Casar é destruir

Estava eu pensando com meus botões sobre mais uma teoria daquelas esquisitas que de tempos em tempos surge em minha mente. Desta vez, pensei sobre relacionamentos, mas daquele tipo União Estável, que já foi um dia chamada de Casamento.

Pensei longamente e decidi que Casamento é o meio mais rápido e eficaz de se destruir sonhos.

Ok, antes de entortar o nariz, que tal ler mais um tiquinho? Vamos lá porque a coisa é um pouco mais profunda do que parece. Os seres humanos nunca, em tempo algum, conseguem viver isoladamente, certo? Certo! Diria que nem tentam, pois estão sempre buscando a socialização e não a individualização. Mas há aí um paradoxo.

Vejamos: Nós nascemos, crescemos e nos tornamos adultos. Nesse ponto, entre a adolescência e a “adultescência” surgem os primeiros sonhos, os primeiros objetivos, ainda que meio turvos, ainda que mais sonháveis do que realizáveis. Mas é ali que eles aparecem pela primeira vez.

As pessoas então saem atrás de realizar aquilo que planejaram ou planejam, afinal, os sonhos são mutáveis e não há nada de errado com isso como pensam alguns mais conservadores. Só que junto a tudo isso – entenda-se por “isso” os sonhos que são individuais, lembram? – surge aquela vontade de se socializar e essa socialização normalmente é viver um grande amor.

Elas – agora duas pessoas com seus sonhos individuais (não custa lembrar) – se juntam para formar uma terceira coisa: o casamento. Com o casamento, aparece aquele desejo de formar outro sonho, um sonho a dois, o que é impossivel. Explico: Não dá para duas pessoas terem um sonho em comum. Sequer os de consumo, pois se o sonho for a “casa própria”, um sonhará com uma casa e o outro com um apartamento. Ok, pode-se chegar a um acordo? Claro que sim, o bom senso tá aí pra quem quiser usar. O problema é que um dos dois terá que abrir mão da essência de seu sonho e aí, lá na frente, a frustração cobra a conta.

Isso acontece em todos os casamentos, sem exceção. Um sonho comum a duas pessoas terá suas diferencias individuais, portanto, não existe. A prova está aí para quem quiser ver, o número de uniões é do mesmo tamanho do das separações.

Todo mundo sabe que casar é ceder. Perfeito, na teoria é lindo, temos sim que abrir mão de algumas coisas em nome da união que se inicia. Mas… (maldito mas, sempre ele) abrir mão de algumas coisas significa abrir mão da sua individualidade. Ok, disse lá no começo que as pessoas nunca buscam isso, entretanto, só não buscam quando estão sozinhas.

Louco? Sim, Egos são completamente loucos. O que estou querendo dizer é que enquanto sós, as pessoas abrem mão de si. E quando se juntam, só pensam em si. Falo assim desse jeito curto e grosso porque não estou nem um pouco a fim de fundamentar como se deve mais essa louca teoria, que se junta à minha teoria da Família (Filhos) e do Armamento. Em breve vou pincelá-las por aqui…

Como já disse, alguns poderão dizer que o bom senso deva prevalecer, assim como a busca pelo ponto de equilíbrio. Concordo, acho mesmo que é o que deveria acontecer, mas afirmo categoricamente que é impossível.

O casamento é a soma de duas pessoas com sonhos individuais sendo eternamente (enquanto a relação durar) atrapalhadas uma pela outra. Ora, mas e o suposto amor que deveria agir como uma força maior e convergir os dois sonhos em um? Pois é, o amor é fraco. Por maior que seja, não tem força suficiente para conseguir isso. Repito, por um tempo é possível, mas só até um dos lados da união perceber que abriu mão de seu sonho em nome do outro.

Na hora em que isso acontece, a luta passa a ser individual e, para eliminar a frustração que, inevitavelmente se instala, a pessoas abrem mão da união.

Assim que se separam com o intuito de lutar pelos seus sonhos, elas abrem mão disso novamente porque entendem que ninguém pode ser feliz sozinho. Claro que pode.

Mas não somos obrigados a isso. Sei que é muito bom ter alguém para compartilhar a vida, mas os sonhos de cada um não podem fazer parte dessa relação, o que também, fatalmente vai atrapalhar o próprio casamento, uma vez que o sonho de um pode não se encaixar na cartilha do que venha a ser uma união estável.

A solução que eu encontro pra essa equação é que ninguém mais deveria se casar ou se juntar, apenas namorar eternamente. Talvez aí, a gente valorizasse: a importância do sonho; a individualização do ser não seria prejudicada; e um apoiaria a conquista do outro porque essa conquista normalmente não atrapalharia o namoro.

Sim, vocês que sabem ler as entrelinhas do que “não” escrevo entenderam meu ponto central: Casar é juntar duas pessoas para atrapalhar a individualidade de cada uma, impedindo o outro de realizar seus sonhos.

Somos de fato seres inteligentes, não?

MM

PS: Apenas a título de satisfação aos meus fieis leitores, tenho escrito pouco por aqui porque estou finalizando o primeiro volume de uma trilogia, um romance/polcial.

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