Fim de ano

Ano que vem farei o que alguns leitores sugeriram, vou escrever sobre cada item daquela lista que fiz há 5 posts atrás onde relacionei algumas coisas importantes sobre o que aprendi ao longo desses 50 anos de vida.

Mas agora, nesse último texto do ano, devo falar sobre o que? Não sei se resta outro assunto senão comentar sobre 2010 e também prospectar 2011.

Analisando friamente, ou melhor, sem aquela intensidade comum aos meus comentários, diria que 2010 foi um ano morno. Mais um ano morno, diga-se de passagem. Impressão que isso está se tornando uma rotina, o que muito me incomoda.

Nada de grandes projetos, grandes sonhos, enfim, nada que possa ser comemorado. A correnteza seguiu seu fluxo natural e eu, como se fosse o condutor de um barco, apenas remei direcionando-o para que não acabasse batendo nas pedras. Aquela sensação de… “fiz o que devia ser feito”. Péssimo isso, nada é mais broxante do que uma pessoa intensa que busca isso o tempo todo constatar que teve um ano comum.

Não foi um ano ruim, muito pelo contrário, foi bom até demais diante das circunstâncias. Mas, foi bom apenas em um sentido, o profissional. Trabalhei muito, conquistei novos clientes para minha empresa, contornei dificuldades, ou seja, um ano igual a tantos outros quando o foco é apenas o lado profissional. Em meu trabalho como Coach também de nada posso reclamar, aparentemente os clientes estão satisfeitos e é esse o objetivo, que eles fiquem melhor do que já são.

Mas e meu lado pessoal? Pois é, novamente deixei o barco correr. Está tudo em relativa paz, mas quando falo em “lado pessoal”, costumo levar em conta apenas e tão somente as coisas que faço para mim, por mim e só. É aquilo que chamo de “cuidar do meu ambiente”, desligar a mente me dedicando apenas – no meu caso – a escrever. Bem, confesso que isso eu não fiz. Até tentei, mas me envolvi com tantas outras coisas que deixei de lado o que mais gosto.

Agora, nesse momento de fazer o balanço, ou seja, de prestar contas a mim mesmo é que sinto falta. É como deixar de fazer o que realmente importa. O resto é só nada mais que obrigação.

Dizem que em casa de ferreiro o espeto é de pau. Infelizmente sou obrigado a assumir que neste ano, o ferreiro aqui fez com a própria vida exatamente o oposto que “aconselha” seus clientes. Há um motivo ou será que posso inventar apenas desculpinhas esfarrapadas?

Houve um motivo sim. E também várias desculpinhas.

Um ano passa rápido e não podemos deixar de lado aquilo que mais gostamos de fazer em nome sabe-se lá de que. A ideia de ter algo só seu é libertadora e ninguém mais do que eu prega a liberdade como filosofia de vida.

O que disse a cada um dos meus clientes neste final de ano como mensagem de Feliz Ano Novo foi algo bem simples: Liberte-se no ano que vem.

Liberte-se de das crenças, das amarras que empacam sua mobilidade; livre-se das pessoas que te atrapalham, junte-se aos que realmente te fazem bem. Tenha opinião sobre tudo, coloque para fora seus desejos, lute pelos seus sonhos mais profundos, em suma, execute o que quiser sem inventar as tais desculpinhas.

Pegue o que deu certo e repita. Lembre-se do que deu errado e elimine. Reconheça a sua parcela de responsabilidade sem se culpar e mais, reconheça a sua capacidade de realização e sonhe com o que estiver apto a alcançar.

As pessoas fazem tantos planos, cuidam com tanto afinco do planejamento das ideais e dos sonhos e se esquecem do básico: Planejar a execução.

Desejo a todos um ótimo Natal e um 2011 iluminado, repleto de histórias boas para contar.

MM

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Energia esgotável

Ah fim de ano… sempre a mesma coisa, sempre terminando no dia 31 de dezembro. Mas sabe que eu curto ciclos? Pois é, eu gosto mesmo. Acho legal essa ideia de renovar as esperanças quando um ano novo se inicia. Se pensarmos bem, nada de verdade acontece numa simples mudança de calendário, porém, é um símbolo. Ok, réu confesso, eu adoro simbolizar as coisas, procuro até “ensinar” meus clientes a fazerem o mesmo, como marcar as etapas da vida com aquela caneta verde limão, sabe?

O problema é que isso só pode ser feito com o que já ocorreu, nunca com o que vai ocorrer, afinal de contas, pelo que me consta ninguém consegue ler ou prever o futuro. Infelizmente ou felizmente, sei lá. Só que tem como a gente caminhar de acordo com nossas intenções.

Tudo bem, nem tudo sairá como queremos, mas podemos sim tentar seguir nosso foco – palavrinha tão na moda. O problema pode surgir e não ser resolvido quando nem foco tivermos. Ou se tivermos muitos, onde certamente alcançar todos os objetivos será impossivel no período de um ano.

Como sempre falo por aqui, entendo que os seres humanos quase sempre gastam energias querendo o que não podem ter. Enfim, não sei se já me fiz entender mesmo falando essas coisas o tempo todo.

Agora o papo tem que seguir em outra direção, é chegada a hora de fazer aquelas famosas listas de fim de ano, desejos, sonhos, objetivos, metas… tanta coisa que a impressão é que 2011 será curto. E de fato será. Mas… sempre se pode dar um jeito se usarmos um pequeno truque que vale pra vida toda: Não gaste sua energia com o que não vale à pena.       

Parece chavão, afinal de contas, todo mundo é inteligente o suficiente pra saber que a energia dos seres humanos é… esgotável. Não somos recarregáveis. O Maximo que conseguimos é sair de férias e esquecer dos problemas por um período muito curto. Assim sendo, pergunto: Será mesmo que sabemos disso? Ou é só mais uma daquelas coisas que todo mundo sabe, mas ninguém faz?

Bom, preciso deixar uma coisa bem clara: Não quero ter a pretensão de dar conselhos a ninguém, espero que se lembrem que escrevo para mim mesmo. Cada texto é apenas uma reflexão ou desabafo. A finalidade dos blogs, quando foram “inventados”, era pra ser apenas um diário que todo mundo pode ler. Eu levo isso ao pé da letra, escrevo o que penso e como muita gente lê, há os que gostam e os que odeiam. Estou falando isso porque tem gente que comenta comigo que “meus toques” são sempre importantes. Podem até ser toques, mas não é minha intenção não. Isso posto, vamos em frente.

Todo mundo sabe do meu trabalho como Coach. Amigos, parentes e agregados, me “usam” – no bom sentido – para saber o que penso sobre quase tudo. E eu adoro isso. Pensando sobre esse ano que agora chega ao fim, lembrando de tudo que ouvi de toda essa gente, analisando obviamente a mim mesmo no meio disso tudo, chego à triste conclusão de que nós gastamos tempo e muita, mas muita energia mesmo com o que não importa.

Pessoas se martirizando por causa de rompimentos que, se chegaram a esse ponto, é porque “foi melhor assim” e ponto final. Como eu costumo dizer aos amigos e clientes, cordão umbilical se corta com tesoura e não com faquinha de plástico. E são tantas outras reclamações, problemas que poderiam ser evitados que eu precisaria de uns 300 textos para descrevê-los. E tudo isso, em grande parte, nada tem a ver com a própria pessoa. É energia gasta com problemas dos outros.

Ainda ontem brinquei com uma cliente, disse a ela que eu é que tenho que me preocupar com problemas dos outros porque sou bem pago pra isso. Mas não adianta, as pessoas parecem ser feitas de velcro, tudo que jogam pra cima delas fica grudado. É puro desperdício de energia.

Além de assumir o que não lhes pertence, muitos ainda esticam, aumentam, ampliam problemas que não merecem mais atenção alguma. Lembro de que uma vez, eu andava amuado, cheio de tristeza por causa de um problema que… bem, que nem era mais problema. Já havia sido solucionado e eu ali, insistindo em sofrer por algo inexistente. Burro, não? Desperdiçar minha energia em algo que não só não existia mais como não valeria mais à pena caso existisse.

A conclusão é tão simples, tão “debaixo do nariz” que dá raiva só de me lembrar quanto tempo perdi: Queimar energia à toa está diretamente ligado à tristeza. Agora tento agir de modo distinto, quando me pego cabisbaixo, tento analisar se realmente faz sentido. Se perceber que não faz, viro a página e trato de traçar novos planos onde gastar minha energia valerá à pena.

E nesse momento em que mais um ano se aproxima é a hora certa de fazer essa analise. É hora de nos programar para não jogar no lixo algo que se esgota.

MM

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O Sonho não acabou

Ok, o título desse post não tem muito a ver com seu conteúdo, mas quis, de propósito, fazer uma alusão aos Beatles. O que tem a ver realmente é um post do – agora “ator” global – Flavio Gikovate no Twitter. Sim, eu o sigo e sou fã de carteirinha do renomado psiquiatra.

Dia desses ele postou algo sobre sonhos, dizendo basicamente que sonhar é se iludir e, por conseqüência, se machucar. Disse também que é possível viver sem sonhos. Possível é, mas será que é bom?

