. Não consigo praticar, só pensar e imaginar como seria se conseguisse. Não descobri ainda que efeitos positivos ou negativos isso certamente vai causar no meu Ego-Sistema. Claro, os efeitos serão bons e ruins como tudo nessa vida. A pegadinha está, de novo, na intensidade…

Hoje acordei disposto a fazer uma experiência. Tenho motivos para isso, como disse, errei a mão em alguns textos, comentários, conversas… em suma, estou descontando nos textos e nas pessoas algo que está rolando aqui dentro. Isso em psicologia chama-se “Projeção” que é um dos mecanismos de defesa do Ego. Um dos mais odiosos, diga-se de passagem. Apesar de que todo mecanismo de defesa tem seu lado odioso, mas se nosso Ego não se defender, quem o fará? Não estou, pelo amor de Deus, justificando as bobagens que falei esses dias. Estou explicando. E me culpando, certamente. O Ego é meu, o erro é meu. Simples assim…

Vou me forçar a praticar a tolerância. Não se trata de engolir sapos, mas de rever alguns conceitos e ficar calado quando a vontade de falar e chutar a porta forem grandes. Também não é o caso de aceitar qualquer coisa que veja e que seja contra, por exemplo. Trata-se de desprezar o que os outros falam ou fazem que me diga respeito. É mais ou menos como não estar nem aí com as atitudes alheias. Pode ser que funcione. Mas a linha é tênue…

O que os outros pensam sobre mim é problema deles e não meu. Esse, vocês que me lêem sabem, é um dos meus lemas. Agora vou ampliar: O que os outros fazem a mim, também será problema deles e não meu. Não se trata de me proteger dos outros, trata de não me envolver com o que seja sobre mim, entretanto que não diga respeito à minha essência. Trata-se de ser tolerante comigo. Com os outros também não sou, mas tenho obrigação de ser.

Vamos ver se dá certo. Vou tentar ser mais Zen e menos Faca nos Dentes. Peço desculpas aos meus fiéis leitores não só pelos textos retirados e, sobretudo, pelos textos escritos. Aos leitores eventuais ou que entram aqui só para me agredir, peço desculpas também pela impressão errada.

A todos os leitores, lembro que esse desabafo só foi postado porque Blogs nasceram para ser os Diários Pessoais de seus autores. Eu uso esse aqui para isso também. Afinal, o Blog é meu e faço o que bem entender com ele… (Olha a tolerância, Marcelo)

MM

PS: Volto ao tema amanhã.

Dia dos Namorados

banalização do amor

Não curto muito essas datas comerciais, Dia das Mães, Pais, Namorados… mas hoje resolvi escrever sobre relacionamentos. Em tempos de internet, conexões 4G, Wi-Fi, etc, as coisas andam meio que na velocidade da luz. As pessoas estão cada vez mais apressadas e, por que não dizer, atropelando as fases. Isso vale para a maioria das coisas.

As relações estão cada vez mais superficiais. Não posso julgar se isso é melhor ou pior, afinal, não estou vivendo esse momento. Não só por ser casado como por já estar com 53 anos. Mas por ter vivido muito e em outros tempos, posso ao menos compartilhar minha experiência com o que ando vendo por aí.

Todo velho costuma dizer: “Na minha época era melhor…” Como disse, não posso julgar, mas posso pensar sobre isso e emitir minha opinião. Tenho o direito de achar que minha época era melhor pelo simples fato de que normalmente tento ser justo e emitir opiniões de acordo com minha personalidade. Sou uma pessoa intensa. Em tudo o que faço, a intensidade é minha característica guia. Sendo intenso, não posso achar bom o que é superficial. Seria incoerente.

Tive muitas relações nessa longa vida. Umas boas, outras nem tanto, mas em quase todas elas, a intensidade sempre falou mais alto. A mim não importa quanto tempo dura uma relação, importa quão intensa ela é. Sinceramente, não sei como seria hoje em dia se eu pudesse viajar no tempo e voltar a ter 25 ou 30 anos. Será que eu conseguiria ser o mesmo cara que fui. Acho que sim, mas teria certa dificuldade, óbvio.

As mulheres são as culpadas. Vou explicar. Ainda creio que toda mulher sonhe com um homem que a conquiste, que a proteja, que a leve a orgasmos múltiplos, seja na cama ou fora dela. Mulher quer um Homem com H maiúsculo, que tenha pegada e também que a conduza. Isso não faz delas menor, pelo contrário, faz delas muito melhores que nós homens. Mas a culpa dessa superficialidade é delas. A maioria das jovens não se valoriza e se tornou fácil.

Lá na minha época, também existiam as mulheres fáceis. As que ficavam com todo mundo. Mas nós, homens, não as queríamos. As pegávamos, mas não as queríamos como namoradas. Só que havia também as que queriam ser conquistadas. Acho que conquista é a palavra chave nessa questão toda. A conquista não acabou, é fato, sempre haverá, mas vocês concordarão comigo que a conquista hoje em dia mal é levada em conta. E deveria.

Conquistar, ser conquistado é a essência de qualquer relação. Sei que é óbvio, mas como sempre digo, quem é que enxerga de verdade o óbvio? Poucos. Hoje em dia é um tal de ficar com vários numa noite e isso acabou conduzindo a conquista a um plano inferior. Vale a quantidade e não a qualidade. Ok, isso é gostoso, eu sei, se tivesse 25 anos eu me divertiria à beça. Mas faltaria algo, confesso.

Faltaria aquela coisa de… esperar o sábado a noite para ver na balada aquela garota-alvo. Lembro que durante a semana, junto com meus amigos, a gente bolava planos mirabolantes para chegar perto, conversar e conquistar aquela garota que nos interessava.

O primeiro beijo era comemorado como um prêmio. Mais ou menos assim: Se você beijou a garota naquela balada do sábado à noite, significava que você a tinha conquistado, ou pelo menos, a conquistado naquela primeira fase. A segunda fase era… esperar o próximo encontro para ver o que ia acontecer. Eram momentos tensos, intensos e, por conta disso, mágicos.

