No lugar certo

Você aí do outro lado, já se sentiu no lugar errado, na hora errada? Ou na hora certa no lugar certo? Claro que há também o lugar certo na hora errada… Pois é, para variar um pouquinho estou escrevendo o que me vem à mente sem censuras. Ou melhor, sem filtro. Natural que as bobagens apareçam…

Acho que nossos Egos vivem fora do lugar. Tudo bem, não posso e nem quero generalizar, mas tenho percebido isso ao longo do tempo. As pessoas se sentem cada vez mais onde não queriam estar e pior, fora do tempo. Como se vivessem uma realidade e sonhassem com outra.

Bom, isso é assunto para outro texto que estou escrevendo, aliás, estou bem perdido em relação a isso porque essa coisa de Sonhos/Realidade dá pano para manga…

Retomando o que dizia, já me senti assim algumas vezes, tipo, fora do “lugar” no tempo e no espaço. Difícil lidar com isso. Bom, sejamos justos, difícil lidar com quase todas as questões da vida, não é?

Sinceramente não me lembro da última vez em que ouvi alguém me dizer que estava no lugar certo, no lugar em que deveria estar naquele exato momento. Claro que tenho muitas leitoras românticas e que vivem me contando seus casos… estas sempre fazem a relação tempo e espaço de modo que suas histórias pareçam contos de fada com final feliz e cor de rosa.

Mas esse é um exercício interessante, já até passei para alguns clientes: Olhe à sua volta e me diga, sente-se no lugar em que deveria estar?

Não é nada fácil responder. Claro que os superficiais vão achar simples, mas os seres pensantes vão questionar como se deve. E não é um exercício apenas para que se constate alguma coisa parecida com insatisfação profunda. Não é por aí.

A ideia é que se faça uma reflexão mesmo, sem culpas, sem arrependimentos, afinal, todo mundo está onde, de alguma forma, escolheu, mereceu ou no mínimo permitiu estar. Caso você tenha chegado até aqui por força da correnteza, acho que já passou da hora de entender que é você quem dirige seu barco.

Tenho vivido tempos de paz turbulenta, não, não é um jogo de palavras porque até bem pouco tempo eu vivia numa situação de turbulência turbulenta. Falo paz turbulenta porque não sou do tipo que consegue ficar apenas em tão somente em paz. Não me tenham como exemplo, meu Ego-Sistema é assim, fica desconfiado quando a plenitude da paz se estabelece…

As coisas entram nos eixos, mais cedo ou mais tarde tudo encontra seu devido lugar. Até as coisas ruins acabam por ser eliminadas ou até mesmo esquecidas em algum compartimento da mente. Felizmente as coisas boas também surgem e nesse momento é que sentimos aquela sensação de alívio onde nosso pensamento chega a se manifestar em voz alta: Está tudo em seu devido lugar.

Atingir esse ponto leva tempo, não são poucas as vezes em que nos sentimos perdidos e completamente fora do eixo do aceitável. Por outro lado, é fato que quando chegamos no ponto onde gostaríamos de estar dificilmente reconhecemos isso. É aquela velha e conhecida tendência que temos em manter nossa visão nublada. Uns chamam de boicote, outros de auto-flagelo, o nome nem importa, o que vale ressaltar é a sensação esquisita de que a mente está jogando contra nós mesmos.

É preciso fica em estado de atenção constante. Um tipo de monitoramento que mantém nossas mentes ocupadas com a preocupação necessária para que possamos estar sempre no espaço e no tempo em que queremos estar. O tal… lugar certo.

Hoje, por exemplo, sinto que estou em alguns lugares certos, outros nem tanto, mas definitivamente no tempo em que deveria estar. E você?

MM

Publicado em Ego. 7 Comments »

União Instável

Olho daqui, dou uma espiadinha ali e só o que vejo pela frente são pessoas atrás de relacionamentos. Gente querendo encontrar o amor da vida. Uns mais desesperados querendo a tal “união estável”.

Pergunto humildemente, mesmo odiando a humildade: E o que é uma Relação Estável? Bom, tive que pesquisar na internet:

Legal e resumidamente é isso: “Relação de convivência entre homem e mulher que é duradoura e estabelecida com o objetivo de constituição familiar. O novo Código Civil não estabelece prazo mínimo de duração da convivência. Não é necessário que morem juntos, podem ter domicílios diferentes, mas será considerada estável desde que o provem, por ex., a existência de filhos. Uma simples relação de namoro não pode ser considerada estável porque somente se verifica União Estável quando houver constituição de unidade familiar propriamente dita, não bastando o simples objetivo em fazê-lo”. E a coisa segue adiante com aquelas babaquices de comunhão parcial, etc, etc, etc.

Pois bem. Como eu estou numa semana Light Diet Suave Confort darei aqui minha singela opinião: Mesmo que amparada pela constituição, códigos civis, leis, etc, não existe relação estável, são todas instáveis. Sim, toda relação amorosa é uma casquinha de ovo e é bom continuarem assim.

As leis são feitas com completo desconhecimento de causa. Bom senso zero. Inteligência emocional diria que chega a ser até negativa. Pior, jamais levam em conta a realidade.

