Sintonia

Eis que surge a possibilidade de fazer uma palestra numa convenção de uma grande empresa que terá como tema, objetivo e metas para o ano que vem o conceito: Sintonia.

E o que vem a ser Sintonia? Segundo o dicionário, tirando-se o significado relacionado a sintonizar uma rádio, por exemplo, a idéia de sintonia é essa: Reciprocidade, harmonia entre seres, entre coisas ou entre seres e coisas.

E como é que se consegue isso? Tem pra vender na esquina? Depende. Se for algo como sintonizar um ambiente, sim, tem pra vender na esquina. Se for para sintonizar pessoas com coisas, sim também, basta você comprar o que realmente gosta, precisa e que faça você se sentir bem com o objeto.

Sintonizar pessoas com empresas não fácil, mas também não é impossível. Até podemos trabalhar em empresas que nos despertem alguma identificação, mas a verdade é que trabalhamos nas empresas que nos dão emprego. Mais ou menos como dizer que… somos escolhidos e não que escolhemos. Mas pode-se dar sorte, não?

Já a sintonia entre pessoas é bem mais complicado, isso não se cria, não se compra, apenas se detecta. Ninguém, quando conhece outra pessoa, sai correndo para o açougue comprar dois quilos de sintonia moída e sem osso.

Sintonizar pessoas é um processo de descobertas. Descobre-se gostos, afinidades, atitudes, percepções e por aí vai. Tudo isso vai criando uma identificação natural. Não é algo que possa ser imposto.

Se é impossível exigir que duas pessoas tenham a mesma sintonia, como fazer com uma empresa com centenas ou milhares de funcionários? (Me recuso a escrever “colaboradores” porque no meu entender, quem colabora trabalha de graça)

Não venham dizer que se deve criar um ambiente familiar porque aí eu passo mal. Nada é mais “fora de sintonia” do que uma família. Quando vejo alguém dizer que… “nossa empresa é uma grande família”, fico até tremendo, imaginando que se numa pequena família a coisa já desanda, como seriam as coisas numa grande.

Mas tem que haver solução, para tudo nessa vida há uma. O lance é descobrir o tal do “como”. O que fazer já se sabe, o problema está em como fazer. Não dá para simplesmente demitir todo mundo e contratar funcionários com a mesma sintonia. O desafio está justamente nesse ponto, criar um mecanismo para que haja – da melhor maneira possível – essa integração de mentes.

Quando se tem um desafio desse naipe, eu sugiro que se comece de baixo para cima, respeitando obviamente a meta imposta pelo comando da corporação. Recebe-se o objetivo que deve ter sido exaustivamente discutido por este comando e pula-se do topo da pirâmide para a base, começando lá de baixo a detectar a melhor maneira de se conseguir alcançar a meta estabelecida.

Sei que os exemplos devem vir de cima, mas num caso desses não. Até porque ninguém está atrás de exemplos e sim de soluções. Cabe à Diretoria estabelecer as metas e aos funcionários executá-las. Por isso chamo de funcionários mesmo, porque eles devem fazer a engrenagem “funcionar”. E isso é o que eu respeito. Mudar palavrinhas é pura perda de tempo e nesse caso, de foco.

Eu caminharia pelo envolvimento e pelo comprometimento. Mesmo sabendo que sintonizar várias mentes é intangível, acho que poderíamos chegar bem perto disso se houver uma conscientização de que todo mundo terá que deixar seus egos de lado para que a empresa atinja o nível de excelência que busca.

Deixar egos de lado é um dos processos que mais exige dos seres humanos. Todo mundo, o tempo todo, busca seus interesses em primeiro lugar. Ultrapassar essa barreira não é nada simples, mas bem possível e, uma vez que se consiga isso, ao menos dentro da empresa, tenho certeza de que o todo sairá beneficiado.

MM

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Publicado em Ego. 2 Comments »

2 Respostas to “Sintonia”

  1. Fernanda Says:

    Sintonias, afinidades, semelhanças… são esses os fatores que unem as pessoas…

    E são esses oa laços que permanecem… até formam-se alguns provenientes de pessoas opostas, mas esses relacionamentos não viram. Cada vez mais sou adepta da frase: semelhante atrai semelhante, contrariando a Lei da Física.

    Bjs e boa semana

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  2. Dalbergia Says:

    Muito bom! Sabe que você tem razão? Colaborador é um compromisso frágil…funcionário é fundamental.
    Gostei do caminho do envolvimento. Quando as metas são claras e cada um sabe o seu lugar e o que fazer, ainda assim é preciso o envolvimento. Eu me envolvo quando estou conhecendo e desejando as metas e me dedico muito quando sinto a estima do sistema e dos líderes por mim e pela minha equipe. Me envolvo quando me sinto respeitada, reconhecida e importante. Me envolvo quando respeito, reconheço e valorizo.

    A empresa pode criar um ambiente favorável a auto-estima das pessoas de uma equipe, mas ela vai depender de cada indivíduo. A empresa pode oferecer o respeito e o reconhecimento da meta alcançada (estima) e vai receber em troca o meu envolvimento pessoal e compromisso.

    Ai… eu e minhas análises… parece tudo tão fácil…

    Eu entendo a divergência quanto a comparação de uma empresa com uma família, entendo mas continuo vendo muitas semelhanças entre estes dois sistemas. Semelhanças inquietantes. Existe uma hierarquia, né? Respeitar os pais às vezes é difícil, mas imagina aí respeitar, reconhecer e valorizar o Presidente da República? Como é que faz pra ter envolvimento num sistema desse?

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