Virando a Página

Por que será que temos tanta dificuldade em virar a página? Que força é essa que nos prende em coisas ou pessoas que não merecem mais nossa atenção? Ou pior, que nos fazem mal? Pois é, essa força deve ter um nome, mas eu não sei qual é, apenas sei que ela existe.

Pode ser até mesmo algo bem louco e que só existe em nossas mentes, aquele sentimento besta que temos… ruim com ele, pior sem ele. Isso vale para tudo e não só para relações entre pessoas.

Eu leio muito, vejo filmes, analiso personagens, até novela ando vendo para ver como os autores constroem seus heróis e seus bandidos. Leio alguns Blogs, às vezes uns bem pessoais mesmo, como eram pra ser os Blogs que nasceram para ser diários de quem os escreve. Leio cada coisa, cada sentimento profundo, cada medo…

Não sei se tem algo a ver com culpa ou até mesmo com aquela tendenciazinha que temos de ser masoquistas, já tão falada nesse Blog aqui. O fato é que todo mundo está sempre preso a um sentimento ruim do passado, da página anterior. Quando pensamos em virá-la, sei lá o que acontece que surge uma força que nos imobiliza a mão impedindo que passemos a escrever a página seguinte. O tal do próximo passo.

Claro que em algum momento a gente rompe essa barreira, afinal de contas, se não fosse assim, todos nós estaríamos presos às nossas primeiras páginas. Sim, a vida é um grande diário e mesmo para aqueles que não colocam suas experiências num caderno qualquer, temos uma espécie de diário mental e lá ficam escritas todas as coisas que fazemos, tudo o que sentimos, toda a nossa percepção do mundo, das pessoas e de nós mesmos.

Pior é que quando temos que “virar uma página”, seja lá a questão que for, jamais nos lembramos como fizemos na última vez em que fomos obrigados a fazer o mesmo. Não usamos nossa experiência e nem a memória para tomar uma atitude parecida. Dá medo, volto a repetir, medo do… ruim com ele, pior sem ele. E isso é uma afirmação quando deveria ser uma pergunta.

Se fosse uma pergunta, todos teríamos a resposta na ponta da língua. Como afirmação ficamos imobilizados nessa crença estúpida.

Cordão umbilical se corta com tesoura bem afiada e não com faquinha de plástico de rocambole Pullman. Acho até que se pudéssemos escolher quando recém nascidos, jamais cortaríamos os nossos cordões umbilicais que nos prende em nossas mães, afinal de contas, é uma situação confortável, não?

Pois é, na vida, mesmo que a situação não seja tão confortável, sempre damos um jeitinho de enganar nossos próprios sentimentos para transformar algo ruim em algo confortável. Tudo bem, temos de verdade que tirar algo de bom de tudo o que nos acontece, mas inventar coisas boas já é um pouco demais.  

Aprendi muito cedo a cortar as coisas, eliminar da vida o que não me faz bem. Desde a minha adolescência eu entendi que tinha que virar a página sem medo. Seguir os instintos. O problema é que a adolescência passa e quando nos tornamos adultos temos mais bagagem para levar em conta e mais medo também.

Atitudes que tomava instintivamente passaram a ser ponderadas e mesmo quando havia a certeza de que virar a página era o caminho certo, aquela pontinha de medo surgia. Felizmente nunca me senti bloqueado, apenas temporariamente imobilizado.

Acho que isso acontece com todo mundo, mais cedo ou mais tarde quebramos o gesso e seguimos em frente. O problema é o tempo que ficamos engessados e no pior cenário, conscientes de que temos que romper certas barreiras e não fazemos nada.

Eu preciso fazer isso urgentemente numa área da vida. Felizmente não é nada relacionado a pessoas, essa parte da vida eu já arrumei. Já rompi com quem deveria, já virei páginas e mais páginas, deixando cada coisa no seu devido lugar, lá no passado de preferência.

É a parte mais difícil de equacionar. Ninguém vive sem se relacionar e quando há que se deixar no passado as experiências e as pessoas com quem tivemos algum tipo de convívio é bem complicado, mas absolutamente necessário.

Ando lendo muita coisa. Ando percebendo muita tristeza nas pessoas e na maioria das vezes essas questões estão ligadas às relações. É preciso tomar uma atitude definitiva, é preciso cortar os cordões, é preciso virar a página e começar a escrever novas histórias, tendo em mente que nada nessa vida vai durar para sempre. Infelizmente, eu sei.

Como todo mundo, já tive e ainda tenho passagens que gostaria de perpetuar, mas por outro lado, também já tive muitas que quis e consegui interromper.

De qualquer forma, sejam boas ou ruins, tudo o que já foi escrito, ficou para trás. A dica que eu dou é o que faço: Não se deve ficar relendo essas coisas todos os dias, aliás, nem de vez em quando que é para não ter nenhum tipo de recaída que não vai levar a nada, a não ser a mais sofrimento.

MM

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Publicado em Ego. 8 Comments »

8 Respostas to “Virando a Página”

  1. Vagner de Castro Says:

    Lindo texto , estou querendo virar uma pagina e ela insiste em permanecer aberta bem na parte que me faz mal, Me fazendo a pergunta vc vai virar mesmo sem entender porque ? não está fácil porém preciso virar e mesmo sem entender o porque. aprendi bastante com seu ponto de vista , espero Virar a pagina agora.

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  2. Marleon Says:

    Não é difícil virar a pagina…
    o difícil é esquecer o que tem antes dela.

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  3. LIA Says:

    Virar a página?? Hahahaha….o difícil não é virar a página! Pra mim o difícil é deparar- se com o NOVO, o DESCONHECIDO! Por isso que pra muitas pessoas o “virar a página” acaba sendo um martírio. O encontro com o desconhecido gera medo e o medo impede de mudar a vida. Infelizmente uma coisa puxa outra e assim vamos vivendo ou melhor , fingindo que vivemos no mundo (i)rreal.

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  4. Fernanda Says:

    Mto difícil, mas o “feng shui” é necessário.

    Nessa época de fim de ano sempre fazemos balanços, promessas para o próximo, mas as colocamos em prática, mesmo??

    Virar a página é bem complicado!! Mtas vezes não depende só de nós. Mas, qdo depende, temos mais é que jogar fora o que não nos faz bem.

    Bjs

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  5. guethinha Says:

    só tenho a dizer que os comentários complementam o texto.

    Muito bom!

    Bjs

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  6. Breno Says:

    Um excelente ponto de vista em um necessário momento. Parabéns pelo texto.

    Talvez não seja o apego ao passado, mas sim o estado conscencial que atingimos do qual não queremos abrir mão temendo que o futuro não nos possa propiciar tal experiência novamente. Acorrentamo-nos às ilusões e aos fantasmas de outrora em busca de respostas nas entrelinhas, mas no fim, percebemos que somente nós as preenchemos, e daí advém o vazio existencial.

    Obrigado pelas palavras sábias. Serei seu leitor assíduo em diante!

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  7. Tatiana Says:

    Pois é, MM…

    Mais uma vez vc publica um texto bem no momento em que ele precisa ser lido!
    Virar a página é sim muito complicado, e muito subjetivo tb… há páginas que viramos com tamanha facilidade que surpreendem a todos – e também a nós mesmos! E outras que já estão até com “orelhas” de tanto que tentamos virar e elas teimam em ficar! rsrsrs
    😉

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  8. Dalbergia Says:

    Não gostei nada dessa idéia não. E fico irritada por não conseguir contestá-la. Minhas páginas ficaram amassadas aqui.
    Ontem eu estava observando que dei uns passos para trás.
    Espero te contestar em breve.

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