O Peso da Experiência

Peso da Experiencia

Pois é… eu aqui pensando em algo pra escrever e a única coisa que tenho em mente é falar sobre o peso das experiências. Experiências em todos os sentidos que essa palavra possa ter. Claro que já escrevi sobre as experiências culminantes, falei também das pessoas que têm experiência de vida, profissional, etc.

Acumular experiência deveria ser uma coisa saudável. Mas não é bem assim que funciona e saibam, o que vou falar hoje passa batido, quase ninguém dá bola para essa questão. Como a palavra experiência – apesar de existirem as ruins – em grande parte do tempo está associada a coisas boas, pensar ou achar que essas “coisas boas” possam nos fazer mal é quase uma insanidade. Mas fazem.

Vou tentar explicar: Ter experiência é o mesmo que afirmar que se está mais preparado para qualquer eventualidade do que quem não a tem. Até tá fácil e continua na “coluna” coisas boas. Mas agora sou obrigado a falar sobre o complicador da questão, sendo curto e grosso como de costume, vou direto ao ponto:

Mais ou menos assim, quanto mais experiências acumulamos, mais a vida fica chata ou tediosa. À primeira vista deveria ser diferente, não? Mas não é.

Chega um momento da vida, e afirmo que todo mundo vai passar por isso, que desencanamos de certas coisas porque já sabemos como será o fim. Como se fosse um filme visto pela segunda vez, antecipamos o final da história e isso faz com que generalizemos quase todas as questões da vida, tudo se torna óbvio, chato, tedioso e previsível.

É completamente absurdo agir assim, mas é o que nossas mentes nos diz: Vai fazer isso de novo por que se já sabe onde isso vai dar?

Pois é, mas eu disse quase todas as questões. Em uma delas pelo menos não ficamos entediados por repeti-la: O amor.

Por mais que tenhamos tido experiências ruins, por mais que saibamos que todas as relações um dia vão terminar, estamos sempre prontos para um novo amor. Cabe aqui um parêntese e por isso vou escrever entre parênteses… (Toda relação acaba sim, seja por incompatibilidade, seja por traição, seja pela morte de um dos dois)

Retomando, mesmo que as pessoas que sofreram por amor – e quem nunca sofreu – afirmem que queiram “dar um tempo sozinhas”, que não “querem saber de se relacionar”, fazendo uso aí da experiência negativa da “ultima relação”, é mentira. Eu afirmo novamente com todas as letras: É mentira!

Estamos sempre prontos para uma experiência nova. Nesse quesito, sejam lá quantas tenham sido as experiências ruins, as decepções, estamos “sempre prontos pra outra”. Acreditamos no senso comum que afirma sabiamente que apenas um novo amor cura uma dor de cotovelo. E é verdade. Nunca estamos entediados quando apaixonados. Repito, isso no quesito amor. Não serve para outras áreas da vida.

Podemos até os envolver com um projeto novo, até mesmo nos apaixonar por ele, mas se você já teve alguma outra experiência similar ou mesmo igual, vai se desencantar em pouco tempo porque sua voz interior vai te falar novamente: Pra que fazer isso de novo se você já sabe o resultado?

Bom, lá vou eu de novo contar para vocês uma coisa a meu respeito. Eu tinha um sonho, desde muito cedo, de escrever um livro. Mesmo apaixonado pela idéia, demorei a fazê-lo. Durante o processo do meu primeiro livro, estava encantado com a experiência nova. Batalhei editora, consegui quem acreditasse no projeto e pronto, o livro foi lançado. Aí vieram o segundo e o terceiro, quase que ao mesmo tempo, um foi lançado em setembro e o outro em novembro de 2005. A sensação, ainda que boa, foi bem mais morna. Eu já sabia como era. Eu já conhecia todos os mecanismos, eu já tinha experiência e conhecia até os atalhos. Me perguntava todos os dias, qual a graça de fazer algo que você já fez?

Aquela velha e boa pergunta que eu adoro da propaganda da empresa aérea Emirates: Qual foi a última vez que você fez algo pela primeira vez?

Isso serve pra tudo, ou melhor, pra quase tudo. Para o amor, como disse, não serve. Por mais que seu amor atual seja “igual” ao passado, por mais que você saiba que um dia, sem mais nem menos tudo vai terminar, repetimos.

Por que? Bem, porque seres humanos não vivem sem paixão, sem amar, sem ser amado. Mesmo sabendo qual será o fim, tentamos novamente torcendo para que “dessa vez seja diferente”.

Se pudéssemos levar essa mesma crença para as outras áreas da vida, talvez não chegássemos aos 30, 40 ou 50 anos acredtiando que já fizemos de tudo e com as malditas minhocas na cabeça nos perguntando… Por que fazer de novo?

MM

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Mentes Obscuras

escuridao

Quem nesse mundo consegue entender a mente humana? Vou além, quem nesse mundo consegue entender a própria mente? Ninguém.

