Sintonia

Eis que surge a possibilidade de fazer uma palestra numa convenção de uma grande empresa que terá como tema, objetivo e metas para o ano que vem o conceito: Sintonia.

E o que vem a ser Sintonia? Segundo o dicionário, tirando-se o significado relacionado a sintonizar uma rádio, por exemplo, a idéia de sintonia é essa: Reciprocidade, harmonia entre seres, entre coisas ou entre seres e coisas.

E como é que se consegue isso? Tem pra vender na esquina? Depende. Se for algo como sintonizar um ambiente, sim, tem pra vender na esquina. Se for para sintonizar pessoas com coisas, sim também, basta você comprar o que realmente gosta, precisa e que faça você se sentir bem com o objeto.

Sintonizar pessoas com empresas não fácil, mas também não é impossível. Até podemos trabalhar em empresas que nos despertem alguma identificação, mas a verdade é que trabalhamos nas empresas que nos dão emprego. Mais ou menos como dizer que… somos escolhidos e não que escolhemos. Mas pode-se dar sorte, não?

Já a sintonia entre pessoas é bem mais complicado, isso não se cria, não se compra, apenas se detecta. Ninguém, quando conhece outra pessoa, sai correndo para o açougue comprar dois quilos de sintonia moída e sem osso.

Sintonizar pessoas é um processo de descobertas. Descobre-se gostos, afinidades, atitudes, percepções e por aí vai. Tudo isso vai criando uma identificação natural. Não é algo que possa ser imposto.

Se é impossível exigir que duas pessoas tenham a mesma sintonia, como fazer com uma empresa com centenas ou milhares de funcionários? (Me recuso a escrever “colaboradores” porque no meu entender, quem colabora trabalha de graça)

Não venham dizer que se deve criar um ambiente familiar porque aí eu passo mal. Nada é mais “fora de sintonia” do que uma família. Quando vejo alguém dizer que… “nossa empresa é uma grande família”, fico até tremendo, imaginando que se numa pequena família a coisa já desanda, como seriam as coisas numa grande.

Mas tem que haver solução, para tudo nessa vida há uma. O lance é descobrir o tal do “como”. O que fazer já se sabe, o problema está em como fazer. Não dá para simplesmente demitir todo mundo e contratar funcionários com a mesma sintonia. O desafio está justamente nesse ponto, criar um mecanismo para que haja – da melhor maneira possível – essa integração de mentes.

Quando se tem um desafio desse naipe, eu sugiro que se comece de baixo para cima, respeitando obviamente a meta imposta pelo comando da corporação. Recebe-se o objetivo que deve ter sido exaustivamente discutido por este comando e pula-se do topo da pirâmide para a base, começando lá de baixo a detectar a melhor maneira de se conseguir alcançar a meta estabelecida.

Sei que os exemplos devem vir de cima, mas num caso desses não. Até porque ninguém está atrás de exemplos e sim de soluções. Cabe à Diretoria estabelecer as metas e aos funcionários executá-las. Por isso chamo de funcionários mesmo, porque eles devem fazer a engrenagem “funcionar”. E isso é o que eu respeito. Mudar palavrinhas é pura perda de tempo e nesse caso, de foco.

Eu caminharia pelo envolvimento e pelo comprometimento. Mesmo sabendo que sintonizar várias mentes é intangível, acho que poderíamos chegar bem perto disso se houver uma conscientização de que todo mundo terá que deixar seus egos de lado para que a empresa atinja o nível de excelência que busca.

Deixar egos de lado é um dos processos que mais exige dos seres humanos. Todo mundo, o tempo todo, busca seus interesses em primeiro lugar. Ultrapassar essa barreira não é nada simples, mas bem possível e, uma vez que se consiga isso, ao menos dentro da empresa, tenho certeza de que o todo sairá beneficiado.

MM

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Thanksgiving Day

Hoje é Dia de Ação de Graças, feriado comemorado e celebrado nos Estados unidos e no Canadá, mas nada impede que outros países o façam. Lá em casa minha mãe comemorava esse dia sempre convidando pessoas diferentes para o famoso e delicioso peru. Ela queria que a idéia se espalhasse. Era bem intencionada essa minha mãe.

