Culpa de quem?

culpa

Ainda pegando o gancho anterior, a tal Crise, entendo que um dos maiores “problemas” da humanidade, o desejo, sabemos que somos movidos por ele e é o próprio desejo que nos causa os maiores sofrimentos e frustrações. Pior, desejamos muitas vezes o que não nos serve para nada em essência. Aqui falo de coisas materiais, sonhos de consumo e também dos desejos em ser.

Desejamos ser, muitas vezes o que não queremos em nosso íntimo. Algumas vezes para atender as expectativas da família, outras vezes para atender aos desejos que temos em ser reconhecidos, mas raramente desejamos ser o que queríamos ser de verdade. Nossa, que frase mais esdrúxula.

É preciso retomar alguns assuntos já tratados anteriormente, tipo aquela pergunta chata: Do que você realmente gosta? Eu, por exemplo, gosto do movimento. Talvez por isso eu goste tanto do mar. Sempre em movimento, sempre indo e vindo. Sei que parece até o artigo número um da constituição, direito de ir e vir, mas falando sério, eu adoro o mar, só que com um pequeno detalhe: Eu não suporto mar calmo. Eu gosto mesmo é de tempestade. Falei que era meio normal só às vezes, mas enfim, odeio aquelas praias com águas quase paradas. Talvez por isso eu nunca tenha procurado fazer nada muito “calmo” na vida.

Sempre quis coisas dinâmicas. Alguém pode até falar que escrever é algo parado, mas eu o desafio, tente sentar em frente a um computador e colocar as idéias em ordem… Não é fácil. E é dinâmico, pois o pensamento anda muito, muito mais depressa do que os dedos no teclado.

É óbvio que tive e tenho outras atividades, pois viver de vendas de livros não daria nem para comprar uma camisa. Usada… E em quase todas as minhas atividades durante a vida, procurei sempre algo que me motivasse, no sentido explicito da palavra, coisas que tivessem forte apelo emocional, em outras palavras, algo que causasse estresse mesmo. Um dia diferente do outro e coisas impossíveis de serem resolvidas. Era uma delícia. Uma delícia de verdade, pois isso sempre me fez sentir que estava vivo.

Era – e ainda sou um pouco – o cara que podia ser definido em qualquer projeto das minhas empresas como sendo o “como”. Quer saber como se faz isso? Jogue a bomba no colo do Marcelo. Desse jeito. O Santo das causas impossíveis. O cara que transforma problemas em pequenos obstáculos. Claro, sem falsa modéstia, muitas vezes o cara que transforma pequenos problemas em icebergs prontos para atingir o Titanic.

O problema é que nada do que eu fazia era meu sonho, pois deixei na “gaveta” o sonho de escrever até meus 43 anos. Mas mesmo assim, tinha uma vida dinâmica, nada burocrática, um dia diferente do outro até que um belo dia… a casa caiu. A crise financeira me pegou e não tinha mais saída, tive que, para sobreviver, ir trabalhar na empresa da família. Que faz o que exatamente? Vende burocracia. Apenas para definir em poucas palavras. Era como se eu ficasse o dia todo carimbando papéis em uma repartição pública. Nada a ver comigo, se é que me entendem.

Bom, o que uma mistura de burocracia, monotonia, crise financeira, e prostituição pode dar? Depressão, certo? Certo. Por que prostituição? Bom, porque troquei meu tempo por dinheiro e isso na minha louca cabeça nada mais é do que me prostituir. Mas sem sexo, o que agrava muito o problema. Com sexo pelo menos teria me divertido, não é?

Deixando as brincadeiras de lado, o que tem que ficar claro aqui é: Poderia apenas dizer que o universo conspirou para que eu tivesse que tomar a atitude que tomei.

Isto é o que quase todo mundo falaria. Eu não vou mentir para você. Eu errei mesmo e poderia ter evitado se tivesse sido mais ousado ou coerente com o que realmente gosto. Poderia ter procurado outra coisa, ou melhor, se pudesse voltar no tempo, poderia ter começado tudo de outra maneira. Isso se chama culpa. Minha culpa.

Em outras palavras, entrei na crise pela porta da frente e com tapete vermelho estendido. Quase como um tratamento Vip. E que crise! E pensar positivamente no meio dessa crise foi tão fácil como encontrar camelos na quinta Avenida em Nova Iorque.

Aceitei uma coisa pensando em melhorar o futuro, deixando de lado os desejos do passado e isso estragou o meu presente. Simples como dois mais dois são quatro.

Graças à Deus, aquele presente faz parte do passado.

MM

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