Eternidade

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Não é o que o outro diz. Menos ainda o que os outros dizem. Não é o que pensam a seu respeito. Não, nada disso tem importância. O que vale é o que você pensa, o que você sente a respeito de si mesmo.

Essas pessoas, amigos, companheiros, parentes… enfim, todas elas passarão pela sua vida e, pode apostar, a maioria delas nem marcas vai deixar. Sim, estou falando de lembranças. A maioria passa pela sua vida sem nada acrescentar. O tempo da relação não tem a menor importância, o que vale é a intensidade.

Hum… espera um pouco. Não, nem isso tem tanta relevância assim. Já vi, já tive e já soube de relações tão intensas quanto um terremoto de magnitude 8.0 que terminaram em… escombros. Obviamente, na reconstrução as antigas fachadas sequer foram lembradas.

Normalmente é assim quando reconstruímos qualquer coisa: Queremos tudo novo.

Ok, isso não vale muito para a reconstrução da alma, mente, estrutura… em se tratando de pessoas. Já tive amigos muito parecidos com aqueles que se tornaram – por algum motivo – ex amigos. Da mesma forma já me relacionei com “a mesma mulher” diversas vezes, se é que me entendem. A impressão é que sempre tivemos uma só relação na vida. Claro, algumas coisas mudam e para nós, machucados ou não, cansados da pessoa ou apenas sem paciência de tocar o barco em frente, qualquer sinal de “novo” já é suficiente para nos deixar encantados.

Isso vale para todo e qualquer tipo de relação interpessoal. Na infância, o pai ou tio do seu amiguinho são muito mais legais que o seu pai; na adolescência a menina da classe ao lado é muito mais bonita do que as meninas da sua classe, os amigos novos que jogam bem futebol são bem mais legais do que aqueles que não jogavam nada…

Depois de adultos, a coisa continua. Costumo dizer que as mulheres jamais abandonam a quinta série. Vivem brigando entre si por qualquer coisa e se odeiam instantaneamente após se amarem e jurarem amizade eterna. Com os homens a coisa é um pouco diferente, digamos que nunca saímos da sexta série.

Mas no fundo, lá naquele cantinho de nossa mente ou alma, nada disso importa. Não queremos saber o que pensam sobre nós, ou melhor, queremos, mas só levamos em consideração até a página dois. O que importa é o que sentimos. É a nossa relação com o Espelho.

Veja o caso de uma ofensa. Muitas vezes as palavras são direcionadas a nós de modo grave ou nem tanto, mas o que vale é a importância, o peso que nós damos à ofensa. Se estivermos num dia ruim, qualquer coisa nos machuca.

Aparentemente quem te ofende é que sabe o peso das palavras. Tudo bem, isso é uma verdade. Muitas vezes de cabeça quente a agente diz coisas sem pesar. Mas quem quer saber dessa verdade? Ninguém. O que nos importa é o que sentimos e não o que aparentou.

As aparências enganam. Levando isso um pouco mais para o fundo do pires, diria até que os sentimentos se tornaram aparentes: Aparentemente alguém te ama, mas faz tanta coisa ruim para você que é impossível o amor estar presente naquelas atitudes.

Verdade. Quantas vezes já disse, ouviu ou soube de alguém que termina uma relação amorosa e diz: “Eu não amava, pensava que amava”.

A gente só dá valor quando perde? Nem sempre. Há perdas em que são ganhos. Há que se ter uma boa lupa para enxergar a realidade e não a aparência. Pessoas que dizem se amar hoje são aquelas que se matam amanhã. Essa semana soube de duas pessoas (mulheres) que se amaram imediatamente depois de se conhecerem, juraram amizade eterna, se empolgaram e não se desgrudaram até que… poucos meses depois a eternidade chegou. Não podem nem se ver tamanho ódio. O ódio é muito mais fiel do que o amor. Quem odeia sempre vai odiar, quem ama nem sempre vai amar.

Tenho uma máxima para as relações humanas que deveria ser um mantra: “Cuidado: Se não estiverem notando mais sua presença, não notarão sua ausência”.

Eu já disse isso até para funcionários: Não falte porque posso descobrir que você não faz falta.

Você pode se fazer notar de diversas formas. Sendo competente, admirado, desejado. Até mesmo sendo invisível. E é aí que mora o problema. Se você estiver sendo notado por causa da sua invisibilidade, jamais perceberão sua presença.

Deve ser humilhante não ser notado numa relação. Por falar nisso, amar não é sinônimo de humilhar-se. E pode apostar, quem diz que te ama hoje vai tentar te humilhar amanhã. Basta um ou mais probleminhas. Qualquer relação tem a consistência de uma gelatina mole. Não é um pleonasmo, i mean it.

E para piorar, é como você se sente em relação a isso que importa. Muitas vezes quem humilha nem sabe o que está fazendo, ainda que eu duvide disso porque o ser humano é ruim demais.

Quando uma parte da relação se sente assim, pode ter certeza, a reconstrução é necessária. Humilhação é o pior sentimento que alguém pode ter em relação a si. É o fundo do poço porque nada é pior do que parecer que você implora por migalhas. Sei que em algum momento da vida todo mundo já passou ou passará por isso e, pode ter certeza, pelo dois lados, humilhando e sendo humilhado. Não é bom de forma alguma.

Mas quando humilhamos, ainda podemos fazer uso do arrependimento. Quando se é humilhado não. A dor do arrependimento é sempre muito grande, mas não ter opção é bem pior.

Nessas idas e vindas da vida a gente vai notando que as relações humanas estão se tornando descartáveis, superficiais. Parece que aquele amor eterno não tem mais importância. Parece que nada é mais frágil do que um amor eterno.

Na velocidade atual do mundo, a eternidade dura apenas alguns momentos…

MM

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