Basicamente é um dia de agradecimento, normalmente a Deus, pelas coisas boas que aconteceram durante o ano. Sempre é comemorado na última quinta-feira do mês de novembro.

Depois de mais um ano turbulento, recheado de altos e baixos – mais baixos do que altos – logo de manhã fui para frente do espelho e perguntei a mim mesmo: Agradecer o que, exatamente?

Pois é… sempre há o que se agradecer. Alguns agradecem por mais um ano vivido, outros pela saúde, alguns raros no meio dessa crise toda pelo sucesso financeiro, enfim, sempre há alguma coisa que devemos ou podemos ser gratos.

No meu caso eu posso agradecer algumas poucas coisas. Outras ainda não, mas quem sabe…

Normalmente agradecemos pouco e pedimos muito. Uma vez escrevi sobre isso, não sei onde exatamente está esse texto, mas lembro bem que disse que entramos na igreja para pedir e muito pouco para agradecer. Normal, eu que sou daqueles que vai à missa todos os domingos, me percebo pedindo bastante.

Naquele mesmo texto a que me referi, lembro de ter dito que sentia certa vergonha disso. Apesar de constar nas escrituras que devemos pedir sempre, eu me sinto meio constrangido. Coisas da minha cabeça doida.

Mas hoje é dia de agradecer, não de pedir. Então voltemos aos agradecimentos… Você aí do outro lado, tem algo a agradecer? Já pensou nisso hoje? Então pense…

Mesmo que não seja religioso, deve fazer esse balanço no dia de hoje. Sei de gente que jamais agradeceria certas coisas, como estar vivo nesse momento, por exemplo. Parece duro pensar assim, mas quem disse que a vida de algumas pessoas é moleza?

Para essas eu digo que devem agradecer mesmo contra a vontade. Passar por momentos difíceis na vida é inerente a tal “jornada aqui na Terra”. Alguns gurus dizem que são nos momentos ruins que a gente cresce. Concordo parcialmente com isso.

Sou adepto da auto-valorização do ser a qualquer custo. Sou integrante daqueles que pensam que devemos aprender com os acertos também. Mas é fato que nos momentos ruins e difíceis das nossas vidas é que exercitamos algo que todos têm, o que chamo de: Poder da improvisação.

Viver é isso, é improvisar o tempo todo, ou quase todo tempo. Sair de “sinucas de bico”, ultrapassar barreiras, desviar das pedras do caminho… uma porção dessas coisas todas.

Já encerrei um texto com um ditado que li certa vez e que eu simplesmente amo. Como estou no meu Blog e aqui posso tudo, encerro novamente com essa frase que é na verdade um pensamento a ser bem digerido. Não só digerido, mas também dirigido a essas pessoas que estão nesse momento passando por “apertos e angústias no coração”.

“Mares tranqüilos não fazem bons marinheiros”.

Assim sendo, aproveito para agradecer as tempestades desse ano. De alguma forma – que talvez ainda nem saiba qual – eu devo ter crescido um pouco mais por causa disso…

MM

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Culpas

Claro que nem podia ser diferente, o texto anterior, Virando a Página deu o que falar, recebi alguns comentários, alguns e-mails e troquei figurinhas sobre o tema com amigos pelo MSN. E o engraçado é que no meio de algumas conversas, apareceu a palavra Culpa. Ou melhor, o sentimento de culpa. Não sei por que, mas é o que aconteceu.

Se bem que pensando um pouco melhor, talvez essa coisa de Virar a Página tenha de fato alguma relação, por menor que seja, mas pode ter sim. Deve ser por que quando temos que tomar a atitude de virar uma página aparece aquela questão já comentada por aqui, o tal do… Mas e se… Ou seja, a dúvida do que estamos fazendo. Mas isso já foi amplamente discutido por aqui. Hoje tenho que falar sobre Culpa.

