Mea Culpa

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Pois é, retirei alguns posts daqui. Errei a mão, leitores odiaram e com toda razão. Cheguei a ser ofendido em alguns comentários que nem postei dadas as palavras utilizadas. Claro que eu sou capaz de entender tanta fúria, fui eu quem fez uso dela primeiro. Toda ação provoca reação.

Resolvi usar esse tema hoje porque ele cai como uma luva para mim e creio que também para alguns leitores que se escondem atrás de comentários anônimos ou que não comentam colocando seus e-mails para que eu possa responder. Vai de cada um. Até porque, todo mundo, sem exceção, sempre está disposto a ter a última palavra, não é assim? Pois bem, que tenham.

Há alguns anos atrás, bem no meio de uma tempestade interna, quero dizer depressão profunda, ainda que saísse de casa para trabalhar, fui levado à lona. Isso aconteceu num período relativamente “curto”, durou bem uns… 4 anos. Nesse período eu fiz muita coisa errada, sempre ousando me amparar na desculpa de que estava doente e podia fazer qualquer coisa para me satisfazer. Bobagem. Era uma tentativa desesperada de voltar ao normal ou uma revolta pelo que aconteceu. Já explico.

Isso ocorreu em meio a muita coisa boa. Por incrível que pareça. Começou perto de eu lançar meu primeiro livro, ou seja, perto de realizar um sonho antigo. Nunca foi o maior sonho da vida, mas eu dei esse significado àquilo naquela época. Não sei por que cargas d’água, eu achei que era como pisar na Lua… Outra bobagem movida pela emoção. O maior sonho da vida eu já tinha realizado antes, mas não me dava conta até então.

Poucos meses depois desse evento tão importante para mim, fisicamente doente por causa da diabetes, sendo cuidado erradamente por um médico bambambam, entrei em coma e quase parti desta para a melhor, como dizem. Eu tomava remédios errados, orientando pelo médico e quase fui embora. Como não fui, achei que deveria olhar melhor para minha vida. Pois bem, a coisa se complicou ainda mais.

Eu já havia feito tudo o que queria. E aí, o que me motivaria a continuar por aqui? Continuava trabalhando, fazendo tudo o que queria como sempre fiz, escrevendo porque era e é meu hobby e não minha profissão como uma leitora pensa e escreveu em seus comentários agressivos e irônicos, mas fazia tudo isso no automático, não mais por prazer. Trabalhava nas minhas empresas para poder comer, escrevia por escrever, vivia sem a menor graça. Lá no fundo, já contei essa história mil vezes, na noite em que passei mal e entrei em coma, em nenhum momento eu tive medo com a “certeza” que iria morrer. Talvez eu não esperasse ser salvo pela minha ex-mulher que percebeu algo estranho e correu da casa de praia para São Paulo me socorrendo a tempo. Notem, eu não tive medo, instinto básico de sobrevivência. Lembro que um dia, alguns meses depois desses dez dias de hospital, ainda sob efeito de uma profunda depressão, eu falei a ela: “Nunca vou ter certeza se eu te agradeço ou te culpo por ter salvo minha vida.” Um absurdo, né? Mas eu fiz isso. Ela entendeu numa boa porque sabia o que eu estava passando.

Obviamente que esse sentimento de ter preferido ir embora, mas sabe-se lá por que razão ter ficado, provocou uma revolta interna. Virei um rebelde ainda pior do que sempre fui. Antes eu era ácido, depois passei a ser azedo e amargo. O tempo passou e a terapia não ajudou em nada além do que três toques geniais da psicóloga. Um ano de terapia para três insights. Pouco, mas valeu.

Passado algum tempo, a coisa começou a desanuviar e eu passei a entender que tinha minhas razões para não querer continuar a viver, mas como alguém lá em cima ou lá embaixo não me aceitou, achei por bem deixar o assunto esquecido. E lá está até hoje.

Retomando: Um dia, eu e minha ex saímos para jantar com um casal de amigos dela. O marido começou a falar da religião dele, etc, etc. Aí ele soltou uma boa para mim. Disse: “Já li seus livros, gosto do seu tipo de humor ácido, leio seu site, etc. Acho que você precisa de uma coisa só para ficar confortável consigo mesmo: Praticar a tolerância”.

Eu comecei a rir porque se tem algo que não faz parte do meu DNA é a tolerância. Não tolero injustiça, não aceito desculpinhas para quem não conhece o próprio idioma, não suporto erros de qualquer espécie, odeio gente burra porque entendendo que inteligência não vem de fábrica, portanto, todos temos a capacidade de absorver coisas… enfim, tolerância passa longe da minha mente e atitudes. Isso vale para mim também. Esse será o ponto central desse devaneio todo.

Não sei por que, mas de uns tempos para cá eu ando pensando nisso novamente. Não consigo praticar, só pensar e imaginar como seria se conseguisse. Não descobri ainda que efeitos positivos ou negativos isso certamente vai causar no meu Ego-Sistema. Claro, os efeitos serão bons e ruins como tudo nessa vida. A pegadinha está, de novo, na intensidade…

Hoje acordei disposto a fazer uma experiência. Tenho motivos para isso, como disse, errei a mão em alguns textos, comentários, conversas… em suma, estou descontando nos textos e nas pessoas algo que está rolando aqui dentro. Isso em psicologia chama-se “Projeção” que é um dos mecanismos de defesa do Ego. Um dos mais odiosos, diga-se de passagem. Apesar de que todo mecanismo de defesa tem seu lado odioso, mas se nosso Ego não se defender, quem o fará? Não estou, pelo amor de Deus, justificando as bobagens que falei esses dias. Estou explicando. E me culpando, certamente. O Ego é meu, o erro é meu. Simples assim…

Vou me forçar a praticar a tolerância. Não se trata de engolir sapos, mas de rever alguns conceitos e ficar calado quando a vontade de falar e chutar a porta forem grandes. Também não é o caso de aceitar qualquer coisa que veja e que seja contra, por exemplo. Trata-se de desprezar o que os outros falam ou fazem que me diga respeito. É mais ou menos como não estar nem aí com as atitudes alheias. Pode ser que funcione. Mas a linha é tênue…

O que os outros pensam sobre mim é problema deles e não meu. Esse, vocês que me lêem sabem, é um dos meus lemas. Agora vou ampliar: O que os outros fazem a mim, também será problema deles e não meu. Não se trata de me proteger dos outros, trata de não me envolver com o que seja sobre mim, entretanto que não diga respeito à minha essência. Trata-se de ser tolerante comigo. Com os outros também não sou, mas tenho obrigação de ser.

Vamos ver se dá certo. Vou tentar ser mais Zen e menos Faca nos Dentes. Peço desculpas aos meus fiéis leitores não só pelos textos retirados e, sobretudo, pelos textos escritos. Aos leitores eventuais ou que entram aqui só para me agredir, peço desculpas também pela impressão errada.

A todos os leitores, lembro que esse desabafo só foi postado porque Blogs nasceram para ser os Diários Pessoais de seus autores. Eu uso esse aqui para isso também. Afinal, o Blog é meu e faço o que bem entender com ele… (Olha a tolerância, Marcelo)

MM

PS: Volto ao tema amanhã.

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