Ajuda ou Atrapalha?

Ando meio preocupado. Na verdade, ando muito preocupado e não consigo parar de pensar nisso por um minuto desde sexta-feira passada. Sou um cara que questiona tudo buscando descobrir apenas uma resposta, normalmente quero ser convencido das coisas, mais ou menos tentando entender se “aquilo” faz ou não sentido para mim. Como lido com pessoas, vou além, tento saber se algo faz ou não sentido para todos.

Prepotência ou arrogância à parte, isso me tira o sono. Calma lá, não sou um cara altruísta nesse nível, apenas gostaria que o mundo fosse melhor. É, ficou meio gay… Tudo bem, o que eu gostaria mesmo é que as pessoas sofressem menos. Não estou falando de acabar com as guerras, estou falando sobre lidar melhor com a vida.

O que tem me preocupado é o crescimento desse universo que as editoras, palestrantes, gurus resolveram chamar de auto-ajuda. Já brinquei com isso diversas vezes, já disse em um dos meu livros que esse mercado só ajuda mesmo os autores, enfim, já descambei a falar mal disso tantas vezes que cansei. Agora a preocupação é séria. Gostaria de saber se isso ajuda ou atrapalha. Por que será que esse mercado não para de crescer? Por que será que qualquer historinha de vida serve como exemplo para que os que não vivenciaram nada parecido possam se sentir melhores com suas próprias vidas? Por que isso, por que aquilo… perguntas pipocam nesta mente inquieta a cada visita que faço às livrarias. Sábado passado não foi diferente. Angustiado, lá fui eu constatar o óbvio, esse mercado não para de crescer.

Perdão aos leitores, mas não quero ser hipócrita e me amarrar à ética. Sei que ética é sempre necessário, mas como este espaço é meu, aqui posso tudo. O que se encontra por aí são bobagens e mais bobagens. Nada que vá resolver a vida de ninguém, talvez e quando muito, acalmar as almas “depenadas” pela vida, pelos problemas, pelas relações humanas…

Há um autor que escreve tanta asneira que parece ter a pachorra de pegar seu primeiro livro e a cada ano o chacoalha, muda as letras de lugar e o republica com outro nome. Uma criatividade para títulos estúpidos que dá até medo… Sempre com uma solução mirabolante. Sempre com uma fórmula mágica, sempre não servindo para nada. Fico à vontade para escrever isso porque já falei pessoalmente a ele num encontro, pouco antes de entrarmos no ar numa entrevista para uma grande rádio de São Paulo. Óbvio que ele não foi com a minha cara. Empatamos. Ajudar, em minha mente perturbada, tem um significado apenas: Ajudar! E ajudar não é enganar.

A conta bate. A equação fecha: O mercado de auto-ajuda cresce porque as pessoas estão cada vez mais perdidas, estão procurando desesperadamente se segurar em alguma coisa. Um amigo disse que pode ser porque se afastaram da religião. Sou obrigado a concordar, creio que há uma fatia desse mercado que fez isso sim. Do mesmo modo que há quem esteja eternamente preocupado em procurar ajuda e nada faz para efetivamente se ajudar. Querem remédios, querem uma pílula milagrosa, querem um botão… querem querer sem saber exatamente o que buscam. Aliás, creio ser este o problema da maioria das pessoas: Buscam o… “sei lá o que”.

Estou angustiado. Incomodado com uma questão: Meu trabalho como Coach, sendo eu quem sou, pensando eu o que penso, tentando ajudar efetivamente as pessoas a buscar a raiz do que as afeta, buscando ajudá-las a encontrar o melhor caminho, de verdade ajudo ou atrapalho?

Pois é… claro que em meu trabalho eu não pego tão pesado como faço aqui no Blog, tenho bom senso suficiente para entender e me envolver com os problemas, com as causas de meus clientes. Mas é inegável que meu senso prático incomoda alguns deles. Já vi de tudo, há os que seguiram em frente e melhoraram, há os que abandonaram o barco no meio da jornada porque o que viram no espelho não os agradou… Opa… esse é um ponto: O que as pessoas enxergam quando se olham no espelho. Uma vez que, durante o processo que desenvolvi, uma das minhas funções é não só colocar o espelho na frente dos clientes como arrancar a máscara que eles usam. Pesado, não é? Sim, bem pesado. Mas é uma verdade absoluta, todos nós usamos máscaras. Quando elas caem, a imagem nem sempre é bonita.

Até em terapia, onde as questões são tratadas mais como constatações do que um problema a ser resolvido, dói muito descobrir quem somos. Fazer terapia deveria ser lei. Todo mundo tem que fazer… é bom saber, descobrir quem somos e de onde viemos.

Meu trabalho é diferente, eu trabalho com o aqui/agora-futuro. Esta é, talvez, a maior questão de todas: O que queremos afinal?