E eu odeio esse sentimento. Já houve um tempo em que me culpava por tudo e mais, carregava algumas culpas que nem minha eram. Sabe aquela coisa de Mártir? Pois é, algo parecido. Tudo o que acontecia na minha vida eu dava um jeitinho de colocar uma dose extra de culpa no meio. Quando falo tudo, entenda-se TUDO! Coisas das minhas relações com namoradas, amigos, família, situações adversas no trabalho, enfim, qualquer coisa mesmo. Como se o Sol girasse em torno do meu próprio umbigo.

Eu devia é sentir culpa dessa bobagem, mas não, sentia culpa mesmo por qualquer coisa. Um perfeito idiota fraco de cabeça. Sim, é o que penso sobre quem tem essa tendência de ir pegando culpas pelo caminho.

As pessoas são ruins. Ser humano é chamado assim, mas de humano não tem nada. Claro, falo aqui da maioria e não de todos. Alguns ainda têm salvação. Digo que eles são ruins porque quando podem, jogam pra cima de outro ser humano todas as culpas que puderem. As que são deles e mais algumas outras que é pra deixar o fraco – aquele que aceita isso – bem mal mesmo. Não sei por que é que fazem isso, mas fazem.

Bem, tem uma explicação. Apontar os dedos é bem mais fácil do que reconhecer a verdade. E esse reconhecimento deveria funcionar não só quando alguém é culpado e joga essa culpa em cima do outro, como também reconhecer se há de fato algum culpado. Mas não é assim que somos não, adoramos sair apontando dedos e culpando Deus e todo mundo. Só um parêntese: Culpamos Deus também. O tempo todo.

Há coisas que somos culpados, feitas deliberadamente ou sem querer, a verdade é que fazemos coisas erradas. Sobre essas coisas, normal sentirmos culpa. Mas como explicar aquela culpa que sentimos quando não temos nada a ver com a “coisa” em si?

Às vezes, como disse, jogam em cima da gente e a coisa gruda. Lembrando que gruda porque somos fracos e permitimos isso. Outras vezes nem precisam jogar, a gente sai por aí catando culpas e pior, absorvemos isso com uma “clareza” que é impressionante. Clareza cega, eu diria se estivesse a fim de brincar com as palavras. Como não estou, digo clareza porque parece tão nítido que a culpa é nossa de verdade que vou te falar, viu.

Como disse, eu já fui desse jeito. Mas um belo dia, essa visão foi clareando e eu percebi que de burro não tinha nada, ao contrário, sem falsa ou verdadeira modéstia, me sinto um ser dotado de inteligência. Ora, se sou inteligente, porque é que não via as coisas com imparcialidade? Por que não julgava e analisava tudo com imparcialidade? Resposta simples, porque minha suposta inteligência era burra.

A solução para isso é essa, analisar de fora para dentro. Pegue a situação ou a questão que esteja lhe fazendo sentir culpa, saia da sua mente – ou seja, tente ver com clareza toda a situação sem qualquer tipo de sentimento – e decida se você tem ou não alguma responsabilidade. Adoro trocar a palavra culpa por responsabilidade. Enfim, analise com a imparcialidade de um juiz, mas um juiz sério e não corrupto.

Somente fazendo isso você poderá ter todo o controle e equilíbrio necessários para ter uma resposta honesta, seja para com os outros, seja para você mesmo.

Permitir que outros seres “humanos” joguem nas suas costas as culpas que não lhe pertencem é sinal de fraqueza. E podem ter toda certeza do que vou dizer agora: O mundo precisa de gente forte, pois já há fracos demais espalhados por aí.

Se puder dar um conselho e eu posso, jogue fora o que não é seu, me entende? As culpas que não lhe pertencem, esse peso extra que carrega. Tenho certeza que se fizer uma avaliação nesse momento, verá que não é culpado de muita coisa.

MM

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Virando a Página

Por que será que temos tanta dificuldade em virar a página? Que força é essa que nos prende em coisas ou pessoas que não merecem mais nossa atenção? Ou pior, que nos fazem mal? Pois é, essa força deve ter um nome, mas eu não sei qual é, apenas sei que ela existe.

