Comandar não é Liderar

Interessante o artigo da colunista da revista Época Ruth de Aquino sobre Líderes. Ela fala com muita propriedade sobre os maus líderes, inclusive baseando-se em recentes pesquisas. O assunto caminha, inclusive, para a má conduta que acarreta processos de Assédio Moral.

Tenho minha opinião a respeito do assunto e ela é um tanto quanto diferente, não só do artigo da Ruth como também da pesquisa. Apesar de respeitar os argumentos, minha posição se difere num simples aspecto: Existe um abismo gigantesco entre liderança e comando. Como sempre brinco, uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa e as duas coisas não são (mesmo) a mesma coisa.

Por exemplo, sou contra esses cursos que se propõe a ensinar as pessoas a missão de liderar. Tão contra que já dei uma palestra sobre isso e fui extremamente mal compreendido, afinal, estava eu falando para “Professores” de liderança… Enfim, ainda bem que não me jogaram tomates.

Eu diferenciei Comando de Liderança e eles – assim como a maioria – entendem que se trata da mesma coisa, mais ou menos como o artigo da Época. Bem, repito, uma coisa nada tem a ver com a outra. Um líder é um bom comandante, já um comandante quase nunca é um líder.

Um líder verdadeiro nasce pronto sim. Ele se destaca em qualquer lugar, desde muito cedo, ainda na escola. Óbvio, como tudo na vida, há que se ter as experiências vivenciais que moldam seu tipo de liderança, mas a essência do líder é inata. O líder tem uma ascensão natural sobre os outros.

Já um simples comandante que não é um líder natural, não. Ele pode ter recebido o “cargo” por diversos motivos e por isso o suposto “sucesso” lhe sobe à cabeça. É normal que ele seja um péssimo líder, ou melhor, nem líder ele é. Pouca gente respeita e ninguém admira uma pessoa que apenas comanda sem liderar. É o que chamo de “Líder de Cartão de Visita”.

Uma empresa deve ter profissionais aptos – ou contratar uma consultoria especializada em RH – para detectar entre seus funcionários os que podem ser alçados ao posto e considerados líderes. Líder se detecta, não se forma. (Foi com essa frase que abri a tal palestra que comentei acima. Detalhe, eu estava em uma escola para líderes)

Não é uma tarefa difícil, detectar líderes em uma corporação é até simples. Basta um bom papo com as equipes, alguns exercícios objetivos – não essas dinâmicas “bobagentas” que fazem por aí.

O artigo da Ruth mostra uma pesquisa publicada no jornal O Globo que diz as qualidades principais de um líder: Inspirar, ser ético e ser capaz de tomar decisões. Vou um pouco além: Ele deve instigar. Entendo que instigar é provocar os liderados a pensar, a discutir em conjunto as melhores opções de solução dos problemas, sobretudo, instigar é estimular a criatividade das pessoas.

Um líder nato sabe “ler” pessoas, sabe até onde pode ir, sabe até onde esticar o elástico de cada um dos seus liderados. Esse sim é um líder, aquele que divide os holofotes. O comandante não faz isso, pelo contrário, ele quer o holofote só em cima de si. A vaidade toma conta e é impossível lidar com Egos desse tipo. O resultado é óbvio: desastre.

As empresas investem pouco em RH. Percebo isso nitidamente. Quando investem muito, investem errado. Minha experiência profissional e pessoal fizeram com que eu afirme isso categoricamente.

A preocupação das empresas é motivar os funcionários para obter mais resultados. Eu disse mais, não melhores. Melhor resultado não é apenas aumento de números e sim aumento de qualidade como um todo. As empresas nada mais são do que pessoas e RG vem antes do Crachá. Há que se cuidar das pessoas e a consequência disso será melhores empregados.

Chamar funcionários de “colaboradores” não ajuda em nada a não ser a criar mais um preconceito na sociedade que já está cheia deles. Sim, preconceito, afinal, hoje em dia ninguém gosta mais de ser chamado de funcionário.

