Cicatrizes

Coração

Hoje vou falar de um assunto que nunca falei: Cicatrizes. Parece pesado, parece meio deprê, mas não é por aí… ou talvez seja… ah, sei lá.

O fato é que ao longo da vida vamos colecionando cicatrizes, algumas internas que só a gente sabe, outras externas que não temos como escondê-las. A verdade é que esse processo, sim, é um processo, vem lá de longe, desde os tempos de criança quando caímos e batemos a cabeça no canto da mesa…

Brincadeiras à parte, algumas cicatrizes vem de lá mesmo. Mas não quero aqui falar de crianças e traumas de infância, sei que eles existem, Freud cansou de falar sobre isso e acho que ele já disse tudo. Algumas bobagens monstruosas, mas também falou coisas interessantes.

Passemos para a adolescência. Em minha opinião, algumas das piores marcas que trazemos surgem nessa fase, onde nos entendemos por gente. Para certas pessoas a adolescência é um verdadeiro inferno, rebeldia sem causa, transgressões sem fundamento, enfim, é um período meio doido. Acho que vou pular essa parte, afinal, sei que meus leitores já passaram dessa etapa conturbada da vida. Vamos para a fase adulta.

Na opinião de vocês, qual é a maior fonte produtora de cicatrizes, o amor, família, amigos…?

Eu misturaria tudo. Tenho marcas aqui dentro provenientes de todas essas “fontes” aí de cima. Mas nada que me faça lamentar não, acho que de tudo o que vi e recebi aprendi um pouco, aprendi a me conhecer e a tentar evitar que essas marcas fossem repetidas. Notem que eu disse tentar, o que não quer dizer… conseguir.

Mas eu tento sim com todas as minhas forças e tenho um grande aliado nesse processo, um grande problema que, apesar de problema, me ajuda muito: A cicatrização. Não só literalmente por causa da diabete, mas eu sempre tive esse problema, uma ferida demora para cicatrizar. Manter a ferida aberta ajuda a não permitir que uma nova ferida do mesmo tipo apareça.

Sendo bem sincero, algumas nunca cicatrizam e eu pretendo manter as coisas desse jeito. Se alguém quiser levar isso para o lado do rancor, fique à vontade. Além de rancoroso master plus sou também vingativo. Dou a desculpa que é por causa do meu signo, escorpião, mas isso não cola muito não. Sem problema, eu assumo numa boa esse lado negro da força. Opa, desculpem, vou reformular a frase: Assumo esse lado Afro-descendente da força. (Não quero parecer racista nem politicamente incorreto)

Feio admitir isso em público, mas é a verdade, quando menos se espera, eu me vingo. Antes de me julgar, pense aí, você não se vinga das coisas que te fazem? De nenhuma forma? Como pode alguém deixar passar em branco as coisas ruins que sofrem? Eu não entendo, mas respeito, cada um age de um jeito, mas uma coisa eu falo, o mundo já tá cheio de impunidade.

Existe também o outro lado da moeda, coisas que fazemos, cicatrizes que provocamos nos outros e que fazem um mal danado a eles. Então… a vida é assim mesmo, no universo das relações humanas há sempre alguém machucando alguém. É assim que a roda gira. Não há nesse mundo alguém que passe batido pela vida sem machucar e se machucar. Faz parte do esquema, faz parte do jeito… humano de ser.

Tentar apagar as marcas é uma tarefa árdua e nem sempre somos bem sucedidos nisso, há que se tentar, pelo menos tentar viver com elas. Ontem, enquanto escrevia este texto eu pensava nas marcas que apaguei, nas que não apaguei e aí me veio uma pergunta na cabeça:

– O que é mais fácil, esquecer alguém que te fez mal ou esquecer o mal que alguém te fez?

Como não podia deixar de ser, meu Id e meu Superego apareceram para me “ajudar” a responder a essa indagação. Depois de muita “briga”, cheguei à conclusão que é mais fácil esquecer o mal, mas eu prefiro mesmo é esquecer a pessoa…

MM

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Publicado em Ego. 13 Comments »

13 Respostas to “Cicatrizes”

  1. Angela Says:

    MM,

    CORAJOSO admitir que tem , só pra quem pode, rsrsrs….Eu tbém tenho o LADO NEGRO DA FORÇA, kkk…e é exatamente assim…e não sou de escorpião…kkk

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  2. Bárbara Says:

    Ahhh já ia me esquecendo… eu penso que: Esquecer o mal sempre é mais facil….. embora muitas vezes nós queremos mesmo é esquecer a Pessoa, acontece que, impossivel esquecer uma pessoa.. porque quando alguém bate em nossa porta seja para ficar ou não, faça o bem ou faça o mal…. essa pessoa se torna parte da nossa historia de vida, se torna um prolongamento nosso… seja para o bem ou para o mal…. e isso… de fato não podemos mudar!!!

