O Sonho não acabou

Ok, o título desse post não tem muito a ver com seu conteúdo, mas quis, de propósito, fazer uma alusão aos Beatles. O que tem a ver realmente é um post do – agora “ator” global – Flavio Gikovate no Twitter. Sim, eu o sigo e sou fã de carteirinha do renomado psiquiatra.

Dia desses ele postou algo sobre sonhos, dizendo basicamente que sonhar é se iludir e, por conseqüência, se machucar. Disse também que é possível viver sem sonhos. Possível é, mas será que é bom?

Eu o entendo, mas fiquei com isso na cabeça. Sempre achei que a realidade é o que importa, afinal, a realidade é… real. Penso muito parecido com tudo o que ele escreve, por isso o admiro tanto. Sim, meu Ego é mega inflado. Mas… (sempre tem um “mas”) dessa vez queria propor outra ideia sobre esse tema tão complicado.

Sonhar é uma bobagem, afinal, todo sonho gera expectativa e como na maioria das vezes ele não se realiza, sofremos. Entretanto, sonhar faz bem à alma, ao nosso sempre problemático Ego-sistema. Uma contradição aí não é? Pois bem, vou explicar meu ponto de vista:

Pode até ser que poucos são os sonhos realizados, mas eu sempre ressalto processo das coisas e não somente seus resultados. Vamos combinar que o processo do “sonhar” é fantástico. Provoca aquele sorriso nos lábios, nos enche de esperança, nos faz sentir vivos.

Já senti na pele três sensações absolutamente marcantes em relação a sonhos. Numa delas, realizei o maior deles, o processo foi maravilhoso e o resultado idem. A segunda, em outros tempos, me senti vazio porque não era mais capaz de sonhar, é como se tivesse morrido mesmo estando vivo. E a terceira experiência interessante foi que já me chamaram de sonho. Sim, nada de amor da vida, nada dessa bobagem romântica, a pessoa simplesmente virou e disse: “MM, você é meu sonho”.

Foi uma sensação inesquecível, mesmo sabendo que era “o” sonho e que jamais seria ou deveria ser “a” realidade. Coisas da vida, circunstâncias, momentos diferentes, enfim, nada que me dê saudade alguma, mas sem dúvida um momento marcante e que prova todas as coisas ao mesmo tempo: Sonhar deve ter sido bom, ter sido o sonho foi ótimo, mas a realidade venceu o jogo.

Analisando essas experiências pessoais, não tem como eu chegar aqui e concordar plenamente com um dos meus ídolos e achar que sonhos fazem mal à felicidade. Sonhar me faz bem. Realizar me fez bem. Ser um sonho me fez muito bem. Não sonhar quase acabou com minha vida. Oras bolas, será que não dá pra achar um meio termo? Bem… eu encontrei algo que faz todo sentido para mim.

Sonho com o que é possível. Parece óbvio, mas não é tããããão óbvio assim quando observamos o que as pessoas fazem. Aí acho que pode entrar o que o Flávio quis dizer e, nesse ponto, ele tem toda razão: A gente normalmente sonha com o impossível, com o que nem sequer temos capacidade de realizar. É quando criamos a tal expectativa que vai resultar na decepção. Ele chama o sonho de ilusão e que vai criar a desilusão. Nem sempre, mas quase sempre.

Não sei muito bem onde é que fica a inteligência dos humanos ao agirem de maneira que, sem capacidade, sonham com algo que acham atingível, mas o fato é que a maioria de nós pode até ser inteligente, porém usamos muito pouco esse beneficio que Deus nos deu.

O que eu sei é que ando pensando muito nisso, talvez porque tenha completado 50 anos recentemente ou porque o fim do ano se aproxima – época clássica de sonhar – mas não importa o motivo, o que creio é que temos sim necessidade de sonhar e que isso faz bem à mente. Desde que esse sonho seja realizável, é claro.

Aí entra a pergunta: Como saber se um sonho é ou não realizável? Afinal de contas, temos tantos exemplos na própria humanidade de gente que sonhou com o impossível e realizou… Então, vamos entender que além de não ser impossivel, essa gente aí tinha a tal capacidade que mencionei. Mesmo considerando que algumas invenções tenham “acontecido sem querer”, a pessoa tinha alguma capacidade sim. Sem deixar de comentar que toda realização, todo grande feito, teve o sonho como premissa.

Sendo assim, concordo discordando do Mestre. Brincadeiras à parte, o que falo a meus clientes nas aplicações de Coaching é que eles jamais devem perder a capacidade de sonhar, pois foi do sonho de alguém que tudo o que temos por aqui veio.

Antes que me esqueça: Falo também que sonhar com pessoas é bobagem, a menos que você seja parte do sonho dela. Sonhar por sonhar, aí sim é dar um tiro no pé. Até porque, jogar pra cima do outro a sua felicidade ou seu sonho, é uma tremenda falta de inteligência… Sonhe com você, pra você e por você, simples assim. E claro, lute com todas as forças para realizar.

Só para constar “nos autos”, sonho um dia em poder fazer terapia com o Gikovate. Quem sabe…

MM

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Publicado em Ego. 5 Comments »

5 Respostas to “O Sonho não acabou”

  1. Fernanda Says:

    Eu tb idolatro o Gikovate!! Talvez ele pudesse me ajudar, tb… hahaha….

    Qto aos sonhos, na minha opinião, só há vida enquanto eles existirem… e vice-versa.

    bjusssss

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  2. Gabriela Says:

    “Quem sonha vive duas vezes”.
    Só isso tenho a dizer.
    Beijos

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  3. Veronica Says:

    Querido MM,
    Seu texto de hoje é uma aula. Sobre você se inserir em seus temas é de uma sensibilidade e coragem ímpar. Fiquei emocionada com suas palavras e ensinamentos.
    Muito bom mesmo.

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  4. Yolanda Says:

    Ai Marcelo, você tem toda razão. Temos que sonhar com o possível, usar a inteligência a nosso favor. Flavio Gikovate é o ídolo de todos nós que trabalhamos com seres humanos. Ele é mesmo incrível e agora admiro você mais ainda por saber que ele é também seu “mestre”.
    Texto genial para um tema complexo.
    Eu concordo com os dois!!!
    Abraços

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  5. Kris Arruda Says:

    Acho que todo sonho que possa ser buscado vale a pena. Esses que vc não tem nem como buscar (ser piloto da força aérea americana com 40 anos) deve ser abandonado ou adaptado (fazer um curso de pilotagem em um lugar que disponha jatos).

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