Não deve haver uma só pessoa que não tenha, em parte de sua mente, diria até que nas profundezas, um lado escuro. Aqueles sentimentos que produzimos e armazenamos com o passar do tempo, com as experiências vividas e observadas. Aqueles pensamentos devastadores que temos nos momentos de infelicidade, ou melhor, de tristeza profunda.

Brinco muito com o nosso “lado negro da força”, fazendo alusão ao cinema, mas a verdade é que temos esse lado e ele não é apenas usado como… “fazer mal aos outros”, esse lado muitas vezes faz mal a nós mesmos.

Enfim, a idéia aqui é tentar descobrir porque é que temos pensamentos obscuros, aqueles que não dividimos nem com padres em confessionário nem com terapeutas. Provável que guardemos isso apenas para nós mesmos porque temos medo do julgamento dos outros ou talvez até por vergonha de pensar.

Ao contrário do que o senso comum absorve como uma verdade absoluta, um suicida, por exemplo, não é aquele que se mata sem anunciar. O senso comum “diz” que quem quer tirar a própria vida não anuncia, simplesmente faz. Isso é mentira e já foi provado cientificamente.

O suicida anuncia, o problema é que por causa do senso comum, ninguém dá bola. Quando acontece o crime, sim, tirar a própria vida é crime, as pessoas simplificam e falam: Ele(a) era louco(a). Já vi isso bem de perto. As pessoas não querem entender nem pensar nisso, preferem simplificar. É assim mesmo, ninguém mais quer pensar profundamente nas coisas da vida ou da morte, preferem rotular e ponto final.

Falando especificamente sobre esse assunto, o que se pode fazer com a mente de alguém que insiste em tirar a própria vida?  Ok, confesso que tenho certa curiosidade e vontade de estudar o tema, por isso adoro o filme A Ponte. Nesse filme que é um documentário sobre pessoas que pularam da famosa Golden Gate, há um pai que fala sobre o filho suicida (que por sinal é o único que pula e não morre) ter uma espécie de câncer mental que o perturba de tal maneira que parece ser incurável, como todo “bom” câncer deve ser. É lindo o depoimento desse pai. Lindo e profundo. Ele observa com perfeita e incomum clareza sua impotência diante de um filho que tem um “câncer” mental e optou por se jogar das alturas, como se aceitasse a opção do próprio filho em “curar” dessa maneira a suposta doença. Vale a pena ver, como estudo da mente humana. Eu já vi diversas vezes.

Esses pensamentos obscuros que aparecem em nossas mentes sem convite são mesmo bem esquisitos. Mas é assim que a vida é. Eu já falei tantas vezes sobre os compartimentos que tenho dentro da cabeça, mas hoje vou explicar novamente. Transformei a mente em uma escrivaninha do século retrasado. Daquelas que têm dezenas de gavetinhas devidamente categorizadas. Lá deixo separados os pensamentos ruins, bons, as idéias, os projetos, enfim, cada coisa em seu devido lugar, até lixo tem, como observaram os que leram meu texto Revirando o Lixo, texto este que está aqui nesse mesmo Blog.

A idéia de ter transformado a minha mente nessa escrivaninha chique e antiga teve um motivo especial: Toda escrivaninha como essa tem uma porta corrediça que fecha tudo. Isso é importante pra mim, vez ou outra fecho todos os compartimentos. Fazendo isso creio cegamente que estou trancando tudo e passo assim a não pensar em nada. E o que seria “pensar em nada”? E o que seria o nada? Filosofia de botequim à parte, é claro que não pensar é impossível, mas eu amo me enganar ou pelo menos tentar.

Agora estou às voltas com uma questão que está me atormentando noite e dia. Me sinto impotente diante de uma situação limite. Não há nada que possa fazer, apenas sentir. E esse problema nem é comigo e sim com uma pessoa que amo muito. Na verdade, trata-se de um problema que pode ser enquadrado no tema deste texto, algo perturbador de uma mente obscura.

Pensando nisso tudo chego à conclusão que a mente humana é terrível mesmo. Não sei o que aciona esse mecanismo autodestrutivo, talvez um conjunto de coisas e não um fato isolado. A dificuldade é acompanhar isso de perto quando se está longe.

Para quem está com pensamentos obscuros e busca essa saída, nada mais faz sentido, nada tem significado e nem querem ajuda alguma. Algumas pessoas, aquelas que estão vendo a situação “do lado de fora” sentem pena, dó. Não tenho pena de quem busca isso, acho que é um desperdício apenas. Mas a verdade é que a opinião dos outros não faz a menor diferença. Nem a de quem os condena, nem a de quem quer ajudar de alguma forma. Nada importa.

Tudo o que uma mente dessas quer é abreviar o tempo, é interromper o processo natural da vida. Nesse caso específico a que me refiro, o que a mente obscura em questão mais queria é sequer ter existido.

MM

PS: Tô aqui, torcendo pela sua recuperação. Amo você, Carolina.

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