Pré-ansiedade

ansiedade 2

Queria ter um dia de folga, mas não um dia apenas, falo em uma mudança geral no calendário do mundo, um dia de folga por mês para todos. Mais ou menos assim, toda segunda quinta feira do mês é dia de folga. Um decreto mundial.

Mas há que se ter regras para esse dia, a principal delas é não ter nenhuma preocupação, quando falo nenhuma, falo de verdade, preocupação de nenhuma espécie. Nada mesmo. Um tipo de Folga Mental. Já imaginaram? Seria bom, não é?

Acredito que sim, penso que todos deveriam ter essa experiência de folga mental de vez em quando. Um dia sem preocupações, sem compromissos, sem contas para pagar, sem culpas, sem expectativas e até mesmo sem sonhar.

Como se nossa mente fosse retirada de nós e enviada para o conserto ou para a revisão. Mas ainda assim, nós teríamos a consciência disso. Estaríamos aqui, nos lembraríamos de tudo o que acontecesse nesse dia, mas sem qualquer influência do passado e do futuro. Sim, o futuro nos influencia muito por causa das preocupações e expectativas.

Quase que poderia afirmar sem medo de errar que o amanhã afeta tanto que pode modificar tudo o que acontece hoje. Assim como o passado afeta o presente por coisas que aconteceram, o amanhã afeta por preocupações com o que pode ou não acontecer. Esse ponto é importante.

Há uma valorização da preocupação com o que pode não acontecer. Prevemos o pior e isso é o que gera a maldita ansiedade presente em todas as mentes. Uns mais outros menos, o fato é que não há nesse mundo um ser que viva sem ela. E aprendi que ansiedade é sempre ruim. Eu teimo em contestar essa afirmação, mas ainda não consegui comprovar minha própria teoria.

Reler o que escrevi até agora me fez pensar em uma coisa. O que estraga tudo, o que nos deixa doidos então é a ansiedade provocada pela expectativa. Ok, acho que isso está bem claro até mesmo para minha mente confusa. Aí eu pergunto:

Por que é que teimamos em provocar a ansiedade? É verdade mesmo, nós a provocamos o tempo todo, como se a cutucássemos com vara curta. Vejam um exemplo besta, mas que cabe muito bem nessa época do ano.

A maioria de nós faz a tal lista de resoluções de ano novo. Mesmo que não façamos bonitinha, escrita num papel, na mente a gente faz sim. Desejamos que o ano que virá seja sempre melhor do que ano em que estamos, fazemos planos, sonhamos exageradamente com o improvável, enfim, as listas são intermináveis.

Aí, o tempo passa, durante o ano que estamos vivendo constatamos que muito pouca coisa do que desejamos e projetamos de fato ocorre. Por diversos motivos, mas independente disso, passamos o ano todo na expectativa de que tudo seja, ou fosse, alcançado e realizado ao pé da letra.

Ora, fazer essa lista vem a ser o que senão uma provocação da própria ansiedade? Passamos o ano todo ansiosos e quando chega o final de mais um ano, lá vamos nós fazer a famosa lista novamente. Ficar com esse pedaço de papel cheio de itens relacionados e gerar expectativas vai ser útil pra que?

Pois é, nem todos são masoquistas, mas de certa forma a gente bem que gosta de um sofrimento, viu? Por outro lado, como evoluir, crescer sem fazer planos? Sem ter metas? Sem buscar os objetivos que entendemos fazer parte da construção da nossa felicidade? Difícil equacionar tudo isso…

Eu bem que gostaria de ter essa resposta, mas infelizmente ainda estou procurando. Mas se pudéssemos ter esse dia de folga, talvez… Ah, nada disso, apaguem tudo o que escrevi lá em cima, isso de nada nos serviria. Quando esse dia terminasse, lá estaríamos nós fazendo planos, nos preocupando com as metas não atingidas, tentando nos culpar, nos esforçando para descobrir os porquês de nossas atitudes.

É, nossas mentes funcionam assim mesmo, são grandes geradoras de conflitos. Fazer o que, mais um final de ano se aproxima e lá vamos nós fazer mais e mais listas que vão gerar mais e mais expectativas e assim, a pré-ansiedade.

MM

Anúncios
Publicado em Ego. Tags: , . 2 Comments »
%d blogueiros gostam disto: