Auto-destruição

Botao

Muito tem se falado sobre auto-sabotagem. Normalmente falam associando a sabotagem às atitudes. Li coisas interessantes e verdadeiras sobre isso, mas hoje eu queria falar algo talvez um pouco diferente, dentro desse mesmo assunto.

As pessoas sabotam as atitudes, os projetos, como se tivessem um pavor incontrolável do sucesso. Sim, isso é mais comum do que podem imaginar. Indo um pouco além, mas dentro do mesmo tema, pois entendo que uma sabotagem só tem um intuito, o de destruir, quero hoje levantar outra questão, tão ou mais pertinente que a auto-sabotagem, talvez ainda o que dá origem a isso: A auto-destruição.

Dia desses falei em algum texto perdido aqui no Blog sobre a capacidade de destruir coisas boas que alguns de nós temos. Destruir coisas boas, repito, como se tivéssemos um botão, um detonador. Pergunto, por que será que não usamos essa força para destruir o que é ruim e o que nos faz mal? Bem, a resposta para isso talvez seja… Porque destruir o que faz mal nos manteria num estado de felicidade. Percebam que a conseqüência de apertar esse botão para destruir as coisas boas é destruir a nós mesmos.

Ué, mas não viemos ao mundo para buscar a felicidade? Não todos nós, apenas alguns. A maioria não quer ser feliz. Ok, parece insanidade afirmar uma coisa dessas, mas quero que você aí faça mais um exercício. Consegue parar um instante e pensar nas vezes que as coisas não deram certo na sua vida? Agora consegue ser honesto o suficiente para analisar – como se estivesse fora de seu corpo – e perceber a sua responsabilidade sobre “o que fez a coisa dar errado”?

Não estou falando em se culpar, pelo amor de Deus, quem me conhece sabe o quanto eu odeio a palavra culpa, estou falando em analisar com imparcialidade e notar onde é que você fez algo, moveu uma pecinha que seja na direção de destruir o que estava tão bom… Consegue fazer isso? Vai doer um pouco, mas sem reconhecer, sem se identificar com o que estou falando, vai ser difícil acompanhar meu raciocínio.

Tudo bem, não quer fazer isso agora, não faça, mas te digo, se fizer, vai perceber que muitas vezes as coisas não funcionam porque nós mesmos é que forçamos a barra para destruir tudo.

Tem gente que me pede ajuda para mudar e destruir o que está ruim em suas vidas. Lá vou eu fazer meu trabalho e consigo bons resultados, mas mesmo assim, algumas pessoas insistem em puxar de volta a nuvem preta para cima de suas cabeças, das suas vidas como um todo.

Sabe o que é engraçado? Vejo essa busca incessante pela destruição tão nitidamente que fico até sem jeito às vezes. Sabem por que? Porque eu mesmo já fiz isso comigo tantas vezes que ficaria dias aqui escrevendo sobre o tema. Mas uma delas, a mais importante, vale comentar.

Meu sonho, aquele maior sonho que todos temos na vida, era me tornar escritor. Desde sempre eu tinha apenas um grande sonho: Escrever. Demorei tanto para realizá-lo que nem te conto. Mas um dia eu resolvi fazer isso pra valer. Fiz, obtive êxito porque não é fácil lançar um livro, quer dizer, você até pode fazer isso por conta própria, mas eu queria que alguma editora comprasse meu sonho, o que é bem complicado neste país. Deu certo, consegui e lancei meu tão sonhado primeiro livro. A noite de autógrafos foi um sucesso, um monte de gente, divulgação na imprensa, tudo funcionou melhor do que qualquer expectativa que eu pudesse ter criado. Tudo como manda o figurino, tudo com os devidos pingos nos “is” dos manuais de sucesso.

Terminada a noite do lançamento, cheguei em casa com meus amigos mais próximos e quando abrimos um champagne para a última celebração… olhei no meu relógio e vi que era meia-noite em ponto, sabem o que eu disse?

