Aula de Vida

Aula

Uma vez eu brinquei, nem sei se escrevi a respeito um texto inteiro ou se apenas mencionei, que deveria haver uma matéria permanente nas escolas e faculdades que debatesse com os alunos a Vida.

Calma, não estou falando de vida biológica, estou falando de vida mesmo, a nossa, os seres humanos. Sempre admirei a profisssão de professor e claro que adoraria dar aulas sobre o tema. Se você aí do outro lado for dono de escola, me procure e conversamos…

O conteúdo da matéria seria desenvolvido de acordo com cada fase, criança, adolescente e adulta. Ainda que eu entenda que as pessoas se tornam adultas bem depois dos 30 anos. Diria que quase aos quarenta…

Mas pode , inclusive, ajudar essa gente a se tornarem adultas mais cedo, na hora certa, afinal de contas, é essa falta de maturidade e preparo para a Vida que deixa as pessoas com medo de crescer.

Por que é que cheguei a essa conclusão? Bem porque há anos eu tento pensar num modo de mudar o ensino. Creio que a fórmula atual não deu muito certo. Uma aula de Vida pode ser o início dessa revolução. Tenho absoluta certeza de que seria uma das aulas mais concorridas.

Em classe – ou fora dela – seriam discutidos temas variados como família, amizade, relcionamentos amorosos, profissões, carreira, hobby… agora os gurus de autoajuda falam pelos 4 cantos do planeta da importância de as pessoas terem um hobby, coisa que falo e escrevi em meu segundo livro há extatos dez anos…

E disso que estou falando, tentar antever as coisas e poder passar isso aos alunos, estou falando em prepará-los para enfrentar a sociedade, quem sabe até mudar toda essa baboseira que a sociedade do politicamente correto tenta fazer com nossas mentes. Para o desenho da sociedade atual, liberdade de pensamento é um estorvo. Ninguém gosta. As pessoas preferem manipular as massas e vou dizer uma coisa, as massas amam ser mainupuladas porque não conseguem e muito menos querem pensar por conta própria.

Uma Aula de Vida instigaria os alunos a ter mais personalidade e colocar seus pontos de vista sobre o que enxergam e não a aceitarem o que lhes é imposto sem ao menos um questionamento sequer. Fico a imaginar quantas coisas legais teria escutado de meus ex-colegas de classe se tivéssemos uma aula dessas no passado… Quantas questões teriam sido discutidas. Não penso queos  eventos da vida seriam evitados, mas sim que os alunos estariam preparados para a maioria deles. É disso que se trata essa ideia: Preparação para enfrentar a realidade e não um meio de evitar problemas.

Com professores bem preparados – e tenho muita certeza de que haveria muita gente interessada em dar aula disso – uma aula seria um bate papo informal onde os próprios alunos escolheriam os temas. Algo livre, algo que despertasse o interesse da turma e não uma imposição estúpida como decorar a Tabela Periódica. Tem muita coisa errada com o ensino… tem muita coisa errada com a formação de adultos. Algo precisa ser feito.

Os adultos estão cada vez mais angustiados porque provavelmente seus educadores, e aí coloco no mesmo saco pais e professores, se preocuparam em poupar seus educados.

Poupar as pessoas da realidade é o mesmo que mantê-las despreparadas para enfrentar a Vida de frente. Olha só no que deu… um bando de crianças de quinta série com 35, 40, 45 anos… Valeu a pena?

MM

Cabo de Guarda-Chuva

arrependimento

Ando pegando meio pesado, né? Meio amargo, sei lá. Sabe aquele gosto ruim na boca que a gente brinca quando fala que está com gosto de cabo de guarda-chuva? Pois é, estou com isso, mas na mente, não na boca.

Muita preocupação acumulada dos últimos quatro, talvez cinco anos acabou estourando na saúde, o que causa ainda mais preocupação. Nosso Ego-Sistema é impiedoso: Tudo é somatizado. Carga emocional é uma porcaria, só serve para nos estragar.

As coisas têm significados diferentes para cada indivíduo. Muita gente me fala, ah, você está se preocupando à toa, isso se resolve, minha médica diria, pega leve, lembre-se do que já passou… outras vezes é meu Espelho quem avisa. Sim, sou adepto e defensor da Terapia do Espelho. Mas já aviso que é doloroso e Ele é completamente insensível.

Agora mesmo aprontou uma. Foi Ele quem puxou conversa dessa vez olhando diretamente em meus olhos:

– Cara, já vi você em dias ruins, mas parece que hoje algo te atropelou porque seu estado é deplorável. Foi caminhão betoneira ou um transatlântico desses… Qualquer Coisa Of The Seas?

– É, hoje a coisa foi feia mesmo. Pegou de jeito.

– Quer falar a respeito, estou aqui à sua disposição.

