Intolerância Zero

Ando meio assustado com a intolerância que reina por aqui. Não sei se por aí onde você está lendo isso também acontece, mas aqui em São Paulo a coisa está feia.

Nem o tal Espírito Natalino muda certas pessoas. Claro que estou brincando, a maioria nem faz idéia do que se trata o Natal, querem apenas consumir e ponto final. Mas a verdade é, agora sem brincadeira, que as pessoas estão completamente desgovernadas, descontroladas e isso me faz pensar que somos talvez a pior espécie de animais que habitam o planeta.

Por uma simples razão, somos dotados de inteligência. Quer dizer, isso é o que dizem alguns cientistas, eu discordo veementemente. Acho que somos dotados de consciência e nem todos de inteligência. Ora, se em teoria somos conscientes, por que é que muitas vezes agimos como perfeitos idiotas sem um pingo dessa consciência?

Eu não tenho essa resposta. Infelizmente. Mas é fato que somos meio hipócritas e nessa época do ano tentamos – em teoria – nos abastecer do tal Espírito Natalino para que tenhamos todos um melhor convívio em sociedade. Em teoria, não na prática.

O mesmo cara que fecha o cruzamento numa esquina – consciente do que está fazendo – é o cara que reclama na esquina seguinte que fecharam o cruzamento por onde ele quer passar. Como pode uma coisa dessas? Qual regra é a que vale para um cidadão (Cidadão é pura força de expressão nesse caso) desse naipe? O que rege um cara desses? A regra do Vale Tudo? Vale tudo para ele e não para os outros, diga-se de passagem.  

Sábado fui ao supermercado mais caro de São Paulo, queria comprar um produto que só vende lá e obviamente aquilo estava lotado como sempre. Em teoria estava num ambiente onde as pessoas tiveram acesso à educação, certo? Com toda certeza desse mundo, pessoas abastadas financeiramente tiveram boa educação, boa formação e uma ótima noção de civilidade.

Bobagem, isso é só mais uma teoria infundada. Em determinado momento, um senhor na casa dos setenta anos atravessa com seu carrinho os corredores com pressa. Sem nenhuma cerimônia ele batia com seu carrinho nos outros tentando na base da força seguir seu caminho. Ele deixou todo mundo estressado. Claro que eu e um rapaz atrás de mim tentamos chamar a atenção dele, mas inutilmente, ele seguiu seu percurso como se estivesse sozinho no mundo.

Cadê a educação do tal sujeito? Cadê a tolerância? Sim, ele tem a obrigação de ser tolerante, afinal de contas, ele é – ou deveria ser – consciente de que sair para fazer compras em qualquer lugar nessa época do ano, vai ter que trombar com um monte de gente fazendo a mesma coisa. No caso dele, trombar literalmente.

Ser tolerante não tem nada a ver com ser bobo, babaca. Tem a ver com educação e respeito. Não falo em tolerar o cara que fecha o cruzamento, falo em tolerar o trânsito, em ter consciência de que tirar o carro da garagem significa conviver com outros motoristas que estão fazendo a mesma coisa que você.

O que todo mundo quer, afinal? Sair de casa sozinho? Um shopping ou supermercado só pra si?

Ok, eu também quero. Também sou muito intolerante com outras pessoas, mas tento me policiar, tento não causar transtorno, mas é óbvio que viro um ser intolerante quando vejo certas coisas. Sabe aquela coisa de círculo vicioso? Uma coisa puxa a outra e assim por diante. Quando nos damos conta, estamos no meio do inferno, em outras palavras, no meio do caos.

Mas notem, caos gerado por nós mesmos. Se pudéssemos simplificar as coisas, diria aos que saem de casa para se estressarem e estressar o próximo, que ficassem em casa. Simples assim, não quer tumulto, fica em casa, oras bolas.

Acho que tá na hora de alguém começar a quebrar essa corrente, esse círculo. Ter consciência de que isso faz mal à saúde, nossa própria, dos outros e da sociedade como um todo. Como fazer isso é a questão a ser resolvida.

Alguém tem que começar e aí, quem sabe um dia, todo mundo se respeite. Uma das minhas metas para 2010 será justamente essa, ser mais tolerante porque eu ando impossível. Talvez tenha entrado nesse círculo e me contaminado.