Nada desestabiliza mais uma relação do que família. Seja de um lado, seja de outro. Filhos então nem se fale. Falar o contrário é besteira de gente que tem preguiça de pensar ou até mesmo preguiça de observar a realidade.

Eu entendo que há que se ter um parâmetro para fazer leis, entendo perfeitamente. Nesse caso só estou fazendo uma espécie de brincadeira com a verdade. Sei que eles associam estabilidade com tempo de duração.

As pessoas se iludem, procuram criar expectativas nas relações amorosas e é isso que sempre estraga tudo. Usam qualquer relação melhorzinha como a salvação de todos os problemas. Não deixam rolar, não deixam o envolvimento acontecer naturalmente, saem logo de cara rotulando e antecipando as coisas. Pulam etapas pelo desespero de ficar sozinhos.

Eu digo sempre uma coisa e poucos entendem ou prestam atenção. Não falo como dono da verdade não, falo por experiência própria: Se você não gosta de ficar com você, por que é que alguém vai gostar?

Eu acho isso mesmo. Quanto mais você gostar de ficar só, curtir a sua companhia, mais vai atrair pessoas interessantes. Vale mesmo essa reflexão.

Além do mais, voltando ao tema principal, falo que as relações mais instáveis são as mais intensas. Pode parecer loucura, mas a instabilidade atrai feito um imã.

Conheço pessoas que buscam a estabilidade, buscam uma relação toda certinha, sem altos e baixos, etc. Essas pessoas são as que mais estão longe da felicidade a dois. São as pessoas que menos conseguem a tal união estável. Podem até ter a estabilidade por um tempo, porém, são essas as pessoas que mais cedo ou mais tarde vão reclamar da rotina.

O que segura uma relação é o sentimento e não a convivência. Loucura da minha cabeça? Não creio, mas pode até ser. O que sei é que sem sentimento não haverá rótulo que segure, não há estabilidade que fique estável. Brinco com as palavras, mas estou falando bem sério.

Filhos, família, rótulos, sociedade, enfim, nada disso segura uma relação, nada disso a fará ser estável ou duradora. O que prende uma pessoa em outra é sentimento, não só de amor ou paixão, mas de medo. O medo de perder a pessoa que você quer estar fará com que você seja uma pessoa cada vez melhor.

A ideia aqui – fazendo a mesma associação da lei – é dizer que quanto mais instável for a relação, mais estável será a união…

 MM

Publicado em Ego. 24 Comments »

Pingos nos “is”

Às vezes sinto que as coisas estão completamente fora do lugar. Tudo bem, sei que sou um cara chato que observa tudo, mas algumas coisas são tão óbvias que fico ainda mais indignado quando elas passam batido pela sociedade como um todo. Bom, aqui no meu Blog eu costumo falar de Egos e é claro que não vou fugir demasiadamente do tema, só um pouquinho…

Nesse final de semana saiu uma pequena reportagem falando bem de uma grande rede de supermercados. Era algo sobre eles estarem vendendo uma sacola de compras feita com material reciclado, daquelas que você tem que levar todas as vezes que vai às compras. Bacana, politicamente correto, super mega ecologicamente correto, dirão os cidadãos comuns.

Bem, faz tempo que não sou um cara comum. Assim sendo, vi a reportagem como uma afronta à minha parca inteligência. Vou explicar: Como é que uma revista de grande circulação faz uma reportagem enaltecendo a atitude ecologicamente correta de uma rede de supermercados, sendo que eles mesmos são responsáveis pela distribuição de sacolas plásticas durante anos e anos? Oras bolas, não são essas sacolinhas de plástico grandes responsáveis pela poluição do meio ambiente? Pior, ainda cobram pelas sacolas certinhas?

Em suma, na minha mente poluída entendo o seguinte: Os safados cobram por algo que estão lançando que evitaria o estrago do meio ambiente, porém, estrago que eles mesmos têm feito por anos a fio… Na boa, é o mesmo que pagar pela destruição que eles vêm fazendo há anos…

No meu entender eles tinham que dar de graça a tal sacola corretinha e ainda por cima pedir desculpas ao povo por terem poluído o meio ambiente por tanto tempo. Estou exagerando? Pode ser que sim se analisarmos superficialmente a questão, que é o que todo mundo faz em TODAS as questões da vida. Mas se dermos uma mergulhadinha no assunto, perceberemos que não há exagero algum. E isso vale pra tudo…

Entrando no mundo dos Egos, vejam essa questão que a sociedade impôs como “falta de educação”:

Alguém se mete onde não é chamado. Você então diz: “Ei, isso não é da sua conta”!

Gente, é só a verdade, não é? Pois bem, então alguém me explica por que é que o xereta que se mete onde não é chamado fica tão ofendido quando dizemos apenas e tão somente a verdade?

Num cenário ainda mais absurdo, um dia desses conversava com amigos e quando me perguntaram algo que absolutamente não me dizia respeito, respondi naturalmente: “Não tenho nada a ver com isso”. O mesmo que ter dito: Ei, isso não é da MINHA conta.

