Sim x Não

sim-ou-nao

Ah esse conflito… Vou começar logo abrindo o jogo, adoro falar não, simplesmente adoro. Tudo bem, já falei sim muitas vezes, até na frente de um Juiz quando me casei pela primeira vez. Mas falar não tem um sabor especial. Calma, muita calma nessa paciência porque vou explicar tudo direitinho para não ser chamado de louco pelas psicólogas que me acompanham aqui no Blog.

Houve um tempo em que eu falava sim pra todo mundo, era só pedir que falava sim. Às vezes nem precisavam pedir, ia logo falando sim e pronto. O que ganhava sendo assim? Olha, para ser bem franco, ganhava muito pouco. Falar sim exige cuidado. Bem, falar não também, mas uma coisa é engraçada… Quando a gente fala não, somos mais respeitados. Pode ser mais uma doideira da minha cabeça eu sei, mas é o que penso a respeito.

As pessoas odeiam ouvir não, mas te respeitam. Não sei por que, mas parece que um não bem fundamentado tem mais credibilidade do que um sim. Mais ou menos como se falar sim fosse comum. Por outro lado, quando falamos não dá a impressão que a “coisa” foi pensada. A pessoa que ouve o seu não fica de cara feia num primeiro momento, mas depois que ela pensa um pouco e acaba dando mais valor a você, mesmo que não admita isso nunca. Talvez porque muitas vezes temos que dizer aquele não senão ficamos muito “facinhos”. Se levarmos para o mundo do sexo, as mulheres vão me entender porque quando elas dizem não para um “ou dá ou desce” logo de cara, são mais respeitadas. Mas não vou falar de sexo.

Ouvi tantos nãos na infância e adolescência que até perdi a conta. Respeitei sempre meus pais, mas como ouvi muito mais não do que sim – na maioria das vezes era não pelo não, sem explicações – os tratava como pais e não como amigos. Tudo bem, estou falando aqui de respeito, apenas (Daqui a pouco inverto tudo, é só eu virar adulto, um instante só). O mais engraçado é que eu não falava não para eles, mesmo que não cumprisse com as obrigações, apenas concordava e fazia as coisas escondido, mas isso não vem ao caso.

O que importa ressaltar é o dia em que falei o primeiro não para eles. Sinceramente, foi libertador. Eles passaram a respeitar meu ponto de vista em relação a tudo e pasmem, começaram a falar mais sim do que não e quando me diziam não, explicavam por que. Esquisito? Sim, se é esquisito para vocês, imaginem pra mim que vivi isso na pele.

Tomei gosto pela coisa e só falava não, adorava ver a cara das pessoas (tudo bem, podem me internar). Depois de adulto, tive uma recaída e comecei a falar sim para todo mundo. Acho que tem muito a ver com aquela coisa de ser aceito na sociedade ou nos grupos em que vivemos. Mas durou pouco, viu, assim que percebi que as pessoas abusam dos que falam sim pra tudo, dei meia volta e me apaixonei novamente pelo não. Mas não como filosofia de vida, apenas aprendi que falar um NÃO na hora certa tem um efeito bom para meu próprio Ego. Parece que dá uma força tremenda.

Hoje em dia, depois de velho – sim ter 48 anos é ser velho – eu noto que isso me fez bem. Eu trabalho com pessoas e, além das que atendo, me relaciono com muita gente e percebo que muitas delas têm uma imensa dificuldade em dizer não. Passaram a vida toda sem usar essa arma poderosa e agora… bem, agora acham que é tarde demais. Eu digo com todas as letras: Nunca é tarde demais para qualquer coisa. Muito menos para reparar erros, muito menos para bloquear os abusos.

O que acho mais estranho é que essas pessoas falam sim para todo mundo e não para elas mesmas. Pensem nisso. Eu mesmo já fiz isso tantas vezes que me irrito só de lembrar. Ao dizer um sim para alguém, claro, se você não quer dizer sim, é o mesmo que dizer não a si mesmo.

Ficou confuso? Dêem um desconto, estou escrevendo este texto de madrugada ouvindo Bach e no meio de uma insônia brava. Estou prestando mais atenção na música do que no texto.

Tentemos de novo, agora é um papo só entre nós dois: Digamos que alguém te peça algo que você não quer fazer. Se você disser sim para a pessoa estará dizendo não a você. Estará negando sua vontade. Pergunto eu na minha parca inteligência, por que, hein? Faz isso com você achando o que? Que vão te respeitar mais, que vão te aceitar? Ora, se pessoas abusam de você me explica então por que é que tem essa necessidade de “ser aceito” por essa gente? Helloooo… eles abusam!!!

Vale explicar que não estou generalizando, ok? Você é suficientemente inteligente para saber e entender o que estou querendo dizer. Isso, estou falando desse caso especifico aí que você se lembrou. Teria sido melhor ter dito não, não é mesmo?

Só mais uma coisa, eu amei aquele filme “Yes man” (Sim Senhor) com o Jim Carrey. Que contradição a minha. Bem, mais ou menos, assistam que vão entender… Nem tanto ao céu, mas muito menos ao inferno.

MM

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