Alicerce Gelatinoso

Muito se fala sobre a construção psíquica dos seres humanos. Pouco de fato se aproveita. Além disso, há certa tendência em enfatizar a necessidade primária da socialização do ser que, na minha singela e humilde opinião, vai completamente na contramão do que deveria ser. Tentam nos preparar para viver em sociedade sem que tenhamos uma estrutura individual necessária para tal. Indivíduo vem antes da sociedade. É a ordem natural da existência humana, mas isso fica para um próximo texto…

Retomando, vou explicar o que penso: A estrutura do ser humano está alicerçada em cima de uma gelatina.

Sim, uma gelatina chamada Família. É como construir um edifício que tem que ficar em pé por 70 anos, em média, sobre uma fina camada daquele doce que vem em caixinha. Não vai funcionar.

As famílias são egoístas, criam seus dependentes para que sejam eternamente… dependentes. Mas vão além disso, querem que suas crias acreditem no que eles crêem. Em outras palavras, a liberdade é zero. É como se eles pegassem o que Deus nos deu, o livre arbítrio, e jogassem no lixo.

Peguei pesado? Não, não peguei não, basta olhar as coisas com olhos bem abertos. Até entendo que durante um certo período de nossa existência, a única referência que temos é a família. Mas… depois de uma determinada idade, os pais, que deveriam nos incentivar a ser livres, insistem em manter o controle. No mínimo, insistem em continuar exercendo uma boa dose de influência em nossas escolhas e decisões.

Por que é que fazem isso? Bem, uma resposta clara não existe, afinal de contas, uma das coisas que os humanos mais apreciam é não colocar as cartas na mesa. Todo mundo morre de medo – ou vergonha – de assumir uma postura, seja ela qual for. As pessoas cada vez mais têm medo de expor seus pensamentos, como se existisse uma auto-censura.

Já perguntei a muita gente por que é que insistem em exercer influência na vida dos filhos e a resposta que obtive foi sempre a mesma: “Eu? Influencia? Jamais, crio meu filho para o mundo e não para mim…”

Mentira deslavada. As pessoas criam seus filhos para elas, jamais para o mundo. Como disse, as respostas não são claras porque são mentirosas. Mas no fundo, há de fato uma série de motivos, o mais comum, o medo de serem superados. É, parece esquisito, mas a verdade é que os pais morrem de medo do sucesso dos filhos. Já escrevi sobre isso tantas vezes que estou até cheio do assunto.

Família, dizem por aí, é o berço de tudo. Bom, eu creio nisso como creio em Deus. É sim o berço de tudo, inclusive dos problemas psíquicos que todo ser humano carrega ao longo da vida, no caso dos mais fortes, por boa parte da vida. Aos mais fracos – nem sei se é esse o termo adequado – digo que é preciso de dar um grito de liberdade.

Vejo que há no mundo muita gente – entenda-se: seres adultos – que ainda permitem que as famílias exerçam demasiada influência em suas vidas. Atrapalham carreiras, escolha de profissões, empregos, relacionamentos então, nem se fale…

O que temos que entender é que a estrutura familiar é fraca. Nem sei se é o caso de entender porque sei que se fizermos uma forcinha entendemos, talvez seja o caso de aceitar sem medo de parecer errados.

Como em todas as relações da vida, há que se ter afinidade. Não é porque temos o mesmo sobrenome que somos obrigados a aceitar a proximidade das pessoas. Em todas as outras relações que temos, nós é que escolhemos quem é que vai poder ou não ter influência em nossas vidas, não é? Pois então, qual a dificuldade em incluir a família nesse pacote?

Algumas pessoas tendem a culpar Deus e o mundo por uma série de coisas que acontecem. Raramente se olham no espelho e apontam o dedo para si e, pior, normalmente isentam a família. Bem, é tudo uma questão de abrir os olhos.

Mesmo que as famílias tenham boa parcela de responsabilidade do que acontece, há que se ter a exata noção de que ninguém nos faz mal se não permitirmos.

MM

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Sentimento Bipolar

Incrível como os Egos de alguns se esforçam para ser aceitos pelos outros sem levar em conta sua própria essência, sem fazer uso daquela expressão que tanto gosto: O que os outros pensam sobre você é problema deles.