Parece romantismo, eu sei. Não sou nada romântico, também sei disso e minha mulher também sabe. Mas sei detectar a magia mesmo passando longe do cara que manda flores. Não estou aqui falando de romantismo, entendo que muita mulher adora, mas não se trata disso. Estou “preocupado” com a banalização do beijo, da transa…

Escrevi num dos meus livros o que penso sobre felicidade. Disse eu lá em 2005 o que sempre pensei, desde minha adolescência a respeito do conceito: A felicidade está na busca, não na conquista.

Creio cegamente que é no processo da busca que a gente se sente plenamente feliz. Claro, a conquista vale muito, mas ela é o prêmio, a recompensa. É efêmera. Quando você ganha um prêmio, ele vai para a prateleira e fica lá tomando pó.

Nas relações a busca pela conquista tem outro peso: Ela tem que ser eterna. Se você não conquistar a cada dia a pessoa amada, ela vai te deixar. Mais cedo ou mais tarde, pode apostar. Mas aí entra a “busca” que mencionei. Será feliz o casal que estiver sempre buscando. Sempre mantendo a chama acesa e não pense que isso vale apenas para a cama. Não sejamos superficiais, sexo é bom, mas é só um quesito de uma relação, nada além.

A busca é por ser manter atraente, desde fisicamente até intelectualmente. A busca é surpreender o outro, é fazê-lo te admirar. E isso passa longe do que acontece hoje em dia. As pessoas não estão de fato preocupadas com isso. É triste.

A preocupação está muito mais em saber onde a pessoa está do que como a pessoa está. Não vou me alongar nisso, seria filosofar demais. Mas entendo que você aí do outro lado vai pensar nisso.

Acho triste porque os jovens não sabem o que estão perdendo. Perdem, além do tempo (que acham que ganham com a pressa) o sabor da conquista. Perdem o… dormir pensando no próximo passo para “chegar lá”. Mesmo os que acabam namorando pós ficar numa balada, mal se lembram do primeiro beijo, a coisa mais importante de uma relação.

Banalizar o beijo, o sexo, a relação em si, é jogar no lixo o que há de melhor nesse mundo: Contemplar e compartilhar os momentos, as experiências na companhia que você conquistou.

Feliz dia dos Namorados para quem está acompanhado. E… repense suas atitudes e seus valores se você estiver só. Não banalize o que a vida tem de melhor.

MM

O Mundo Encantado do Facebook

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Algumas pessoas confundem o que eu falo. Sempre digo que o Facebook não serve pra nada, mas acham que eu não gosto. Gosto sim, aliás, adoro. Claro, adoro por diversos motivos, um deles, talvez o principal, é porque é uma fonte inesgotável de análise comportamental.

Já disseram por aí que: “Visto de perto, ninguém é normal.” Eu concordo e acho muito bom que seja assim, afinal, se todo mundo fosse normal, a vida seria uma porcaria. Como existe uma porção de graus de anormalidade, a gente consegue daqui ali conviver em harmonia olhando mais os defeitos dos outros do que os próprios. Coisa de louco.

Em redes sociais a gente encontra de tudo. No Twitter basicamente estão os haters. Neguinho mete o pau em tudo e em todos sem muito filtro. No LinkedIn estão os mentirosos. Afinal, quem é que, com tanta experiência profissional, fala tantas línguas, trabalha em equipe, é pontual e responsável e continua desempregado? Pois é, estou generalizando, claro que não é 100% assim. Mas passa de 50% com certeza. Há poucos anos tínhamos o finado ORKUT que se popularizou sabe-se lá por que e agora temos o Facebook, ou Face, para os íntimos.

Aí juntou tudo. Agora o Facebook é palanque anti e a favor do PT, anti e a favor de Copa, lugar de gente feliz, bem resolvida, que tem opinião sobre tudo o que sai na imprensa (normalmente sem ler a notícia, só a manchete), temos os defensores de animais, também está cheio de gente pronta pra difamar alguém ou alguma empresa, temos “atletas” que fazem questão de nos “informar” sobre seus desempenhos em pistas de corrida ou academias. Claro, temos também um monte de cozinheiros ávidos por nos mostras as fotos de seus quitutes. Há também a parte suja, como em toda sociedade, pois já vimos marcarem brigas, greves, manifestações e até morte já saiu por causa do fofo e amado Face… e, para finalizar, também está cheio de “Gente Miscelânea”, onde devidamente me encaixo.

Posto de tudo, desde meus textos, fotos, brincadeiras, vídeos, compartilho o que acho engraçado e normalmente quando dou alguma opinião é para falar mal de alguém, de algo ou do meu alvo predileto: o Brasil. Mentira. Meu alvo preferido normalmente é o ser humano, aquela experiência divina ou Darwiniana que não deu muito certo. Em suma: Diria que quase 90% do que coloco lá não vale ou não serve pra nada. Pelo menos sou coerente com o que penso sobre a rede social inútil.

Sendo eu um estudioso do comportamento humano, cada coisa postada que vejo, passa por uma análise. Claro, análise esta devidamente comprometida, temperada e contaminada com o que tenho de melhor: O veneno.

Antes que me esqueça, adoro ler os comentários dos assuntos polêmicos. É de morrer de rir com tanta gente idiota falando imbecilidades. Pior, não sabem escrever e o que é mais grave, tentam passar a imagem de… hum… deixa eu achar a palavra… inteligentes. É, não dá mesmo pra duvidar que chamar ser humano de inteligente não passou de um boato que pegou. Já falei isso tantas vezes que estou completamente convencido disso. Alguém lá atrás inventou essa bobagem de inteligência. Como somos burros, acreditamos e tentamos vender essa imagem.

Sempre há mensagens fofas no Facebook. As de auto-ajuda são de arrepiar. Sério, se tem mesmo tanta gente problemática a ponto de que, ao ler qualquer bobagem, terá sua autoestima levantada… na boa, vai faltar terapeuta no planeta pra tanta gente.

E as frases? Meu Deus, coitada da Clarice Lispector. Ela deve ter escrito mais depois de morta, com certeza. Qualquer frase de efeito é atribuída à escritora que nem descansar em paz pode mais. Antes essa gente escrota tivesse mesmo lido Clarice. As coisas poderiam ser bem diferentes.

Dia desses cheguei a ler algo como uma homenagem. A pessoa comentava sobre o aniversário e a saudade de alguém da família que havia morrido “recentemente” (nada mais relativo do que o tempo – provavelmente a morte ocorreu outro dia, há mais de 200 anos). A mensagem terminava dando os parabéns e mandando um beijo. Claro, tava pagando de bonzinho, fofo. Mas eu me perguntei se haveria Facebook no céu ou no inferno. A mensagem era tão… tão… bate papo que dava a impressão que o morto a estava lendo. Bem, penso que a maioria acredita em vida após a morte, mas mandar beijo pelo Facebook a um morto é de matar, né? Sorry pelo trocadilho.

As mensagens sobre morte invariavelmente vêm acompanhadas do clichê: “Esteja onde estiver, sei que está lendo essas palavras, bla, bla, bla.” Bom, aí a coisa pega. Se existir mesmo o “onde”, deve ser muito, mas muito, muito grande pra caber tanto morto que, segundo essa gente, está vivinho da Silva. E mais grave, eles têm Facebook!!! Talvez seja por isso que os preços dessas “empresas de Internet” são tão altos: Elas atravessaram a fronteira entre a vida e a morte, tão temida por todos. E pelo visto, se deram bem afinal, existe muito mais usuário morto do que vivo.

Ainda sobre os fofos, outra pergunta que me atormenta a mente a ponto de… de… bem de nada, estou só fingindo, valorizando dando uma de preocupado. Enfim, me pergunto por que é que as pessoas têm essa necessidade doentia de se mostrar boas e felizes. A gente sabe que ninguém é feliz o tempo todo (quase nunca, para ser sincero). A gente sabe que as pessoas sentem inveja, são interesseiras, se vingam, falam mal das famílias, dos amigos… pra que pagar de bonzinho?

Eu entendo, claro. Elas só querem ser aceitas. Aceitas por um monte de pessoas que também faz de tudo para ser aceita. É uma troca. Quase que uma espécie de Efeito Tostines da Fofura: Tenho que parecer fofo e achar fofo quem aparenta ser fofo para que os que aparentam ser fofos me achem fofo.

Como postei essa semana, lá é um lugar que a gente sente bem normal. Independente do grau de loucura, sempre tem um pior.

É isso, um beijo pra vocês. Estejam vivos ou mortos…

MM

Sonho Real

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Todo mundo sonha com uma vida melhor. A maioria, quando sonha, se esquece do que é real, do que pode ou não virar realidade dentro da sua… bem, da sua realidade. Sonhar por sonhar, sem levar em conta o mundo real não faz sentido. É machucar-se na certa.

A sensação que um sonho provoca é incrível. Já a sensação que a realidade mostra nem sempre. Numa doce lembrança que me veio à mente agora, coisas de um passado distante, diria que transformar a realidade num sonho foi muito mais surpreendente do que a de um sonho que se transforma em realidade. Ok, pode parecer que esteja abusando desse negócio de brincar com as palavras, mas é a verdade.

Você está ali, sonha com algo, age e as coisas se realizam. Poxa, bacana, é a busca de todo mundo e nem todos conseguem, há mesmo que valorizar o feito. Quando a realidade se transforma em sonho é completamente inesperado, afinal, quem sonha espera que aconteça, não? De alguma forma você está se preparando para que o sonho se torne real. O problema do inesperado é que ele nunca depende das variáveis que a gente consegue controlar. O inesperado tem vida própria e se manifesta quando quer.

Imagine a cena: Você continua vivendo a mesmice da sua existência morna e de repente… algo acontece e sua realidade muda de tal forma que você se sente completamente inserido num contexto, até então, impensável, um verdadeiro sonho.

Passa então a alimentá-lo e as sensações vão sendo incorporadas ao seu dia a dia e quando se dá conta, não sabe mais o que é real e o que é sonho. Somos seres completamente insanos. Para que tentar descobrir ou fazer essa divisão? Não podemos simplesmente viver o sonho? Pois é, não podemos. Temos essa tendência estúpida de separar o sonho da realidade. Ou a realidade te alerta que é um sonho ou o sonho fica tão real que perde a força que só um sonho tem.

Sempre digo que nossa missão maior na Terra nem é pela Terra e sim por nós mesmos. Perdoem-me os que abrem mão da vida para defender o planeta, mas acho que a maioria é mega problemática. Sou completamente contra a qualquer tipo de auto-anulação. Prometo que no primeiro comentário achando isso um absurdo, eu mergulho mais no tema.

Enfim… viemos ao mundo para realizar nossos sonhos. Mas como é que se sonha certo, coisas realizáveis? Aí tem uma espécie de pegadinha da vida: Para sonhar temos que saber o que queremos. E para saber o que queremos temos que ter experimentado algo parecido. A não ser quando dormimos, ninguém sonha com o que não conhece. Ok, pode até ser, mas no mínimo há que se ter um ponto de partida, imaginar algo para sonhar. E normalmente quando imaginamos algo, alguma referência real tem que haver para nortear os pensamentos.

Obviamente que essa referência é o sujeito que sonha. O que quero dizer com isso é: O norte foi estabelecido, assim sendo, todo sonho deve ser baseado em algo que o sujeito seja capaz de realizar. Aí é que vem a armadilha do nosso Ego.

Egos “bem resolvidos” (Eu odeio esse termo) são aqueles que sabem muito bem o que são capazes de fazer. São aqueles que têm a exata noção da realidade: Querer x Poder.

Ninguém tem. Parece pedante da minha parte afirmar isso, mas quem é que disse que não sou pedante… Além disso, eu simplesmente sei. E você, caro leitor, também sabe. Talvez você que é menos pedante do que eu, jamais fosse capaz de afirmar algo desse tipo, mas eu afirmo sem dó nem piedade: Ninguém tem a exata noção de tudo o que é ou não é capaz de realizar. Além disso, ninguém sabe realmente o que quer.

Quando era jovem, ávido por realizar alguma coisa, eu tinha uma máxima que balizava meus pensamentos: Se alguém é capaz de fazer, eu também sou.