Infelizmente se esquecem a origem da palavra que é: Funcionar.

MM

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Arrependimento que Mata

Acaba de ser lançado nos Estados Unidos um livro que parece ser interessante, escrito por uma enfermeira que trabalha com doentes terminais em um hospital. Ela pesquisou ao longo do tempo, quais eram os maiores arrependimentos dos doentes ao longo da vida. Acabou relatando os cinco mais comuns.

Alguns são bem simples como “passar mais tempo ao lado dos amigos, bla, bla, bla”. Mas dois deles me chamaram atenção, justamente os dois maiores. Disseram os doentes:

  1. Não ter tido coragem de fazer o que eu queria sem me preocupar com o que os outros pensam.
  2. Ter trabalhado muito.

Foi nessa ordem. Isso me faz pensar porque há tempos eu alego que as pessoas trabalham muito, levam muito em conta a opinião dos outros e não dão a menor bola para seus reais desejos. Em suma, vivem pouco sua essência, aproveitam pouco a vida e depois, como na pesquisa da tal enfermeira, no leito de morte, se arrependem.

Minha pergunta a você leitor é a seguinte: Precisa mesmo pensar nisso, se arrepender lá na frente, quando estiver para morrer? O que quero dizer é: Não pode parar agora, se dar dez minutinhos – sim, nesse exato instante – e pensar nisso fazendo uma simples pergunta a você mesmo, de preferência, diante de um Espelho… Mais ou menos assim…

“Se continuar vivendo desse modo, do que vou me arrepender quando estiver no fim da vida?”

Eu sei que é complicado pensar nisso agora, afinal, você está aí trabalhando e cheio de saúde, mas não é uma questão mórbida não, é uma questão do que você fará com o resto da sua vida.

Como se fosse um exercício, como se hoje fosse o primeiro dia do resto da sua vida, coloque num pedaço de papel quais serão seus maiores arrependimentos. Após fazer isso, escreva ao lado de cada um deles, uma solução para que não se torne uma realidade triste.

Já te aviso que não será fácil. Falo por experiência própria, pois que quando li sobre esse livro fiz o exercício comigo. E olha que sou uma pessoa que não dá a mínima para o que os outros pensam. Quem me acompanha ou me conhece sabe que um dos meus lemas é: O que os outros pensam sobre mim é problema deles, não meu.

Ainda assim, ainda que eu tenha feito praticamente tudo o que quis na vida, minha lista não foi tão pequena…

O segundo maior arrependimento das pessoas com quem a enfermeira/escritora conversou, foi o lance de trabalhar muito. Pois é. Trabalhar é necessário, afinal precisamos nos sustentar. Ok, ninguém discute isso. Mas a questão é a palavra… muito.

Pra que? Por que fazemos isso? Para ter mais coisas que já temos? Ou seja, para ter mais do mesmo? Essa máxima é meio esquisita porque nem sempre queremos mais do mesmo… Estranho. Alguns querem trabalhar mais para ter mais dinheiro para melhorar seu patrimônio. Repito, mais do mesmo.

Tanto isso é verdade que o segundo maior arrependimento é esse, ter trabalhado muito. Claro, eles falam isso porque entendem que deveriam ter aproveitado melhor a vida. Então agora a pergunta é outra: O que vem a ser… Aproveitar melhor a vida?

Resposta parece óbvia: Ter coragem para fazer mais o que se quer sem se importar com o que os outros pensam.

Círculo vicioso, mas este parece ter saída, não? 

MM

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Privacidade Invadida

Dia desses li uma reportagem que me deixou estarrecido: Empresas estão exigindo a senha do Facebook do candidato no momento da entrevista de emprego. E também dos já contratados.

Pois é. Bem, agora que respirei fundo, vamos por partes. Não quero esticar muito esse tema, mas sinceramente, até hoje não sei para o que serve o Facebook. É uma rede social onde as pessoas procuram pessoas que foram amigas um dia. Penso que se a amizade fosse mesmo importante, o contato não teria Se perdido. Ok, essa é só minha opinião. Prometo um dia escrever sobre isso.

