Dia dos Namorados

banalização do amor

Não curto muito essas datas comerciais, Dia das Mães, Pais, Namorados… mas hoje resolvi escrever sobre relacionamentos. Em tempos de internet, conexões 4G, Wi-Fi, etc, as coisas andam meio que na velocidade da luz. As pessoas estão cada vez mais apressadas e, por que não dizer, atropelando as fases. Isso vale para a maioria das coisas.

As relações estão cada vez mais superficiais. Não posso julgar se isso é melhor ou pior, afinal, não estou vivendo esse momento. Não só por ser casado como por já estar com 53 anos. Mas por ter vivido muito e em outros tempos, posso ao menos compartilhar minha experiência com o que ando vendo por aí.

Todo velho costuma dizer: “Na minha época era melhor…” Como disse, não posso julgar, mas posso pensar sobre isso e emitir minha opinião. Tenho o direito de achar que minha época era melhor pelo simples fato de que normalmente tento ser justo e emitir opiniões de acordo com minha personalidade. Sou uma pessoa intensa. Em tudo o que faço, a intensidade é minha característica guia. Sendo intenso, não posso achar bom o que é superficial. Seria incoerente.

Tive muitas relações nessa longa vida. Umas boas, outras nem tanto, mas em quase todas elas, a intensidade sempre falou mais alto. A mim não importa quanto tempo dura uma relação, importa quão intensa ela é. Sinceramente, não sei como seria hoje em dia se eu pudesse viajar no tempo e voltar a ter 25 ou 30 anos. Será que eu conseguiria ser o mesmo cara que fui. Acho que sim, mas teria certa dificuldade, óbvio.

As mulheres são as culpadas. Vou explicar. Ainda creio que toda mulher sonhe com um homem que a conquiste, que a proteja, que a leve a orgasmos múltiplos, seja na cama ou fora dela. Mulher quer um Homem com H maiúsculo, que tenha pegada e também que a conduza. Isso não faz delas menor, pelo contrário, faz delas muito melhores que nós homens. Mas a culpa dessa superficialidade é delas. A maioria das jovens não se valoriza e se tornou fácil.

Lá na minha época, também existiam as mulheres fáceis. As que ficavam com todo mundo. Mas nós, homens, não as queríamos. As pegávamos, mas não as queríamos como namoradas. Só que havia também as que queriam ser conquistadas. Acho que conquista é a palavra chave nessa questão toda. A conquista não acabou, é fato, sempre haverá, mas vocês concordarão comigo que a conquista hoje em dia mal é levada em conta. E deveria.

Conquistar, ser conquistado é a essência de qualquer relação. Sei que é óbvio, mas como sempre digo, quem é que enxerga de verdade o óbvio? Poucos. Hoje em dia é um tal de ficar com vários numa noite e isso acabou conduzindo a conquista a um plano inferior. Vale a quantidade e não a qualidade. Ok, isso é gostoso, eu sei, se tivesse 25 anos eu me divertiria à beça. Mas faltaria algo, confesso.

Faltaria aquela coisa de… esperar o sábado a noite para ver na balada aquela garota-alvo. Lembro que durante a semana, junto com meus amigos, a gente bolava planos mirabolantes para chegar perto, conversar e conquistar aquela garota que nos interessava.

O primeiro beijo era comemorado como um prêmio. Mais ou menos assim: Se você beijou a garota naquela balada do sábado à noite, significava que você a tinha conquistado, ou pelo menos, a conquistado naquela primeira fase. A segunda fase era… esperar o próximo encontro para ver o que ia acontecer. Eram momentos tensos, intensos e, por conta disso, mágicos.

Parece romantismo, eu sei. Não sou nada romântico, também sei disso e minha mulher também sabe. Mas sei detectar a magia mesmo passando longe do cara que manda flores. Não estou aqui falando de romantismo, entendo que muita mulher adora, mas não se trata disso. Estou “preocupado” com a banalização do beijo, da transa…

Escrevi num dos meus livros o que penso sobre felicidade. Disse eu lá em 2005 o que sempre pensei, desde minha adolescência a respeito do conceito: A felicidade está na busca, não na conquista.

Creio cegamente que é no processo da busca que a gente se sente plenamente feliz. Claro, a conquista vale muito, mas ela é o prêmio, a recompensa. É efêmera. Quando você ganha um prêmio, ele vai para a prateleira e fica lá tomando pó.

Nas relações a busca pela conquista tem outro peso: Ela tem que ser eterna. Se você não conquistar a cada dia a pessoa amada, ela vai te deixar. Mais cedo ou mais tarde, pode apostar. Mas aí entra a “busca” que mencionei. Será feliz o casal que estiver sempre buscando. Sempre mantendo a chama acesa e não pense que isso vale apenas para a cama. Não sejamos superficiais, sexo é bom, mas é só um quesito de uma relação, nada além.

A busca é por ser manter atraente, desde fisicamente até intelectualmente. A busca é surpreender o outro, é fazê-lo te admirar. E isso passa longe do que acontece hoje em dia. As pessoas não estão de fato preocupadas com isso. É triste.

A preocupação está muito mais em saber onde a pessoa está do que como a pessoa está. Não vou me alongar nisso, seria filosofar demais. Mas entendo que você aí do outro lado vai pensar nisso.

Acho triste porque os jovens não sabem o que estão perdendo. Perdem, além do tempo (que acham que ganham com a pressa) o sabor da conquista. Perdem o… dormir pensando no próximo passo para “chegar lá”. Mesmo os que acabam namorando pós ficar numa balada, mal se lembram do primeiro beijo, a coisa mais importante de uma relação.

Banalizar o beijo, o sexo, a relação em si, é jogar no lixo o que há de melhor nesse mundo: Contemplar e compartilhar os momentos, as experiências na companhia que você conquistou.

Feliz dia dos Namorados para quem está acompanhado. E… repense suas atitudes e seus valores se você estiver só. Não banalize o que a vida tem de melhor.

MM

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