Claro, a vida me mostrou que eu estava louco. Não sou capaz sequer de fazer arroz e sei de bilhões de pessoas que sabem. Brincadeiras à parte, fazer arroz nunca fez parte dos meus sonhos. Aí você tem que ter a coragem de admitir não ser capaz de tudo. Eu assumi. Não sou capaz de tanta coisa que se pensar nisso agora caio em depressão me achando um inútil.

Resumindo: Não somos capazes de sonhar o tempo todo com o que podemos realizar. Outro ponto é que não depende só de nós termos a realidade transformada em sonho. Isso é “quase” obra do acaso.

Aproveito para mencionar outros absurdos da “inteligência” humana: Em muitas ocasiões, abortamos nossos sonhos, digamos assim, realizáveis, porque não temos coragem correr atrás; ou… somos influenciados negativamente pelos outros que não fazem a menor idéia de quem somos (Sim, isso aí que você pensou: inveja. Invejosos nos contaminam o tempo todo); ou ainda… desistimos facilmente quando a primeira dificuldade aparece. E por aí vai.

Nossos Egos são estúpidos: Ou sonhamos errado ou nos sabotamos quando sonhamos certo. Pelo menos na maioria das vezes.

Se eu pudesse dar uma primeira dica sobre esse tema – e eu posso, afinal de contas o Blog é meu e posso escrever o que bem entender – diria para você que a melhor coisa a fazer é manter os olhos abertos. Não, não é uma dica qualquer. Eu, você e tantos outros passamos boa parte da vida de olhos bem fechados.

Olhos fechados não enxergam oportunidades de transformar a realidade num sonho.

MM

Banana Para os Racistas

MM Banana

Não ando muito assíduo por aqui, mas hoje resolvi escrever um pouco. O assunto escolhido é uma mistura de racismo com lixo. Apesar de ser a mesma coisa.

Ontem Daniel Alves, jogador do Barcelona e da Seleção Brasileira sofreu uma agressão. Agressão vinda da torcida e não dos adversários. Jogaram-lhe uma banana. O que ele fez? Pegou-a no chão e comeu. Uma atitude que tem merecido aplauso dos que não compactuam com o racismo.

Recentemente os jogadores Neymar do mesmo Barcelona, Tinga do Cruzeiro e Arouca do meu querido Santos também ouviram torcedores imitando macacos quando estes tocavam na bola. Imitação até boa, viu, vindo de “gente” que supostamente se acha melhor do que… bichos. De fato, não são e jamais serão. Os bichos são muito superiores, até porque não são dotados de inteligência. Aliás, inteligência raramente presente entre seres tidos como… racionais.

Há pouco mais de 20 anos, eu vi o racismo bem de perto. Num país onde todos alardeiam que racismo é sujo, mas sendo este país o Brasil, não me surpreendi, mas me indignei. Me indignei porque racismo é abominável. Não me surpreendi porque o Brasil tem o povo mais hipócrita que já vi na vida.

Eu tive um funcionário muito querido e que se tornou um amigo. Eficiente e absurdamente bem educado, foi um dos melhores funcionários que já tive na vida. E olha que tive, em esmagadora maioria, funcionários espetaculares em todos os sentidos, profissionalmente e também grandes seres humanos.

Um belo dia resolvi colocá-lo para trabalhar dentro de uma empresa americana. Um tipo, posto de serviço. Pra resumir, um negro, apenas um, entre mais ou menos 1100 pessoas brancas. Eu sempre conversava com ele sobre racismo e ouvi algumas histórias cabeludas do que ele passava. Ainda assim, ele adorou a idéia.

Bom, faço aqui um relato que nem ele soube à época e nem saberia jamais caso eu não estivesse tão puto da vida com essas manifestações racistas que pipocam pelo mundo, com perdão da falta de educação de minha parte.

Pouco mais de um mês depois que o instalei dentro da sede administrativa brasileira de uma das maiores empresas químicas do mundo, um diretor e um gerente me chamaram para uma reunião. Lá fui eu.

Depois daqueles papinhos amenos que precedem todas as inúteis reuniões de negócios, o Diretor foi direto ao ponto.

– Estamos preocupados com seu funcionário. Temos receio que ele se sinta mal por trabalhar aqui na empresa, sendo que coincidentemente ele é o único negro… bla, bla, bla por dez minutos.

Gente boa, né gente. Preocupado se meu funcionário se sentiria mal… por ser negro. Nem vou comentar que coincidências não existem.

Ao final do bla,bla, bla, ele cometeu o grave erro de perguntar a este boca dura que escreve essas linhas, o que eu achava sobre…

Não ouvi a pergunta inteira, mas era algo sobre trocar meu funcionário. Minha resposta foi simples.

– Senhores, vou ser bem educado porque vocês são meu principal cliente. Para encurtar a conversa e não tomar vosso precioso tempo, digo apenas que vou fingir que essa reunião jamais ocorreu e, portanto, poupá-los de um processo, sem mencionar os efeitos de um escândalo desse porte, os quais tenho certeza não seriam do gosto de meu funcionário. Ele é superior a isso, está acostumado ao racismo covarde, não declarado, ou seja, acostumado a gente imbecil. Desculpem pela forma como falo, mas como esta reunião jamais ocorreu, sei que não sofrerei represálias de vossa parte. Tenham um bom dia.

Virei as costas e saí da sala sem apertar-lhes a mão, afinal as minhas estavam limpas.

Daniel Alves foi educado, irônico, absurdamente inteligente e superior. Bato palmas. Nunca fui grande fã de seu futebol, mas com certeza serei eternamente fã pela sua postura.

Como venho dizendo há anos, o maior problema da humanidade é o ser humano. Não, não é uma brincadeira com as palavras, é meu pensamento mais sincero. Ser humano é um lixo. Pior até, pois lixo a gente recicla.

MM

As voltas que a vida dá…

Loop

O mundo é redondo. Os eventos são cíclicos. Seres humanos, egos bem ou nem tão bem construídos vivem num eterno looping, ainda que recusem admitir e aceitar, ainda que nem percebam isso.

