As voltas que a vida dá…

Loop

O mundo é redondo. Os eventos são cíclicos. Seres humanos, egos bem ou nem tão bem construídos vivem num eterno looping, ainda que recusem admitir e aceitar, ainda que nem percebam isso.

Volta e meia a gente tenta sair pela tangente numa dessas tantas curvas citadas aí em cima. Nem sempre conseguimos e lá estamos novamente naquele círculo vicioso infinito. Mais ou menos como age a gravidade nos puxando de volta para aquele que parece ser um trilho que poucos conseguem abandonar.

Alguns perguntariam: Abandonar para que? É aquele papo furado que já escrevi aqui e tantas vezes é discutido em rodas de bate papo ou nas salas dos terapeutas, ou ainda, nas consultas de Coaching: A tal Zona de Conforto. Que efetivamente não conforta ninguém, mas quem é que se preocupa em pensar nisso? Temos tanta coisa para fazer que pensar em nós mesmos parece mais problema dos outros do que nosso. Não, não estou ficando louco, apesar dessas afirmações que repito agora para dar ênfase ao que quero dizer: Zona de Conforto não conforta e pensar em nós é problemas dos outros e não nosso.

Voltando, abandonar pra que? Um amigo ouviu de sua terapeuta a seguinte pergunta: Está funcionando viver do jeito que vive e fazer as coisas que faz? Diante da resposta negativa, ela foi enfática: Então nem preciso dizer que você tem que mudar.

Outro amigo, esse um tanto mais radical em suas posições, jamais faria terapia, define assim: Toda mudança é ruim.

Será mesmo? Eu discordo. Penso justamente o oposto: Toda mudança é boa. Ainda que o resultado possa não ser o esperado, entendo que o processo da mudança nos faz crescer e, portanto, é o nosso melhor professor.

Nem pensem que estou falando isso porque recentemente tomei uma decisão e mudei a vida em 180 graus, não é isso, falo porque passei a vida promovendo mudanças e nem todas foram legais como eu esperava, mas todas, sem exceção, me ensinaram alguma coisa.

Há um ano eu estava de férias na África do Sul. Lugar que, repito, acho que todo mundo que tiver oportunidade deve visitar. Lá, de férias, jamais imaginava que hoje estaria morando em Miami. Ainda que eu sempre sonhasse em sair do país que dei azar de nascer, eu jamais imaginaria que pudesse fazer isso de forma tão rápida.

Quando fiz minha lista de Coisas a Fazer no Ano Novo, confesso que “mudar de país” não constava… Mas lembro de ter colocado algo que sempre esteve presente nas minhas “listas”: Uma mudança impactante.

Aqui estou eu, fazendo força para sair dos meus círculos viciosos, correndo para bem longe da minha zona de conforto, me afastando cada vez mais daquele looping dos últimos 12 ou 13 anos.

Amigos me chamam de corajoso. Dizem que fazer uma mudança dessas aos 53 anos de idade é loucura. Outros falam que me invejam como se eu fosse um ser diferente deles. Dizem que se tivessem a mesma oportunidade, fariam o mesmo…

Bem, e quem é que disse que eu tive alguma oportunidade? Será que pararam para pensar que eu criei a oportunidade? Óbvio que não. As pessoas não estão acostumadas a criar oportunidades, estão acostumadas – e se preparam apenas para tal – a aproveitá-las.

Não deixa de ser um passo importante, conheço gente que nem enxerga oportunidades, quanto mais se aproveita delas, mas… criar mesmo, são poucos.

Passei boa parte do ano me fazendo aquela pergunta que a terapeuta do meu amigo fez a ele: Está funcionando viver como vive? Está feliz fazendo as coisas que faz?

A resposta que me dei todo mundo sabe…

MM

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Publicado em Ego. 3 Comments »

3 Respostas to “As voltas que a vida dá…”

  1. Anônimo Says:

    Não sei se é culpa do Ego, Id ou Superego, nunca entendi direito esses conceitos que você tão particularmente dá a estes termos e o que realmente significam. Mas, só sei que sinto muita falta dos seus textos. Acho que quando diz que está fazendo força para se manter distante dos seus círculos viciosos, isso engloba o que você sabe fazer de melhor: escrever.
    E isso para mim é triste.Muito triste, mesmo!
    Só não sei se é para você?
    Está feliz?
    A resposta, bem … a resposta, só você quem sabe.

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  2. Anônimo Says:

    Esse post em que se fala de mudanças, transformações e nas voltas que a vida dá, chamou-me a atenção para a mais pura realidade dessa vida, a de que nada nesse mundo vai permanecer no estado em que se está.
    “Geleiras vão derreter … estrelas vão se apagar … coisas vão se transformar para desaparecer.”
    As mudanças precisam ocorrer para de que certa forma possamos nos encontrar.
    Não são raras as vezes que nos vemos perdidos em um turbilhão de coisas que não nos faz nenhum sentido. Aí paramos, e nos fazemos a tal pergunta:estou feliz da forma que estou vivendo? Na negativa, o certo a fazer é primeiramente partir em busca de si mesmo. Esse, a meu ver, é o melhor processo de mudança e transformação que um ser humano pode ter.
    Isso tudo me fez lembrar de uma canção do Cartola …
    “Deixe-me ir
    Preciso andar
    Vou por aí a procurar
    Rir pra não chorar

    Quero assistir ao sol nascer
    Ver as águas dos rios correr
    Ouvir os pássaros cantar
    Eu quero nascer
    Quero viver

    Deixe-me ir
    Preciso andar
    Vou por aí a procurar
    Rir pra não chorar

    Se alguém por mim perguntar
    Diga que eu só vou voltar
    Depois que me encontrar …”

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  3. Caldas Says:

    Nada neste mundo é permanente, exceto a mudança e a transformação.
    “Tudo flui e nada permanece, tudo dá forma e nada permanece fixo.
    Você não pode pisar duas vezes no mesmo rio, pois outras águas e ainda outras, vão fluir”.
    (Heráclito)

    Mudanças … mudanças …
    Muitas delas dolorosas, outras nem tanto, algumas felizes e poucas impactantes. O fato em comum é que podemos tirar delas várias lições.

    E em relação a criar oportunidades, penso que algumas portas se abrem à medida que vamos caminhando ao encontro delas,
    O processo de construir oportunidades é trabalhoso, dispende muita energia que muitos não estão dispostos a gastar, por isso é tão raro reconhecer aquele que cria oportunidades e não apenas agarra as que aparecem.

    É mais ou menos como velejar.
    A ideia de que “o vento bate e empurra o veleiro” só é verdadeira quando velejamos a favor do vento. Fazendo uma analogia, nesse caso agarramos e aproveitamos as oportunidades que aparecem.

    Em todas as outras situações devemos regular as velas para que o ar possa fluir suavemente pelos dois lados de sua curvatura, esse processo exige habilidade e um certo esforço do velejador, que faz ajustes e cria oportunidades para velejar.

    Assim, afortunado aquele que cria oportunidades e vai em busca de ser feliz.

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