– Descobri que arrependimento mata.

– Como é que é? As pessoas não dizem por aí que se ele matasse…

– Mata sim. Lentamente, mas mata.

– Está morrendo? O que houve, se abre, agora fiquei preocupado.

– Morrendo estamos, né, desde o dia em que nascemos. O que pegou foi acúmulo de arrependimento. E ele mata sim, tira vidas nos deixando vivos.

– Sei como é. Um arrependimento aparece e se une a outro e assim vai, em cascata.

– Exato.

– Onde começou?

– Vixi, vem de longe, anos. Maybe décadas.

– Isso explica muita coisa.

– Demais.

– Vai, desembucha, homem.

– Assim, aqui na frente de todo mundo? O que vão pensar?

– Que você é normal, humano, que sofre, erra como qualquer outra pessoa. Que tem angústias…

– Isso sempre deixei claro, nunca neguei.

– Sei disso, mas não enrola e conta…

– Bom, tem material anterior, menos intenso, mas que me lembro grave mesmo, um divisor de águas,  foi aquela escolha errada naquele dia simbólico em fevereiro de 92 quando num rompante eu decidi que era melhor…

– Caramba… foi aquela decisão que desencadeou tudo isso?

– Exato, foi depois desse ponto que tudo foi alterado profundamente…

Enquanto me barbeava desabafei… e durante minha “consulta”, como quase sempre acontece para quem se joga na frente do Espelho, a Catarse foi inevitável.

As imagens das escolhas subsequentes, bem como suas inevitáveis consequeências foram passando pela mente como um filme antigo, machucado pelo tempo.

A voz embargou, as palavras arranhavam a garganta enquanto saíam e a respiração se alterou significativamente.

Mas quem denunciou uma vida incompleta foram os olhos.

Quando finalizei meu depoimento o cara lá do Espelho disse, sem dó:

– É, acho que tem razão, nesse sentido aí que você falou é bem incompleta sim.

– Pois é, também acho. E para piorar, hoje apareceu a cereja do bolo.

– Porque pior do que sofrer é fazer sofrer, não acha?

– Por que faz essas perguntas? Você me odeia?

– Depois dessas lembranças todas, quer mesmo saber? Sim, muito! Olha como tudo poderia ter sido diferente. Agora responda minha pergunta.

– Acho sim, claro. A gente sofre duas vezes.

– Pede então de uma vez.

– Pede o que?

– O que ficou faltando, vai, seja humilde, corajoso… pede.

– Peço desculpas a todo mundo por tudo que fiz. É isso?

– É claro que é, mas… você não é tão burro assim, ainda que tenha sido bastante.

– Entendi. E aí, você me perdoa?

– Desde que prometa não me fazer mais nenhum mal… talvez.

MM

Hipocritamente Corretos

Hipocrisia

A vida é mesmo engraçada. Na verdade, é uma loucura difícil e entender. Para uma pessoa como eu que encara tudo com profundidade e tenta ver todos os lados da moeda é ainda mais complicada.

Sou e sempre fui um cara sincero. Não carrego a bandeira da moral e bons costumes, já menti muito na vida como todo mundo, mas talvez a diferença seja essa entre mim e muita gente que conheço: Eu assumo minhas características.

Mas a sinceridade, ao menos comigo, sempre mantive ativa. Dificilmente entro em estado de negação e isso é o que mais vejo acontecer com as pessoas.

Pois é. Não é fácil se relacionar comigo. Eu jamais seria indelicado ou mal educado com quem quer que seja, entretanto, se alguém me pergunta eu respondo. Sempre fui assim e não pretendo mudar, ainda que o mundo de hoje exija que sejamos cada vez mais “hipocritamente” corretos.

Hoje ouvi uma avaliação a meu respeito que me deixou estupefato. E veio de alguém próximo que, supostamente, deveria me entender. Mas… na prática a teoria é sempre outra. Disse a pessoa:

– As pessoas têm muita dificuldade de se relacionar com contigo porque você é sincerdo demais. No mundo de hoje é preciso dançar de acordo com a música para se dar bem nas questões de trabalho, por exemplo…

Não foram bem essas palavras, mas quase. Vamos lá: Estou pasmo até agora. Já tinha escutado isso antes, não é novidade, inclusive da mesma pessoa. Isso me fez pensar e por isso resolvi escrever este texto.

Quer dizer então que vence no mundo de hoje quem for falso. Quem for hipócrita. Quem se violenta indo contra sua própria essência. Quem se vende? É isso mesmo que os brasileiros se tornaram? Uns vendidos? A troco de que, me diz, de migalhas??? Façam-me o favor.

Talvez o que o país vive hoje seja reflexo dessa onda toda, não? Só talvez… ou será que é uma certeza? Afinal de contas, quem faz um país ser o que é são seus cidadãos, certo? Sim, muito certo!