Volta e meia a gente tenta sair pela tangente numa dessas tantas curvas citadas aí em cima. Nem sempre conseguimos e lá estamos novamente naquele círculo vicioso infinito. Mais ou menos como age a gravidade nos puxando de volta para aquele que parece ser um trilho que poucos conseguem abandonar.

Alguns perguntariam: Abandonar para que? É aquele papo furado que já escrevi aqui e tantas vezes é discutido em rodas de bate papo ou nas salas dos terapeutas, ou ainda, nas consultas de Coaching: A tal Zona de Conforto. Que efetivamente não conforta ninguém, mas quem é que se preocupa em pensar nisso? Temos tanta coisa para fazer que pensar em nós mesmos parece mais problema dos outros do que nosso. Não, não estou ficando louco, apesar dessas afirmações que repito agora para dar ênfase ao que quero dizer: Zona de Conforto não conforta e pensar em nós é problemas dos outros e não nosso.

Voltando, abandonar pra que? Um amigo ouviu de sua terapeuta a seguinte pergunta: Está funcionando viver do jeito que vive e fazer as coisas que faz? Diante da resposta negativa, ela foi enfática: Então nem preciso dizer que você tem que mudar.

Outro amigo, esse um tanto mais radical em suas posições, jamais faria terapia, define assim: Toda mudança é ruim.

Será mesmo? Eu discordo. Penso justamente o oposto: Toda mudança é boa. Ainda que o resultado possa não ser o esperado, entendo que o processo da mudança nos faz crescer e, portanto, é o nosso melhor professor.

Nem pensem que estou falando isso porque recentemente tomei uma decisão e mudei a vida em 180 graus, não é isso, falo porque passei a vida promovendo mudanças e nem todas foram legais como eu esperava, mas todas, sem exceção, me ensinaram alguma coisa.

Há um ano eu estava de férias na África do Sul. Lugar que, repito, acho que todo mundo que tiver oportunidade deve visitar. Lá, de férias, jamais imaginava que hoje estaria morando em Miami. Ainda que eu sempre sonhasse em sair do país que dei azar de nascer, eu jamais imaginaria que pudesse fazer isso de forma tão rápida.

Quando fiz minha lista de Coisas a Fazer no Ano Novo, confesso que “mudar de país” não constava… Mas lembro de ter colocado algo que sempre esteve presente nas minhas “listas”: Uma mudança impactante.

Aqui estou eu, fazendo força para sair dos meus círculos viciosos, correndo para bem longe da minha zona de conforto, me afastando cada vez mais daquele looping dos últimos 12 ou 13 anos.

Amigos me chamam de corajoso. Dizem que fazer uma mudança dessas aos 53 anos de idade é loucura. Outros falam que me invejam como se eu fosse um ser diferente deles. Dizem que se tivessem a mesma oportunidade, fariam o mesmo…

Bem, e quem é que disse que eu tive alguma oportunidade? Será que pararam para pensar que eu criei a oportunidade? Óbvio que não. As pessoas não estão acostumadas a criar oportunidades, estão acostumadas – e se preparam apenas para tal – a aproveitá-las.

Não deixa de ser um passo importante, conheço gente que nem enxerga oportunidades, quanto mais se aproveita delas, mas… criar mesmo, são poucos.

Passei boa parte do ano me fazendo aquela pergunta que a terapeuta do meu amigo fez a ele: Está funcionando viver como vive? Está feliz fazendo as coisas que faz?

A resposta que me dei todo mundo sabe…

MM

Miami x São Paulo

Miami 1

Acabo de passar dez dias na Florida – EUA e resolvi externar minha opinião comparativa nesse blog porque é absolutamente inevitável comparar seres humanos daqui e de lá. É quase um desabafo em tempos de manifestações sem fundamento, ainda que tenha esperança de que os manifestantes estejam de fato finalmente se indignando com nosso país.

A diferença básica entre os países pode ser resumida em uma frase:

Lá temos que fazer força para procurar algo errado e aqui essa força é para encontrar algo certo.

O que me pergunto é: Por que tem que ser assim? Bem, as respostas são muitas, mas todas elas haveremos de encontrar um ponto comum: Respeito.

Brasileiro não respeita nada. Quando escrevo “nada”, me refiro a tudo. Não repeitamos leis, não respeitamos o outro, não nos respeitamos. Somos tão passivos que aceitamos o que o governo, em todas as esferas, nos faz sem reclamar. Como disse, ainda que estejamos tentando reclamar e protestar, o fazemos de forma errada, violenta e sem causa. Não temos líderes em que possamos confiar.

Na verdade, não confiamos em ninguém, nem em nós mesmos. Parece que está em nosso DNA que viemos ao mundo para levar vantagem em tudo, parece que pensamos apenas no EU, jamais em NÓS. Isso para uma convivência em sociedade é algo incompatível. Somos o país do Eu e que se dane o outro.

Brasileiros se mudam para lá às pencas. Claro, há os que simplesmente querem se dar bem na terra das oportunidades, mas eu entendo que a maioria apenas não aguenta mais tanta desfaçatez das autoridades e também da sociedade brasileira como um todo e busca um país onde o respeito é a palavra de ordem.

Vejam, não estou querendo dizer que lá é perfeito, longe disso e sei muito bem. Estou dizendo com todas as letras que quem se muda daqui não aguenta mais tudo ser imperfeito. E de fato tudo é imperfeito por aqui.

Temos a corrupção e a malandragem como um dos principais objetivos. Colamos na escola para passar de ano, falsificamos carteirinhas de estudantes, estacionamos em vagas para deficientes, jogamos lixo nas ruas, dirigimos feito loucos com pressa sem saber aonde queremos ir e por aí vai. Você meu leitor sabe do que estou falando.

Por fim, protestamos de forma violenta e votamos errado. Um protesto que me encanta seria uma Tolerância Zero com políticos, tipo, não reeleger um só candidato nas próximas eleições. Seria bem bacana. Mas aí surge outra pergunta: Será que votamos errado porque não existe candidato certo?

