Antes de Partir

Luz

O amigo Kris Arruda escreveu muito bem sobre o tema em seu Blog e mais uma vez decidimos falar sobre o mesmo assunto ao mesmo tempo, como já fizemos tantas vezes. Assim sendo, lá vou eu…

Antes de partir é um filme incrível. Apesar de bem triste, faz a gente refletir sobre esse tema que temos tanto medo sequer de pensar. A morte é a única certeza que temos na vida e mesmo assim, apesar de sermos inteligentes, lidamos mal com isso. Claro, a maioria de nós adora viver e sem saber o que há de fato do outro lado, nos apegamos à vida com todas as forças.

Mas imaginemos a situação, um médico lhe dá um ano de vida. O que fazer? Alguns vão se desesperar, sentar, chorar e esperar a hora chegar. Outros, ainda que desesperados, vão tentar correr atrás das coisas que deixaram de fazer. Mas o fato é que a maioria não pensa numa coisa, tão bem relatada no texto do amigo Kris: Por que é que temos que esperar esse aviso do médico para fazer o que sonhamos?

Sendo bem realista, não podemos deixar de lado os fatores impeditivos, como dinheiro, por exemplo. Mas sempre se pode dar um jeito de visitar aqueles lugares que sonhamos a vida toda em ver de perto. Uma idéia é fazer algo radical como vender tudo e sair pelo mundo com uma mochila nas costas. Bem, quando não sabemos que temos apenas um ano de vida, fazer isso é quase que uma irresponsabilidade, afinal de contas, quando voltar da sua viagem não terá nada além das lembranças das suas loucuras.

Podemos fazer aqui duas perguntas: Para que servem coisas materiais quando sabemos que daqui a um ano tudo isso não será necessário? Ou ainda, como toda moeda tem dois lados, para que servem as lembranças de uma viagem se vamos partir?

Friamente falando, eu prefiro partir com as lembranças. De nada serão úteis depois, mas deve dar um certo conforto você saber que cumpriu sua missão, que atendeu seus desejos mais profundos.

Mas há ainda outros aspectos que eu gostaria de abordar para diferenciar meu texto do que meu amigo escreveu, até porque pensamos parecido sobre essas questões. O que você faria de verdade? Se despediria das pessoas, deixaria elas saberem que você tem apenas um ano de vida? Contaria para todo mundo ou guardaria seu segredo mais dolorido só para você?

Faria as pazes com quem brigou ao longo da sua vida? Mandaria aquele e-mail pedindo desculpas por tudo? Faria aquela ligação para o ex amor da sua vida contando tudo o que sentiu esse tempo todo? Perdoaria a quem te fez mal?

Pois é, a gente não pensa nessas coisas porque até onde sabemos, não sabemos nada em relação à nossa própria partida, com perdão pelo trocadilho.

Alguns dirão ao médico: Um ano? Apenas um ano? É muito pouco tempo… É verdade, um ano parece pouco para quem não viveu a vida de forma plena. Para outros, um ano é muito tempo, pois há nesse mundo muita gente realmente cansada de viver. Triste sim, mas é verdade.

Ninguém fica indiferente em relação a esse tema. Ter a certeza de que esse dia chegará em apenas um ano é, ou melhor, deve ser assustador. Mas em vez de pensar nisso por esse lado, viremos nossa moedinha e olhemos o outro lado. Me diga uma coisa: O que você fez desde o dia 13 de outubro de 2008 até agora, exatamente até hoje? Viveu plenamente? Realizou algo importante para você? Perdoou, pediu perdão, riu, chorou, mandou aquele e-mail, fez a tal ligação?

Pergunto isso porque você pode morrer hoje. Espero que não, mas pode acontecer. Os menos sensíveis dirão: Que diferença faz se vou morrer mesmo?

É um ponto de vista, sem dúvida alguma, mas eu diria que um tanto quando egoísta, pois de repente, fazer essas coisas poderia te aliviar, mesmo que não fizesse diferença alguma estar ou não aliviado na hora da morte, mas pense novamente pelo outro lado:

Será que não faria uma grande diferença na vida de quem ainda vai ficar por aqui algum tempo?

Eu já pensei muito nisso. Já quis viver, já desejei morrer e até já cheguei bem perto da morte por problemas de saúde. Essa experiência mudou algumas coisas da minha vida, mas confesso que não todas. Será que terei que ouvir do médico a sentença para fazer algo ou posso começar agora sem saber que dia tudo isso aqui vai acabar para mim?

Coloque-se em meu lugar e eu farei o mesmo: Acho que temos que começar a fazer algo, não? Que tal começar comprando uma mochila? Ou simplesmente, caso tenha esse desejo, pegar seu telefone e discar aquele número que você tem na memória, na sua memória…

MM

Anúncios
Publicado em Ego. Tags: . 6 Comments »
%d blogueiros gostam disto: