Sociedade Pró-Passiva

Acho que não é novidade para ninguém, entenda-se por ninguém pessoas inteligentes e que fazem uso do bom senso, que o mundo está se tornando muito chato por causa das idiotices politicamente corretas impostas pela sociedade cada vez mais passiva. Pois então, hoje vou escrever um pouco sobre isso: Passividade.

Num mundinho que valoriza e busca pelos seres “pró-ativos” (mais um terminho estúpido) o que encontramos de fato é gente procurando seus pares, ou seja, pessoas pró-passivas. E pouca gente está se dando conta disso, o que agrava e muito a situação dos Egos que cada vez mais estão infelizes.

Hoje em dia predomina a celebração. Sim, somos quase que obrigados a celebrar tudo o que vemos por aí. É uma busca desenfreada e sem sentido para termos aquele bem estar que tanto nos faz falta. Mas é só mais uma maquiagem. Só mais uma hipocrisia. Vou tentar explicar meu ponto de vista.

Vejamos os idosos. A tal celebrada terceira idade que está mudando de nome para causar maior impacto na sociedade. Agora chamam de “melhor idade”. Oras bolas, alguém em sã consciência pode me explicar por que ficar velho é a melhor fase da vida?

Planos de saúde mais caros, aposentadorias ridiculamente baixas, falta de sexo, incapacidade física em ascensão, doenças por todos os lados, morte dos amigos mais próximos o que causa pânico porque é sinal de que sua hora está chegando… enfim, onde é que isso é “melhor”???

Mas a sociedade acha que sim e tentam vender aos pobres velhinhos que eles ainda têm muito pela frente… é de doer, viu? E ninguém tem coragem de contestar. Vendem a nós uma mentira deslavada e todo mundo aceita passivamente. Deveríamos sim cobrar do governo melhor atendimento em todos os sentidos para essa gente que já fez sua parte e não simplesmente celebrar a velhice como “melhor idade”. Melhor? Melhor que adolescência? Melhor que a “adultescência”? Seria cômico se não fosse trágico.

Hoje em dia não podemos mais falar não. Muito menos dizer: não gosto. Sim, estão tentando transformar as pessoas em bonequinhos sem vida, sem opinião e, muito mais grave, sem personalidade. Não nos querem indivíduos, nos querem apenas membros passivos de uma sociedade estúpida e descabida. Nossa individualidade, nossos gostos, nossas peculiaridades estão desaparecendo em nome de um suposto bom convívio em sociedade. Não podemos sequer não gostar de um filme, por exemplo. Se for filme brasileiro então… como se nossa industria cinematográfica produzisse milhares de filme bons. Alguns são, mas só poucos alguns.

Antes que alguém ouse me bater, lembro que tudo isso deve ser feito com bom senso, portanto, tenha o bom senso de ler com atenção ao que escrevo antes de me chamar de radical. Se ainda assim quiser me rotular, por favor, mande-me uma carta que eu assino como radical, ok?

Dia desses fui tomar um café e a “barista” me serviu uma água suja quente. Dei um gole e pedi a ela que trocasse:

– Por favor?

– Sim?

– Não gostei desse café. Quero outro, mais forte…

Pronto. Foi o bastante para que ela me odiasse até o fim da vida. Ouço sempre uma frase que carrego como um dos meus lemas: “Sou responsável pelo que eu falo e não pelo que você escuta”.

Pois bem. Eu falei isso e ela deve ter ouvido: “Sua mãe é prostituta do cais do porto de Santos”.

Não gente, não estou brincando. O fato de eu não gostar do que ela fez foi uma ofensa, como se eu – consumidor – não pudesse simplesmente dizer: Não gostei do que você fez. Claro que posso e não conheço modo melhor de falar que não gostei de algo sem pronunciar essas próprias palavras. Mas isso hoje em dia ofende.

Expor o que se pensa ou gosta machuca os fraquinhos de cabeça. É o mesmo que eu afirmar que sou contra a adoção quando se trata de um casal de gays. Não posso colocar essa opinião numa roda de amigos que milhares de hipócritas – que muito provavelmente também seriam contra – vão me execrar publicamente. Que se danem, não vou mudar minha opinião para agradar a uma sociedade que tanto tem me desagradado.

É preciso coragem para ser livre. Livre no sentido mais profundo da palavra, livre no sentido de liberto mesmo. Livre para poder escrever ou falar o que se pensa. Nunca, jamais tentarei convencer alguém que minha opinião é a certa. Até porque não existe opinião certa ou errada, existe opinião diferente.

Enfim, entre outras coisas danosas, a sociedade agora tenta limitar nossas atitudes individuais, nossos pensamentos e muito mais grave do que isso, nossa percepção de mundo. Triste é ver que estão conseguindo. Estamos – digo isso na primeira pessoa do plural por pura cortesia porque de fato Eu, Marcelo Mello não caio nessa – nos tornando seres completamente passivos sendo obrigados a viver em concordância com essa gente estúpida que se acha formadora de opinião.

Bem… a minha opinião ninguém forma. Aliás, pago caro por ter opinião sobre tudo. Mas ainda assim, acho muito mais barato ser ativo do que passivo.

Vou escrever mais sobre isso, mas entrando num outro assunto: Relacionamentos. Algo como… as pessoas não aceitarem o seu: “Não te quero mais”.

No fundo, tudo se resume a um grave problema: Hoje em dia as pessoas não sabem ouvir não e… além disso, não sabem mais dizer não!

MM

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