Será que sabemos realmente o que estamos buscando? Será que sabemos para onde queremos ir? Digamos que sim, vem outra pergunta, provável que a mais complicada de ser respondida, claro, quando mergulhamos de fato em nossas mentes: Queremos mexer nisso, fazer o que tem que ser feito como se deve?

MM

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Inteligência Burra

Desde que me conheço por gente gosto de observar seres humanos. Talvez seja por isso que optei por trabalhar com eles, afinal, é uma fonte inesgotável de pesquisa e problemas. Dentre milhares de observações que fiz, uma delas me intriga muito. Falo com amigos sobre isso todos os dias: Quem é que disse que somos inteligentes?

Pois é. Creio – e podem ter certeza de que falo sério – que alguém lá atrás, provável que o cara que conseguiu ver e reconhecer sua imagem num lago na idade da pedra simplesmente analisou o fato como… “Nossa, esse sou eu”. Em seguida, pegou seu bastão – aquele que usava para bater na esposa – subiu em uma colina e lançou o boato: “Somos animais racionais e inteligentes”. O boato pegou. A declaração virou uma verdade absoluta e cremos nela até hoje.

Mas eu me pergunto todo santo dia: Somos inteligentes por que, afinal? Talvez um sinal de inteligência fosse a evolução humana… Bem, aí entra o mote deste pequeno devaneio de quem vos escreve: Evolução? Já escrevi antes sobre isso. Não creio que tenha havido alguma evolução a não ser a tecnológica.

Paramos de bater em nossas esposas com um pedaço de madeira? Hum… nem todos pararam. Temos consciência de que matar é errado, ninguém tem direito de tirar a vida de outra pessoa. Acho que concordamos com isso, mas a questão é: Paramos de matar? Não e talvez jamais paremos. Somos tão estúpidos que criamos coisas que a curto, médio ou longo prazo vão nos matar, certo? Certo!

Inventamos o Big Mac para nos “alimentar” mais rapidamente porque o tempo é algo que faz falta a todos que o administram mal. E qual o efeito Big Mac em nossos corpos? Obesidade, doenças, morte! Chega de dar exemplos, acho que entenderam meu ponto.

Tecnologicamente avançamos, é um fato. Mas há um motivo por trás dessa evolução: A preguiça. Sim, disse sabiamente certa vez o filósofo contemporâneo, Leopoldo Nakata: “Tudo o que foi e ainda é inventado, criado ou desenvolvido é em nome da preguiça”.

Os exemplos pipocaram em minha mente quando o ouvi: Controle remoto, carros automáticos, máquinas de lavar, de secar, etc, etc, etc. Inegável que isso tudo é uma evolução e inquestionável de que ela foi desenvolvida em nome da preguiça. Lembremos, preguiça esta que nos engorda e mata.

Voltemos à involução. Vou direto ao ponto, ou seja, na raiz da “coisa”: Se somos de verdade seres inteligentes, por que é que precisamos das leis? Tipo… por que é que alguém teve que criar normas para o convívio em sociedade se viemos ao mundo munidos de inteligência e por conta disso podemos fazer uso do bom senso?

Oras, se todos tivessem bom senso não precisaríamos de lei alguma, não é? Afinal, diz o bom senso, diz a inteligência que ninguém pode roubar, ou seja, tirar algo que não é seu, de outra pessoa. Ninguém deve matar. E tantas outras coisas que não precisariam de milhares de leis pelo mundo afora.

Volto a perguntar: Onde está a inteligência humana? Por que é que precisamos de cordinhas formando uma fila para que um não passe na frente do outro? Deus do céu, não é óbvio que uma fila poderia – e deveria – ser formada apenas pelas pessoas que nela precisam estar?

Tenho uma teoria que prova tudo o que estou dizendo: A teoria do Armamento. Sei que alguns ficarão chocados pelo meu suposto radicalismo, mas é só uma questão de mergulhar no assunto e não ler superficialmente o que vou escrever.

Digamos que todos os seres humanos da Terra, sim, todos as 7 bilhões de pessoas, recebessem do governo uma arma municiada. Digamos ainda que as leis, todas elas fossem suspensas por apenas 30 dias. Tipo, todo mundo pode tudo sem qualquer punição. Pergunto, o que aconteceria?

Sei a resposta da maioria, converso com todos que conheço sobre essa teoria, invariavelmente a palavra caos vem à tona. Óbvio.

Mas será que se pensarmos profundamente é, ou melhor, deveria ser tão óbvio assim? Ué, se somos mesmo inteligentes, por que é que todos com uma arma nas mãos transformariam o mundo num caos? Vale pensar nisso…

A verdade é que somos macacos, mas que aprendemos a falar e cozinhar, assim podemos diversificar os pratos além das bananas. Que tal um Big Mac agora?

MM

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