Acidez

doce-amargo 1

Depois de um longo e tenebroso… verão, resolvi escrever um pouquinho para ver se a mente  fica menos tensa e menos densa.

Sei lá por que motivo, hoje acordei pensando em algo que venho observando há tempos em mim e também nas pessoas que convivo, ou que sigo, ou que adiciono. Por causa dessas redes sociais inúteis, hoje em dia são tantas as possibilidades que nem sei mais ao certo quem são amigos ou agregados.

Sempre fui um cara brincalhão, não sei se engraçado, mas eu sempre brinquei muito. Por conta disso, quase que só me cerquei de pessoas assim, brincalhonas, irreverentes, ácidas… Bom, é aí é onde quero chegar: Acidez.

Não é de hoje, como disse lá em cima, que tenho observado uma mudança profunda no comportamento das pessoas e… óbvio, no meu comportamento também. Aliás, para ser bem sincero, observei isso primeiramente em mim para só depois observar os outros. A verdade é que procurei ver se as pessoas também mudaram para que meu Ego pudesse usar aquela desculpinha insuportável: Todo mundo faz, todo mundo é assim…

Não vou me desviar – mais – do assunto. O que andei notando é que as pessoas, me incluo nisso, de uns tempos para cá deixaram a acidez de lado e passaram, ou passamos, a ser amargos. Em quase todos os níveis: Comentários, pensamentos, atitudes, conversas, textos…

Tenho procurado descobrir quando é que eu passei a ser mais amargo do que ácido. Queria achar um evento que pudesse determinar o que desencadeou isso. Claro que encontrei. E mantendo a sinceridade, não achei apenas um evento, encontrei mais de um. Alguns suaves, outros mais pesados e um, em especial, mega absurdamente intenso.

Cheguei a escrever um livro de crônicas com pensamentos e “teorias” ácidas. Pelo menos foi avaliado assim pelo meu editor. Dia desses li alguns daqueles textos e pensei: Peguei leve…

Pois é, não tinha nada de leve. Eram crônicas bem ácidas sobre o cotidiano, comportamento humano, etc. Se hoje parecem leves é porque meu estado de espírito foi alterado. Não é tão simples assim se enxergar de verdade diante do espelho, dói além da conta, mas é necessário para que haja alguma alteração no comportamento.

Não sei ao certo o que tem levado as pessoas a transformar a acidez em amargura, mas vivendo nesse país triste, onde a tal felicidade brasileira parece mais coisa de bobos da corte do que qualquer outra coisa fica fácil imaginar esses motivos.

Além disso, há as armadilhas da vida, desilusões amorosas, insatisfações profissionais, frustrações de todas as ordens, problemas de saúde, lutos, enfim, são incontáveis os combustíveis que alimentam a transformação do nosso estado de espírito.

O que fazer para mudar? Pegar mais leve, tipo, não levar a vida tão a sério? Bem, isso parece bom na teoria, mas na prática podemos nos sentir alienados. Mudar as atitudes diante do que nos aflige e nos deixa amargos? Se fosse simples assim, inteligentes que somos já teríamos feito, não?

Como todo problema, o primeiro passo para solucioná-lo está em enxergar e assumir isso. A questão é sempre a mesma, o segundo passo. O que fazer em seguida?

Escrevi uma crônica semana passada. Tentando resgatar o velho Marcelo Mello ácido. Saiu uma porcaria. Só não tenho certeza se o texto era uma porcaria ou minha avaliação do texto é que foi uma porcaria.

A sacada é continuar tentando buscar uma solução, ou melhor, um evento que desencadeie essa mudança de comportamento. Não custa sonhar, já que algo desencadeou essa postura amarga, por que não algo que desencadeie uma postura ácida.

Não, não quero ser doce, também não é para tanto, afinal, não me daria bem comigo mesmo sendo fofo.

MM

Anúncios
Publicado em Ego. 1 Comment »
%d blogueiros gostam disto: