Pedra no Sapato

Pedra no sapato

Conversei com algumas pessoas sobre o texto anterior, o Coitadinhos, e alguns aspectos valem ser ressaltados, eu mesmo disse que iria continuar o assunto, mas mudei de idéia, apesar de que de uma forma meio torta, pode-se dizer que se trata do mesmo tema.

Uma amiga, após ler o tal texto, me indagou na sexta-feira sobre a diferença de se estar triste e se fazer de coitadinho. Bem interessante pensar nisso e por que não, falar disso hoje, exatamente hoje.

Essa amiga passa por momentos delicados em sua vida, o que tem provocado nela uma tristeza profunda, mas diferentemente dos seres Coitadinhos, ela é daquelas mulheres do tipo “pau pra toda obra”. Mas nem por isso a tristeza deixa de se instalar quando vê uma brecha. Acontece com todo mundo, não é mesmo? Vou falar um pouco sobre isso.

Nesses últimos tempos tenho notado que muita gente anda triste. Ao contrário daqueles que nada fazem para mudar suas vidas e eliminar o que as deixa desse jeito, são pessoas que correm atrás de soluções e mudanças. Mas nem sempre as coisas são fáceis.

Confesso que eu mesmo não ando muito bem, por diversos motivos que não são controlados por mim. Difícil admitir que não tenho o controle de certas coisas, pois tento sempre manter tudo nos trilhos que defini como “melhor jeito de ver o mundo e viver nele”.

Nem sempre podemos gerenciar a vida do jeito que queremos, afinal de contas, nos envolvemos com outras pessoas que têm certa influência em nossas vidas. E quando se trata de lidar com “pessoas” temos que saber que a decepção estará sempre a postos para dar o ar da graça.

Aconteceu comigo recentemente e creio que acontece com todo mundo, sempre que estamos de certa forma envolvidos com outras pessoas, temos que saber e estar preparados para que a tristeza tome conta vez ou outra.

Nesse final de semana tive outra grande tristeza, aconteceu uma coisa que me tirou algo que muito estimava. Além do valor financeiro da “coisa”, havia ali um valor sentimental, pois eu me apego às coisas que tenho e quando as tiram de mim de maneira bruta e covarde, fico inconformado a ponto de ter tido uma ríspida discussão com Deus ontem quando fui à missa.

Sim, sou de ir à missa todos os domingos e ontem estava bravo com Deus. Parece idiotice, mas não é. Deus me escuta sim e sei que Ele é e já foi responsável diversas vezes por coisas que me aconteceram, já me ouviu, me ajudou e me deu lições e sinais, por isso me sinto à vontade para conversar com Ele e tentar entender, ou melhor, exigir explicações dos por quês. Aquela coisa de… colocar os pingos nos is. Vamos aguardar, o fato é que Ele me deve explicações.

Mas isso é outro papo, voltemos ao que dizia. Às vezes não é fácil nos livrarmos do que nos incomoda. E aí não falo apenas de eliminar pessoas, falo de tudo. Sabe quando temos uma pedrinha no sapato? Pois é, se não a eliminarmos rápido, a tendência é que nossos pés se acostumem com ela e aí tudo fica mais complicado. Por que? Bem, é fato que os pés se adaptarão ao “novo” molde, mas é fato também que eles se tornarão pés deformados.

Talvez seja assim que esteja me sentindo agora, com os pés deformados. Acho que minha amiga também passa pelo mesmo problema. É hora de fazer algo.

Apenas para constar nos “autos”, semana passada escrevi no Twitter uma frase que faz todo o sentido, ainda mais hoje: Algumas coisas marcam profundamente a gente. Umas não queremos esquecer, outras, não conseguimos.

Eu devia estar inspirado quando criei essa citação… Ou no mínimo, prevendo algo. O mais interessante é que isso vale pra tanta coisa…

Mas não adianta chorar, não é? Resta trabalhar para repor as coisas que nos são tiradas, resta limpar os olhos e seguir em frente, afinal, reconstruir leva mais tempo do que destruir.

MM

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Publicado em Ego. 10 Comments »

10 Respostas to “Pedra no Sapato”

  1. Luciana Taveiros Says:

    Eu acho ótimo que possamos conseguir definir essas três maneiras de encarar fatos, adorei …Coisa que não queremos esquecer, e coisas que não podemos pois não conseguimos,mas ambas nos marcam muito. Mas sabe eu descobri que saber definir o que cabe em cada acontecimento e saber resolver as coisas aceitando o que temos condiçoes de fazer já é muito grandioso. Tem a ver com o movimento, aforça que temos que fazer para superar coisas que aconteceram…

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  2. Angela Says:

    MM Preferido da minha vida,

    Acho que todo mundo passou por alguma decepção esse findi, né?
    Eu também tive uma conversa pra lá de séria com o meu amigo lá de cima…
    Vc foi perfeito nas suas colocações , o ser humano tem o grande defeito de SE ACOSTUMAR com as coisas…
    Ah, chorar adianta sim….dá um alivío….
    Besos Calorosos

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  3. Leninha Says:

    Já perguntei uma vez e não custa nada repetir:
    Quem cuida da mente de um cara que cuida tão bem da mente das pessoas?
    Quando quiser, MM, quando quiser…
    Simplesmente amei seu texto e odiei saber que algo te aconteceu e que não esteja bem “ultimamente”.
    Se puder te dar um conselho, tire logo essa pedrinha do seu sapato antes que seu pé se deforme. Você mais do que ninguém não merece e muito menos precisa passar por certas coisas.
    You know what i mean.
    Beijos
    Leninha

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  4. Patricia Says:

    Sua frase final é deve ser celbrada como aquelas coisas geniais que lemos nos livros pelo mundo.
    Absolutamente incrível.

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  5. Denise Says:

    “Algumas coisas marcam profundamente a gente. Umas não queremos esquecer, outras, não conseguimos.”

    Genial!
    Como você mesmo disse, vale para milhares de passagens em nossas vidas.
    Desculpe comentar, mas preciso, é uma necessidade mais forte do que eu e foge ao meu controle:
    Marcelo, certa vez você me disse que algumas experiências da vida, coisas que a vida nos mostra e ensina, são experiências que marcam independente do tempo que durem, vale é a intensidade.
    Deixou isso explicado magnificamente no texto Experiencias Culminantes.
    É certo que você tem um auto controle grande, o que pergunto a você é: Como conseguimos eliminar os efeitos que essas experiencias nos causam, já que uma experiencia culminante não necessariamente é uma boa experiencia?
    Voltando ao texto de hoje, sinto muito pela sua dor, não sei do que se trata, mas sinto mesmo assim. Espero que melhore.
    Você afirma que não é fácil nos livrarmos do que nos incomoda. Disse isso para as coisas ruins, penso. E para as coisas boas que nos incomodam, qual seria o conselho do Coach Marcelo Mello? O que ele diria? Que devemos nos livrar também ou lutar até que elas deixem de incomodar e possam fazer parte de nossa vida?
    Ou será que é viagem da minha cabeça acreditar que coisas boas incomodam? Saudade é uma coisa boa ou ruim, por exemplo?
    De verdade, seus textos são pirantes, mas maravilhosos
    Um super beijo,

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  6. Ana Claudia Says:

    Acompanho vc de longe, Marcelo, leio seus textos diariamente e normalmente me faz refletir. Hoje me pegou, senti sua dor como se fosse minha. Acredito que seja a tal identificação com seus leitores que faça a diferença entre ler e sentir o que um escritor escreve.
    Vc me faz sentir e não apenas pensar. é o único escritor que tira isso de mim.
    Me insiro em suas palavras e vejo que preciso dar um basta nas coisas que me cercam e me fazem tão mal. Suas palavras ajudam, me empurram na direção certa. Preciso tomar certas atitudes e pensar mais em mim.
    Sofrer não é sinonimo de se fazer de coitado, entendi perfeitamente suas palavras. Eu sofro atualmente uma dor que imobiliza minhas ações, mas preciso dar a volta por cima.
    Parabéns por tudo que escreve e obrigada. Dizer que suas palavras tem um efeito grande em minha vida seria pouco. Vc faz a diferença e sou uma privilegiada por poder ler seus textos, seus livros.
    Não brigue com Deus, vc é católico e sabe que há males que vem para bem.
    Divido contigo sua dor e mesmo à distancia, estou torcendo pela sua melhora.
    Um beijo e um abraço bem apertado da sua leitora, fã e amiga,
    Claudia

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  7. Luciana Says:

    Oi Má,
    Queria saber o que houve com você. Fiquei preocupada ao mesmo tempo que feliz porque como pessoa egoista que sou, saber que você é de carne e osso, que sofre como as pessoas é um alento.
    Amei cada palavra, exceto a parte que te aconteceu algo.
    Lindo texto, belas palavras e excelente analogia. Já me tirou da zona de conforto e me fez pensar.
    Você é um fofo!
    Se cuide e espero de coração que fique bem.
    Beijo
    Lu

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  8. Gabriela Says:

    MM? Como assim você não está bem? O que houve com meu autor mais querido?
    Em relação ao resto do texto, você não estava inspirado quando escreveu esta frase final, você é a inspiração em pessoa.
    Texto perfeito.
    Já estou indo tirar as pedrinhas dos meus sapatos. Quem sabe meus pés voltem ao normal.
    Genial
    Beijos
    Gabi

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  9. Laura Says:

    Bom dia MM, posso te chamar assim? Ótimo!
    Adorei seu texto e sinto muito por não estar bem. O que me chamou a atenção foi seu comparativo sobre os pés se moldarem às pedras e se tornarem deformados.
    Analogia absolutamente impecável. Serve para todas as áreas da vida.
    Espero que melhore.

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  10. Fernanda Says:

    Olha, não sei o que te aconteceu, mas esse final de semana parece que teve um movimento igual para todos, onde ocorreram perdas e resoluções de problemas.

    Incrível essa história de Inconsciente Coletivo… Eu tb me pego mto conversando com o Cara lá de Cima. Complicado aceitar certas coisas no momento presente, mas nada como o tempo…. no fim a resposta sempre vem… Vamos acreditar, então, né??? E, o mais difícil, vamos esperar, mantendo a fé e o otimismo!!

    Bjs e boa semana

    PS: Ontem li um texto sobre Auto-responsabilidade… Fica aqui a dica de um tema 🙂

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