Eu não sou muito bem visto em certos ambientes. Essa coisa de falar o que penso tem seu preço e não sai barato não. Isso porque – infelizmente – não posso falar tudo o que penso, caso pudesse, seria banido do mundo. Mas eu tento. Desde muito cedo arrumei diversas encrencas por agir dessa forma e, de novo, desde muito cedo percebi algo interessante na postura das pessoas em relação a mim: Sou odiado e amado pelos mesmos motivos.

Em contrapartida, amo e odeio as pessoas do meu convívio exatamente da mesma forma, ou seja, pelos mesmos motivos. Certas pessoas gostam de gente transparente, mesmo que isso provoque certa dor de vez em quando. Ainda assim, falando apenas de mim, eu prefiro ter essa bipolaridade sentimental em relação aos outros. Gosto das pessoas como elas são e odeio às vezes as mesmas pessoas por serem e agirem como agem.

Sentimentos são mesmo bipolares. Não há quem apenas ame ou quem apenas odeie. Sinto isso dos outros para comigo da mesma forma que sinto pelos outros. A prova de que sentimentos são completamente bipolares aparece no instante em que uma relação acabe. Seja ela de qual esfera for. Amamos num dia e odiamos no outro, isso para ser bonzinho porque normalmente amamos e odiamos no mesmo dia.

É aí que fico intrigado. Se todas as pessoas despertam sentimentos bipolares, por que é que temos que nos esforçar para ser aceitos, o que vale dizer… nos esforçarmos para ser o que não somos? Oras bolas, se vão nos amar e nos odiar pelos mesmos motivos, por que insistimos em despertar apenas o amor?

Parece-me queima desnecessária de energia. Até porque, sempre vamos encontrar quem nos ame do jeito que somos. Assim sendo, seria mais lógico a gente apenas viver nossa essência.

Pois é, na prática a teoria é outra. Nos dedicamos a conquistar as pessoas o tempo todo. É a única preocupação – talvez não a única, mas a maior delas – que temos. Queremos que todos nos olhem e digam: Nossa, como o MM é legal, bacana, simpático, verdadeiro, transparente, leal, sincero, bla, bla, bla. Nem nos damos conta de que essas mesmas pessoas vão nos odiar no exato instante em que não correspondermos às suas expectativas.

Ai, ai, ai, e o que é que temos a ver com a expectativa que o outro cria em relação a nós? Eu digo com todas as letras: Nada! Nada mesmo. Se eu desperto algo em alguém e a pessoa gera por sua conta e risco alguma expectativa do meu ser ou do “próximo movimento”, é problema dela e não meu. Quem mandou antecipar?

Por essas e outras é que quem te ama hoje pode te odiar amanhã. Afinal de contas, ela criou um modelo de você que não será eterno e quando você não corresponder ao modelo criado pela mente dela, a decepção – absolutamente sem sentido – aparece.

Seria bem mais simples se nós pudéssemos olhar e ser vistos sem qualquer expectativa. Vendo apenas e tão somente as coisas como elas de fato se apresentam. O que estou querendo dizer é que não precisamos vender uma coisa que não é real. As pessoas que entendam que todo mundo tem suas alterações de humor, conduta, etc… E que, justamente por essas normais alternâncias é que elas devem balizar seus sentimentos em relação aos outros.

Em suma, temos que saber que hoje amamos o outro por ele ser como é, da mesma forma que amanhã vamos odiá-lo pelo mesmo motivo. Às vezes nem se trata de criar um modelo na cabeça, mas sim de esperar do outro algo que ele não vai te dar naquele momento.

A vida não é feita de momentos? Pois então, pra que inventar moda achando que um momento “x” tem que ser perpetuado dando assim um rótulo à pessoa. Podemos sim amar quem odiamos da mesma forma que odiar quem amamos.

Amor é ódio andam lado a lado. Apesar de serem completamente opostos, estão presentes em todas as relações humanas. Aceitar isso é condição básica para o surgimento do respeito. Respeitar o outro como ele é. E fazer isso apenas de acordo com sua conveniência ou expectativa, sinto muito, mas não tem nada a ver com respeito…

MM

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Sonhadores Insanos

Todo mundo sonha com uma vida melhor. A maioria, quando sonha, se esquece do que é real, do que pode ou não ser viável dentro da sua… bem, da sua realidade. Sonhar por sonhar, sem levar em conta o mundo real não faz sentido. É machucar-se na certa. As peças não vão se encaixar.

