Lugar Certo

Escolhas

Falo tanto que certo e errado não existem… falo tanto ou até mais que o que importa é o melhor e não o mais fácil que andei pensando sobre isso. Existe certo ou errado sim. Em relação a “lugares”, pelo menos. Por que ente aspas? Bom, porque não quero falar apenas em lugares físicos, geográficos, além disso, quero fazer uma relação com a mente, pensamentos e sentimentos.

Você aí do outro lado, já se sentiu no lugar errado, na hora errada? Ou na hora certa no lugar certo? Claro que há também o lugar certo na hora errada ou lugar errado na hora certa… Pois é, para variar um pouquinho estou escrevendo o que me vem à mente sem censuras. Ou melhor, sem filtro. Natural que as bobagens como brincar com as palavras apareçam.

Acho que nossos Egos vivem, a maior parte do tempo, fora do lugar. Tudo bem, não posso e nem quero generalizar, mas tenho percebido isso ao longo do tempo. As pessoas se sentem cada vez mais onde não queriam estar e pior, meio que fora do tempo, como se vivessem uma realidade e sonhassem com outra.

Creio que todo mundo já se sentiu assim algumas vezes, tipo, fora do lugar no tempo e no espaço. Difícil lidar com isso. Bom, sejamos justos, difícil lidar com quase todas as questões da vida.

Tem um ditado popular, meio besta e machista até, que diz assim: “A grama do vizinho é sempre mais verde”. Claro, ele se refere à mulher do vizinho, querendo dizer que a mulher dos outros é sempre melhor do que as nossas. Bobagem, mas talvez possa usar para tentar explicar nossa insatisfação em relação a esse sentimento de que estamos sempre fora do lugar.

Em psicologia usa-se um termo muito abrangente e subjetivo – aliás, como quase tudo nessa ciência – que é o… ajustamento. Esse termo é usado para ajustar Egos em diversas e amplas situações, inclusive para a necessidade das pessoas se ajustarem ao meio em que vivem. Vamos esquecer a abrangência desse termo, vamos sair do macro pensamento para o micro.

Para muitos o ajustamento pode significar sabedoria, maturidade, conhecimento de si mesmo, etc. Para outros, talvez para os que estejam sofrendo com o fato de se sentirem no lugar errado, pode significar conformismo. E aí, qual será o certo? Pois é, como é difícil responder a essa pergunta uma vez que cada um, cada ser, cada indivíduo dá seus próprios, portanto únicos, significados a seus sentimentos e percepções.

Também não sei responder o que é certo ou errado nessa questão acima. O que sei é que se você se sente um peixe fora d’água pode e deve fazer algo para mudar esse quadro negativo. Isso sim tem uma abrangência palpável porque serve para qualquer situação ou área de sua vida.

Esse negócio de se sentir no lugar errado começa pequeno e vai crescendo porque nada alimenta mais uma angústia do que a velha e boa insatisfação. É como alimentar um monstro que vai te comer depois de um tempo. De fato, uma pequena angústia, ao longo de um tempo sem ação para combatê-la, vai consumir suas energias reativas.

Óbvio que não estou falando aqui para você reagir a cada vez que se sentir fora de contexto, digamos assim. Na verdade estou dizendo que devemos prestar atenção nesses pequenos sinais para que eles não se tornem situações irreversíveis. Ou melhor, tudo na vida é reversível, mas a gente sempre arruma uma desculpinha para não mudar a vida quando a coisa já cresceu demais, ou quando o tempo passou. Um exemplo: Pessoas que se sentem fora de um casamento, mesmo estando nele há anos. Normalmente não tomam atitude alguma usando o tempo da relação e os filhos como desculpa. Ah, não preciso explicar, você aí do outro lado sabe muito bem do que estou falando.

Num caso desses é preciso ficar atento aos pequenos e preliminares sinais para que o monstro não seja alimentado e você não consiga mais controlá-lo. Vale para círculos de amizade, trabalho, família, enfim, como disse, vale para tudo.

Como disse, não saia por aí mudando tudo logo no primeiro sinal de alerta. Sinais existem para serem detectados e levados a sério, entretanto, eles devem ser analisados com o máximo de isenção possível, afinal, estamos falando aqui da sua vida, ou seja, do que há de mais importante para você. Qualquer mudança que se fizer necessária deve ser feita com planejamento e olhando sempre os dois lados da moeda.

Não dizem por aí que a vida é feita de escolhas? Pois bem, toda escolha tem uma conseqüência e a idéia é que a conseqüência seja sempre um lugar melhor do que o atual.

Porque escrevi isso? Porque ao longo de 53 anos, poucas vezes me senti no lugar certo e na hora certa. Agora, nesse momento em que fiz uma radical mudança em minha vida, sinto-me no lugar certo, no tempo certo e cercado das pessoas que realmente importam. Se minha escolha foi certa ou errada, só vou poder analisar daqui a um tempo, mas a sensação de que tudo está em pleno acordo com minha essência e sentimentos é indescritível. Percebam que não falo apenas porque estou fisicamente onde queria estar. Isso é o que menos importa. Falo de algo mais profundo, falo de uma percepção que está mantendo minha mente mais tranqüila.

