Crise – 1

Ego sistema - MM

Vamos falar de crise. Quem é disse que você vai entrar numa crise em algum momento da sua vida? Eu digo, com todas as letras: Você vai entrar em crise um dia. Ou já entrou ou está no meio dela, e isso é um fato.

A menos que você seja uma daquelas pessoas que passam a vida toda à margem da própria vida. Filosófica essa frase, não? Estou me tornando um chato…

Mas é verdade. Muita gente, senão a maioria, passa a vida toda apenas “indo”. Não sabem nem para onde e muito menos por que, mas estão. Mesmo que seja de encontro a uma parede e nem se importam com isso. Agora, você que está aí lendo esse texto, com certeza não é desse tipo, afinal de contas, este Blog existe para quem pensa e se preocupa com os problemas comuns a nós todos, seres humanos.

Se você já que está em crise, talvez esteja apenas buscando uma maneira de sair dela. Ou se ainda não entrou, está atrás de uma maneira de evitar isso. Uma coisa eu falo com toda a segurança desse mundo: Não adianta lutar para não entrar. É inevitável, até porque deve ser uma pessoa preocupada com seu auto-conhecimento e quanto mais nos preocupamos e pensamos nisso, é mais certo de que entraremos na crise.

Por que “na” crise e não “em” crise? Porque não é qualquer crise. É na sua crise. Deu para entender? É única, especial, individual. Uma coisa que só você saberá por que entrou e como vai sair. Outras crises são comuns a todos. Familiares, matrimoniais, financeiras, basicamente todas iguais. Umas mais intensas e complicadas outras menos, mas todas iguais.

A sua crise não pode ser generalizada, ela é somente sua e por conseqüência, só você saberá quando entrou e como vai sair. Nesse meio do caminho existe mais uma coisa que só você sabe: Quanto tempo quer, deve e vai permanecer nela.

Estranho ler isso. Mesmo para mim. Acabo de escrever e, relendo agora, estou pensando se é ou não verdade o que acabo de escrever. Sim, é verdade. Nós somos quem definimos quanto tempo vamos permanecer nessa crise. E quão profunda e renovadora ela vai ser.

Exato, você leu corretamente, crises são renovadoras. Entramos em crise por vários motivos, mas sempre, digo e repito, sempre sairemos de qualquer uma delas de forma diferente da que entramos. No mínimo mais experientes, para não dizer bem mais fortes.

O que tem que se ter em mente nesse processo todo é não se preocupar com algo que é inevitável. Mais ou menos como a morte, sabemos que vamos morrer, que é inevitável, mas não nos preocupamos com ela, apenas tentamos driblá-la de vez em quando. Em relação à crise, não adianta tentar fugir, é inevitável e vou até mais longe, é necessária.

Como comentei, há pessoas que vivem à margem da própria vida. Apenas vivem. Muitas vezes, vivem a vida que os outros querem, a vida que os outros programaram, vivem a vida de maneira diferente da sua essência. Acha que não acontece? Pense bem, olhe à sua volta, pense nas pessoas que conhece, olhe no espelho, enfim, procure direitinho, mas de maneira bem honesta. Caso seja você quem vive dessa maneira, não se assuste, não é o fim do mundo, desde que resolva fazer algo a respeito, senão é o fim do mundo mesmo. Ou pelo menos, o fim do seu mundo.

Entrar nessa crise existencial não ocorre de uma hora para outra. Não acordamos em crise. É bem pior do que isso. É um processo. Eu adoro fazer paralelos, usar metáforas e sei que faço isso muito mal, mas adoro, azar seu que tem que ler. Dia desses pensei em piloto automático. Algumas pessoas passam pela vida apenas no piloto automático. Acordam, trabalham, comem e dormem. Transam de vez em quando, mas de forma mecânica. É, eu sei, a realidade é dura mesmo.

Utilizar o piloto automático, ou simplesmente viver automaticamente, é eficiente em algumas áreas da vida. Veja, quando está dirigindo, você quase sempre está com os pensamentos longe do carro da frente, mas no entanto, se ele brecar, você “sabe” que deve fazer o mesmo e nem pensa nisso, na intensidade da força que vai colocar no freio, etc. Apenas faz. Nesse ponto, o automático é bom.

Ruim é quando colocamos outras “partes” da vida no automático. Péssimo é quando colocamos o que realmente importa no automático. E o que realmente importa são seus pensamentos, seus desejos e sua existência. Se puser isso tudo no automático, vai ver que a vida vai te levar aonde “ela” quiser. Um barco à deriva.

Barcos à deriva não são muito aconselháveis, até porque se fosse bom, não colocariam remos, motores, velas e leme em barcos. Se o fazem é por algum motivo. Viu só? Mais uma coisa bem simples da vida que não pensamos todos os dias. Às vezes encontramos as respostas na simplicidade das coisas.

Dizem alguns que até mesmo a felicidade está nas coisas simples. Tenho pensado muito sobre isso e em algum momento por aqui falarei a respeito.

Retornando ao que falava, se estivermos em modo automático, não perceberemos a crise e se falo isso agora, devo repetir, essa crise existencial é necessária. A menos que você seja a pessoa mais incrível desse mundo e faça exatamente e tão somente aquilo que gosta. É? Duvido que seja.

Não fique de cara feia. Apenas sei que não é assim, ainda. Só pelo fato de se interessar em acompanhar este Blog, fica claro que está buscando algo.

Um famoso filósofo disse que buscamos aquilo que não temos. Como saber que não temos algo? Constatando que ela existe e detectando que não a temos. Obvio, não é? Bem, o óbvio é bom, mas nem sempre é tão óbvio assim. Muitas vezes queremos coisas que já temos, mas que simplesmente queremos trocar. Muita filosofia para meu estilo, melhor deixar isso de lado.

Uma vez constatado que desejamos alguma coisa, o processo natural é correr atrás. Se não fazemos isso é porque alguma outra coisa mais forte no caminho nos impede. O que será?

No próximo texto eu continuo…

MM

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