Socorro, não me ajude!

As pessoas ainda me perguntam se um dia vou lançar o livro Ego-Sistema. Acabei de conhecer um cara que me questionou a respeito, ele conhece meu trabalho, blog, site, livros e queria saber quando seria o lançamento… Bem, a resposta é a de sempre: Nunca! Ok, não se deve dizer nunca, então eu mudo: Provavelmente nunca. Agora sim.

Não tenho interesse algum em entrar para o mundinho da auto-ajuda, e a cada dia que passa essa certeza se torna mais… mais… mais certa. (Não achei uma palavra melhor)

Por que? Olha… estou decepcionado com as pessoas. Isso nem chega a ser uma novidade, afinal, quem me conhece ou me acompanha por aqui já deve estar, como eu, careca de saber.

Essa decepção, especificamente nesse caso, se dá através de provas concretas, ainda que meu universo de pesquisa não seja tão grande a ponto de obter uma amostragem significativa. Mas digamos que no meu Ego-Sistema, posso sim afirmar categoricamente: As pessoas não querem ser ajudadas!

Entendo perfeitamente as editoras lançarem um livro de auto-ajuda atrás do outro. Eles só têm olhos para o dinheiro que isso representa. Nada de errado, negócios são negócios. Entendo perfeitamente as pessoas que consomem esse produto, afinal, todo mundo tem problemas. O que não entendo perfeitamente é: Por que é que essas pessoas preferem ler um livro que terá o efeito de espuma de cerveja em vez de procurar uma solução para suas angústias?

Um dos meus trabalhos – sim, tenho mais que um – é atender pessoas e fazer o que chamam por aí de “Aplicação de Coaching”. Eu não aplico nada, mas enfim… As pessoas chegam até mim procurando ajuda no sentido de ajustarem o foco na direção certa. Só que, para que eu possa efetivamente ajudar, tenho que descobrir para onde é que as pessoas querem de fato ir.

Mais ou menos assim, elas estão no ponto A e querem chegar ao B. Apenas não sabem como. Meu trabalho então é ajudá-las a descobrir qual o melhor caminho. Eu disse melhor. Repito, eu disse o melhor caminho e não o mais fácil. Aí a coisa desanda, afinal de contas, além de todo mundo sempre procurar o que é mais fácil, descobrir o melhor caminho nem sempre agrada, pois temos que lidar com coisas “incomodativas” como: Verdade e capacidade. Verdade ninguém gosta, isso já sei e… capacidade, todo mundo acha que tem para fazer qualquer coisa e isso simplesmente não existe. Mas procurar sua verdadeira capacidade… aí envolve verdade, auto-conhecimento, resumidamente, envolve reconhecimento, além, é claro, de coragem.  

Explico: O melhor caminho para você aí do outro lado pode não ser o melhor caminho para quem o cerca. Confuso? Tento de novo: Não se pode fazer omelete sem quebrar os ovos. O que quero dizer é que, ao procurar o melhor para meu cliente, isso pode gerar conflitos entre ele e as pessoas de seu convívio. Aí… bem, aí o bicho pega.

Seria como afirmar que: As pessoas desistem de si mesmas para agradar aos outros. Acha que não? Então proponho um exercício de reflexão: Quando foi a última vez que você fez algo por você, apenas por você e mais ninguém?

A proposta é que você pense em algo que possa ter desagradado outras pessoas. Claro, pelo amor de Deus, usando o bom senso, afinal de contas, tenho certeza de que não perco meu tempo aqui escrevendo para amebas. Sejamos menos superficiais, vamos mergulhar na questão como se deve.

Eu já tive clientes que simplesmente desistiram de seus objetivos sem sequer chegar perto da certeza que procuravam. Não desistiram de procurar ajuda. Não desistiram da minha ajuda, desistiram delas mesmas, o que é muito triste e muito pior.

Como não sou um cara light, sempre pergunto: Por que é que você procurou ajuda se não vai efetivamente meter o dedo na ferida?

Sabe qual a resposta que mais escuto? Que “não é tão simples assim mexer nisso…”

Oras bolas, se vida fosse simples, que graça teria? Já escrevi um texto sobre auto-abandono, mas é muito mais triste descobrir que as pessoas na verdade estão é com preguiça. Claro, alguns são covardes mesmo. Sobretudo, a grande maioria encara vida com uma passividade que me assusta… Tipo: O mundo, o acaso ou o destino que decidam por mim.

Então tá, fazer o que, só posso desejar muito boa sorte. Esses aí realmente vão precisar…

MM

PS: Peço novamente desculpas aos meus fieis leitores: Tenho escrito pouco por aqui porque estou dedicando meu tempo livre ao meu novo livro, uma trilogia chamada… Ah, um dia eu conto…

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