O Mundo Encantado do Facebook

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Algumas pessoas confundem o que eu falo. Sempre digo que o Facebook não serve pra nada, mas acham que eu não gosto. Gosto sim, aliás, adoro. Claro, adoro por diversos motivos, um deles, talvez o principal, é porque é uma fonte inesgotável de análise comportamental.

Já disseram por aí que: “Visto de perto, ninguém é normal.” Eu concordo e acho muito bom que seja assim, afinal, se todo mundo fosse normal, a vida seria uma porcaria. Como existe uma porção de graus de anormalidade, a gente consegue daqui ali conviver em harmonia olhando mais os defeitos dos outros do que os próprios. Coisa de louco.

Em redes sociais a gente encontra de tudo. No Twitter basicamente estão os haters. Neguinho mete o pau em tudo e em todos sem muito filtro. No LinkedIn estão os mentirosos. Afinal, quem é que, com tanta experiência profissional, fala tantas línguas, trabalha em equipe, é pontual e responsável e continua desempregado? Pois é, estou generalizando, claro que não é 100% assim. Mas passa de 50% com certeza. Há poucos anos tínhamos o finado ORKUT que se popularizou sabe-se lá por que e agora temos o Facebook, ou Face, para os íntimos.

Aí juntou tudo. Agora o Facebook é palanque anti e a favor do PT, anti e a favor de Copa, lugar de gente feliz, bem resolvida, que tem opinião sobre tudo o que sai na imprensa (normalmente sem ler a notícia, só a manchete), temos os defensores de animais, também está cheio de gente pronta pra difamar alguém ou alguma empresa, temos “atletas” que fazem questão de nos “informar” sobre seus desempenhos em pistas de corrida ou academias. Claro, temos também um monte de cozinheiros ávidos por nos mostras as fotos de seus quitutes. Há também a parte suja, como em toda sociedade, pois já vimos marcarem brigas, greves, manifestações e até morte já saiu por causa do fofo e amado Face… e, para finalizar, também está cheio de “Gente Miscelânea”, onde devidamente me encaixo.

Posto de tudo, desde meus textos, fotos, brincadeiras, vídeos, compartilho o que acho engraçado e normalmente quando dou alguma opinião é para falar mal de alguém, de algo ou do meu alvo predileto: o Brasil. Mentira. Meu alvo preferido normalmente é o ser humano, aquela experiência divina ou Darwiniana que não deu muito certo. Em suma: Diria que quase 90% do que coloco lá não vale ou não serve pra nada. Pelo menos sou coerente com o que penso sobre a rede social inútil.

Sendo eu um estudioso do comportamento humano, cada coisa postada que vejo, passa por uma análise. Claro, análise esta devidamente comprometida, temperada e contaminada com o que tenho de melhor: O veneno.

Antes que me esqueça, adoro ler os comentários dos assuntos polêmicos. É de morrer de rir com tanta gente idiota falando imbecilidades. Pior, não sabem escrever e o que é mais grave, tentam passar a imagem de… hum… deixa eu achar a palavra… inteligentes. É, não dá mesmo pra duvidar que chamar ser humano de inteligente não passou de um boato que pegou. Já falei isso tantas vezes que estou completamente convencido disso. Alguém lá atrás inventou essa bobagem de inteligência. Como somos burros, acreditamos e tentamos vender essa imagem.

Sempre há mensagens fofas no Facebook. As de auto-ajuda são de arrepiar. Sério, se tem mesmo tanta gente problemática a ponto de que, ao ler qualquer bobagem, terá sua autoestima levantada… na boa, vai faltar terapeuta no planeta pra tanta gente.

E as frases? Meu Deus, coitada da Clarice Lispector. Ela deve ter escrito mais depois de morta, com certeza. Qualquer frase de efeito é atribuída à escritora que nem descansar em paz pode mais. Antes essa gente escrota tivesse mesmo lido Clarice. As coisas poderiam ser bem diferentes.