Eu o entendo, mas fiquei com isso na cabeça. Sempre achei que a realidade é o que importa, afinal, a realidade é… real. Penso muito parecido com tudo o que ele escreve, por isso o admiro tanto. Sim, meu Ego é mega inflado. Mas… (sempre tem um “mas”) dessa vez queria propor outra ideia sobre esse tema tão complicado.

Sonhar é uma bobagem, afinal, todo sonho gera expectativa e como na maioria das vezes ele não se realiza, sofremos. Entretanto, sonhar faz bem à alma, ao nosso sempre problemático Ego-sistema. Uma contradição aí não é? Pois bem, vou explicar meu ponto de vista:

Pode até ser que poucos são os sonhos realizados, mas eu sempre ressalto processo das coisas e não somente seus resultados. Vamos combinar que o processo do “sonhar” é fantástico. Provoca aquele sorriso nos lábios, nos enche de esperança, nos faz sentir vivos.

Já senti na pele três sensações absolutamente marcantes em relação a sonhos. Numa delas, realizei o maior deles, o processo foi maravilhoso e o resultado idem. A segunda, em outros tempos, me senti vazio porque não era mais capaz de sonhar, é como se tivesse morrido mesmo estando vivo. E a terceira experiência interessante foi que já me chamaram de sonho. Sim, nada de amor da vida, nada dessa bobagem romântica, a pessoa simplesmente virou e disse: “MM, você é meu sonho”.

Foi uma sensação inesquecível, mesmo sabendo que era “o” sonho e que jamais seria ou deveria ser “a” realidade. Coisas da vida, circunstâncias, momentos diferentes, enfim, nada que me dê saudade alguma, mas sem dúvida um momento marcante e que prova todas as coisas ao mesmo tempo: Sonhar deve ter sido bom, ter sido o sonho foi ótimo, mas a realidade venceu o jogo.

Analisando essas experiências pessoais, não tem como eu chegar aqui e concordar plenamente com um dos meus ídolos e achar que sonhos fazem mal à felicidade. Sonhar me faz bem. Realizar me fez bem. Ser um sonho me fez muito bem. Não sonhar quase acabou com minha vida. Oras bolas, será que não dá pra achar um meio termo? Bem… eu encontrei algo que faz todo sentido para mim.

Sonho com o que é possível. Parece óbvio, mas não é tããããão óbvio assim quando observamos o que as pessoas fazem. Aí acho que pode entrar o que o Flávio quis dizer e, nesse ponto, ele tem toda razão: A gente normalmente sonha com o impossível, com o que nem sequer temos capacidade de realizar. É quando criamos a tal expectativa que vai resultar na decepção. Ele chama o sonho de ilusão e que vai criar a desilusão. Nem sempre, mas quase sempre.

Não sei muito bem onde é que fica a inteligência dos humanos ao agirem de maneira que, sem capacidade, sonham com algo que acham atingível, mas o fato é que a maioria de nós pode até ser inteligente, porém usamos muito pouco esse beneficio que Deus nos deu.

O que eu sei é que ando pensando muito nisso, talvez porque tenha completado 50 anos recentemente ou porque o fim do ano se aproxima – época clássica de sonhar – mas não importa o motivo, o que creio é que temos sim necessidade de sonhar e que isso faz bem à mente. Desde que esse sonho seja realizável, é claro.

Aí entra a pergunta: Como saber se um sonho é ou não realizável? Afinal de contas, temos tantos exemplos na própria humanidade de gente que sonhou com o impossível e realizou… Então, vamos entender que além de não ser impossivel, essa gente aí tinha a tal capacidade que mencionei. Mesmo considerando que algumas invenções tenham “acontecido sem querer”, a pessoa tinha alguma capacidade sim. Sem deixar de comentar que toda realização, todo grande feito, teve o sonho como premissa.

Sendo assim, concordo discordando do Mestre. Brincadeiras à parte, o que falo a meus clientes nas aplicações de Coaching é que eles jamais devem perder a capacidade de sonhar, pois foi do sonho de alguém que tudo o que temos por aqui veio.

Antes que me esqueça: Falo também que sonhar com pessoas é bobagem, a menos que você seja parte do sonho dela. Sonhar por sonhar, aí sim é dar um tiro no pé. Até porque, jogar pra cima do outro a sua felicidade ou seu sonho, é uma tremenda falta de inteligência… Sonhe com você, pra você e por você, simples assim. E claro, lute com todas as forças para realizar.

Só para constar “nos autos”, sonho um dia em poder fazer terapia com o Gikovate. Quem sabe…

MM

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