Paz

Mais um ano que vai embora. Ruim? Bom? Bem, já desencanei de pensar nisso porque não há ano sempre ruim ou sempre bom. Este, particularmente foi um ano morno. Falo por mim e tão somente por mim. Já para algumas pessoas queridas e bem próximas, sei que o ano foi uma grande porcaria.

Há coisas que não controlamos. Há desejos que não se realizam porque não dependem só da nossa vontade. Há mudanças de rumo ao longo do ano que fazem a gente até se esquecer do que havia pedido naquelas famosas listas de final de ano…

Faz tempo que alguém não me pergunta o que eu quero. Muito tempo. Há alguns anos atrás, conversava com uma querida amiga que estudou psicologia comigo exatamente sobre isso, sobre nossos desejos, nossos maiores desejos. A resposta que demos um ao outro foi a mesma: Paz.

Eram tempos turbulentos para mim. Estava em uma fase não muito boa de cabeça e paz parecia algo inatingível. Impressão de que só a teria se morresse. Lembrando disso agora, às vésperas de mais um ano que vai se iniciar vejo que pouca coisa mudou. Minha cabeça estragada já não está tão ruim, mas meu anseio por paz continua o mesmo.

Paz é o que afinal? Um conceito abstrato? Um estado de espírito? Uma eterna busca? Pois é, para cada um de nós ela tem um significado, ou talvez todos estes ao mesmo tempo. A verdade é que não se vê por aí alguém que tenha paz em sua plenitude.

Na igreja católica há um momento durante a missa em que desejamos ao próximo a Paz de Cristo. Sim, sou católico praticante, vou à missa todos os domingos por vários motivos, mas um deles é a busca pela paz, nem que seja durante uma hora por semana. Desejar a Paz de Cristo seria o que? Uma espécie de proteção de alguém que foi tão sábio e tão bom para humanidade? Talvez.

Mas Cristo não teve paz. A não ser no momento em que desistiu de viver, afinal ninguém sobrevivia à cruz e entregou sua vida por nós. Ok, é um conceito que acredita quem quiser. Mas nem Ele teve a tão sonhada paz durante a vida. Se a Paz de Cristo é um conceito, eu a quero. Se for para tê-la como Ele a teve durante sua vida, eu não quero. Independente de querer ou não, é a “Paz” que temos: Cada um sabe a cruz que carrega, não é esse o ditado?

Todos carregamos nossas cruzes e muitas vezes nem sabemos o real motivo daquilo. Se um dia teremos ou não alguma explicação divina eu não sei, mas o fato é que a vida também é isso, um eterno caminhar com cruzes nas costas.

Em certos momentos elas são pesadas, em outros nós é que a supervalorizamos. Os mais fortes lidam melhor com isso, os mais fracos, a deixam cair pelo caminho. Outro conceito abstrato: Ser forte ou ser fraco…

Queria nesse último texto deixar aqui meus sinceros desejos que todos vocês que me lêem tenham a tão sonhada paz em 2012. Não é apenas um desejo solto no ar de alguém que está tomado pelo espírito do Natal. Para ser bem sincero, não ligo a mínima para essa festa comercial que perdeu o sentido ao longo dos séculos.

Eu desejo algo além de simplesmente a Paz que todos pregam. Desejo que vocês a busquem com toda força, que não desistam de buscá-la. Alcançar não é fácil, pelo contrário, é quase impossivel, mas talvez se nos esforçamos para buscá-la, a gente se sinta melhor num mundo tão conturbado.

Não estou falando aqui de paz mundial, pelo amor de Deus não me vejam assim. Não estou nem aí para o mundo. Tenho minhas sérias restrições à vida em sociedade. Falo aqui de indivíduos, da sua paz, da minha paz interior. Por isso é tão difícil alcançarmos, já que a maioria de nós tem a mente inquieta.

Eu criei meus métodos para ficar algumas horas em paz, além de ir à missa. Sempre indico isso para meus clientes e sei que funciona porque eles me passam os resultados. Mas isso requer disciplina e aí… a historia é outra.

Se eu puder dar uma pequena dica: Procure contemplar mais e melhor seus momentos bons. Acho que pode ser um excelente começo, pelo menos vai valer para reconhecer que existe sim coisas que valem à pena.

Enfim… desejo a todos Boas Festas, saúde no ano novo e se possível, Paz…

MM

Publicado em Ego. 4 Comments »
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