Pushing the Limits

Pois é… confesso que ando preocupado com um problema sério. Acho que não só preocupado, mas profundamente triste. Ledo engano acreditar que os mais próximos estão imunes aos problemas que chamo de existenciais. Claro que não é um nome técnico, mas é assim que defino todo e qualquer problema que temos na vida, para mim, tudo vem lá da raiz, a existência.

Não vem ao caso comentar por aqui do que se trata, mas claro que esse problema que estou vendo tão de perto me fez refletir sobre diversos assuntos. Um deles, talvez o maior problema existencial que exista, é lidar com a pressão.

Sim, somos desde sempre pressionados o tempo todo. Quando crianças, nossos pais “acham” erradamente que temos que aprender tudo rapidamente. Nos colocam em aulas de música, escolas de idiomas, academias, enfim, se esquecem – sabe-se lá por que – que uma criança precisa basicamente de duas coisas: Carinho e viver. Entenda-se por viver todas aquelas atividades que só as crianças sabem executar: Brincar.

Culpa dos pais? Não só, pois a sociedade se encarrega de contaminar a mente dessa gente, uma vez que nas rodas de amigos, os pais sempre querem se orgulhar dos filhos dizendo tudo aquilo que eles fazem. Uma bobagem sem tamanho. Um pai contamina o outro e assim a “coisa” se torna incontrolável, tipo: “O filho do fulano faz isso, o meu tem que fazer também”.

A criança, coitada, vive sob uma pressão completamente descabida. Não faz nenhum sentido transformá-las em adultos antes da hora. Essa armadilha, que eu chamo de “antecipação da vida adulta”, que os pais atiram seus filhos vai custar caro lá na frente. O intuito nesse caso é: Quero que meu filho seja melhor que o do outro. Deveria ser, quero que meu filho seja feliz. Simples assim.

Não são poucos os adolescentes problemáticos. Os recém adultos também trazem consigo problemas que poderiam – deveriam, na verdade – ser evitados. Adultos com problemas então é o que não falta. Tudo por causa do excesso de pressão que a sociedade nos impõe.

Estudar, trabalhar, namorar, casar, procriar, enfim, é pressão em cima de pressão. Nós, idiotas que somos, aceitamos sem reclamar. Pior, incorporamos esse estado insalubre de tal forma que criamos e alimentamos nosso mais perigoso inimigo: Nós mesmos.

É verdade, nós nos estragamos com o passar do tempo. Nos pressionamos a ser bem sucedidos sendo que não paramos sequer um minuto para pensar no que seria realmente sucesso. Sem entender e sem pensar, agimos contra nós mesmos cobrando coisas que talvez nem sejamos capaz de fazer ou ainda, nem queremos ter ou ser.

Essa “auto-pressão” é o primeiro degrau para alcançarmos doenças como depressão, síndrome do pânico, transtornos de ansiedade e tantos outros problemas psíquicos que vemos hoje em dia, doenças modernas como diriam os mais “antigos”.

Estes, os mais velhos, também sofreram, mas passaram por cima sem pensar. Não sei se é melhor ou pior agir dessa maneira, mas o fato é que a sociedade moderna se preocupa com essas doenças talvez porque temos mais liberdade para sofrer.

Antigamente as pessoas apenas levavam a vida taxando todo e qualquer problema psíquico como frescura ou loucura. Nossa geração é diferente porque no fundo no fundo sentimos falta e damos importância ao… “Viver”.

Os antigos sobreviviam e achavam que a vida era nascer, crescer, trabalhar, reproduzir e morrer. Nós não, nós sentimos falta do bem estar mental. Nos preocupamos, mas ainda assim, agimos de forma errada. Aceitamos ser colocados ou nos colocamos entre a cruz e a espada.

O tempo todo nos impomos maiores limites, queremos ter e ser melhores do que nossa capacidade permite, enfim, somos nós os responsáveis. Conheço poucas pessoas que deram seu grito de liberdade. Eu fui um deles em relação a pressão da sociedade, família, etc.. Mesmo assim, passei a vida toda – e ainda sou assim – fazendo maldades comigo mesmo, coisas que chamo de “Pushing the Limits”.

Uma estupidez, eu sei, mas é assim que levei a vida por minha conta e risco, empurrando meus próprios limites.

E olha que sou um homem que aproveitou muito bem a vida, mas tenho que confessar que sempre dei um jeitinho de elevar minha “nota de corte”. Em alguns momentos até me ajudou a superar desafios, mas em grande parte do tempo só restou-me fazer uma pergunta: Pra que?

MM

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