Dia desses cheguei a ler algo como uma homenagem. A pessoa comentava sobre o aniversário e a saudade de alguém da família que havia morrido “recentemente” (nada mais relativo do que o tempo – provavelmente a morte ocorreu outro dia, há mais de 200 anos). A mensagem terminava dando os parabéns e mandando um beijo. Claro, tava pagando de bonzinho, fofo. Mas eu me perguntei se haveria Facebook no céu ou no inferno. A mensagem era tão… tão… bate papo que dava a impressão que o morto a estava lendo. Bem, penso que a maioria acredita em vida após a morte, mas mandar beijo pelo Facebook a um morto é de matar, né? Sorry pelo trocadilho.

As mensagens sobre morte invariavelmente vêm acompanhadas do clichê: “Esteja onde estiver, sei que está lendo essas palavras, bla, bla, bla.” Bom, aí a coisa pega. Se existir mesmo o “onde”, deve ser muito, mas muito, muito grande pra caber tanto morto que, segundo essa gente, está vivinho da Silva. E mais grave, eles têm Facebook!!! Talvez seja por isso que os preços dessas “empresas de Internet” são tão altos: Elas atravessaram a fronteira entre a vida e a morte, tão temida por todos. E pelo visto, se deram bem afinal, existe muito mais usuário morto do que vivo.

Ainda sobre os fofos, outra pergunta que me atormenta a mente a ponto de… de… bem de nada, estou só fingindo, valorizando dando uma de preocupado. Enfim, me pergunto por que é que as pessoas têm essa necessidade doentia de se mostrar boas e felizes. A gente sabe que ninguém é feliz o tempo todo (quase nunca, para ser sincero). A gente sabe que as pessoas sentem inveja, são interesseiras, se vingam, falam mal das famílias, dos amigos… pra que pagar de bonzinho?

Eu entendo, claro. Elas só querem ser aceitas. Aceitas por um monte de pessoas que também faz de tudo para ser aceita. É uma troca. Quase que uma espécie de Efeito Tostines da Fofura: Tenho que parecer fofo e achar fofo quem aparenta ser fofo para que os que aparentam ser fofos me achem fofo.

Como postei essa semana, lá é um lugar que a gente sente bem normal. Independente do grau de loucura, sempre tem um pior.

É isso, um beijo pra vocês. Estejam vivos ou mortos…

MM

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Sonho Real

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Todo mundo sonha com uma vida melhor. A maioria, quando sonha, se esquece do que é real, do que pode ou não virar realidade dentro da sua… bem, da sua realidade. Sonhar por sonhar, sem levar em conta o mundo real não faz sentido. É machucar-se na certa.

A sensação que um sonho provoca é incrível. Já a sensação que a realidade mostra nem sempre. Numa doce lembrança que me veio à mente agora, coisas de um passado distante, diria que transformar a realidade num sonho foi muito mais surpreendente do que a de um sonho que se transforma em realidade. Ok, pode parecer que esteja abusando desse negócio de brincar com as palavras, mas é a verdade.

Você está ali, sonha com algo, age e as coisas se realizam. Poxa, bacana, é a busca de todo mundo e nem todos conseguem, há mesmo que valorizar o feito. Quando a realidade se transforma em sonho é completamente inesperado, afinal, quem sonha espera que aconteça, não? De alguma forma você está se preparando para que o sonho se torne real. O problema do inesperado é que ele nunca depende das variáveis que a gente consegue controlar. O inesperado tem vida própria e se manifesta quando quer.

Imagine a cena: Você continua vivendo a mesmice da sua existência morna e de repente… algo acontece e sua realidade muda de tal forma que você se sente completamente inserido num contexto, até então, impensável, um verdadeiro sonho.