A sensação que um sonho realizado provoca é incrível. Já a sensação que a realidade mostra nem sempre. Já vivi algo esquisito há pouco mais de 5 anos. Num certo momento diria que minha realidade foi transformada em sonho. É claro que transformar a realidade num sonho foi muito mais surpreendente do que um sonho que se transforma em realidade. Ok, pode parecer que esteja abusando desse negócio de brincar com as palavras, mas é a verdade.

Você está ali, sonha com algo e as coisas se realizam. Poxa, bacana, é a busca de todo mundo e nem todos conseguem. Quando a realidade se transforma em sonho é completamente inesperado. Você continua vivendo e de repente… algo acontece e sua realidade muda de tal forma que você se sente completamente inserido num contexto, até então impensável, um verdadeiro sonho.

Passa então a alimentá-lo e as sensações vão sendo incorporadas no seu dia a dia e quando se dá conta, não sabe mais o que é real e o que é sonho.

Somos seres completamente insanos. Para que tentar descobrir ou fazer essa divisão? Não podemos simplesmente viver o sonho? Pois é, não podemos. Temos essa tendência estúpida de separar o sonho da realidade. Ou a realidade te alerta que é um sonho ou o sonho fica tão real que perde a força que todo sonho tem.

Enfim… viemos ao mundo para realizar nossos sonhos. Já disse isso mil vezes. Mas como é que se consegue? Para sonhar temos que saber o que queremos. E para saber o que queremos temos que ter experimentado algo parecido, pois há que se ter um ponto de partida, imaginar algo para sonhar. E normalmente quando imaginamos esse “algo”, tem que haver uma referência para nortear os pensamentos. Essa referência tem que ser possível, alcançável, realizável. Em outras palavras: Temos que sonhar com a realidade. Com a nossa realidade. Estou falando de coerência, alinhamento de ideias. Que termo mais chulo!

Então ficou claro – mesmo que confuso – que para sonhar (acordado) temos que ter algum ponto de partida, normalmente com algo conhecido, portanto, possível. É simples assim? Não, claro que não.

O Ego-Sistema das pessoas não é nada simples, pelo contrário. Andamos de um lado para outro desesperadamente atrás de sonhos irrealizáveis. Feios sonham com bonitos; pessoas nada interessantes querem para si pessoas super interessantes; pobres sonham em ficar ricos de uma hora para outra sem sequer se esforçar pra isso; velhos querem ser jovens, ou seja, uma confusão danada. Lembrando que a confusão é causada pela própria pessoa, afinal de contas já é mais do que sabido que poucos estão DE VERDADE satisfeitos com o que são e com o que tem. Chegam a buscar o oposto da sua essência. Falei DE VERDADE em “voz” alta porque nesse mundinho ameba tá cheio de gente que diz estar feliz e realizada, bla, bla, bla da boca para fora. O espelho mostraria a realidade, mas… essas pessoas só usam o espelho para verificar se a roupa está ok.

Fica cada vez mais evidente que poucos param para pensar e, menos gente ainda, tem a coragem de se fazer uma perguntinha básica: Esse sonho é mesmo possível?

Pois é. Normalmente – não sei o percentual, mas diria que perto de 83,67% (apenas para chutar algo e para dar credibilidade ao “chute” o número deve ser quebrado) a resposta para tal questão será: Não! Se puder ser um tiquinho maldoso, diria ainda: Não, nem em sonho!

Brincadeira à parte, fico indignado com a falta de bom senso de certas pessoas. Oras bolas, não seria muito mais simples alterar nossos sonhos para algo palpável? Algo que possamos de verdade realizar e depois sentir aquela sensação incrível já mencionada aqui?

Claro que podemos. A dica que eu costumo dar a meus clientes ansiosos e ávidos por se tornarem “astronautas” é: Quebre os sonhos grandes em pequenos pedaços. E esqueçam essa coisa de astronauta, é claro… (Astronauta foi só uma brincadeira, hein? – Digo isso para os leitores chatos. Se você não for chato, passe para o próximo parágrafo)

Que fique claro, gosto de pessoas que sonham alto, desde que seja palpável. Mas o truque é transformar um grande sonho em pequenas etapas. Sabe que isso funciona? Pois é, eu mesmo já testei.

Aliás, cada exercício, dica ou proposta que faço já foram exaustivamente testadas em mim mesmo. As experiências que não dão certo, nem comento… Outro truque, este serve para manter a autoestima elevada.

MM

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