Pode ser até mesmo algo bem louco e que só existe em nossas mentes, aquele sentimento besta que temos… ruim com ele, pior sem ele. Isso vale para tudo e não só para relações entre pessoas.

Eu leio muito, vejo filmes, analiso personagens, até novela ando vendo para ver como os autores constroem seus heróis e seus bandidos. Leio alguns Blogs, às vezes uns bem pessoais mesmo, como eram pra ser os Blogs que nasceram para ser diários de quem os escreve. Leio cada coisa, cada sentimento profundo, cada medo…

Não sei se tem algo a ver com culpa ou até mesmo com aquela tendenciazinha que temos de ser masoquistas, já tão falada nesse Blog aqui. O fato é que todo mundo está sempre preso a um sentimento ruim do passado, da página anterior. Quando pensamos em virá-la, sei lá o que acontece que surge uma força que nos imobiliza a mão impedindo que passemos a escrever a página seguinte. O tal do próximo passo.

Claro que em algum momento a gente rompe essa barreira, afinal de contas, se não fosse assim, todos nós estaríamos presos às nossas primeiras páginas. Sim, a vida é um grande diário e mesmo para aqueles que não colocam suas experiências num caderno qualquer, temos uma espécie de diário mental e lá ficam escritas todas as coisas que fazemos, tudo o que sentimos, toda a nossa percepção do mundo, das pessoas e de nós mesmos.

Pior é que quando temos que “virar uma página”, seja lá a questão que for, jamais nos lembramos como fizemos na última vez em que fomos obrigados a fazer o mesmo. Não usamos nossa experiência e nem a memória para tomar uma atitude parecida. Dá medo, volto a repetir, medo do… ruim com ele, pior sem ele. E isso é uma afirmação quando deveria ser uma pergunta.

Se fosse uma pergunta, todos teríamos a resposta na ponta da língua. Como afirmação ficamos imobilizados nessa crença estúpida.

Cordão umbilical se corta com tesoura bem afiada e não com faquinha de plástico de rocambole Pullman. Acho até que se pudéssemos escolher quando recém nascidos, jamais cortaríamos os nossos cordões umbilicais que nos prende em nossas mães, afinal de contas, é uma situação confortável, não?

Pois é, na vida, mesmo que a situação não seja tão confortável, sempre damos um jeitinho de enganar nossos próprios sentimentos para transformar algo ruim em algo confortável. Tudo bem, temos de verdade que tirar algo de bom de tudo o que nos acontece, mas inventar coisas boas já é um pouco demais.  

Aprendi muito cedo a cortar as coisas, eliminar da vida o que não me faz bem. Desde a minha adolescência eu entendi que tinha que virar a página sem medo. Seguir os instintos. O problema é que a adolescência passa e quando nos tornamos adultos temos mais bagagem para levar em conta e mais medo também.

Atitudes que tomava instintivamente passaram a ser ponderadas e mesmo quando havia a certeza de que virar a página era o caminho certo, aquela pontinha de medo surgia. Felizmente nunca me senti bloqueado, apenas temporariamente imobilizado.

Acho que isso acontece com todo mundo, mais cedo ou mais tarde quebramos o gesso e seguimos em frente. O problema é o tempo que ficamos engessados e no pior cenário, conscientes de que temos que romper certas barreiras e não fazemos nada.

Eu preciso fazer isso urgentemente numa área da vida. Felizmente não é nada relacionado a pessoas, essa parte da vida eu já arrumei. Já rompi com quem deveria, já virei páginas e mais páginas, deixando cada coisa no seu devido lugar, lá no passado de preferência.

É a parte mais difícil de equacionar. Ninguém vive sem se relacionar e quando há que se deixar no passado as experiências e as pessoas com quem tivemos algum tipo de convívio é bem complicado, mas absolutamente necessário.

Ando lendo muita coisa. Ando percebendo muita tristeza nas pessoas e na maioria das vezes essas questões estão ligadas às relações. É preciso tomar uma atitude definitiva, é preciso cortar os cordões, é preciso virar a página e começar a escrever novas histórias, tendo em mente que nada nessa vida vai durar para sempre. Infelizmente, eu sei.

