Risco

Ando vendo umas coisas esquisitas no mundo corporativo. Bem, não é de se estranhar, afinal, esse mundinho é uma fonte inesgotável de esquisitices. Mas uma delas em especial tem me chamado atenção: A tal da experiência, ou melhor, levando para o ambiente dos negócios, o tal do histórico.

Tudo bem, todo mundo quer algum tipo de referência, eu entendo, mas imagine a cena: Você abre uma empresa, seja ela de qual ramo for, e alguém que quer fazer negócio com você exige seu histórico, tipo, para quem já trabalhou, etc, etc, etc.

A não ser que seja um comércio onde você simplesmente abre as portas e espera o cliente, tudo no mundo dos negócios anda bem complicado. Recentemente fiz uma consultoria para uma empresa que vai prestar serviços e eles andam com muita dificuldade em transformar a excelente teoria no que pretendem fazer na prática.

Hoje cedo conversava com um amigo arquiteto sobre o mesmo problema. Dizia-me ele que está com dificuldades desde que saiu de uma empresa e resolveu abrir seu próprio escritório, afinal, mesmo tendo executado inúmeros projetos, quem assinava a obra era a empresa e não ele.

Não sejamos radicais: Há um risco embutido aí? Sim, claro que há. Mas… onde está aquela coragem que deve ser usual no mundo dos negócios? Por que ficamos admirados quando vemos alguém “embocar” um negócio, sentimos até inveja, e não fazemos igual na hora em que é nossa vez de correr algum risco?

Já fiz negócios de todos os tipos e, invariavelmente, quando acertei na mosca, fui taxado de “sortudo”. Oras bolas, sorte faz parte mesmo do processo, mas será que a visão tem que ser assim tão simplista? Será que foi apenas sorte? Bem, eu não creio nisso, até mesmo para manter minha autoestima elevada, sempre dou crédito à minha competência. Da mesma forma, quando errei feio, dei os devidos créditos à minha incompetência e não ao azar…

Mas confesso que as melhores coisas que realizei na vida tiveram um componente delicioso para me fazer sentir vivo: O risco. Sim, pode parecer loucura o que estou dizendo, mas é sério. O risco nos faz sentir vivos. O risco nos faz ser mais criativos não só no planejamento como também na execução. Ele nos mantém em estado de alerta permanente.

Quando alguém contrata um serviço de quem que está começando é arriscado sim, mas isso fará com que o contratante fique em estado de atenção, acompanhe de perto o desenvolvimento do trabalho. Ao mesmo tempo, o contratado vai se superar a cada desafio, afinal, ele está começando e precisa provar que é bom.

Penso que os grandes, os que já estão no mercado há anos, podem ser piores pelo fato de que… Hum… isso me lembra aquela frase do nosso Hino Nacional: Deitado eternamente em berço expendido…

Acho que me entenderam.

A verdade é que o mundo anda morno demais, todo muito morrendo de medo de arriscar. Isso acontece em todas as áreas de negócios e também na vida como um todo.

É mais ou menos como se fosse possível só apostarmos com a certeza de que vamos ganhar. Acreditar nisso chega a ser ridículo. Além do mais, que graça teria levar a vida sem nenhum risco?

MM

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