Inquietudes

Não lembro o número exato de vezes que eu desisti de escrever o livro Ego-Sistema, mas se não me perdi nas contas, acho que foi algo perto de 246.877 vezes. Desde que lancei meu último livro, há mais ou menos 300 vidas atrás, eu enfiei na cabeça que deveria escrever um livro meio que definitivo sobre comportamento humano, ou seja, falar sobre Egos. Pura bobagem.

É melhor manter esse assunto por aqui, num Blog ou em revistas, sites, mas não em um livro. Definitivamente não suporto esse universo da auto-ajuda, assim sendo, não quero fazer parte disso colocando nas livrarias mais um livro sobre o tema. Já trabalho com isso, lido diariamente com “auto-ajudar” pessoas a se reerguer ou até mesmo se erguer. Minha ex-terapeuta sabiamente disse-me uma vez:

“Há uma infantilização em nossa sociedade, poucos querem enfrentar o desafio de crescer”. Palavras mais do que verdadeiras, se é que isso existe.

Em meu trabalho faço isso, ajudo as pessoas a se tornarem adultas, a se tornarem mais fortes para lidar com o “mundo lá fora”. Busco ainda transformá-las em pessoas o mais independente possível, já que independência plena absolutamente não existe. Sei que muitos confundem a independência financeira com independência plena, mas isso é maquiar a realidade. Meu trabalho foi desenvolvido e criado por mim justamente na contramão do que a sociedade mais quer, eu mostro o espelho, a realidade, pois boa parte prefere viver escondida de todos e, mais grave ainda, escondidas de si mesmas.

Até achava que eu tinha uma espécie de obrigação de publicar um livro sobre tudo o que envolve nossos Egos, mas essa obrigação não era para com a sociedade, não sou tão pretensioso assim, era uma obrigação para comigo mesmo. Ou seja, satisfazer meu próprio e inflado Ego. Pra que? Pra nada, pura bobagem dessa mente inquieta. O que tem que valer é minha essência e não uma suposta satisfação do Ego. E minha essência não gosta mesmo desses livros de auto-ajuda. Nem estou questionando a eficácia deles, estou apenas expondo minha opinião.

Enfim, andar de acordo com minha essência também é uma forma, provavelmente a melhor delas, de satisfazer meu Ego, não é? Pois então… é o que estou fazendo.

Essas coisas são mesmo engraçadas, já tentei escrever e desisti desse livro tantas vezes e sempre fica uma pontinha de dúvida se estou ou não fazendo o melhor. A dúvida insiste em me atormentar. Dessa vez pensei de forma distinta das outras.

Lá na frente do meu fiel companheiro, meu espelho, conversei comigo numa manhã dessa semana dizendo:

“Sou um escritor compulsivo, sou capaz de escrever sem parar e também capaz de finalizar um livro em poucos meses. Se até hoje não o finalizei, algo deve estar errado. Mas onde está o erro?”

A resposta é tão simples que fiquei irritado pela minha insistência em manter vivo o suposto desejo de finalizar tal obra: O erro está em achar que preciso fazer o que não quero.

Pode parecer estranho, mas é assim que penso em relação a esse livro. Eu não quero e se não quero, porque insisto em achar que preciso? Mais e mais confusões dessa mente inquieta. Sei lá, mas creio que todo mundo um dia passa por isso quando tem que tomar uma decisão.

É só um desabafo. Gosto de desabafar escrevendo e às vezes uso meu Blog pra isso.

Em suma, ao abandonar esse livro, por hora me sinto livre. Parece que tirei um peso da mente e, como tudo na vida, pode ser que essa decisão não seja definitiva, mas o é neste momento.

Agora estou trabalhando em outro projeto, retomando algo que já está bem adiantado, uma trilogia. Minha primeira investida em outro universo, uma narrativa, um romance/policial, uma novel se preferirem.

Trata-se da história de um cara que se vê obrigado a fugir do que persegue…

MM

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