Certa ou errada, no mínimo minha escolha terá valido à pena pela experiência adquirida. O que, convenhamos, são as melhores coisas da vida: Experimentar, ousar, mudar…

MM

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Ter Razão ou Ser Feliz?

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Você já deve ter lido em alguma rede social a pergunta: Você prefere ser feliz ou ter razão?

Parece uma obsessão dessa gente metida a politicamente correta ou metida a superior. Eu, no alto da minha ignorância funcional, queria saber por que é que esse povo insiste nisso. Alguém pode me dizer quando e por que alguém decidiu que Felicidade e Razão são coisas antagônicas? Não podemos ter razão e ser feliz, é isso mesmo que eles acreditam? Ah, não é nada disso e sim algo sobre… “não querer ter razão em uma discussão para não provocar a infelicidade…” Será que é por aí? Ainda assim, não faz o menor sentido na minha mente perturbada.

Pois é, se esse povo soubesse que é justamente a discussão que provoca conhecimento… mas não sabem. Ignoram os conceitos e significados corretos e se utilizam de bobagens a fim de parecerem seres bons e superiores, como disse acima. São de fato superiores, absolutamente superiores, no quesito ignorância.

Esse… Ser Feliz ou Ter Razão é ridículo. Parece coisa de gente que quer forçar a barra para que todo mundo nao discuta mais. Como se toda discussão levasse a uma briga. Sim, sei que muitas vezes leva, afinal, quem é que tem bom senso para entender que não existe opinião errada, apenas diferente.

O que está acontecendo é que a sociedade está ficando boba. Boba de abobalhada mesmo. Ter opinião diferente da sua significa preconceito, radicalismo e tantas outras coisas que farão de você um ser inferior. Os mais fracos, acabam sucumbindo a esse julgamento sem sentido e adotam a postura passiva que é o que mais temos visto por aí. Passividade em tudo. Por que? Porque não há mais gente disposta a bancar o que realmente pensa. Não há mais gente corajosa a ponto de enfrentar a trupe dos politicamente corretos, que, como arma, só tem a hipocrisia. E como essa arma é letal. Está tomando conta de mais de uma geração.

Todo mundo abrindo mão de sua opinião. Claro, se você não exercita, vai acabar ficando sem. Todo mundo abrindo mão de pensar, apenas seguem o que os outros fazem sem sequer questionar se aquilo é coerente com seus valores e pensamentos mais íntimos. Abrir mão de tudo parece ser a modinha do momento. Por isso estão se tornando alienados. Em todos os sentidos. Não há mais valores. Ou melhor, há sim, mas eles estão invertidos.

Minha ex-terapeuta certa vez me disse que eu me incomodava com a vida e com as pessoas porque não percebia que havia – e há – uma “Infantilização da Sociedade”. Dito isso, fiquei mais ou menos uns 20 minutos em silêncio até que a sessão se encerrou. Antes de sair da sala, eu falei: “Essa infantilização está levando à idiotização e acho que é isso o que me incomoda, a minha idiotização e a das pessoas”. Isso foi há longos 8 anos atrás. De lá para cá, a coisa só piorou. As redes sociais não têm culpa não. Elas só apareceram na vida das pessoas dando a elas a oportunidade de se mostrarem. Um show de horrores em sua maioria.

Retomando, é meio por aí. As pessoas estão cada vez mais infantis. Duvido que alguém discorde disso. A idiotização também me parece que veio para ficar. Dou exemplos: Ser hipócrita como os Politicamente Corretos é ser idiota; querer vender a imagem de certinho e feliz nas redes sociais é outra idiotice sem tamanho; abrir mão de uma discussão – que de fato leva à produção de conhecimento – me parece outra coisa de idiotas.

Não estou aqui dizendo que devemos brigar para ter razão a qualquer preço, não é isso. Estou dizendo com todas as letras que a pergunta inicial é descabida, tola, burra e idiota. A felicidade não pode e nem deve entrar em qualquer questão. Felicidade é como a religião deveria ser: Algo pessoal, intransferível e jamais compartilhada.

A gente compartilha momentos de felicidade com outras pessoas, é claro, mas sensação é única e individual. Está claro isso?

O que me deixa feliz é ter razão.

Calma, é só uma brincadeira com as palavras. O que me deixa feliz é fazer exatamente o que defini em um dos meus livros quando expliquei o que era felicidade para mim. Lá eu disse que a felicidade está na busca e não na conquista.

Em outras palavras, felicidade para mim é a jornada e que ela seja sempre muito intensa. Independente de ter ou não razão.

Se tem dúvida, faça o teste. Pegue aí uma bela conquista de sua vida e a analise do começo ao fim. Talvez perceba que foi durante o processo que você se sentiu realmente feliz…

A verdade é que a sociedade se tornou um bando do que chamo de Macacos de Repetição. Alguém inventa uma bobagem como essa de… Ser Feliz ou Ter Razão e todo mundo repete, compartilha a exaustão até que se torne uma verdade absoluta. Repetem coisas sem sentido e nem se dão o trabalho de questionar se faz ou não algum sentido.

