Eternamente Insatisfeitos

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Perguntar quem é que nunca se sentiu insatisfeito com a própria vida é chover no molhado. Mas vamos tentar falar sobre outra coisa, vamos falar sobre a insatisfação aparecer mesmo depois de alcançarmos algo que sonhamos.

Mais ou menos assim: Você tem um sonho consegue realizá-lo e depois de um tempo… já não dá a menor importância para isso. Nunca te aconteceu? Pois é, acontece o tempo todo mesmo e não se importe, você é normal.

Isso vale para qualquer coisa, carreira, sapatos, carros, relógios, esposa, maridos, enfim, vale para todas as coisas da vida. Bem, eu disse acima que era normal, agora vou ter que me virar para explicar por que é que essa aberração psicológica é um processo natural.

É nítido que pouca gente trabalha no que gosta, ou melhor, faz o que gosta. Muito pouca gente tem tudo o que deseja e por conta disso, estamos sempre buscando. No meu livro Desconforme-se eu defini muito bem isso, lá eu falei que a felicidade está na busca e não na conquista. Acho que por aqui já devo ter falado algumas vezes também e se o fiz, falarei novamente.

Buscar sempre é meu lema. Como sou inquieto, estou sempre buscando algo, porém, nem todas as vezes eu busco coisas novas. Mais ou menos assim, escrevo um livro, realizo o sonho de vê-lo publicado e como conquistei o que queria, esse livro passa a ser algo comum, perde aquele brilho que tinha durante o processo de escrevê-lo. Estranho, pois se era um sonho, eu deveria ficar olhando para ele na prateleira como se fosse uma imagem divina comum aos feitos realizados. Não é bem assim.

Ele ficará esquecido na prateleira tomando pó – minhas empregadas não tiram pó de tudo – e todo aquele processo de realização se tornará uma simples lembrança em minha mente. É, parece injusto fazer isso com um sonho, mas é o que faço e provavelmente você também.

Passada euforia de ver um projeto realizado, em vez de cairmos na insatisfação, devemos procurar outro sonho, outro projeto. Ora, se a felicidade está na busca e não na conquista, é o correto a se fazer. No meu caso, parto para um novo livro, já que o meu eterno sonho sempre foi escrever.

É exatamente por aí que mora o “X” da questão. Os sonhos têm que ser um verbo e não um substantivo. Ok, sejamos mais profundos e deixemos de lado os sonhos de consumo, afinal, sapatos novos servem para amenizar uma tristeza momentânea.

Escrever é o meu sonho. Aí já não importa se vou escrever um livro. Existem outras formas de realizar este sonho sem jogar isso para cima de um substantivo, no caso, um livro. Posso escrever num Blog, num site, numa revista e até mesmo num guardanapo de papel. O que importa aí é o verbo escrever.

Analisando por este prisma, chego à mesma conclusão que cheguei no passado: O que nos deixará satisfeitos é ter um hobby e esse hobby deverá ser ligado, de alguma forma, a arte. Sim, isso mesmo que você leu, todos nós devemos ter um hobby ligado à arte, a um processo de criação, seja ele qual for. Nada, repito, nada nos deixa mais satisfeitos do que um processo criativo. Uma coisa feita e sonhada – por que não dizer, visualizada – apenas por nós mesmos e sem a menor expectativa de reconhecimento ou aprovação de outras pessoas. Um momento seu, somente seu, uma criação sua e que, usando o português bem claro, ninguém tem nada a ver com isso.

Caso seja reconhecido, caso alguém se interesse em comprar suas idéias ou algo parecido, será mera conseqüência.

Vejo muita gente insatisfeita com o trabalho que executa e normalmente digo a esses clientes que mudar de emprego – a não ser em casos extremos – é completamente desnecessário, pois estar insatisfeito hoje não quer dizer que numa empresa nova você se tornará realizado. As coisas na vida são todas muito parecidas. As relações são quase todas iguais, as profissões, as empresas, os clientes, enfim, tudo é mesmo muito parecido. Ficar pulando de galho em galho só fará uma coisa com sua mente: Fará com que você, mais cedo ou mais tarde se sinta culpado, achando-se eternamente insatisfeito com o que tem, com a vida que leva. Pergunto nesse momento solene: Para que fazer isso com você mesmo?

A não ser que seja absolutamente necessário, mudar de ambiente não vai te trazer o sonhado bem estar mental.

É duro dizer isso, mas você tem que saber, a empresa está preocupada com o seu bem estar porque “ela” sabe que se você estiver satisfeito, vai render mais, vai produzir melhor. O fato é que ao passar pelo portão de saída, a empresa pouco se importa com sua satisfação pessoal.

Preciso falar que “lá fora” quem tem que cuidar de você é você mesmo? Ok, eu digo: Cuide da sua vida porque ela é a coisa mais importante que você tem!

MM

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Publicado em Ego. 3 Comments »

3 Respostas to “Eternamente Insatisfeitos”

  1. Fernanda Says:

    Tb acho… esse tema abre um leque de assuntos….

    Que esse seja apenas o pontapé inicial… pode abrir os olhos e ser motivador para muitas pessoas.

    Gostei 🙂

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  2. Claudia Says:

    Caiu como uma luva, tenho pensado a meses em mudar de trabalho e achava ser este meu problema. Li umas 5 vezes e percebo que talvez meu maior problema seja eu ter abandonado a pintura, prática além de divertida, terpaeutica.
    Adorei,

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  3. Vanessa Says:

    Oi MM,
    Acho que você deveria falar mais sobre isso. Queria entender pq somos insatisfeitos em nossas relações se todas elas são iguais.
    Beijos

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