Passa então a alimentá-lo e as sensações vão sendo incorporadas ao seu dia a dia e quando se dá conta, não sabe mais o que é real e o que é sonho. Somos seres completamente insanos. Para que tentar descobrir ou fazer essa divisão? Não podemos simplesmente viver o sonho? Pois é, não podemos. Temos essa tendência estúpida de separar o sonho da realidade. Ou a realidade te alerta que é um sonho ou o sonho fica tão real que perde a força que só um sonho tem.

Sempre digo que nossa missão maior na Terra nem é pela Terra e sim por nós mesmos. Perdoem-me os que abrem mão da vida para defender o planeta, mas acho que a maioria é mega problemática. Sou completamente contra a qualquer tipo de auto-anulação. Prometo que no primeiro comentário achando isso um absurdo, eu mergulho mais no tema.

Enfim… viemos ao mundo para realizar nossos sonhos. Mas como é que se sonha certo, coisas realizáveis? Aí tem uma espécie de pegadinha da vida: Para sonhar temos que saber o que queremos. E para saber o que queremos temos que ter experimentado algo parecido. A não ser quando dormimos, ninguém sonha com o que não conhece. Ok, pode até ser, mas no mínimo há que se ter um ponto de partida, imaginar algo para sonhar. E normalmente quando imaginamos algo, alguma referência real tem que haver para nortear os pensamentos.

Obviamente que essa referência é o sujeito que sonha. O que quero dizer com isso é: O norte foi estabelecido, assim sendo, todo sonho deve ser baseado em algo que o sujeito seja capaz de realizar. Aí é que vem a armadilha do nosso Ego.

Egos “bem resolvidos” (Eu odeio esse termo) são aqueles que sabem muito bem o que são capazes de fazer. São aqueles que têm a exata noção da realidade: Querer x Poder.

Ninguém tem. Parece pedante da minha parte afirmar isso, mas quem é que disse que não sou pedante… Além disso, eu simplesmente sei. E você, caro leitor, também sabe. Talvez você que é menos pedante do que eu, jamais fosse capaz de afirmar algo desse tipo, mas eu afirmo sem dó nem piedade: Ninguém tem a exata noção de tudo o que é ou não é capaz de realizar. Além disso, ninguém sabe realmente o que quer.

Quando era jovem, ávido por realizar alguma coisa, eu tinha uma máxima que balizava meus pensamentos: Se alguém é capaz de fazer, eu também sou.

Claro, a vida me mostrou que eu estava louco. Não sou capaz sequer de fazer arroz e sei de bilhões de pessoas que sabem. Brincadeiras à parte, fazer arroz nunca fez parte dos meus sonhos. Aí você tem que ter a coragem de admitir não ser capaz de tudo. Eu assumi. Não sou capaz de tanta coisa que se pensar nisso agora caio em depressão me achando um inútil.

Resumindo: Não somos capazes de sonhar o tempo todo com o que podemos realizar. Outro ponto é que não depende só de nós termos a realidade transformada em sonho. Isso é “quase” obra do acaso.

Aproveito para mencionar outros absurdos da “inteligência” humana: Em muitas ocasiões, abortamos nossos sonhos, digamos assim, realizáveis, porque não temos coragem correr atrás; ou… somos influenciados negativamente pelos outros que não fazem a menor idéia de quem somos (Sim, isso aí que você pensou: inveja. Invejosos nos contaminam o tempo todo); ou ainda… desistimos facilmente quando a primeira dificuldade aparece. E por aí vai.

Nossos Egos são estúpidos: Ou sonhamos errado ou nos sabotamos quando sonhamos certo. Pelo menos na maioria das vezes.

Se eu pudesse dar uma primeira dica sobre esse tema – e eu posso, afinal de contas o Blog é meu e posso escrever o que bem entender – diria para você que a melhor coisa a fazer é manter os olhos abertos. Não, não é uma dica qualquer. Eu, você e tantos outros passamos boa parte da vida de olhos bem fechados.

Olhos fechados não enxergam oportunidades de transformar a realidade num sonho.

MM

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