O Proibido é mais gostoso

Maçã

Ainda dentro do tema Certo ou Errado, por que será que o proibido atrai tanto a ponto de muita gente afirmar que é até mais gostoso do que o que é permitido? Pois é, deve haver – pelo menos eu acredito nisso – uma resposta técnica para tal questão.

Mas a verdade é que é verdade. Ops, lá vou eu para mais um texto cheio de confusões. Calma, MM, concentre-se.

Esqueçamo-nos da técnica, vamos para a prática. Pense aí, quantas vezes você sentiu prazer no proibido? A menos que você seja um chato ou uma chata – dediquei aos Prudentes uma crônica inteirinha no meu primeiro livro, o Descomporte-se – aposto que você já fez muita coisa proibida e sentiu um prazer imenso nisso.

Será que posso afirmar que o prazer foi maior do que as coisas equivalentes que são permitidas? Ah, pensando bem, ou melhor, lembrando bem, eu posso afirmar sim, muita coisa proibida que fiz, foram bem mais gostosas do que as permitidas. Mas a questão é bem anterior à minha existência.

Começou lá atrás com a primeira transgressão de que se tem notícia, o tal lance de comer a maçã, aliás fruta que eu adoro. De lá para cá a humanidade cometeu uma transgressão atrás da outra e deu no que deu, viciamos em correr riscos, em perigo, enfim, somos viciados no proibido.

Eu não faço a menor idéia do que acontece, mas o fato é que quando me deparo com algo proibido eu simplesmente enlouqueço. Parece que sou completamente dominado pelo meu Id (Para quem não sabe o que é Id, recomendo ler o texto da barra lateral à esquerda dessa página) e, por essas e outras é que eu sempre achei que suas manifestações não são apenas inconscientes como Freud propôs. Acho que para a maioria das pessoas essa manifestação aparece conscientemente também. O lance do “proibido” pode me ajudar a provar isso.

Tudo bem, da mesma forma é fato que admitir que amamos transgredir as regras é politicamente incorreto, diria até que uma coisa feia, mas cá entre nós, deixemos a hipocrisia de lado, fazer o que teoricamente não podemos ou devemos é uma delícia.

Acho que a coisa caminha pelo lado da curiosidade, por ser “diferente” do que fomos ensinados a fazer, parece que dá um gostinho a mais. Ninguém de nossas famílias nos ensina que devemos transar no carro, na escada ou elevador do prédio, mas quem é que nunca fez ou pelo menos sonhou com isso? E traição? Tem coisa mais errada do que trair? Pois é, errado é mesmo, mas quem nunca desejou fazer isso? Tudo bem, não posso generalizar, mas convenhamos, a maioria já traiu, vai trair ou pelo menos já teve vontade disso.

Difícil entender o que provoca nosso desejo de olhar o buraco de uma parede se estiver escrito em cima: Não olhe! Proibido olhar aqui!

Talvez não seja certo creditar isso apenas à nossa curiosidade, talvez Deus tenha errado ao nos criar com esse Bug no programa. A prova disso é a história da maçã. Logo de cara ficou provado que temos um erro de programação, provável que seja o lance do livre arbítrio, pois sendo livres para escolher, podemos fazer qualquer coisa. Triste é agüentar as conseqüências, mas… para tudo existe um preço. Quanto maior a excitação, mais alto deverá ser o custo da brincadeira.

Já procurei respostas, mas até hoje não encontrei nada que me satisfizesse. Até porque eu sou duro de ser convencido de alguma coisa. Mas analisando os meus atos proibidos eu vejo que a coisa caminha pela estrada do sim e do não. Quando crianças ou adolescentes, ouvimos de nossos pais muito mais a palavra não. Confesso que isso me atiçava e indo pelo lado do “desafio”, transgredi até não poder mais.

O preço? Bem, passei boa parte da minha vida tentando consertar as conseqüências. A outra parte passei de “castigo”. Castigo imposto pelos meus pais ou imposto pela própria vida que escolhi levar. Cada um tem o que merece, é um fato. Aqui se planta aqui se colhe, é outra verdade universal. Mas que ninguém nos ouça, adoramos a sensação de fazer o errado acreditando que não seremos descobertos, não é?

Uma frase daquelas célebres, não sei quem é o autor: Não ser descoberto numa mentira, é o mesmo que dizer a verdade.

Não sei por que, mas eu e meu Id adoramos essa frase…

Levando um pouco adiante, trocando algumas palavras, poderia afirmar que: Não ser pego fazendo o errado, é o mesmo que fazer o certo.

Como eu adoro me justificar defendendo com unhas e dentes as minhas loucuras…

MM

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