Deu no mesmo, as pessoas se sentiram ofendidas pela minha… minha… sinceridade em não querer me meter onde não deveria. Ou seja, todo mundo quer que a gente cuide e se meta na vida dos outros. Se eu falo para alguém cuidar da própria vida se ofendem. Se falo que eu quero cuidar apenas da minha vida, se ofendem da mesma forma. Vai entender essa gente.

Olha, na minha cabeça isso é ridículo.

Tenho uma teoria: Se cada um de nós parasse de se meter na vida dos outros, parasse de se preocupar com o que NÃO nos diz respeito, tenho certeza de que eliminaríamos mais de 70% dos nossos supostos problemas…

Não entendo como é que as pessoas querem tanto ser felizes se passam a vida toda se preocupando e se envolvendo com problemas que não são seus. E mais, permitindo que gente de fora se meta em sua vida. Às vezes até pedem isso. 

É difícil entender mesmo. A parte boa é que me pagam para que eu ensine como é que se enxerga o óbvio…

MM

Publicado em Ego. 12 Comments »

Inquietudes

Não lembro o número exato de vezes que eu desisti de escrever o livro Ego-Sistema, mas se não me perdi nas contas, acho que foi algo perto de 246.877 vezes. Desde que lancei meu último livro, há mais ou menos 300 vidas atrás, eu enfiei na cabeça que deveria escrever um livro meio que definitivo sobre comportamento humano, ou seja, falar sobre Egos. Pura bobagem.

É melhor manter esse assunto por aqui, num Blog ou em revistas, sites, mas não em um livro. Definitivamente não suporto esse universo da auto-ajuda, assim sendo, não quero fazer parte disso colocando nas livrarias mais um livro sobre o tema. Já trabalho com isso, lido diariamente com “auto-ajudar” pessoas a se reerguer ou até mesmo se erguer. Minha ex-terapeuta sabiamente disse-me uma vez:

“Há uma infantilização em nossa sociedade, poucos querem enfrentar o desafio de crescer”. Palavras mais do que verdadeiras, se é que isso existe.

Em meu trabalho faço isso, ajudo as pessoas a se tornarem adultas, a se tornarem mais fortes para lidar com o “mundo lá fora”. Busco ainda transformá-las em pessoas o mais independente possível, já que independência plena absolutamente não existe. Sei que muitos confundem a independência financeira com independência plena, mas isso é maquiar a realidade. Meu trabalho foi desenvolvido e criado por mim justamente na contramão do que a sociedade mais quer, eu mostro o espelho, a realidade, pois boa parte prefere viver escondida de todos e, mais grave ainda, escondidas de si mesmas.

Até achava que eu tinha uma espécie de obrigação de publicar um livro sobre tudo o que envolve nossos Egos, mas essa obrigação não era para com a sociedade, não sou tão pretensioso assim, era uma obrigação para comigo mesmo. Ou seja, satisfazer meu próprio e inflado Ego. Pra que? Pra nada, pura bobagem dessa mente inquieta. O que tem que valer é minha essência e não uma suposta satisfação do Ego. E minha essência não gosta mesmo desses livros de auto-ajuda. Nem estou questionando a eficácia deles, estou apenas expondo minha opinião.

Enfim, andar de acordo com minha essência também é uma forma, provavelmente a melhor delas, de satisfazer meu Ego, não é? Pois então… é o que estou fazendo.

Essas coisas são mesmo engraçadas, já tentei escrever e desisti desse livro tantas vezes e sempre fica uma pontinha de dúvida se estou ou não fazendo o melhor. A dúvida insiste em me atormentar. Dessa vez pensei de forma distinta das outras.

Lá na frente do meu fiel companheiro, meu espelho, conversei comigo numa manhã dessa semana dizendo:

“Sou um escritor compulsivo, sou capaz de escrever sem parar e também capaz de finalizar um livro em poucos meses. Se até hoje não o finalizei, algo deve estar errado. Mas onde está o erro?”

A resposta é tão simples que fiquei irritado pela minha insistência em manter vivo o suposto desejo de finalizar tal obra: O erro está em achar que preciso fazer o que não quero.

Pode parecer estranho, mas é assim que penso em relação a esse livro. Eu não quero e se não quero, porque insisto em achar que preciso? Mais e mais confusões dessa mente inquieta. Sei lá, mas creio que todo mundo um dia passa por isso quando tem que tomar uma decisão.

É só um desabafo. Gosto de desabafar escrevendo e às vezes uso meu Blog pra isso.

Em suma, ao abandonar esse livro, por hora me sinto livre. Parece que tirei um peso da mente e, como tudo na vida, pode ser que essa decisão não seja definitiva, mas o é neste momento.

Agora estou trabalhando em outro projeto, retomando algo que já está bem adiantado, uma trilogia. Minha primeira investida em outro universo, uma narrativa, um romance/policial, uma novel se preferirem.

Trata-se da história de um cara que se vê obrigado a fugir do que persegue…

MM

Publicado em Ego. Tags: . 4 Comments »
%d blogueiros gostam disto: