Comparações

Semana passada, atendendo a uma cliente, falamos sobre comparações. O problema dela não vem ao caso, até porque era assunto de trabalho, ou seja, nada a ver só com Egos, apesar de eles estarem sempre presentes de alguma forma.

Mas o tema é interessante. Tudo que nos acontece serve de referência. Muitas vezes serve apenas e tão somente para isso, o que não é pouco se olharmos atentamente. É a referência que nos protege em grande parte do tempo.

Mas ela tem que ser bem usada. Por exemplo, no caso da minha cliente eu disse a ela a seguinte frase: Você deve comparar começo com começo e não começo com o fim.

E isso vale para quase tudo, não só para o problema que ela estava vivenciando. Para ilustrar, pensemos nas relações humanas quando “trocamos” de parceiros: Todo início de relação é maravilhoso. Nos envolvemos, nos descobrimos, sentimos a força da paixão e… comparamos.

Pois é, sei que muita gente diz e vai continuar dizendo exatamente o contrário, mas é mentira. Todo mundo compara pessoas como se todas elas fossem iguais. Bem, a ciência está aí para provar que o tal DNA é único. Egos também são. Por si só já seria injusto fazer qualquer comparação. Mas fazemos, afinal, tem coisa mais injusta nesse mundo do que um ser humano? Papo para outro texto, prometo…

Essa injustiça mencionada acima funciona assim: Você conhece o “Pedrinho” e o acha a coisa mais “fofa” desse mundo. Ele é atencioso, gentil, bonito, calmo… Bem diferente do “Pedrinho” anterior, aquele monstro mal humorado e briguento.

O que está sendo comparado aí? O Pedrinho do começo da nova relação com o Pedrinho do fim da relação anterior. Ora, não preciso nem ser matemático para dizer que é óbvio que o começo de toda relação (normal) é um mar de rosas (Nunca entendi essa expressão, afinal, rosas têm espinhos, não só pétalas, mas enfim…) e o fim quase sempre é uma tempestade.

Alguns, bem poucos alguns, depois de se tornarem calejados no quesito “Relação Amorosa” conseguem comparar começo com começo: O ex-Pedrinho do começo da relação passada com o atual Pedrinho. Quem consegue fazer isso, notará que, via de regra, os dois Pedrinhos são o que as mais românticas costumam dizer… “O Homem da Minha Vida”.

Só não entendo pra que fazemos esse tipo de coisa. Sim, disse fazemos, afinal, eu também já caí nessa de comparar Joaninhas do começo com Joaninhas do fim. É inevitável cometermos esse erro. Volto a perguntar: Pra que comparar? O que é que se ganha com isso? Referência? Não, claro que não.

Comparar dois Pedrinhos ou duas Joaninhas é a mesma coisa que comparar banana com manteiga. Sei que se trata de seres humanos e banana é fruta e manteiga é… é… ah, sei lá o que é manteiga. Mas Egos são tão distintos que o Pedrinho Banana não tem nada a ver com o Pedrinho Manteiga. (Nossa! Sem querer defini um Pedrinho como bunda-mole e outro como um chorão inconsolável)

Da mesma forma que não podemos comparar Maradona com Pelé ou Neymar com Messi, não podemos comparar o Pedrinho um com o dois. Há sim que se comparar – depois de um tempo – o Pedrinho do início da relação com o Pedrinho do meio ou do fim da relação.  

Quando fazemos as comparações da forma errada, o julgamento fica comprometido. E como normalmente fazemos isso, volto a perguntar: Pra que?

Não dá apenas para viver apenas e tão somente as diferenças? Será que não é isso o que chamamos de diversidade? Ou essa palavra vale apenas para o meio-ambiente? Não acredito que ela se aplique apenas à fauna e flora. Acho sim que podemos usá-la para pessoas.

Será que não seria muito melhor apenas experimentar novas situações, pessoas, paisagens, sabores? Será que precisamos mesmo comparar tudo? O que queremos com isso, afinal?

MM

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Publicado em Ego. 7 Comments »

7 Respostas to “Comparações”

  1. Rosana Says:

    Você acaba de descrever a maior falha dos Seres Humanos, o esquecimento de que somos diferentes!!
    Se todos tivessem esta consciência, com certeza o Mundo seria bem diferente pois o Respeito entre os diferentes e diferenças já seria algo natural.
    Ótimo Texto!!!

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  2. Elaine Says:

    Oi Marcelo, comparar as pessoas é uma tentativa inútil do ser humano, de achar que tem o controle sobre o futuro das relações….As pessoas são tão únicas, que a única coisa deveríamos nos atentar é o que elas realmente nos fazem sentir. beijo nany ha adorei seu texto

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  3. Maria Says:

    Perfeito!

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  4. pedro Says:

    Apesar de me chamar pedro, teu texto é muito bom, hehehehe
    Abraços

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  5. Yolanda Says:

    Não me aguentei de tanto rir. Manteiga com banana foi absolutamente genial.
    E as dicas nas entrelinhas foram incríveis.
    Parabéns, novamente.
    Abraços

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  6. Denise Says:

    Olá Marcelo,
    Sacadas engraçadas e geniais ao mesmo tempo.

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  7. Gisele Says:

    Quase morri de tanto rir. Texto imbatível!!!
    Adoooooorei.

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