Além disso, para o que mais serve? Para pessoas que você nunca viu na vida te adicionarem para… para… bom, para nada. E os “adicionados” se vangloriam por terem 200, 300, 400 “amigos”… amigos que nunca viram mais gordos ou mais magros. Esse nosso Ego é incrivelmente carente, não?

A outra coisa que não vejo coerência: Todo mundo reclama da falta de privacidade, entretanto, expõem suas vidas mega hiper super “interessantes” para todo mundo bisbilhotar. Fotos de viagens, festas, baladas… numa boa, pra que? Nunca vou entender… Até mostrar suas viagens a amigos, tudo bem, mas a 300 desconhecidos? Seres humanos são hipócritas e incoerentes.

Agora vem o outro lado. Por que será que as empresas querem saber tanto da vida pessoal do contratado? E será que o Facebook mostra algo que possa ser relevante? Será mesmo, gente? O que eles esperam encontrar? Um perfil tipo…

“Zé da Silva, administrador, MBA sei lá onde, bla bla bla, estuprador e pedófilo aos domingos quando não estou brigando com a torcida organizada do time adversário”.

Desculpem a brincadeira, mas não resisti. Retomando… Pior é quem aceita essa investida absurda. Como tudo na vida, isso também tem o outro lado: Semana passada li que uma professora se recusou a fornecer a sua senha e foi demitida. Não lembro se aqui no Brasil ou nos Estados Unidos, isso pouco importa. É a globalização do absurdo. Mas senti uma pitada de orgulho quando ouvi: Ela se recusou!

Que beco sem saída, não é? Se você entregar a senha está aceitando uma palhaçada sem precedentes. Se recusar, perde o emprego. O que fazer? Infelizmente não tenho a resposta, mas sei o que faria.

Apesar de trabalhar com pessoas e empresas muito sérias, sei que eles – ao lerem isso – vão me entender, afinal de contas, não sou um cara assim, digamos… que tenha estudado em colégios internos da Suíça. Eu mandaria o entrevistador ou meu chefe, dependendo do caso, para aquele lugar. Isso esse mesmo onde eu mando o árbitro que não apita um pênalti no Neymar…

E óbvio que procuraria a imprensa para me dar uma forcinha, aproveitando para jogar o nome da empresa em questão sob os holofotes, pois entendo que algo precisa ser feito imediatamente. Há uma exagerada interferência em nossas vidas e ela vem do Estado, das empresas e isso está nos transformando (ou constatando) em bobos da corte.

Pelo que ando vendo, as empresas investem muito, mas muito menos do que deveriam em RH. Aliás, esse departamento é, cada vez mais, visto como o patinho feio das companhias. E deveria ser o mais importante.

Sim, tudo nessa vida de pessoas não deixa de ser Relação Humana. Não dá para viver sozinho. Muito menos trabalhar. E isso me faz pensar em outra questão: Se as empresas alardeiam tanto que é preciso trabalhar em equipe, por que investem tão pouco no RH?

Onde está aquele feeling característico dos profissionais que lidam apenas e tão somente com gente? Onde está a criatividade produtiva que vai fazer dessa conversa (entrevista) algo mais suave, profundo e sem pressão alguma para o candidato? Por que o tom tem que ser o de intimidar o candidato ou funcionário? Senha não se pede. Ponto final.  

Uma dica que eu dou aos entrevistadores é: Vocês pensam que estão avaliando porque no momento detém o poder, mas saibam, estão sendo avaliados também. O mundo, caros amigos, está cheio de gente competente e com personalidade forte querendo uma chance. Estes são inteligentes o suficiente para avaliarem o entrevistador e decidirem se a empresa em questão merece seus trabalhos. Lembra? Tudo na vida tem dois lados…

A impressão é que a inteligência humana está acabando. Se é que um dia existiu. Mas certamente há os que querem colocar as coisas nos eixos. E é nesses que devemos apostar e ter ao nosso lado. Não contra.

MM

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