Onde é que foi parar o conceito de liberdade? Tanta gente querendo impor tendências gays, racistas, religiosas e estão se esquecendo de viver como se deve? O que é que está acontecendo? Quem vai levantar a bandeira da liberdade que abrangeria todas as outras coisas que buscamos em termos de igualdade e, principalmente, respeito?

Depois de pensar longamente sobre isso, não mais do que 5 minutos, concluí que boa parte da humanidade vive numa espécie de estado de auto mau caratismo.

Não pretendo fazer isso. Não me importa o quanto perca. Ser sujo com os outros é o fim da picada. Ser sujo consigo mesmo seria burrice e disso passo longe.

Se é assim que as regras do jogo estão sendo postas, sinto muito. Perdi. Assumo a derrota, mas não saio violentado por mim mesmo.

Deve ser bem triste viver sendo vigiado por si e pelos outros. Deve ser horrível não conseguir ser livre. E dizem que a escravidão acabou… será mesmo?

MM

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Efeito Dominó

Dominó

Incrível como as pessoas, por mais que se preparem, fazem escolhas erradas que desencadeiam a ruptura ou desconstrução completa do Ego-Sistema. Eu disse completa, é bom que se note.

Sem entrar em detalhes, são dez dias seguidos de paz num universo de 2586. De 480, pelo menos uns 200 de humilhação plena. É muita coisa para um ser humano aguentar. Ainda que ninguém seja Santo, não é fácil.

Mas é a vida e a única lei dela que vale é: Colhes aquilo que plantas.

Essa lei é insuportável. Piora quando você detectou e, portanto, poderia ter evitado as ervas daninhas lá atrás, mas não, decidiu naquele momento terrível que tudo poderia ser diferente. Não foi, pelo contrário, a coisa só piorou e ainda vem mais pela frente.

Já vi casos assim. Já atendi gente que passava por isso. Já sabia em teoria que isso existia e como todo bom otimista, sempre acreditei que passaria. Não adianta, não passa.

Arrependimento é uma marca profunda. Deixa cicatrizes que nenhum creme de 480 dólares dá jeito. Tem seu lado bom, afinal, ele te mostra que você não poderia andar por terrenos tão acidentados. Resta então a pessoa arrumar o que foi danificado e…

Bem… não é tão simples assim. Quando é a alma que está danificada ela demora a ser curada. E o que pode ser mais devastador para a alma humana do que a falta de Paz? O que pode ser pior do que humilhação constante? Como reconstruir isso?

Felizmente eu sei de uma boa fórmula e posso recomendar. Para dar certo, como em todo ferimento, será preciso estancar a hemorragia. Sem isso, não há remédio que consiga reconstruir uma pessoa. E, nesse caso, permita-me dizer que a reconstrução é quase que total.

Uma delas é a libertação. Libertar-se do que te faz mal é como jogar o maço de cigarros pela janela numa decisão tresloucada, mas correta para um fumante compulsivo. Se somos tão impulsivos para nos enfiar no que nos faz mal, porque é que não agimos assim para nos livrar do mal?

Quando não se tem nada o que lembrar, ou melhor, insignificantes momentos, em teoria ficaria mais fácil. Em teoria. Na prática será preciso reconstruir-se da humilhação que deixa a qualquer um no limbo.

Conheço gente que deu jeito nisso, estancou a hemorragia da humilhação, mas nunca mais teve um brilho nos olhos. Não se permitiu mais ser humilhado, mas não foi muito longe na sua busca por mais do que dez dias de paz ou felicidade. Será esse o destino? Provável.

O mundo lhe vira as costas. As pessoas não se importam. Quem deveria se importar te joga na lama. Quem você apostava suas fichas que estaria ali na hora em que você precisasse de uma mão estendida, simplesmente é a pessoa que quer lhe cortar o braço.

Nesses anos todos já li textos tristes. Já vi histórias terríveis. Mas não lembro de ter lido nada parecido quanto este ao que faço referência. Parecia ser uma carta de despedida. Talvez seja, vai saber.

Espero que não. Espero que os ventos que sempre sopram dissipem a nuvem negra que está sobre a cabeça de quem escreveu aquelas linhas impublicáveis. Foram escritas há alguns dias, mais ou menos 30 dias. Depois de reler, resolvi escrever para simplesmente desabafar para ver se o nó na garganta se desfaz. Não tem jeito.

O que eu poderia escrever para ajudar é… que minha experiência de vida ensinou que todo mal acaba. Sim, sei que todo bem também acaba, mas para quem está tão mal há tantos anos, não creio que a lembrança do bem esteja presente.

Nesse momento, nesse instante a única recomendação que posso dar é: Paciência. Aguarde e tenha fé, alguma coisa há de acontecer que te tire dessa lama mental…

MM

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