Depressão

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Não é uma doença silenciosa, tampouco barulhenta. Atinge em cheio a pessoa, a derruba e a mata, ainda que a deixe viva. Em muitos casos, nossa mente doente faz chantagem dizendo coisas como… Ou você se mata ou viverá comigo para sempre.

Cura? Não tem. Por mais que especialista digam que sim, é mentira, eles falam isso para dar força ao paciente. No filme A Ponte (The Bridge), um documentário sobre pessoas que se jogam da famosa ponte em São Francisco, California, o pai de um suicida definiu a doença como: O Câncer da Alma. Não existe definição melhor.

Semana passada vimos a da morte de Robin Williams. Sempre soube a respeito de sua doença e cheguei a conclusão de que ele não se matou, se libertou. Talvez por isso mencionei que nossa mente nos chantageia dizendo para escolher entre morrer ou viver deprimido.

Não há cura, há que se viver doente para sempre. O que se consegue é minimizar seus efeitos. Mais ou menos como o alcoolismo, se você beber… fica doente novamente. Já escrevi sobre isso por aqui.

O grande enigma é descobrir o que dispara o gatilho. No alcoolismo é o primeiro gole o inimigo. E na depressão, qual é esse gole? Gole de que? Ainda que seja uma doença, o alcoolismo é antes de tudo uma escolha. Você procura o primeiro gole e adoece novamente. E a depressão? A gente que escolhe ou ela simplesmente surge, se manifesta sem que a queiramos por perto?

Claro que ninguém quer cair em depressão. Ninguém quer, mas não conseguimos evitar. Séries incontáveis de fatores e absolutamente individuais nos levam por esse caminho. E isso acontece cada vez mais. Milhares de pessoas caem em depressão todos os dias. É o mal do século. Poucos serão os humanos que escaparão dessa doença ao longo da vida.

E se não há cura, como lidar com isso? Pois é, aí é que está a questão: Lidar com isso. Aprender a viver com ela. Saber que ela existe, mas desprezá-la para que ela não te derrube. Claro, em teoria é tudo lindo. Quero ver na prática.

Pois o grande X da questão está em descobrir o tal gatilho, o que dispara a angústia que te tira o chão e… tentará te tirar a vida, ainda que você permaneça por aqui e não aja radicalmente como o famoso e corajoso ator. Eu respeito a coragem de um suicida. Só gostaria de vê-los usar essa mesma coragem para enfrentar a doença, eu disse enfrentar e não vencer. No meu ponto de vista, é assim que se lida com ela. Mais ou menos como uma briga com alguém maior do que você. Se você não reagir, ele te bate. Se você reagir, ele pode até te bater, afinal, é mais forte, mas ele pensará duas vezes, afinal, ele pode apanhar e perder… Talvez ele recue. Ou melhor, é provável que ele recue e te deixe em paz.

Bem, posso falar de carteirinha sobre depressão. Já passei por isso, já tive recaída mais de uma vez e também já ajudei muita gente a lidar com essa doença devastadora.

Vamos para a prática então. Chega de teorias.

Os sintomas são conhecidos, há por aí farta literatura explicando-os. A grande pegadinha para detectar essa doença é perceber, ao menor sinal, se o seu cotidiano, a sua rotina está sendo afetada por ela. Veja, note que há uma imensa diferença entre depressão e tristeza profunda. A grosso modo, a tristeza te deixa amuado, sensível, cabisbaixo. A depressão te deixa sem vontade de enxergar o dia seguinte.

Como disse, não se trata de uma doença silenciosa como pensam tantos. Nada disso. Ela fala com você, ela chega até a te fazer pedir socorro, ainda que de forma branda. Não hesite em solicitar ajuda. Não é vergonha alguma sofrer desse mal, ainda que muitos idiotas chamem isso de frescura.

Eu aprendi a lidar com a depressão sozinho. Cheguei a tentar ajuda profissional, mas não consegui eco na exposição de minhas angústias. Falava ao vento. Nada mais individual do que um indivíduo, não é? Sim, é óbvio, mas poucos enxergam o óbvio.

Tentei me ajudar porque sou autodidata em tudo o que faço, portanto, foi o melhor caminho que encontrei. Pode servir ou não a você, mas serviu a mim. Fiz inúmeros exercícios de reflexão e até mesmo alguns práticos. As conversas diante do espelho foram essenciais, talvez por isso eu pratico tanto nas minhas aplicações de Coaching.

Ajuda muito enumerar os “por quês” e os “pra quês”. Se perguntar mesmo os motivos de se sentir desse ou daquele jeito. Descobrir, com vontade e coragem, se faz ou não algum sentido ser influenciado pelas angústias e medos dessa forma.

Ajuda mais ainda ter consciência de que não há cura. Nos dias de hoje a gente está sempre procurando um botão para apertar e temos a esperança de que tudo o que está errado se acerte instantaneamente. Isso não existe. Tudo nessa vida é um processo. No caso da depressão é a mesma coisa, é um processo lidar com ela. Uma utopia tentar eliminá-la.

O fato de conviver com um inimigo que esteja tão perto não significa que ele vai derrotá-lo. Pense no lado positivo da coisa: Se você pode ver seu inimigo, você pode controlar seus passos e se preparar para seu ataque. Ele jamais vai ter surpreender.

MM

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