Humildade faz mal

Hoje de manhã postei a seguinte frase no Twitter: Quanto mais humilde você for, mais baixa será sua autoestima.

Assunto delicado esse, mas vou explicar por que afirmo isso. Deixo claro aos religiosos de plantão que sou católico praticante, portanto, um admirador de Jesus. Não sou temente a Deus porque isso é bobagem, temo apenas quem me faz mal e até hoje, Deus tem sido legal comigo, não há porque temê-lo e sim agradecê-lo.

Falei de Jesus porque alguém inventou que – pelo fato dele andar de túnica e sandálias – ele era humilde. Bom, eu discordo. Jesus era um grande exibido. Ninguém anda sobre as águas, multiplica pães e peixes, cura doentes se não for para se exibir. Lembre-se que ele fez todas essas coisas na frente de multidões… e eu o admiro justamente por isso.

Então, onde é que tá a humildade de Jesus? Nas roupas? Ora, façam-me o favor. Ele não podia ser simplesmente um Hippie fora de época?

Além disso, discordo veementemente dessa pregação de humildade que há na sociedade. Penso que quem prega essa besteira é quem está no poder, no comando da situação, em suma, quem está por cima prega que os que estão por baixo sejam humildades. Fácil, não é?

Eu não caio nessa, e provo por A + B que isso é uma grande besteira, uma grande hipocrisia:

Digamos que você seja aquele tipo humilde, que anda pra lá e pra cá dizendo que todo mundo tem que ser assim, etc e tal. Aí você precisa procurar emprego. Vai a uma entrevista e se mostra o humilde em pessoa. Não diz seus valores, suas capacidades, seus anseios e ambições. Em outras palavras, você é médio aqui, sem sal ali, meio capaz disso, e por aí vai.

Pergunto, por que é que você merece a vaga? Quem nesse mundo contrata um ser mediano? Bom, muita gente contrata, mas na teoria ninguém quer seres médios trabalhando em suas empresas, certo?

E qual o problema de chegar nessa entrevista e bater no peito dizendo-se o melhor para a vaga? Oras bolas, não foi isso que você colocou no seu currículo? Que era o “fodão”? Se mentiu no que escreveu, problema seu, deveria se conhecer e também às suas capacidades reais e verdadeiras e não mentir. Entretanto, se você é bom em algo, alardeie pelos quatro cantos do mundo.

A humildade, em minha modesta opinião, tem muito mais a ver com reconhecer seus valores do que qualquer outra coisa. Na boa, se os seus valores são bons, se sua capacidade é acima da média, esconder isso vai te ajudar em que, me diz?

Tudo é uma grande bobagem, hipocrisia mesmo. Os mesmos que acham que a humildade é necessária – falo humildade como a maioria da sociedade pensa – são os mesmos que têm a autoestima lá embaixo. Os que já chamei por aqui de “coitadinhos”. Olha, isso me irrita muito porque em sã consciência, quem quer na sua empresa um coitadinho? Quem quer se relacionar com uma pessoa medíocre? Ninguém!

Gente, as pessoas montam em cima dos humildes. Aí no outro sentido da palavra, humilham mesmo. E não me venha dizer que nem todo ser humano é ruim porque é mentira. Ruindade ou bondade só depende da posição em que a pessoa está. Simples assim. Quem está por cima toma conta da situação, dá as cartas, normalmente para apenas e tão somente satisfazer o seu próprio Ego. Se você estiver sempre por baixo, é quase óbvio que sua autoestima estará baixa.

Se gostar de ser assim desse jeito, vai lá, siga em frente abaixando a cabeça para que os outros sempre dominem a situação, seja ela qual for.

Bater no peito e dizer que você é bom não é arrogância, é reconhecimento. Se você for bom, é claro. Se ainda não for bom em alguma coisa, prepare-se bem e assuma o seu papel de comando. A gente sente uma coisa boa quando temos consciência do que estamos fazendo.

Alguns ainda confundem simplicidade com humildade. Eu digo que as duas coisas são bem parecidas, mas com uma sutil diferença, ser simples não quer dizer simplório.

Enfim, o que quero passar aqui é um recado bem fácil de entender: Sabe aquela gente que afirma “ser difícil falar de si mesmo”? Pois é, se a própria pessoa não consegue falar de si, provavelmente é porque ela não tem nada de interessante para oferecer.

Aprendi muito cedo a bater no peito e isso sempre ajudou minha autoestima. Bato no peito quando sou bom e bato no peito quando sou ruim. Sei as minhas qualidades e meus defeitos. Não uso meus defeitos para me fazer de humildezinho ou coitadinho.

Uso meus defeitos como sinal de alerta de que preciso melhorar naquele ponto específico. Uso minhas qualidades para reforçar minha autoestima e mantê-la elevada, porque se eu não fizer isso por mim, pouca gente vai fazer.

MM

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