Luto

Em Psicologia chamamos uma perda de: Elaboração do Luto. Na vida prática, não teórica, chamamos de: Tristeza.

É assim que vemos a morte. Mesmo que saibamos ser esta a única certeza que temos na vida, não tem jeito, sofremos quando perdemos alguém. Espero, meus fiéis leitores, que entendam esse texto que é uma pequena homenagem ao meu Pai, que se foi no último dia 22. Mas não é apenas isso, na verdade é também um agradecimento e uma constatação.

Meu Pai foi um homem e tanto. Se pudesse defini-lo em apenas uma palavra, diria que ele era um cara correto. Pautou toda sua vida nessa linha e, mesmo tendo vivido longos 81 anos e meio, conseguiu ser assim o tempo todo. Era respeitado por todos: amigos, clientes, familiares, funcionários, concorrentes e fornecedores. Até mesmo por pessoas que pouco o conheceram. Não é fácil, caso não saibam.

Mesmo sendo um homem bom, ele não era uma pessoa fácil de lidar. Extremamente vaidoso em todos os sentidos, era um egoísta por proteção e uma pessoa que demonstrou ao longo da sua intensa vida poucos sentimentos. Mas no fundo, sabíamos que tinha um coração cheio de amor.

Amava os filhos, alguns familiares, amou muito minha já falecida mãe com quem viveu por 38 anos, mas, sobretudo, ele amava a vida. Amava tanto que tinha medo de morrer. Como sempre foi um atleta, jamais se permitiu ficar doente. Aos 81 anos, ainda jogava tênis sob o sol do meio dia e confesso que isso me impressionava… Era uma pessoa ativa, trabalhadora ao extremo e completamente independente.

Infelizmente adoeceu, teve um problema grave e fatal que o tirou de nós. Sedado por 22 dias, não sofreu, espero. Entendo que ele ainda tinha muita lenha para queimar, creio que se ele vivesse mais uns dez anos não seria nenhuma novidade. Mas, quem manda é Ele lá em cima.

Meu Pai deixa um legado, deixa alguns ensinamentos também. Não só visto e analisado pelo lado positivo. Ele me ensinou, por exemplo, que podemos viver – ainda que nesse país – do jeito certo, fazendo as coisas com correção e sem sequer passar perto de mazelas ou jeitinho brasileiros. A única ressalva que faço é que ele poderia ter demonstrado mais afeto, como fez com meu filho. O Rodrigo, para meu pai, podia tudo. E acho que ele admirava a amava tanto o neto justamente pelo fato de que ele jamais abusou do avô. O Rodrigo puxou muito meu pai em alguns aspectos. É um ser humano incrível e justamente por isso conquistou tanto o avô.

Estamos tristes. A sensação de vazio é imensa. Chegar ao escritório nesses 22 dias em que meu pai estava ausente não foi fácil, mas hoje, sabendo que ele jamais estará aqui novamente é ainda mais difícil.

Egos não aceitam a morte, apesar de entendê-la. A lição fica. O legado permanece. Os ensinamentos foram aprendidos. As ressalvas são compreendidas. E a vida para nós que ficamos tem que continuar…

Agradeço a todos que estiveram presentes em todo esse processo doloroso. Agradeço aos amigos mais próximos pelo ombro amigo e solidariedade. Especial agradecimento à Daniela que tem se mostrado uma mulher incrível, mesmo num momento em que ela passa por tantos problemas similares. Tê-la por perto me faz ter outra certeza: Sou um cara de muita sorte.

No meio disso tudo, fica outra certeza: Existem seres humanos incríveis nesse mundo e como eu disse dia desses no Twitter, tenho a sorte, tive a competência de conquistar e de compartilhar a vida com essa Gente. Sim, Gente mesmo, com “G” maiúsculo.

Meu pai viveu intensamente. Aproveitou demais a vida. Escolheu todos os seus passos e “bancou” todas essas escolhas mostrando não só uma força muito grande, uma personalidade forte, como também um caráter incrível.

Celebremos a vida como ele fez. Aceitemos a morte como consequência. Aproveitemos cada segundo do jeito certo porque é possível.

Um Beijo, Pai, fique com Deus. Descanse porque você realmente merece.

José Luiz: 08/01/1931 – 22/07/2012

MM

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