– A noite de “Cinderela” acabou, voltemos à realidade da Gata Borralheira…

Tem coisa mais broxante do que isso? Fala sério, né? Tudo bem que eu estava no meio de uma depressão daquelas, mas eu não havia usado o “livro” como válvula de escape? Não havia escrito para realizar meu grande sonho? Não havia atingido meu objetivo e, mais do que isso, não estava naquele momento iniciando a colheita dos frutos do sucesso?

Por que diabos destruir aquele sonho daquela maneira tão dura? Porque temos essa tendência quando não estamos bem de cabeça, de fazer tudo parecer com a fábula da “abóbora”?

Mesmo depois de “curado”, vez ou outra minha mente ainda tenta me sabotar, mas agora eu consigo diferenciar o que é boicote do que é realidade. Antes eu sucumbia, agora eu destruo os pensamentos turbulentos, pelo menos analiso o quanto tem de boicote e sabotagem e o quanto tem de realidade. A realidade é dura sim, mas real, a auto-destruição é irreal, é “fabricada” por nossas mentes.

Nem todo mundo consegue, pior, nem todo mundo enxerga a diferença. E ser cego não é só não ver, é não perceber com os outros cinco sentidos. Sim, falei cinco de propósito porque sempre afirmei que além dos cinco que são reconhecidos, temos um sexto, a intuição.

E este sexto sentido aparece em todos os momentos, a gente é que insiste em não escutá-lo e acaba, por muitas vezes, sabotando e destruindo a nossa própria essência. E mesmo que alguns insistam em fazer parecer como tal, ninguém nesse mundo tem como essência a auto-destruição. Apenas fazem de conta e… muitas vezes conseguem.

MM

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Publicado em Ego. 12 Comments »

12 Respostas to “Auto-destruição”

  1. Amanda Says:

    Olá me desculpe por ñ conhecer sua bibliografia (irei repara isso imediatamente), está estava sendo mais uma de minhas buscas incessantes pelo autoconhecimento e me deparei com essa pág. Li coisas das quais ñ poderia deixar de comentar: a 1ª é vc diz que isso ñ é auto ajuda “era a minha” rs. Depois vc fala de controle, direção, auto-avaliação e q a autodestruição é responsabilidade nossa, mas infelizmente a maioria das pessoas ñ é capaz de controlar-se (sou uma delas), nosso inconsciente vem sido formado desde sempre e nós respondemos a ele, o habito de auto-sabotagem esta fincado em mim e qndo menos espero me utilizo desta fuga da felicidade, sei q posso modificá-lo (como instalar novos programas), mas a questão é até onde sou capaz de reconhecer os meus maus hábitos? Como deixo realmente de sabotar-me? Já q tds te buscam como uma inspiração p/ a auto-ajuda, creio que seria valido maiores ferramentas p/ q possamos realmente fazer validas suas palavras!
    Cordialmente, Amanda

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  2. Teresa Cristina Says:

    Marcelo,
    Tomei conhecimento deste blog via seu Orkut.
    Gosto muito de seus textos.
    Este, em particular, muito pertinente.
    Auto-sabotagem existe e pode acabar destruindo parte importante de nossas vidas.
    Assunto serio…

    Um abraco

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  3. Cristina Says:

    Assino embaixo, Marcelo.
    Visão espetacular de um mal que fazemos a nós mesmos. Pergunto a você, meu querido, tem cura?
    Hehehe
    Adorei.
    Beijos
    Crica

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  4. Anônimo Says:

    Texto excelente, Marcelo.
    Parabéns, mais uma vez!
    Abraços,
    Alexandre

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  5. Juliana Says:

