Fogo amigo

Tiro

É fato que nossos Egos nos enganam, acho que todo mundo sabe disso. Tanto pode ser obra do Superego quanto do Id. O que eu não sei é de “quem” é a culpa por um sofrimento que vem de uma coisa chamada expectativa.

Normalmente chamamos de frustração, mas também pode ser decepção, como falei ontem, depende do significado que você der ao que te causa algum mal. Eu sempre disse e escrevi que tento não permitir ser tomado por qualquer expectativa. Falei em tentativa porque sei que é impossível viver sem nenhuma, mas devo morrer tentando e confesso uma coisa aqui para você: A cada dia que passa, as expectativas vão diminuindo, afinal, gato escaldado tem medo de água fria.

Assim sendo, vou falar hoje sobre expectativa e frustração, talvez até decepção. Quando nos relacionamos com alguém, seja qual tipo de relação for, criamos, sei lá por que, alguma expectativa em relação à pessoa. Normalmente o início de qualquer relação é uma coisa boa, portanto, a expectativa é sempre de receber o melhor do outro. Os mais afoitos, se doam antes, pensam que vão receber depois e não se importam. Já os mais desconfiados, recebem antes e depois doam.

Aí você se disponibiliza para a pessoa e conforme o tempo vai passando, uma ligação de confiança vai se estabelecendo, se solidificando e a entrega é cada vez maior. Normal quando a coisa é uma via de mão dupla, mas… nem sempre é assim. Poderia até afirmar que é quase impossível que uma relação decepcione ou frustre logo em seu início, quando ainda estamos naquela fase de esperar o melhor, mas nos preparar para o pior.

O fato é que mais cedo ou mais tarde, quase todo mundo decepciona todo mundo. Quando escrevo isso, me refiro também a nós, ok? Senão fica parecendo que, eu aqui escrevendo e você aí lendo, nunca decepcionamos ninguém.

Isto posto, queria de fato descobrir por que é que não ficamos naquele estado de alerta do começo por todo tempo? Quem nos libera para seguir em frente sem medo? Id ou Superego? Ah meu amigo Sigmund Freud, será que você explicou isso antes de morrer? Pergunto porque parece que não aprendemos nunca a nos blindar.

Por mais que existam pessoas que estejam sempre em estado de atenção, até mesmo essas se decepcionam, pois nunca esperam algo ruim vindo de alguém que, supostamente deveria estar no mesmo barco e mais, remando para o mesmo lado. É o que chamam por aí de “fogo amigo”.

Como é que se previne o tal fogo amigo? Existe uma fórmula? Óbvio que não, afinal de contas, quem é que pode imaginar que nosso “amigo” é quem vai nos dar o tiro? Mas o fato é que eles atiram, atiram para matar e com armas de grosso calibre.

Falo de nossos pais, filhos, amigos, namorados, maridos e esposas, amantes, enfim, falo de todo mundo que esteja em qualquer tipo de relação. A verdade, caros leitores, é uma só: Todos nós somos cruéis ao extremo e essa crueldade é mais presente nas relações mais próximas. Como eu costumo dizer, a gente ferra com o amigo porque o inimigo não deixa.

A conclusão lógica dessa mente que vos escreve é óbvia: Deveríamos ter dentro de nós Ids ou Superegos inimigos, pois assim eles nos manteriam longe do alcance dessas balas.

É triste ver amigos decepcionando, amores da vida mentindo, pais machucando, famílias se deteriorando e tudo isso em nome de que? De absolutamente nada. É a decepção pela decepção, sem nenhum sentido lógico a não ser se resolvermos aqui acreditar que a crueldade impera, e que nossos mecanismos de defesa não nos defendem eficazmente.

A verdade é uma só: Todos mentem. Inclusive nossos Ids. Inclusive nossos Superegos.

MM

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