Porque consciência eu tenho, você tem, todo mundo tem, basta apenas ter como meta a Intolerância Zero. Será que ando sonhando demais?

MM

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A Força do Improvável

Essa coisa de improvável parece um tipo de sonho. Normalmente os sonhos são improváveis, tanto os que sonhamos dormindo quanto os que sonhamos acordados. A verdade é que a maioria deles não tem nenhuma chance de acontecer, pelo menos não exatamente da maneira que foi sonhado.

Mas de um modo geral, acho que o improvável é o que faz a diferença. É o que marca nossas vidas. Todo mundo é muito parecido em relação a isso. O improvável é diferente da surpresa, é diferente do previsto, improvável é algo que não tem chance de acontecer. Ou melhor, o que não teria a menor chance de acontecer, em teoria.

O que estou dizendo tem a ver com a nossa intrínseca racionalidade. Por mais sonhador que seja um ser humano, ele sabe que, racionalmente, algumas coisas são improváveis. A tal da razão sempre, ou quase sempre, aparece para nos dizer: Ei, acorde, você está fora da realidade.

Pois é, quando isso acontece, obedecemos a ordem da mente e acordamos. Mas em alguns momentos o tal do improvável dá as caras e… bem, se torna possível.

Levamos um susto, não é? Afinal de contas, até o minuto anterior da “coisa” acontecer, independente do que seja, era improvável. Sim, isso assusta, nos tira o ar dos pulmões, nos tira o chão.

Mas uma vez que algo assim aconteça realmente, o que fazer? Como lidar com isso?

Não é nada fácil. Lidar com o improvável requer calma, paciência, sabedoria, entendimento, enfim, requer algo completamente oposto do que somos em essência. Nossa natureza é imediatista, é ansiosa e quando o improvável acontece essa mistura é explosiva, ou no mínimo, bem perigosa.

Sendo ansiosos, imediatistas ou seja lá o que for, podemos destruir o improvável quando este é bom. Por outro lado, se for algo ruim, sendo desse jeito é uma verdade absoluta que não vamos conseguir nos livrar do “improvável do mal”.

Deixemos o improvável ruim fora disso. Vamos nos ater no improvável bom. Com certeza, por não ser impossível, apenas improvável, a coisa já foi sonhada um dia. Apenas não vimos durante o sonho a probabilidade de acontecer.

Ora, quem é que disse que a vida é uma fórmula matemática onde as coisas podem ser definidas como prováveis ou improváveis? Melhor dizendo, quando sonhamos com alguma coisa não devemos e nem podemos tentar calcular dessa maneira. Não dá para colocar os sonhos numa tabela, numa lista de prováveis e improváveis.

Os sonhos são possíveis ou impossíveis. E não venham me falar que todos os sonhos são possíveis porque sabemos que não são. Os gurus da auto-ajuda vivem tentando nos enfiar na cabeça o contrário, mas eles mentem. Temos é que sonhar de acordo com a realidade… Nossa, que frase mais doida…

Mas é isso mesmo. Temos que sonhar de acordo com nossa capacidade. Por exemplo, eu não posso sonhar em me tornar um piloto de Fórmula 1 aos 49 anos. Não dá! Meu peso está fora dos padrões e minha idade absurdamente acima. Em suma, cada sonho tem sua hora para ser sonhado. Se eu realmente quisesse uma coisa dessas, devia ter pensado nisso antes.

E isso vale para tudo. Ou quase tudo. Para as coisas do coração, por exemplo, não vale. Você pode sonhar com uma pessoa a vida toda, mas aquela pessoa impossível de se ter mesmo… e um belo dia vem o tal do improvável e joga a tal pessoa em seu colo.

Para o amor não existe o sonho impossível. Apenas para o amor. Muito menos o improvável.  Todos nós temos em nossas vidas dezenas de exemplos, essas coisas acontecem o tempo todo. E se ainda não aconteceu, podem ter certeza, vai acontecer.

É mais ou menos o que disse para uma amiga um dia desses, ela está vivendo algo que até um determinado momento era considerado fora de propósito:

– Se está acontecendo é porque não era improvável. Só não estrague tudo achando que é impossível.

