A Vitimização a Serviço da Autoestima

Benjamin

Há uma nova modinha comportamental em curso: O Coitadismo. Até candidatos a presidência estão fazendo uso. É uma estrada sem volta, afinal, o coitadismo funciona desde que o mundo é mundo. Só entrou na moda agora, mas é bem antigo.

Ser coitadinho é bem visto pelos humanos. Essa gente que não serve para nada, que tem medo da vida, que não se prepara para qualquer tipo de perda, enfim, os fracos, sempre conseguem algo como recompensa pelo seu sofrimento. Antes que algum mala de plantão me ofenda, não estou falando dos que realmente sofrem por algo sério, estou falando sobre os que se pintam de sofredores. Se você não souber a diferença, analise melhor sua timeline.

Eles sempre fizeram de tudo para chamar atenção. Mas de uns tempos pra cá, graças à tecnologia, surgiu uma porção de plataformas para eles chamarem ainda mais a atenção. Twitter e Facebook são ferramentas poderosas. O Facebook é o melhor, afinal, dá pra se medir instantaneamente se a vitimização está funcionando. De acordo com os “likes” e comentários de apoio moral, pode se ter uma idéia de quantas pessoas foram atingidas e se solidarizaram com aquele seu sofrimento para inglês ver. Sim, acho que a esmagadora maioria finge para chamar atenção. São doentes que têm medo de se tratar.

Cheguei a essa conclusão analisando as pessoas e não apenas a dor exposta. Quem coloca isso normalmente é carente, tem problemas sérios de autoestima e espera que os comentários dos seus posts levantem o que é só seu. Calma, explico…

Autoestima é algo pessoal, só pessoal. Quem tem que fazer força para levantá-la quando ela está baixa é a própria pessoa e não os outros. Até porque, convenhamos, ainda que fosse no meio da rua e diante de um desconhecido, quando vemos uma pessoa chorando, logo tentamos imaginar sua dor e, por vezes, tentamos nos solidarizar oferecendo alguma ajuda. Imagine se for um amigo, ainda que amigo de Facebook… é óbvio que nossa primeira reação é tentar levantar o astral do coitadinho.

Mas isso basta? Não. Ajuda? Também não. Uma pessoa que vive sendo amparada pelos outros acaba por se acostumar a esse comportamento infantil: Já que sempre haverá alguém para me confortar, para que vou me esforçar para cuidar de mim?

Pois é. Passar a mão na cabeça dos outros nunca ajudou. Se ajudou, foi num primeiro momento para estancar qualquer crise, mas a médio prazo, só atrapalha. Você ajuda e alimenta a fraqueza, a falta de reação, o conformismo.

As pessoas hoje em dia têm uma necessidade doentia de chamar atenção. Fazendo isso, entendem, se sentirão queridas e aceitas. Parece que todo mundo ama ser chamado de coitado. O que no passado era uma ofensa, hoje parece ser um estado de espírito a ser alcançado. Não sei por que é que as pessoas estão cada vez mais fracas. Mas faço uma idéia.

Baseados na premissa da proteção, todo mundo se mobiliza para defender as minorias. As minorias, safadas em sua maioria, usam e abusam. Sabe criança quando testa o limite dos pais? Então, é basicamente isso, quando mais cedermos, mais abusam.

A verdade é que lidar com a realidade dói, eu sei. Mas se conhecer profundamente é a busca que deveria motivar a todos. Mas não, ninguém quer lidar com a realidade, a verdade. As pessoas preferem se fazer de coitadinhas em vez de ir à luta. São mesmo fracos.

Diria até que são infantis. Há de fato uma infantilização da sociedade, principalmente entre os mais jovens, entre os 15 e 25 anos, mas não só eles, pelo contrário. Talvez eles sejam infantis porque seus pais os criaram assim, sem permitir que eles se defendam e cresçam. E se os pais os criaram assim, provável que toquem suas vidas “adultas” do mesmo modo.

Quantas brincadeiras já vimos nas redes sociais a respeito de nos tornarmos adultos. Uns falam que isso dói, outro dizem que isso cansa… não é brincadeira de criança, quem diz isso é adulto faz tempo. Acham de verdade que o mundo deveria ser cor de rosa. Ignoram a realidade.

É triste constatar que as pessoas estão cada vez mais fracas numa sociedade que exige cada vez mais força.

MM

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