Como todo mundo, já tive e ainda tenho passagens que gostaria de perpetuar, mas por outro lado, também já tive muitas que quis e consegui interromper.

De qualquer forma, sejam boas ou ruins, tudo o que já foi escrito, ficou para trás. A dica que eu dou é o que faço: Não se deve ficar relendo essas coisas todos os dias, aliás, nem de vez em quando que é para não ter nenhum tipo de recaída que não vai levar a nada, a não ser a mais sofrimento.

MM

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Uma Certa Realidade

Nossos problemas pouco interessam aos outros. O problema dos outros também não nos interessa. Isso a grosso modo, pois eu trabalho exatamente com gente, minha função é sempre estar interessado nos problemas dos clientes.

O engraçado é que para mim nem é obrigação, é prazer. Tudo bem, alguém aí do outro lado deve estar fazendo aquela cara de interrogação, tipo… como pode alguém sentir prazer em ouvir problemas dos outros… Mas é verdade, eu tenho mesmo.

Desde sempre. Como fiz aniversário ontem, acabei fazendo aquele balanço que todo mundo faz quando há uma data importante e forcei a memória para me lembrar quando é que comecei a me interessar pela vida dos outros. Não na base da fofoca não, falo de interesse mesmo, uma coisa verdadeiramente preocupada em melhorar o estado de espírito das pessoas.

Deve ser vocação ou sei lá o que, mas é verdade que desde muito novo ouvia as pessoas. Apesar de falar pelos cotovelos e também pela boca, tenho que assumir que sou bom ouvinte. E isso ajuda muito a quem está com uma angústia entalada na garganta.

Compreender as pessoas não é nada fácil. Nem sempre consigo ou consegui ajudar, nem sempre tenho algo a dizer que possa aliviar o problema de alguém, mas acho que só pela tentativa já é um certo tipo de ajuda.

As pessoas têm problemas, muitos mesmo. Uns negam, outros fingem ser felizes, outros não enxergam a realidade e… Bem, escrevi tanto até agora e não disse absolutamente nada, não é? Pois então, vou dizer agora sobre o que quero falar: Realidade.

A realidade é o que afinal? O que todo mundo vê ou algo individual, uma coisa que só a própria pessoa vê? Quantas vezes a gente não fala para os amigos: Você não está enxergando a realidade…

E o que é que isso quer dizer? Que nós, os todo poderosos Deuses do Universo somos capazes de enxergar melhor do que quem está dentro do problema? Parece-me uma prepotência ou uma pretensão danada.

Mas somos assim mesmo, acreditamos que somos capazes de ver o problema do outro melhor do que quem está com o problema. Somos mesmo seres bem estranhos. Mal levamos em conta o que as pessoas pensam, crêem, sentem e já as rotulamos de cegas. Cegueira não seria exatamente isso, não ver como é que o outro percebe sua própria existência?

Pois é, não é nada fácil lidar com gente. É preciso fazer bom uso da empatia e, uma vez no lugar do outro, tentar entender porque a pessoa enxerga as coisas dessa maneira. Todo mundo tem um motivo para fazer o que faz, para sentir o que sente, para ver o que quiser e mais, para viver da maneira que lhe cabe dentro do que conhece de si mesmo. Complicado isso, não?

Reparem, nós temos sempre a solução para o problema do outro. Sempre! Solução nossa, que fique claro, e… solução para o outro. Falo isso porque dentro de cenário, nem sempre vamos usar a solução que damos aos outros se estivermos com um problema parecido.

Isso tudo também quer dizer uma coisa: O problema do outro é sempre menor do que o nosso. Mas isso é uma mentira deslavada e descarada. O que parece ser simples em nossa visão nem sempre o é e, afirmo novamente, é simples quando é problema do outro porque se fosse nosso, seria um Deus nos acuda.

A dica que eu dou é simples, na próxima vez que quiser ajudar um amigo com problemas, tente entender o que aquele problema significa para ele e não para você, afinal, quem está com problemas é ele.