    Oi Má.
    Não está fácil conviver com seus textos ultimamente. Estão me causando um certo mal estar. Espero que passe, porque foi você que me disse uma vez: As coisas pioram ainda mais antes de começar a melhorar.
    Seus textos exercem grande força em mim. Algumas vezes me vejo neles como se você os tivesse escrito para mim.
    Pretensão a minhs, mas era pra você saber e ficar ainda mais convencido, rsrsrsrsrsrsrs
    Beijos
    Ju

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  6. Ana Claudia Says:

    Que texto divino, uma continuação do Coitadinhos?
    Ou uma causa do Coitadinhos. Me perdi nos pensamentos.
    Quando você se coloca na situação do tema que escreve dá um alivio muito grande porque se um cara como você já passou por isso, imagine nós.
    Beijo grande,

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  7. MM Says:

    MEU DEUS!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
    Tá viva???
    Que saudade!!!
    Fazendo contas, vc já deve estar com… ah, deixa quieto…rs. Não vou revelar sua idade…rs…rs
    Mas que bom que me acgou, hein? Viva o Google mesmo.
    E sua prima, tá bem? Manda um beijo pra ela…
    Manda o email sim, te respondo, tá bom?
    Adorei saber que vc tá bem…
    Um beijo, Rachel
    MM

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  8. Maria Teresa Says:

    Olá MM,
    Tema pra lá de interessante e pra lá de bem discutido por você neste texto absolutamente perfeito.
    Mas… sempre tem um mas… queria que falasse mais a respeito, tipo por que afirma que temos medo da felicidade.
    Beijos

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  9. Luciana Says:

    Nossa, Marcelo, hoje você se superou. Parabéns.

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  10. Rachel Says:

    Querido Marcelo Mello. Você não vai acredtirar em quem sou eu, mas eu refresco sua memória: Prima da Moniquinha, viajamos no mesmo navio há séculos, fala que lembra de mim, por favor… sou do Espirito Santo.
    Aqui estava eu sábado procurando textos sobre teorias Freudianas e acho este seu Blog. Que SAUDADES de você, menino!
    Como é que é isso? Você se tornou escritor?
    Já entrei no seu site, li tudo, li seu Blog inteirinho e tive uma overdose de Marcelo.
    Agora sobre este divino texto:
    Sabe que passei maus bocados quando me separei e me culpava por ter sido responsável pela seaparação. Não é fácil criar duas meninas sozinha, mas dei a volta por cima.
    Percebi recentemente na terapia que tinha essa tendência de me auto-destruir. Esse seu texto caiu como uma luva, um tapa na cara com luvas de pelica.
    Você escreve lindamente e estou enlouquecida por ter encontrado você tão despretensiosamente. Viva o GOOGLE!!! hehehe
    Ai Má, que saudade daquela viagem, viu? Que saudade de você fazendo bagunça, apresentando o último show da viagem, lembra disso? Inesquecível.
    Pena que a vida nos leva por outros caminhos. Bom saber que está bem e já encomendei seus livros.
    Manterei contato , vou mandar um email contando toda minha vida, hehehe.
    Me responda, tá?
    Muita saudade mesmo! Foram 23 dias inesqueíveis e lembro deles como se fosse hoje.
    Você continua lindoooooooooooooooooooooooooo!
    Um super beijo, um abraço bem apertado e me responde, hein.

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  11. Vanessa Says:

    Bom dia MM,
    Depois de ler 3 vezes e suspirar uma 300, digo que este seu jeito de escrever é inebriante.
    Adorei de verdade saber o que pensa e ver que você já passou por isso. Vivo me boicotando e por consequencia me destruindo. Por que fazemos isso, Marcelo, por que? Dá uma luz para nós pobres mortais, risos. Falei mais sobre esse tema, please?
    Beijos

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  12. Fernanda Says:

    Ótimo!

    Concordo em Gênero, Número e Grau!

    E ainda acrescento: há pessoas que têm a ilusão de acreditar que ao se comportarem como “coitadinhas”, os próximos dão mais atenção, passam a mão na cabeça.

    Boa semana!!!! 😉

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