MM

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Epidemia de Angústia

Semana passada a revista Veja trouxe uma reportagem muito legal em sua capa, pena que era mais voltada para o que eles chamam de Auto-ajuda Espiritual do que para o comportamento, mas mesmo assim, achei interessante.

Num determinado momento, a revista chama atenção para um sentimento que parece contaminar grande parte das pessoas, a angústia. Ok, não é tão difícil assim constatar que nós humanos vivemos angustiados, mas o que me tira o sono é tentar descobrir os porquês, tentar descobrir se há cura ou apenas trocamos de angústia.

Mais ou menos assim: Você está angustiado com alguma coisa em sua vida, busca ajuda em terapias, processos de coaching, livros, religião, enfim, qualquer tipo de ajuda e resolve o problema. Um minuto depois, outra coisa passa a te angustiar e tudo volta à estaca zero.

Angústia é uma palavra bem forte, parece até que anda meio banalizada tamanha freqüência com que aparece na boca das pessoas. Mas não devia ser assim. Deveríamos tratar essa dor como algo muito sério e não banal.

Por mais que a vida cause certas angústias, há que se tentar tratar isso e não generalizar para todas as dores. Nem toda dor é angústia. Devemos pensar para falar certas palavras. Dizer-se angustiado a cada problema que surge é exagero e só faz piorar o que sentimos de fato.

A reportagem trata bem essa questão, sem banalizar o sentimento. Alguns exemplos descritos no texto são angustiantes mesmo, mas no mundo real, vejo que há sim uma desvalorização da palavra e desse sentimento que causa uma dor terrível no peito. Por outro lado, percebo que também é verdade que há um aumento de pessoas que se sentem verdadeiramente angustiadas.

Esse sentimento aparece quando nos sentimos impotentes diante de uma situação e não quando se pode resolver uma questão com uma ou algumas atitudes relativamente simples. Falo relativamente por causa dos pesos, dos significados que cada um dá a seus problemas. Mas em linha geral, a falta de atitude é o que impera, a falta de coragem para dar o próximo passo que poderia tirar a pessoa daquela situação em que se encontra e que erradamente chama de angustiante.

Angústia é aquele aperto no peito que sentimos diante do que não temos controle. Não sei se consigo me fazer entender, mas pelo menos comigo, sinto-me angustiado quando a solução de uma questão não depende só de mim. É a espera, é a ansiedade, é algo que não está sob meu inteiro comando o que me angustia. Diante disso, não sei mesmo o que fazer para aliviar a tensão que a angústia causa. Já confundi sentimentos como todo mundo, mas também já consigo isolar cada um deles, dando os nomes e significados certos a cada um.

Não é fácil, é um processo lento, mas tem que ser feito. Detectar cada dorzinha isoladamente faz com que talvez achemos a solução de forma mais fácil no futuro. Já falei aqui que uso uma espécie de compartimentos mentais, onde procuro colocar cada coisa em seu devido lugar.

Há, nesse “armário mental”, uma gaveta só para as angústias. Não são poucas. Cada vez que abro para colocar uma angústia nova, vejo as velhas que ainda apertam o peito. Umas sem qualquer possibilidade de obtenção de respostas nessa vida, outras ainda esperando a boa vontade das “outras partes” envolvidas, algumas esperando ajuda Divina, outras esperando que eu re-signifique para colocar em outra gaveta, enfim, coisas que provocam angústia não faltam nesse mundo.

Mas há que se fazer algo, pelo menos para aliviar toda essa tensão. Há que se tentar buscar as respostas, os caminhos. Nem que seja aos poucos, um passo de cada vez, mas com um objetivo claro. Tudo bem que a ansiedade nos leva a querer resolver tudo de uma vez, mas estamos falando aqui de angústias, certo? Que são aquelas coisas que não dependem só da nossa vontade… Infelizmente.

Olhando mais a fundo essa questão toda, será mesmo que há uma epidemia de angústia ou nós é que temos a tendência de supervalorizar os problemas? Olhando bem de perto, cada coisinha, será que não dá mesmo para resolver um monte delas? Será que às vezes não somos covardes diante das dificuldades? E só mais uma perguntinha: Será que as soluções, as respostas estão mesmo fora do alcance das nossas mãos?

