O Que Realmente Importa…

Passado

Depois de certa idade é natural que a gente, ainda que não mude completamente, divida o olhar. Claro que refletir sobre a idade que se tem, ou melhor, dar aquela paradinha no dia do aniversário para analisar as coisas é sempre necessário, afinal, um ano ou novo ciclo se encerra e outro começa nesse dia.

E o que é dividir o olhar? Bem, a gente sabe que passa boa parte da vida olhando para frente, pelo menos é o normal e o que deveríamos fazer. Mas, como disse, depois de certo tempo é normal também que olhemos para trás. Não se trata de morbidez ou pessimismo, apenas de realismo: Independente da idade que temos, estamos mais perto do fim do que do começo. Só saberemos depois de morrer se isso era uma verdade. Mais importante do que isso é que pensar dessa forma nos faz agir.

Eu sempre fiz um exercício ao longo da vida. Sempre me preocupei em olhar para trás para verificar o que havia deixado lá. Obviamente que é inevitável se fazer aquela analise super chata de constatar que todas as escolhas tiveram as conseqüências que tiveram. É justo e a única lei da vida que devemos levar em conta sem tentar burlar como tentamos com as leis dos homens: A gente colhe aquilo que planta. Em outras palavras, são as escolhas do passado que nos trouxeram até este presente.

Quando olho para o meu passado, dou um leve sorriso. Mais ou menos como se sentisse um prazer físico e mental. Eu digo com todas as letras: Fiz praticamente tudo o que queria ter feito.

Do mesmo modo, sendo altamente crítico como sou também vejo que fiz uma porção de escolhas erradas. Algumas me fizeram bater na parede, outras tive que rebolar para redesenhar meu caminho.

Proporcionalmente diria que fiz uns 70% de escolhas certas contra 30% de erradas. Acho que é um excelente número. Para não estragar essa performance, deixemos de lado os pesos das erradas. Algumas ainda doem.

De um modo geral é bom constatar que tive um passado bem variado. Vejo – e por que não dizer analiso – a vida dos outros e percebo que o passado dessa gente foi pobre. Pior, vejo amigos mais novos do que eu construindo um presente sem sal nem açúcar. A pobreza a que me refiro é de vivência. É uma pobreza de experiências. Fico chateado quando vejo essas coisas, mas como disse no texto anterior, não tenho nada a ver com isso.

Claro que quando a gente fala em experiência de vida logo associamos aos idosos. Bem, ainda não sou tecnicamente considerado um idoso. Entretanto, tampouco deixei de analisar minhas experiências passadas quando tinha 30 anos. Sempre achei que a vida era curta. Sinceramente, nunca achei que fosse viver até minha idade atual. Pensando assim, eu tinha que ter pressa para realizar uma porção de coisas que sonhava. E quantas foram essas coisas…

O que importa nessa vida é isso, só isso. Olhar para trás e poder enxergar um passado rico em vivência, experiências, pois é uma verdade absoluta que o que realmente importa para ser feliz não é a conquista, é a busca pela realização dos sonhos. Falando de outro modo, o que importa é a jornada!

Já fui um tolo que caiu em depressão dez anos atrás porque achava que já havia realizado tudo. Que não tinha mais sonhos. O que parecia ser verdade dentro da realidade de uma mente doente. Mas é porque eu levava em conta que os sonhos tinham que ser grandiosos. Bobagem.

Sonho não tem tamanho, tem intensidade.

MM

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Intrometidos Indesejados

bla-bla-bla

A gente tem a mania de se meter na vida dos outros. Os outros têm a mania de se meter em nossas vidas. Há, como eu, pessoas que são pagas para fazer isso. Sim, como Coach, me pagam para dar palpites. Deixando o profissionalismo de lado, por que será que as pessoas acham, nós inclusive, que têm o direito de se meter em nossas vidas?

A resposta é simples: Porque deixamos.

Sim, vamos analisar isso sob o ponto de vista da primeira pessoa. Nós permitimos que os outros se metam aonde não foram chamados. O que significa dizer que só nos metemos porque alguém permite. Engraçado é não enxergar isso. Triste é reclamar disso.

Pois é, aí quando dizemos a alguém aquela frase que, em minha opinião, deveria ser dita todos os dias para um monte de gente, nos chamam de mal educados. Mal educado é quem se protege ou quem invade? Mais uma vez a inversão de valores aparece em nosso Ego Sistema. Ah, a que frase me refiro? Essa: Você não tem nada a ver com isso.

Claro, há variações, mas basicamente é isso. Obviamente você não deve sair por aí dizendo isso o tempo todo, pois a sociedade o isolaria e você seria o único certo a viver no mundo dos errados. Verdade, é o que penso… cada vez mais as pessoas vivem num mundo completamente errado achando ser o certo. Vale pensar um pouco nisso, não vale?

Muito bem, façamos um exercício simples, daqueles imaginários já que se o fizermos no mundo real seremos punidos. Que tal você pensar nessa frase – Você não tem nada a ver com isso – todas as vezes em que… bem, todas as vezes em que quiser ou achar necessário. Tenho absoluta certeza de que pensará nela – e terá vontade de usá-la – mais de dez vezes por dia.

Esse tipo de assunto é intrigante. Passa pela pretensão chagando à beira da insanidade. Todo mundo tem sempre a solução para a vida do outro. Normalmente não sem importam com a própria vida, não buscam as soluções adequadas para seus problemas ou angústias, mas sabem como ninguém a melhor maneira de resolver o dilema alheio.

Sei bem o que estou falando, eu mesmo faço isso – cada vez menos, é verdade – quase o tempo todo. Dou pitacos em todas as situações que vejo, percebo, leio, enfim, sempre tenho a solução para a vida do outro. Normalmente a solução é simples, afinal, estou olhando de fora a situação. Tolice. Quem está dentro do problema normalmente está envolvido emocionalmente até o pescoço, natural que não enxergue com clareza o fim do túnel.

Isentado-me de toda a culpa, falo em meu favor que a culpa é do outro por permitir que eu dê palpites. Ainda que ultimamente eu tenha feito isso no silêncio dos meus pensamentos. É uma delícia meter o pau na vida dos outros sem que eles saibam. Ok, ok, mea culpa, mas não seja injusto, você também faz isso, não?

Continuando, talvez – ou provável – que se alguém dissesse a mim a tal frase, eu concordaria que não tenho nada a ver com isso, enfiaria a viola no saco e sairia de perto.

Já o inverso eu pratico com afinco. Normalmente falo a frase para quem se mete em minha vida. Muitas vezes educadamente, outras nem tanto, mas é fato que costumo dizer em tom indignado algo parecido com… E isso te diz respeito porque mesmo…?

Invariavelmente as pessoas me punem por ser tão direto. Objetividade, sinceridade e verdade são coisas em desuso. Aliás, melhor dizendo, as pessoas simplesmente odeiam esses conceitos que parecem abstratos e subjetivos, conceitos mal educados e de gente grossa.

De qualquer forma, vale o exercício que propus acima. Se puder me meter em sua vida e palpitar, diria até que vale praticar um pouco para ver a reação das pessoas. É, no mínimo, divertido.

Mas o principal motivo desse texto aqui é propor outro exercício: Que tal olhar mais para um espelho do que para a vida dos outros?

MM

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