Insatisfação

Recentes pesquisas mostram que as pessoas estão insatisfeitas com o trabalho. O número é alarmante, 84%, entretanto, pouco divulgado. Minha pergunta é simples, apesar de mexer com o íntimo das pessoas, coisa que ninguém vê com bons olhos: Seria insatisfação apenas com o trabalho ou com a própria vida?

Pergunto isso porque minha experiência com pessoas na aplicação de Coaching me leva nessa direção. Não custa nada repetir: Ainda que meu universo não seja abrangente a ponto de poder ser utilizado como uma pesquisa científica, serve a mim como ponto de partida, ou melhor, serve como dado útil e relevante para balizar a metodologia que desenvolvi.

Não é novidade para ninguém a nossa capacidade de transferir sentimentos. Funciona mais ou menos assim: Temos a tendência de justificar, normalmente fugindo da realidade, nossas frustrações colocando a “culpa” ou suposta culpa em outro lugar. Reconhecer suas próprias angústias, assumir suas limitações, enfim, entender todo esse processo não é tarefa fácil.

Assim sendo, é normal que encontremos um bode expiatório e depositemos ali toda nossa insatisfação. Não posso ser leviano a ponto de generalizar e afirmar que o trabalho não gere um grau considerável de insatisfação, mas volto a perguntar, será mesmo que ele é o único responsável? Não, não é. Além disso, há um modo de inverter esse quadro quando olhamos para o trabalho de outra maneira. Mas não vou revelar por aqui a tal fórmula.

Aceitar a dura realidade de que a maioria de nós não faz o que gosta é mesmo algo bem complicado. Contudo, o que há de errado em aprender a gostar do que faz? Nada de errado. E nãoi estou falando aqui em conformismo ou ter uma visão positiva das coisas. Conformismo é abominável. Ter uma visão positiva das coisas é bom, mas não resolve nada como pregam por aí os livros descartáveis de autoajuda.

Estou falando aqui sobre inteligência. Devemos sim ser inteligentes o suficiente para saber que nem todos vão trabalhar naquilo que gostam – ou em lugares que gostam. É de fato inteligente ter isso em mente para que possamos relaxar e aí sim buscar aquilo que de fato queremos, Mesmo sabendo que muitos – para ser bonzinho e não falar “a maioria” – sequer sabem o que realmente querem ou gostariam de fazer.

Minha proposta é relativamente simples: Desenvolver, descobrir, agir, ainda que de forma paralela, uma atividade que envolva algum tipo de processo criativo. Entendo, por experiência própria e observação que as pessoas quando estão criando, tendem a aceitar melhor as “obrigações” da vida, tendem a se preocuparem com o bem estar mental, tendem a, pelo menos, buscar algum tipo de felicidade.

Não gosto dos que pregam a visão positiva das coisas de maneira simplista. Não creio que enxergar o mundo cor-de-rosa vá levá-los a algum lugar. Entendo que devemos pintar nossos mundos da cor que quisermos. E para se conseguir isso o processo passa pela criatividade.

Tendo a criatividade como pano de fundo, como base, como alicerce, acabamos por nos acostumar a solucionar os problemas – de toda ordem – de maneira criativa. Dessa forma, a criatividade se incorpora em nosso Ego-Sistema e passamos a usá-la para tudo, inclusive para o nosso bem estar que é o objetivo, no final das contas.

Pode parecer meio complexo à primeira vista, e de fato o é. Não é num texto que vou conseguir explicar o processo que desenvolvi. Talvez seja por isso que estou escrevendo um livro inteiro sobre isso, cheio de exemplos e exercícios práticos que qualquer pessoa realmente comprometida consigo mesma será capaz de entender…

MM

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