Vou pensar sobre isso e quem sabe encontro as respostas…

MM

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Enganando a Mente

Pois é… aqui estou eu, pensando em coisas. Incrível a capacidade da mente humana. Dizem os cientistas que nem dá para medir isso. Realmente é uma loucura pensar em tudo o que essa coisa que nem conseguimos “pegar” ou sequer entender é capaz de fazer.

Como temos consciência que podemos enganar – ou tentar – nossa mente se é justamente ela a responsável pela parte consciente de nós mesmos? Vixi! Viajei na maionese…

Desculpem, mas acho que ando bebendo muita Coca Zero. Deve ter afetado alguma coisa.

Mas é isso o que acontece, passamos boa parte do nosso precioso tempo aqui nesse Planeta tentando enganar nossas mentes. Se estamos com um problema – desde que não financeiro – uma passadinha no shopping resolve. Nada como bolsas, sapatos, tênis e relógios para nos fazer acreditar que o nosso mundinho particular é cor de rosa. No caso dos meninos, azul. No caso dos gays, um arco-íris.

Um novo casinho sem importância cura uma ferida aberta deixada pelo ex-amor. Uns goles a mais eliminam qualquer angústia sentida. E assim por diante…

Nós temos uma capacidade tão grande de nos enganar que nem levamos em conta que essas supostas soluções são absolutamente temporárias. Conheço gente que para fugir de problemas familiares resolve dar um tempo em outro país, esquecendo-se evidentemente que uma hora ou outra vai ter que voltar e encarar o problema de frente.

O que somos, afinal, seres fracos? Bem, a coisa não pode e nem deve ser definida assim como se fosse um laudo simplista. Fraqueza todo mundo tem, mas daí a afirmar que somos fracos é exagero. Ter fraquezas não torna uma pessoa fraca indefinidamente. Ainda bem.

O Ego tem lá seus mecanismos de defesa. Se quiser saber mais a respeito, basta procurar no Google que você encontrará explicações e mais explicações sobre isso. A grande sacada nem é ficar preso às teorias e sim detectar isso e lutar contra.

Quando estudei psicologia, falávamos muito sobre esses mecanismos. Prepotente que sou, cheguei a propor em classe que o nome Mecanismos de Defesa deveria ser substituído por Mecanismos de Ataque.

É o que penso. O que teoricamente deveria nos defender, a longo prazo acaba por nos atacar.

Não conheço uma só pessoa que não faça uso desses mecanismos, seja lá em qual situação for, pois existem vários desses dispositivos. Sim, agora me lembro bem, usei a palavra dispositivo como se fosse uma espécie de detonador, daqueles de filmes com explosões.

É isso o que causa usar indiscriminadamente, explosões. Quem usa excessivamente os mecanismos de defesa do Ego acaba por explodir, ou implodir.

Quando explodimos, extrapolamos e saímos destruindo tudo o que está em nossa volta. As relações, o trabalho, a família, enfim, tudo. Quando implodimos, aí é pior porque nos destruímos. Pensamento egoísta, não? Falar que implodir é pior do que explodir… Mas é assim que todo mundo pensa, alguns como eu têm a coragem de assumir, nada além disso.

A vida cobra a conta, com o passar dos anos descobrimos que nos “defendemos” da realidade, para não dizer, substituímos. Mal se corta pela raiz. Depois que a “arvore” cresce é bem mais complicado derrubar.

Eu vivo me enganado, ou melhor, tentando tapar o sol com a peneira. Tento não fazer isso, mas é mais forte que eu. Por enquanto. Já fui pior, é claro. E, se já fui pior, significa dizer que hoje sou melhor. Pelo menos já sei detectar quando e como estou tentando enganar minha mente.

E você, sabe? Faz algo pra evitar essa implosão que mais cedo ou mais tarde vai te assolar?

O que eu sei é que um belo dia acordei e lá na frente do meu espelho perguntei:

– O que você está tentando fazer com você mesmo? Não percebe que ficar se enganando o tempo todo é o mesmo que tentar se matar usando uma bala de festim?

MM

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