A pergunta certa deveria ser: Onde é que essa sociedade vai parar? Mas quem é que está realmente preocupado com o que ensinamos aos nossos filhos, não é mesmo? Se é isso que buscam, que sejam felizes assim, alienados e sem razão alguma.

MM

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Tolerância

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Não sei quando é que o caldo entornou, pois temos a intolerância presente em todas as pessoas o tempo todo. Também não se trata de aceitar tudo e engolir sapos, creio que escrevo aqui para pessoas que têm bom senso. Limite é limite e temos que respeitar. Só que o teto de nosso limite está baixo. Qualquer coisa pode nos fazer estourar. Li outro dia um texto muito bom que falava, entre outras coisas, que os seres humanos, especialmente os brasileiros, parecem uma granada. Por menor que seja a ocorrência, o pino se solta e… É meio que por aí.

Sempre fui intolerante com tudo. Comigo, inclusive. Não suporto sequer pensar na possibilidade de “errar”. Em relação a qualquer coisa. Como, ao contrário do que pensam alguns leitores que afirmam, sem me conhecer, que eu me acho acima do bem e do mal, a verdade é que me acho uma porcaria em incontáveis situações, sendo assim, imaginem o quanto eu sou intolerante comigo mesmo. Chego a não tolerar a minha intolerância. Não sei qual é seu grau de intolerância ou de tolerância, mas tenho quase certeza de que algo pode ser feito para melhorar.

O efeito é devastador. Intolerância só faz mal à saúde de nossos Egos. Por vezes, senão na maioria delas, nos arrependemos das conseqüências. Ora, se sabemos que vamos nos arrepender, melhor estancar o problema lá em sua raiz. E onde é essa raiz? Detectar o problema é fácil, difícil é combater sua causa. Gosto dessa frase.

Não posso falar sobre a causa da sua intolerância, afinal, nem sei quem é você. Mas posso imaginar que as causas são meio que parecidas. Stress, problemas emocionais, financeiros, familiares… em suma, sofremos com alguma coisa e descontamos no motorista de taxi que lhe deu uma fechadinha no trânsito. A coisa chegou a tal ponto que as pessoas já não toleram uma opinião diferente da delas. Eu sempre falo que não existe opinião errada ou certa, existe opinião diferente. Mas quem é que tolera a diferença, não é mesmo?

Sabemos que o trânsito é uma fonte inesgotável de stress e de intolerância. Mas não é o único vilão. As frustrações também têm sua parcela significativa no processo. “Parcela significativa” para ser bonzinho. Na verdade, é a maior fonte de tudo.

Ando vendo muita gente – eu inclusive – falando muito mal da geração Y. Dizemos que eles são mimados, e são, que não sabem ou não conseguem lidar com as frustrações, e é verdade, que são superprotegidos pelos pais e pela sociedade, o que é inegável, e mais um monte de coisas. Pois bem, tudo isso está mesmo acontecendo, mas e as gerações anteriores? Quem é que sabe, afinal, lidar com frustrações? Não será essa a maior fonte de intolerância?

Eu penso que esteja aí a raiz do problema e na ignorância em lidar com elas. Quando escutamos alguém falar em frustrações, normalmente associamos ao um grande evento que não se consolidou. Bobagem. Frustração necessariamente não tem tamanho. Ela pode ser grande ou pequena. E como é que se aprende a lidar bem com algo frustrante? Deve ser um dos mistérios da humanidade.

Até hoje não li nada que me convencesse. Sim, alguém aí pode dizer que sou um chato e que para me convencer é preciso de muita coisa… é verdade, mas eu rebateria dizendo que todo mundo aceita tudo muito fácil. Ainda mais quando se trata de teorias de auto-ajuda, tratamentos terapêuticos, significado das palavras… enfim, sou feliz por ser esse mala. Nem quero me convencer facilmente, isso me causaria uma frustração imensa.

Tolerar não é fácil. Gosto de pessoas boas, tolerantes, mas muitas delas são na verdade bobas. Nem diria ingênuas, digo bobas mesmo. Já “peguei” gente assim para estudar. Não consegui chegar a nenhuma conclusão diferente de: “São pessoas bobas, tolas, conformadas com o que lhes acontece sem a menor capacidade de reação e incapazes sequer de detectar o que lhes causa frustração”.

Da mesma forma que estudei pessoas do outro extremo, os intolerantes, como eu, objeto principal de meus estudos: “São pessoas inconformadas, de alguma forma, muito reprimidas, agressivas, e incapazes de lidar com qualquer tipo de frustração”.

E você aí do outro lado, onde e encaixa?

Não sei como fazer para tolerar mais as coisas que desagradam ou frustram. Provável que usar a inteligência seja o primeiro passo, afinal, se sabemos que a vida é frustrante na maioria das vezes, nada mais justo do que criar uma barreira prévia contra a conseqüência das frustrações. Se é que são elas as “culpadas”…

MM

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