    Beijos,

    Bá.

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  3. Bárbara Says:

    Oi! ….

    Adorei o texto, alias sempre gosto.. como eu já te disse uma vez… apesar de, quase sempre parecer arrogante e propotente rsrsr… quando chego no final do texto penso, penso e chego a conclusão de que tudo que você escreve “quase sempre” faz muito sentido rsrs. Bom mas isso é uma opinião minha né!!!

    Saudades, um grande e carinhoso abraço!!

    Bá.

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  4. guethinha Says:

    Dei risada com a sua honestidade…muito bom texto! Parabéns!

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  5. Patricia Says:

    Parabéns Marcelo Mello, parabéns. Acaba de me deixar enlouquecida com esse texto e com essa pergunta.
    De onde você tira essas coisas? Como advinha o que eu estava pensando? (Olha meu lado egocentrico)
    Você escreveu pra mim? hahahahahaha
    Mago,´vidente, “monstro”. Eu estava ontem com a Lù falando sobre isso!!!!!!!!!!!!!!!
    Odeio você! hahahaha
    Agora me deixa pensar numa resposta para essa questão, seu chato.
    Beijos
    Paty

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  6. Veronica Says:

    Marcelo, se eu perder meu emprego por causa dos seus textos e ficar o dia inteiro pensando, mastigando e tentando ME entender, vou pedir emprego a você.
    Adorei.
    Não tenho resposta para sua pergunta, é complicada demais.
    Beijos

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  7. Ana Claudia Says:

    Acho que já falaram tudo nos comentários. Mas faço questão de responder a sua pergunta.
    Estou com você e não abro, prefiro esquecer e eliminar d aminha vida quem me faz mal porque se dermos chance, eles farão mais mal ainda.
    Um super mega plus beijo pra você!!! hehehehe
    Adoro seus “mega” “Master”…

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  8. Sandra Lima Says:

    Quando eu falo que você tem bola de cristal não me dá razão. Parece que sabe o que aflige as pessoas e escreve sobre isso justamente no dia em que estamos aflitas.
    Falo em meu nome e no de duas amigas que lêem você diariamente aqui na empresa.
    Estamos agora com cicatrizes profundas na alma e sem saber como é que nos livramos disso.
    A pergunta que fez nos deixou em dúvida e sem resposta. Não pode perguntar coisas mais simples, Má?

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  9. Fernanda Says:

    Muito bom seu texto… Difícil admitirmos que temos falhas, que não conseguimos vencer algumas barreiras da vida, que não fechamos algumas cicatrizes.

    Qdo temos uma perda (seja ela material ou física) a gente tem que aprender a vivenciar aquele luto e irmos até o fim, até o enterro propriamente dito. Mas, com as confusões do dia-a-dia ou por mera vontade de “colocar debaixo do tapete e fazer a teoria do contente”, acabamos deixando um machucado aberto e partimos para mais uma tentativa, sem as forças suficientes.

    Vamos falar mais disso? O que acha???

    Congratulations!!!!!!!!!!! 😉

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  10. Vanessa Says:

    Nossa MM que texto é esse? Achei meio pesado demais. Mas já que lança um desafio, vou responder.
    Eu acho mais fácil esquecer o mal que me fazem. Apesar de que eu entendo perfeitamente sua colocação. Não sei de mais nada porque já esqueci o mal, já esqueci as pessoas. Voce embaralhou minha cabeça. risos.
    Adorei mesmo assim
    Beijos

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  11. Maria Teresa Says:

    Gostei do que escreveu e amo o jeito que você se mostra sem barreiras, sem máscaras.
    Eu tô com você, espeço a pessoa para que ela não me faça mais aml algum.
    Genial a pergunta.
    Mil beijos

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  12. Marisa Says:

    Como bons escorpianos que somos, vingança é inevitável. Coragem sua admitir isso, Marcelo, não tem medo de perder leitores? rsss rsss rsss
    Sobre sua pergunta, antes de responder, me fala só uma coisinha, sua cabeça é assim mesmo, pensa nessas questões existenciais o dia todo? Pergunta ótima, mas complicada.
    Eu prefiro dar uma chance para as pessoas e esquecer o mal. Mas eu me vingo também quando vejo que não tem mais jeito. rsss rsss rsss
    Beijos

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  13. Carol Says:

    Que texto lindoooooo
    Sensivel, tocante, verdadeiro e pesado sim senhor. E eu como sempre concordo com você, prefiro esquecer a pessoa.

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