Pois é. Fico em dúvida se esses supostos comunistinhas que tentam liderar essas manifestações de agora não serão os candidatos errados do amanhã. Sim, já vimos isso acontecer. O Lula foi um desses. Liderou os metalúrgicos por anos pregando honestidade para depois fazer as barbaridades que fez.

Ter ficado novamente fora por uns dias me fez ter ainda mais nojo do Brasil e dos brasileiros, afinal, um país nada mais é do que um reflexo de seu povo. Não sou o cara mais certinho do mundo, bem longe disso, não sou hipócrita como vocês já sabem. Mas sinceramente, estou cansado de fazer parte desse mundinho sujo. Queria ter a chance de viver em um lugar onde posso jantar fora sem me preocupar com bandidos que fazem arrastão em restaurantes. Queria poder chegar de viagem cansado e não me deparar com tresloucados cidadãos furando fila para passar pela alfândega como aconteceu domingo. Tive que sair aos berros do meu lugar na fila par impedir que malandros passassem em nossa frente.

Grosso que sou, saí gritando pelo saguão do aeroporto: NEM FODENDO ALGUÉM VAI FURAR FILA E PASSAR NA MINHA FRENTE!!!

Alguns me olharam indignados com minha descompostura, mas os que estavam prontos para dar o bote ficaram sem ação temendo a minha violência. Sim, sou barraqueiro quando vejo meus direitos desrespeitados. Estou realmente farto disso.

Um cidadão logo à minha frente me disse: “O Sr. está certo. Também sou assim, sou até chato quando a questão é ter meus direitos violentados”.

Ora, então é chato ser decente? Se de fato ele o é, porque é que não fez nada quando viu neguinho tentando furar a fila?

Um país onde os valores foram invertidos a ponto de um cidadão aparentemente decente se considerar um chato por querer fazer valer seus direitos, não merece meu respeito.

A verdade é que me senti bem nos últimos dez dias. Sem stress psicológico algum, pude jantar fora sossegado todas as noites, sem medo de dirigir de madrugada após me deliciar nos belos restaurantes de lá quando voltava para o Hotel.

É bom ter paz. Todo brasileiro deveria ter a chance de experimentar. A pergunta que ainda me faço é: Será mesmo que o Brasil precisa ser assim tão errado?

By the way, essa foto maravilhosa foi tirada por mim onde repousei as cinzas de meu finado Pai. Como ele era fã desse lugar, fiz questão de realizar seu último desejo, um dos motivos desta viagem. Descanse em paz, velho, você realmente merece pelo que fez e por quem foi em vida, sobretudo, um homem que respeitava tudo e a todos…

MM

Chega de Esperar

fofo

Mudei de ideia. Não tem muito tempo havia “decidido” que os seres humanos passavam a vida toda em busca de garantias. Até escrevi um texto aqui no blog sobre isso. Ledo engano. Não é só garantia o que buscam, é algo além, estou falando aqui da Grande Busca, podemos chamar assim.

Não querem nada além de Esperança.

Sei que a vida de algumas pessoas não é lá essas coisas – notem que poderia dizer que a vida é uma porcaria, mas como estou na fase Fofo, peguei leve – e isso por si só justificaria essa tresloucada busca pela Esperança, mas não é só quem tem uma vida porcaria (droga, voltei ao normal), pessoas com a vida boa também querem Esperança.

Eu odeio Facebook, acho que todos sabem. E a cada dia odeio mais. Me perguntam porque uso se odeio tanto. A resposta é a mesma: Eu odeio trabalhar e trabalho. Brincadeiras à parte, hoje em dia eu uso mais para ler do que escrever porque é uma fonte inesgotável de idiotices e isso me leva a rir. Além de fazer uma analise Perfil x Postagem. Há de tudo, aquilo é um Zoo humano. Para não dizer Manicômio Virtual do momento, tipo… melhor aceito pela sociedade.

Por não usar muito aquilo, ou melhor, o mais provável é porque não sou lá muito bem visto pela sociedade, virtual ou não, tenho poucos seguidores, “amigos”, etc. Da mesma forma, mantenho minha time-line enxuta. Mesmo assim, já tenho fonte suficiente de bobagens.

As mensagens do Face (chamo de face porque me sinto íntimo) são quase que todas de duas únicas naturezas: Protestos e Esperança.

Protesto não dá muito certo. Já tentaram manifestações contra todo o tipo de aberração que somos obrigados a passar por morar no Brasil. Talvez a maior delas tenha reunido poucas centenas de pessoas. É um lixo de comprometimento. Como temos milhões de usuários, centenas é quase nada. Por isso o governo dá uma banana para nós todos, os seres mais passivos e babacas da Terra.

Sobra então a Esperança. Será que aquelas mensagens lindas e fofas postadas por pessoas que só querem o bem da humanidade dão certo? Surtem efeito? Acho que não. Creio mais na minha teoria de que neguinho posta mensagens lindas porque olha ao seu redor e vê que tudo é uma porcaria. Têm de fato esperança que de uma hora para outra as mensagens de autoajuda alterem sua vida. Poucos se autoajudam de fato. Afinal, para se autoajudar é necessário que a verdade venha à tona e cá entre nós, ninguém lida bem com a verdade. Lida ainda pior se a verdade for a sua íntima verdade.

Aí pergunto eu: O que você faz efetivamente para cumprir que as suas mesagens de autoajuda de fato te ajudem? O que você faz efetivamente em busca de que sua Esperança se concretize? Será que faz algo ou apenas posta porque leu e achou bonitinho? Será que leu certo, aquele tipo de leitura com compreensão de texto ou apenas passou os olhos e “compartilhou”?

Eu sei a resposta, após muita analise, sei muito bem a resposta. Só não vou falar aqui porque você aí do outro lado provavelmente prefere lidar com mensagens de esperança em vez da verdade. É mais fácil, eu sei. Lidar com a verdade seria melhor, mas… quem disse que procuram o melhor, a gente normalmente procura logo o mais fácil, não é?

Então vamos lá. Minha mensagem de esperança a vocês que se identificaram é simples, não tem nenhuma magia de guru de autoajuda, muito menos é fofa do tipo que passa a mão na cabeça:

Não esperem, façam.