Ao fazer isso, você estará enxergando a realidade, mas a realidade do amigo necessitado e não a sua… Até porque, se o problema fosse seu, será que você veria tudo com tanta lucidez?

MM

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Ciclos da Vida

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Será mesmo que a vida é feita de ciclos? Parece. Dizem por aí que há diversos ciclos, mas eu só acredito em um, o que muda a cada ano. Já me falaram certa vez que há um ciclo importante, que muda a cada sete anos. Será?

Hoje é meu aniversário, em minha cabeça, mais um ciclo termina dando lugar a outro, é o que chamo de meu ano novo, meu réveillon particular.

Claro que estou falando do ciclo de um ano, mas, além disso, estou fazendo força para acreditar que exista também o ciclo de sete anos. Andei tentando lembrar como é que foram os ciclos de sete anos anteriores. Estou fazendo umas contas e percebo que já vivi sete ciclos de sete anos. É muito número sete para minha cabeça, mas vamos em frente.

Vamos levar em conta que esse ciclo exista mesmo. Já andei fazendo umas pesquisas na Internet, naqueles sites que dizem coisas como os horóscopos, sabe o tipo, aqueles que vêm com fórmulas prontas… Dos 7 aos 14 é um período de tal coisa… Dos 21 aos 28, bla, bla, bla. Pois é, cético que sou em relação a essas coisas, desliguei o computador e pensei nos meus próprios ciclos, o que aconteceu em cada um deles sem levar em conta as forminhas prontas desses malucos que estudam as coisas do além.

Como já vivi alguns desses ciclos, uns foram mais legais do que outros, acho que nem poderia ter sido diferente. Em todos eles ocorreram mudanças profundas e, agora que mais um desses se inicia, espero que não seja diferente, há mudanças que precisam ser feitas e espero que aconteçam. Aconteçam numas, não dá pra esperar que caiam do céu, toda e qualquer mudança só ocorre quando damos um empurrãozinho…

Não sei por que, mas o que me vem à cabeça é fazer uma analise desse último ciclo que vivi e que hoje termina. Nem deve ser problema de memória, como este foi o mais recente ainda está fresco na mente, acho que não é por isso. Talvez seja porque ele deve ter sido o mais turbulento de todos. Altos e baixos, mais baixos do que altos, ou melhor, os altos nem foram levados tão em conta por causa dos baixos.

Fiz muita coisa nesses últimos sete anos. Realizei sonhos antigos, passei momentos bons fazendo coisas “erradas” aos olhos da sociedade, tive decepções devastadoras, criei situações que foram de tirar o chapéu, mudei radicalmente algumas coisas de trabalho, outras não mexi uma só vírgula, enfim, como toda a minha vida tem sido, foram anos intensos.

Agora seria o momento de fazer uma lista de resoluções, aquelas que a maioria faz no ano novo. Eu costumava fazer no meu aniversário. Já não faço há algum tempo, mas talvez devesse fazer. Não sei se consigo.

Talvez devesse porque há coisas que devem ser ajustadas, outras alteradas de forma mais profunda. Não sei se consigo porque nas últimas vezes que fiz essa lista, pouca coisa foi cumprida. Como disse no texto anterior, gera uma expectativa e uma ansiedade absolutamente desnecessária.

Gosto do conceito do improviso. Para falar a verdade, analisando tudo o que fiz na vida, as melhores coisas saíram quando não foram programadas. Os momentos mais marcantes, as relações mais intensas, as realizações mais vibrantes foram todas construídas tendo como base a improvisação. Mudar por quê?

É, não farei nenhuma lista não. Melhor deixar as coisas acontecerem, seguirem seu curso natural. Até porque eu gosto de mudanças e não quero ficar preso a uma lista pré-concebida. Ela deverá ser alterada no decorrer do próximo ano, ou no próximo ciclo de sete anos.

Se fosse fazer uma lista, ela nem seria lista, teria apenas um item:

1)    Não programar nada!

MM

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Pré-ansiedade

ansiedade 2

Queria ter um dia de folga, mas não um dia apenas, falo em uma mudança geral no calendário do mundo, um dia de folga por mês para todos. Mais ou menos assim, toda segunda quinta feira do mês é dia de folga. Um decreto mundial.

Mas há que se ter regras para esse dia, a principal delas é não ter nenhuma preocupação, quando falo nenhuma, falo de verdade, preocupação de nenhuma espécie. Nada mesmo. Um tipo de Folga Mental. Já imaginaram? Seria bom, não é?

Acredito que sim, penso que todos deveriam ter essa experiência de folga mental de vez em quando. Um dia sem preocupações, sem compromissos, sem contas para pagar, sem culpas, sem expectativas e até mesmo sem sonhar.

Como se nossa mente fosse retirada de nós e enviada para o conserto ou para a revisão. Mas ainda assim, nós teríamos a consciência disso. Estaríamos aqui, nos lembraríamos de tudo o que acontecesse nesse dia, mas sem qualquer influência do passado e do futuro. Sim, o futuro nos influencia muito por causa das preocupações e expectativas.

Quase que poderia afirmar sem medo de errar que o amanhã afeta tanto que pode modificar tudo o que acontece hoje. Assim como o passado afeta o presente por coisas que aconteceram, o amanhã afeta por preocupações com o que pode ou não acontecer. Esse ponto é importante.

Há uma valorização da preocupação com o que pode não acontecer. Prevemos o pior e isso é o que gera a maldita ansiedade presente em todas as mentes. Uns mais outros menos, o fato é que não há nesse mundo um ser que viva sem ela. E aprendi que ansiedade é sempre ruim. Eu teimo em contestar essa afirmação, mas ainda não consegui comprovar minha própria teoria.

Reler o que escrevi até agora me fez pensar em uma coisa. O que estraga tudo, o que nos deixa doidos então é a ansiedade provocada pela expectativa. Ok, acho que isso está bem claro até mesmo para minha mente confusa. Aí eu pergunto:

Por que é que teimamos em provocar a ansiedade? É verdade mesmo, nós a provocamos o tempo todo, como se a cutucássemos com vara curta. Vejam um exemplo besta, mas que cabe muito bem nessa época do ano.

A maioria de nós faz a tal lista de resoluções de ano novo. Mesmo que não façamos bonitinha, escrita num papel, na mente a gente faz sim. Desejamos que o ano que virá seja sempre melhor do que ano em que estamos, fazemos planos, sonhamos exageradamente com o improvável, enfim, as listas são intermináveis.

Aí, o tempo passa, durante o ano que estamos vivendo constatamos que muito pouca coisa do que desejamos e projetamos de fato ocorre. Por diversos motivos, mas independente disso, passamos o ano todo na expectativa de que tudo seja, ou fosse, alcançado e realizado ao pé da letra.

Ora, fazer essa lista vem a ser o que senão uma provocação da própria ansiedade? Passamos o ano todo ansiosos e quando chega o final de mais um ano, lá vamos nós fazer a famosa lista novamente. Ficar com esse pedaço de papel cheio de itens relacionados e gerar expectativas vai ser útil pra que?

Pois é, nem todos são masoquistas, mas de certa forma a gente bem que gosta de um sofrimento, viu? Por outro lado, como evoluir, crescer sem fazer planos? Sem ter metas? Sem buscar os objetivos que entendemos fazer parte da construção da nossa felicidade? Difícil equacionar tudo isso…

Eu bem que gostaria de ter essa resposta, mas infelizmente ainda estou procurando. Mas se pudéssemos ter esse dia de folga, talvez… Ah, nada disso, apaguem tudo o que escrevi lá em cima, isso de nada nos serviria. Quando esse dia terminasse, lá estaríamos nós fazendo planos, nos preocupando com as metas não atingidas, tentando nos culpar, nos esforçando para descobrir os porquês de nossas atitudes.

É, nossas mentes funcionam assim mesmo, são grandes geradoras de conflitos. Fazer o que, mais um final de ano se aproxima e lá vamos nós fazer mais e mais listas que vão gerar mais e mais expectativas e assim, a pré-ansiedade.

MM

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