Vazio

Fazia tempo que não escrevia por aqui. Aliás, fazia tempo que não escrevia em lugar algum. Acho que é esse o motivo desse título: Vazio. Se bem que há outros motivos. Vamos lá tentar explicar tudo isso direitinho.

 Ontem conversava com uma amiga que está sentindo essa sensação de vazio por um motivo que não vem ao caso comentar, mas é algo que a está abalando muito. E olha que ela sente isso por antecipação, pois o evento em si, a perda, ainda não se deu.

 É bem por aí. Antecipamos o sofrimento. Coisas do nosso Ego-Sistema, somos mestres em sofrer por coisas que podem nem acontecer.

 Toda perda é uma espécie de luto. Uma amizade, o afastamento de um filho, a própria morte nem preciso comentar, um relacionamento, enfim, tudo isso é o que os psicólogos chamam de luto. Segundo eles, há que se “elaborar o luto”, uma espécie de processo que vai arrumar a casa depois de uma perda, um processo que vai ajudar a preencher espaços vazios. Não é nada fácil. Todos nós já passamos por algo assim na vida e basta dar uma olhadinha para trás para ver o quanto doeu.

 Isso em relação a pessoas. Mas e no caso de “coisas”? Será que as sensações não são meio que parecidas? Pois é, ando pensando nisso. Tenho medo da perda, acho que todo mundo tem, mas eu tenho muito medo de perder coisas, além de pessoas, claro.

 Hoje meu medo, sem contar as coisas de um passado recente que andei perdendo, é de perder a inspiração para escrever. É a coisa que mais amo fazer e felizmente por um lado e com certeza infelizmente por outro, tenho escrito bem menos do que gostaria. O trabalho está tomando a maior parte do meu tempo e isso é ótimo por diversas razões: A mente fica ocupada e não pensa besteiras, não lembra de coisas que afetam ou afetaram nossa história etc., etc.

 O lado ruim é que fico sem tempo para escrever e, por que não assumir, sentir saudades de outros momentos da vida. Saudades estas que também fazem certo mal, pois remetem a tal sensação de vazio ocasionada pelas perdas…

 Não sei muito bem como explicar tecnicamente certas coisas, mas é fato que todos nós temos algum luto, alguma perda em nossas vidas que insistimos em manter vivas dentro de nossa memória. Já escrevi tantas vezes que o passado deve ficar no passado, coisas ruins devem ser deixadas para trás, mas há uma tendência nossa a não se livrar de alguns desses momentos.

 Por que será? Me pergunto isso tantas vezes quando estou na frente do espelho e não consigo arrumar nenhuma resposta que me convença a não ser uma: Porque independente da dor da perda, o prazer da recompensa pelos momentos marcantes é sempre maior.

 É isso que penso. Inevitável sentir a dor de alguma perda, aquela dor vazia, aquele buraco no estomago, ou melhor, na alma. Por outro lado, passado o instante da dor pelo momento da perda, sempre surge a sensação deliciosa do prazer, da recompensa por ter vivido tanta coisa boa.

 Ontem eu estava desse jeito. Ocupado até não poder mais, porém, com uma sensação de que estava faltando algo. Escrever é uma necessidade para mim, quase que vital. E como ando muito relapso, isso provocou um buraco sem fim.

 Depois de passar boa parte da madrugada escrevendo para meu site, escrevendo este texto e também em meu Blog/Diário fechado ao público, a sensação continuou… vai saber por que…

 Ou melhor, saber eu sei: Deve estar faltando uma melhor elaboração de certos lutos… colocar o vazio num lugar mais cheio…

 MM

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