MM

Acidez

doce-amargo 1

Depois de um longo e tenebroso… verão, resolvi escrever um pouquinho para ver se a mente  fica menos tensa e menos densa.

Sei lá por que motivo, hoje acordei pensando em algo que venho observando há tempos em mim e também nas pessoas que convivo, ou que sigo, ou que adiciono. Por causa dessas redes sociais inúteis, hoje em dia são tantas as possibilidades que nem sei mais ao certo quem são amigos ou agregados.

Sempre fui um cara brincalhão, não sei se engraçado, mas eu sempre brinquei muito. Por conta disso, quase que só me cerquei de pessoas assim, brincalhonas, irreverentes, ácidas… Bom, é aí é onde quero chegar: Acidez.

Não é de hoje, como disse lá em cima, que tenho observado uma mudança profunda no comportamento das pessoas e… óbvio, no meu comportamento também. Aliás, para ser bem sincero, observei isso primeiramente em mim para só depois observar os outros. A verdade é que procurei ver se as pessoas também mudaram para que meu Ego pudesse usar aquela desculpinha insuportável: Todo mundo faz, todo mundo é assim…

Não vou me desviar – mais – do assunto. O que andei notando é que as pessoas, me incluo nisso, de uns tempos para cá deixaram a acidez de lado e passaram, ou passamos, a ser amargos. Em quase todos os níveis: Comentários, pensamentos, atitudes, conversas, textos…

Tenho procurado descobrir quando é que eu passei a ser mais amargo do que ácido. Queria achar um evento que pudesse determinar o que desencadeou isso. Claro que encontrei. E mantendo a sinceridade, não achei apenas um evento, encontrei mais de um. Alguns suaves, outros mais pesados e um, em especial, mega absurdamente intenso.

Cheguei a escrever um livro de crônicas com pensamentos e “teorias” ácidas. Pelo menos foi avaliado assim pelo meu editor. Dia desses li alguns daqueles textos e pensei: Peguei leve…

Pois é, não tinha nada de leve. Eram crônicas bem ácidas sobre o cotidiano, comportamento humano, etc. Se hoje parecem leves é porque meu estado de espírito foi alterado. Não é tão simples assim se enxergar de verdade diante do espelho, dói além da conta, mas é necessário para que haja alguma alteração no comportamento.

Não sei ao certo o que tem levado as pessoas a transformar a acidez em amargura, mas vivendo nesse país triste, onde a tal felicidade brasileira parece mais coisa de bobos da corte do que qualquer outra coisa fica fácil imaginar esses motivos.

Além disso, há as armadilhas da vida, desilusões amorosas, insatisfações profissionais, frustrações de todas as ordens, problemas de saúde, lutos, enfim, são incontáveis os combustíveis que alimentam a transformação do nosso estado de espírito.

O que fazer para mudar? Pegar mais leve, tipo, não levar a vida tão a sério? Bem, isso parece bom na teoria, mas na prática podemos nos sentir alienados. Mudar as atitudes diante do que nos aflige e nos deixa amargos? Se fosse simples assim, inteligentes que somos já teríamos feito, não?

Como todo problema, o primeiro passo para solucioná-lo está em enxergar e assumir isso. A questão é sempre a mesma, o segundo passo. O que fazer em seguida?

Escrevi uma crônica semana passada. Tentando resgatar o velho Marcelo Mello ácido. Saiu uma porcaria. Só não tenho certeza se o texto era uma porcaria ou minha avaliação do texto é que foi uma porcaria.

A sacada é continuar tentando buscar uma solução, ou melhor, um evento que desencadeie essa mudança de comportamento. Não custa sonhar, já que algo desencadeou essa postura amarga, por que não algo que desencadeie uma postura ácida.

Não, não quero ser doce, também não é para tanto, afinal, não me daria bem comigo mesmo sendo fofo.

MM

Catarse

CATARSE

Escrever sobre esse tema tem um motivo especial: Uma grande amiga. A mais importante e querida amiga que alguém pode ter.

Catarse tem alguns significados e todos eles muito pesados, às vezes até complexos, a ponto de não serem bem compreendidos por seres mortais comuns. Não pensem que estou diminuindo os seres humanos, não é nada disso. Falei “seres mortais comuns” porque todos vocês sabem muito bem que a maioria não dá a menor bola para os sentimentos mais profundos. Levam a vida de modo simplista e, por que não dizer, deixam a vida levá-los ao melhor estilo Zeca Pagodinho. Um tremendo erro.

Segundo Aristóteles, Catarse é uma descarga emocional provocada por um drama que leva à purificação da alma. Segundo a Psicologia, Catarse é um ato de liberdade de alguma ação opressora. Para a Psicanálise é um processo para trazer à consciência as emoções reprimidas no seu próprio inconsciente para que ele seja capaz de se libertar das consequências ou problemas causados pelos mesmos. E por aí vai…

De qualquer modo, o processo dói. E dói muito. Por outro lado, ele traz a luz ao que estava escuro, escondido, seja no consciente ou inconsciente. Sim, nós escondemos coisas. Não só dos outros, mas de nós mesmos.

A questão aí é uma só: Quando devemos procurar esse “material” e purificar nossas almas, ou ainda, libertar-nos dessa opressão que nos impusemos ou aceitamos? Essa é uma questão importante, pois há relatos em que a pessoa não procura, apenas encontra.

Uma terapeuta me disse certa vez que o resultado é o mesmo. Naquela época, há uns 6 ou 7 anos atrás, eu estava procurando algo nesse sentido e ela me dizia que a descarga emocional, ou a Catarse, apareceria quando eu menos esperasse, que não precisava ficar procurando. Teimoso que sou, continuei minha busca lá nos porões da minha mente até encontrar o que me faria, definitivamente, passar por esse processo. Foi duro. Que ninguém nos “ouça”, foi quase um processo sem volta. Talvez quem já tenha passado por isso saiba do que estou falando.

Alguém aí pode ler esse texto e se perguntar: Pra que passar por isso? Bem, se você está se fazendo essa pergunta, se encaixa naqueles seres “Zeca Pagodinho”. Mas eu afirmo que não há nada nesse mundo que faça – ou faria – você crescer tanto como uma velha e boa Catarse. Não ouse pensar que você não tem materiais reprimidos em seu porão. Não se atreva a pensar que este texto não se refere a você.

Sabe aquele ditado… Você pode enganar quase todo mundo quase todo tempo, mas não pode enganar todo mundo todo tempo. Pois é, você pode até se enganar por algum tempo, mas…

Perceber o que é, foi ou será uma Catarse na sua vida não é tão fácil. Admiti-la é ainda mais difícil. Mas é preciso mais do que percepção quando você está em uma encruzilhada na sua vida, ou melhor, na sua mente, no seu íntimo: É preciso coragem para enfrentar. É preciso muita coragem para buscar esse processo como eu fiz, como minha amiga fez.

Se eu fosse fazer um comentário daqueles que costumo fazer normalmente, onde reduzo uma questão ou um processo a apenas uma simples expressão, diria que é uma busca pelo sofrimento. Pelo menos foi o que me pareceu quando passei por isso. Eu buscava incansavelmente algo que sabia que me faria sofrer. No entanto, não sou acomodado a ponto de parar a busca no meio do sofrimento. Eu sabia que precisava sim sofrer, admitir minhas mais esquisitas entranhas, trazer à consciência as minhas mais escondidas angústias.

Ainda sobre os significados da Catarse, todas elas referem-se a libertação do que é estranho ao sujeito.

Isso, caros leitores, diz muito. Vivemos em um mundo de aparência e muitas vezes, aparentamos o que não somos para sermos aceitos pelos outros. Só que nosso “íntimo” não aceita nada além da verdade. Quando falo sobre a Terapia do Espelho, que não conseguimos esconder de nós mesmos a verdade diante de nossa imagem, é isso que quero dizer.

Passar por essa experiência traz à tona a verdade. Nem sempre gostamos dela, nem sempre gostamos do que somos, mas essa libertação é necessária para que continuemos em frente. Caso necessário, apare arestas. Tenha bom senso quando for conviver com a sociedade. Sobretudo, tenha coragem de assumir quem você é.

Já disse mil vezes e repito: Meu grande sonho sempre foi que as pessoas me amassem ou me odiassem pelos mesmos motivos, pois só assim eu teria certeza de que estou sendo Eu mesmo, um ser livre de qualquer opressão imposta por alguém ou por mim mesmo.

Minha amiga levou longos dois anos em sua busca pela libertação. Agora ela conseguiu. Ela precisava “colocar a cabeça para fora” e respirar por si mesma. Isso só faz dela uma pessoa ainda melhor aos meus olhos. Ainda mais incrível aos olhos dos outros. Ainda mais verdadeira aos seus próprios olhos.

MM

Basta um passo…

Ando um tanto quanto ausente, mas é por uma boa causa: Trabalho. Nos últimos meses a “coisa” tem andado meio pesada, muito trabalho, muitas reuniões e alguns projetos novos surgiram e isso tem me tomado tempo e, por que não dizer, inspiração.

Falta de tempo para escrever me deixa um pouco chateado, afinal, é meu hobby. Mas o  trabalho tem dado tanto prazer que não estou mais me importando como fazia há tempos atrás. Apenas uma mudança temporária de foco até as coisas se ajeitarem em seus devidos lugares.

Hoje acordei com um pensamento em mente. Não é de hoje que percebo as pessoas reclamarem de suas vidas e não fazerem nada. A maioria dos meus textos aqui nesse blog trata disso: Marasmo, passividade em relação a vida, mesmice, falta de criatividade… e por aí vai, a lista é quase infinita.

Acordei, portanto, pensando em algo bem simples que pode ajudar a resolver muitas questões sobre esses temas aí de cima: Um passo.

Todo mundo já leu à exaustão aquele chavão: Para se iniciar uma caminha, longa ou curta, é preciso dar o primeiro passo… bla, bla, bla. É uma verdade absoluta, não é? Pois é, como sempre digo, um bom clichê só se torna clichê porque faz sentido

Muita gente reclama de seus momentos de vida e outras tantas nem percebem que precisam se mexer, ou não querem, têm medo, etc. Ou ainda não sabem para onde ir nem o que querem. Mas há um sentimento, atitude ou pensamento óbvio contido aí nas entrelinhas desse clichê:

Basta um passo – em qualquer direção – para que se saia do lugar em que se encontra.

Parece bem simples e de fato é. Um passo e você já consegue olhar o mundo de outra forma. Imagine-se fotografando uma paisagem ou uma pessoa: Basta um passo em qualquer direção e a foto não será igual a que tiraria se estivesse ainda parado no mesmo lugar.

Podemos usar isso para problemas? Sim, um passo apenas e o olharemos de modo diferente. Vale também para algum projeto novo que esteja na sua pauta de coisas as realizar? Vale sim.

Ou seja, um passo muda toda a perspectiva. Você consegue enxergar o que estava escondido. Ou “apagar” o que estava atrapalhando sua visão.

Um passo e você pode até sair do marasmo. Da passividade em que se encontra. Um passo já muda tudo e tenha certeza de que ele mudará sua atitude diante da vida, afinal, você aí que reclama, está parado, não?

Numa reunião importante na última sexta-feira eu disse isso às pessoas: ”- Estamos diante de um momento importante. Este projeto está estagnado esperando a atitude dos outros. Isso está errado, pois vendemos consultoria e cabe a nós criarmos soluções em todos os aspectos do projeto, inclusive solucionarmos o nosso problema que é ganhar o cliente. Devemos dar o primeiro passo e aí é provável que a solução apareça”.

É como se estivéssemos atrás de uma parede e, ao darmos um passo para o lado, o cenário mudasse completamente. É criar a oportunidade para que a criatividade apareça diante dos nossos olhos. Redundante “criar a criatividade”? Pode ser, mas será mesmo que é só uma viagem desta mente que escreve estas palavras?

Bem, posso ser suspeito ao validar minhas teorias, mas tenho certeza de que não estou falando nenhuma bobagem. É pagar pra ver. E eu sempre pago pra ver, afinal, ir até o fim em qualquer questão é o que me dá certeza do que é bom ou ruim, melhor ou pior.

MM